Tem momentos na vida em que tudo o que precisamos é mudança. Mudanças trazem novos desafios, novas perspectivas e a sensação deliciosa de sermos donos de algo. Trazem o novo e o desconhecido e por isso instigam nossos sentidos e botam graça na vida.

Porém nem sempre estamos na hora ou no lugar certo quando tudo muda à nossa volta e acabamos perdendo o barco da mudança.  E aí nos convém esperar o próximo barco, admirando a paisagem, tentando eventualmente fazer novas amizades com os novos passageiros deixados pelo último barco que passou. Convenhamos, que é difícil seguir apreciando uma paisagem da qual já fazemos parte e nesse momento não estamos muito voltados para fazer amigos. Queremos nossa vida de volta. Queremos algo novo.

Para ter nossa vida de volta, talvez seja mais prudente não esperar por barcos ou pelo momento certo. Geralmente esperamos que a vida mude no seu curso, que as pessoas mudem nossas vidas, como o chefe, o namorado, a melhor amiga. E por causa da esperança de que alguem nos leve para um novo lugar, corremos o risco de passar a fazer parte da paisagem de onde vivemos. Um relacionamento morno, um emprego sem desafios, motivação e reconhecimento, uma casa que nunca pareceu nossa e por aí vai. Quando o tal barco demora, talvez seja preciso se lançar na água e nadar em busca da próxima ilha, da próxima paisagem.

Acabamos por muito tempo em relações ruins, nos conformando em viver sem planos, sem paixão, sem conversas estimulantes. Em empregos que pagam as contas no final do mês, mas que nos tornam alguém que trabalha de forma mecanica, desconectado com propósito de nossa vida e assim nessa rotina de se acostumar com a vida, acabamos vivendo sem brilho nos olhos.

Os olhos brilham quando o coração está batendo no ritmo certo.

Quando não é a mesmice, pode ser a teimosia tomando conta de tudo e nos amarrando a histórias já acabadas que insistimos em continuar vivendo. Um erro do passado que não conseguimos perdoar, mas também não esquecemos. Uma história de amor onde amamos sozinhos, mas insistimos pela esperança de que o outro mude de ideia. Seguimos dando desculpas e pretextos para nós mesmos, nos afirmando coisas como: “Calma, não foi dessa vez, mas ainda será. Afinal você merece, trabalhou duro e a justiça será feita.” Bla, bla, bla, bla para a gente se enganar por puro medo de virar a página e seguir em frente.

Tem momentos na vida em que é preciso virar a página e devolver o ritmo ao coração e o brilho para os olhos. Parar de reclamar mil vezes das mesmas coisas, desistir de mudar o outro, mudar de emprego, assumir seus desejos mais secretos, viver a vida que sonha, deixar o medo, a tristeza, a falta de esperança e o conformismo na página que ficou para traz. Viver novas histórias, se arriscar a ter uma vida plena, repleta de coisas boas, como uma família, uma atividade nova ou um amor totalmente correspondido. As novas páginas fazem com que a gente sinta que os nossos pés não toquem o chão e nos mostram que de repente parece termos adquirido asas para voar.

Somente é preciso ter cuidado para não perder nenhum detalhe ao virar a página, pois podemos não entender o final da história e o que deixamos para traz faz parte do que somos e certamente dará sentido a tudo lá na frente.

Virar a página nos dá a oportunidade de ir além, em uma página em branco ou já cheia de novas histórias, nos presenteando com novos começos, novas aventuras, novos sonhos e nos tornando donos da própria vida.

Para virar a página e seguir em frente só é preciso aprender a deixar pra lá, deixar para sempre, deixar para traz.

Coração

 

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Virar a página e deixar para traz

Sabrina Almeida


Eu sou a Sabrina, mãe do Gabriel de 17 anos e do Guilherme e do Rafael de quase 8 meses, mulher do Alessandro. Para me apresentar, vou descrever as coisas que mais me fazem feliz, porque para mim, essa é a principal maneira de conhecer uma pessoa. E felicidade é o principal assunto desse blog. Ver o sorriso dos meus filhos no final do dia é o que mais me faz feliz. Não importa o quão difícil tenha sido o dia, os sorrisos dos meus filhos me fazem entender o que realmente importa e todas as angústias que ocupavam meu coração, de repente se evaporam e perdem completamente a importância. Olhar meu marido cuidando dos meus filhos e sentir que ele me ama com o melhor e o pior de mim, me faz feliz. Acalma meu coração, que antes era cheio de perguntas sobre ter realmente encontrado o amor e a pessoa certa. Ver meu marido amando os nossos filhos me dá a plena certeza de que tudo vai dar certo. De que nunca estarei sozinha. Que terei alguém ao meu lado para dividir o lado bom e o ruim da vida. Amar o que eu faço me faz muito feliz. Desde muito pequena eu sabia o que queria ser quando crescesse. Eu queria fazer coisas bonitas para as pessoas! Hoje eu trabalho todos os dias para fazer coisas bonitas para as pessoas. Ter minha mãe me apoiando no cuidado com os meus filhos me faz feliz. Ela faz as papinhas com a maior dedicação do mundo, dá dicas e conselhos preciosos, ajuda nas tarefas repetitivas e exaustivas do dia a dia. Ela dedica seu tempo mais precioso para mim e para minha família. Ter fé me faz feliz. Enxergar Deus nas coisas que são vivas, ver poesia no dia a dia, me sentir abençoada e protegida. Ter certeza de que tudo tem um propósito. Ter mais para agradecer do que para pedir. Ter muito o que celebrar. Ter a certeza de que tem algo, com uma força inimaginável, cuidando de mim e da minha família, me faz incrivelmente feliz. Tem muitos pequenos prazeres, pequenos luxos, muitos momentos de rir de perder o fôlego, que ajudam a complementar essa sensação de felicidade. Felicidade, que para mim, está nas coisas simples da vida. Ainda bem que descobri cedo, que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de dedicação. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: "quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?" E a minha resposta é como vou concluir esse post de apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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