Capítulo 14 – Muito Perto do Sol

Rapidamente passa pela cabeça deles a mesma coisa. Que se dane a relação de trabalho, que se dane amanhã, que se dane o juízo. E as bocas deles finalmente se encontram. Pedro beija Malu. De maneira apaixonada, gentil, demorada e carinhosa, mas cheia de desejo. Era um beijo onde eles matavam a vontade que tinham um do outro. Aquele momento tinha sido desejado e evitado muitas vezes antes, mas naquela hora tinha sido inevitável e eles finalmente se entregaram um para o outro depois de resistir tanto. Após algum tempo ali perdidos um no outro, um olha para o outro e ficam em silencio tentando entender, absorver tudo que estava acontecendo ali. Pedro faz carinho no cabelo dela e seguem em silencio, suas respirações estão aceleradas.

– Desculpe Malu! Não pude evitar. Você está linda, a paisagem está linda. Quero esse beijo há muito tempo. Te quero de um jeito que eu não deveria. Mas sei que você não queria.

– Eu também queria Pedro. Nos beijamos e foi uma delícia. Podemos seguir em frente agora. Não vamos nos preocupar tanto. Foi só um beijo.

– Eu te desejo Malu. Quero mais que um beijo.

– Pedro, não podemos. Você sabe que não podemos ir além. O beijo já foi o nosso além e acho que o mais além que poderemos chegar. Não vamos complicar mais as coisas. Agora precisamos voltar ou vamos perder o encerramento do festival. Malu diz tentando recuperar a sanidade e o controle.

– Você tem razão. Precisamos voltar. Mas precisamos conversar sobre esse beijo.

– Pedro. Foi um beijo. Delicioso. Que eu faria de novo. Mas foi um beijo. Podemos lidar com isso. Vamos voltar para a festa. As pessoas devem estar sentindo nossa falta.

– Foi mesmo! Delicioso. Melhor ainda do que eu esperava. Quero fazer de novo.

– Então faz.

E ele beija ela de novo, agora ainda mais apaixonadamente, aproveitando cada segundo. Como se nunca fosse ter a oportunidade de fazer aquilo de novo.

– Nossa! Precisamos voltar e nesse ritmo, vou querer te levar para outro lugar. Diz Pedro.

– Então melhor voltarmos logo. É difícil ir para qualquer lugar no estado que você me deixou.

Caminham em silencio e a volta parece mais rápida do que a ida. Ambos seguem tentando racionalizar o que tinha acontecido. Pedro quer mais. Malu se preocupa com o que acontecerá com a relação incrível que eles tem. Estavam de volta ao grupo, de volta à realidade, de volta ao lugar onde o Pedro era o chefe da chefe da Malu. Mas não podiam evitar procurar um ao outro e trocaram olhares a noite inteira.

– Onde vocês foram? Pergunta Rebeca para Pedro. Você desapareceu e ela também. Pedro, não vai fazer merda pelo amor de Deus. A Malu é uma excelente funcionária. Você não pode ser envolver emocionalmente com ela. Estamos pensando nela para o cargo de diretora da área de inovação e um envolvimento entre vocês atrapalharia tudo.

– Bec! Relaxa. Não tem nada entre a gente. Ela precisava conversar. Passou por muita coisa ultimamente. Fui dar uma força. Só isso. Relaxa. Não vou cagar com tudo. Os planos se mantém.

– Acho bom! Comporte-se. Há muitas mulheres no mundo.

– Eu sei, Bec!!! Diz Pedro já irritado. Mas nenhuma é como Malu. Pensava ele relembrando os beijos que tinha dado nela há uma hora atrás.

Enquanto Malu, conversa com Caíque.

– Onde vocês estavam? Estavam todos perguntando por vocês. Diz Caíque.

– Fomos caminhar um pouco. Ele precisava conversar e você sabe que somos muito amigos.

– Cuidado Malu. Não vai se envolver com o chefe. Sua carreira que é tão promissora, poderia ser arruinada por isso.

– Que ideia Caíque! Não vou me envolver emocionalmente, nem sexualmente com ele. Está louco? Acabei de romper um noivado. Não tenho a menor intenção de ter esse tipo de envolvimento agora.

Nesse momento chegam Priscilla e Duda.

– Hey finalmente apareceu! Onde você estava? Pergunta Duda para Malu.

– Em lugar nenhum. Fui dar uma caminhada na praia. Eu precisava pensar.

– Sozinha?

– Duda, podemos mudar de assunto. Eu precisava pensar e já pensei.

– Ok! Mas depois vou querer saber.

– Bom! Que tal, para variar, beber alguma coisa? Convida Caíque.

– Você acha que ela estava com Pedro? Pergunta Priscilla para Duda bem baixinho.

– Acho que não. Responde Duda e encerra o assunto.

O festival finalmente chega ao fim e com ele a festa também acaba às 22h. Estavam todos muito cansados e por isso vão dormir cedo.

Malu não consegue dormir. Pensa em Pedro e no beijo. Isso poderia mudar tudo entre eles. Ela tentou parecer sensata na hora. Foi mais fria que ele inclusive. Mas não sabia quanto tempo conseguiria manter isso, seu coração a fazia querer se jogar em cima dele e rolar na areia, protagonizando uma cena de filme. Ela queria estar com ele. Transar com ele, experimentar ele inteiro. De repente chega uma mensagem dele.

“Não consigo dormir. Não consigo esquecer o que aconteceu. Quero mais. Sei que não posso, mas quero.”

Seu coração dava pulos, que ela não sabia se eram de ansiedade ou de felicidade. A vontade dela era ver ele naquela hora. Dois ilegais de madrugada. E ela pensava sobre como deveria responder a mensagem dele ou se responderia a mensagem dele. Resolveu responder.

“Também não consigo dormir. Também quero. Mas definitivamente não podemos. Estou ouvindo uma música que tem tudo a ver com o que aconteceu hoje.”

“Que musica?”

“Ilegais. Vanessa da Mata”

“Manda uma parte da música.” Envia Pedro.

“Eu só sei que eu quero você. Pertinho de mim. Eu quero você. Dentro de mim. Eu quero você. Em cima de mim. Eu quero você…”

“Quer me matar Malu?”

“Não. Eu quero você. Em cima de mim. Eu quero você…”

“Vamos nos encontrar? Como ilegais?” Convida Pedro.

“Agora?”

“Sim. Agora!”

“Está doido? São quase 3 da manhã. E onde nos encontraríamos?”

“Vamos dar uma volta na praia.”

Malu não sabe o que responder. Quer ir andar com ele. Mas sabe que não deve.

Recebe mais um mensagem. Só que dessa vez era de Felipe.

“Acabei de chegar de uma festa. Todas as mulheres perderam a graça depois que reencontrei você. Estou com saudades. Espero que você esteja bem. Não vejo a hora que chegue amanhã, o dia em que você volta.”

Meu Deus! Tinha esquecido do Felipe. Se choca Malu. Ele era parte da realidade que a esperava na volta para São Paulo. Só que agora ela tinha beijado o Pedro. Por que tudo era tão complicado?

“E aí Malu? Dormiu?” Insiste Pedro.

Não respondeu para o Felipe. Precisava pensar sobre o que faria com ele. E lembrou do seu amigo Edu falando. “Só se vive uma vez”. Então resolveu responder para Pedro.

“Não dormi. Estava pensando se devemos. E acho que devemos. Mas só dessa vez. Onde nos encontramos?”

Ela quer me encontrar no meio da madrugada. Pedro ficou feliz.

“Na praia. Onde conversamos na primeira noite. Leve o ipod”

Malu tirou o pijama e vestiu uma roupa confortável. Calça legging, sapatilhas e uma blusa de manga comprida listrada com decote canoa. Quando chegou Pedro já a esperava, segurava toalhas e uma garrafa de champagne.

