Capítulo 13 – Uma Lugar Que Só A Gente Conhece

Malu acorda um pouco antes do despertador. Era o dia de ir para Cannes. Na França ela só conhecia Paris e para ela, uma das melhores coisas da vida era conhecer países, cidades, lugares novos. Ela estava extremamente empolagada e tinha trabalhado muito pelos cases que vão concorrer a prêmios. Além de tudo, era uma nova oportunidade de se afastar da sua vida em São Paulo, que tinha regredido ao nível zero depois que descobriu a traição de Rodrigo. De alguma forma, esperava que Cannes a projetasse para fora da realidade, assim como aconteceu no Rio de Janeiro. Por muitos motivos, Malu estava extremamente ansiosa e empolgada para chegar logo lá. Naquele mundo sem dor onde ela pode ficar embriagada de vida.

Se espreguiçou colocando todos os seus ossos no lugar, comeu uma travessa de ceral e tomou um banho demorado, vestiu a roupa que tinha separado no dia anterior, estilo roupa de aeroporto, que precisa ser confortável e sofisticada ao mesmo tempo. Resumiu suas coisas à uma mala pequena e escolheu uma bolsa tipo sacola onde poderia levar em um mesmo lugar suas coisas da bolsa e seu computador. Ela era uma mulher prática e decidida e a forma que fazia suas malas demonstrava totalmente isso. O voo seria à noite e o combinado era saírem todos juntos do escritório com um serviço de transporte. Por isso precisava economizar espaço e ser capaz de carregar sozinha suas próprias coisas.

O dia na agência estava bem diferente dos demais dias. Rebeca e Thais fizeram uma reunião com Pedro para falar dos trabalhos em andamento porque naquele ano Thais não iria e ficaria responsável por todo atendimento na semana em que Pedro e Rebeca estariam fora. Enquanto Guto, o VP de criação se reunia com os diretores de criação, pois naquele ano somente ele iria, porque a agencia tinha trabalho demais que precisava de supervisão mais senior naquela semana.

O dia passou voando e às 17h saíram todos para o aeroporto.

– Por favor não voltem sem um troféu nas mãos. Isso certamente vai valorizar nossos ativos. Disse Theo para o grupo.

– Faremos o melhor para garantir isso. Ou melhor, já está feito. Agora é torcer. Respondeu Guto.

Estavam indo Pedro, Rebeca, Malu, Priscilla, Caique, Duda e Guto. Eram 7 pessoas que ocupavam um micro-ônibus indo buscar um prêmio, depois de terem trabalhado muito para isso.

No aeroporto, se reuniram na sala vip que todos tinham direito pois viajavam de classe executiva. Malu olhava em volta e não podia acreditar. Ela estava fazendo parte de um board de uma empresa. Se reunia com pessoas importantes, para falar de assuntos estratégicos. Ela se sentia bem sucedida e tinha cada vez mais certeza sobre a sua mudança de carreira depois dos 30 anos. Estar em uma agência permitia trabalhar para diferentes negócios e dar forma para a estratégia das empresas, levando algo para o consumidor que é relevante para ele. Era um círculo virtuoso afinal. O próposito da vida dela era fazer as pessoas felizes. Ajudar as pessoas a estarem bem com elas mesmas. Tocar o coração delas.

No meio dos seus devaneios sobre se sentir bem sucedida, vem Rodrigo e a sua traição à sua cabeça. Ela ainda não conseguia entender porque ele tinha feito aquilo com ela. Porque ele tinha pedido ela em casamento se estava saindo com outra mulher que até teve tempo de se apaixonar por ele. Seu coração se apertou e de repente toda aquela sensação de se sentir importante e bem sucedida perderam completamente o espaço no coração e na mente dela. Ela não era bem sucedida. Ela estava solteira, tinha sido traída, não era interessante o suficiente para um homem amá-la. Sentia que não se casaria mais, que nunca ninguém ia querer ficar com ela. Se sentia completamente desinteressante. Nesse momento lágrimas brotaram em seus olhos. Por mais que tentasse camuflar isso, fugindo da realidade, seu coração era cruel e fazia questão de lembra-la sempre que ele estava muito machudado. Meu Deus a felicidade não é para mim. Quando algo está bom, outra coisa desmorona. E eu tento ser uma pessoa boa. Por que não mereço ser feliz? Pensava Malu, concluindo seu pensamento e lutando bravamente para que aquelas lágrimas que já embaçavam seus olhos, não rolassem pelo seu rosto.

Saiu de perto do grupo que conversava animadamente, dando graças a Deus que ninguem tinha notado sua bipolaridade. Enquanto esperava seu café expresso recebeu uma sequência de mensagens no celular.

“Segui seu conselho, estou indo para o Caribe com o amor da minha vida”. Na sequencia uma foto de Edu e Vitor.

“Boa viagem! E por favor nos traga uma história deliciosa de lá. Beijos enormes Vit e Edu”

“Não podia ficar mais feliz. Aproveitem o Caribe. Vou tentar garantir a história. Boa viagem! Nos vemos na volta. Amo vocês.” Responde Malu.

Nesse momento, sente uma mão em seu ombro.

– O que foi Malu? Está tudo bem?

– Oi Duda, está sim!

– E por que parece que você vai chorar a qualquer momento?

– Porque essa é de verdade a minha maior vontade. Não paro de pensar no que o Rodrigo me fez. Estou tão machucada minha amiga.

E nesse momento, Malu não resite e desaba em lágrimas. Duda abraça Malu.

– Vem aqui! Não fica assim. Daqui a pouco passa. Você é uma mulher incrível. Que merece um cara incrível. E vocês vão se encontrar. Tenho certeza. Abra um espaço no seu coração para isso.

– Vou tentar minha amiga. Agora me fala de você. Nem conversamos direito. Como estão as coisas com Theo?

– Como assim? Não estão. Somos pessoas civilizadas que se respeitam e trabalham juntas. Duda responde ficando vermelha como um pimentão.

– Meu Deus! Que mentirosa. Você gosta dele. Malu diz isso, enxugando as lágrimas e ensaiando um sorriso.

– Está louca Malu? Claro que não! Esclarecemos as coisas e concluímos que não temos nada a ver um com o outro. Talvez eu tente algo com o Ricardo. O atendimento novo. Esse sim, tem mais a ver comigo.

– Por que ele tem mais a ver com você?

– Porque ele é sossegado, não é exibido, gosta de filosofia, gosta de estar em contato com a natureza, não come carne, ou seja, compartilha das mesmas crenças que eu. E parece ser muito bom de cama.

– Por esse prisma, você tem toda razão. Mas nosso coração nem sempre é tão sensato. Ele nem sempre se apaixona pelo óbvio. Não se cobre tanto. Nem idealize tanto o Ricardo. Você mal o conhece.

– Nisso você tem razão. Nem sempre acontece o óbvio no amor… vai dizendo Duda, apontando para Pedro, tentando mudar de assunto, quando é interrompida por Malu já se defendendo:

– O que você quer dizer com isso? Eu e o Pedro somos amigos. Trabalhamos juntos e não tem nada entre nós além de uma grande amizade.

– Malu, está doida? Estou falando do clima que parece estar pintando entre Pedro e Priscilla. Parece que ele finalmente está sucumbindo aos encantos dela. Dá uma olhada. Eles estão conversando perto demais e ele nunca deu tanta atenção para ela, como hoje. E você diria que isso poderia acontecer?

– Ah! Você estava falando de Priscilla? Acho que nunca diria. Ele jurava que nunca teria nada com ela.

– Pois é! Amores improváveis. Às vezes acontecem. Não é mesmo? Mas porque achou que eu falava de você? Você gosta do Pedro? Meu Deus você gosta do Pedro!

– Gosto! Mas não desse jeito. Nunca ficaria com ele. Somos grandes amigos.

– Malu, esse amor nem seria tão improvável assim. Vocês tem tudo a ver. São lindos, bem sucedidos, sensatos. Um completa a frase do outro. Ele pede sua bebida no restaurante. Não pense que não reparei. Você tira o que não gosta do seu prato e dá para ele e vice e versa. Vocês não brigam. Ele te escuta e você se dedica para ele. Ele te leva viver coisas inesquecíveis quando você está triste e obedece todos os seus conselhos. Encontrei o homem da sua vida para você, já que você não consegue enxergar.

– Duda, isso tudo é verdade. Nós cuidamos um do outro. Queremos o bem do outro. Nos preocupamos, nos entendemos, nos conhecemos bem, mas isso só é possível porque não existe sexo no meio. Com uma relação que envolve sexo, chegam as cobranças, as desconfianças e as brigas. Nós conhecemos somente o lado doce um do outro. Dessa maneira, tudo de lindo que você descreveu, perde espaço para essas outras coisas que não são nada lindas. Eu nunca iria colocar em risco a relação incrível que consegui com ele por causa de sexo.

– Talvez você tenha razão. Mas com sexo, pode surgir também ainda mais cumplicidade, prazer, paixão, que são coisas incríveis de viver. De verdade, vocês já tem o mais difícil. Não entendo porque seria tão improvável.

– Pelo simples fato de eu não querer arriscar o que temos de incrível. Às vezes é melhor manter uma parte arriscada só na imaginação, porque dessa maneira a história sempre será perfeita.

Nesse momento ficam as duas em silencio, tomando seus cafés. O pensamento de Duda vai para Theo. Ela estava perdidamente apaixonada por ele e ia morrer de saudades. E os de Malu vão para Pedro. Será que ele mudou de ideia em relação à Priscilla? Ela sente uma dor enorme no coração só de pensar nessa possibilidade. Naquele momento morreu de ciúmes de Pedro, como nunca tinha sentido na vida. Ela não podia lidar com mais esse sentimento, no meio daquele turbilhão de emoções e coisas que estava vivendo.

– Você acha mesmo, que está rolando algo entre o Pedro e a Priscilla?

– Parece que sim. Espera um pouco. Malu, você está com ciúmes do Pedro?

– Claro que não! Torço para ele encontrar alguém e fico feliz de ver ele feliz. Só não achava que ele ficaria com uma mulher como Priscilla. Ela é linda, parece uma modelo da Victoria’s Secret, mas não acho que é o tipo de mulher que ele gosta.

– Mentirosa!

– Duda, não viaja! Até ontem ele ficava com umas das minhas melhores amiga. Amo ele. Mas como um grande amigo. Juro que não me importo.

– Será Malu? Pense sobre isso e pare de empurrar o homem que pode ser o amor da sua vida para outras mulheres, porque você pode transformar o amor da sua vida no amor da vida de alguém. Depois me diga se não se importa mesmo.

– Nessa altura da minha vida, espero sinceramente que eu não me importe. Me envolver com ele seria uma carga pesada demais nesse momento. Não posso e não quero ter que lidar com isso. E não vamos esquecer de um detalhe muito importante. Ele é nosso chefe. Aliás, chefe do nosso chefe. Isso deve ser até ilegal. Eu acho.

Se juntam de volta ao grupo e conversam sobre os variados assuntos que surgem na conversa entre pessoas extremamente cultas. Era delicioso conversar com aquelas pessoas. Eles tinham inteligência, cultura, experiência. Já tinham vivido coisas muito interessantes e estudaram muito, de uma maneira extemamente privilegiada.

Pedro pergunta baixinho para Malu:

– Hey, você está bem?

– Sim! Obrigada. Para você não preciso nem perguntar se você está bem. Você parece realmente muito bem. Ela responde fazendo bico.

– Sim! Estou muito bem. Tenho me sentido muito bem ultimamente. E você tem ajudado muito com isso. Ele responde sem entender muito a expressão dela.

– Que bom. Nesse momento parece que outras pessoas também estão te ajudando bastante. Daqui a pouco você nem precisará mais de mim.

– Malu, do que exatamente você está falando?

– Pedro, não se faça de inocente. E não quero falar disso agora, muito menos aqui. Se você não entendeu, depois te explico.

– Ok! Depois vou te cobrar uma explicação. Não estou te entendendo.

Malu tem vontade de gritar. Não está me entendendo? Essa sua conversa a um palmo de distância da Angel, aquela que você sempre se esquivou e evitou, que está fazendo seus olhos brilharem de desejo. Aquela que você jamais ficaria, porque além de ser da sua equipe, não tinha conteúdo e não era axatamente uma mulher interessante, além de plasticamente muito bonita. Quem não está entendendo sou eu. Não entendo sua mudança repentina e muito menos o porque isso está me deixando louca. Mas respira fundo e diz simplesmente:

– Depois, se você ainda lembrar disso ainda, tento te explicar.

– Ok Sra Brava.

– Não estou brava.

– Ok Sra que não está brava. Depois falamos sobre isso.

– Melhor assim.

Pedro pisca para Malu e volta para a conversa do grupo. Malu tenta estar presente, mas seus pensamentos estão muito longe dali. Ela tenta se apegar à expectativa do que está por vir. Mas como se tivesse um imã, seus pensamentos insistem em levar ela para o lado triste da sua história. Ela pede calma a si mesma. Esse está sendo somente um dia ruim com uma noite que vai consertar tudo até o sol aparecer amanhã. Esse está só sendo um dia ruim. Repete para si memsa. Vai passar. Se enche de esperança e nesse momento, finalmente o vôo deles é chamado.

Já acomodados na classe executiva, Malu se prepara para mergulhar no seu livro e separa seu ipod e os fones de ouvido. Quando Duda ao seu lado comenta:

– O destino está mesmo conspirando a favor de Priscilla. Olha quem está viajando ao lado dela.

– Pedro. E daí Duda? Você acha que isso faz deles um casal e que por estarem viajando lado a lado vão se beijar loucamente na boca?

– Talvez…

– Você acha mesmo que essa situação estimula isso? Eu não acho que eles se beijariam aqui.

– Também não acho, mas podem eventualmente começar a sentir vontade, para matar depois entre 4 paredes.

– Pode ser! Bom para eles. Diz isso e coloca seus fones de ouvido, deixando claro que não quer mais conversar.

– Pare de se enganar Malu! Diz isso tirando os fones do seu ouvido.

– Não me enlouqueça Duda! Por favor. Diz isso e coloca novamente os fones, deixando claro que não quer mais conversar.

Será que o Pedro iria mudar de ideia sobre a Priscilla? Que seja, preciso me preparar para isso. Pensava Malu. Isso não podia acontecer. Não agora. Não com ela. Voltava seus pensamentos ao fato de não querer ver Pedro com Priscilla, encarando a verdade. Ela não queria que eles ficassem juntos. Nesse momento uma comissária extremamente bem arrumada, interrompe seus pensamentos e serve uma taça de champange para ela. Ela bebe, como se fosse àgua e pede outra taça.

– Você parece ter muitos motivos para comemorar. Comenta bem simpática a comissária.

– Você nem imagina! Obrigada pelo champagne. Vira todo o conteúdo da taça mais uma vez. Sem se preocupar em parecer educada.

Enquanto Duda observa tudo morrendo de rir.

– É engraçado ver uma mulher sensata como você, assim em crise. Diz Duda para Malu. Que responde com uma careta.

As luzes se apagam. O vôo vai ganhando altitude e Malu começa a se sentir feliz. São Paulo e todos os seus problemas, ficam lá embaixo, lá atrás e de repente parece que todos os problemas tinham virado formigas. Exceto um deles. Que não existia até aquela tarde e que viaja com ela a alguns metros de distância. Esse não virou formiga. Esse estava ganhando corpo de um dragão, desses que cospe fogo quando está bravo. Malu resolveu não criar mais monstros e ficar feliz pelas formigas. E então caiu no sono, como costumava acontecer sempre que viajava de avião.

Malu está sonhando, quando é acordada por Duda. Já era hora do café da manhã e estavam quase chegando na França. Ela se olha no espelho. Está descabelada. E o lápis preto que deixava os seus olhos lindos estava totalmente borrado fazendo ela parecer um panda. Enquanto se ajeitava no espelho dava graças a Deus por ser Duda ao seu lado. E pensava que Priscilla deveria ter acordado pessima e Pedro ficaria assustado ao aquela ver angel sem nenhuma produção.

Nesse momento, levanta Priscilla, com uma necessaire na mão a caminho do banheiro. Ela estava deslumbrante, parecia ter acabado de sair do cabeleireiro e parecia ainda estar indo se arrumar. Ou seja, ela tinha dormido e acordado deusa.

– Ela se maquiou enquanto todos dormiam. Não é possível. Diz Malu para Duda.

– Amiga, ela acabou de acordar. Sinto muito te dizer isso. Angels não ficam amassadas ou descabeladas.

O vôo tinha sido tranquilo e chegaram no horário previsto. Ficariam lá 4 dias e a programação era super intensa. Reunião com os clientes, coquetel, festa, cerimônias de premiação com muita espera e muitos discursos cansativos. E muita, muita expectativa.

Quando chegam no hotel, Malu fica encantada. Era pé na areia, com uma área de piscina enorme onde a maior preocupação de quem estava estirado sob sol era decidir se queria se refrescar na piscina ou no mar, afinal a sensação térmica era de quase 40º. Muita gente bonita. E muita, mas muita gente, circulava por ali. Além do festival, que atraía gente do mundo inteiro, tinham muitas pessoas aproveitando o final do verão europeu.

Malu dividia o quarto com Duda e elas conversavam uma por cima da outra. Estavam super empolgadas. Enquanto terminam de se arrumar para o coquetel de boas vindas Malu não se segura e pergunta:

– Você acha mesmo que o Pedro está correspondendo, finalmente, as investidas de Priscilla?

– Difícil saber. Mas eu acho que sim. Por que você se incomoda com isso? Sempre acabamos caindo nesse assunto.

– Claro que não me incomodo. É que ele sempre me disse que nunca faria. E acho que eu ficaria um pouco desampotada.

– Malu, vou devolver para você um conselho que você mesma me deu. No amor nem sempre vence a lógica. O que está dito em um dia pode perfeitamente mudar no outro. E acho que você está com ciúmes.

– Pode ser. Parece mais fácil aconselhar quando é o outro que tem o problema. Bom, não que isso seja um problema, de fato.

– Uau! Você está linda. Me empresta esse batom? Pede Duda, não dando muita importancia para Pedro e Priscilla.

– Batom vermelho? Uau digo eu! Com prazer, Duda. Diz isso entregando o batom para a amiga.

As duas descem, muito bem vestidas, perfumadas e maquiadas. Malu usa um vestido de paetes preto, curto na medida, corte reto, mangas curtas e gola que lembram uma camiseta. Sem decote, com destaque para as pernas de fora em uma saia quase curta. Está extremamente elegante. Duda escolheu um vestido de lurex prata, também curto, porém com um decote generoso nas costas. Quando entram na festa, atraem muito olhares.

– Uau! Você está linda. Na verdade você sempre está linda. Diz Pedro para Malu.

– Obrigada! Você também está muito bem.

– Obrigado. Me acompanha em um drink?

– Claro.

Nesse momento Pedro retira um drink direto da bandeja que passava e entrega para Malu.

– Que delícia. Eu nunca tinha tomado. Que drink é esse?

– É típico da França. Se chama Frances Ann e é feito com uisque, vermute seco e licor de cereja.

Nossa esse homem sabe tudo de tudo. Pensa Malu, encantada com Pedro. De repente, a imagem da Priscilla invade sua cabeça. E ele vai ficar com a Priscilla. Meu Deus. Vou ficar muito infeliz se ele ficar com a Priscilla. E sem pensar muito, Malu interrompe seus pensamentos e pergunta:

– E aí? Cade a Priscilla?

– Não tenho a menor ideia.

– Achei que vocês estivessem bem próximos e que ela estaria aqui com você.

– Que papo é esse Malu?

– Nada demais. Só achei que você estava retribuindo de alguma maneira os sentimentos dela por você.

– De onde você tirou isso? Era disso que você falava ontem no aeroporto?

– Sim! Era disso. Mas acho que talvez seja coisa da minha cabeça. Deixa para lá.

– Espera um pouco. Você está com ciúmes?

– Não! Bem, talvez. Um pouquinho. Ciúme de posse. Você não vai ficar com ela né?

– Não. Não vou ficar ela.

Nesse momento, Malu propõe um brinde e Priscilla chega com Rebeca. Ambas muito bonitas.

– Oi Pedro! Você está demais. Diz Priscilla em um vestido branco, curto e com decote bem profundo que colocava parte dos seios a mostra. Estava linda e muito sensual.

– Oi Priscilla. Obrigado. Você também está muito bem. Responde Pedro.

– Muito bem? Que elogio é esse Pedro? Brinca Rebeca, para quebrar aquele clima onde Pedro estava claramente pouco a vontade.

– Você também está linda Bec! Diz Pedro agradecendo a amiga com o olhar.

Enquanto conversam sobre amenidades. Chega Guto com uma das clientes deles, diretora de marketing da cadeia de lojas de departamentos que concorria a um dos prêmios do festival. E nesse momento, começam os assuntos formais e mais corporativos. Malu sabia que aquele corporativismo era importante, mas não tinha nenhuma paciência.

– Estou muito feliz por estar aqui. Ganhar um prêmio desses como diretora de marketing seria uma honra. Agradeço imensamente a parceria. Não foi fácil implementar uma ação tão diferenciada, porém os resultados foram impressionantes. Merecíamos esse prêmio já pelos incríveis resultados que a ação trouxe.

– Estamos muito felizes com essa parceria e anisosos pelas nossas possibilidades. Concorda Pedro.

Nesse momento, são interrompidos por Guto, que chega com mais um cliente deles.

– Nossa além de boas ideias, também tem mulheres muito bonitas na agência. Chega falando o diretor de marketing da outra empresa de artigos esportivos que também concorria a premios. Era o cliente da Duda e da Priscilla.

– Nossa, esse é nojento. Diz Duda, baixinho para Malu.

– Só trabalhamos com material de primeira sempre. Diz Guto, tentando ser solidário, mas se arrependendo completamente da forma desrespeitosa que tinha tratado as mulheres da agência.

– E não são somente lindas. São inteligentes e por isso a agência tem grandes ideias. São grandes mulheres. Diz Caíque, defendendo as mulheres.

Rebeca, na tentativa de proteger suas meninas, pede licença e sai com elas para buscar uma bebida.

– Que cara nojento. Diz Duda, indignada. – Ele sóbrio é um pouco mais decente.

– Ele está feliz! E vocês estão mesmo muito lindas! Vamos perdoá-lo. Diz Rebeca, para acabar com a cena e salvar a noite, que ainda era a primeira de muitas que viriam. – Vamos beber meninas! Comemorar essa vida linda cheia de oportunidades que temos.

– In love, Rebeca! Obrigada. Você é sempre demais. Diz Priscilla.

– Apoiada! Um brinde à nossa chefe incrível e inspiradora. Diz Malu.

De repente o clima tenso se foi e elas morriam de rir falando de coisas totalmente distantes do mundo corporativo.

Já se passavam das 2 da manhã e Priscilla esbarra de propósito em Pedro e faz com que toda a taça de vinho que ela segurava vire em cima do vestido branco dela. Ele não sabe com agir e no momento em que tenta ajudar a limpar parte do estrago, em que Priscilla se apoia nele como se estivessem abraçados, chegam Malu e Duda.

– Meu Deus. Nos desculpem. Diz Malu. Sem entender nada, achando que tinha atrapalhado algo entre os dois. – Só íamos dizer boa noite. Estamos indo. Termina de dizer sem conseguir olhar nos olhos de Pedro e arrasta Duda com ela. E saem antes que eles possam dizer qualquer coisa.

– Malu, por que vocês já vão? Ainda é cedo. Diz Pedro, enquanto elas se distanciam.

– Temos um longo dia pela frente amanhã e estamos cansadas. Né Duda?

– Que? Aham! Muito cansadas.

– Boa noite. Enfim, se despede Malu.

Enquanto caminham em direção do elevador para subirem para o seu quarto Duda pergunta:

– O que deu em você? Parecia uma doida. Não estava acontencendo nada demais lá.

– Claro que estava. Eles estavam prestes a se beijar. Não quis atrapalhar. Como você mesma me disse, talvez ele não quisesse antes, mas agora ele quer. Eu amo ele. Quero ver ele feliz.

– Acho que você bebeu demais Malu. Quanto sentimentalismo. Duda diz isso e as duas caem na gargalhada.

– Vamos pedir meia garrafa de vinho e beber na praia antes de dormir? Convida Malu.

– Vamos.

As duas se sentam de maneira extramente relaxada em espriguiçaderias. Olham as estrelas, alternam minutos de silencio com momentos de rir de perder o folego. De repente Malu admite:

– Sim estou com ciúmes de Pedro. E ele me disse que não ia ficar com ela.

– Sim! Tenho vontade de ficar com Theo, apesar de tudo. E estou pensando nele agora mesmo.

– Eu sabia! Diz Malu.

– Eu também sabia! Diz Duda. – Por que você não fica com o Pedro?

– Nossa relação chegou em um ponto que não tem espaço para acontecer esse tipo de coisa entre a gente. Temos muito a perder em nome de um beijo. Sei lá. Nunca vai acontecer.

– As coisas sempre mudam, minha amiga. Sempre podem mudar.

– E você? Por que não fica com Theo?

– Porque não temos nada a ver um com outro. Duda diz isso para encerrar o assunto, mas está morrendo de vontade de contar para a amiga o que está acontecendo entre ela e Theo. – Mas tudo sempre pode mudar. Repito.

– Então vamos brindar a isso. Às coisas que são vivas, que sempre podem mudar e por isso tornam a vida tão excitante. E a delícia de admitir a verdade. In vino veritas.

– In vino veritas. Concorda com Malu sorrindo.

Ali com as estrelas como testemunha as duas admitiram suas fraquezas no amor.

De repente ainda de olhos fechados, ouvem a voz de Pedro.

– Duda, por favor, você poderia me dar 5 minutos com a Malu.

– Claro Pedro. Vou subir Malu. Estou exausta.

– Malu, o que está acontecendo com você? Pergunta Pedro ainda em pé, assim que Duda se afasta.

– Também não sei. Estou confusa, triste e de verdade, não queria, mas estou sentindo muito ciúmes de você com a Priscilla.

– Você está psicótica com esse assunto. Não aconteceu nada e nem vai acontecer. Agora por favor sua impostora, pode devolver a minha Malu? Porque a minha Malu não fica vendo coisas que não existem, não insiste em bobagens, não age como uma maluca que diz coisas sem sentido. Quero minha amiga de volta, mesmo achando esse ciumes bem charmoso. Ainda mais vindo de uma pessoa sempre tão centrada e sensata como você.

– Você tem razão! Vou pedir para essa impostora devolver a sua Malu. E eu não estou com ciúmes. Só estou tentando te entender. Porque você me disse que nunca faria e de repente parece que quer fazer.

– Esse de repente parece que quer fazer que eu não estou entendendo. Nada mudou. De onde você está tirando isso? Eu não quero fazer nada com a Priscilla.

– Acho que você tem razão. Estou sensível depois dos últimos acontecimentos e você se tornou uma das coisas mais importantes da minha vida. E por isso acho que estou intensificando um pouco as coisas. Me desculpe.

– Ok! Agora prometa que vai parar de agir como maluca.

– Prometo!

– Agora vem! Vamos dormir porque está tarde.

Pedro, estica as mãos para Malu e puxa ela da espriguiçaderia em sua direção. Dá um abraço nela. E ficam assim, abraçados em silencio. Nos auto falantes da praia começa a tocar a música Somewhere Only We Know.

– Muita coisa aconteceu com a gente. Mas vai passar e ainda vamos ser muito felizes. Tenho certeza. Para de pensar bobagem, por favor. Diz Pedro e dá um beijo na cabeça dela. Diz isso, ainda abraçado com ela.

De repente a dor passou. Aquele era o lugar onde Malu queria estar. Naquele abraço.

– Amo essa musica. Diz Malu ainda abraçada a Pedro.

– Algum lugar que só a gente conhece. Linda a música. Diz Pedro traduzindo o refrão.

– Queria ficar aqui para sempre. Nesse abraço. Ele ma faz acreditar que tudo vai ficar bem. Diz Malu.

– Tudo vai ficar bem, Malu e esse abraço é seu para sempre.

Nesse momento Malu olha para Pedro. E sente uma vontade enorme de dar um beijo nele. Sente um frio na barriga que termina em seu couro cabeludo. Ele olha para ela, sentindo a mesma coisa. Mas Malu, interrompe aquele momento, dizendo:

– Melhor irmos. Está tarde.

– Você tem toda razão. Você sempre tem razão.

O dia seguinte chega logo e começa cedo. Todos tinham dormido muito tarde e já tinham compromissos de trabalho às 9 da manhã. Quando Malu chega para tomar café encontra Pedro sozinho em uma mesa para 10 lugares.

– Oi. Bom dia! Posso me sentar aqui?

– Claro. Bom dia. Dormiu bem? Está melhor? Pergunta Pedro à Malu.

– Sim! Muito melhor. Muito obrigada. Você sempre consegue fazer com que eu me sinta melhor.

– Fico feliz.

– Cade todo mundo? Achei que eu estava atrasada. Pergunta Malu.

– Devem ter dormido demais. Estavam todos muito cansados. Animada para hoje? Pergunta Pedro.

– Sim! Talvez hoje a gente ganhe um prêmio histórico.

– Você tem dado sorte, o que me faz acreditar que temos maiores chances dessa vez.

– Tomara.

Nesse momento chega Rebeca.

– Atrapalho algo?

– Não! Por favor sente-se com a gente. Estávamos falando da premiação de hoje. Será importante para a agência ganhar esse prêmio. Diz Pedro, muito cordial.

– Nem me fale. Rebeca diz se sentando. – Tudo parece delicioso. Esse lugar mexe com os nossos sentidos. Programado para nos fazer sentir prazer.

– Marketing bem feito porque os europeus esperam ansiosamento o verão. Os lugares que proporcionam experiências únicas e prazeroras tornam o momento tão esperado ainda mais especial, tendem a se tornar os preferidos. A memória é acionada pelos sentidos. De acordo com a ciência, guardamos aquilo que mais nos emocionou. Dessa maneira esses lugares conseguem promover férias inesquecíveis. Diz Malu e concorda com o comentário. – Você tem toda razão Rebeca, aqui tudo mexe com os nossos sentidos e parece que foi feito para isso.

Nesse momento, chegam todos que faltavam. Estão todos reunidos à mesa e a única coisa em que falam é sobre expectativa sobre o primeiro dia de premiação. Eles saberiam naquela noite se ganhariam um dos 2 premios aos quais estavam concorrendo.

O dia segue cheio de compromissos e combinam de se encontrar às 18h, a hora em que o evento começaria. A premiação acontece em um grande salão, muito sofisticado, com paredes decoradas em estilo barroco, grandes lustres de cristal e mesas forradas com toalhas brancas e com arranjos de flores, baixos, modernos, simples e muito sofisticados. A noite segue repleta de vestidos de gala, smokings e muitos premios, acompanhados de muitos aplausos e discursos extremamente longos. Além de muita expectativa. Quando finalmente anunciam os indicados ao premio Creative Data e passam brevemente o resumo de cada case concorrente. O case da agência concorria aquele premio e foi apresentado de maneira linda e emocionamente. Se inspira na relação da mulher com sua própria beleza. Mulheres foram convidadas a se reunir em uma especie de workshop sobre a beleza. No início tinham que descrever a si próprias e dar uma nota para a sua beleza. Sem que elas soubessem, pessoas importantes de suas vidas como maridos, filhos, melhores amigos, pais, irmãos descreveram essas mulheres e aquilo que mais achavam bonito nelas. Essas descrições foram para cartões que as mulheres liam no workshop. Elas liam descrições de mulheres extremamente fortes, bonitas e aspiracionais e após ler, tinham que indicar quem parecia aquela mulher naquela sala. O que elas não sabiam, era que elas liam as descrições sobre elas mesmas. E acabavam apontando mulheres bonitas espalhadas entre elas, que nem faziam parte do grupo. No final, os mediadores perguntavam a elas, se queriam ser aquelas mulheres e se achavam aquelas mulheres bonitas pelas descrições. E colocaram um vídeo das pessoas importantes na vida delas falando das mulheres. A emoção arrebatava cada uma delas. Na última cena do video, aparece um homem dizendo: – Eu queria que você tivesse a oportunidade de se ver, pelo menos uma vez, através dos meus olhos. Porque dessa forma poderia se achar a mulher mais bonita do mundo. Porque é isso que você é! No final, tinham que responder as mesmas perguntas sobre a beleza delas mesmas e todas terminaram se avaliando mais bonitas do que da primiera vez que fizeram. Era uma campanha que convidava a ver a beleza além da beleza obvia e plastica. E colocava a forma de se vestir como uma forma de tornar cada mulher bonita de um jeito somente dela. E esse jeito de olhar a beleza tinha virado um manifesto para o reposicionamento de uma cadeia de lojas de roupas e acessórios. Além de mostrar que a moda e a beleza estão ao alcance de todos. Basta se gostar.

E enfim, o anúncio. Ouro! Eles ganharam ouro com a campanha sobre a beleza. Tinham emocionado todos os presentes.

E com esse ouro, metade da tarefa estava cumprida. Comemoram e beberam muito para celebrar aquela conquista. Era uma vitória com gosto de champagne francês. Estavam muito felizes e por isso fizeram daquela noite algo especial, que ficaria no coração de todos ali presentes.

Já no final da festa, Pedro eufórico, puxa Malu em sua direção, na frente de todos e ela pensa que ele vai beijar ela. Entra em pânico. Ele segura o rosto dela com as duas mãos e cola a testa dele na testa dela. Ela fica imóvel. Enfim ele diz:

– Definitivamente, você dá muita sorte! Ainda bem que você chegou.

Nessa hora começa a tocar a música Ainda Bem da Vanessa da Mata. E antes que tenha tempo de responder, Pedro puxa ela pelas mãos. E dessa vez, é ele quem convida ela para dançar. Eles dançam como um casal cumplice e apaixonado. Totalmente em silêncio e em alguns momentos se olhando por alguns instantes como se cada um pudesse ver a alma do outro. Enquanto a música dizia: “Neste mundo de anos, Entre tantos outros, Que sorte a nossa, hein?, Entre tantas paixões, Esse encontro, Nós dois, esse amor…”

Rebeca olhando a cena, comenta com Duda:

– Xi. Será que é o que eu estou pensando?

– Acho que não Rebeca. Eles são muito amigos. Já perguntei para a Malu e ela disse que nunca ficaria com ele.

– Não é o que está me parecendo.

– É, não é mesmo.

Priscilla, olha a cena calada e triste. Então vira um shot de tequila e caminha na direção deles.

– Oi vamos dividir o Pedro com a gente? Diz Priscilla para Malu.

Caíque vendo a cena, vai salvar a amiga.

– Isso mesmo Priscilla. Pedro, vamos dividir a Malu com a gente. Também quero dançar com a ganhadora do prêmio da noite. Ele diz isso e puxa Malu.

– Vamos Malu. Vamos comemorar.

– Obrigada Caíque! Precisava sair dali. Sim! Vamos comemorar.

Saem os dois em busca de bebidas e deixam Pedro, com gosto de quero mais em companhia de uma Priscilla bêbada, mas extremamente sedutora.

Pedro dança com Priscilla, mas logo muda o ritmo da pista de dança e se juntam aos outros para seguir com os brindes e as comemorações.

Na hora de dormir, Duda e Malu já deitadas, tinham o quarto claro ilumidado apenas pela noite de lua cheia.

– Malu, está acordada?

– Sim.

– Achei que você e o Pedro fossem se beijar hoje.

– Eu também achei. Ainda bem que a Priscilla e o Caíque chegaram.

– Jura que gostou quando eles chegaram?

– Juro. Amo o Pedro de um jeito muito especial. Mas de verdade. Não posso beijar ele. Não quero estragar o que tenho com ele. Mas admito. Tenho vontade de beijar ele. Tive vontade todos os dias desde que chegamos aqui. Acho que é o ar daqui. Essa brisa é perigosa.

– Malu, acho que você deveria beijar ele.

– Duda, acho que a gente deveria dormir. Amanhã o dia está cheio e pode ser que você leve o ouro. Amanhã é sua noite.

– Ouro! Você conquistou um leão de ouro hoje. Que incrível.

– Tem dias que são incríveis mesmo. Amanhã será o seu.

– Tomara que sim! Vamos dormir boa noite.

– Boa noite.

As duas ficaram em silencio. Mas ninguem ali conseguiu dormir.

Duda pensava em Theo, estava morrendo de saudades dele. Tinham milhares de homens incríveis alí, mas nenhum era o Theo. Ela queria ele. Só ele. A expectativa com o prêmio também levava seu sono. Era uma agitação boa de sentir.

Malu repassava o dia na sua cabeça. Aliás repassava tudo que tinha acontecido até ali. O abraço tarde da noite na praia, a dança, o prêmio. Um frio que começava na barriga, percorria todo o seu corpo e a fazia sorrir. Ela queria mais do Pedro. Admitia isso ali naquele quarto iluminado pela luz da lua e banhado pelo som delicioso que ondas do mar promoviam quebrando o silêncio da noite. Os sons eram constantes, suaves e poeticos, como tudo que ela vinha vivendo naquela viagem.

No quarto de Pedro, que dormia com Caique, que já roncava há alguns minutos, Pedro também não conseguia dormir, apesar do barulho convidativo e relaxante do mar. A cena da dança com Malu não saia da sua cabeça. E de repente a cena de Malu dançando de olhos fechados na sua sala dias atrás também se reapresentava. Ele queria beijar Malu. Mas não podia fazer isso, porque não saberia o que fazer no dia seguinte. Não estava pronto para namorar, com ela e nem com ninguem. Decidiu que pararia de alimentar isso, mas não conseguia tirar ela da cabeça. – Assim não vai dar Pedro. Está começando muito mal. Tira essa mulher da sua cabeça. Para de pensar nela. Para de alimentar essa vontade. Dizia ele para ele mesmo em seus pensamentos.

O som das gaivotas despertou todos. Era bom acordar com aquele som, apesar de estarem todos exaustos pelo abuso das comemorações na noite anterior. Mas aquele dia era mais um dia de trabalho intenso e por isso pularam todos da cama cedo. O dia passou rapido, mas tiveram tempo de tomar drinks na piscina e relaxar um pouco. As noites demoravam para chegar e o final da tarde era mais longo. Conversaram de maneira descontraída. Malu não tirou sua saída de praia em nenhum momento, enquanto Priscilla desfilava seu corpo perfeito de um lado para o outro e que naquela tarde tinha desistido de Pedro e resolveu ficar um francês que a perseguia desde o primeiro dia. Trocou beijos extremamente calientes com ele dentro da água.

– Mais tranquila? Brincou Pedro com Malu apontando o rosto na direção de Priscilla totalmente enroscada no francês.

– Com ciúmes?

– Não começa Malu.

– Brincadeira.

– Ah bom.

– Sim! Mais tranquila.

– Por que você não fica de biquini?

– Porque estou trabalhando e tenho vergonha.

– Que bobagem! Você é linda. E todos estão trabalhando e todos estão de roupa de banho.

– Estou bem assim.

– Boba!

– Tira essa saida de praia Malu. Vamos para a piscina. Convida Rebeca, que apesar de mais velha que todas as mulheres, tinha um corpo de dar inveja a qualquer uma.

– Ok! Vamos nadar. Diz isso tirando sua saída e atraindo os olhares dos 3 homens presentes, que fizeram para brincar com ela.

– Sério meninos? Diz isso se escondendo com um pedaço de saída de praia.

– Vai nadar e para de bobagem. Ordena Caíque.

Quando ela levanta os homens brincam assobiando. Enquanto as meninas nadam os homens falam sobre as mulheres de forma geral. E Pedro não gosta quando falam de Malu. Meu Deus, estou ciúmes mesmo dela. Pensa Pedro, assustado por sentir isso.

Começa mais uma noite de premiação. Além de bem vestidos, todos estão bronzeados, o que deixa todo mundo mais bonito. Na hora de anunciarem o premio Cyber, a mesa se enche de enormes expectativas. Mais um ouro. Eles ganharam também na categoria Cyber com uma campanha para uma marca de artigos esportivos que tinha como mensagem principal que com luta se conseguia o impossível. Trazia o esporte como um empoderador para se conseguir o que quiser. Pessoas interagiam com um famoso jogador de futebol, através de mídias sociais, enquanto ele jogava uma partida de futebol e falavam bem e mal dele. Enquanto isso, ele corria , deixava todos para trás e mesmo ouvindo coisas ruins a seu respeito, fazia o gol. Era uma abordagem ousada e bastante eficiente. Era simples e contundente. Merecia o ouro.

Mais uma noite de comemoração. Eles tinham conseguido os 2 leões de ouro que tinham ido buscar. Festejaram em uma balada de música eletrônica que acontecia na praia. Foram dormir com o dia quase amanhecendo.

Acordaram mais tarde. Era o penultimo dia da viagem e só teriam um coquetel na praia a tarde para o encerramento do festival, então descansaram até a hora do almoço. Tiveram o dia livre, sem compromissos de trabalho, até as 17h quando começa o festival de encerramento, que tinha como objetivo acontecer durante o por do sol. Uma maneira poetica, de dizer que o festival tinha chegado ao fim.

Malu estava linda, usava um vestido branco simples, bem solto, porém acinturado que tinha a cintura marcada com um cinto de metal dourado. Pedro ficou mais distante. Estava dando mais atenção aos seus clientes e encarando aquela festa como algo relacionado a trabalho. Ela estava feliz. A viagem tinha sido incrível, tinha se aproximado de Pedro, tinham ganho os prêmios que estavam concorrendo. Mas a ideia de voltar para a realidade em algumas horas já trazia uma certa angustia para o seu peito. Encarar de novo sua cama vazia, se olhar no espelho como faz todos os dias, na sua rotina sem grandes novidades e nenhuma perspectiva no amor. Ela tentava não sofrer tanto e decidiu aproveitar enquanto ainda estava ali. Falou para ela mesma, a frase que sempre costuma aconselhar a todos. – Malu, deixe para atravessar essa ponte quando estiver nela. E foi ao encontro de seus amigos, fazer o que estavam fazendo desde que chegaram. Beber, brindar e falar muitas boboagens. Ainda demoraria para o sol se por apesar de ser quase 19h, levaria pelo menos mais 1 hora. Malu se afastou um pouco da festa. Caminhou até a areia e se sentou no deck de madeira que delimitava o local da festa e a praia. Fechou os olhos, tentou não pensar em nada, tirou os sapatos para sentir a areia, sentia a brisa forte vindo no mar, sentia o cheiro que a fazia ter vontade de respirar fundo, o barulho do mar. Aquilo era felicidade. Ela agradecia por tantas sensações incríveis. Sentiu-se plena, feliz e renovada em esperanças. A vida era boa e seria ainda melhor a partir daquele momento. Se sentia pronta para encarar de frente a cama vazia e a rotina monotona. Era hora de ser feliz. Enquanto fazia a si mesma novas promessas de olhos fechados, sentiu alguém ao lado. Abriu os olhos.

– O que está fazendo aqui sozinha? Perguntou Pedro segurando uma garrafa de Veuve Clicquot e duas taças de cristal nas mãos.

– Estou contratando metas para deixar minha vida melhor e agradecendo a vida.

– Interessante. Você está feliz?

– Sim muito feliz.

– Trouxe para comemorar só com você. Estou muito feliz e devo muito dessa felicidade a você.

– Não deve nada. Mas fico feliz por me escolher para comemorar só com você.

– Vamos caminhar um pouco? Temos uma hora até o encerramento. Convida Pedro estendendo a mão para ela.

– Boa ideia!

Enquanto caminham, bebem direto do gargalo, tinham abandonado as taças junto com os seus sapatos. Se distanciam da festa a medida que a garrafa se aproxima do fim e o por do sol também se aproxima. A praia estava quase vazia. Nos auto-falantes começa a tocar Somewhere only we know o que faz os dois lembrarem imediatamente da noite em que ficaram abraçados na praia, lutando contra a vontade que tinham de se beijar.

O cenário é paradisíaco e o ceu começa a ganhar novos tons típicos do momento em que o sol está prestes a se por. Malu toma o ultimo gole de Veuve Clicquot no gargalo. Não sente vergonha de Pedro, sempre foi muito espontanea com ele, que ama essa espontaneidade. Enquanto Malu, sorrindo, tira a garrafa da boca depois de buscar freneticamente pelo ultimo gole, Pedro, que está encantado com cena, tira o cabelo dela do seu rosto, que está banguçado pelo vento. Malu sente seu corpo se arrepiar com o toque dele. Ele olha intensamente nos olhos dela, o clima que era descontraído se enche de tensão e dessa vez, Pedro parece não conseguir resistir. Enquanto Malu parece totalmente entregue. Embalado pela música Somewhere only we know e por todo champagne que tinha bebido, Pedro segura o rosto dela com as duas mãos e vai chegando cada vez mais perto. Se aproxima de forma que suas bocas ficam muito próximas, como nunca tinham estado antes.

Somewhere Only We Know 🔊🎶🎶🎶

Ainda Bem 🔊🎶🎶🎶

CONTINUA…

O CAPITULO 14 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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