Helena chegou em casa eufórica. Colocou as plantas em cima de sua mesinha de trabalho e quis beija-las.

“Vocês não somente representam a conquista do meu sonho. A conquista da minha casa, como foram a razão do meu primeiro contato do o Miguel. Obrigada plantinhas, por tanto.”

Helena falava consigo mesma em seus pensamentos se sentindo feliz. O champanhe, o frenesi do dia e o encontro no elevador tinham elevado à máxima potência a sensação de felicidade dela.

Na hora de dormir ela ficava repassando seu dia especial na cabeça e treinava as falas do seu próximo encontro com Miguel. E em meio a pensamentos divididos entre passado e futuro, ela dormiu.

O despertador tocou assustando Helena. Parecia que ela tinha acabado de dormir e ela se sentia exausta.

“Meu Deus, quanto tempo falta para as minhas férias?” Ela pensava enquanto se arrastava para fora da cama. No caminho para a cozinha ela se lembrou do seu encontro com Miguel.

“Será que ligo para ele?” Ela pensava sentindo um frio na barriga enquanto esperava a cafeteira preparar seu café.

Ela tomou café e não conseguiu comer nada. Geralmente quando se sentia ansiosa sua fome ia embora. Caprichou no banho e escolheu uma roupa especial, porque a expectativa de encontrar com Miguel a fazia querer estar mais linda do que nunca. Além de Miguel, naquele dia ela teria uma das reuniões mais importantes do ano. Ela iria apresentar conceitos e fragrâncias para seu principal cliente. Uma enorme empolgação tomava conta de todo o corpo dela. Ela escolheu um vestido de couro preto com uma saia levemente rodada que ia até o meio da canela e sobrepôs com uma camisa branca de corte impecável, sapatos de salto alto pretos e cabelos presos em um coque meio desconstruído. Usou o perfume que ia apresentar mais tarde em sua reunião importante e fez uma bela maquiagem.

Saiu de casa se sentindo confiante e entrou no elevador em expectativa. Ficou tentada a apertar o botão do primeiro andar, mas resistiu.

Seguiu feliz para o seu dia de trabalho que estava cheio de coisas boas, incluindo a tão esperada apresentação de perfumes em seu principal cliente. Em dias de apresentação de fragrâncias e conceitos ela costumava ficar muito feliz.

Ela chegou ao trabalho atraindo olhares. Ela era uma mulher muito bonita, mas naquele dia parecia ter um brilho especial nela.

O dia de Helena seguiu ocupado e sua apresentação foi um sucesso. O projeto foi aprovado e ela voltou para casa acompanhada de um pôr do sol que pintou o céu de laranja e rosa, deixando ela ainda mais feliz.

Helena chegou em casa sentindo uma enorme expectativa pela chance de um encontro com Miguel e ela estava disposta a chegar em casa e ligar para ele.

Quando ela chegou em casa encontrou um botão de rosa vermelha grande e lindo em um pequeno vaso com um bilhete pendurado trazendo um pequeno texto escrito à mão.

“Parabéns pela casa nova. Falei sério quando ofereci ajuda com o projeto de sua casa nova. Pensei em jantarmos hoje para falarmos melhor sobre isso. O que acha? Beijo, Miguel.”

Helena releu o bilhete e não podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.

“O que eu faço? Preciso ligar para agradecer. Aceito jantar com ele? Por que não? Afinal será somente um jantar. Vou ligar para ele.”

Helena correu em expectativa para a cozinha e pegou o interfone.

– Alô. Disse o porteiro ao atender o telefone.

– Oi Lucivaldo! Boa noite. Você poderia ligar no apartamento do Miguel, por favor?

– Recebeu as flores?

– Sim! Recebi.

– Fui eu mesmo que entreguei aí. Ele estava animado Dona Helena! Me pediu para fazer o mais rápido que eu pudesse. Não sei se ele já chegou Dona Helena. Vou tentar.

– Você é uma figura Lucivaldo.

– Estou ligando Dona Helena. Aguenta aí.

– Ok! Ela respondeu.

Enquanto ele ligava, Helena ficou ouvindo uma música no interfone, achando que já esperava há uma eternidade. Ela começava a ficar impaciente quando Miguel apareceu na linha.

– Olá Helena! Ele disse de maneira charmosa.

– Oi Miguel! Queria agradecer as flores.

– Foi um prazer. E quanto ao jantar?

– Acho que seria ótimo conversar sobre as possibilidades de reforma com um profissional. Aceito o convite.

– Fico feliz. Que horas você quer ir?

– Podemos combinar em uma hora na portaria? Ela sugeriu.

– Claro. Te encontro lá.

Helena desligou o interfone histérica de felicidade.

“Vou sair com o Miguel! Nem acredito que isso está mesmo acontecendo. Que roupa eu coloco? Onde será que vamos jantar? Me arrumo ou não? Não quero parecer oferecida… Helena! Você está engraçada. Gente! Não tenho roupa.” Helena pensava enquanto olhava seu guarda-roupas repleto de roupas e se perdia na escolha do look daquela noite.

Desistiu de achar uma roupa e correu para o chuveiro morrendo de rir de si mesma. Tomou um banho rápido e voltou para o guarda-roupas.

“Vamos Helena! Não é tão difícil.” Ela falava consigo mesma. Decidiu por uma calça de couro preta bem justa, uma camisa jeans, uma sapatilha e arrematou o look com um casaco de paetês preto. Prendeu o cabelo em um coque e usou uma maquiagem simples, com delineador preto, blush e batom cor de boca. Colocou duas gostas do seu perfume preferido e desceu em expectativa para encontrar Miguel.

Quando ela chegou ele já estava esperando por ela, mais lindo do que nunca. Ela achava estranho um encontro começando do hall do prédio.

– Olá! Que bom que deu certo de nos encontrarmos. Ele disse de maneira carinhosa.

– Sim! Que bom que deu certo.

– Pensei em irmos aqui perto, caminhando mesmo. Pode ser?

– Claro! Será uma delícia. Eu adoro caminhar por aqui. Costumo ir com meus pais nessa pizzaria da esquina. Nas noites frescas, como essa, acho ainda mais gostoso.

– Então vamos. Ele disse sem jeito.

Eles começaram a caminhar e Miguel tentava encontrar as palavras certas para começar a conversa. Ele era extremamente tímido e Helena o intimidava ainda mais.

– Então você vai se mudar em breve? Ele perguntou enquanto caminhavam.

– Sim! Se a reforma permitir.

– Que pena que não a terei mais como vizinha.

Ela corou. E ele se surpreendeu por ter dito aquilo. Sem graça, ele emendou.

– Você trouxe as plantas? Ele perguntou sem pensar, tentando mudar de assunto.

– Na verdade não. Precisava?

– Não. Na verdade a ideia é entender o seu estilo e entender suas expectativas em relação a essa reforma. Entender do que você gosta. Podemos olhar as plantas em um outro dia.

– Eu não faço a menor ideia sobre qual é o meu estilo. Ela disse.

– Na verdade a grande maioria das pessoas não faz a menor ideia do seu próprio estilo. Mas vou te ajudar a descobrir.

No momento em que ele disse isso Helena ficou arrepiada.

“Não acredito no que esse homem causa em mim,” Ela pensava tentando se concentrar na conversa.

– Chegamos! Ele disse a deixando aliviada.

Quando chegaram o gerente do restaurante veio recebe-los, parecendo conhecer Miguel há muito tempo. De alguma maneira Helena também parecia conhecer Miguel há muito tempo.

Eles sentaram em uma mesa perto da janela, onde era possível ver o movimento das pessoas passando na calçada. A mesa tinha flores e velas. O vinho estava saboroso e tudo em volta parecia ter poesia.

Miguel seguia cada vez mais encantado com Helena e ela por ele. Eles conversaram sobre diferentes assuntos. Acabaram falando pouco da reforma, mas de alguma forma Miguel conseguia saber muito sobre o estilo de Helena. Eles falaram dos planos para o futuro e sobre o que queriam realizar em suas carreiras.

Miguel era totalmente apaixonado por design e artes e parecia ter nascido com dom para o que fazia. Ele já tinha assinado muitos projetos, incluindo fachadas de prédios famosos na cidade. Apesar de muito talentoso e bem sucedido ele era de extrema simplicidade. Era tímido, mas muito divertido e à medida que o tempo passava, e a garrafa de vinho ia esvaziando, mais risada aparecia na conversa deles.

Helena estava relaxada com Miguel. Ele a ouvia com atenção e parecia admirar seus sonhos. Ela falou sobre sua paixão por perfumes e a vontade de se tornar perfumista. Ela falou sobre o desejo de fazer um curso em Paris naquele ano. E a cada fala de Helena, mais encantado Miguel ficava.

Já era mais de meia noite e o restaurante estava fechando quando eles foram embora. Para os dois, o tempo parecia ter passado rápido demais e nenhum deles queria se despedir, nem que a noite acabasse.

Eles voltaram para casa caminhando devagar, tentando aproveitar mais o tempo que tinham um na companhia do outro, Nenhum dos dois queria que a noite terminasse.

Eles chegaram no prédio e um frenesi tomou conta de Helena. Ela não queria ir embora. Ela queria passar a noite com ele. Ela queria que ele a beijasse.

Eles entraram no elevador e Miguel queria mais. Ele queria beija-la e queria seguir ali conversando com ela.

Uma tremenda expectativa tomou conta dos dois. Helena, que esperou encontrar Miguel tantas vezes naquele elevador, estava com ele ali naquele momento e isso a fazia se sentir feliz.

O elevador chegou no primeiro andar. E Miguel não queria sair. Ele queria beijar Helena.

– Boa noite Helena. Foi um prazer conhece-la finalmente.

– Obrigada pelo jantar Miguel. Também adorei te conhecer finalmente.

Miguel se aproximou de Helena para se despedir dela. O coração dela disparou em expectativa e ele seguiu se aproximando.

Ele chegava perto dela, no momento em que ouviram batidas na porta, pedindo que liberassem o elevador.

– Acho melhor soltarmos essa porta. Disse Helena.

– Precisamos marcar um dia para você trazer as plantas. Eu ligo para você. Ele disse.

– Te espero. Levarei as plantas da próxima vez.

– Combinado.

Nesse momento, o som da porta se intensificou.

– Melhor liberar a porta. Ela disse.

– Tem razão. Te ligo amanhã. Ele prometeu.

– Te espero. Ela disse.

Ele deu um beijo na bochecha dela e saiu do elevador.

O coração de Helena acelerou e ela se olhava no espelho desejando mais.

“Que homem é esse, meu Deus?” Ela se perdia em seus pensamentos e no frenesi que tomava conta dela, tentando voltar seu coração para o ritmo normal, enquanto um gosto de quero mais tomava conta dela.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 11 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

 

Capítulo 10 – Quero mais

Sabrina Almeida


Sou mãe, filha, esposa, mulher, amiga, confidente, conselheira. Sonhadora, determinada e realizadora. Organizada, mas com um que de caótica. Apaixonada pela vida e pelas pessoas. Intensa! Publicitaria, trabalho desenvolvendo produtos e marcas para deixar as pessoas mais bonitas e felizes. Escrevo porque amo escrever. Minha cabeça está sempre repleta de sonhos e devaneios. Sigo sempre meu coração. Hoje penso mais antes de tomar uma decisão. Encontrei a FELICIDADE, assim todinha maiuscula, nas coisas simples da vida. E escrever é uma delas. Enquanto as pessoas vão para a academia, fazem trilhas, tocam instrumentos musicais, cozinham… Eu escrevo! Esse é o meu hobbie… Escrevo para traduzir o que está no meu coração, sem regras, métodos ou filtros. Escrevo porque me inspira e me faz feliz. Acredito que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de sonhos e devaneios. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: “quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?” E a minha resposta é como vou concluir minha apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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