– Que bom que você veio. Quero ver o sol nascer com você.

– A gente deveria tomar cuidado com o sol. Estamos chegando muito perto dele. Isso pode queimar.

– Malu, não pense tanto. Agora vamos. Temos uma caminhada pela frente. Diz isso pegando ela pela mão.

Estão andando de mãos dadas. Malu se incomoda. Namorados fazem isso. E tira a mão.

– Por que Malu?

– Namorados fazem isso. E não somos namorados. Não me deixe confusa. Por favor.

– OK Sra Razão.

Eles caminham até um deck longo que dava acesso à embarcações. Em parte desse deck há espreguiçadeiras espalhadas e as luzes das embarcações e as que iluminam o caminho, não permitem que eles fiquem totalmente no escuro.

– Pedro saca a rolha da garrafa de champagne com as mãos e eles conversam, como se aqueles beijos não tivessem acontecido poucas horas atrás.

Pedro pede para se deitar na espreguiçadeira ao lado de Malu. Ela abre os braços. Ele deita e ela apoia a cabeça no seu peito. Ela ama o cheiro dele, ela ama tudo nele.

– Então você quer ver o sol nascer? Pergunta Malu.

– Sim. Ontem vimos ele se por e foi um dia especial. Agora quero ver ele nascer. Nunca vi o sol nascer com ninguém. Aliás as pessoas não costumam combinar de se encontrar para ver o sol nascer.

– Acho que é porque as pessoas estão dormindo quando o sol nasce. É difícil esperar por ele acordado. Diz Malu.

– Faz sentido. Como sempre você tem razão. Concorda Pedro.

– Eu adorei o que aconteceu hoje. Mas não vou negar que estou preocupada.

– Vamos deixar para nos preocupar quando estivermos de volta para a nossa vida normal? Vamos aproveitar. Como você sempre diz: Vamos deixar para atravessar essa ponte quando estivermos nela. Agora eu quero continuar de onde paramos hoje à tarde. Diz isso e beija Malu antes que ela possa falar qualquer coisa.

Entre beijos e conversas, bebem toda a garrafa de champagne e combinam de não se preocupar até que o sol nascesse. Pedro pede para escutar a música Ilegais. Malu liga o ipod e compartilha o fone com ele. Enquanto escutam a música, se olham com cumplicidade e sorriem um para outro. Naquele momento eles desejavam parar o tempo e ficar ali juntos para sempre.

Mais beijos e o desejo entre os dois só aumenta. Começam a tirar roupa um do outro, quando são surpreendidos por um segurança.

– Bonne nuit. Diz o segurança. S’il vous plaît ne prenez pas de vêtements ou je vous arrête pour exposition indecente.

– Désolé à ce sujet. Je ne prendrai pas. Responde Pedro em um francês impecável.

Quando o segurança se afasta Malu diz para Pedro.

– Você fala francês! O que ele disse afinal?

– Por favor, não tirem as roupas ou vou prender vocês por atentado ao pudor.

Malu ri. E o que você respondeu?

– Pedi desculpas e garanti que nós não tiraremos as nossas roupas.

– Então não poderemos tirar nossas roupas. É uma pena. Mas não quero ir presa na França.

– É uma pena. Vou continuar morrendo de vontade de você e vamos precisar renegociar a história de fazer tudo até o sol nascer hoje. Dá para estender esse prazo?

– Vamos ver como ficamos depois que o sol nascer.

E finalmente com um misto de ansiedade e tristeza, se preparam para receber o sol, que dava sinais que estava nascendo.

– Quando nascer o sol. Mais nada de beijos. Diz Malu.

– Então preciso aproveitar muito você enquanto ele não nasce. Ele diz isso puxando Malu para junto dele.

O sol termina de nascer e Malu e Pedro estão dormindo. Começa o movimento no deck com pessoas passando e saindo de barco. Malu acorda assustada. Não tinha ideia de que horas eram. Era o dia de ir embora. Precisavam fazer o checkout e se preparar para o almoço de trabalho que teriam com seus clientes. Ela olha Pedro dormindo por uns instantes antes de acordar ele. E pensa. Que homem lindo. E ele foi totalmente meu por alguns instantes. E agora? O sol nasceu e preciso manter minha promessa. Não ficaremos mais juntos. Preciso acordar ele. Mas isso significa me despedir do Pedro amante. Não quero. Acorde ele Malu! Seja responsável. Gritava com ela sua consciência.

– Pedro, Pedro, Pedro. Acorde.

– Bom dia! Que horas são?

– Não tenho ideia. Precisamos ir.

– Sim! Vamos. Pedro diz isso e tenta dar um beijo nela.

– Não senhor. O sol nasceu. Lembra o que combinamos?

– Sério?

– Pedro, não vamos brincar com fogo. Nenhum dos dois deveria correr o risco de se queimar agora.

– Certo Malu. Combinado é combinado. Mas estou morrendo de vontade de beijar você.

– Eu também.

– E se a gente prorrogasse o prazo? E ao invés do sol, colocássemos como limite o solo francês.

– Acho que poderia ser uma boa ideia.

Antes que Malu termine, ele beija ela apaixonadamente. Eles não tem ideia de quando se sentiram tão vivos na vida, como naquele momento.

Voltam de mãos dadas. Dessa vez Malu não se sente estranha. Por alguns instantes resolveu aproveitar e ter aquele homem incrível inteiro só para ela. Pedro faz uma pausa no caminho e deita com Malu na areia. Mais beijos, mais risadas. Nenhum dos dois quer que termine.

Já andando novamente. Malu diz:

– Quase fomos presos. Ainda bem que você fala francês.

– Ainda bem que você teve medo de ser presa. Porque minha vontade de você era maior que o meu medo ou meu juízo. Pedro diz isso sorrindo.

Enfim chegam na frente do hotel. Eram 8h da manhã. Malu solta a mão de Pedro, porque não podia correr o risco que alguém visse eles juntos de mãos dadas. Pedro puxa Malu.

– Vem cá. Não sei se um dia vou poder fazer isso de novo.

Malu tenta protestar, mas se entrega. Beija Pedro intensamente, encarando aquele beijo como um beijo de despedida. De repente nem se preocupa mais se alguém está vendo.

Já no quarto, Duda ainda dormia e Malu resolve tentar dormir por pelo menos uma hora. A noite tinha sido magica, mas ela estava cansada. Deita aliviada. Duda não tinha percebido sua ausência.

Já Pedro, não tem a mesma sorte. Quando chega Caíque está acordado arrumando suas coisas para descer para o café.

– Bom dia Pedro! Caiu da cama?

– Mais ou menos. Bom dia Cara!

Pedro vai tomar banho e não consegue tirar Malu da cabeça.

Se encontram todos no café às 9h30. Menos Malu. Pedro pergunta para Duda:

– Tudo bem com a Malu? Por que ela não desceu?

– Disse que estava indisposta e precisava dormir mais um pouco.

Ele se preocupou. Seria uma desculpa para dormir um pouco mais ou ela estava mal de alguma maneira? Nesse momento pensou que poderia estar fazendo mal para ela. Será que ela está chateada? Será que não quer me ver? Está com vergonha? Que merda. Pensava Pedro, brigando com ele mesmo.

Nesse momento chega Malu. Feliz. Dando bom dia a todos.

– Viu passarinho verde Malu? Pergunta Priscilla.

– Digamos que tive uma noite ótima. Responde Malu com um excelente humor.

– A Duda disse que você estava indisposta. Diz Pedro baixinho.

– Eu precisava dar alguma desculpa para ela.

– Então está tudo bem?

– Sim! Está tudo bem. Só precisava dormir um pouco.

Pedro respira aliviado. No final não era nada demais.

Feito o checkout, tinham um último compromisso antes de seguir para o aeroporto. Um almoço de negócios entre Malu, Caíque, Rebeca, Pedro e Roberta, a cliente deles. Discutiam sobre o planejamento estratégico do ano seguinte.

Malu não consegue olhar para Pedro e trata ele como se nada tivesse acontecido. Na verdade não sabe como tratar ele. Acaba se perdendo em seus pensamentos, enquanto o resto da mesa discute sobre trabalho. Ela se sente extremamente constrangida na frente dele. Pensa que poderia ter arruinado a relação incrível que tinha com ele. Pensa que tinha perdido o amigo e tinha medo de ter perdido toda a sua espontaneidade para levar suas ideias malucas para o chefe empreendedor. Eles não poderiam mais falar sobre suas vidas amorosas e tinha a Grazi, o Felipe, muita gente envolvida além deles. E ainda tem a vontade de fazer de novo, mas sabia que isso poderia complicar ainda mais as coisas. Fala com ela mesma em seus pensamentos. – Malu você precisa parar com isso. Se concentre no trabalho, se entregue para o Felipe e combine com o Pedro de fingirem que nada aconteceu. Combine de seguirem como sempre foram. Afinal, foram só alguns beijos e uma noite muito romântica e fora a sensação de desejo represado e trabalhos não terminados, está tudo bem! Isso! Está tudo bem! Segue dizendo para ela mesma mentalmente.

– Malu! Oi Malu. Você está aqui com a gente? Chama Rebeca despertando ela de seus devaneios.

– Oi desculpe. Acabei me perdendo em meus pensamentos.

– Estávamos falando para Roberta das suas ideias para diversificarem portfolio, através de parcerias com grandes estilistas e dessa maneira atingir um novo publico e aumentar a frequência nas lojas, além das linhas com novas categorias que diversificariam os negócios. Você não quer falar um pouco sobre isso?

– Aham. Sobre as minhas ideias?

– Sim Malu, sobre as suas ideias! Insiste Rebeca sem entender muito bem o que estava acontecendo com ela.

– Bom! Trabalhei com o Caíque em um business case para diversificação de negócios e amplitude de públicos, que pode fazer a cadeia de lojas de vocês crescer muito acima do mercado. E a estratégia não é complexa e não demanda grandes investimentos. Vocês só precisam abrir espaços nos PDVs para trazer esses novos produtos e trabalhar uma comunicação bem segmentada, além de fazer uma robusta estratégia de PR para trabalhar os novos públicos. A inovação, precisa ser rápida. Não há tempo de inovação de longo prazo. Por isso a proposta é fazer parcerias com grandes estilistas para desenvolverem coleções exclusivas para vocês à preços levemente acima dos praticados atualmente, para criar algo aspiracional para os consumidores atuais e mais acessível para os consumidores desse mercado de luxo. Enfim, precisamos te mostrar a proposta. Ainda estamos trabalhando nela. Falta concluir a proposta da estratégia de comunicação 360º e aí estamos prontos.

– Acreditamos muito nessa proposta, e queremos levar até algumas peças da campanha já executadas para você. Como vocês começam a planejar o orçamento agora para o ano que vem, seria ótimo dar dimensão de custos de implementação dessa estratégia. Se vocês acharem que faz sentido, podem fazer uma projeção com gastos e receita, para ver se faz sentido em relação ao resultado no seu outlook. Complementa Caíque que está trabalhando na proposta com Malu.

– Queridos, essas ideias são incríveis. Essa dupla é um achado Rebeca. Quero ver na semana que vem. Estamos NO MOMENTO de pensar nisso. Fiquei bastante impressionada. Ainda roubo eles para mim. Brinca Roberta.

– Vamos nos estruturar para te mostrar no final da semana que vem. Ok? Já reserva um espaço para a gente nessa sua agenda lotada. Mas nada de levar minha dupla. Diz Rebeca.

– Um brinde a tão boas ideias e a oportunidade de voltar aqui no ano que vem e quem sabe para buscar o Grand Prix. Propõe Pedro.

– Cheers. Dizem em coro.

Terminando o almoço, enquanto tomavam café, Rebeca pergunta baixinho para Malu:

– Está tudo bem? Nunca te vi tão distraída.

– Sim! Só tenho uma vida muito complicada me esperando no Brasil e estava passando a lista de preocupações na minha cabeça. Mas já passou.

– Que bom! Mas mesmo assim, você se saiu muito bem. Parabéns!

– Obrigada Rebeca.

Na recepção Malu se encontrou com Duda que voltava de seu almoço seguido de golf com o cliente deles e Guto. Estavam todos reunidos, porque era hora de ir para o aeroporto.

– O que foi Malu? Tudo bem? Você parece tão distante. Pergunta Duda.

– Sim Duda, tudo bem. Exceto pelo fato de que o sonho esta acabando e uma realidade complexa me espera.

– Encare, minha amiga. Às vezes é melhor arrancar logo o band aid. Vai dar tudo certo. Você é forte. Você é incrível. Você vai resolver tudo. Tenho certeza.

– Tomara Duda. Agora vamos. É hora de dizer tchau para Cannes.

Enquanto caminham, Pedro chega perto de Malu e pergunta:

– Oi. Você está me evitando ou é impressão minha?

– Claro que não! É impressão sua.

– Malu não me obrigue a pedir que me coloquem do seu lado na viagem de volta. Preciso ter certeza que está tudo bem. E não parece que está tudo bem.

– Você não teria coragem de mudar o seu lugar.

– Claro que teria. Sem qualquer dificuldade.

– Fique tranquilo. Está tudo bem. A realidade que me espera está me angustiando um pouco. Só isso.

– Espero que seja só isso.

Nesse momento Alexandre o cliente da empresa de artigos esportivos, que conversava com Priscilla, pede a presença de Pedro na conversa. E ele deixa Malu com os seus pensamentos. Ele não mudaria os lugares só para viajar comigo. Seria muita ousadia da parte dele. E finalmente começa a rir. Ela amava Pedro e tudo que vinha com ele. Inclusive seu jeito de resolver as coisas.

Quando chegam no avião, está lá Pedro sentado na poltrona do lado dela.

– Eu não acredito! Você pediu para mudar?

– Foi coincidência. Juro.

– Ah tá bom. Vou acreditar que foi coincidência.

– Uma feliz coincidência, Malu.

– Hey fala baixo. Estão todos aqui.

– Malu, estamos falando baixo. Não se preocupe. Estão todos muito ocupados.

– Foi mesmo coincidência?

– Você nunca vai saber. Pedro responde sem olhar para Malu abrindo o seu livro.

– Muito engraçado Pedro. Malu diz isso e encerra a conversa colocando seus fones.

Ela escutava Ilegais. Pedro tira um dos fones do ouvido dela e diz:

– Nossa! Escolha interessante… E aponta para o visor do ipod que mostrava o nome da música.

– Não precisa ficar convencido. Tocou de maneira aleatória.

– Que coincidência. Quantas músicas você tem? Umas 1000? E foi tocar bem essa?

– Pois é! Uma feliz coincidência. Mas quer saber? Você nunca vai saber. Ela diz isso e toma o fone da mão dele, dando a entender que voltaria para a sua música.

Ele não entrega o fone e pede para ela compartilhar as músicas com ele. Assim que acaba a música Ilegais, ele pega o ipod e busca pela música Somewhere Only We Know. Ela se derrete, mas não deixa ele perceber. Quando termina essa, busca XO e ela não é capaz de acreditar.

– Viu! Já temos 3 músicas. Brinca Pedro com um ar mais charmoso e irresistível do que nunca. Lembro até hoje de você dançando na sala da minha casa ao som de John Mayer.

– Você é um perigo. Acho que nunca estive tão perto do sol. Diz Malu.

– Literalmente, diz isso e aponta a bola de fogo que viaja ao lado deles.

– Melhor eu dormir então.

– Medrosa.

– Sou mesmo.

– Estou feliz de te ver mais feliz. Eu fiquei preocupado com você. Agora não estou mais. Minha Malu está de volta. Ah e antes que eu me esqueça. Você e o Caíque foram muito bem no almoço hoje. A Roberta ficou impressionada. Parabéns!

– E quase estraguei tudo, mas acho que fomos bem mesmo. E no final a SUA Malu esteve sempre aqui. Mesmo que um pouco distraída.

– Você esteve sempre aí, só que um pouquinho bipolar durante os últimos dias. Mas até assim teve seu charme.

– Bipolar? Hahahahahah Esse problema é novo.

– Não se preocupe. Faz parte da vida de quem passou o que você passou recentemente. Já já melhora. E se não melhorar você busca algum psiquiatra que te receite um tarja preta. Passa sempre. Por bem ou por mal.

– Eu não sou bipolar, Pedro! Pelo menos acho que por enquanto não sou bipolar. Só vivi coisas intensas nos últimos dias e meu coração precisa de um tempo para que tudo volte para o lugar.

– Tipo desvirar do avesso?

– Isso! Tipo desvirar do avesso. Mas também colar os pedaços e voltar a respirar.

– Voltar a respirar?

– Sim! Porque alguns momentos foram tão bons que me tiraram completamente o ar. Me fizeram perder o controle. E você me conhece. Não sou uma pessoa que gosta de perder o controle.

– Então acho melhor você ir se acostumando.

– O que você quis dizer com isso, Pedro?

– Nada além do que eu disse. Melhor você ir se acostumando a perder o controle. Você nunca será capaz de controlar tudo.

– Não trabalho com essa possibilidade.

– Só se vive uma vez Malu, não se preocupe tanto.

Nessa hora são interrompidos pela comissária de bordo que veio lhes perguntar o que gostariam para o jantar.

Malu quer continuar a conversa, mas acaba dando graças a Deus pela interrupção. Eu não vou me acostumar coisa nenhuma com a perda de controle. Pensava ela. Bom depende da proposta. Se valer a pena até faço umas concessões. Ela não podia deixar Pedro falar a última frase. Já jantando ela fala:

– Até estou disposta a começar a perder o controle. Mas tem que valer muito a pena.

– Touché, Malu. Por isso gosto tanto de você. Agora me dá aqui esse ipod. Vamos colocar algo animado aqui. Hum, Maroon 5. Isso é bom. Qualquer música serve. Começa a tocar Sugar.

– Adoro essa música, ela me deixa alegre. Diz Malu.

– Você tem um excelente gosto musical e também para bebidas. E para homens. Aliás você tem bom gosto para tudo.

– Convencido.

– Do que você está falando, Malu?

– Nada! Você disse que acha que eu tenho bom gosto por fazer boas escolhas e eu disse uma característica qualquer sua.

– Convencido foi a melhor coisa te ocorreu?

– Você tem muitas outras qualidades ou características. Essa me ocorreu pelo contexto.

– Touché, de novo Malu. Você não é fácil.

– Sou sim. Só precisa olhar de perto.

– Eu estou olhando. Agora vamos comer. Pedro interrompe a conversa, com medo de onde vão chegar. Ele queria ficar em um nível leve, pelo menos naquela hora. Sabia que ainda iriam conversar profundamente sobre tudo que tinha acontecido. Mas naquele momento queria manter tudo muito leve.

Malu entendeu perfeitamente e concordou com a estratégia dele. E seguiram os dois comendo em silencio. Tinham muita coisa para digerir.

Ilegais 🔊🎶🎶🎶

CONTINUA…

O CAPITULO 15 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

One thought on “Capítulo 14 – Muito Perto do Sol

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *