Aiiii que vergonha – parte II

Ela foi ao cabeleireiro. Fez cabelo, mão, pé e sobrancelha. Ia para balada nesse dia, mas antes, precisava passear com o cachorro. Na correria, preocupadíssima com o cabelo, porque estava chovendo, e com o esmalte, que ainda não estava totalmente seco, vestiu uma roupa qualquer. Uma calça rasgada no joelho (rasgou porque dias antes tinha caído passeando com o cachorro), um casaco impermeável com capuz e chinelos. Estava correndo com o cachorro, conversando com seus pensamentos, quando começa a andar ao seu lado um carro de polícia. Bem devagar. Até que o policial aborda ela. Ela assustada, pergunta o que houve. O policial se desculpa e explica que a confundiu, porque estava procurando um meliante com as mesmas características dela. Um fugitivo, que estava sendo procurado, trajando uma calça rasgada, moletom de capuz e chinelos. Ela indignada ainda emenda. Mas e o cachorro? E o policial responde que poderia ser um disfarce. Desde esse dia, ela penteia cabelo, passa creme no rosto, batom e perfume para passear com o cachorro.

Uma amiga, enlouquecida por suas cachorras, tipo mãe mesmo, precisava fazer um ultrassom nelas. Procurou uma clínica especializada e ligou para marcar a consulta. Quando ligou informaram que somente a unidade XPTO que tinha esse tipo de exame e que aquela unidade não fazia. Então ela liga na outra unidade e pergunta se ali faziam ultrassom. A atendente informa que não. Ela sem entender muito bem, responde que acha estranho, e pede para confirmar se aquela é mesmo a tal unidade XPTO. A atendente, super simpática, responde que sim, que era a unidade XPTO. Então ela insiste. Me disseram na outra unidade que só faziam ultrassom nessa unidade. Aí a atendente diz: sim, só temos ultrassom nessa unidade. Ah ok! então, vocês fazem ultrassom aí? A atendente: não, aqui não. Aqui é a recepção! Com um tom de voz tipo revoltada com tanta pergunta idiota. Até que elas se entenderam e depois de algumas tentativas, conseguiram marcar o exame. Quando contou a história para mim, terminou dizendo: Ainda bem que é um exame externo, porque se tivessem que fazer um único furinho nas minhas cachorras eu não faria lá de jeito nenhum!

Uma amiga começou no trabalho novo. Empolgadíssima! Bem vestida, super simpática com todos. Tinha só uma coisa que não fazia o menor sentido para ela e que já estava fazendo com que ela começasse a se sentir meio insegura. Todos chamavam a chefe dela por um apelido que não tinha nada a ver com o nome que ela achava que era. Durante 1 semana inteira de trabalho, a primeira semana de trabalho, ela não tinha a menor idéia de como sua chefe chamava, passou a semana inteira evitando dizer o seu nome. Ela precisou aproveitar um momento em que a chefe tinha ido ao banheiro, para olhar o crachá dela, para enfim saber o seu nome. Ela pensava no nome errado desde a entrevista! Isso é muita falta de noção meu Deus! Ou seria muita distração?

Essa mesma pessoa, ainda nos primeiros dias de trabalho, fez uma viagem a trabalho para o exterior. No primeiro dia ela liga para a chefe, desesperada, dizendo que a máquina de saque tinha engolido seu cartão do banco e que ela não tinha mais como sacar dinheiro, para taxi, para alimentação, para nada. Logo, ela estava em um outro país a trabalho, e não tinha um único centavo em moeda local. Precisou pedir dinheiro emprestado, causou comoção em todos do escritório, que ficaram morrendo de pena do tanto que ela era azarada. Um ano depois do episódio, ela finalmente abre o coração e conta para a chefe que na verdade a máquina não tinha engolido o cartão, mas que ela tinha esquecido o cartão na máquina e ficou morrendo de medo e vergonha de contar a verdade. Morreram de rir, lógico!

Fui tomar sorvete com algumas amigas. Uma delas, era fofa e inocente demais. Chego no caixa e peço um sorvete. A atendente pergunta se queria grande ou pequeno. E eu pergunto quais eram os tamanhos. A atendente mostra dois potes ao lado da caixa registradora, imundos. Não resisti e respondi: nesse pote eu não quero, esse pote esta muito sujo. Eu estava só querendo fazer uma piadinha com a atendente, mas aí vem minha amiga, toda boazinha, tentando ajudar e diz: não Sá! Esses potes são mostruários, os potes que usam para servir o sorvete ficam lá dentro. Oi?! Jura? Hahahahahaha Jesusss.

Essa mesma amiga do pote de sorvete estava de trelelê com um jogador de futebol famoso, de um time grande. Moço diferenciado, que super tinha o seu valor. Ela estava meio insegura, porque achava que ele tentaria algo mais se saísse com ele e ela não queria. Depois de MUITO incentivo ela finalmente cedeu, e aceitou o convite dele para sair, com a condição de que seria na casa dela, porque dessa forma ela teria o controle da situação. Passou no supermercado e comprou queijos variados e vinho, para fazer um queijos e vinhos. Isso era tudo que tinha no apartamento dela, porque ela tinha acabado de se mudar. Eis que chega o moço, direto do treino, morrendo de sede e de fome. Ela toda animada oferece um dos 8 tipos de queijo e uma taça de vinho. O moço responde que não come queijo e que não pode beber nada alcoólico em véspera de jogo. Ploft! Ela não fazia a menor idéia do que fazer com ele. Não esperava muito repertório dele para longas conversas e não estava disposta a ser o jantar dele. Ai que vergonha! Ela não contou exatamente o que aconteceu. Mas jura de pés juntos que não rolou nada!

Há muito tempo atrás, eu estava com as minhas amigas no “recreio”, numa roda, em uma conversa animadíssima. De repente vejo minha irmã mais nova, no meio da roda, tipo íntima de todo mundo, rindo de histórias que ela nem conhecia o contexto. Nitidamente tentando parecer entrosada. Até aí tudo bem. Mas não conformada, resolveu interagir com as pessoas e pergunta para uma delas: te chamam de Cremuchio desde pequena? E a menina reponde: não é Cremuchio é Termutes! E minha irmã: ahhhh ok! (Reação corporal tipo deu na mesma) te chamam disso aí desde pequena? (ela ainda não tinha entendido a sonoridade do nome, por isso o “te chamam disso aí que vc falou”). Até que a menina concluiu: sim! Me chamam disso desde pequena, porque esse é meu nome. Nessa hora eu já tinha cavado um buraco para entrar. Era a minha irmã ali! E hoje morro de rir, porque isso não poderia ser mais ela!

É impressionante como essas histórias nos fazem espumar de raiva, querer morrer de vergonha ou de raiva, no momento em que elas acontecem. Geralmente a vergonha passa e rimos de perder o fôlego ao relembra-las. Sou muito grata por poder compartilhar dessas histórias com as pessoas que mais amo na vida.

Coração

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