Capítulo 16 – Ocupando a Cabeça, Provocando o Coração

Vitória terminava sua corrida com o corpo cheio de endorfina se sentindo a pessoa mais feliz do universo quando foi surpreendida com uma ligação de Eric.

– Oi. Atendeu Vitória sem folego.

– Oi! Pode falar, parece estar sufocada. Quer eu chame os bombeiros. Brincou Eric.

– Acabei de terminar minha corrida e como sou nova nisso, meu coração demora uma eternidade para permitir que eu respire direito. Mas está tudo bem. Pode falar.

– Quero marcar uma reunião com você para falarmos sobre o projeto. Quero começar e combinar algumas datas com você. Você precisa me dizer se é possível conseguir as mulheres no tempo ideal para começar as fotos na data que eu estou pensando. Eu gostaria de colocar a exposição na rua em 3 meses.

– Nossa! 3 meses? Me parece pouco tempo. Mas podemos conversar claro. Você me passa as datas que gostaria de começar as fotos e eu vejo o que é possível. Que dia você sugere?

– Hoje! Podemos almoçar e seguimos para o meu estudio. Quero aproveitar que não tenho fotos hoje, porque o resto da minha semana está impossível. Você acha que consegue?

– Consigo sim. Vou para casa tomar um banho e te encontro no restaurante. Onde você quer almoçar?

– Estou pensando em um lugar delicioso lá perto do estúdio. Você consegue passar para me pegar no estudio e vamos juntos? Você vem de carro?

– Vou de carro. Claro que posso te pagar. Às 13 horas funciona para você.

– Perfeito até já!

– Até. Respondeu Vitória realmente empolgada. Porque se sentia ainda mais feliz pensando no projeto de grande potencial para o qual ela estava trabalhando e isso lhe dava ainda mais endorfinas que se somavam às outras já produzidas pela corrida.

Vitória chegou pontualmente no horario combinado e Eric estava mais charmoso do que nunca, ele entrou no carro e seu perfume tomou conta de tudo.

– Oi! Está linda. Disse ele. – Acho que a corrida te fez muito bem.

– Acho que é a felicidade que está me fazendo muito e bem. E você não está nada mal.

– Vamos nesse endereço. Coloquei aqui no GPS. Ah muito obrigado pelo nada mal. O que está te deixando tão feliz?

– Esse projeto e algumas possibilidades que tenho pensado para a minha vida profissional.

– Que bom que estou contribuindo de alguma maneira.

– Está. Obrigada pela oportunidade e pela confiança.

Quando chegaram, Vitoria parou o carro na frente da saída de um estacionamento para esperar pelo manobrista que vinha buscar seu carro. Nesse instante apareceu um Porsche conversível dirigido por um homem de quase 60 anos que se vestia como um homem de 20 anos e parecia estar usando aquele carro para se auto afirmar e impressionar as mulheres. Vitória começou a dar ré para sair da frente da passagem e o homem do carro conversível falava com ela e fazia sinais com as mãos.

– Gente o que esse homem está dizendo? Pensou alto Vitória.

– Melhor abrir o vidro para perguntar. Disse Eric abrindo o vidro.

– O que foi? Perguntou Vitória ao homem.

– Nada. Estou só tentando te avisar que tem uma caixa atrás do seu carro para você não bater.

– Ah! Obrigada! Eu estava vendo a caçamba de entulhos.

– Imagina! Disse o homem jogando charme para Vitória e seguindo seu caminho após ela ter conseguido liberar a saída do estacionamento.

– Gente! O homem deve achar que sou péssima motorista ou cega. Ele pensou mesmo que eu não ia ver essa caçamba enorme? Disse Vitória realmente curiosa sobre a reação do homem.

– Ele estava querendo chamar a sua atenção Vitória. Afinal de que adiante dirigir um carro desses se as mulheres bonitas não prestarem atenção nele?

– Af! Para de falar bobagens. Ele quis ser gentil.

– Quanta ingenuidade Vick!

E finalmente conseguiram sair do carro.

Eles chegaram ao restaurante que parecia a casa da avó de alguém. Uma avó daquelas que faz pão em casa e perfuma a casa com cheiros que fazem a vida valer a pena, de bolo assando no forno, café coado em coador de pano ou uma comida com tempero impar que fica cozinhando por horas. O lugar fazia Vitória voltar no tempo para uma de suas lembranças preferidas da infância – suas tardes regadas a boa comida na casa da avó que cozinhava divinamente.

Quando chegaram foram recebidos pelo dono do restaurante.

– Sejam bem-vindos. Mesa para duas pessoas? Perguntou o homem sem tirar os olhos de Vitória.

– Sim, por favor. Respondeu Eric.

Eles mal se sentaram e Eric já começou a falar.

– As corridas estão te fazendo bem. Primeiro o tiozinho do Porsche e agora o dono do restaurante. De repente parece que fiquei invisível.

– Você está viajando, mas conheço bem esse sentimento.

– Quando você vai acreditar que é uma mulher deslumbrante?

– Um dia. Talvez as corridas me ajudem. Corou Vitória. – Amei o lugar. Voltei no tempo para uma época feliz da minha vida.

– Nossa! Serio? O que te fez voltar no tempo?

– A decoração e o cheiro de coisas frescas e gordas. Essa era a atmosfera sempre quando eu chegava na casa da minha avó. Uma mistura de cheiros saindo do forno e do fogão a lenha. Minha avó tinha um fogão a lenha na cozinha! E durante todo o período que ficávamos lá, um cheiro ia substituindo o outro. Cozidos, pão, bolo, café. Eram minhas tardes preferidas. E até hoje gosto das conversas em volta da mesa regadas a comida boa e conversa divertida.

– Te ouvir falar me fez querer ter convivido mais com meus avós. Eu não curtia muito visitar eles. Não tinha muito o que fazer. Eu achava chato para cacete. E minha avó nem cozinhava. Eles tinham empregados. E eu nem conheci a cozinha da casa da minha avó. Acho que nunca fui lá. Agora eles já se foram e não posso voltar atrás para aproveita-los melhor.

– Tenho uma avó viva e curti muito meus avós. Eles eram demais. Eu gostava de ouvir as histórias do passado e ver fotos antigas de toda a família. De alguma forma me atraia entender de onde vim. Sempre visito minha avó e saio pelo menos 1 kg mais pesada de lá. Ela continua cozinhando divinamente bem e mora em uma chácara bem pertinho de São Paulo onde ela mesma cultiva legumes, verduras e frutas.

– Você é sempre surpreendente Vick!

– Por que? Não fiz nada.

– A sua forma de ver a vida é simples e deliciosa. Você é leve. Sei lá como explicar. Mas é uma delicia estar com você. Me traz uma nova perspectiva.

– Que perspectiva?

– De que a vida pode ser mais simples e muito mais feliz.

– Também gosto de estar com você. E fico feliz de te dar uma nova perspectiva.

– Por que? O que você gosta em mim? Perguntou Eric curioso.

– Você é divertido e tem uma forma despreocupada de olhar a vida que é bem inspiradora. Enquanto eu me preocupo demais com tudo.

– É bom me ver através dos seus olhos.

– Digo o mesmo. E a história da errata que você ia exigir do jornalista que publicou nossa foto? Resolveu? Perguntou Vitória querendo mudar de assunto.

– Eles já corrigiram. Você não viu?

– Nem procurei na verdade. Mas que bom que corrigiram. A Isabel está mais calma depois da correção?

– Não sei… mas saberei mais tarde, porque ela chega hoje à noite em São Paulo.

– Nossa. Então ela vem mesmo? Não imaginei que a foto faria tamanho estrago.

Vitória se arrependeu de dizer isso. Afinal ela sabia que ela não viria só para isso. Ela parecia muito mais inocente do que era de fato falando coisas assim.

– Ela não veio só para isso. Ela tem trabalho aqui. E vamos aproveitar para conversar pessoalmente sobre isso.

– Claro. Concordou Vitória constrangida. – E nosso trabalho? O que você está pensando em termos de data?

– Estou pensando em fazer tudo o mais rápido possível. Mas só vamos falar disso no estúdio ok? Agora vamos curtir essa comida igual a da sua avó.

– Combinado. Respondeu Vitoria encantada, tentando soar o mais indiferente possível, porém falhando completamente na sua tentativa. O que arrancou um lindo sorriso de Eric.

Eles terminaram de comer aproveitando verdadeiramente aquela refeição sem pressa, nenhum peso na consciência ou contagem de calorias.

Depois que terminaram o café o dono do restaurante levou a conta para eles e perguntou sobre o atendimento. Como sempre dando muito mais atenção à Vitoria, mesmo sendo o Eric a celebridade e frequência assídua do lugar.

– Vocês foram bem atendidos? Tiveram uma refeição prazerosa?

– Muito! Respondeu Vitória empolgada. – Toda a experiência aqui me remeteu a momentos felizes da minha infância na casa da minha avó.

– Engraçado você dizer isso. Porque essa foi minha inspiração para criar esse lugar. Fico feliz.

– Eu te sugiro mudar o nome para “Casa da Avó”. Quem não gostaria de poder voltar a casa da avó para reviver certas coisas? Poucos conseguem! Dê isso às pessoas. E eu também colocaria aquela geladeira vermelha bem antiga com alça para abrir que hoje é considerada vintage e também um forno à lenha para pratos especiais.

– Sabe que você está me dando ótimas ideias. Vou pensar no assunto. Disse Caio encantado.

– Voltarei sempre aqui. Mesmo que não mude o nome. Amei esse lugar.

– Muito obrigado! Será sempre bem-vinda.

– Agora vamos Vick! Temos muitas coisas para fazer. Interrompeu Eric de maneira mais ríspida do que gostaria.

– Claro. Disse Vitória

– Voltem sempre. Disse Caio sem jeito.

Eles se levantaram e no caminho para o carro Eric provocou Vitória:

– Te achei tão interessada que comecei a pensar que você poderia estar trocando o nosso projeto por uma consultoria de branding para o Caio.

– Nossa! Jura? Só sugeri um nome e alguns utensílios.

– E falou das suas lembranças e da sua infância.

– Espera um pouco. Você está com ciúmes! Que bonitinho.

– Não viaja Vitória.

Eles entraram no carro e Vitoria se sentia uma deusa por ter despertado algum ciúmes em Eric, o que deu a ela muita confiança para começar a provocá-lo.

A reunião aconteceu como previsto e eles combinaram as datas que faziam com que Vitória tivesse pouco tempo para encontrar as mulheres e despertava um certo senso de urgência nela. Ela se sentia extremamente desafiada com as buscas e agora também com os prazos.

No final da reunião Vitória não queria ir embora. Queria ficar com Eric ali para sempre se pudesse. Ela pensava sobre o risco de se apaixonar por ele, já até perdendo o foco na reunião, quando teve seus pensamentos de amor interrompidos por Eric.

– Obrigado por tudo. Agora preciso ir pois a Isabel já deve estar chegando na minha casa.

– Claro. Vou embora. Boa sorte com ela hoje. Respondeu Vitória se encontrando de volta com a realidade.

– Veja se não vai partir muitos corações por aí, fazer algum homem bater o carro.

– Vou tentar. Respondeu tímida.

Eles se despediram de maneira profissional e Vitória foi caminhando em nuvens até o seu carro. “Não se apaixone por esse cafajeste. Não se apaixone por esse cafajeste. Não se apaixone por esse cafajeste.” Repetia ela mentalmente descendo das nuvens e voltando a caminhar no chão. “Os sinais dele são estranhos. Um dia me trata como a mulher mais desejável do planeta, me seduz, me beija, faz sexo comigo. No outro dia faz cena de ciúme, me trata de maneira profissional e fala da namorada. Ou pior, me dispensa me colocando totalmente no meu lugar porque vai encontrar a namorada. Esse homem é uma incógnita e uma montanha russa. E definitivamente eu odeio montanhas russas.” Pensava Vitória enquanto dirigia de volta para casa.

O final do dia foi dedicado a pesquisas sobre beleza, padrões de beleza, o que as grandes marcas estavam falando sobre beleza mundialmente, quais eram as belezas que desfilaram nos grandes fashion weeks pelo mundo. A pesquisa era tão inspiradora que Vitória percebeu que deveria gastar um pouco mais de tempo no planejamento para garantir um resultado melhor, por mais que precisasse voar com as coisas porque tinha pouco tempo para encontrar as mulheres. Decidiu montar um material de inspirações baseado em todas as suas pesquisas com alguns rostos de mulheres que poderiam ser referência para sua busca para que Eric aprovasse antes de começar.

Vitória passou os dois dias seguintes mergulhada nessa apresentação. Não enviou currículos, não fez suas corridas, não comeu direito, mal dormiu e só tomou banho porque acabava se sentindo melhor de banho tomado. Depois de tanta dedicação, ela concluiu a apresentação que mostrava exatamente o tipo de mulher que ela procuraria e ligou para Eric.

– Oi. Atendeu ele.

– Oi. Tudo bem? Pode falar?

– Estou no meio de uma sessão de fotos. É urgente?

– Na verdade preparei um material para apresentar para você antes de começar minhas buscas e só queria marcar um horário para te apresentar.

– Legal. Você consegue vir hoje às seis aqui no estúdio?

– Consigo. Vitória respondeu empolgada!

– Te espero! Até mais baby. Disse ele de maneira charmosa e desligou o telefone.

Ela revisou o conteúdo, formatou a apresentação deixando ela esteticamente linda e foi para a piscina do prédio aproveitar o sol das quatro horas da tarde. Ela sentia falta do sol sobre a pele depois de 2 dias enfiada dentro de casa.

Ela leu seu novo romance, acalmou o coração, bronzeou de leve sua pele e foi feliz, se sentindo a mulher mais bonita e competente do mundo, tomar um banho.

Vitória chegou pontualmente na hora combinada no estúdio, mas a sessão de fotos estava atrasada e ela teve que esperar. Ela estava de volta a um estúdio durante uma sessão de fotos pela primeira vez desde que tinha perdido seu emprego e estranhamente ele não sentia nada além de alívio. Ela definitivamente não se via mais ali, não queria mais estar ali e com exceção da modelo e do fotografo, sentia pena de todas as pessoas que trabalhavam nos bastidores ali, porque elas estavam enterradas, longe da luz, na comodidade, servindo simplesmente, sem qualquer reconhecimento verdadeiro, sem perceber quanta coisa incrível acontecia do lado de fora. Ela sentia uma intuição de que realmente o desemprego era a melhor alternativa e que coisas incríveis aconteceriam na vida dela.

Ela repassava sua apresentação quando Eric chegou:

– Desculpe! Não imaginei que atrasaria tanto. Estou muito cansado.

– Está parecendo cansado mesmo. Mas será bom ver isso hoje. Se você aprovar, consigo começar minhas buscas amanhã.

– Claro! Essa é uma grande prioridade. E gostei da sua ideia. Podemos fazer isso juntos. Acho que vai funcionar.

– Por mais que seja real, temos que trazer uma beleza muito inspiradora. Não é óbvio. É bom que você me diga se estou no caminho para materializar o que você está pensando.

– Vamos lá então. Está pronta para começar? Quer um café, água?

– Já estou tomando. Sua assistente me trouxe.

– Vou pedir para mim então.

Ele pediu o café e logo estava dando toda sua atenção para a apresentação de Vitória. Ela mostrou seus 60 slides recheados de insights a partir de suas pesquisas sobre beleza e trouxe referências de mulheres que fizerem Eric abrir um sorriso que mostrava todos os dentes.

– Era exatamente disso que eu estava falando! Você capturou perfeitamente bem a essência da coisa. Você é boa Vick. Inclusive, se você puder compartilhar comigo vou agregar esse conteúdo no material que estou montando para ir atrás de patrocínio. Empolgou-se Eric.

– Nossa! Que alívio te ouvir dizer que estou no caminho certo! Claro que pode usar esse conteúdo. E é muito bom estarmos convencidos que a beleza real está na moda. Porque definitivamente ela está. Enquanto fazia as pesquisas e ia tendo as conclusões fui me convencendo que você terá ouro nas mãos.

