Helena foi dormir repassando o seu encontro com Miguel em seus pensamentos. Naquele momento, ele parecia ainda mais encantador do que ela poderia imaginar. Ela pensava sobre o beijo que não aconteceu e dormiu desejando um beijo de Miguel.

Ela acordou achando que seu encontro poderia ter sido um sonho, mas se lembrou de cada fala dele na noite anterior. Uma empolgação tomou conta do corpo dela e ela saiu animada da cama.

Naquela manhã ela fez tudo sem pressa. Tomou café da manhã e um banho mais demorado do que o normal. Escolheu uma roupa linda e saiu deslumbrante de casa.

No caminho para o trabalho recebeu uma mensagem de Miguel.

“Espero que tenha dormido bem. Tive uma ideia para começarmos a entender as coisas que você gosta para que sua casa fique de seu jeito. Um amigo é chef em um restaurante que tem um estilo que pode te agradar, pelo que percebi sobre você. O que você acha de irmos jantar lá hoje? Consegui uma mesa especial. Me diga se pode. Bom dia para você. Beijo, Miguel.”

O coração de Helena acelerou de felicidade. E ela logo respondeu a mensagem:

“Oi! Bom dia! Dormi muito bem. Espero que sua noite tenha sido ótima também. Adorei a ideia. Podemos jantar hoje. Fiquei curiosa sobre o lugar.” Ela respondeu para ele.

Na hora ele respondeu. “À noite você vai saber. Nos encontramos às 20 horas lá embaixo. Ok?”

“Perfeito! Estarei lá.”

“Beijo.” Ele respondeu.

“Beijo.” Ela respondeu.

E nesse momento o telefone dela tocou.

– Oi Raissa! Ela disse atendendo o telefone.

– Oi amiga! Você sumiu ontem. Eu estava louca para te contar uma novidade. Aliás onde você estava?

– Eu saí com o Miguel. Fomos jantar.

– Não acredito! Como você não contou?

– Foi tudo super rápido. Encontrei ele no elevador e combinamos de sair.

– Quero saber tudo. Rolou beijo? Ele beija bem?

– Não nos beijamos.

– Não acredito.

– Nem eu. Mas o jantar foi uma delícia. Ele é maravilhoso. Estou completamente encantada. Ele é gentil, divertido, tímido.

– Homens assim não existem mais, amiga.

– Ele é mesmo muito especial. Agora me conte sua novidade.

– Eu pedi uma licença de três meses do trabalho. Quero fazer as coisas com calma em Barcelona. Quero vender a casa e isso deve levar mais do que quinze dias. Vou ficar três meses na Espanha.

– Amiga! Não acredito. Que corajosa. Que delícia. Eu queria tanto viver algo assim na minha vida. Estou muito feliz por você.

– Estou morrendo de medo minha amiga.

– Você é corajosa e maravilhosa. Tenho certeza que tudo dará certo. Quando é seu último dia trabalho?

– No final dessa semana.

– Precisamos comemorar! Vou organizar uma festa na sexta.

– Você é demais Lelê.

– O Vitor já sabe? Perguntou Helena.

– Ainda não. Não nos falamos mais desde nossa última conversa. Ele ligou, enviou mensagens, mas não respondi.

– Você quer que eu convide ele?

– Claro! Ele é importante para mim. Quero me despedir dele.

– Tem certeza?

– Absoluta. Estou curada do Vitor.

– Ok! Vou chama-lo então.

– E você me traga novidades sobre beijos. Já combinaram um próximo encontro?

– Será hoje!

– Não acredito! Hoje esse beijo sai.

– Não quero pensar sobre isso. Se tiver que ser será.

– Está certa amiga. Boa sorte no seu encontro de hoje à noite.

– Obrigada Raissa. Estou muito feliz por você, minha amiga! E muito orgulhosa.

– Obrigada Helena. Preciso ir! Tenho reunião agora. Preciso desligar. Dê notícias.

– Combinado! Beijo.

– Beijo.

Raissa desligou o telefone e correu para a sua reunião. Quando chegou, todos já estavam na sala e a reunião tinha acabado de começar.

– Desculpe o atraso. Ela disse ao entrar.

Andre sorriu, a perdoando completamente pelo atraso, e voltou a falar.

Raissa olhava Andre encantada.

“Ainda bem que estou saindo desse convívio pelos próximos três meses. Esse homem mexe comigo.” Raissa pensava achando graça de seus pensamentos.

