Capítulo 12 – Preciso me despedir dessa história

Assim que entrou no carro Ana desabou e começou a chorar. Aquela era a primeira vez que chorava por amor e a sensação, apesar de dolorosa, trazia um certo alívio.

Ela ficou ali parada por alguns minutos repetindo para si mesma: “Preciso de me despedir dessa história.”

Ela voltou para casa tentando se amar mais do que qualquer outra coisa e estava totalmente convencida que isso era o melhor a fazer.

No meio do turbilhão de sentimentos que ela atravessava, seu telefone tocou.

– Oi. Atendeu Ana.

– Oi cabeça! Tudo bem com você? Acho que preciso que me envie uma foto sua ou vou acabar esquecendo do seu rosto. Reivindicou Lara.

– Ah Lara, a vida anda tão confusa.

– E as coisas com o Michel?

– Essa é a parte confusa.

– O amor é confuso cabeça. Mas estou ligando para falar de coisas boas. Amanhã é aniversário do Caíque e estou fazendo uma festa surpresa para ele hoje. Ele só tem amigos gatos e você vai se dar bem hoje amiga. A festa será no bar de um amigo dele. Eu vou te pegar às 20h. Ok?

– Sem chance Lara. Não estou nem um pouco a fim de sair.

– PELOAMORDEDEUS amiga! Você não pode me deixar sozinha.

– Estou exausta.

– Fica sentada.

– Emocionalmente, quero dizer.

– Então vamos beber tequila. Você precisa se divertir Ana!

– Estou cansada de comer grama.

Lara soltou uma gargalhada.

– Como assim?

– Sei lá… me sinto comendo grama por causa do Michel. Disse Ana e caiu na gargalhada também. – Só você para me fazer rir.

– Te prometo que farei você se divertir ainda mais. Sem nenhuma grama e muita tequila. Posso te pegar às 20h?

– Pode cabeça! Mas só porque será sem grama.

– Prometo que não terá grama.

Ana se sentia um pouco melhor depois de conversar com a sua melhor amiga. Ela acabou se lembrando dos seus 21 anos e resolveu ficar com a parte leve da vida. Estava decidida a colocar sua melhor roupa e ficar mais bonita do que nunca naquela noite.

Os preparativos para a festa que aconteceria a noite tomaram conta do dia e dos pensamentos de Ana. Apesar de ocupada, Michel acabava aparecendo com frequência em seus pensamentos, sem pedir permissão, mas ela tratava de tirar ele logo dali. “Nada de comer grama hoje.” Pensava consigo mesma.

Lara chegou pontualmente no horário combinado e logo chamou a atenção de Ana.

– Oi amiga! Você está muito deusa. Disse Lara enquanto Ana entrava no carro.

– E você maravilhosa! Está um mulherão amiga. Disse Ana. – Vamos nos divertir essa noite, como deusas.

– Você não vai acreditar na qualidade dos amigos do Caíque.

– Ai cabeça, estou começando a ficar ansiosa. Mentiu Ana, fingindo empolgação, porque tudo que vinha na cabeça dela naquele momento era Michel e tudo que ela desejava era uma ligação dele.

– É bom estar. Disse Lara aumentando o volume do rádio.

O lugar era perto e elas logo chegaram. Era uma casa antiga e parecia ainda estar bem vazia. Elas foram recebidas pelo dono do bar, que já conhecia Lara porque aquele era um dos bares preferidos de Caíque e o dono bastante amigo dele.

– Como vai Lara? Disse Matheus.

– Estou bem! Ansiosa, na verdade. Daqui a pouco o Caíque deve chegar. Cadê todo mundo? Se preocupou Lara ao olhar em volta e ver o bar vazio.

– Estão todos lá em cima. Fechei a parte de cima para vocês. Me apresente a sua amiga. Pediu Matheus.

– Essa é a Ana. Disse rapidamente.

– Muito prazer! Disse ele.

– O prazer é meu. Ana respondeu.

Elas foram para o segundo andar encontrar os demais convidados e Lara brincou com a Ana no caminho:

– Acho que o Matheus gostou de você.

– Para de ser louca. Ele é muito velho.

– O Michel não é exatamente novinho.

– Isso é verdade. Concordou Ana, mais uma vez trazendo Michel para os seus pensamentos.

– Preciso ir encher os balões. Venha me ajudar. Assim não fica pensando bobagens. Disse Lara mudando de assunto.

E nesse momento o garçom chegou trazendo drinks para elas.

– Não pedimos nada ainda. Disse Lara surpresa.

– Foi o Matheus que enviou. Disse que era cortesia da casa para duas mulheres bonitas. Explicou o garçom.

– Agradeça a ele. Disse Ana

– Diga que amamos! Complementou Lara.

Assim que o garçom saiu Lara comemorou.

– Eu disse que ele estava a fim de você!

– E eu sigo dizendo que você está louca. Melhor enchermos os balões.

– Um brinde antes. Cheers!

– Cheers! Lara você é a melhor amiga do mundo. Ainda bem que tenho você. Declarou Ana.

– Ah Ana! Que fofa você. Ainda bem que tenho você também.

Ana bebia seu drink e sentia uma enorme gratidão por ter Lara em sua vida. Elas eram amigas desde o início da faculdade, faziam 4 anos, mas ambas sentiam que se conheciam de outras vidas. Eram as melhores amigas umas das outras e sentiam que tinham com quem contar e que aquela amizade duraria para sempre.

Elas seguiram felizes com seus drinks e ambas gratas por ter uma a outra e alternaram momentos entre drinks, balões e os demais preparativos da festa.

O lugar estava pronto. Todo decorado com balões e lotado de gente. Todos os amigos importantes estavam ali. E em poucos minutos, Caíque chegou.

– Surpresa! Gritaram em coro quando ele entrou no espaço.

– Não acredito! Disse Caíque pegando Lara e a girando no ar. – Você me enganou! Obrigado por tudo minha linda.

-Parabéns meu amor! Derreteu-se Lara.

E Caíque seguiu cumprimentando seus amigos um a um.

A festa começou e Lara se preocupou em deixar Ana sozinha, por isso acabou ficando mais com a amiga do que com Caíque, que por sorte estava super ocupado com seus amigos.

A noite seguiu animada e com os amigos de Caíque a diversão era sempre garantida. Apesar de terem apenas 20 e poucos anos, eram maduros e interessantes.

As bandejas seguiam passando repletas de drinks e todo o álcool acabava elevando o nível de diversão da noite. Ana relaxava a medida que ia somando shots de tequila. Ela ria alto com Lara e se sentia cada vez mais livre daquela história da qual tinha resolvido se despedir. Porém depois de algumas músicas e alguns shots de tequila, ela começava a se sentir tonta e toda euforia se transformava em angustia fazendo com de repente, ela sentisse falta de Michel. Bem no meio daquela despedida que parecia estar acontecendo. E ela procurou por mensagens dele em seu celular. Não encontrou nada e seguiu por alguns instantes olhando seu telefone, esperando irracionalmente que ele tocasse. Esperando que Michel ligasse, mesmo se passando das duas horas da manhã. Ela resolveu dar uma volta e foi ao banheiro lavar o rosto e retocar a maquiagem esperando que a euforia voltasse e espantasse aquela angústia repentina.

Ana saia do banheiro, quando um homem lindo brincou com ela:

– Nossa ainda bem que te achei. Disse ele.

– Acho que está me confundindo. Respondeu Ana.

– Acho que não.

– A gente não se conhece. Insistiu Ana.

– Conheço você. Disse ele.

– De onde será?

– Dos meus sonhos. Já sonhei com você.

Ana soltou uma gargalhada.

– Você está rindo de mim? É sério!

Ana começou a acreditar nele.

– É sério mesmo?

– Não literalmente. Mas é sério no sentido figurado.

– Quase acreditei em você.

– Então acho que mereço um beijo.

– Só porque quase me enganou?

E nesse momento, o desconhecido cheio de gracinhas chegou perto de Ana e pegou sua mão a arrastando dali. Encostou ela na primeira parede que encontrou e a beijou sem pedir permissão ou falar qualquer palavra.

Quando terminou o beijo ele disse:

– Foi ainda melhor do que nos meus sonhos. Disse ele retomando o ar.

– Fico feliz em superar suas expectativas platônicas. Respondeu Ana orgulhosa por seu repertório recém adquirido.

– Nada como tirar as coisas das ideias e viver de verdade. Não é mesmo? Concluiu ele.

“Que culto esse moço. Acho que estou gostando dele.” Pensava Ana achando graça de si mesma.

– Como você se chama? Ele perguntou. – Como pude ser tal mal-educado ao te beijar sem antes perguntar seu nome?

– Ana. E você?

– Luigi.

– Você é amigo do Caíque?

– Sim! Estudamos na mesma classe. Quando ele me disse que a Lara tinha amigas lindas ou não imaginava que tinha alguém como você entre elas.

– Você está exagerando.

– Não podia imaginar encontrar a menina dos meus sonhos entre as amigas da Lara.

–  Agora você está sendo ainda mais exagerado.

– E você precisa aprender a ouvir elogios.

– Acho que tem razão.

– Hey! Aí está você. Eu estava te procurando. Disse Lara os interrompendo.

– Estou bem aqui. Respondeu Ana sem graça.

– Atrapalhei algo?

– Mais ou menos, na verdade. Disse Luigi.

– Não. Respondeu Ana um pouco sem graça.

– Então vamos dançar. E o senhor, nem pense em histórias com a minha amiga.

– Acho que chegou tarde Lara. Já pensei. Respondeu Luigi de maneira charmosa e abraçou Ana pela cintura.

Lara olhou espantada e temeu pela amiga. Luigi era uma homem inteligente, charmoso, interessante e realmente maravilhoso, mas tudo que tinha de lindo, tinha de galinha. Ele não valia um único centavo e era um conquistador de mulheres.

Eles voltaram para a mesa e Lara preferiu deixar as coisas rolarem naquela noite e não se preocupar com Ana ou formar qualquer julgamento sobre Luigi na sua cabeça.

A noite continuou super animada e Luigi se derretia em elogios e carinhos para Ana. Lara seguia tentando acreditar nele, mas também seguia temendo que aquele homem perigoso arruinasse com o que tinha sobrado do coração em ruinas de sua melhor amiga.

O dia já estava quase amanhecendo quando decidiram tomar café da manhã em um lugar que era possível ver o nascer do sol.

Ana estava envolvida pelos braços de Luigi e tentava se entregar para aquela situação que tinha tudo para ser deliciosa, mas Michel insistia em perturbar os pensamentos dela.

“Preciso me despedir definitivamente dessa história.” Pensava ela enquanto se desconectava totalmente do que acontecia ali. O papo estava interessante e Luigi se esforçava para chamar atenção de Ana. Mas ela acabava indo para um lugar cada vez mais distante dali.

O sol já tinha nascido e todos estavam realmente exaustos, depois de uma noite inteira em claro.

– Acho que é hora de irmos. Temos muito o que comemorar ainda. Aliás o aniversário do meu amor está só começando. Disse Lara.

– Eu não queria que essa noite terminasse. Disse Luigi olhando com carinho para Ana.

– Estou amando tudo. Mas realmente preciso ir. Tenho um almoço de família daqui a pouco. Mentiu Ana querendo realmente ir embora dali e se entregar para a sua cama.

– Que pena. Disse Luigi. – Pena que ainda é um pouco cedo para conhecer a sua família. Do contrário eu não precisaria me despedir de você.

– Você é mesmo muito engraçadinho. Brincou Lara.

– Eu adoro homens com senso de humor. Disse Ana defendendo Luigi e trazendo leveza para o momento.

– Então vamos. Concluiu Caíque.

E nesse momento Ana e Luigi se despediram. Ela de certo modo aliviada e ele chateado por querer realmente mais.

Já no carro Caíque perguntou:

– E aí Ana? Gostou do Luigi? Acho que ele gostou muito de você.

– Gostei! Respondeu ela.

– O Luigi é meio sacana com as mulheres. Espero que não seja o caso com a Ana. Disse Lara.

– Fique tranquila Lara. Acho que estou crescidinha. Brincou Ana.

– Boa Ana! Disse Caíque descontraindo o clima.

“Espero que sim.” Pensou Lara se preocupando pela amiga.

Caíque deixou Ana em casa e ela sentiu uma enorme gratidão ao sentir o vento tocar o seu  rosto e o sol aquecer a sua pele. E de repente ela se sentiu realmente feliz.

Na hora de dormir Ana olhava o teto fixamente e os seus pensamentos, ao invés de Michel, foram de Luigi. Ela repassava a noite deliciosa que tinha tido, lembrava do carinho com que tinha sido tratada e do por do sol acompanhado de uma conversa interessante. Ela não imaginava que isso seria possível depois do furação Michel que tinha acabado de devastar a sua vida. Mas o seu coração sentiu uma certa paz, pela primeira vez depois de muitos dias e o seu último pensamento antes de pegar no sono foi:

“Acho que finalmente consegui começar a me despedir dessa história.”

CONTINUA…

O CAPÍTULO 13 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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