Aiiiii que vergonha!

Dizem que de médico e louco todo mundo tem pouco. Não discordo, mas agrego. Para mim, de médico, de louco e de pára-raio de maluco, todo mundo tem um pouco.

Às vezes nós somos o pára-raios e outras o maluco da história!

Imaginem meu médico, referência no que faz, um dos melhores do Brasil, desses que não aceitam convênio. Super profissional, sério, concentrado, conciso. Gentil, inteligente, calmo. Enfim, um super médico! Ele foi responsável por todos os ultrassons de acompanhamento da minha gravidez de gêmeos. As consultas com ele eram quinzenais e duraram 6 meses. Ou seja, nos encontramos com certa freqüência. Desde a primeira consulta, até a ultima 6 MESES DEPOIS, depois de termos passado coisas difíceis juntos, notícias que poderiam ser problemas sérios com os bebês, todo o processo de diagnóstico do possível problema, até a conclusão do diagnóstico com excelentes notícias sobre a saúde dos bebês, eu chamei ele de Dr Eduardo. E na ultima consulta, meu marido me pergunta: Por que você insiste em chamar o médico de Dr Eduardo? E eu respondo: Porque é o nome dele. Ele emenda: não! O nome dele não é Eduardo. Até peguei o cartão dele para ter certeza, de tanto que você chamava o homem de Eduardo. Olha aqui o cartão. O nome dele é Luiz Carlos! Cade o buraco nessa hora?? E aí o que você faz? Claro que você vai bater na porta do consultório para se desculpar, por ter chamado seu médico, por 6 meses pelo nome errado! E ele, na maior paciência: nossa eu não entendia porque você me chamava de Eduardo, mas grávida de gêmeos, a gente não pode contrariar… Sinto vergonha até hoje, só de lembrar.

Consegui o emprego dos meus sonhos. No lugar que mais quis trabalhar na vida. Estou trabalhando há uns 2 meses, ainda abobada, por te conseguido o emprego. Estava saindo e estava chovendo muito. Precisava de um guarda-chuva para poder ir até o carro. Cheguei na recepção e tinha um moço lá, pegando o último guarda-chuva disponível. O homem educadamente me ofereceu carona no guarda-chuva. O estacionamento era gigante, logo eu pensei que as chances de os carros estarem próximos era mínima. Então, educadamente, recusei. Ele insistiu, disse que não se sentiria bem de levar o último guarda-chuva (Mas não me deu o guarda-chuva, que na verdade era tudo o que eu queria). Então, cedi! Fui de carona no guarda-chuva dele. Preocupada em manter distância suficiente dele, mas em não molhar minha bolsa da Louis Vuitton novinha. Equação difícil… Molhei a bolsa toda. Aí ele começou a conversar. Perguntou meu nome e disse o dele. Perguntou em que área eu trabalhava e quando eu respondi, ele comentou sobre o gerente da minha área, dizendo algo como: então você trabalha na equipe do fulano! Eu educadamente perguntei qual era a área que ele trabalhava e para minha surpresa, era a VP que eu trabalhava! E eu não fazia a menor idéia quem ele era. Então insisti, mas em que posição? (Tipo, nunca te vi). Ele disse algo que não entendi e desencanei. Mudamos de assunto e eu nessa hora só pensava se meu carro estaria mesmo onde eu estava pensando, porque parecia que eu estava voltando para casa a pé, de tanto que demorava para chegar no carro. Enfim, o carro chegou! O moço agradeceu a companhia e eu pedi desculpa pelo transtorno. Me despedi falando: tchau Beto. Dias depois, uma pessoa aponta o Beto e diz: esse nosso VP, o Pedro é muito charmoso! E minha ficha caiu, gigante, rápido, forte, bem no meio da minha cabeça! Ele não chamava Beto e era meu VP e eu não tinha a menor idéia de quem ele era e deixei isso muito claro na nossa conversa. Não imagino o que o moço tenha pensado de mim depois dessa nossa conversa debaixo da chuva!

Sua amiga resolve fazer uma pequena reforma em casa, coisa simples, apenas trocar a cor de algumas paredes, alguns móveis, quadros novos. Resolve que vai fazer tudo sozinha. Monta a lista de compras e vai na loja de material de construção. Chega no balcão de tintas e pede: por favor, quero uma tinta cor de berinjela. E o vendedor responde: a parte de dentro ou de fora? E sua amiga: da casa? E o vendedor: não! Da berinjela! E ele estava falando sério… Ela se desculpa e pede a cor da parte de fora da berinjela.

