Lara acordou antes do despertador. Um flash de pensamento a fez lembrar da noite anterior e do silencio dela em relação ao chamado de Rodrigo na porta do seu quarto.

Ela se arrumou, sem muita vontade e desceu para o café da manhã treinando suas falas. Ela se preocupava em ser profissional.

Quando ela chegou, Rodrigo já esperava por ela.

– Bom dia! Ela disse ao chegar.

– Bom dia. Posso te explicar o que aconteceu ontem?

– Rodrigo, de verdade, você não tem que me explicar nada. Vamos deixar isso pra lá.

– Não! Não vamos deixar isso pra lá. Ele disse segurando a mão dela.

– Isso não é tão importante.

– Ok Lara. Pode não ser para você, mas é para mim. Me escuta, por favor.

– Diga Rodrigo. O que você quer me falar?

– Eu não tenho nada com a Manuela e fiquei preocupado com o seu sumiço ontem.

– Rodrigo eu estava exausta. Percebi que a noite ia até tarde e eu realmente precisava dormir.

– Eu bati no seu quarto e você não respondeu.

– Eu estava dormindo. Não ouvi. Ela disse, mentindo para ele.

– Então está tudo bem? Ele perguntou tentando se convencer.

– Sim! Tudo bem.

– Fico mais tranquilo se você estiver bem.

– Então pode ficar tranquilo.

– Precisamos ir. O carro chegou.

– Claro. Vamos.

Eles foram caminhando até o carro e um clima estranho tomou conta do ambiente. Lara ficou em silencio, com seus pensamentos barulhentos e Rodrigo não sabia o que fazer para agradá-la.

Ela estava distraída no carro quando seu celular tocou. Eram as amigas fazendo uma conferência no telefone.

Ela colocou os fones e atendeu as amigas, que pareciam ter sido enviadas por anjos.

– Oi meninas! Lara disse atendendo o telefone.

– Que bom que você atendeu! Raissa gritou do outro lado da linha.

– Queremos saber tudo sobre os acontecimentos em Buenos Aires.

– Agora eu não consigo falar. Estou no carro indo para a empresa.

-Já entendemos. Disse Helena. – Estou morrendo de saudades de vocês.

– O Miguel está te tratando bem? Perguntou Lara.

– Mais do que bem. Estou amando amigas. Helena respondeu.

– E que tal Barcelona? Trate de contar tudo Raissa.

– Estou indo encontrar o advogado que cuidou do inventário. Estou super nervosa. Nunca me senti tão sozinha. Hoje será a leitura do testamento. Eu estou hospedada na casa da minha avó. Nunca imaginei viver nada tão estranho na minha vida. É uma mansão, que tem até chafariz no jardim. Coisa de outro mundo. Um mundo que eu nem sabia que existia.

– Raissa! Aproveite esse momento para descansar um pouco e não ligue tanto para tudo isso. Daqui a pouco você estará de volta. Disse Helena tentando acalmar a amiga.

– Meninas, vai começar aqui. Preciso desligar. Torçam por mim. Disse Raissa tão ansiosa que dava para sentir pela voz. – Preciso desligar. Ligo mais tarde para contar como foi. Amo vocês.

Raissa desligou o telefone e foi até a cozinha beber água.

– Eu levo para a senhora Dona Raissa. Disse a governanta da casa. – Não precisa vir buscar na cozinha.

– Dona Rosa, eu posso vir buscar minha água. Isso não é necessário. Mas muito obrigada por sua atenção.

– Estão procurando pela senhora. O advogado chegou. Ela disse.

Raissa pegou sua água e foi encontrar com o resto das pessoas.

Em uma sala, que mais parecia a biblioteca de um museu, tinham várias pessoas sentadas e um homem de pé. Raissa ocupou seu lugar e ficou em silencio esperando que o homem de pé começasse a falar.

Ele começou a ler o testamento e foi falando de todos os bens e sua distribuição até que chegou o momento de Raissa.

– E para a minha neta Raissa, que por uma decisão errada do passado eu não conheci e me arrependo muito, eu deixo o prédio da Paseo de Gracia, com a contrapartida que ela não venda o imóvel e permita que ele fique na família pelo menos, pelos próximos vinte anos.

“Eu não posso vender a casa! E não é uma casa! É um prédio! O que vou fazer agora? Como vou pagar as despesas de um prédio? Será que esse local é caro? Estou perdida. Como que a minha avó me abandona e quando morre me obriga a viver aqui pelos próximos vinte anos. E eu sozinha, sem ninguém para me aconselhar. E que saudades do Andre. Ai que loucura isso tudo.”

A leitura do testamento terminou e todos começaram a se movimentar para ir embora.

– Raissa, por favor venha aqui. Disse o homem que lia o testamento.

– Você entendeu sua parte do testamento? O Juan, nosso advogado que cuida de heranças vai te acompanhar até sua propriedade e te assessorar pelo tempo que precisar. Por favor Juan, venha aqui. Raissa, te apresento Juan.

– Prazer em conhece-la Raissa. Conte comigo para o que precisar. Temos planejada uma visita à propriedade hoje. Você gostaria de ir vê-la?

– Prazer conhece-lo Juan. Sim! Eu gostaria de ir ver a propriedade.

– Estou à disposição. Saímos a hora que quiser.

– Estou pronta para ir.

– Então vamos!

– Vou pegar a minha bolsa. Disse Raissa correndo para buscar suas coisas.

Raissa voltou para a sala e encontrou Juan sozinho esperando por ela.

– Vamos? Agora sim, estou pronta.

– Sim! Ele disse um pouco mal humorado.

Eles saíram juntos e entraram no carro de Juan. A expectativa de Raissa era enorme e os pensamentos dela estavam barulhentos, enquanto Juan seguia calado. “Estou indo conhecer meu prédio! Do lado desse mal humorado. Que vida chata deve ter esse Juan. Também com essa cara de nerd. Ai meu Deus! Estou julgando o Juan. Ele só é mal humorado. E tem o pior emprego do mundo. Eu até entendo ele.”

Depois de alguns minutos em silencio, eles chegaram. Juan estacionou o carro e eles caminharam alguns minutos até o local onde ficava o prédio.

– É esse aqui. Disse Juan ao chegarem em frente a um prédio em ruínas.

Raissa ficou paralisada. Ela estava inconsolável. O prédio parecia estar abandonado há muitos anos. A fachada estava suja, algumas janelas quebradas e tinham algumas pastilhas e pedaços de desenho faltando.

– Esse é o prédio que eu herdei? Raissa perguntou espantada.

– Sim! Ele está na família há muitas gerações, mas o imóvel foi fechado há muito tempo e acabou ficando depreciado pelo tempo. Essa localização é muito valiosa. Esse é o metro quadrado mais caro de Barcelona.

– Mas porque deixaram o prédio ficar assim? Ela perguntou inconformada.

– O filho mais velho da sua avó, seu tio, era dono desse prédio. E o prédio, foi bastante importante anos atrás. Há cinquenta anos, funcionava aqui uma famosa loja de chocolates e o seu tio alugava o prédio para a família, dona da fábrica. Mas ele bebia muito e jogava muito também. Ele acabou perdendo o prédio em uma dívida de jogo e a família acabou indo embora daqui, fechando a loja de chocolates. Não conheço muito bem essa parte da história, mas o que sei é que sua avó pagou a dívida e recuperou o prédio, que valia muito mais do que a dívida contraída em jogo. Seu tio acabou morrendo muito endividado e muito jovem, pouco tempo depois disso. Sua avó amava seu tio mais do que aos outros cinco filhos. Depois da morte da sua mãe, quando você nasceu, ele passou a ser a razão de viver dela. Ele morreu jovem por causa da bebida. Ele tinha apenas trinta anos. Sua avó nunca se recuperou. Já tem 40 anos que seu tio morreu, mas sua avó nunca aceitou a morte dele. Ela não sabia dos vícios do filho preferido e foi uma surpresa para ela o histórico de jogos e dívidas. Ele não tinha família e deixou esse prédio de herança para a sua avó. A única propriedade que restou. A única que sua avó fez questão de recuperar. Apesar da perseverança dela em manter o imóvel na família, sua avó nunca mais pisou aqui, desde a recuperação do imóvel, e ordenou que o prédio ficasse fechado desde então. Não temos ideia do que há dentro. Mas como herdeira, tudo que está aí dentro é seu.

– E por que ela deixou esse prédio para mim?

– De acordo com o testamento ela queria que o prédio pudesse viver de novo e por isso, deixou para a pessoa que carregava o dom beleza da sua filha mais nova, no caso a sua mãe biológica, que morreu quando você nasceu. Meu avô dizia que sua avó tinha se arrependido muito de deixar você ir embora com outra família e que sua mãe era belíssima.

– Meu Deus! Que loucura tudo isso. Eu não faço a menor a ideia do que fazer com esse prédio. Porque minha avó achava que eu saberia o que fazer?

– Isso eu não consigo responder. Mas ela estava certa disso. Ela foi bastante precisa quanto ao destino desse prédio e ele não podia ser de mais ninguém além de você.

– E como você sabe tudo isso?

– Meu avô trabalhou com a família da sua avó e meu pai trabalha com a família da sua avó até hoje. Temos um escritório especializado em sucessão, patrimônio e heranças. Eu me formei advogado e segui o mesmo caminho. Tenho assessorado meu pai. E sua família é a principal cliente do nosso escritório, que cuida do patrimônio e da herança da sua família há muitos anos. Sua família é uma das mais importantes de Barcelona. Meu pai está cuidando da execução do testamento e eu vou te assessorar no que precisar.

Raissa ficava mais desesperada, quanto mais ele falava. “Essa não é minha vida! Essa não é minha família. O que está acontecendo aqui? Ele vai me assessorar. Eu preciso de um engenheiro ou de um arquiteto para me assessorar. Preciso arrumar esse prédio. Preciso fazer algo com esse prédio para não me afundar em dívidas. Não tenho dinheiro para restaurar esse prédio. Como vou sair disso? Vou acabar em ruínas, igual a esse prédio. Não sei o que fazer. Estou desesperada.” Ela se perdia em seus pensamentos quando foi acordada de seus devaneios por Juan.

– Hey! Está tudo bem? Me desculpe se foram muitas informações.

– Estou bem! Não se preocupe. Estou só pensando. Disse ela respirando fundo.

– Você tem muito o que pensar. Posso imaginar como está se sentindo. Você quer entrar?

– Quero. Ela disse torcendo para se surpreender positivamente com o interior.

“O que vou fazer com esse prédio? Ela pensava enquanto caminhava sobre largas pedras cinzas.

Eles andaram sobre um caminho curto cercado pelo que parecia ter sido um jardim e pararam em frente a uma escada com alguns degraus que dava acesso à uma grande porta de madeira e tinha um lindo lustre de cristal, muito empoeirado.

– Por aqui chegavam as carruagens. Ele disse. – Esse caminho continua por mais alguns metros e dá acesso à um pátio que era a área externa da antiga loja de chocolates que funcionava aqui. A loja ficava embaixo e a família morava em cima. Você prefere ver o pátio ou quer ver o interior?

– Vamos entrar. Ela disse tomando coragem, respirando fundo, tentando colocar a maior quantidade possível de ar dentro de seus pulmões.

Juan abriu a porta e uma nuvem de poeira deu boas vindas a eles. O lugar estava escondido atrás de poeira e teias de aranha. Tinham alguns lustres de cristal, também muito empoeirados e as paredes pareciam estar frágeis, com muitas manchas e pedaços faltando. O chão de madeira estava castigado, com muitos arranhões e uma generosa camada de sujeira. Era possível ver o rastro de animais que tinham passado por ali. Apesar de bem vazia, ainda tinham alguns móveis espalhados pelos ambientes. Eram móveis estilo Luís XV, com muito dourado e muito veludo. Uma grande lareira chamava atenção logo que se entrava na casa.

Raissa caminhava lentamente tentando desvendar o lugar. De alguma maneira estranha, apesar das ruínas, algo fazia bem ao coração dela. “Quem será que viveu aqui? Que pisou nesse chão e se sentou em frente à essa lareira? Essa casa já teve muita vida. Eu posso sentir.” Ela pensava enquanto caminhavam. Algumas paredes em tom de vermelho queimado eram decoradas com arabescos de flores. “Quanta história há aqui.” Ela pensava. Eles seguiram caminhando pelos ambientes da casa e na cozinha tinham equipamentos que lembravam uma cozinha industrial, com muitas bancadas e um fogão enorme. Ainda haviam utensílios de cozinha, como colheres, panelas e pratos.

– Esse lugar é enorme. Disse Raissa. Era a primeira fala dela desde que tinham entrado na casa.

– É bem grande mesmo. Além da loja, toda fabricação  do chocolate acontecia aqui. Ele respondeu.

Eles seguiram percorrendo os ambientes e viram os quatro andares do prédio. Alguns cômodos estavam completos, com cama, mesas de cabeceira e sofás. Eram cômodos cobertos por poeira e pelo desgaste do tempo. Pelo caminho tinham restos de chão e resto de teto, com restos de molduras e pedaços de madeira saindo do teto. quanto mais caminhava, mais o coração de Raissa se preocupava. “O que farei com isso? Como vou limpar e recuperar esse lugar? Será que é possível limpar ou recuperar esse lugar?” Eles terminaram o tour pela casa e foram para o térreo onde funcionava a loja de chocolates. Ainda tinham mesas e cadeiras, além de balcões e estantes. As paredes estavam mal tratadas e tinham pedaços de desenhos que pareciam ser restos de arabescos de flores. Os olhos de Raissa brilharam quando ela viu uma caixa registradora que parecia ter uns duzentos anos, em frente à uma cristaleira repleta de louças de porcelana que pareciam lindas e centenárias. Ao ver aquela cristaleira, Raissa tinha a sensação que já tinha vivido ali e um arrepio tomou conta de seu corpo. Ela foi até a cristaleira e abriu com cuidado a porta de madeira com um grande vidro decorado. Ela pegou uma xícara na mão e tirou a poeira. As bordas eram douradas e pareciam ser feitas de ouro e tinham flores desenhadas. Embaixo ela leu: Royal Limoges, mostrando a marca daquela porcelana, que era a mais famosa e tradicional do mundo.

“Que coisas mais lindas embaixo de tantas ruínas. Acabei de achar minha herança. Minha mãe ia gritar de felicidade vendo isso aqui. E aparentemente essa porcelana é minha e é única coisa que sobreviveu nessas ruínas.” Raissa pensava, encantada com aquelas peças de porcelana que pareciam relíquias.

– Está tudo bem Raissa? Perguntou Juan que se mantinha a certa distância enquanto ela explorava o lugar.

Ela respirou fundo.

– Sim! Está tudo bem. Com tanta ruínas, achei uma surpresa encontrar esse tipo de coisa aqui. Ela disse, mostrando a xícara para ele. – Meus pensamentos foram longe. Parece que teve muita vida aqui.

– Parece mesmo. Ele concordou, parecendo ser a pessoa mais paciente do universo.

– Você deve estar precisando ir embora. Já ocupei muito o seu tempo.

– Estou aqui para o que precisar. Podemos ficar aqui o tempo que quiser. Ele respondeu.

– Obrigada por seu apoio Juan.

– Disponha. Ele respondeu.

Ele seguia parado, com seu terno, seus óculos de grau, aparentemente alto, e seu cabelo impecavelmente penteado para trás com gel.

Raissa deixou a xícara de porcelana no lugar que estava, fechou a porta da cristaleira e caminhou até a porta que dava acesso ao pátio.

A parte de fora estava super castigada pelo tempo. Tinham pedaços de concreto faltando no chão, deixando buracos pelo caminho e muito mato crescendo entre o concreto. Restos de terra e plantas secas mostravam que ali tinha existido um jardim muitos anos atrás. Um chafariz grande, desativado, enferrujado e com partes de concreto faltando, era um vestígio do resplendor que aquele lugar parecia ter tido no passado. Tinham muitas folhas secas no chão mostrando que aquele lugar tinha passado, de maneira totalmente solitária, por muitos outonos. A parte de fora trazia Raissa de volta à realidade. Aquele lugar estava extremamente castigado pelo tempo.

– Acho que podemos ir embora. Raissa disse.

– Como quiser. Juan respondeu. – Vou trancar a casa. Me espere lá fora.

Ele foi trancar a casa e Raissa saiu pelo pátio que dava acesso à lateral da casa. Ela percorreu o caminho de pedras no sentido contrário que tinha feito quando entrou na casa. Um misto de sentimentos tomavam conta de seu coração e seus pensamentos reapresentavam todo o caminho que ela tinha percorrido naquela tarde desde a primeira vez que colocou os olhos naquele prédio.

“O que farei com essas ruínas?” Ela pensava, enquanto esperava Juan para ir embora dali.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 19 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

Capítulo 18 – Ruínas

Sabrina Almeida


Sou mãe, filha, esposa, mulher, amiga, confidente, conselheira. Sonhadora, determinada e realizadora. Organizada, mas com um que de caótica. Apaixonada pela vida e pelas pessoas. Intensa! Publicitaria, trabalho desenvolvendo produtos e marcas para deixar as pessoas mais bonitas e felizes. Escrevo porque amo escrever. Minha cabeça está sempre repleta de sonhos e devaneios. Sigo sempre meu coração. Hoje penso mais antes de tomar uma decisão. Encontrei a FELICIDADE, assim todinha maiuscula, nas coisas simples da vida. E escrever é uma delas. Enquanto as pessoas vão para a academia, fazem trilhas, tocam instrumentos musicais, cozinham… Eu escrevo! Esse é o meu hobbie… Escrevo para traduzir o que está no meu coração, sem regras, métodos ou filtros. Escrevo porque me inspira e me faz feliz. Acredito que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de sonhos e devaneios. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: “quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?” E a minha resposta é como vou concluir minha apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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2 thoughts on “Capítulo 18 – Ruínas

  1. Amei e viajei por Barcelona em várias partes… essa frase aqui me tocou docemente “ Tinham muitas folhas secas no chão mostrando que aquele lugar tinha passado, de maneira totalmente solitária, por muitos outonos”

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