Acredite na magia – Parte II

Eu viajava para o Rio de Janeiro, a trabalho, em um dia que tinha começado muito cedo. O dia prometia ser longo, daqueles que parecem durar 48 horas. Agenda cheia e a volta para casa prevista para o último vôo do mesmo dia. Chegando lá fui recebida pelo gerente que coordenaria as ações de relacionamento planejadas com clientes na cidade. Muito atencioso, repassa a agenda do dia. Ufa, será que vai dar para respirar? E começa o dia de trabalho. Meta: visitar os 4 restaurantes mais sofisticados da cidade espalhados em 4 cantos opostos. Experimentar os cardápios para propor o menu das experiências. O dia ia passando muito melhor do que o esperado, e se mostrado mais glamuroso do que massante. Entre o 2o e o 3o restaurante, uma paisagem estonteante enquanto pássavamos pelo bairro da Urca. Uma felicidade tomou conta de mim. Como tínhamos tempo, pedi para passear pelo bairro e perguntei se o Roberto Carlos morava por ali, porque queria entregar uma coisa. O homem, surpreso, responde com outra pergunta: O Roberto Carlos, o rei? Você é amiga dele? (morro de rir sempre que lembro do susto do moço). E respondo que sim, o rei, mas que eu não era amiga dele. Ele diz que morava, mas que não sabia o endereço.  Peço para parar o carro e pergunto o endereço para a primeira mulher que passou por nós, e para a minha felicidade e surpresa do moço, a mulher sabia exatamente qual era o prédio e estávamos, sem saber, na rua do rei. Páro para comprar uma rosa e explico que gostaria de retribuir com uma rosa, as muitas rosas que ganhei, nos 2 shows que eu fui na vida, e explico que meu plano (totalmente inesperado) era deixar na portaria do predio e que não levaria mais do que 2 minutos. Enfim chegamos no prédio. O moço desce comigo do carro, dizendo que não me deixaria pagar esse mico sozinha.

Toco o interfone e quando o porteiro atende MORRO DE VERGONHA ao perguntar: O Roberto Carlos mora aqui? E o porteiro responde: Mora sim senhora! Bom, explico que gostaria de deixar algo para ele na portaria. O porteiro pede 1 minuto e desliga o interfone.

Uns 4 minutos se passaram. Silêncio. Eu e a rosa na mão, evitando cruzar meu olhar com o pobre coitado do gerente parado na minha frente que devia pensar no quão maluca eu era e no quão pára-raio de maluco ele era. De repente o moço quebra o silêncio, que já estava constragedor, sugerindo que o Roberto Carlos deveria estar vindo pessoalmente me receber, porque aquela demora não era normal. E eu, que não podia acreditar nem que o Roberto Carlos estivesse em casa, duvidava totalmente dessa possibilidade.

Enfim, a porta se abre. Era o porteiro, me convidando para entrar. E para minha surpresa, o Roberto Carlos estava logo atrás do porteiro com 2 seguranças. Eu tremia, pasma, não lembrava nem meu nome. Não tinha me preparado para falar com o Roberto Carlos, afinal, eu tinho ido falar com o porteiro.

Sem palavras, digo parecendo uma louca: Oi, tudo bem? Eu não me preparei para falar com você, vim falar com o seu porteiro. Então vou ler o cartão para você. Li o cartão, que não tinha mais do 10 palavras e pedi uns 5 abraços. O gerente aproveitou para abraçar e pedir autógrafos para a mãe, dizendo que era um sonho para a mãe conhecer o Roberto Carlos e que ela não acreditaria na sorte que o filho teve.

Nos despedimos e voltamos para o carro atordoados, o moço ainda mais atordoado do que eu, na verdade. Seguimos nossa agenda, sem atrasos e para mim, esse dia ficou mais colorido e guardado para sempre no meu coração.

Um devaneio, que resultou em uma experiência surreal e inesquecível, de um dia meio incrível, que mostrou que às vezes, coisas mágicas acontecem, sem avisar, para nos fazer acreditar na magia, no acaso e nos mostrar a beleza da vida. Para isso, só precisamos dar vida aos nossos sonhos e devaneios.

 

6 thoughts on “Acredite na magia – Parte II

      1. Num determinado Posto onde, em tepmos je1 idos, fui colocado, um dos primeiros despachos que recebi do meu Chefe de Misse3o foi o seguinte: oie7a, meu caro, he1 uma pequena, mas relevantedssima regra, que conve9m que vocea retenha e ne3o esquee7a nunca, a fim de nos darmos sempre como Deus com os anjos, que e9 a seguinte: eu durmo sempre! a sesta. Sempre! Nunca, mas nunca, falho uma! Assim, entre as 3 da tarde e as 6.30 estou, virtualmente, incomunice1vel. Vocea, sendo o nba 2, fica response1vel, durante esse peredodo do dia, pela geste3o da Embaixada. Entendido? isto tudo dito de forma educada e muito ame1vel, com um sorriso.Quando lhe perguntei se porventura algue9m de Lisbosa telefonasse e quisesse falar urgentemente com ele, respondeu-me: diga que ne3o estou, ou fui a uma reunie3o, mas ne3o me telefone nunca! para casa a acordar-me! Tudo pode esperar! Percebeu? E assim foi. Cumpri e0 risca aquela bizarra instrue7e3o e tivemos um excelente relacionamento. Um dia pore9m, caiu-nos em cima um Telegrama de Lisboa (MNE), ou seja, o meio como entre o Ministe9rio e as Embaixadas se comunica, genericamente, que nos transmitia a vinda do ente3o Ministro dos Negf3cios Estrangeiros e1quela capital, por uns 3 dias, numa visita oficial. Levei-lhe a dita comunicae7e3o e recordo-me bem, ainda hoje, como reagiu. Ficou, uns bons minutos em sileancio. Percebi a sua irritae7e3o controlada. Ate9 que disse: e, com isto, le1 se ve3o treas dias sem sesta! Uma mae7ada! Sf3 me faltava esta! Meu caro, apf3s o 25 de Abril, querem e9 passeio. E estava eu aqui no meu cantinho, com vocea a trabalhar aqui comigo respeitando a minha dignedssima sesta e cai-me agora esta maldita visita em cima! Sabe? Vou andar completamente grogue, sem sesta ne3o funciono bem. Para vocea perceber a importe2ncia dela no meu organismo e metabolismo, je1 fae7o a sesta desde os meus 16 anos e mesmo em lua-de-mel nunca interrompi! .Um dia mais tarde, contou-me numa 2F de manhe3 que tinha tido um fim-de-semana azarado. Ente3o porquea Embaixador? – perguntei-lhe. Veja le1 bem! Estava eu a dormir a minha sesta no Domingo, quando, exactamente a meio, portanto no pico dela, me tocam e0 campaednha da Resideancia. Como ao Domingo dispenso o pessoal, tive de ir abrir. Vislumbrei pela janela, primeiro, e vi um grupo de pessoas. Quando abri a porta, constatei ser um grupo de compatriotas saudosistas da Pe1tria. Perguntei-lhes o que desejavam e responderam-me que, ao passar ali, vendo a bandeira e o nome da Embaixada, quiseram cumprimentar o Embaixador. Como tinha descido em pijame sim, levo a sesta a se9rio, durmo assim , de chinelos e roupe3o, inventei, e1 pressa, uma desculpa dizendo que ele (eu) ne3o estava, mas que deixaria a mensagem. E quando quiseram saber quem eu era, disse-lhes que era o porteiro. Mas olhe, depois je1 ne3o consegui dormir mais! Uma chatice! Uma pessoa simpatiquedssima, mas devoto da sesta.Adido de Embaixada

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