Em alguns momentos os olhares deles se cruzavam e Raissa sentia seu corpo inteiro se arrepiar. A reunião parecia interminável e todos aqueles assuntos já eram totalmente distantes para ela. Ela se perdia em seus pensamentos, totalmente distraída, e pensava sobre as possibilidades totalmente irracionais com Andre quando seu celular anunciou a chegada de uma mensagem.

“Acabei de saber, pela Helena, que você está indo viajar e vai passar uns meses fora. Precisamos nos ver. Por favor Raissa. Podemos sair para jantar hoje? Vitor”

Raissa lia e relia aquela mensagem e não tinha ideia do que responder para ele. Apesar de tudo, Raissa ainda tinha sentimentos por ele e um simples chamado dele a fazia querer jogar tudo para o alto e sair correndo ao encontro dele. “O que ele quer? Me teve por tanto tempo aos pés dele, e agora isso. Essa insistência e esse convite para jantar. O que faço? Aceito ou não?” Ela pensava sobre o que responder, quando Andre a tirou de seus devaneios.

A reunião tinha acabado de terminar e ele estava na frente dela.

– Estou chateado com sua licença. Tenho gostado muito de trabalhar com você. Mas já que está indo, e não posso fazer nada para impedi-la, queria convida-la para um drink. Pedi para a minha secretária organizar um happy hour de despedida para você.

– Andre! Que gentil.

– Você acha que consegue?

– Sim! Será uma prazer.

– Ela vai te procurar.

– Ok! Obrigada Andre.

– É um prazer.

Ele saiu, deixando Raissa sem ar.

“Ele está marcando um happy hour de despedida para mim. Ele se importa.” Ela pensava, esquecendo totalmente de Vitor.

No momento em que o telefone dela começou a tocar.

– Oi Vitor. Ela disse atendendo o telefone.

– Você não me respondeu e por isso achei melhor ligar. Pode falar?

– Posso. Ela respondeu se sentindo confusa.

– Podemos sair para jantar hoje?

– Vitor o que você quer?

– Combinamos de nos ver e de conversar. Vamos fazer isso antes da sua viagem?

– Ok Vitor! Podemos sair hoje. Onde te encontro?

– Vou te buscar.

– Não precisa. Prefiro ir sozinha.

– Podemos nos encontrar no restaurante de sempre? Aquele italiano que amamos.

– Podemos.

– Às oito? Ele propôs.

– Nos vemos mais tarde. Preciso desligar.

– Até mais tarde Raissa.

– Até.

Ela desligou o telefone.

“Por que eu não resisto a ele, meu Deus? Eu não consigo me curar do Vitor. Não vou beber uma gota de álcool hoje à noite. Estou com saudades dele. Como posso sentir saudades dele?” Ela se perdia em seus pensamentos no momento em que a secretária de Andre chegou

– Olá Raissa, tudo bem? O Andre me pediu para te procurar porque ele quer oferecer um happy hour de despedida para você. Ele propôs amanhã. A data funciona para você?

– Sim! Perfeitamente.

– Então está feito. Todos do escritório serão convidados. Você fará falta por aqui Raissa.

– Como você é querida. Eu voltarei em três meses! Mas estou amando esse cuidado que estão tendo comigo. E também vou morrer de saudades de vocês.

– Eu bem que queria ter que ir para outro país, assim como você está indo. Me parece uma chance para mudar o que precisa ser mudado, mas que a gente não consegue mudar.

– Que perspectiva maravilhosa! Eu estava precisando ouvir isso. Disse Raissa.

– Uma amiga me disse que as viagens trazem curas para feridas permanentes.

– Acho que estou precisando curar de vez algumas feridas.

– Você vai. Então posso marcar para amanhã?

– Pode! E muito, muito, muito obrigada por tudo.

– É um prazer.

A secretária saiu deixando Raissa ali sozinha com seus pensamentos. Uma enorme expectativa tomava conta dela. Ela ia viajar em 4 dias e ainda tinha muitas coisas para fazer. No trabalho tudo estava mais tranquilo. Ela já tinha passado todas as suas atividades para outra pessoa e já não tinha mais envolvimento com grandes entregas ou projetos, e pela primeira na sua carreira, ela não estava totalmente atarefada e cheia de coisas para fazer, o que a levava seus pensamentos para o seu encontro daquela noite.

A tarde se arrastou e parecia demorar uma eternidade a passar. Uma enorme expectativa tomou conta de Raissa e ela só ia aumentando quanto mais se aproximava a hora do jantar.

Ela se arrumou mais do que o normal, como da última vez. Escolheu uma roupa nova e fez uma maquiagem terminando com um batom vermelho.

Quando ela chegou no restaurante atraiu todos os olhares e deixou Vitor com a boca levemente aberta.

