Capítulo 17 – Como são encantadoras as vinícolas

Ana acordou na mesma posição que tinha dormido com suas roupas usadas no dia anterior. Por um breve instante se preocupou por não lembrar onde estava, mas logo se localizou. O lugar era ainda mais gostoso de manhã. As grandes janelas permitiam que entrassem raios de sol no quarto e os pássaros produziam um canto digno de um prêmio de música.

Ela não tinha ideia de que horas eram. Não tinha ideia de onde tinha deixado o seu celular, que era o seu despertador e responsável por localiza-la no tempo e no tempo espaço quando acordava.

Tentava se levantar, mas seu corpo pedia mais daquela cama deliciosa. A preguiça ainda dominava tudo. E ela seguiu ali, respirando fundo e se permitindo a preguiça. Ela lembrou do Brasil e das pessoas que tinha deixado lá. Lembrou de Michel e sentiu um pequeno aperto no seu peito, ele tinha devastado o coração dela e ainda assim, ela sentia algo muito especial por ele. Se lembrou da sua melhor amiga Lara e do quanto ela queria que ela estivesse ali. “Lara ia amar esse lugar. Ainda bem que a verei em alguns dias.” Pensava Ana, quando resolveu levantar e pegar seu telefone para enviar um “oi” para a amiga.

Quando ela pegou o telefone, já se deparou com uma mensagem dela.

“Saudades. Como andam as coisas por aí?”

“Lara, você não vai acreditar na coincidência. Peguei o telefone para te escrever e vi sua mensagem. Estou morrendo de saudades. Por aqui tudo bem. E por aí? Olha esse lugar.”

Ana enviou a mensagem e na sequencia uma foto da paisagem que tinha acabado de tirar da sua janela.

“Uau! Que lugar é esse?” Respondeu Lara.

“Estou em Mad. Uma cidade próxima à Budapeste, na casa de uma prima da minha mãe. Ela é dona de uma das marcas de champagne mais famosas do mundo e aqui é onde fica principal vinícola. Aqui é de cair o queixo.”

“Que sonho, cabeça. Quero conhecer esse lugar.”

“Que dia você chega em Budapeste? Estou morrendo de saudades e contando os dias.”

E nesse momento o celular de Ana começou a tocar.

– Lara!! Que saudade.

– Eu também! Muitas saudades. Respondeu Lara. – Resolvi ligar. Fiquei com preguiça de digitar. Chegarei na Hungria em 20 dias.

– Não vejo a hora. Seria ainda mais legal aqui se você estivesse aqui.

– Queria estar cabeça. Agora me conte como estão indo as coisas aí. Conheceu gente legal? Fez coisas que amou?

– A minha família é incrível. Todo mundo é muito legal. Fizeram um jantar para gente e os ciganos tocaram. Tudo aqui é regado à vinho e a comida maravilhosa. As pessoas são gentis. Quase todas.

– Como assim cabeça? Conheceu gente chata também?

– Conheci um cara que é filho adotivo da prima mãe. Uma longa história. E ele não é exatamente chato. Ele é estranho. Calado. Sério. Hum… Misterioso.

– Ele é bonito? Perguntou Lara já super curiosa.

– Não sei dizer….

– Como assim, não sabe dizer? Tá maluca cabeça? Como ele se chama?

– Ele é muito charmoso. Não sei se ele é bonito. Sei lá. Ele não sorri. Não é bonito. E o nome dele é Mark.

– Cabeça, cuidado para não se apaixonar por ele.

– Agora você que está maluca Lara! Não tem menor chance de eu me apaixonar por um homem desses. Ele não tem nada a ver comigo. N-A-D-A. E já tem uma noiva em Londres. Ele vai se casar. E ele deve transar de meia e pedir desculpas depois de gozar.

E nessa hora as duas caíram na gargalhada.

Elas morriam de rir quando a mãe de Ana chegou no quarto.

– Oie! Bom dia. Vim ver se está tudo bem.

– Oi mãe! Está tudo bem. Estou com a Lara no telefone.

– Mande um beijo para ela. Todos já tomaram café e estão nos convidando para passear pela vinícola, ver o processo de produção do vinho. Você quer vir?

– Quero ir.

– Então precisa se apressar. Estamos te esperando.

– Ok mãe! Vou tomar um banho rápido e já vou.

– Não demore filha.

– Pode deixar.

Ilonka fechou a porta e Ana se sentia empolgada.

– Cabeça, preciso ir. Terá um passeio pela vinícola e estão me esperando. Ah! E minha mãe te mandou um beijo.

– Vai lá amiga. Nos veremos logo. Mande outro beijo para a sua mãe e cuidado com o Mark.

– Vou tomar. Até daqui a alguns dias. Te amo cabeça.

– Te amo, cabeça.

Ana desligou o telefone e foi tomar banho. Geralmente acordava faminta, mas naquele dia, não tinha vontade de comer nada. Sua ansiedade por conhecer aquele lugar levara sua fome ou pelo menos era isso que ela achava.

Ana se apressou e em poucos minutos estava na sala onde todos conversavam muito animadamente produzido um alto ruído de vozes se misturando. Ela tomou uma xícara de café ali mesmo e enquanto tomava, o marido de Agnes, que tinha vindo visitá-las, entregou um pacote a Ana.

– Esse pacote chegou em casa em seu nome ontem, Ana.

– Obrigada Zolt. Disse Ana pegando o papel e expectativa.

Todos ali tinham certa expectativa sobre o conteúdo do pacote e esperavam com certa ansiedade que Ana abrisse o pacote.

Ana rapidamente desembrulhou o pacote e tirou de dentro uma edição da revista National Geographic cuja capa era a sua matéria e um bilhete de Michel. Seu coração bateu forte.

– O que é isso? Perguntou Mark.

– Eu trabalhava nessa revista na época da faculdade. Fiz estágio lá. E pouco antes de terminar meu estágio propus um tema em uma reunião de pauta e ele acabou virando capa. Produzi a matéria e ela realmente virou capa da revista. O mais legal é que foi o vinho húngaro que me inspirou para propor o tema. De alguma maneira, foi esse lugar que me inspirou.

– Que notório. Parabéns! Disse Mark. – Tão jovem e já obteve uma conquista desse porte. Você parece muito boa no que faz, Ana. Disse Mark realmente impressionado com tal conquista.

– Obrigada Mark. Fiquei muito feliz com tal conquista.

– Agora nos conte como os vinhos húngaros te inspiraram. Pediu Elizabeth curiosa.

– Sempre tivemos algumas garrafas da marca de vocês em casa. Eram guardados para momentos especiais e eu amava quando abríamos uma garrafa dessas. No dia que propus essa pauta, eu estava conversando com minha mãe sobre nossa viagem e ela estava muito feliz, tanto que disse que abriríamos uma garrafa de vinho especial para comemorar. E isso me encheu ainda mais de felicidade. Consegui ver poesia e felicidade na rotina. E esse sentimento me inspirou a proposta e seguiu me inspirando para escrever a matéria.

– Você até parece uma poeta, falando assim Ana. Disse Elizabeth encantada. – Agora que tal provar esse vinho que tanto te inspirou, direto dos barris de carvalho em um passeio pela vinícola?

– Não vejo a hora. Respondeu Ana com brilho nos olhos.

E nesse momento foi Mark quem se mexeu na cadeira e desviou os olhos que insistiam em olhar admirados para Ana.

E assim saíram todos para o passeio. A carta de Michel ficou ali com a revista e como se estivesse realmente curada do que representou Michel na sua vida, ela deixou para lê-lo em um outro momento. Aquele passeio em si já era capaz de roubar todas as suas expectativas.

O caminho até o coração da vinícola era estonteante e tinha plantações de uva a perder de vista, parecia que alcançavam o infinito. Alguns lagos pelo caminho acomodavam família inteiras de lindos patos que produziam um barulho que combinava perfeitamente com a paisagem. As flores também estavam presentes. Eram muitos os jardins de emolduravam todo o caminho.

Apesar de estarem em 8 pessoas, Ana procurava ficar em silencio e contemplar a paisagem. Ela caminhava um pouco mais afastada de todos e se perguntava por quanto tempo andariam, já que os olhos não alcançavam nada que parecia ser uma grande cave, quando foi interrompida por Mark:

– Está gostando do passeio?

– Sim! Muito! Você gosta daqui?

– Não muito na verdade. Sou um homem da cidade. Não troco Londres por lugar nenhum no mundo. Não consigo viver muito tempo essa calmaria e essa monotonia de paisagem. Você gosta mais do campo ou da cidade?

– Também sou mais cosmopolita. Gosto da cidade. Mas gosto de história. Então conhecer novos lugares me atrai muito. E se forem cheios de história, me atraem ainda mais.

– Então você é uma exploradora?

– Gostaria de ser mais. Sinto que minha vida de exploradora, com a qual sempre sonhei, está começando.

– Você se formou em que?

– Em história. E você? O que te atraiu para fazer direito?

– Sempre gostei muito de ler e de saber como as coisas funcionam. A justiça sempre foi algo que mexeu muito comigo. Sempre tolerei muito as coisas, mas nunca tolerei injustiça. Isso me levou ao direito.

– Faz sentido… E você está feliz com a escolha, já que está trabalhando com isso?

– Ainda não totalmente. O escritório onde trabalho é muito renomado e respeitado, porém sinto falta de fazer as coisas do meu jeito. Por isso estou estudando para ser juiz. Quero ter meu próprio escritório um dia. E também quero poder ajudar aos que precisam ter acesso à justiça.

– Que legal. Agora começo a gostar mais de você. Costumo gostar de gente que se preocupa com os outros. Disse Ana, mas se arrependeu totalmente antes de terminar a frase.

Mark corou e não respondeu ou comentou.

“Gente, por queeeeeee fui dizer isso?” Pensava Ana consigo mesma, enquanto Mark se recuperava do rubor.

– Fico feliz em despertar tal sentimento. Respondeu Mark sem graça.

E nesse momento acabaram ficando em silêncio. E Ana agradeceu aos céus o momento em que Caterine chegou se pendurando em Mark, que ficou claramente contrariado.

– Gente. Fazia tempo que eu não fazia esse passeio. Falta muito para o celeiro onde pegaremos os carrinhos? Perguntou ela, um pouco sem paciência. – Não sei porque vim. Disse ela mais alto do que gostaria.

– Não falta muito Caterine. Na verdade está bem aqui. Disse Mark enquanto entravam em um pequeno galpão.

Dentro do galpão tinham vários pequenos carrinhos estacionados e muitos objetos e ferramentas em prateleiras totalmente organizados.

– Nossa! Como pode ser tudo tão organizado? Disse Ana pensando em voz alta.

– Se não for, como o trabalho pode ser produtivo? Como saberemos o que temos? Respondeu Mark um pouco irritado com a pergunta.

Ana não entendei o tom dele e nem queria de fato ter feito a pergunta. Por isso, resolveu ir para perto da mãe, mesmo estando com pessoas que conversariam mais em húngaro. Deixando Mark, Sebastian e Caterine para trás. Nos carrinhos cabiam 4 pessoas, então Elizabeth pediu a Ana que fosse com os jovens para completar os 2 carrinhos.

Ana obedeceu, se sentindo bem contrariada.

Os carrinhos seguiram por um caminho ainda mais belo e num determinado ponto passavam em uma espécie de túnel de uvas.

Ana já não estava mais aborrecida e se entregava às novidades daquele caminho, daquele lugar e daquelas novas descobertas. A empolgação de Ana capturou totalmente a atenção de Mark e ele não conseguia olhar para lugar nenhum além de Ana.

Sebastian percebendo o encantamento do amigo puxou conversa:

– Gostou dela?

– De quem? Da Ana?

– De quem mais seria?

– Não entendi a pergunta. Não consigo pensar em nada mais infundado.

– Mark, isso não é tribunal. Só precisa responder se gostou ou não dela.

– Nem gostei, nem desgostei. E para ser mais preciso, ela não tem nada a ver com o tipo de mulher que me atrai.

– Pois eu achei ela bem interessante. Divertida, bonita, inteligente.

– Nossa Sebastian você se contenta mesmo com muito pouco. Conhece Ana há poucas horas e já achou tudo isso dela? Desculpe rapaz, mas esse tempo não foi suficiente para formar uma opinião consistente.

– Ah Mark, você não muda mesmo. Precisa se permitir às primeiras impressões. Elas podem te surpreender.