– Nós teremos Vick! Estamos juntos nessa. E esse trabalho que você fez racionaliza a história de um jeito que eu não estava conseguindo fazer. Precisamos comemorar.

– Calma. Vamos achar as mulheres primeiro e depois comemoramos.

– Dona Vitória, você precisa aproveitar melhor o caminho e não se preocupar somente com o objetivo em si.

– Ok! Vamos comemorar então.

– Vamos sair para beber amanhã! Hoje estou acabado e é a última noite da Isabel no Brasil.

– Ela não ficará para o final de semana?

– Tem trabalho lá em Nova York no sábado.

– Que pena.

– Já não sei.

– Está tudo bem com vocês?

– Mais ou menos. Mas não quero falar disso. Saímos amanhã. Você escolhe o lugar e eu pago os drinks. Te pego na sua casa às dez horas. Pode ser?

– Pode! Claro. Respondeu Vitória feliz.

– Vamos sair juntos. Só preciso pedir algumas coisas para a Raquel porque o dia amanhã começará cedo.

Eric chamou a assistente dele e pediu para que ela providenciasse uma enorme lista de coisas para o dia seguinte. Enquanto isso Vitoria se distraiu completamente. Ela não podia acreditar no sucesso que tinha feito sua apresentação.

Eles caminharam juntos até o estacionamento e Eric agradeceu mais algumas vezes o trabalho de Vitória que tinha deixado ele realmente impressionado.

Vitória estava tão feliz que não cabia dentro de si. Ela estava ganhando dinheiro para fazer algo apaixonante e começava a perceber que fazia muito mais sentido trabalhar para algo que agregasse valor à sua vida. E também concluía que isso era totalmente possível. Ao mesmo tempo pensava sobre sua relação com Eric e sentia que não podia mais permitir se deixar seduzir por ele porque ele não parecia um homem confiável na forma de se relacionar com as mulheres e poderia partir seu coração em mil pedaços e ainda arruinar seu projeto profissional. Ela decidira que iria estabelecer distancia de beijos e sexo com Eric.

Vitória aproveitou seu tempo antes de dormir e sua enorme expectativa com o novo projeto para organizar sua agenda, pois a procura pelas modelos já começaria no dia seguinte.

Ela estava totalmente concentrada quando seu telefone começou a tocar. Era Thomas ligando. Vitória sentia um misto de sentimentos. Uma parte dela pedia para atender pois sentia saudades dele, mas a outra estava totalmente desanimada e com muita preguiça da possível explicação da vez. A preguiça venceu e ela não atendeu o telefone. Em seguida chegou uma mensagem dele:

“Entendo totalmente sua distância. Mas queria saber como você está e te dizer que estou com muitas saudades.”

Seu coração se alegrou com a mensagem. Ele parecia ser a pessoa que mais se importava com ela no mundo e apesar de tudo que tinha acontecido ela acreditava no carinho que ele tinha por ela. Quis ligar de volta. Mas preferiu continuar dando tempo ao tempo para organizar os seus próprios sentimentos.

E com a sensação de festa no seu coração e uma enorme intuição de que a felicidade estava a um palmo de distância ela foi dormir.

O dia começou cedo e Vitória decidiu tomar café da manhã na rua em alguma cafeteria famosa. Suas buscas começariam por ali. Ela ficou horas na mesa perto da porta do café, mas não conseguiu chegar nem perto de nenhum rosto ou atitude procurados. Mas ela não desanimou. Sabia que o trabalho não seria simples. De lá seguiu seu roteiro que incluía shopping, supermercado, restaurantes próximos a universidades e a grandes centros comerciais.

Chegou em casa exausta depois de percorrer por muitos lugares e não chegar nem perto de nenhum dos rostos sonhados.

Ela estava atrasada para a sua noite de celebração com Eric e ela tinha acabado de sair do banho quando ele lhe enviou uma mensagem dizendo que já a esperava na portaria do prédio.

Ela desceu terminando a maquiagem no elevador e chegou no carro de saia de paetês soltinha um pouco acima dos joelhos e cintura alta, mini blusa que deixava dois centímetros de sua barriga aparecendo, sandálias de salto alto e uma bolsa de mão. Ela estava deslumbrante como Eric nunca tinha visto.

– Uau! Você está maravilhosa. Será difícil te resistir hoje.

– Obrigada! E acho bom você nem começar a falar disso.

– Ok Dona Vitória. Agora me fala onde vamos.

– Vou te levar no NOW onde o José tocava. Sempre tem uma música incrível e o bar é repleto de muitas bebidas. Seja lá o que quisermos beber, certamente terá lá.

– Boa! Gosto de lá. Foi lá que ficamos juntos a primeira vez.

– Não acredito que você lembra.

– Claro que eu lembro. Você pensa que sou muito mais insensível do que sou de fato.

– Você agiu de maneira que eu pensasse isso.

– Será que é possível isso? Você parece morrer abraçada com as suas crenças.

– Acho que talvez seja possível.

– Há esperança então!

– Agora chega desse assunto. Hoje é noite de celebrar o início do nosso projeto.

– Você tem razão. E minha nova vida de solteiro.

– Como assim?

– Eu e a Isabel terminamos. Acabou. Oficializamos algo que já tinha acabado há tempos.

– Nossa. Como você está?

– Vou sobreviver e partir para outra. Aproveitar a vida sem culpa.

– Te desejo sorte. Disse Vitória e se arrependeu totalmente. “Era só isso que você conseguia responder Vitória?” Perguntou para ela mesma.

– Obrigado! Respondeu Eric achando graça.

Eles chegaram ao bar que já estava completamente lotado. Como não existia mais relação com a banda, Vitória não conseguiu mesa e os dois foram direto para o bar.

– O que vamos beber? Perguntava Eric olhando o cardápio.

– Que tal tequila?

– Boa! Tequila.

Eles pediram a tequila e enquanto esperavam seus olhares se cruzaram e Eric não resistiu e se aproximou de Vitória. Ela se afastou.

– Não acho isso apropriado.

Ele riu.

– Você não acha A-P-R-O-P-R-I-A-D-O? Você é engraçada demais Vitória.

– Você acabou de terminar um relacionamento e nós acabamos de começar um projeto profissional promissor juntos. Não vamos misturar as coisas.

– Só quero que a gente se divirta. Não estou te propondo casamento e nem misturando nada.

– Eu não sei racionalizar essas coisas. Para mim é tudo uma coisa só.

– Ok Vick. Entendi. Vamos comemorar então e prometo me comportar a partir de agora. Ok?

– Ok! Um brinde ao inicio do nosso projeto promissor. Propôs ela olhando intensamente nos olhos dele.

– Ao nosso projeto respondeu ele totalmente fascinado com aquele olhar.

E viraram em um único shot todo conteúdo dos seu copos.

– Outro! Empolgou-se Eric. – Agora à minha nova vida de solteiro e à liberdade!

– Sorte na sua nova vida. Que você se divirta muito. Complementou Vitória.

E eles mais uma vez tomaram o shot de uma única vez.

– Mais um e vamos dançar. Animou-se Vitória.

– Assim que eu gosto.

– Afinal estamos celebrando. À vida e à delicia de viver. Gritou Vitória.

– À delicia de viver. Concordou Eric.

Eles viraram em um gole só e Vitória arrastou Eric para a pista pela mão.

Eles dançaram, tomaram muitos outros shots de tequila, se divertiram, como se não houvesse mais ninguém ali além deles, apesar do lugar estar lotado.

Vitória cantava de olhos fechados uma das suas músicas preferidas enquanto dançava e Eric não resistiu e se aproximou dela que ao sentir a chegada dele parou de cantar e abriu os olhos.

– Vamos curtir Vick. Não racionalize tanto.

Ela ficou paralisada em silencio, sentindo seu coração acelerar e uma adrenalina percorrer seu corpo. Ela estava eufórica por causa de toda tequila, mas seguia tentando racionalizar.

– Por que você faz isso comigo? Perguntou ela.

– Talvez minha missão seja te mostrar o lado bom da vida.

– Talvez…

E ele não permitiu que ela terminasse a frase e a beijou. O beijo era acompanhado de luzes coloridas que passavam freneticamente sobre suas cabeças e do som de uma das músicas preferidas de Vitória.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 17 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *