Capítulo 17 – Tentando Assumir o Controle

Pedro acorda morrendo de dor de cabeça e morre de susto ao ver Malu dormindo ao seu lado na cama. Não consegue lembrar como tinham ido parar ali. Não lembra se ficou com ela, apesar de ter quase certeza de que não aconteceu nada. Ele se levanta para procurar um remedio, tomando cuidado para não acordá-la. Ela estava dormindo com a roupa que tinha usado na noite anterior.

Pedro está tomando suco na sua varanda sem móveis quando Malu chega:

– Bom dia! Como você está se sentindo? Pergunta Malu.

– De ressaca e a procura de respostas. Diz rindo. – Não me lembro de quase nada do que aconteceu ontem. Minha última lembrança foi você conversando com um cara na pista de dança.

– Você bebeu demais. Muito mesmo. Não sei como pode estar assim tão bem hoje. Mas não fez nada de errado. Não beijou, nem transou com ninguem. Pelo menos não que eu saiba. E não dirigiu. Eu trouxe você para casa e você me obrigou a ficar aqui pela minha segurança. Como você estava muito bêbado achei prudente ficar, pela sua segurança, na verdade.

– E eu dormi com você na minha cama e não tentei te agarrar?

– Você me respeita muito. Lembra? E mesmo que tivesse mal intencionado, você não tinha a menor condição ontem. Você dormiu no meio de uma conversa nossa.

– Que vergonha. Obrigada por cuidar de mim. Eu devia estar muito mal mesmo.

– De nada. Às vezes sou quem tem que cuidar de você. Afinal, você está sempre cuidando de mim.

Começa tocar o celular da Malu.

– Oi Felipe, tudo bem?

– Tudo e você? Pode falar?

– Muito rápido. Estou um pouco ocupada agora.

– Te ligo mais tarde então. Só preciso saber quando você chega aqui no Rio?

– Na quarta à noite.

– Ok! Vou te buscar no aeroporto. Te ligo mais tarde. Beijos

– Obrigada! Até mais tarde. Beijos

– Parece que você vai acabar namorando o Felipe. Você gosta dele?

– Sim, gosto dele. Mas não tenho a menor intenção de ter um namorado agora. Vou ficar com ele enquanto trabalho lá no Rio e vou aproveitar para passar o final de semana por lá. Vamos ver como será.

– Já que acordamos juntos, que tal almoçarmos juntos? Almoça comigo?

– Preciso tomar um banho, trocar de roupa.

– Podemos passar na sua casa.

– Almoçamos juntos, então!

Eles passam na casa de Malu e é a primeira vez que o Pedro sobe no apartamento dela. Ele fica encantado. O espaço não é grande, mas é muito bem aproveitado. O lugar é a cara da Malu, tem personalidade e vida, assim como ela. Enquanto ela se arruma, ele brinca com Dali e presta atenção em cada detalhe. Sua estante de livros e DVD’s, os quadros espalhados pelas paredes, gravuras de diferentes artistas, objetos de arte, pequenos vasos com flores distribuídos em algumas mesas, uma adega repleta de bebidas, uma caixa de som grande conectada a um ipod, alguns puffes, muitas almofadas coloridas e tapetes macios. Ele acha a casa dela sofisticada e aconchegante. Parece uma casa preparada para receber bem as pessoas. Enquanto ele observa a casa, escuta Clocks no ipod conectado à potente caixa de som.

– Oi! Desculpe, acabei demorando.

– Tudo bem! Eu estava aqui observando sua casa. Ela parece ter sido feita para receber as pessoas.

– Todos os encontros com meus amigos são aqui. Acho que fiz minha casa pensando nisso. Engraçado você ter percebido. Agora vamos? Estou morrendo de fome.

– Sua casa é encantadora como você! Diz Pedro realmente encantado.

– Obrigada!

– Agora Vamos! O que você quer comer?

– Hum. Hambúrguer.

– Hambúrguer? Conheço um lugar que você vai amar.

– Você sempre conhece um lugar que eu vou amar. Você sabe tudo de tudo!

Pedro levou Malu em um restaurante de hambúrguer artesanal em lugar muito descolado da cidade. Enquanto esperam os pratos Pedro provoca ela:

– Eu devia estar mal mesmo ontem. Como eu pude dormir na mesma cama que você e não te agarrar?

– Pedro, pessoas que estabelecem o tipo de relação que nós temos, não devem ter problemas em dormir juntas ou melhor, acho que elas não devem dormir juntas.

– Estou brincando com você. Na verdade estava te elogiando. Alguém acordou brava hoje?

– Não estou brava. Só acho que devíamos tentar não falar muito nisso.

A conversa é interrompida pelo celular de Malu.

– Oi mãe, tudo bem?

– Tudo querida e você? Atrapalho? Pode falar?

– Estou almoçando com meu chefe. Malu diz isso piscando para Pedro e dando um super gole no seu milk shake.

– Em um sábado? Estão te explorando filha. Bom serei breve. Que horas você chega? Porque sua irmã vem aqui em casa hoje e vamos jantar todos juntos. Estou muito animada porque você vai dormir aqui e passar o dia com a gente amanhã.

– Pensei em estar aí às 20h. Está bom? Assim tenho tempo de organizar tudo.

– Perfeito filha. Jantamos às 21h.

– Até mais tarde mãe. Beijo

Assim que ela desliga, Pedro brinca com ela:

– Almoçando com o chefe em pleno sábado?

– Minha mão disse a mesma coisa. Ela disse que estou sendo explorada.

– Ela está certa. Bom estaria, caso fosse realmente o seu chefe. Não é seu chefe que está aqui hoje.

– Eu sei. Mas às vezes lembro que você é meu chefe e de verdade, isso me confunde um pouco.

Pedro não quer estragar o clima e muda de assunto.

– Você vai jantar com os seus pais?

– Vou dormir na casa dos meus pais. Levo o Dali para lá sempre que viajo e decidi passar mais tempo com eles. Aí minha mãe aproveitou para transformar tudo em um grande evento. Terá jantar, minha irmã vem também. A namorada do meu irmão deve estar também. E eu sou a única solteira. Fiquei para tia. Diz isso e dá uma gargalhada.

– É bom ter uma família grande. A vida fica mais divertida. Aproveite que estará sozinha para curtir seus pais.

– Copo meio cheio? Diz Malu.

– Sempre. Você só volta na sexta. Ficará bastante tempo longe do Dali.

– Não. Na verdade, volto no domingo. Combinei de passar o final de semana com o Felipe. Aproveitando que estou no Rio. Ao dizer isso ela se sente fazendo algo completamente errado. Ela não se sentia bem de falar sobre isso com o Pedro.

– Não posso dizer que acho isso legal. Diz Pedro morrendo de ciúmes.

– Pedro, não me faça sentir ainda pior do que já estou. É difícil falar sobre esse tipo de coisa com você. E você também fica com um monte de gente. Aliás você tem a Diana que mais parece sua namorada. Precisamos superar isso se quisermos ter a relação que sempre tivemos.

– Você tem razão. Como sempre. Menos na parte da Diana. Ela não é minha namorada e não tenho a menor intenção de mudar isso.

– Já morríamos de ciúmes um do outro antes. Então teoricamente, nada mudou. Diz Malu.

– Certa de novo. Posse de amigo?

– Posse de amigo.

– Gostou do hambúrguer?

– Amei! Superou totalmente minhas expectativas.

Terminam de almoçar no final da tarde, mas mesmo depois do almoço ainda ficam horas no restaurante e conversam sobre milhares de coisas. Malu fala sobre a sua série preferida que acabou de terminar de assistir:

– A série é incrível. Economizei o final e fiquei chateada quando assisti o último episódio. Posso te emprestar se você quiser.

– Eu quero. Posso pegar quando te deixar em casa? Aproveito que não tenho nenhum compromisso e fico em casa. Estou precisando descansar.

– Claro! Vou amar te emprestar e falar sobre a série com você. É demais. Viciante.

– Então vamos! Você precisa arrumar suas coisas e eu tenho mais de 200 episódios para assistir.

Chegam na casa de Malu e Pedro sobe com ela para pegar os DVDs. Na hora de se despedir Pedro é super cordial:

– Obrigada pelo meu passatempo do final de semana. Nos vemos amanhã à tarde no aeroporto. Aliás, o que você combinou com o Caíque?

– Nos encontraremos às 16h no aeroporto.

– Estarei lá. Até amanhã.

Malu abre a porta para ele ir embora e de repente o clima entre os 2 fica tenso, uma vontade um do outro percorre seus corpos simultaneamente. Pedro sente muita vontade de beijar Malu. Chega perto dela, mas ela se mantém firme. E ele se controla. Se despedem rapidamente e ele sai com pressa em direção ao elevador. Já dentro do elevador ele respira fundo porém de maneira acelerada. Ele fala com ele mesmo: – O que essa mulher faz comigo? E Malu encostada na porta, sem conseguir se mexer pensava a mesma coisa: – O que esse homem faz comigo, meu Deus?

Já no carro Pedro liga para o Fabio.

– Oi cara, tudo bem?

– Tudo e você? Tudo certo depois da sua bebedeira de ontem?

– Sim!

– A Malu foi demais com você. Super preocupada. Como ela foi para casa no final?

– Acabei de deixar ela em casa.

– São 18h! Vocês passaram a noite juntos?

– Sim! Mas nada aconteceu. Mantive minha parte do acordo. Na verdade eu não tinha a menor condição de nada ontem à noite. Mas hoje, sóbrio, na hora de me despedir dela, quase fodi com tudo. Não sei o que acontece, mas não consigo resistir a essa mulher. Foi de repente. Estávamos conversando sobre qualquer coisa. Não tinha clima, nem bebida, nada. E simplesmente, morri de vontade de beijar ela.

– Cara, não entendo porque não ficam juntos. Que idiotice.

– Porque não queremos estragar o que temos. Porque não quero namorar ninguém agora e não quero tratar a Malu como qualquer uma das mulheres que saio. Porque não vou namorar com ela. Porque ela deixou claro que vai construir a vida dela com outra pessoa. Porque sou chefe dela e ela é uma excelente profissional. Porque ela é a minha melhor amiga.

– Fala sério!

– Posso ir para sua casa? Preciso colocar meus pensamentos no lugar.

– Vem cara. Mas a Stella vem jantar aqui. Quando ela chegar você vaza. A noite promete hoje.

– Chego em 10. Falou.

Assim que Pedro chega, Fabio o recebe com uma garrafa de uísque nas mãos.

– Você está precisando disso aqui. Diz Fabio levantando a garrafa.

– Cara, nem pensar depois da bebedeira de ontem.

– Serio? Já foi mais forte heim.

– Fiquei mal, cara. Não vou beber não.

– Ok! Sem bebida então. Que papo é esse com a Malu? Acho que você está viajando.

– Cara, simplesmente não sei como agir com ela.

– Cara, vocês são loucos um pelo outro.

– Mas não posso ficar com ela como tenho ficado com as outras e não sei se posso dar exclusividade para alguém agora. E a Malu merece exclusividade.

– Acho que você tem um ponto. Mas acho uma viagem vocês tentarem racionalizar tanto as coisas.

– Talvez seja.

– Para de ser mole Pedro. Começa por aceitar um pouco desse uísque e beber comigo. Liga para a Diana então. Você precisa transar.

– Vou ligar. Mas não hoje. Hoje quero ficar sozinho. E nada de uísque.

Toca o interfone. Quando Fabio volta diz que a Stella está subindo com a Diana.

– Não entendi, mas parece que a Diana veio com a Stella.

– Cara, não estou bem para encontros hoje. Vou escapar pelo elevador de serviço.

– Vai cara. E vê se toma uma atitude lá na Bahia. Para de ser mole.

– Valeu cara!

Pedro vai para casa pensando em Malu e na Bahia e acaba distraído o resto da noite pela série viciante que a Malu tinha emprestado para ele.

Da mesma maneira que Pedro ficou desconsertado e precisou conversar com um amigo, Malu também precisou. Ela tentava recuperar o fôlego e assim que ela consegue voltar a andar, pega o celular para ligar para Vitor e vê uma ligação perdida dele.

– Vit, tudo bem? Peguei o celular para te ligar e vi uma ligação sua.

– Oi meu amor! Tudo e você? Te liguei há 1 hora. Queria te contar o que acabei de fazer.

– O que você fez?

– Entreguei os doces da festa de casamento da Valentina.

– E aí? Se beijaram de novo.

– A vontade segue lá dentro. Mas nunca beijaria ela no dia do casamento dela. Na verdade desejei muitas felicidade e nos despedimos. Me despedi dessa história e estou muito aliviado.

– Se despediu mesmo?

– Sim! Me despedi no momento em que entreguei aqueles doces.

– Que boa decisão. Você tem um outro casamento para planejar agora, que é muito mais importante. O seu! E está claro que você é do Edu.

– Estou muito bem com a minha decisão. E você como está? Malas prontas para Bahia?

– Malas nem começadas e eu estou quase atrasada. Vou jantar na casa dos meus pais.

– Está tudo bem?

– Sim! Só estou precisando, desesperadamente, também me despedir da minha história. O Pedro acabou de sair daqui e de repente depois de uma semana sensata, sem riscos, desejos desenfreados e total cumprimento do nosso acordo, onde parecíamos de verdade ter superado os beijos de Cannes, quase nos beijamos.

– Malu não entendo porque sua vontade de beijar é um problema. Você precisa parar de racionalizar tanto as coisas. Só se vive uma vez. E o amor não é nada lógico. Sinto muito te dizer isso meu bem. As pessoas vivem em busca do que vocês dois estão vivendo. Não desperdice isso.

– Vit, por favor, não me incentive a fazer loucuras.

– Meu amor, quero ver você feliz. E de verdade, não acho que é nenhuma loucura.

– Não quero namorar com ele e nem com ninguém agora.

– Quem falou em namorar? Divirtam-se juntos.

– Você sempre soluciona tudo. Te amo por isso. Agora preciso ir. Tenho que fazer minhas malas. Estou orgulhosa de você por ter se despedido da sua história.

– Boa viagem Malu e não racionalize tanto. Vai viver meu bem. Você merece.

A frase de Vitor não sai de sua cabeça. Não racionalize tanto. Era isso que ela vinha fazendo o tempo todo desde que sua vida virou de cabeça para baixo, até a enorme tristeza que ela estava sentindo, ela racionalizou, subestimando ela. Eu preciso parar de racionalizar tanto as coisas. Mas isso não quer dizer tornar estranha minha relação com Pedro. Isso é ser cuidadosa e não racional. Que vontade é essa? Será que vai passar? Pensava Malu enquanto corria para terminar de arrumar tudo porque não podia se atrasar para o jantar com a sua família.

Depois de muita correria Malu é recebida com muito carinho pelos pais. Alguns minutos depois chegam Daniel e Juliana, a sua namorada e Sofia e Luis, sua irmã e o marido dela. Como sempre acontece, a noite é animada, regada a boa conversa, excelente vinho e comida boa. Amanda, a mãe de Malu cozinha divinamente. Armando, o pai, é muito culto e extremamente divertido. As conversas são tão boas que prolongam o tempo à mesa. A sobremesa se arrasta e sempre abrem mais garrafas de vinho do que podem aguentar e por isso, a última garrafa sempre acaba ficando pela metade. Durante a sobremesa Sofia, a irmã de Malu diz:

-Temos algo para contar para vocês.

– Eu sabia! Diz Malu. – Esta noite está com cara de noite de anúncios.

– Nós vamos ter um bebê! Acabei de descobrir que estou grávida.

– Meu Deus! Serei avó de novo!! Que notícia mais deliciosa. Estou muito feliz! Diz a mãe, se levantando para abraçar a filha e o genro.

Todos se levantam para abraçar o casal e dar parabéns.

Malu abraça a irmã com força dizendo coisas lindas no ouvido dela.

A família chama Thomás pelo Skype para darem a notícia.

– Prepara o quarto de hospedes. Daqui a pouco estamos aí para comprar o enxoval do bebê que está chegando. Diz Sofia para o irmão, radiante.

– Que notícia mais linda! Parabéns para vocês. O quarto está esperando e os seus sobrinhos também. Estamos todos morrendo de saudades. Não vemos a hora que chegue o Natal.

– Saudades também. Ainda bem que vocês estão vindo passar Natal e ano novo aqui. Diz Sofia, parecendo realmente empolgada.

Depois do jantar e dos anúncios, seguem conversando na parte externa da casa, que é grande e aconchegante. A noite está fresca e quando a madrugada se aproxima, todos começam a se preparar para ir dormir, muito contrariados porque a noite deliciosa está acabando.

Na hora de dormir Malu se dá conta de que não pensou em Pedro nenhuma vez, exceto naquela hora. E isso era um bom sinal. Também não pensou em Rodrigo, nem em Felipe e nem em ninguém. E pensa sobre a gravidez da sua irmã e se encanta com seu terceiro sobrinho chegando. Será que um dia ela estaria dando essa notícia para sua família ao lado de um marido? Seus pensamentos acabam vencidos pelo cansaço e ela cai em um sono profundo.

O dia amanhece muito ensolarado e como há muito tempo não acontecia, Malu acorda depois das 11h da manhã.

– Bom dia minha filha! Dormiu bem? Pergunta a mãe.

– Muito mãe! Como há muito tempo não acontecia. Bom dia! Malu responde carinhosamente beijando e abraçando sua mãe.

– Já combinamos tudo e te levaremos ao aeroporto. Sairemos às 15h30 daqui. Agora vamos! Venha me ajudar na cozinha. Vou fazer seu bolo preferido e me ajudar a fazer bolos estava entre suas brincadeiras preferidas quando você era criança.

– Que delícia! Claro que vou te ajudar. Me lembro disso até hoje. Eu realmente amava te ajudar na cozinha. Que saudades!

Malu se sentia feliz. Sua família sempre fazia muito bem à ela. Além de serem pessoas divertidas e generosas, davam privacidade à ela. Ali ela não era julgada. Podia sentir qualquer coisa sem que ninguém a julgasse. Ela era encorajada a viver intensamente os seus sentimentos. Aquele era de fato, o seu porto seguro.

Enquanto ajuda a mãe na cozinha conversam sobre o trabalho da Malu e ela conta todas as coisas incríveis que tem feito, sobre as novas abordagens de pensamento que está aprendendo e sobre suas incríveis perspectivas. As boas perspectivas sempre fazem muito bem para Malu.

Depois de mais uma refeição farta e seu bolo preferido acompanhado de café fresquinho Malu segue para o aeroporto. Abraça seus pais com muito carinho e agradece com sorriso nos olhos por tudo.

– Amo vocês. Até a volta. Diz Malu, já virando de costas e caminhando em direção à entrada arrastando sua mala de rodinhas aeroporto a dentro.

Ela encontra Caíque e Pedro já no embarque. Conversam sobre diversos assuntos e a normalidade está de volta entre Pedro e Malu. Ela consegue até olhar ele nos olhos sem querer se pendurar no pescoço dele e não soltar nunca mais.

O voo é chamado no horário e chega às 20h30 em Salvador.

– Vamos jantar? Pergunta Caíque chegando no hotel.

– Estou morrendo de fome. Diz Malu. Nossa como posso estar com fome depois de tanta comida na casa dos meus pais? Pensava ela. Vou engordar nesse ritmo.

– Não posso. Preciso terminar uma apresentação e enviar para o Guto ainda hoje. Temos um call mais tarde. Ele vai nos representar em um cliente amanhã cedo. Mas ficarei feliz se a Malu me trouxer cocadas na volta. Me contento em comer as cocadas.

– Que pena que você não pode vir com a gente. Diz Malu, realmente triste por ele não estar indo com eles.

Malu e Caíque se encontram na recepção e a ausência do Pedro faz Malu sentir um enorme vazio. Ela sentia falta quando ele não estava por perto. O vazio logo é preenchido pela energia e alegria contagiantes que circulam pelas ladeiras do Pelourinho e a felicidade invade o coração de Malu.

Eles jantam em um restaurante típico e comem o que tem de mais tradicional no cardápio. Ela fala sobre sua família, a gravidez da irmã e sobre o quanto ama estar com eles. Ele fala que o casamento está delicioso, que é incrível ter a Carol o tempo todo por perto e não ter que se despedir mais dela aos domingos a noite e que estão começando a falar sobre filhos. O assunto filhos encanta e assusta Malu ao mesmo tempo. Mais uma vez a conversa sobre congelamento de óvulos vem à sua cabeça. Porque ela queria muito ser mãe. Falam sobre suas perspectivas na agência e sobre a área nova de inovação. Estão felizes.

Na volta caminham sem pressa e param para comprar as cocadas do Pedro. A vista é linda e a energia do lugar é especial e pode ser sentida na pele. Já no hotel, se despedem no elevador e combinam de se encontrar no restaurante para tomar café da manhã às 8h30.

Malu vai direto para o quarto de Pedro levar as cocadas. Quando chega na porta, ouve ele terminando a conversa com Guto. Ela tem medo de desmoronar na frente dele. Não quer correr o risco de ver ele lindo em outro Estado, afinal da última vez, ela acabou não resistindo. Resolve deixar a sacola com as cocadas pendurada na maçaneta da porta do quarto dele. Bate algumas vezes e sai correndo. Enquanto ela corre, pensa: Ele não pode me ver. Ele não pode me ver. E sente uma descarga de adrenalina percorrer seu corpo. Corre muito, até finalmente sair do campo de visão dele, entrando nas escadas de emergência. Ela para por uns segundos para retomar o ar e sobe os 2 lances de escada até o seu quarto.

Já na segurança do seu quarto, toma um banho rápido e se prepara para dormir. Coloca o alarme para as 7 horas. Ia se encontrar com Caíque às 8h30, mas queria tentar correr um pouco na praia de manhã. Nesse momento alguém bate na porta do seu quarto. O coração dela dispara e certamente pode ser ouvido por quem está por perto. Ela abre a porta.

– Oi Malu. Não acredito que você largou as cocadas lá e saiu correndo. Quantos anos você tem? Pedro diz num tom divertido, realmente deslumbrante exatamente como ela temia.

– Achei que você ainda estava trabalhando e não quis te atrapalhar.

– Você está com medo de que Malu?

– Não estou com medo de nada.

– Posso entrar?

– Pode. Viu? Não tenho medo de ficar no mesmo quarto que você. Eu não queria mesmo te atrapalhar.

– Não foi o que pareceu quando você tocou a campainha e saiu correndo. Quer uma cocada? Oferece enquanto tira uma cocada da sacola.

– Não obrigada! Nesse final de semana comi o suficiente para a semana toda. Vou até acordar mais cedo para correr na praia amanhã. Geralmente nos finais de semana que fico com os meus pais acabo comendo mais do que deveria.

– Então não foi medo? Você pensou que eu estava trabalhando?

– Aham. Responde sem parecer muito convincente.

Eles estavam sentados de frente um para o outro, cada um em uma cama. Conversando como amigos de maneira comportada. Mas de repente, após alguns segundos de silêncio, Pedro se levanta e senta ao lado de Malu na mesma cama que ela.

– E se eu me aproximar assim? Ele diz isso chegando muito perto dela, com uma expressão divertida no olhar.

Malu sente seu corpo se arrepiar e aquele frio na barriga que percorre seu corpo e termina no seu couro cabeludo volta com uma intensidade que ela nunca tinha experimentado antes.

– Responde Malu! Diz Pedro, encorajando ela a falar alguma coisa, pois ela parece ter perdido a capacidade de falar pela sua expressão estática.

– Sim! Se você se aproximar assim eu fico com medo.

– Você quer sair correndo? Diz isso tão perto da boca dela que ela pode sentir o ar saindo da boca dele.

– Acho que eu deveria.

– Então por que ainda está aqui?

– Porque não tenho forças. Diz se derretendo.

Ele então, continua olhando profundamente dentro dos olhos dela, mas não avança mais. Segue com a boca a poucos centímetros de distancia da boca dela. Levanta suas mãos e coloca uma de cada lado cabeça dela, fazendo o corpo dela se arrepiar de novo.

– E seu eu fizer assim? Pergunta Pedro, ao colocar as mãos atrás da nuca dela.

– Tenho ainda menos força. Responde mole. Já cheia de expectativas.

Então Pedro se aproxima lentamente, quase de maneira torturante.

– Você ainda pode correr.

– Não quero correr. Não quero estar em nenhum outro lugar se não aqui.

– Ah Malu. O que você está fazendo comigo?

Clocks 🔊🎶🎶🎶

CONTINUA…

O CAPITULO 18 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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