– Estou muito bem assim, como o meu tempo para formar minha opiniões.

– Não tenho dúvidas disso.

– Você precisa levar a vida mais a serio. A vida adulta começou, meu caro.

– Por falar em vida adulta… O que estão pensando em fazer com tudo isso aqui? Você vai apoiar mais os negócios? Conseguirá fazer as duas coisas? Porque seu trabalho demanda muito do seu tempo não?

– Caro Sebastian, essa pergunta não consigo te responder. Não faço a menor ideia do que vai acontecer. Espero conseguir revolver nos próximos 3 meses.

– E eu espero que você tome a melhor decisão. E seja qual for, acha que Sophie vai te apoiar?

– Eu também espero Sebastian. E acredito que Sophie virá comigo por qualquer que seja o caminho. O que temos é muito sólido.

– Mark, chega a ser divertido te ouvir falando das coisas do coração. O que vocês tem é muito sólido? O concreto é sólido. Relações são outra parada.

– Uma questão de semântica, meu caro.

– Acho que não, meu camarada. Respondeu Sebastian brincando com o amigo. – E já que não quer nada como a Ana, te aviso que vou tentar roubar uns beijos dela. Aproveite para ver novas perspectivas.

– Espero que ela te de um fora.

– Espero que não.

E nesse momento Ana olhou para eles.

Sebastian se preocupou:

– Será que ela entendeu?

– Acho que não. Ela não fala húngaro. E por falar nisso, acho indelicado seguirmos falando um idioma que uma das pessoas presentes não fala.

– Então é melhor mudarmos de assunto.

– Com certeza Sebastian. Boa sorte com sua conquista, mas espero que quebre a cara.

– Acho que gosta dela.

– Não tem nada a ver com ela. Quero que você descubra que esse seu jeito, que nem sei descrever, já não funciona mais. Ela me pareceu inteligente demais para cair nessa.

– Agora está falando que ela é inteligente. Achei que não tivesse tido tempo suficiente para perceber. Brincou Sebastian.

Mark ficou sem fala.

– Nem sei o que te dizer. Disse Mark.

– Tente um palavrão. Eles funcionam perfeitamente em determinadas situações. Provocou Sebastian e já deixou a conversa para se dedicar exclusivamente a Ana.

Mark apenas reprovou com a cabeça.

Sebastian seguiu dedicando toda sua atenção à Ana, que começou a achar o rapaz um pouco pegajoso demais.

O passeio de carrinho logo terminou e eles finalmente estavam no principal prédio da vinícola. Tinham muitas pessoas circulando por ali e o lugar mais parecia um centro comercial do que uma propriedade privada. A marca estava devidamente sinalizada naquele local e as pessoas que enchiam o lugar eram turistas visitando a parte da propriedade que era aberta à visitação. Por ser uma marca muito famosa, a propriedade fazia parte de um roteiro turístico da Hungria e era uma passagem obrigatória para os apaixonados por vinhos e paisagens estonteantes.

Apesar das pedras muito rústicas da fachada, o lado de dentro era muito moderno. Totalmente climatizado com paredes forradas de história da marca. Tinham acessórios, fotos der publicidade, fotos de eventos e de pessoas muito famosas em momentos de consumo das bebidas, algumas recepcionistas muito bem treinadas recebiam as muitas pessoas que chegavam em um dos cantos uma enorme loja vendia vários tipos de bebidas da marca e acessórios que davam vontade de comprar e colecionar. Desde balde gelos e taças até panos de prato e imãs de geladeira. Num outro canto uma enorme cafeteria, que também levava as cores da marca e parecia ter doces deliciosos.

“Gente essa marca é um fenômeno. Eu não tinha essa dimensão.” Pensava Ana olhando o movimento e os detalhes daquele lugar.

O grupo seguiu andando e em poucos minutos já passeavam em túneis subterrâneos onde tinham muitas filas de barris de carvalho enfileirados milimetricamente por muitos metros.

O lugar seguia cheio de gente. Tinham pessoas olhando encantadas e outras bebendo mais do que deveriam com a desculpa de fazer degustação. Enquanto Ana seguia com seus devaneios, tentando assimilar tudo aquilo quando foi interrompida por Mark.

– Gostando do passeio? Mark perguntou para Ana.

– Sim! Muito. Eu não tinha ideia de como era grande aqui. Deve dar muito trabalho administrar tudo isso.

– Dá muito trabalho mesmo. Eu também não tinha ideia do trabalho que dava até me envolver com tudo isso. Valorizo ainda mais o trabalho dos meus pais.

– Tem que valorizar mesmo. Eles construíram uma grande marca.

– Já sei que gosta de vinhos. Mas qual tipo aprecia mais? Venha aqui. Quero que experimente um especial. Disse Mark já caminhando, mais empolgado do que de costume.

– Não entendo muito de vinhos, na verdade. Quer dizer… não entendo nada. Gosto dos que são mais adocicados.

– Então vamos começar por esse. Disse Mark pegando uma garrafa após uma breve busca em meio a algumas garrafas, servindo uma taça para Ana.

– Senhor Mark, é um prazer tê-los por aqui. Disse uma linda mulher. Loira, com cabelos presos, impecavelmente maquiada e muito bem vestida.

– Como vai Sacha? Trouxemos algumas pessoas da nossa família para conhecer o lugar.

– Espero que estejam gostando. Me permita servir as taças. Disse a linda mulher já tentando tirar as coisas das mãos dele.

– Pode deixar Sacha. Eu mesmo vou servir a Ana.

– Claro! Fiquem à vontade. Vou ver se o resto do grupo precisa de algum apoio. Se precisar de algo, por favor me chame. Disse Sacha um pouco desapontada.

– Obrigado Sacha. Chamarei se precisar.

Ana seguia calada tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer. Mark tinha dispensado uma ajuda profissional para servi-la e ela não sabia o que achar disso.

– Muito prestativa a Sacha. O que ela faz exatamente aqui? Perguntou Ana.

– Ela é uma das maiores conhecedoras de vinhos da Hungria e já trabalha conosco há muitos anos. Ela supervisiona o serviço de degustação.

– Eu queria conhecer mais dos vinhos.

– Com o tempo você vai. Agora me diga o que acha desse vinho. Disse Mark dando uma taça para ela.

Ana bebeu em um gole demorado. Aquele vinho foi felicidade pura para o paladar dela. Os olhos dela já diziam o que ela tinha achado do vinho.

– Acho que esse foi o melhor vinho que bebi na vida.

– Fico feliz em saber. Disse Mark dando um sorriso largo o suficiente para mostrar os dentes.

– Você parece entender muito de vinhos.

– Passei a vida em contato com esse universo. E nesses últimos meses comecei a estudar de fato.

– Talvez você queira trabalhar com isso um dia.

– Acho que não chegará a tanto.

E nesse momento Sebastian os interrompeu.

– Perdão pela interrupção, mas gostaria do atendimento do mais novo aspirante a somelier para me ajudar. Me surpreenda com algo novo e inusitado.

– Sebastian, você é alguém que não sou capaz de definir. Respondeu Mark. – Mas vamos ver se este aqui te surpreende. Disse Mark servindo uma taça ao amigo.

– Hum! Esse me surpreendeu. Uvas verdes?

– Sim! Uvas verdes.

– Já sei mais de vinhos do que soube um dia. Disse Sebastian se gabando.

– Está no caminho, meu amigo.

Nesse momento Sacha se juntou a eles e foi logo dizendo:

– Venha amanhã para seguirmos com nosso papo sobre vinhos Mark. Estou gostando de ver o seu repertório.

Mark se incomodou com o comentário.

– Amanhã meu dia está muito complicado. E por falar nisso, é hora de ir ou não acabamos essa visita hoje. Disse Mark querendo sair dali.

Ana lamentava por parar de beber aqueles vinhos maravilhosos e ria de si mesma por esses pensamentos. Ela nunca tinha gostado tanto de vinho e nunca tinha se sentido tão alegre e relaxada por causa dele.

Enquanto caminhavam rumo à próxima parada daquele passeio cheio de surpresas, Ana se surpreendeu ao se pegar refazendo seus passos naquele dia até ali, e ao chegar na parte em que Mark lhe servia taças de vinhos para surpreender o seu paladar, seus pensamentos insistiam em não sair daquela cena, que ela vivia e revivia, como se quisesse viver de novo.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 18 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA -SEXTA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *