Quando confundimos sucesso com felicidade

O desejo mais genuino de todo o ser humano é ser feliz. As pessoas vivem em busca da felicidade e correm contra o tempo para alcança-la logo. Encontrar a felicidade é uma urgência tão grande que por vezes se torna uma angustia.

Queremos ser feliz, mas não nos esforçamos para entender nosso propósito de vida ou saber o porquê exatamente estamos nesse mundo. Por isso, geralmente tomamos decisões importantes de maneira precipitada, pensando muito mais no sucesso do que na felicidade. Escolhas de carreira acontecem pensando no sucesso e no quanto será bem remunerada e dará estabilidade financeira. É comum pessoas saberem o que querem fazer da vida, porque tem paixão, e acabarem optando por outra, porque afinal nem sempre o que gostamos traz dinheiro ou nos torna influentes. A consequencia dessa escolha é a infelicidade diária com aquilo que se faz todos os dias e por mais que o trabalho seja só trabalho, no final, ele toma grande parte da nossa vida. É preciso amar o que se faz, quando isso toma grande parte da nossa vida, mesmo que no final da história não sejamos ricos, tenhamos que abrir mão do barco particular ou da bela casa de praia. Esses bens certamente não vão compensar a ausencia de felicidade diaria ou a frustração de fazer algo que não te realiza ou não conversa com o seu propósito de vida. O mesmo acontece no amor. Casamentos podem acontecer por interesse e pessoas que amam alguem do mesmo sexo acabam se negando a viver o amor por obediencia a padrões. Casamento é para a vida toda e te coloca dividindo a vida com alguem, por isso não faz sentido obedecer a padrões, desobedecendo o próprio coração. 

Quase nunca a felicidade tem a ver com dinheiro, mas ela tem tudo a ver com se fazer o que gosta. Tem ainda mais a ver com estar com quem se gosta.

Descobrir o propósito de vida é saber aquilo que trouxe a gente para o mundo. O que viemos fazer aqui. Se vamos fazer a diferença ou se viemos só de passagem. Se viemos para mudar as coisas para melhor, para fazer a vida dos outros melhor. Gerar boas ações, que geram boas ações. E principalmente, aquilo que nos realiza, que nos faz sentir o coração bater e nos sentir a vida, dentro e em volta de nós. Essas respostas vão ajudar a nos colocar no caminho certo. E o caminho certo é aquele que é certo para cada um. O caminho certo para os outros, pode ser muito diferente do nosso caminho. E essa diferença de rotas pode nos fazer questionar se estamos mesmo no caminho correto. O importante é escolher sempre nosso próprio caminho.

Costumo ver muitas pessoas desmotivadas, questionando suas escolhas de carreira e que de fato acabam não ocupando suas cadeiras de trabalho. Reclamam de tudo. Da vida, das pessoas, do chefe, do outro, principalmente quando o outro foi promovido. Reclamam sobre a carreira estar paralisada, mas não se esforçam em nada para merecer uma promoção. A maioria das pessoas está perdida, porque fez a escolha errada no passado procurando projeção e sucesso e não necessariamente a felicidade, que vem o fazer o que se gosta.

Fazer o que gosta significa ser feliz diariamente, porque além de se divertir no processo, ainda vem a projeção, as expectativas, os reconhecimentos, o dinheiro e principalmente, a certeza de que está no caminho certo. Fazer o que gostamos nos dá a mesma empolgação de uma criança que planta um feijão no algodão pela primeira vez. Ela escolhe o grão e acredita que colocar o grão no algodão vai germinar um pé de feijão. Um pouco desconfiada, coloca o grão em um algodão, molha e vai se deixando tomar por uma tremenda empolgação no processo. Assim que termina o plantio, nada acontece. Ela questiona: Será mesmo verdade que disso vai sair uma planta? No dia seguinte é a primeira coisa que pensa: “o feijão!” e corre para ver. Nada. Se frusta. Mas ainda tem expectativas. E de repente depois de seguir indo inumeras vezes ver o algodão vazio, esta lá a folhinha nascendo. E ela se deixa tomar pela felicidade por ter sua expectativa totalmente realizada. O fruto do seu trabalho e da sua espera está bem ali em forma de planta. E assim, a criança aprende que entre o plantar e o colher, há o regar e o esperar e que as boas expectativas são um caminho simples para a felicidade diaria. Isso é motivação. E essa motivação é o que nos faz levantar todos os dias e escolher uma roupa para ir, de alguma maneira, fazer diferença no mundo lá fora.

Fazer o que gostamos é essencial para a nossa felicidade diária, bem como fazer escolhas e renuncias também. Se quer ter uma família precisa paralisar a carreira por um tempo. Se quer uma carreira muito bem sucedida muito cedo é preciso abrir mão da vida pessoal. Se quer trabalhar com o que ama é preciso começar pensando no que te faz feliz. Se não está feliz com o que faz é preciso começar de novo, mesmo que tenha 40 anos porque nunca é tarde para buscar o que realmente te realiza. Se ama alguem que foge os padrões é preciso desobedecer os padrões. 

Devemos ser muito cuidadosos com nossas escolhas e pensar no sucesso como algo que aparece quando fazemos de maneira bem feita o que gostamos. Abrir mão de ser rico, para ter o coração em paz. Abrir mão de algo importante, por algo que seja mais importante ainda e sempre escutar nosso coração porque ele sempre sabe o caminho. Lá no fundo, sempre temos as respostas.

E assim deveríamos encarar a vida, como fizemos na primeira vez que plantamos feijões em algodões. Com expectativa, alegria, fé e responsabilidade. Quando fazemos direiro, não há como não dar certo. E assim conseguiremos encontrar a felicidade, nas pequenas e nas grandes coisas da vida e a conclusão é de que estamos buscando ser feliz e que o sucesso é só uma consequencia disso.

Coração

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