Capítulo 07 – O que você está fazendo aqui?

Ana demorou alguns segundos para atender o telefone.

– Alô. Disse ela.

– Oi filha. Tudo bem?

– Oi mãe! Que número é esse?

– É da Paula, meu celular não pega aqui. Hoje é o dia da convenção de vendas e vou passar o dia fora. Como não nos vimos porque você tinha saído quando acordei, estou te ligando para avisar. Aliás, o que te tirou da cama tão cedo?

– Obrigada por avisar mãe. Espero que se divirtam. Nada. Quis fazer uma corrida mais longa. Mentiu Ana.

– Ainda bem que meu trabalho sempre me diverte. E que as suas corridas te divertem. Bom, até mais tarde filha. Ah! Dê um beijo de feliz aniversário na Lara por mim. Ah! E juízo!

– Darei mãe. Espero que ganhe muitos prêmios aí.

– Obrigada filha. Preciso ir. Beijo

– Beijos mãe.

Ana desligou o telefone muito decepcionada por não ser Michel. Ela sabia ser extremamente irracional esperar por uma ligação dele naquele dia, mas ela enfim tinha aprendido a trabalhar com irracionalidade e isso já não parecia estranho para ela.

Lara perguntou curiosa:

– Quem era? Era ele?

– Minha mãe. Ela te mandou um beijo de feliz aniversário.

– Que linda sua mãe. Estou com saudades dela. Ela só trabalha.

– Está trabalhando hoje.

– Sua mãe é muito incrível. A equipe de vendedoras dela deve amá-la.

– Ela é mesmo demais. E muito amada mesmo. Ela se orgulha de ter ajudado tanta gente a melhorar a vida, dar estudo para os filhos, recuperar o amor próprio, ganhar independência.

– Isso tudo é muito legal. A tia Ilonka e toda a história, mas temos compras para fazer. Certo?

– Certo! Vamos às compras. Vamos voltar para o seu dia. Concordou Ana.

Em poucos minutos estavam no shopping e Lara que costumava ser muito decidida com tudo estava completamente perdida para escolher sua roupa incrível para a sua festa de aniversário depois de 2 horas experimentando roupas em sua loja preferida.

– Acho que esse é o efeito Caíque na sua vida amiga! Nunca te vi tão indecisa. Brincou Ana.

– Nem me fale amiga. E aí? Esse, ou esse… ou esse? Implorou ajuda.

– Leva o de paetês!

– Isso! Será o de paetês.

– Agora vamos almoçar. Estou morrendo de fome.

– Vamos!

Elas saíram felizes e almoçaram tranquilas. Relembraram tempos de infância, falaram de Alex, que andava sumido da vida delas. Falaram de Michel e de Caíque e da perda da virgindade da Ana e da vontade de levar a vida mais a sério de Lara. Falaram sobre o futuro e o que aconteceria depois da faculdade e nesse momento Ana decidiu que era de contar para a amiga que ela e a mãe iam para a Hungria sem data para voltar. Lara sentiu um mix de sensações, incluindo felicidade, pois sabia o quanto a amiga sonhava com aquilo, e tristeza, pois sentiria muita falta da sua melhor amiga. Depois de passarem por vários tempos e vários sentimentos, além de muitas horas sentadas no restaurante, foram para casa de Lara se vestir para a grande noite que teriam.

O final da tarde seguiu animado e perto da hora de saírem forma surpreendidas por Alex

– Não acredito! Que surpresa boa! Disse Lara abrindo a porta de casa. – Estava com saudades de te você.

– Eu também! Parabéns Lara! Trouxe vodka e limão siciliano para fazer para você sua caipirinha preferida.

– Você é demais.

– Oi Ana! Disse Ale meio sem graça porque as coisas ainda estavam um pouco estranha entre eles depois da última noite de desencontros e revelações.

– Oi Alex! Que saudade. Disse Ana abraçando o amigo, já tendo superado tudo que tinha acontecido.

– Que legal que está tudo bem com a gente. Respondeu ele aliviado.

– Você é meu melhor amigo. Sempre estará tudo bem com a gente. Agora quero essa caipirinha.

E assim foram os 3 para cozinha e Lara teve mais um momento delicioso com os amigos. Eles se divertiam quando de repente um arrepio tomou conta de Lara lembrando que veria Caíque em poucos minutos. E o coração de Ana acelerou sem pedir permissão, tendo seu momento diversão totalmente invadido pela vontade que sentia de Michel.

– Hora de cair na pista meninas! Disse Alex tirando as meninas de seus devaneios.

– Bora! Respondeu Lara virando todo o conteúdo de deu copo de caipirinha.

Eles chegaram no bar onde aconteceria o aniversário de Lara e ela se deparou com uma enorme surpresa, ao ver todo o local decorado com balões metalizados de hélio em formato de coração. Tinham mais de 500 balões ali e ela ficou por alguns instantes com a boca levemente aberta.

– Feliz aniversário! Disse Caíque carregando mais um punhado de balões nas mãos.

– Obrigada! Disse Lara se jogando nos braços dele. – Eu amei!

– Fico feliz que tenha gostado. Agora vem aqui que tem mais uma surpresa. Disse Caíque arrastando Lara pelas mãos, como se mais ninguém estivesse ali, além deles.

Eles chegaram em uma grande mesa reservada para eles. Na mesa tinham várias garrafas de champagne Veuve Clicquot e um grande bouquet de rosas vermelhas com um envelope.

Lara estava um pouco chocada com aquilo tudo. Era muita coisa para absorver. Ela mal tinha aceitado o segundo encontro pela primeira vez na vida e estava sendo bombardeada com declarações de amor. Quando abriu o envelope ficou ainda mais anestesiada:

“Vale uma viagem para qualquer lugar do mundo quando a gente se formar. Feliz aniversário. XO”

– Quanta coisa! Disse Lara.

– Mas você gostou? Perguntou Caíque esperando uma reação diferente.

– Claro! Amei. Obrigada Caíque.

– Você merece meu amor.

E o final da frase ecoava na cabeça de Lara: “meu amor.”

E de repente seu coração entendeu o que acontecia ali e ela relaxou.

– Obrigada por tudo! Meu amor! Disse empolgada dando um beijo nele.

As pessoas começavam a sentar na mesa e Ana convidou Lara para irem buscar uma bebida no bar.

– O que foi isso? A coisa mais romântica que já vi. Disse Ana.

– Cabeça, o que foi isso? Não sabia o que sentir.

– Mas você amou, né?

– No começo me assustei. Mas depois amei.

– Achei que ele puxar uma caixinha de joias, ajoelhar e te pedir em casamento. Brincou Ana.

– Já pensou? Ainda não. Não dou conta não. Disse Lara caindo na gargalhada.

– Mas falando sério… foi bem fofo. E você merece. O que tinha no envelope?

– Ganhei uma viagem. Para qualquer lugar do mundo. Como você minha amiga. Acho que vou para a Hungria também.

– Vem! Será incrível.

– Vamos ver.

– O que vai ser meninas? Perguntou o barmen as interrompendo.

– Tequila! Disseram juntas.

– Ah isso não vai prestar! Disse Lara.

E nesse momento os pensamentos de Ana foram de novo para Michel.

– Ana! Está aqui?

– Sim amiga!

– Acho que você está apaixonada. Provocou Lara.

– E eu acho que você está louca! Mas tudo bem, porque hoje é o seu aniversário. Vem! Vamos dançar. Empolgou-se Ana.

– Vamos!

Elas dançavam quando foram surpreendidas por Caíque.

– Estava me perguntando onde estaria minha namorada. Disse ele ao chegar.

Lara ficou chocada, mais uma vez. Mas de alguma maneira aquilo parecia melhor do que ela achou que pareceria enquanto viveu com medo de compromisso.

– Sua namorada está bem aqui. Respondeu ela sem pensar muito.

Eles se beijaram e Ana resolveu que era hora de deixá-los ali curtindo aquele começo de namoro. Ela voltou para a mesa e encontrou seus melhores amigos ali em volta da mesa. Eles estavam animados, rindo alto, virando shots de tequila, mas por mais que estivesse se divertindo e cercada pelas pessoas que mais gostava do mundo, ela não conseguia se sentir totalmente feliz ali. Seus pensamentos estavam em Michel e ela desejava, mais uma vez irracionalmente, que ele entrasse pela porta daquele bar.

A noite foi se arrastando e Lara não tinha muito tempo sem que Caíque estivesse ao lado dela. Por isso ela não conseguia dedicar sua atenção aos amigos, o que fez com que Ana fosse embora um pouco antes da meia noite.

Mais uma vez Ana saia de um bar infeliz com sua vida amorosa, mas dessa vez, com o coração totalmente descompassado, como nunca havia estado antes. No táxi, voltando para casa, ela tentava entender todos aqueles sentimentos e pensava sobre onde Michel poderia estar naquele momento. Se poderia estar com outra mulher. Se tinha pensado nela e na noite que tiveram juntos.

Ela chegou em sua casa ainda sem respostas e se enchendo ainda mais de perguntas, que também não teriam respostas, mas que de alguma maneira as faziam bem, quando levou um enorme susto ao abrir a porta.

– O que você está fazendo aqui? Ana perguntou espantada.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 08 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *