Capítulo 09 – O Perigo de uma Safra Especial de Vinho

Betsy liga para Malu perto da hora do almoço a convidando para ir com ela escolher seu vestido de noiva. Malu fica muito feliz com o convite e cancela uma reunião que tinha logo depois do almoço para poder se dedicar totalmente à tarefa de ajudar sua melhor amiga a encontrar o vestido perfeito. Betsy pega Malu e vão direto para a loja de vestidos que tem uma linha de criação parecida com o que ela está buscando. Já na loja, elas parecem crianças em um parque de diversões. São atendidas por uma mulher nova e muito sofisticada. Em instantes ela chega com vários modelos de acordo com o pedido de Betsy.

Ela resolve provar primeiro o modelo que mais gostou. No momento em que termina de baixar a saia, os olhos de Malu já enchem de lágrimas. Sua amiga parecia uma princesa. Aquele vestido só podia ter sido desenhado para ela. Betsy é uma mulher linda, tem a pele e os cabelos dourados, já sendo cuidados para o grande dia e parte de sua preparação para ser a noiva mais linda do mundo. O vestido é um Vera Wang super tradicional e moderno, exatamente como Betsy. É de tafetá de seda pura com dois pedaços de tecido torcidos e drapeados descendo um de cada lado do decote tomara que caia sereia e se transpassando no final da barriga. A saia é volumosa e tem algumas camadas assimétricas do mesmo tecido. Não tem renda, nem brilho. É de uma sofisticação nada óbvia. A parte de cima segue bem justa no corpo dos seios até o começo do quadril. Depois uma bela saia evasè até os pés. O véu é de tule e a tiara fina e cravejada de brilhantes. Com esse vestido ela certamente conseguiria ser a noiva mais linda do mundo. No momento em que Betsy está pronta, olha pelo espelho para Malu e pergunta claramente feliz:

– E aí? O que você achou?

– Eu acho que você já encontrou seu vestido. Você está MARAVILHOSA. Senti até vontade de chorar. Você me emocionou. Esse vestido foi feito para você.

– Também gostei! Sempre quis um vestido assim, só não imaginava que ficaria tão lindo!

– Agora anda de um lado para o outro. Veja se ele é confortável, leve. Pensa que você vai dançar e ficar horas de um lado para outro com ele.

Betsy começou a desfilar e a cada passo que dava, mais radiante ela ficava. Ela decidiu por aquele vestido, sem provar nenhum outro. Todos da loja se impressionaram com a decisão tão rápida. Ela era a pessoa mais decidida e determinada que Malu conhecia. Era o que mais admirava na sua melhor amiga. Com o vestido de noiva não seria diferente. Para os pés, escolheu um sapato de cetim Jimmy Choo.

Saíram abraçadas da loja. Malu se sentia muito especial por participar desse momento. Foram almoçar no restaurante preferido delas e comeram o de sempre. Betsy contou sobre os preparativos para o casamento que já aconteceria em 3 meses. Malu falou sobre Rodrigo, sobre a forma que se sentia em relação ao pedido de casamento e também sobre o Pedro ter batido no Theo quando ele tentou agarrar ela a força. Betsy achou extremamente romântico e começou a odiar o Theo pela canalhice. Brindaram com Coca Cola Zero. Dividiram a sobremesa. Enfim, fizeram como costumavam fazer nos últimos anos. Terminam o almoço falando dos últimos detalhes da viagem de despedida de solteira que aconteceria em 15 dias.

Depois de quase 4 horas de almoço, entre vestido de noiva e comida, Betsy deixa Malu no escritório.

Malu trabalha super concentrada para terminar uma apresentação que faria em 30 minutos e estava bem atrasada. De repente recebe um email de Pedro com o assunto: Convite. Ficou curiosa. Olhou para a sala dele e viu que ele estava na mesa dele conversando com Theo. Abriu a mensagem.

De: Pedro Garcia

Para: Maria Luiza Marques

Assunto: Convite

Data: 03/08/15 às 16h17

Como você está depois da tentativa de beijo roubado de ontem?

Vou fazer um jantar na minha casa nova para você e para o Fabio, quero apresentar o apartamento que finalmente ficou pronto e comemorar a primeira noite que vou passar nele. Como você me ensinou, vou abrir uma garrafa de vinho muito especial, que eu guardo há anos a espera de um momento digno dessa rolha.

Quero brindar à minha nova vida com vocês.

Você pode hoje?

Beijos

Pedro

Malu acha graça. Porque mesmo ele não ligou para ela ou a chamou na sala dele? Resolve manter a comunicação no formato escolhido por Pedro. Já que ele parecia ocupado com Theo e esse parecia ser o motivo do email.

De: Maria Luiza Marques

Para: Pedro Garcia

Assunto: RES: Convite

Data: 03/08/15 às 16h18

Estou bem! Tive um excelente defensor.

Eu amei a ideia de tomar uma garrafa de vinho especial com você e brindar essa nova fase que você começa hoje. Me sinto honrada.

Que horas?

Me passa o endereço.

Beijos

Malu

Logo que envia, fica ansiosa esperando pela resposta. E não consegue mais trabalhar. Fica apenas esperando o email. De repente a apresentação que faria em 20 minutos perdeu importância. Em menos de 1 minuto a resposta.

De: Pedro Garcia

Para: Maria Luiza Marques

Assunto: RES. RES: Convite

Data: 03/08/15 às 16h19

🙂

Te pego às 20h na sua casa.

Pedro

De: Maria Luiza Marques

Para: Pedro Garcia

Assunto: RES. RES. RES: Convite

Data: 03/08/15 às 16h19

Nossa você pega? Isso está parecendo um encontro.

Por que não posso ir de carro?

Malu

Se passam 10 minutos e não chega nenhuma resposta. Malu começa a se consumir. Será que a brincadeira tinha sido infeliz? Tentou cancelar a mensagem enviada mas não conseguiu. Ele era chefe dela. Ela está noiva. Ele sai de vez em quando com a sua amiga. Ela se arrepende amargamente de ter usado a palavra encontro. Mas não tem coragem de olhar para a sala e conferir o que ele está fazendo. De repente chega uma mensagem de Pedro. O coração dela dispara.

De: Pedro Garcia

Para: Maria Luiza Marques

Assunto: RES. RES. RES. RES: Convite

Data: 03/08/15 às 16h30

Porque quero que beba tanto vinho quanto quiser sem se preocupar em dirigir. Não quero que dirija bêbada. E o Fabio te levará para casa. Fique tranquila. Você estará protegida! Nada de beijos roubados essa noite.

Te pego às 20h na sua casa.

Hum, que fofo! Pensou Malu e respondeu imediatamente.

De: Maria Luiza Marques

Para: Pedro Garcia

Assunto: RES. RES: RES. RES. RES.: Convite

Data: 03/08/15 às 16h31

Me protegendo mais uma vez. Vou ficar mal acostumada.

Estarei pronta às 20h.

Malu, enviou o email e correu para uma reunião de briefing com Caíque e Rebeca. No caminho para a reunião, falam sobre o casamento que já aconteceria no próximo final de semana. Ele estava muito ansioso e feliz.

Pedro e Theo já estavam na sala há mais de 2 horas e seguiam conversando. Theo estava muito envergonhado com que tinha feito nos últimos dias com as mulheres da agência. Ninguém da agência soube do que aconteceu com Duda ou com Malu e a ideia era manter isso em segredo. Pedro aconselhou Theo a se desculpar com as duas e a seguir em frente tentando se comportar melhor. Ele também pede desculpas pelo soco, mas alega que ele estava fora de si, fazendo algo que certamente o deixaria arrependido. Depois de algum tempo de conversa Pedro pergunta:

– Cara, você é um homem correto. Tem um fraco por mulheres bonitas e experimenta todas para tentar achar a mulher perfeita, o que pode ser considerado um pouco sacana pelas mulheres. Principalmente pelas que se apaixonam. Mas é um cara bacana que sempre deixa claro para elas o que podem esperar de você e de alguma maneira elas se submetem porque querem. Agora tentar beijar mulheres à força? Isso não tem nada a ver com você. Me explica. Por que você vem se comportando assim?

– Preciso falar com alguém sobre o que está acontecendo. E acho que sei porque venho fazendo essas merdas. Estou muito atraído pela Duda. Mas preciso lutar contra isso. Ela é uma mulher incrível que me desperta muito desejo. Mas ela não se parece fisicamente nada com as mulheres que eu gosto. Ela não tem nada a ver com o meu mundo e nem eu com o dela. Sei lá. Acho que sinto vergonha de andar de mãos dadas com ela. Ela se veste mal. Não liga muito para o corpo. E não se atrai pelas minhas qualidades. Ela me desafia. Acho que também tem vergonha de andar de mãos dadas comigo. Ainda assim a quero muito. Não sei como lidar com tudo isso.

– E ainda assim, você quer ficar com ela?

– Estou louco para ficar com ela. Porém minhas técnicas não funcionam com ela. Não consigo seduzir ela de maneira nenhuma. Tudo que eu falo acaba ficando forçado. E por isso, não sei como agir e faço merda nas tentativas. As técnicas que sempre deram certo com todas as mulheres, não dão com ela. Nada que eu tenho que sempre impressionou as mulheres impressiona a Duda. Não entendo os sinais dela. Acho que ela me acha um babaca. E ela se acha superior, só porque já viveu todas aquelas coisas interessantes, porque acredita em Deus, cuida do espirito e tem fortes crenças. Enquanto eu sou um cara comum, sem um passado tão interessante repleto de historia, que não ficaria com metade das mulheres que já fiquei, se não fosse minha posição social. A Duda não se impressiona com um restaurante caro ou com alguém que abre a porta do carro. Da mesma maneira que roupas quase hippies, cabelos quase despenteados e restaurantes vegetarianos também não me atraem nem um pouco. Mas independente de tudo isso, estou louco para transar com ela.

– E por que fez aquela cagada com a Malu que é amiga dela? Isso tudo é muito contraditório.

– Estou querendo tirar a Duda da cabeça. Ela não é mulher para mim e não sou homem para ela. Tenho muitas opções para resolver a parte do sexo. A Malu apareceu gostosa para caralho na festa. Pensei que ficar com uma amiga da Duda poderia me ajudar a virar de fato um tremendo babaca para ela e me ajudaria a tirar ela da minha cabeça.

– Que estratégia mais ousada e arriscada. A Malu está noiva. Você não teria nenhuma chance com ela. Além do mais ela é muito amiga da Duda. Que cagada cara! Se não quer ficar com a Duda, não alimenta isso mais. E corre para aquelas mulheres incríveis que estão loucas para casar com você. Mas independente de qualquer coisa, peça desculpas para elas.

– Farei isso cara. Agora mesmo. Essa história está me matando.

Theo sai da sala de Pedro e vai direto para sua sala ligar para Duda.

– Oi Theo. Atende Duda de maneira seca, depois de ver o nome dele no identificador de chamadas.

– Oi Duda, tudo bem?

– Theo estou ocupada. O que você precisa?

– Preciso conversar com você. Podemos sair para conversar hoje à noite. Precisamos conversar desde o tapa que você me deu. Trabalhamos juntos e não podemos seguir dessa maneira.

– Você mereceu o tapa! E concordo que precisamos conversar! Onde você quer ir?

– Te pego na sua casa às 21h30 e até lá vou pensar e te proponho um lugar. Pode ser?

– Isso não é um encontro Theo! Me passa o endereço e te encontro lá às 21h30. Ok? Preciso trabalhar. Nos vemos mais tarde. Ela diz isso e desliga o telefone. Seu coração está tão disparado que ela acredita que todos em volta são capazes de ouvir. Está retomando os batimentos em ritmo normal quando Malu volta para mesa. Rapidamente Duda levanta, vai na direção dela e antes que ela se sente, Duda a arrasta para o café do último andar.

– Malu preciso conversar. Vamos tomar um café.

– Claro Duda, mas preciso pegar a carteira para pagar o café.

– Que? Eu pago! Não se preocupe.

– O que houve?

– O Theo me chamou para jantar. Quer conversar.

– E por que você está assim? Pergunta Malu um pouco cética.

– Por que não tenho ideia do que ele vai dizer. Estou magoada com o que ele fez. E odeio o fato de me sentir levemente atraída por ele.

– Duda, você não está levemente atraída por ele. Você está completamente atraída por ele. O amor é bom. Não se envergonhe por isso. Ele parece gostar de você. Mas ele é um babaca. E todo mundo um dia já amou um babaca. Você merece um homem de verdade. Mas acho que você deveria dar uma chance para essa história porque do contrário isso vai te consumir. Aliás, já está te consumindo. Nunca imaginei ver uma pessoa tão centrada como você, tão descontrolada assim.

– Ele mexe com o meu juízo. De repente tudo que sempre funcionou com os homens não funciona com ele. Ele não tem paciência para as minhas histórias. Minha inteligência parece aborrecer ele. Ele encurta as conversas. Sei lá. Estranho de explicar.

– Sexo Duda! Isso sempre funciona com todos os homens. Você não quer casar com ele. Não precisa se mostrar. Páre de tentar fazer ele valorizar o que não é importante para ele. Pelo menos o que você acha que não é importante.

– Você está certa. E o que eu quero mesmo é transar com ele.

– Portanto meu amor, sem medo de ser vulgar, entregue-se porque você não vai querer mesmo casar com ele. Faça um sexo delicioso. Proponha um acordo. Sem envolvimento, sem tornar público, sem falar muito da vida pessoal, sem compromisso. Dessa forma você se sentirá menos pressionada a fazer ele se encaixar em algum modelo ideal da sua cabeça. E divirta-se.

– Malu! Farei exatamente isso. Dependendo do que ele me disser, vou propor o acordo do sexo sem compromisso.

– Isso Duda! Mas não faça nada antes que ele te peça desculpas. Você é uma grande mulher e não pode deixar ele pensar que não é.

– É o mínimo que eu espero, antes de qualquer coisa. Obrigada pelos conselhos.

– Conte comigo sempre! E obrigada pelo café. Preciso voltar. O Caíque está me esperando. Temos reunião com o seu brinquedo sexual. Quer saber? Vai ser bom olhar para ele e pensar isso. No mínimo divertido.

Voltam para suas mesas de trabalho e Malu e Caíque seguem para a sala de Theo. É a primeira vez que se falam desde o episódio da tentativa de beijo roubado. Falam sobre as despesas dos 2 cases de Cannes e apresentam a proposta a Theo. Depois de tudo aprovado, se levantam para sair da sala e Theo pede para que Malu fique mais um instante.

– Sim Theo. Diz Malu secamente.

– Te agradeço o profissionalismo e gostaria de me desculpar pelo meu terrível comportamento ontem. Por favor, me desculpe.

– Tudo certo Theo. Desculpado. Agora por favor, vamos esquecer isso. E nunca comentar sobre isso com ninguém.

– Obrigado Malu! Se eu puder te pedir um favor, não conte nada disso para ninguém, principalmente para a Duda.

– Por que principalmente para a Duda?

– Por que vocês são amigas e tenho um carinho especial por ela. Ela já não me leva à serio e isso prejudicaria muito as coisas entre a gente. Sobre a nossa relação profissional, quero dizer.

Malu ama ouvir ele falar com respeito de sua amiga. Nessa hora responde sorrindo.

– Fique tranquilo. Não falarei nada sobre isso a ninguém. Principalmente para Duda. Diz isso e sai da sala.

Quando volta para sua mesa já não tinha quase ninguém na agencia. Malu liga para o Rodrigo porque se deu conta que não se falavam há 2 dias além da rápida troca de mensagens quando ele avisou que ele tinha chegado nos Estados Unidos. Ele voltaria apenas na sexta daquela semana e ela já estava com saudades. Ele não atende. Então ela deixa uma mensagem falando que vai jantar na casa nova do chefe dela.

Malu está correndo para estar pronta às 20h. Escolhe uma roupa confortável. Calça jeans skinny, camisa jeans mais clara que a calça e uma blusa de tricô cinza mais larga e mais curta por cima da camisa, nos pés sapatilhas. Escolhe uma bolsa pequena, levando apenas carteira e celular. No rosto em pouco de blush, máscara de cílios e batom cor de boca. Estreia um perfume novo com cheiro de banho, mas muito sofisticado Chanel Chance Eau Vivre. Pedro chega pontualmente às 20h e Malu já está pronta. Quando entra no carro, cumprimenta ele com um abraço ao invés de um beijo e junto com ela entra aquele delicioso perfume. Que fica um pouco em Pedro depois do abraço apertado que ela deu nele.

– Tudo bem com você? Que cheirosa você está.

– Tudo bem! Obrigada! Para acompanhar uma safra especial de vinho, escolhi uma edição especial de perfume.

– Você não existe Malu.

– Existo sim!

– Ainda bem que você existe.

– Estou curiosa sobre algo: Por que ficamos trocando emails hoje?

– Porque esqueci meu telefone no carro na hora do almoço e fiquei ocupado em reunião o dia todo. Por email certamente você veria o convite e eu receberia a resposta.

– Faz sentido! Também estou curiosa sobre sua casa nova. E impressionada sobre como você conseguiu fazer tudo em tempo recorde.

– Na verdade foi simples. Gostei do primeiro apartamento que vi. Era exatamente o que eu procurava. Paguei mais caro, pois tinha acabado de ser reformado. Enquanto eu fiquei fora, uma decoradora cuidou de detalhes de pintura e comprou todos os móveis. Quando cheguei já estava quase pronto.

– Como você é desprendido. E se não gostasse da decoração?

– Aí eu teria que conviver com ela até aprender a gostar. Gastei uma grana. Mas optei pela praticidade e fui cuidadoso em dizer para ela tudo o que eu gosto e principalmente o que eu não gosto.

– Homens definitivamente são mais práticos. Tenho muito o que aprender com você.

– Você precisa sempre fazer a conta do quanto vale seu tempo, para escolher de maneira racional, a forma como vai gastá-lo. Por exemplo: Eu não ficaria horas andando em um shopping de moveis para escolher um sofá. Já tinha dito que gosto de cinza e que queria algo que priorizasse o conforto à estética e achei que valia gastar dinheiro com uma boa profissional para evitar gastar ainda mais horas do que ela gastou para achar esse sofá. Quero fazer outras coisas com as minhas horas.

– Faz sentido. E vamos combinar que com dinheiro tudo fica mais fácil. Diz Malu.

– Certamente, quando se tem como pagar tudo fica mais viável. E mais uma vez, tudo depende da prioridade que você dá para as coisas e quanto esta disposto à pagar por elas.

No rádio toca Cold Play. E rapidamente eles chegam porque o novo endereço de Pedro era próximo da casa de Malu. Um prédio novo e muito luxuoso em uma região nobre da cidade. Um achado. Uma rua pequena e calma no meio do caos dos jardins.

Já na casa de Pedro, Fabio esperava por eles. Assim que chegam ele leva os dois para fazerem uma visita por todo apartamento. Era uma cobertura com 2 andares, muito grande para uma pessoa só. No andar de cima tinha piscina, churrasqueira, uma área externa parcialmente coberta com vista para a piscina com poucos móveis e uma mesa grande de madeira, um escritório e uma sala de TV enorme. Na parte de baixo uma sala grande com 4 ambientes, uma varanda sem mobília nenhuma, onde era possível criar 2 ambientes. Tinham 4 suítes e apenas o quarto de Pedro estava decorado. A cozinha era integrada a uma copa onde a pessoa que cozinhava conseguia interagir com outras pessoas. A decoração era minimalista e tudo estava impecavelmente arrumado. Iluminação especial que dava um clima intimista ao ambiente. A cor predominante era o cinza, presente em estofado, paredes, almofadas. Era tudo muito bonito e muito frio. Não parecia que tinha gente morando naquela casa.

Depois do tour pelo apartamento gigante, Malu e Fabio se sentaram na sala de almoço que era integrada por um balcão à cozinha enquanto Pedro terminava o jantar. Bebiam um vinho delicioso e comiam brusquetas de tomate. Ele parecia bastante feliz naquela noite, como nunca havia estado desde o divórcio.

Assim que o jantar ficou pronto Pedro serviu os pratos e abriu o tão esperado vinho para celebrarem a vida nova que começava ali. Estavam tendo uma noite deliciosa, conversa fluída com assuntos dos mais variados que surgiam sem qualquer esforço e muitas risadas. Os três tinham muito em comum. Acabaram bebendo no total 4 garrafas de vinho, contando com a safra especial da noite. Tocaram várias músicas deliciosas que deixaram o clima da noite muito agradável. Entre as músicas, começa a tocar XO do John Mayer e Malu pede aumentar o som, porque ama a música. Se levanta e começa a dançar sozinha com os olhos fechados e a taça de vinho na mão. Pedro dessa vez é quem vê poesia na cena e de repente tudo fica em câmera lenta. Fabio olha para o amigo e estala os dedos, para fazer ele acordar. Pedro assusta e diz:

– Acho que bebi muito vinho.

– Cuidado meu amigo. Então acho melhor moderar no vinho para não fazer nenhuma besteira.

– Não vou fazer nenhuma besteira e também não vou moderar no vinho. Diz isso, completando taça dele e a do amigo.

Fabio não diz nada e levanta sua taça convidando o seu amigo a brindar com ele.

– Então, saúde! Diz Fabio.

Malu dança de olhos fechados, bebe seu vinho como se fosse água e canta em voz alta a música. De repente abre os olhos e os 2 estão olhando para ela. Ao invés de se envergonhar, chama Pedro:

– Vem aqui! Dança comigo. Diz ela, abrindo um sorriso enorme.

Sem pensar duas vezes, achando bastante graça na atitude dela, Pedro começa a dançar.

A música é romântica e sensual, os dois totalmente embriagados pelo vinho e pela música, começam a ter os rostos próximos demais um do outro. E num momento de lucidez, depois de um frio na barriga acabar percorrendo todo o seu corpo, Malu se recompõe, olha o relógio e diz que bebeu muito vinho e que estava tão bêbada que achava que estava vendo Pedro perto demais. Nesse momento se dá conta de que era hora de ir para casa. Fim da música, fim do vinho, fim da noite.

A noite termina para Malu, com Fabio a deixando em casa. Quando ela chega, passa mal e vomita toda a safra especial do vinho que tinha bebido naquela noite. Jura que nunca mais vai beber na vida. Quando vai para cama sente falta de Rodrigo. Não somente dele, mas de uma notícia qualquer dele. Desde que viajou falou com ele uma única vez por mensagens. O anel no dedo de Malu começou até a incomodar. Um anel, sem um homem, era somente um anel. As esperanças de mudança e de que ele realmente se importasse, estavam indo embora. E começou a enviar uma serie de mensagens para Rodrigo, reclamando de sua falta de notícias e dizendo que estava sem esperanças. Ela ficou triste, mas naquele momento colocou totalmente a culpa naquela safra especial de vinho. Ela tentava repassar a noite na cabeça, porque tinha a sensação de que tinha feito algo de que iria se envergonhar. Uma vaga lembrança de uma dança com Pedro se apontou em sua mente. E ela realmente morreu de vergonha e medo do que poderia ter acontecido. Tirou rapidamente a cena da sua cabeça e resolveu tentar dormir.

Enquanto isso a noite de Pedro segue na varanda sem móveis, olhando a noite que acontecia tão longe lá do alto do seu apartamento, em companhia da última garrafa de vinho que Fabio e Malu deixaram pela metade. A cena de Malu dançando não sai de sua cabeça. Ele se culpa por pensar nela dessa maneira e tenta pensar em outra coisa, concluindo que nunca existirá nada entre eles e que o vinho pode ter deixado tudo mais poético para ele, que há muito tempo não ficava tão embriagado. Por mais que quisesse evitar pensar em Malu dessa maneira, quis reviver aquela cena e colocou para tocar de novo a musica XO no seu ipod. Era quase possível ver ela de novo, dançando ali na sala. Se sente sozinho, pensando que teria que começar tudo de novo para encontrar alguém. Ele pensava sobre quantas vidas estavam mudando com encontros e despedidas lá embaixo naquele momento. E que ele deveria ir lá para baixo em breve se quisesse um novo encontro depois de sua recente despedida.

Em um restaurante em algum lugar lá embaixo nos jardins, jantavam Theo e Duda. Já estavam no final da segunda garrafa de vinho quando começam finalmente a dizer a verdade um para o outro. Theo tinha pedido um vinho de uma safra muito especial e cara e começa a falar:

– Te tratei daquela forma, porque nada do que sempre deu certo com as mulheres, dá certo com você. Não consigo saber por onde começar a chegar perto de você. Eu não consigo explicar, mas você é a mulher mais improvável que me enlouqueceu de vontade que eu já conheci. E eu não entendo porque. Mas eu te quero. Eu acabei de pedir o vinho mais caro do cardápio, fiz um discurso de alguém que entende de vinho e tentei parecer um cara que entende de tudo. Isso geralmente funciona com as mulheres. Mas você parece indiferente a tudo isso.

– Não consigo entender se isso foi um elogio ou uma bronca. Diz Duda.

– Não foi nem uma coisa, nem outra. Foi uma explicação, sobre o porque não fui correto com você.

– Eu também não tenho sido muito correta com você. Assumo minha parte da culpa. Você representa o modelo pelo qual eu sempre lutei contra. E por alguma razão, que também não consigo entender, morro de vontade de você. Mas de verdade, nada pessoal, morro de vergonha de sentir isso. Não imagino a gente conseguindo decidir por um restaurante ou te apresentando para qualquer amigo meu. Eles vão me julgar uma corrompida. Vão me acusar de ter perdido meus valores. Ah! E não fui tão indiferente assim no caso do vinho. Gosto de apreciar um bom vinho também. Mas não me apaixonaria por alguem, só porque esse alguem sabe pedir um bom vinho para o garçom.

Depois de uma séria de verdades quase doloridas. Finalmente Duda desculpa Theo e eles combinam que tentarão ser amigos. Nesse momento a tensão sexual entre eles só aumenta. Nenhum dos dois consegue evitar sentir esse desejo. Mas ambos lutam bravamente, mesmo bêbados, contra isso.

Seu corpo pede para avançar em cima de Duda. Mas ele sabe que não pode fazer isso de novo. Então para tentar sufocar esse desejo acaba encerrando a noite.

– Podemos ir? Está tarde e temos uma reunião importante amanhã. Nosso presidente estará conosco.

– Você tem toda razão. Vamos. Duda diz isso pensando que precisará tomar um banho frio antes de dormir quando chegar em casa.

Theo paga a conta. E caminham cambaleando para fora do restaurante. Nenhum dos dois tem condições de dirigir. Dando uma trégua, Duda diz:

– Estou tentando. Deixei até você pagar a conta do restaurante.

– Boa menina. Diz Theo.

Theo pede que o restaurante fique com os carros deles, porque será mais prudente irem de taxi para casa. O restaurante aceita e consegue apenas um táxi. Era tarde, se passavam das 2 da manhã. Como moravam perto saem em um táxi e Theo pede para que o motorista pare primeiro na casa de Duda. Naquela noite ela usava um vestido simples, preto trapézio, com uma sandália plataforma bem rustica, porém em acabamento dourado. Brincos grandes de argola e naquele momento da noite tinha os lábios tingidos de cor de uva pelo vinho. Ela não usava maquiagem e tinha uma pele perfeita. A saia dela ficou extremamente curta quando se sentou no banco de trás do carro. O que deixa Theo ainda mais fora de controle. Quando chegam na porta da casa dela, Theo corre para abrir a porta para ela e acompanhá-la até o portão do prédio. Porém, quando ela acaba de sair do carro, ele encosta ela na porta de trás do taxi. Passa os dedos entre os seus cabelos, com uma mão de cada lado agarrando ela pela nuca. Mexe rapidamente as mãos como se aquilo fosse dissipar o seu desejo e encosta a testa na testa dela. Nesse momento Duda está completamente entregue e não tem forças para se defender. Permite que ele chegue perto e o resto do caminho até a boca dele ela mesma percorre. Se beijam de maneira quase desesperada. Era um desejo represado que explodia naquele beijo. Naquele momento não seriam capazes de se desgrudar, voltam para dentro do taxi e Theo pede para o motorista levá-los a um motel próximo dali. O desejo era tanto, que o homem que impressionava mulheres dirigindo uma SUV da Audi, vai parar em um motel da Rua Augusta, de taxi. E a Duda que sempre ficou com homens intelectuais e nunca transou em um primeiro encontro, cede ao prazer com um homem que passa gel no cabelo e dirige um Audi.

Não conseguem dormir. Nenhum dos dois nunca tinha sentido tanto prazer no sexo. Aqueles corpos pareciam ter sido feitos uma para o outro. O que os fazia querer mais e mais. Conseguem ir dormir perto das 6 da manhã. Tinham que estar no escritório às 10h para uma reunião sobre Cannes e resultados onde participaria o presidente da agência que ficava nos Estados Unidos e tinha vindo especialmente para aquela reunião. Era o assunto do momento. Dormiram somente 3 horas. Exaustos, foram de taxi buscar os carros no restaurante onde tinham sido deixados, com as roupas que tinham usado na noite anterior. Ela de saia curta e mais arrumada do que o normal e ele de roupa casual, mais desarrumado do que o normal. De repente, parecia que eles tinham trocado de lugar.

Ainda no taxi, combinam de manter o que aconteceu totalmente em segredo e prometem que tinha sido somente daquela vez. E se caso acontecesse de novo, eles teriam um pacto de que ninguém iria saber. Nem seus melhores amigos. Ninguém.

XO 📡🎶🎶

CONTINUA…

O CAPITULO 10 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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