A beleza do 40

Os 40 trazem amor.

Amor pela vida, amor por quem realmente vale a pena, amor por nós mesmos. A gente ouve mil teorias e conselhos sobre amor próprio e autoestima e passamos a vida tentando ficar numa boa com a gente mesmo, buscando aprovação dos outros, outros esses, que na grande maioria das vezes, não tem a menor importância. Aos 40 a gente aprende a identificar quem tem importância e os quem nunca, ou nunca mais, terão qualquer importância em nossa vida.

Os quarenta trazem aceitação, orgulho e beleza. Uma beleza nada obvia, que não está nas revistas e nas passarelas. Essa das revistas é para as garotas de 20. As de 40 são de carne, osso e alma. Mulheres de 40 sorriem com a alma, falam com o olhar e fazem o outro ficar com a boca levemente aberta quando fazem algo em que são realmente boas.

Os 40 trazem aquilo em que realmente somos bons. Trazem a colheita bem sucedida depois de muitos anos de tentativa e erro. É o período da experiência, onde aprendemos o que funciona, o que é bom e o que faz bem. É o período da certeza de que tudo dará certo, porque ao longo da vida fomos aprendendo que tudo sempre dá certo e que tudo tem solução.

É chegado o momento de realização! Com os 40 também chegam as realizações. Essa é a época de realizar sonhos. Ter filhos, conhecer os lugares dos sonhos, ser bem sucedido na carreira, se arriscar a mudar com a certeza de que tudo dará certo. As grandes realizações levam muito tempo e geralmente elas chegam aos 40, época de realizar e ainda sonhar novos grandes sonhos, porque aos 40 ainda temos muita vida pela frente.

Com os 40 o vazio se completa e quem chega, vem para somar. Coisas que nunca entendemos começam a fazer sentido e tudo muda mesmo sem mudar. Percebemos que alguns sonhos precisam mudar, porque já não somos mais as pessoas que sonharam aqueles sonhos.

A segurança também vem aos 40. Pra falar, para andar, para escolher, para partir, para ficar. Esse é o tempo em que as dúvidas dão lugar para certezas, que podem se transformar em outras certezas logo ali na frente, porque nessa idade nos permitimos as mudanças, os erros e os enganos. E esse ato de nos permitir mudar, se necessário, nos permite o simplesmente ir.

Geralmente os 40 anos trazem apenas os sobreviventes da roda louca de amizades que fomos colecionando ao longo dos últimos anos e nesse momento poucas pessoas ficaram. A pista de dança lotada de pessoas que parecem te amar, dá lugar a uma mesa com boa comida, boa bebida, uma vista de perder o folego, boa conversa, gargalhadas garantidas e poucos amigos, mas que realmente são os melhores e que sempre estarão presentes. Os 40 trazem de fato os seus melhores amigos e eles vão se tornando cada vez mais importantes. Geralmente eles tem 40 também, ou estão perto, e por fim, você os escolheu para estar ali e eles também te escolheram. Os 40 trazem a deliciosa sensação de estar perto de quem realmente importa, de quem merece, de quem amamos e nos amam de volta, na mesma proporção.

Os 40 nos dão os inteiros. Não nos conformamos mais com metades, nem com meios, nem com desculpas, nem pretextos. Só aceitamos os completos, os presentes, os verdadeiros. Com 40 já não nos despedaçamos mais para deixar os outros inteiros e também não procuramos mais quem nos complete. Completamos a nós mesmos e procuramos pessoas que nos transbordem.

Os 40 trazem gratidão e urgência e assim, aprendemos a não ficar onde não podemos amar e onde não somos felizes. O passar dos anos no traz essa urgência de aproveitar com o corpo e alma o agora. E assim tudo fica inesquecível, mais intenso e mais delicioso.

Com os 40 vem a plenitude e aprendemos a valorizar o ócio, a contemplar uma paisagem, gastar horas em coisas que realmente gostamos e a se entregar a uma conversa, das mais despretensiosas aos papos cabeça.

Nos 40 só o que importa, importa. E isso acontece naturalmente. É como falar um outro idioma ou fazer compras seguindo uma lista. É realmente simples assim.

É com 40 que aprendemos a confiar no arrepio, aprendemos a deixar para lá, conseguimos sorrir com o coração e chorar sem vergonha. Aliás, a vergonha também ficou para trás. Nos vestimos daquilo que acreditamos nos servir e realmente deixamos para lá o que não importa. Passamos a levar o que cabe no coração e isso ganha um valor antes totalmente inimaginável. Nesse momento aprendemos o valor das coisas.

Aos 40 já sentimos muita saudade, já lamentamos perdas, seguimos sentindo medo, mas algo incrível acontece, quando o coração se acalma e uma deliciosa certeza de que tudo dará certo toma conta de tudo.

Com 40 finalmente encontramos o sentido que buscamos por tanto tempo, sem saber o que de fato estávamos buscando. Descobrimos que o melhor momento é agora.

Aquele medo de chegar aos 40 vira alívio e gratidão e de repente a gente deseja já ter 40 há 10 anos. E o Deus me livre, vira quem me dera.

40 anos. Deus me livre, mas quem me dera. Chegou o momento das novas possibilidades pelas quais nunca estivemos tão prontos para vive-las.

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