Capítulo 11 – O amor e suas variáveis… platônico, idealizado, bandido… Amor próprio.

A chuva seguia molhando tudo, mas isso não parecia abalar o beijo de Ana e Michel. Foi um beijo longo fruto de muita vontade acumulada de ambos os lados. Quando o beijo terminou Michel encostou sua testa na de Ana e eles ficaram por mais alguns segundos ali na chuva se olhando em silencio. Como se os olhos dele falassem, Ana entedia a mensagem que olhos dele diziam. “Eu queria poder te dar mais, mas não posso.” E a pouca esperança de que eles iriam juntos para algum lugar se esvaia.

– Você mexe muito comigo menina. Precisamos ter um encontro de verdade um dia desses. Quero te conhecer melhor. Aproveite o seu final de semana.

Ana se encorajou para reivindicar.

– Michel, você me deixa confusa.

– Te peço desculpas por isso. Mas minha vida anda muito confusa. Argumentou ele. – Vou viajar daqui a pouco para o Rio por causa da sociedade em um negócio que tenho lá. Inclusive não sei o que farei com as minhas roupas ensopadas. Disse ele trazendo leveza para o assunto e não respondendo exatamente o que Ana tinha perguntado.

Ela ponderou. Pensou em insistir. Mas ali não era hora, nem lugar. Preferiu levar consigo a mágica do beijo na chuva.

– Então boa viagem. E boa sorte para trocar de roupa.

– Juízo por aqui.

– Pode deixar.

Ele deu um selinho nela e correu de volta para o prédio. Ana seguiu no mesmo lugar estática tentando absorver tudo aquilo enquanto a chuva forte seguia a encharcando.

Ela repassava o beijo em sua cabeça e queria mais. Seu corpo todo queria mais. E não era somente sexo. Ela queria romance. Ela mal conhecia o Michel e mesmo assim queria ele inteiro para ela.

Depois de alguns segundos ali, ela finalmente se moveu em direção ao estacionamento onde estava estacionado o seu carro.

A volta para casa foi acompanhada de sua playlist favorita e o ar quente do carro foi ligado durante todo o caminho. Suas roupas ensopadas a faziam sentir frio, mas tinha algo que fervia dentro dela.

Quando chegou em casa encontrou a mãe e o pai conversando na cozinha.

– Oi mãe! Oi pai! Disse Ana ao entrar em casa tentando não achar estranha a presença do pai em casa.

– Oi filha. Disse o pai.

– Filha, o que houve? Está toda molhada. Preocupou-se a mãe.

– Uma chuva que começou de repente me pegou no caminho do estacionamento. Respondeu Ana.

– Então vá tomar um banho. Vamos pedir uma pizza e seu pai vai jantar aqui com a gente hoje.

– Ok! Até já então.

Ana foi para o banho e enquanto a água quente relaxava seu corpo, seus pensamentos ao invés de irem para Michel como sempre, foram para a relação de sua mãe e seu pai. “O que me pai está fazendo aqui depois de tudo que nos fez passar? Minha mãe nunca mais amou de novo. Nunca mais viveu o amor depois do tombo que ele a fez levar. E de repente minha mãe abre as portas da casa e da vida dela novamente. O amor é mesmo uma insanidade!  Como eu acreditei que tudo poderia ser tão racional? Como eu posso achar que comigo seria ou será diferente? Como fui me envolver tanto com alguém que mal conheço. Acho que Platão chegou na hora certa na minha vida. Eu sabia que tinha que estudar mais filosofia. E a Lara? Sempre virando as costas para o amor, sempre recusando o segundo encontro, sempre encarando de maneira fria suas relações, está agora apaixonada e vivendo um amor totalmente correspondido. Logo ela que nunca quis isso. Nesse lance de amor não basta querer. Tem algo incompreensível em tudo isso… Não pense tanto Ana!” Pensava consigo mesma enquanto deixava aquele banho relaxar seus músculos e esvaziar sua mente. E assim, após alguns minutos ali, apenas permitindo que seu corpo relaxasse, tirando aquele avalanche de coisas da cabeça, respirando fundo e sentindo o delicioso perfume de seu sabonete líquido preferido, ela conseguiu ficar em paz. Ela conseguiu sorrir.

Ela fez tudo com calma. Deitou na sua cama ainda molhada, pelada e com a toalha na cabeça, debaixo das suas cobertas, colocou sua playlist favorita para tocar e levou seu hidratante mais cheiroso para passar deitada na cama. Naquele dia resolveu que iria se cuidar. Resolveu cuidar de si mesma até sentir que sua alma tinha sido cuidada. Seu momento de reconexão consigo mesma foi interrompido pelo aviso de sua mãe sobre a chegada da pizza.

Quando chegou à mesa de jantar, Ana foi logo perguntando:

– Vocês voltaram afinal?

– Não minha. Infelizmente sua mãe não acha que eu mereça uma chance. Respondeu o pai derrotado.

– Não seja dramático Leandro. Você sabe que isso é uma insanidade. Nunca daria certo. Mas vamos estar mais próximos minha filha. Seremos grandes amigos e presentes na sua vida. Disse a mãe.

– Mãe o amor é uma insanidade. Em todas as suas formas. Menos o amor próprio, esse não é insano. E tenho percebido o quanto ele é importante.

– Tudo começa por ele minha filha. Só seremos capaz de amar o outro se nos amarmos antes. Só seremos capazes de viver uma relação plena, se nos amarmos antes. Muitas pessoas aceitam coisas que não as fazem felizes por falta de amor próprio. Dizia a mãe quando foi interrompida por Leandro.

– Não quero atrapalhar esse romance. Mas acho que o lance da felicidade é ainda mais complexo. Nada tem a ver com o amor. A grande maioria das pessoas não faz nem ideia do que as faz feliz. Falta propósito. Disse Leandro.

– Nisso preciso concordar com você. Disse a mãe.

Ana ficou ali observando o pais conversarem. Eles eram cultos, falavam sobre os mais variados assuntos, tinham ponto de vista formado sobre tudo. Ela tinha boas referências. De repente pensou na possibilidade de Michel conhece-los. “Acho que vão se dar bem. Aliás, acho que terão mais em comum com ele do que eu mesma.” Pensava ela e morria de rir.

O jantar terminou leve. Os assuntos foram os mais variados. Leandro foi embora e Ana seguiu com a mãe conversando, bebendo vinho e fazendo planos sobre a viagem que se aproximava. O beijo na chuva ganhou poesia depois do vinho e Ana sentia vontade de se abraçar de tão feliz que estava naquela noite. De repente uma certeza tomou conta do coração dela: a de que tudo daria certo.

Os finais de semana ganharam um ar diferente depois que Ana se envolveu com Michel, ela ficava sem planejar nada, esperando irracionalmente, que ele a ligasse chamando-a para sair. Porém naquele final de semana seria diferente, porque ela sabia que ele não estava na cidade e também tinha decidido se dar mais valor. Ela estava decidida a ser ela mesma de novo, mas algo nela tinha mudado para sempre e ela entendeu que precisava aprender a ser essa nova Ana.

O final de semana foi divertido. Ana saiu com seus amigos da faculdade e passou o domingo se dedicando para o seu trabalho de conclusão de curso que apresentaria em 3 semanas. A sensação da chegada da formatura trazia uma enorme alegria ao coração dela. E assim o final de semana terminou dentro da nova normalidade que se estabelecia na vida de Ana, depois do furação chamado Michel.

A segunda começou com chuva forte, dia cinza e prova surpresa na faculdade. Apesar de tudo estar meio confuso Ana foi bem na prova, e isso a fazia se sentir feliz. Ela via cores até naquele dia cinzento.

Toda tranquilidade deu lugar novamente à ansiedade quando o horário de ir para o trabalho chegou. Ela tentava não ligar tanto, não querer tanto, não se importar tanto, mas seu coração seguia desobedecendo a todos os seus comandos e ela só conseguia pensar em Michel e em como seria o reencontro deles depois daquele beijo na chuva. Ele era imprevisível e por isso ela nunca sabia o que esperar dele e essa espera em si, já era suficiente para tirar toda a sua paz.

“Respire Ana. Respire Ana. Respire Ana. Mais uma vez Ana”. Pensava ela consigo mesma, achando graça de si mesma, enquanto subia sozinha no elevador para começar mais um dia de trabalho ou mais um capítulo da sua história de amor.

Ela chegou e encontrou o escritório mais vazio que o normal, o que a deixou mais tranquila para seguir com sua pesquisa sobre Platão.

Para o filósofo grego Platão, o amor era algo essencialmente puro e desprovido de paixões, ao passo em que estas são essencialmente cegas, materiais, efêmeras e falsas. O amor platônico, não se fundamenta num interesse, e sim na virtude. Platão criou também a teoria do mundo das idéias, onde tudo era perfeito e que no mundo real tudo era uma cópia imperfeita desse mundo das idéias. Portanto amor platônico, ou qualquer coisa platônica, se refere a algo que seja perfeito, mas que não existe no mundo real, apenas no mundo das idéias.

Ela se distraiu lendo várias teorias e acabou gastando mais tempo para pesquisar sobre o amor idealizado, se dando conta que ela mesma poderia estar vivendo aquela situação. “Será que inventei esse amor na minha cabeça?” Se perguntava achando graça de si mesma, mas sentindo um pouco de frio na barriga.

No meio de sua viagem sobre as teorias de Platão, ela recebeu uma correspondência. Irracionalmente pensou ter a ver com Michel. Assinou o recebimento e começou a abrir o pacote em expectativa. Ela se decepcionou ao ver que era apenas o livro que ela tinha comprado pela internet para complementar sua pesquisa. “O Conto da Ilha Desconhecida… o que isso tem a ver com Platão? Vou fazer 100 anos e não terminarei essa pesquisa. Posso até terminar, mas não sei se serei capaz de ligar os pontos e entregar uma matéria.” Pensava Ana se sentindo um pouco ansiosa com tudo aquilo.

Ela colocou o livro na bolsa para ler em casa e sentia preguiça só de pensar em tudo que precisaria fazer para entregar o material. E ficou em pânico ao pensar que a partir daquele dia ela tinha apenas 1 semana.

O dia seguiu chuvoso, sem grandes novidades e sem nenhum sinal de Michel. Ela sentia falta dele, mas também um certo alívio. Ela se sentia tão cansada naquela tarde que tudo que ela queria era que o dia terminasse bem.

Ela já estava se preparando para ir embora quando recebeu um convite por email. Era aniversário de Rogerio, o chefe de Kate, e ele convidou várias pessoas da revista e todos os estagiários para uma super festa em uma das casas noturnas mais badaladas da cidade.

O primeiro pensamento de Ana foi Michel e na oportunidade de passarem um tempo juntos, mesmo que distantes. “Eu nunca tive um encontro com ele. Nunca saí para jantar ou qualquer coisa assim. Foi somente sexo escondido. Por que estou me sujeitando a isso? Por que?” Ana seguia pensando e enchendo seu coração com pontos de interrogação.

Ela foi embora cheia de dúvidas e sem notícias de Michel, de Cris e de várias pessoas do escritório. Ninguém tinha aparecido no escritório naquele dia.

A terça e a quarta-feira foram iguais à segunda. Ninguém apareceu no escritório e Ana estava a vários dias sem ter notícias de Michel, então ela resolveu buscar por informações com sua chefe.

– Oi Ana. Atendeu Cris.

– Tudo bem Cris? Desculpe te incomodar no celular, mas já tem 3 dias que não nos falamos e queria saber se está tudo bem.

– Ana, estamos fora em planejamento a semana toda. A Norma não avisou você?

– Não.

– Era para ter te avisado. Achei que você estava sabendo. Como você tem uma enorme pesquisa para fazer poderia até estar fazendo em casa essa semana.

– Ok! Então quinta e sexta trabalharei de casa.

– Claro! Como está indo a pesquisa?

– Super bem. Estou animada.

– Que bom! Estou ansiosa para ver. Preciso ir Ana. Beijo

– Beijo.

“Então eles estão fora e ficarão toda a semana. O Michel deveria ter dito isso. Ou não? Por que tudo precisa ser tão difícil?” Ana se questionava ao desligar o telefone com a chefe.

Ela já se preparava para dormir quando recebeu uma mensagem inesperada de Michel.

“A semana fica muito chata quando não encontro você no escritório. Está tudo bem com você?”

Finalmente Michel tinha falado com ela desde a última sexta-feira quando tinham se beijado na chuva.

Ana ficou ansiosa para responder aquela mensagem. Estava eufórica por receber notícias dele, mas não tinha ideia sobre como se posicionar em relação aquilo. “Devo ser fofa e responder de maneira mais romântica ou devo ser chata e cobrar satisfações dele?” Era o dilema que precisava resolver para responder à mensagem dele.

“A minha também. Por sorte a Cris me deixou muito ocupada por aqui. 🙂 Espero que tudo esteja bem por aí.”

“No que está trabalhando?”

“Pesquisas sobre a teoria das ideias.”

“Platão?”

“Sim”

“Está gostando?”

“Muito! Acho que vou começar a estudar filosofia.”

“Você é mesmo surpreendente, menina.”

“Quando vocês voltam para o escritório?”

“Somente no início da próxima semana. Estamos em semana de planejamento.”

“Que pena. Bastante tempo sem te ver.” Ana ponderou para enviar, mas enviou assim mesmo. Temia expor muito os seus sentimentos.

“Podemos tentar resolver isso. Jantamos no sábado. Que tal?

E nesse momento seu arrependimento ia embora. Sua mensagem tinha originado um convite para jantar. Ela ficou feliz e resolveu colocar mais lenha na fogueira.

“Quero me surpreenda.”

“Vou pensar em um restaurante que te surpreenda.”

“Não era exatamente do restaurante que eu estava falando.”

“Que delícia de menina você é!”

“Continuo esperando que me surpreenda. Agora preciso ir. Nos vemos sábado.” Ela desconversou porque sentia que não conseguiria levar tão adiante aquela provocação.

“Combinado. Até sábado. Acho que vou sonhar que estou dormindo com você hoje.”

“Pode me levar inteira para o seu sonho.”

“Já te trouxe. Até sábado menina. Bj”

“Até! Beijo”

Ana tentava retomar o ar depois daquela troca de mensagens e se sentia feliz com a mensagem fofa, com o convite para sair no sábado, com a troca de provocações. Parecia, finalmente, que estava começando algum tipo de relação entre eles.

Ana dormiu feliz naquela quarta-feira e o resto da semana passou de maneira arrastada. Ela seguiu trabalhando em casa e por sorte a sua pesquisa a distraia completamente.

Na sexta ela estava feliz pela chegada do final de semana e ponderava se iria ou não na festa de Rogerio depois de Kate ter insistido tanto para que ela fosse a semana inteira. Por fim, acabou cedendo pela amiga e Kate passou para pega-la em casa para irem juntas para a festa.

Ana não tinha esperança de encontrar Michel, porque pensava que ele ainda estava fora da cidade e achava que ele teria falado algo sobre a festa caso fosse, portanto ela tinha certeza de que ele não iria na festa. Mesmo assim ela tinha caprichado na produção. Estava com um vestido preto justo no corpo que ia até a altura dos joelhos e tinha um decote em V profundo que a deixava extremamente sexy. Saltos muito altos em uma sandália de tiras e uma maquiagem leve com batom vermelho.

Ana e Kate chegaram na festa que estava cheia de pessoas na faixa dos 30 e poucos anos o que as fazia se sentirem meio deslocadas ali.

– Gente, só tem gente mais velha aqui. Disse Kate ao passar os olhos pelo lugar assim que chegaram.

– É mesmo. Respondeu Ana. – Espero que a música seja boa.

– E eu, espero que os drinks sejam incríveis. Arrematou Kate.

Elas foram para o camarote onde a festa estava acontecendo e cumprimentaram o Rogério e algumas pessoas da revista que estavam por lá.

Ana e Kate fizeram brindes e viraram 2 shots de tequila cada uma. Depois do segundo Ana ria alto quando, parecendo uma miragem, viu Michel entrando no camarote.

“Ele veio!” Pensava ela empolgada. Ela se preparava para ir até ele quando a cena se mostrou inteira para ela. Ele estava acompanhado de uma mulher. Estava de mãos dadas com ela. Ela era uma das mulheres mais bonitas que Ana tinha visto pessoalmente e nunca na vida dela ela tinha se sentido tão menina.

Ela não sabia o que fazer. Queria se esconder e sair correndo dali. Ela procurava uma maneira de escapar, quando ele se materializou na frente dela de mãos dadas com a miss universo.

– Oi! Disse ele sem graça.

– Oi, tudo bem? E a sua amiga? Não vai apresenta-la. Provocou Ana, encorajada pela tequila que tinha tomado.

– Sim! Essa é a Clara. E essa é a Ana. A Clara é uma amiga e a Ana uma de nossas mais brilhantes estagiárias.

– Muito prazer! Disse Clara de maneira empática.

– É todo meu! Respondeu Ana.

Ana estava fervendo por dentro e não via a hora de se ver livre daquela situação. Kate estava animadíssima e a nova preocupação de Ana era não deixar que Kate percebesse sua raiva. Afinal, ela preferia que ninguém soubesse do que tinha acontecido entre ela e Michel. Por fim, optou por ignorar e aproveitar sua noite ao invés de fugi dali.

Kate convidou Ana para tomar mais uma tequila e descer para a pista. Elas viraram o terceiro shot da noite e foram aproveitar uma boa sequência de músicas para dançar.

Ana dançava de olhos fechados enquanto cantava uma música perfeita para aquela noite, enquanto Michel a olhava sem conseguir tirar os olhos dela. Ele pensava em uma maneira de se aproximar dela para conversar e tentar explicar o que estava acontecendo quando um homem se aproximou de Ana na pista.

Ele seguia observando em expectativa, desejando que ela não retribuísse ao contato, mas sem que passasse mais de alguns segundos, Ana e o estranho começaram a se beijar, para desespero de Michel. Ele não fazia ideia de que ela estaria naquela festa. Não tinha motivo para o Rogerio tê-la convidado. Ele adorava o lance que estavam tendo juntos e sentia que tinha arruinado tudo naquela noite. Ele desistiu de falar qualquer coisa para ela depois daquela cena e se apressou em ir embora com Clara.

Ana tratou de terminar logo aquele beijo que não fazia nenhum sentido para ela. E instantaneamente começou a procurar por Michel e o viu indo em direção à saída.

“Ele viu. Deve ter ficado bravo. Mas o que ele queria? Ele fez primeiro. Está tudo acabado. Mas espera aí? É possível acabar o que nem começou?” Pensava ela.

A noite tinha perdido a graça e Kate tinha encontrado um homem super interessante, então Ana decidiu ir embora para casa.

Ela demorou a dormir, repassando mil vezes em sua cabeça todos os acontecimentos da noite. Depois de virar de um lado para o outro por mil vezes, ela conseguiu dormir.

Depois de uma noite mal dormida, Ana acordou cedo e aproveitou para ler o livro que faltava para concluir sua pesquisa. Começou sua leitura e em pouco mais de 3 horas terminava a leitura do Conto da Ilha Desconhecida.

“…Pela hora do meio-dia, com a maré, a Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.”

Ela ficou ali abraçada ao pequeno livro por alguns minutos. Aquela história tinha a tocado profundamente. “O homem pedia um barco para ir atrás de ilhas desconhecidas porque estava em busca de algo. Por fim, todos estão em busca de algo. E então ele se lançou no projeto de conseguir colocar o barco na água em nome de sua busca. Em nome de sua idealização de felicidade, até que descobriu que estava partindo em busca de algo totalmente idealizado e que sua felicidade real estava bem ali ao lado dele. O Michel não existe em lugar nenhum, além da minha cabeça. Estou encantada pela ideia que faço dele.” Concluía ela, decidida a contar essa conclusão para ele de alguma maneira.

Então ela levantou da cama e foi buscar um papel de presente. Embrulhou o livro. Vestiu a primeira roupa que viu na frente e foi dirigindo, sem pensar muito, até a casa de Michel. Ela não conseguiu pensar, nem respirar durante todo o caminho.

Chegou decidida a jogar um monte de coisas na cara dele, mas o livro passaria a mensagem.

Ela interfonou no apartamento dele e pediu para ele descer. Uma descarga de adrenalina percorria seu corpo enquanto esperava por ele.

Quando ele chegou ela disse:

– Vim até aqui só para ter dar esse presente. Aqui está tudo que eu quero te dizer.

– Ana, vamos conversar. Vamos subir.

– Michel, não quero conversar. Minha mensagem para você está nesse livro. Agora preciso ir.

– Não vou deixar você ir embora!

– Você já deixou. Disse Ana já se virando para voltar para o carro.

Ela deixou Michel parado absorvendo aquela situação. Ele esperava que ela reconsiderasse. Mas ela se manteve firme. Seguiu andando com passos fortes e foi embora sem olhar para trás.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 12 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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