– Você está linda Raissa.

– Obrigada!

– Que bom que aceitou. Sinto sua falta.

– Vitor, eu não acredito que depois de tudo que passamos e todas as suas decisões, você está me dizendo uma coisa dessas. Eu sempre estive ali. E de repente, não estou mais ali e você sente falta. Isso não é normal Vitor.

– Raissa, eu quero você de volta.

Ela olhava ele em silencio. Apesar de se fazer de forte, seu coração estava do avesso naquele momento. Ela sentia uma tremenda felicidade ao ouvir aquelas palavras e se sentia totalmente atraída por ele.

Nesse momento o garçom chegou com uma garrafa de vinho. Ele já enchia a taça dela, quando ele se lembrou que tinha prometido para ela mesma que não ia beber naquela noite. Mas era tarde para resistir e ela deu um belo gole no seu vinho, sem nenhum arrependimento.

A noite ia ficando agradável e o Vitor, por quem ela tinha se apaixonado muitos anos atrás, parecia estar de volta. Eles se divertiram naquela noite, que apesar de todas as circunstancias estava sendo leve.

Já era tarde quando eles foram embora do restaurante.

Raissa esperava o taxi, enquanto Vitor implorava para levar ela para casa.

– Deixa eu te levar para casa. Não quero você em um táxi sozinha a essa hora.

– Vitor acho melhor assim. Ela respondeu se sentindo alta pelo vinho.

O vento levou alguns fios de cabelo dela para o rosto e Vitor parou um instante na frente dela. Olhou dentro dos olhos dela e tirou, delicadamente, os fios de cabelo que cobriam o rosto dela.

Nesse momento um arrepio tomou conta de todo corpo dela.

“Eu não vou resistir.” Ela pensava, aflita.

– Você está tão linda. Como pude deixar você ir embora. Ele disse.

– Ah Vitor… ela respondeu e de repente parou de falar.

– O que foi?

Ela lutava contra o sentimento de beija-lo, que tomava conta dela.

Ele se aproximou e ela não saiu do lugar. Ele seguiu se aproximando e ela seguiu estática. Até o momento que ele estava tão perto a ponto de sentirem a respiração um do outro.

Ele seguia se aproximando, até que a boca dele encostou na dela, como se tudo estivesse em câmera lenta.

O coração dela acelerou e ela deixou que ele a beijasse.

O beijo que começou com carinho terminou cheio de desejo e Raissa acabou indo para o apartamento de Vitor.

Eles transaram, matando a vontade que estavam sentindo um do outro e ambos pegaram no sono sem roupas.

Raissa acordou com uma faixa do sol batendo em seu rosto. Ela se assustou. Lembrou que estava na casa do Vitor e sentia um gosto amargo na boca pelo excesso de vinho da noite anterior. Ela estava pelada e sozinha. Ela procurou por Vitor, mas só encontrou um bilhete.

“Precisei sair, pois tenho reunião cedo e não quis te acordar. Nos vemos a noite? Beijo, Vitor”

Ela lia e relia o bilhete, que tinha uma mensagem muito simples, mas muito difícil de entender.

“O que esse homem quer? O que ele está fazendo comigo? Por que permito essas coisas? Cadê meu amor próprio? Por que essa recaída? O que estou fazendo aqui sozinha, pelada nessa cama?” Ela se enchia de perguntas e julgamentos em seus pensamentos e o gosto amargo, que ela já sentia quando acordou, parecia se elevar à milésima potência naquele momento.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 12 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

Capítulo 11 – Recaída

Sabrina Almeida


Sou mãe, filha, esposa, mulher, amiga, confidente, conselheira. Sonhadora, determinada e realizadora. Organizada, mas com um que de caótica. Apaixonada pela vida e pelas pessoas. Intensa! Publicitaria, trabalho desenvolvendo produtos e marcas para deixar as pessoas mais bonitas e felizes. Escrevo porque amo escrever. Minha cabeça está sempre repleta de sonhos e devaneios. Sigo sempre meu coração. Hoje penso mais antes de tomar uma decisão. Encontrei a FELICIDADE, assim todinha maiuscula, nas coisas simples da vida. E escrever é uma delas. Enquanto as pessoas vão para a academia, fazem trilhas, tocam instrumentos musicais, cozinham… Eu escrevo! Esse é o meu hobbie… Escrevo para traduzir o que está no meu coração, sem regras, métodos ou filtros. Escrevo porque me inspira e me faz feliz. Acredito que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de sonhos e devaneios. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: “quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?” E a minha resposta é como vou concluir minha apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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