Capítulo 16 – O Misterioso Mark

Ana olhava paralisada para Mark, até ele sumir na paisagem. Enquanto ele andava um milhão de perguntas sobre a personalidade dele pairavam na sua cabeça. Nunca alguém havia despertado sua curiosidade dessa maneira antes.

“Mark é um homem interessante e misterioso. Ele tem 26 anos, mas parece ser muito mais velho. Tem uma postura séria. Se veste de maneira formal. Fala pouco e é muito inteligente. É moreno, alto, dono de um charme sem igual. Muito educado, de perfil extremamente formal, trouxe de sua criação real uma certa frieza. Ele nunca demostra seus sentimentos e fala com estranhos o estritamente necessário. Ele é o filho mais velho de uma família dona de um negócio milionário e próspero, mas ele não se interessa nenhum pouco. Tanto que deixou a família na Hungria para morar permanentemente na Inglaterra e cursar faculdade de direito. Ele é noivo de Sophie, uma linda e seria advogada, que se formou com ele na melhor universidade de direito da Inglaterra. Juntos, mais parecem sócios do que um casal, mas essa é a forma que Mark expressa o seu amor. Mark trabalha em um famoso escritório de direito, um dos mais renomados de Londres, enquanto estuda para ser juiz, que é a sua meta de carreira.

Ele nunca gostou muito do campo, e ficar longe do agito da cidade sempre foi um problema para ele. Por isso, mesmo morando na Hungria com a nova família, depois da morte misteriosa da mãe, acabava passando mais tempo com os avós na Inglaterra do que com a família na Hungria.

Mark vivia bem sua vida, fazendo o que mais gostava, e bem longe dos negócios de vinhos e espumantes da familia quando seu pai faleceu repentinamente em um acidente de carro, deixando Elizabeth, a mãe que o adotou depois da morte da sua mãe, totalmente sozinha, em uma propriedade imensa com a responsabilidade de tocar sozinha todos os negócios da família. O pai de Mark construiu um império ao criar uma das marcas de champagne mais desejadas e caras do mundo. A família que já tinha muito dinheiro, acumulou uma imensa fortuna em poucos anos. E agora, o negócio de famíla, que nunca foi do interesse dele, parecia ser de sua total responsabilidade naquele momento.

Ele pediu uma licença de seu trabalho para dar apoio à família e foi para Hungria avaliar a possibilidade de vender a marca para que a mãe pudesse viver sua vida sem preocupações, uma vez que o negócio não tinha herdeiros dispostos a assumir a direção empresa a partir dali. Ele ficaria os próximos 3 meses em Mad vivendo a vida que nunca tinha feito sentido para ele antes.”

Ana estava perdida em seus pensamentos quando foi surpreendida pela mãe:

– O que houve minha filha? Ficou para traz. Fiquei preocupada quando não te vi na sala. Elizabeth preparou um café de boas vindas para a gente. Vamos lá?

– Nada mãe. Estava só tentando assimilar essa paisagem de tirar o folego.

– Aqui é mesmo muito bonito.

– E misterioso… Emendou Ana sem pensar.

– Misterioso, minha filha?

– Quis dizer que dá vontade de conhecer melhor.

– Ainda bem que teremos tempo.

Ana respirou fundo.

– Ainda bem, mãe. Agora vamos tomar esse café.

– Vamos. Você não vai acreditar na recepção que a Elizabeth fez para nós.

Enquanto andavam rumo à varanda da sala de refeições Ana se maravilhava com os detalhes da casa. Era tudo muito sofisticado e menos rústico do que parecia do lado de fora da casa. Tinha classe e parecia ter vindo de um outro século. Cada móvel da casa parecia ter sido pensado para criar um ambiente muito aconchegante. Aquela casa era repleta de beleza e de paz.

Quando chegaram à varanda, Agnes e Elizabeth as esperavam. Elas conversavam em húngaro e Ana não conseguia acompanhar a conversa, se distraindo completamente.

O café já terminava quando Mark chegou na varanda. E essa pequena aparição já fez Ana se arrumar na cadeira. Inutilmente, porque ele pareceu não ter visto ninguém ali além da mãe.

– Desculpe interrompe-las, mas preciso falar com você mãe. Pode vir aqui um instante por favor?

– Claro Mark. Disse Elizabeth pedindo licença para se ausentar.

Depois de alguns minutos, Elizabeth voltou sozinha.

– Me desculpem. Tivemos um problema elétrico importante, mas já está resolvido.

– Por que o Mark não se junta a nós? Perguntou Agnes.

– Ele está resolvendo algumas coisas importantes hoje. Ontem terminou uma obra que estávamos fazendo em uma das principais caves que temos aqui e hoje os funcionários fizeram hora extra para colocar tudo no lugar e o Mark liderou esse trabalho.

– Ele parece dedicado. Você acha que ele vai tomar gosto pelos negócios da família? Dessa vez parece que sim. Se interessou Agnes.

– Eu adoraria, mas esse universo não tem a ver com ele. Ele está se esforçando. Talvez seja uma maneira de homenagear o pai. Não sei dizer. Eu adoraria, mas ainda acho pouco provável. Lamentou Elizabeth em sua resposta.

– Que pena. Ele se tornou um homem muito serio e responsável. Deve sentir muito orgulho dele. Disse Agnes.

– Sinto mesmo! Mas acho que ele é mais serio do que deveria na minha opinião. Ele me parece um adulto desde que era criança. Nunca vi o Mark brincar. Ele estudou durante a adolescência. Nunca foi de sair. Não entendo essa postura tão madura dele. Acho que ele se diverte pouco. Gostaria de vê-lo mais relaxado. Mas esse é o Mark. Ele é feliz assim. E quando os filhos estão felizes, nós estamos felizes. Respondeu Elizabeth.

– Mas se o Mark não se interessar em tocar o negócio qual será o destino da empresa? Perguntou Agnes realmente preocupada.

– Ainda não sabemos. Respondeu Elizabeth mostrando que gostaria de mudar de assunto.

– Aqui é tão bonito que cheguei a perder o folego. Disse Ilonka tentando mudar de assunto.

– Acho que nunca vi um lugar tão bonito assim. Emendou Ana que naquela altura conseguia participar um pouco da conversa que acontecia misturando idiomas.

– Meninas, vocês tem razão. Acho que esse é o lugar mais lindo do mundo. Derreteu-se Elizabeth falando de seu lugar preferido no mundo.

Depois do café elas ficaram horas em volta da mesa conversando, até que o sol de pôs e a visão privilegiada da varanda que ocupavam permitiu que elas vissem a chegada de cada nova cor no céu, que se pintou em tons laranjas e rosados e as fizeram ficar em silencio contemplando o sol se por até sumir no horizonte.

Elas foram para a sala principal e Ana seguia observando tudo como se estivesse dentro de um museu. Era mais ou menos o que parecia, já que tudo ao redor parecia vir de muitos e muitos anos. A parede era repleta de obras de arte e não faltavam esculturas, molduras nas paredes, abajures e lustres de cristal.

Era quase a hora do jantar quando três pessoas chegaram na sala. Eram, Cristine, a governanta que estava com a família há 30 anos e seus 2 filhos que tinham vindo visitá-la no final de semana.

Sebastian que tinha 25 anos e Catarine 23, eles cresceram na propriedade com a família, mas foram para a Inglaterra fazer faculdade. Sebastian estava formado em administração de empresas e seguia morando e trabalhando em Londres e Catarine ainda cursava o ultimo ano de publicidade. Eles vinham frequentemente visitar a mãe, e as visitas deixavam todos mais felizes. Inclusive Elizabeth, que os via como filhos, já que os conhecia desde o nascimento e seus filhos mesmo voltavam com menos frequência para casa.

Eles foram apresentados à Ilonka e Ana e nesse momento Mark chegou na sala. Quando viu Mark, Catarine correu para abraça-lo. Ele ficou estático e deu um frio abraço nela. Ele definitivamente não era muito dado a intimidades, principalmente na frente de todo mundo. Depois do abraço, ele sutilmente se ajeitou desamassando suas roupas com as mãos. Mas ainda parecia estar feliz com a presença deles.

Ana sentiu empatia por eles e em poucos minutos os 4 jovens conversavam e se apresentavam, fazendo com que a sensação de todos era de que se conheciam há tempos.

Os irmãos se encantaram com Ana, o que geralmente acontecia quando ela acabava de conhecer as pessoas. Ela é uma garota muito charmosa, divertida e inteligente, por isso conseguia sempre ganhar a atenção e admiração das pessoas com facilidade. Exceto a atenção de Mark que não demonstrava nenhum tipo de sentimento por ela e não parecia se interessar muito pelas coisas que ela dizia ou fazia.

Sebastian e Catarine ficam extremamente felizes com a presença de Mark e Ana na casa, o que trouxe oportunidade de se divertirem muito mais durante a rápida visita que foram fazer para a família para aproveitar um feriado na Inglaterra.

Eles passaram a noite bebendo vinho de altíssima qualidade e jogando cartas. O tempo parecia voar tamanha era diversão que se estabelecia durante a noite. O vinho deixava todos mais relaxados e o próprio Mark, que não tinha sorrido uma única vez desde que Ana chegara, soltou um lindo sorriso ao ouvir algo engraçado e teve seu olhar se perdendo Ana. Mas mesmo em seu momento mais relaxado buscou fugir rapidamente para seu lugar seguro, distante e, aparentemente, inalcançável.

E assim a descontração acabou e Mark pediu licença dizendo que precisa acordar cedo no dia seguinte, acabando com a noite divertida.

– Mas já Mark? Reivindicou Caterine.

– Preciso acordar cedo. Amanhã jogamos mais. Disse Mark se justificando mais do que gostaria.

– Mas amanhã é domingo. Insistiu Caterine.

Mark fez uma careta, claramente contrariado.

– Para mim, amanhã é um dia de trabalho como outro qualquer. Boa noite. Vou mesmo me retirar. Disse ele encerrando a conversa.

Quando ele saiu Caterine desabafou.

– Ele não muda mesmo. Parece um velho. Desde criança!

– Nossa ele parece mesmo muito formal. Concordou Ana.

– Acho que ele precisou crescer rápido e abrir mão de sua adolescência depois da morte prematura da mãe. E agora não deve estar muito feliz por ter abandonado a vida que adora na Inglaterra para tocar os negócios da família aqui na Hungria. E o pai acabou de falecer. Isso tudo deve mexer muito com ele. Disse Sebastian que conhece Mark melhor que todo mundo, pois cresceram juntos.

– Mas ele tem uma grande oportunidade agora. Disse Ana.

– Ele nunca quis ser um grande empresário, herdeiro de uma grande fortuna, tanto que fez faculdade de direito, que é a sua grande paixão. Complementou Caterine.

– Vocês sabem como era a mãe biológica de Mark? Perguntou Ana não segurando a curiosidade sobre a formação de Mark.

– A mãe de Mark, se chamava Charlote, e vinha de uma família muito nobre. Era filha de um famoso Duque na França. Porém, apesar de ter muita classe era dona de grande empatia e simplicidade. Disse Sebastian.

– E de onde Mark herdou tanta formalidade? O pai era formal? Perguntou Ana que continuava a sua investigação para tentar entender um pouco mais sobre o misterioso Mark.

– Na verdade o John era um homem reservado, mas muito amável e divertido. Mark é assim, porque esse é o jeito dele. As irmãs são bem mais descontraídas e vivem de maneira mais “informal”. Complementou Sebastian.

Ana queria seguir perguntando mil coisas sobre Mark, mas percebeu que não era hora para interrogatórios. Então mudaram de assunto, mas em poucos minutos, a noite perdia a graça e decidiram que era a hora de dormir.

Quando entrou em seu quarto, Ana ficou encantada. O quarto era enorme e lindo. Tinha duas janelas grandes e uma enorme cama com cabeceira de ferro. O quarto era decorado com um papel de parede floral em cores leves. A roupa de cama parecia ter sido feita sob encomenda para combinar perfeitamente com a parede. Na cama ainda tinham muitos travesseiros e almofadas dando um ar muito aconchegante à decoração. Ela se sentia dentro de um romance da Jane Austen.

Ana deitou na cama e aproveitou toda aquela maciez e aconchego enquanto tomava coragem para tomar um banho. O silencio que vinha de fora a fazia relaxar completamente. Mas de repente, no meio de seu sossego, Mark apareceu em seus pensamentos. Ela estava muito curiosa sobre a história dele e sobre ele inteiro. Não gostava dele, nenhum pouco na verdade, porque tinha achado ele um pouco arrogante, mas algo nela estava inquieto. Ela estava curiosa, queria conhece-lo melhor e desvendar todo o mistério que ele representava para ela.

E em meio à lista de perguntas que brotavam na sua cabeça e às inúmeras tentativas de não pensar mais naquele homem, de quem ela não tinha gostado nenhum pouco, ela acabou pegando no sono.

E assim ela dormiu. Pensando naquele homem arrogante e misterioso, e totalmente mal acomodada, ainda com as roupas que tinha usado durante todo aquele dia.

E naquela noite ela dormiu bem, como há tempos não acontecia. Até nos sonhos dela Mark apareceu. Naquela noite, mesmo contra a sua vontade, ela sonhou com ele.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 17 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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