Capítulo 13 – Será que isso vai dar certo?

Nina chegou do seu passeio com os cachorros atrasada. Correu para debaixo do chuveiro e ficou ensaiando o que falaria para o editor, amigo de Roberto, no encontro que aconteceria em 1 hora.

A hora de se vestir tinha se tornado um momento de pânico recentemente e Nina seguia testando looks no espelho e falando consigo mesma em seus pensamentos.

“Atrasada! E cheia de coisas para fazer. Não posso ficar nervosa com isso.”

“Que roupa?”

“Hum… séria demais”

“Essa pode ser”

E enfim Nina se vestiu para ir encontrar Roberto e Jayme que a esperavam em um bar perto do escritório de Roberto.

Ela terminava de juntar os papeis que levaria quando Roberto ligou.

– Oi Bob. Ela atendeu.

– Oi amor. Já estamos por aqui.

– Estou saindo de casa.

– Até já então. Beijo.

– Beijo.

Nina entrou no taxi e um frio na barriga virou um arrepio que percorreu todo o seu corpo.

“Isso está mesmo acontecendo, meu Deus? Um editor que publica livros vai ver meu material?” Pensava Nina que seguia com pensamentos barulhentos.

Ela chegou no bar e os dois conversavam como grandes amigos.

– Olá! Disse ela ao chegar os distraindo da conversa.

– Oi meu amor. Disse Roberto se levantando para dar um beijo nela. – Jayme, essa é Nina, a minha namorada.

– Prazer te conhecer Nina. Você é muito famosa. Roberto fala muito de você.

– O prazer é todo meu. Disse Nina se sentindo feliz por Roberto falar dela.

– Estou ansioso para ver o seu projeto. Disse Jayme de maneira simpática.

– E eu ainda mais ansiosa para mostra-lo a você.

– O que quer beber Nina? Perguntou Roberto.

– Um gin tônica, por favor.

– Vou aproveitar e acompanhar Nina em um gin tônica também. Disse Jayme de maneira gentil.

– Nina o Jayme é um grande amigo. Hoje trabalha como editor em uma grande editora de livros aqui no Brasil. Ele tem uma longa história e muita experiência no mundo literário.

– Roberto, você está exagerando. Disse ele.

– Jayme você é o melhor editor desse país. Não há o que discutir. A Nina está começando um projeto e acho que seria muito legal se você pudesse orientá-la.

– Claro! Será um prazer. Agora me conte sobre o projeto Nina.

– Sou jornalista de formação. Fui buscar essa carreira porque sempre fui apaixonada por escrita e literatura. Mas me frustrei um pouco logo que saí da faculdade. Nunca imaginei que a minha paixão por escrever não seria suficiente para eu produzir qualquer tipo de conteúdo. E definitivamente não foi. Escrever de maneira remunerada e sob briefings acabou sendo difícil e frustrante para mim. Por isso me afastei do jornalismo e acabei passando os últimos anos vivendo de pequenos trabalhos. Até escrevi algumas coisas e fiz alguns trabalhos de revisão, mas nada muito consistente. Recentemente comecei a me animar a escrever um romance inspirado na minha história com as minhas melhores amigas. Algo que misturasse realidade e ficção, mas que fizesse as pessoas se identificarem. E comecei. Esse novo projeto fez meus olhos brilharem e me fez voltar a escrever por paixão. Não tenho ideia se de fato isso vai acabar em um livro, mas me animei para escrever a história. Na verdade nunca tive pretensão nenhuma de escrever um livro. Mas é isso.

– Uau! Que menina determinada é você. Estou certo que devem estar vindo coisas muito boas aí. Você já começou a escrever então?

– Sim! Produzi algum conteúdo já.

– Você trouxe?

– Sim! Estão aqui.

– Uau! 100 páginas. Desde quando está escrevendo?

– Tem umas 2 semanas, quase 3 na verdade. Mas não consegui me dedicar só para isso. Como o Roberto disse, tem alguns projetos temporários que me tomam bastante tempo. Mas quando sento para escrever, flui totalmente e me sinto muito feliz fazendo isso.

– Vou levar o material para avaliar, mas devo dizer que já produziu mais conteúdo do que eu esperava nesse pequeno espaço de tempo. Para você ter uma ideia, alguns escritores famosos tendem a produzir 2 laudas por dia. Portanto Nina, você está produzindo mais páginas que a média de um escritor profissional. Isso é muito, muito promissor.

– Que legal! Fico feliz em saber. Nem imaginava que estava fazendo isso.

– E devo confessar que o título da história já me deixou muito curioso para ler o resto. “As 4 em busca.” Que legal isso Nina!

– Sempre estamos em busca. Isso é fato entre a gente. Ela disse. – Não tenho certeza se vou querer esse nome no final. Mas para começar ele define bem a história que vou contar. Pelo menos a que quero contar.

– Uma curiosidade. Você já sabe o final? Perguntou Roberto.

– Boa pergunta Bob! Não pensei no final. A gente parece tão pra sempre.

– Isso é lindo Nina! Você tem cabeça de poeta. Disse Jayme, encantado com ela e com todo entusiasmo que vinha dela.

– Um brinde à mais nova escritora. Propôs Roberto.

– Que tem cabeça de poeta! Complementou Jayme.

Nina acolheu com gratidão se sentindo a pessoa mais feliz e especial do planeta.

A noite seguiu animada, com drinks, conversa boa, cultura e muita descontração. Nina se sentia cada vez mais segura sobre a escolha de seus próximos passos e seu novo projeto. Naquele momento Nina olhou em volta e se sentiu grata. Além de gratidão, se sentiu adulta. Desde que Roberto tinha chegado em sua vida tudo ganhava uma perspectiva mais madura. E Roberto olhava Nina e ficava cada vez mais encantado com a menina que ia se mostrando cada vez mais mulher, capaz e interessante.

Na hora de ir embora para casa, já sozinhos no carro, eles conversaram sobre a noite que tinham tido e Roberto se mostrava cada vez mais orgulhoso dela.

– Você foi demais hoje Nina!

– Obrigada Bob! Por tudo. Por ter aberto essa porta. Por me apoiar. Por estar aqui comigo.

– Meu amor! Eu que te agradeço.

– Não vejo a hora de chegar em casa e dormir pelada com você. De tão feliz que estou.

– Não me provoca Nina. Ele respondeu achando graça da fala dela.

– Eu adoro te provocar.

– E quando fica feliz gosta de dormir pelada?

– Isso! Quando fico feliz gosto de dormir pelada. Mas só começou a acontecer depois que conheci você.

– Eu sou mesmo um cara de sorte. E estou adorando conhecer a cada dia um pouco mais sobre você.

– Eu que sou a mulher mais sortuda do mundo.

Eles chegaram em casa e os beijos já começaram no elevador.

– Perco a cabeça com você mocinha. Disse ele preocupado com as câmeras do elevador.

Ela não disse nada e voltou a beijá-lo.

Eles entraram no apartamento de Roberto já tirando as roupas e transaram ali na sala. Tomaram banho e foram dormir juntinhos.

No dia seguinte Nina saiu cedo por que tinha um trabalho como modelo de esmaltes bem cedo. Deu um beijo em Roberto e foi embora.

Ela passou em casa para tomar um banho e trocar de roupa e mal teve tempo de um café.

No taxi, a conversa com o editor na noite anterior se reapresentava em seus pensamentos e ela sentia que sua nova fase estava finalmente começando. Aquela fase tão desejada estava enfim ali.

Ela se lembrou daquela festa em que ela estava vestida de LOL e do momento em que a menininha que fazia aniversário, agarrada a ela, pediu para que ela fizesse um pedido no momento em que assoprassem juntas as velas do bolo.

“Parece que essa história de pedido de bolo de aniversário funciona mesmo. Sinto que minha vida realmente começou a mudar desde aquele dia. E olha que nem imaginava, em tão pouco tempo, estar namorando com um Deus Grego. Sou muito sortuda.” Pensava Nina experimentando um sentimento de gratidão que causava uma felicidade indescritível.

E mais uma vez, como vinha acontecendo com frequência, ela sentiu um frio na barriga.

O dia foi delicioso e Nina e Roberto jantaram juntos. Como vinha acontecendo sempre, dormiram juntos também.

Nina acordou com uma sensação estranha. Ela parecia não ter mais casa e não sentia que aquela casa em que vinha acordando com frequência era dela.

Ela tomava café da manhã com Roberto e olhava em volta, com essa sensação que seguia tomando conta do coração dela.

“Tenho vivido nessa casa! Mas não tem nada meu aqui. Nem minhas roupas. Vou sempre embora com a roupa usada no dia anterior. Que estranho é isso.”

– Hey Nina! O que foi? Perguntou Roberto acordando Nina de seus pensamentos.

– Não foi nada!

– Parece tão distante… e preocupada. Aconteceu alguma coisa?

– Não foi nada. Estava só perdida em meus pensamentos. Animado para o final de semana? Para a sua pré-estreia. Perguntou ela querendo mudar de assunto

– Chego a sentir um frio na barriga. Ele disse.

Ela riu.

– Você merece cada sensação boa que está sentindo. Disse ela tentando espantar aquela angustia que tinha se instalado em seu coração.

– A propósito. O evento começa sábado, mas queria ir amanhã com você. Liguei lá e negociei nossa chegada amanhã. Tudo bem por você.

– Que delícia! Tudo super bem!

– Que bom que você pode! Estarei liberado na hora do almoço. Então, vamos no horário que você puder.

– Não tenho nenhum compromisso amanhã. A não ser com meus cachorros. Posso desmarcar e vamos mais cedo.

– Veja como prefere fazer e me avisa. Pode ser?

– Pode! Vou desmarcar os cachorros e vamos no horário que você quiser.

– Você é mesmo maravilhosa. O lugar parece ser demais. Acho que vamos nos divertir. Tem uma destilaria de cachaça lá.

– Vamos encher a cara então.

– Vamos. Ele concordou achando graça.

Eles terminaram o café e Nina se despediu de Roberto para voltar para casa. Naquele dia ela não tinha nenhum compromisso de trabalho, então o dia seria inteiro dedicado ao seu mais novo projeto: seu livro.

Um misto de sensações tomava conta dela enquanto ela caminhava de volta para casa.

Ela entrou em casa e tudo estava impecável. Não parecia que alguém morava ali. A faxineira tinha ido no dia anterior, por isso não tinha um único copo sujo na pia e a cama estava impecável.

“Como é estranho dormir todos os dias fora de casa e voltar para casa a pé. Chegar em casa e encontrar tudo assim. Parece que ninguém mora aqui.”

“Nina! Chega de tentar boicotar a sua felicidade. Você não estava aqui. Estava na cama de um homem incrível que te faz alcançar as estrelas quando fazem sexo. Por que mesmo está se importando com isso? Nunca ligou para essas coisas. Por que está fazendo isso agora?”

Ela lutava consigo mesma em seus pensamentos e por fim, terminou rindo sozinha na cozinha enquanto fazia um café.

“Melhor eu sujar alguma louça para mostrar a mim mesma que moro aqui.” Pensava ela colocando café em uma xícara e o coador na pia.

Nina se dedicou totalmente à sua história e passou o dia animada na frente do computador dando asas à sua imaginação.

Roberto ligou no final do dia dizendo que estava preso em uma reunião sem hora para acabar, e Nina gostou da ideia de ficar em casa sozinha em sua própria companhia naquela noite.

Ela abriu uma garrafa de vinho e colocou sua playlist favorita para tocar.

Ela estava tão feliz que teve vontade de se abraçar e dançar pela casa.

Ela seguiu escrevendo e naquele momento parecia não existir ninguém no mundo, além dela mesma.

“Eu estava precisando um pouco disso. Da minha própria companhia.” Pensava ela se olhando no espelho enquanto escova os dentes para ir dormir.

O dia amanheceu ensolarado e Nina sentindo o sol tocar sua pele acordou. Ela procurou institivamente por Roberto e se deu conta que estava em sua cama, mas morrendo de saudades dele.

“A vida é mesmo muito louca. Eu sou mesmo muito louca. Ontem preocupada em acordar em uma casa que não me pertence com um homem maravilhoso. Hoje sentindo falta do homem maravilhoso e acordando sozinha na minha casa, onde tudo me pertence.” Pensava Nina, achando graça de si mesma enquanto fazia café.

Ela terminava o seu café quando o telefone tocou.

– Oi Cadu. Ela atendeu.

– Oi Nina! Tudo bem?

– Sim! E você?

– Tudo bem por aqui. Liguei para dar um oi. Faz mais de 1 semana que não nos falamos. Ele disse.

– Nossa é verdade! A gente nunca fica tanto tempo sem de falar. Como estão as meninas?

– Estão bem! E crescendo. E perguntando quanto tempo falta para a tia Nina chegar.

– Faltam 3 meses! Diga para elas que chego dia primeiro de julho. Saudades Cadu.

– Eu também! Nem acredito que você realmente está vindo para cá.

– Dessa vez eu vou! Estou procurando passagens em promoção.

– Eu posso enviar uma passagem para você.

– Eu agradeço, mas não precisa. E os passeios pelo mundo?

– Estou indo a trabalho para Dubai e a Cecília vem comigo. Vamos tirar uns dias para ir para as Maldivas.

– Irmão sua vida é um sonho.

– Estou mesmo animado com essa viagem.

– E as meninas? Vão ficar quantos dias?

– Vamos ficar 10 dias fora e as meninas vão ficar com a mãe da Cecília.

– Ela se recuperou bem da cirurgia?

– Sim! Já voltou a andar e agora está fazendo fisioterapia.

– Que bom. Então já consegue ficar com as meninas.

– Sim! Mas vamos contratar uma babá para ajudar. A Dona Celia está velhinha já. E isso é uma coisa que me preocupa. Não temos ninguém aqui além da mãe da Cecília, que já está bem velhinha. Não temos muito apoio. Isso é algo que me faz pensar sobre viver longe da família.

– Não boicote sua felicidade Cadu. Tudo vai dar certo. E você tem a gente. Mesmo que de longe.

– Você tem razão.

– Fica bem e curte seu momento Cadu.

– E como andam os trabalhos?

– Diminui um pouco o ritmo. Desde o início do meu relacionamento com o Roberto tenho aceitado poucas coisas no final de semana.

– Isso é bom. Ele disse.

– Bom aí depende da perspectiva. Ela riu.

– A mamãe me disse que ele é um cara legal e parece gostar de você.

– Ela disse, foi? Acho que sim. Ela respondeu tímida.

– Cara de sorte. Você é demais Nina.

– Obrigada Cadu.

– Preciso ir. Vou entrar em uma reunião. Queria te dar um oi.

– Boa reunião Cadu. Te amo.

– Te amo irmã.

Ela desligou o telefone e ficou ali na mesa com seu café pensando no seu irmão e na vida que ele tinha longe dali. Nas viagens que ele fazia com frequência e na dedicação dele em manter contato constante com a família. Ela sentiu uma saudade enorme dele e resolveu procurar a sua passagem para Portugal.

Ela começava a busca quando seu celular tocou. Ela interrompeu a busca e atendeu animada.

– Oi Bob!

– Oi Nina. Tudo bem por aí?

– Sim! E você?

– Também. Estou com saudades. Fazia tempo que eu não acordava sem você. Disse ele de maneira carinhosa.

– Eu também. Deu tudo certo ontem?

– Sim! Mas fomos até bem tarde fechando o material do final de semana.

Ela se lembrou da loira deslumbrante que trabalhava com ele e se sentiu pequena, quase desaparecendo. Morreu de ciúme e sé conseguia pensar bobagens.

– Nina! Está aí? Ele perguntou.

– Sim! Estou. Preciso ir, estou atrasada para um trabalho. Ela disse querendo desligar o telefone.

– Mas você tinha dito que não tinha nada programado para hoje.

– Apareceu um trabalho.

– Ok! Mas você ainda pode ir logo depois do almoço? Ele perguntou, sem entender muito bem.

– Posso. Vou correr e te espero para sairmos logo depois do almoço então.

– Está tudo bem, Nina? Ele perguntou.

– Sim! Por que?

– Está estranha.

– Não tem nada de estranho. Estou só concentrada.

Ele riu.

– Está concentrada? Você é demais Nina. Bom trabalho para você.

– Obrigada! Para você também.

– Te pego às 15h. ok?

– Ok! Até já! Beijo.

– Beijo

Ela desligou o telefone se sentindo aliviada por não estar mais naquela conversa. Um desespero tinha tomado conta dela ao pensar que Roberto tinha ficado até tarde trabalhando com aquela mulher maravilhosa.

“Esse homem deslumbrante combina muito mais com uma mulher como aquela. Ele vai entender isso mais cedo ou mais tarde.” Pensava ela enquanto seguia se sentindo minúscula.

“Pare com isso Nina! O que deu em você? Ficou louca! Agir de maneira estranha que vai levar o Roberto para longe de você.” Ela seguia lutando consigo mesma em seu pensamentos.

“Melhor ir logo para o meu romance. Ali tudo acontece de acordo com a minha cabeça e com as minhas vontades. Eu controlo tudo!” Pensava ela se apoiando para sair daqueles pensamentos cruéis.

Ela se serviu de mais uma generosa caneca de café e foi para sua mesa escrever.

Ela abriu o computador, localizou o arquivo, releu as últimas páginas para continuar de onde tinha parado. Mas naquele dia ela não parecia muito inspirada. As ideias que sempre fervilhavam, pareciam estar adormecidas naquele dia. Nem a viagem romântica trazia animo para ela. A ideia de encontrar as pessoas do trabalho de Roberto a faziam tremer de medo.

“Será que estou preparada para essas pessoas e para esses encontros? Será que vou conseguir conversar com essas pessoas?” Ela pensava alimentando seu pânico e se sentindo cada vez menor.

Ela desistiu do romance e parou de tentar se boicotar. Espantou os pensamentos ruins e decidiu ir tomar banho e arrumar suas coisas para a viagem.

Na hora de arrumar a mala, mais angustia.

“Com que roupa eu vou? Que roupa vou usar lá? Roupa confortável? Roupa glamurosa? Ambas? Será que tenho roupas para esse tipo de evento? Aquela loira de pernas compridas deve ter o guarda-roupas mais incrível do mundo.” Nina seguia pensando enquanto olhava a pilha de roupas que tinha colocado na cama.

Ela decidiu pôr um jeans justo, com rasgos nos joelhos, camiseta branca, tênis e um casaco de tricot. Se sentiu bonita ao se olhar no espelho.

“Até que não está nada mal.” Pensou ela aprovando o look.

Nina nunca tinha estado tão bonita como naquele momento. Estava magra e parecia mais alta. A pele e o cabelo bem cuidados. A felicidade, definitivamente tinha trazido ainda mais beleza para ela.

Ela decidiu deixar a insegurança para lá e colocou na mala suas melhores roupas, certa de que daria tudo certo.

Ela terminou de arrumar as coisas e foi almoçar. Mal ajeitou as coisas e Roberto ligou avisando que estava chegando.

“Chegou a hora Nina!” Disse ela para si mesma enquanto passava um batom vermelho na frente do espelho.

Ela desceu em expectativa, arrastando sua mala de rodinha.

Quando chegou no carro encontrou Roberto vestindo uma calça de sarja e uma camisa branca de linho.

“Que homem é esse meu Deus?” Ela pensou.

– Oi linda! Que saudades. Ele disse quando ela entrou.

– Oi Bob! Também senti sua falta. Foi estranho acordar sem você.

– Também achei. Animada para o nosso final de semana?

– Um misto de sensações. Ela respondeu sem pensar.

– Como assim?

– Vou conhecer pessoas do seu trabalho. Isso é novo para mim.

– Tenho certeza de que todos vão amar você. E será um evento onde todos estarão acompanhados de pessoas que não trabalham junto com a gente. Vai dar tudo certo. Ele disse pegando na mão de Nina.

E de repente uma calma enorme tomou conta dela e ela se sentiu segura.

“Do seu lado, parece que tudo sempre vai dar certo.” Ela pensou enquanto sentia uma enorme tranquilidade tomando conta dela.

A viagem foi tranquila. Fazia muito sol e a estrada estava repleta de árvores floridas. A música parecia combinar perfeitamente com a paisagem e a felicidade voltava para o coração de Nina.

Eles chegaram e para a surpresa de Nina já haviam muitas pessoas do escritório ali. E eles perderam alguns minutos cumprimentando pessoas até conseguirem se registrar no hotel.

– Desculpe por isso. Não imaginei que estariam todos aqui já. Ele disse enquanto deixavam as coisas no quarto.

– Eu não esperava por isso. Achei que teria você só pra mim.

– Eu também achei. Mas daremos um jeito de ficarmos juntos. Te prometo.

– Vou te cobrar. Disse Nina brincando.

Eles desceram de mãos dadas e encontram com algumas pessoas no bar do hotel.

– Drinks! Disse uma mulher empolgada quando viu Roberto chegando.

– Oi Clara! Ele a cumprimentou e apresentou Nina. – E essa é a Nina.

– Oi Nina! Muito prazer. Respondeu ela de maneira simpática.

– O prazer foi meu. Ela respondeu sem graça.

“Isso vai ser um pesadelo!” Pensou se despedindo de suas expectativas de uma noite romântica.

Eles seguiram ali bebendo drinks e Nina começava a relaxar no momento em que a loira de 2 metros de pernas chegou e um frio percorreu a espinha de Nina.

Ela roubou a cena, no momento em que entrou no lugar com um vestido longo que a fazia parecer ainda mais alta e um decote generoso. Até Roberto parecia ser capturado pela cena.

– Preciso ir ao banheiro. Disse Nina chateada.

– É por ali. Ele apontou sem perceber.

Nina se levantou e já se sentia meio zonza pelos drinks que tinha tomado.

Ela ficou um pouco ali dentro daquela cabine, respirando fundo e se recompondo para voltar a ser a Nina de sempre. A Nina que encantou o Roberto. E se preparava para sair da cabine quando ouviu duas mulheres conversarem enquanto entravam no banheiro.

– Não acredito que ele veio acompanhado!

– É amiga! Acho que ele está mesmo namorando. Ele a trouxe aqui.

– Não me conformo! Eu estava tão perto de conquista-lo. Parecia que estava rolando algo entre a gente quando essa mulher surgiu do nada. E ela parece ser tão comum. Parece que nem tem profissão. Faz trabalhos temporários. Ele é muita areia para o caminhãozinho dela. Ela definitivamente não é mulher para ele. Esse homem é incrível demais para estar com uma mulher tão comum. Tão sem graça. Sou muito mais eu.

– Clarissa, como você é má. Disse a outra caindo na gargalhada. – Mas acho que ele viu bastante graça nela. Não quero te desanimar, mas ele parece gostar dela.

– Eu não vou permitir que ele se desperdice com uma mulher tão sem graça quando pode estar comigo. Eu não vou desistir dele.

– Na próxima vida quero vir com a sua autoestima amiga.

– Te desejo sorte amiga. Disse Clarissa triunfante se olhando no espelho.

E as duas deram uma gargalhada.

Nina seguiu ali digerindo aquilo tudo e pedindo superpoderes para se tele transportar para algum lugar muito distante dali. Lágrimas começaram a se formar em seus olhos e ela não conseguia se mover dali.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 14 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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