Você está bem vestida, de pantalonas, salto alto, camisa social bem acinturada. Parece que você trabalha na revista do filme O Diabo Veste Prada. No elevador, indo para o trabalho, aprova sua escolha no espelho. Enfim, você está se sentindo linda. Daí, o diretor de criação te chama na sala dele, um aquário, no meio da agência. No meio da conversa você, menstruada, sente que pode sujar a cadeira da sala dele, então resolve levantar e apressa o final da conversa. Tarde demais, você sente algo escorrendo na sua perna e sua pantalona, linda, descolada da pele, não da conta de segurar. Esta lá, uma gota de sangue no chão. Esta feito e você não tem o que fazer, a não ser simular uma hemorragia. Ele se desespera, pergunta se isso é normal, se oferece para chamar uma ambulância. E eu peço para ele chamar alguém da limpeza, para que ele não se preocupe… Gente, ele pensou em chamar uma ambulância. E tenho duvida sobre quem sentiu mais vergonha dessa situação.

Uma amiga estava esperando seu “ficante”, que vivia dando o cano, voltar de uma viagem a trabalho. Se preparou toda, comprou roupa nova, fez o jantar, espalhou velas acesas pela casa toda. Daí o moço, liga depois de umas 2 horas de atraso, avisando que desistiu de ir, que estava cansado e foi direto para casa. A amiga, puta, apagou as velas, guardou a comida na geladeira e colocou o pijama. Rola para um lado, rola para o outro e não consegue dormir de tanta raiva. Resolve ir na casa do moço. Apontar o dedo na cara dele e dizer que ela não merece ser tratada assim. Então ela levanta e coloca um chinelo. Sim, ela ficou de pijama, e foi para a casa dele. Chegou na porta e pediu para ele descer. Ele diz que não podia descer e pede para ela subir. Ela, de pijama, sobe. Se depara com ele de cueca, fazendo massagem com um japonês baixinho. O moço era massagista, não tinha nada além de um homem cansado, recebendo seu massagista em casa. E ela, não se comove. Insiste em discutir a relação. O japonês massagista, desiste de esperar aquela louca parar de falar e vai embora. O moço não consegue nem falar, de tanto que ela fala. Dai a amiga, se vê naquela situação, implorando para aquele homem de cueca gostar dela e se da conta que ela não precisa daquilo. Que o moço nem era tudo isso e quando ele começa a falar, ela pede desculpas, diz que foi tudo um grande equívoco e vai embora. Esse moço deve estar de cueca na sala até hoje, tentando entender o que aconteceu. Eles nunca mais se viram depois disso.

Uma amiga estava de paquera com um moço do escritório. Eles trocavam links de musicas que tinham a ver com a história deles. Ela na maior empolgação, coloca o fone para ouvir a ultima música que ele enviou. Esta lá, trabalhando na sua apresentação e ouvindo a música. O escritório inteiro olhando para ela. De repente, o chefe dela cutuca ela nas costas. E mostra o fone DESCONECTADO DO NOTEBOOK. Logo, ela estava ouvindo um funk, alto, compartilhando aquela beleza de música com todos do escritório e o chefe precisou cutucar para ela entender o que estava acontecendo. E o chefe ainda comenta: pelo seu estilo, não diria nunca que você gostava desse tipo de música. Gente que vergonhaaaaa.

Enfim, quem nunca foi pára-raio e maluco ou o próprio maluco da história? São inúmeras histórias. Nossas, do amigo, da família, que enquanto aconteciam faziam a gente querer morrer de tanta vergonha, mas que com tempo viraram parte engraçada da nossa história.

Esse post é um convite para nos levarmos menos a serio, darmos mais risadas de nós mesmos e procurarmos não sofrer tanto com tudo. Um convite para relembrarmos nossas histórias e tentarmos ver o quanto já fomos um maluco caindo num pára-raios de algum pára-raio de maluco por aí. Dessa forma fica mais fácil relevar quando o pára-raio de malucos somos nós.

Coração

6 thoughts on “Aiiiii que vergonha!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *