Capítulo 19 – Mal Entendido

Quando Ana chegou na sala onde acontecia a recepção dos convidados, atraiu os olhares de todos que estavam ali.

– Uau Ana! Que linda. Está um mulherão. Disse Sebastian de maneira divertida, assim que Ana entrou na sala. – Já tem planos para essa noite? Seguiu brincando com ela.

– Obrigada Sebastian. Sem planos. Exceto jantar com a minha família. Respondeu Ana também em tom de brincadeira.

Mark apenas olhou, não falou uma única palavra, mas seus olhos claramente se impressionaram assim que colocou os olhos e Ana.

– Acho que deveríamos fazer algo hoje à noite depois do jantar. Sair para dançar…. sei lá. Já estou meio entediada e não quero desperdiçar esse look. Convidou Caterine.

– Gosto da ideia. Vamos sair para dançar? Emendou Sebastian.

– Não sei. Na verdade estou bem cansada. Vamos ver como segue a noite. Disse Ana.

– E você, Mark? O que acha? Está tão quieto. O gatou comeu sua língua? Provocou Caterine.

– Estou cansado. Trabalhei muito hoje e tem mais trabalho pela frente amanhã. Não contem comigo. Mark respondeu secamente.

– Você anda trabalhando demais meu amigo. Disse Sebastian.

– Concordo. Mas não vejo outra alternativa devido às atuais condições da família. Respondeu Mark trazendo silencio para o canto da sala onde estavam.

Ana respirou fundo e ainda em silêncio saiu da conversa para ir cumprimentar as demais pessoas e dar uma força para a mãe qua estava nervosa com a chegada de Tibor. Sua saída foi acompanhada pelo olhar atento e misterioso de Mark.

– Oi mãe! Como você está? Animada? Você está deslumbrante! Disse Ana ao encontrar a mãe.

– Ana, me sinto com 20 anos. Estou super ansiosa.

– Mãe! Pessoas de 20 anos podem ser maduras e ter total controle de seus sentimentos. Eu tenho 21 anos. Quase 22. E sou super equilibrada.

– Você pensa que é minha filha! Mas voltando ao Tibor. Não tenho ideia do que falar para ele. De como cumprimentá-lo.

Ana soltou uma gargalhada.

– Mãe! Você está muito engraçada. Deixa eu tentar ajudar. Ele vai chegar e vai cumprimentar todos amistosamente. Inclusive você. Você retribui. Aí provavelmente ele vai se aproximar de você. Vocês não namoram. Trocaram alguns beijos e acabaram de se conhecer. Ele vai ter que começar todo o processo de conquista de novo. Porque é assim que acontece. Dá até preguiça dessa parte. Os dois sabem que vai rolar, mas a mulher exige ser conquistada de novo e o homem se esforça porque quer muito. Daí vocês vão dar uma volta lá fora. Porque ele vai te convidar. E aí vão se beijar e sabe-se lá mais o que. Então relaxa. Vai acontecer naturalmente.

Ilonka olhava perplexa para a filha.

– Quando a minha menina virou uma especialista em encontros e relacionamentos? Perguntou a mãe em tom de brincadeira.

– Quando fui uma das partes envolvidas. Ana respondeu rindo.

– Definitivamente, minha menina cresceu. Como o tempo passa.

– Nem me fale mãe. Agora respira! Porque ele chegou! Disse Ana vendo Tibor entrando.

– E aí? O que eu faço?

– Ele está vindo para cá. Haja naturalmente.

Tibor chegou perto das duas. Cumprimentou Ana com dois beijos no rosto e quando viu Ilonka, sem falar nenhuma palavra, já deu um beijo na boca dela. Ilonka retribuiu, mas não permitiu que o beijo se alongasse demais. Ana ficou espantada. Com olhos quase caindo do rosto e pensava sobre estar totalmente errada em relação ao que pensava que aconteceria entre eles. “Acho que o Tibor é o homem mais decidido e destemido que conheço.” Pensava ela consigo mesma enquanto a mãe recuperava o folego. Depois do beijo, ele finalmente disse algo.

– Como vai Ilonka? Senti sua falta. Não pude evitar dar um beijo em você.

– Vou bem! E você? Posso dizer que fiquei muito surpresa com sua abordagem, mas gostei.

– Então, no fim, fiz bem. Porque nós dois saímos felizes.

– Fez muito bem. Concordou ela ainda retomando o ar.

– Não gostaria de deixa-la mas seria muito mal educado se não fosse cumprimentar as demais pessoas. Então muito contrariado, peço licença.

E assim Tibor seguiu cumprimentando as demais pessoas na sala, como se nada estivesse acontecendo.

Enquanto Ana e Ilonka seguiam tentando se recuperar da cena:

– Meu Deus! O que foi isso? Disse Ilonka. – Nada parecido com sua narrativa minha filha.

– Mãe! Isso foi diferente de tudo que já vi. Os homens de 20 e poucos anos precisam aprender com o Tibor.

E as duas caíram na gargalhada.

Em poucos minutos, Tibor estava de volta e já roubava a atenção de Ilonka toda para ele, fazendo Ana ficar completamente deslocada.

– Senti saudades. Disse ele.

– Foram poucos dias Tibor. Você é um exagerado. Não teve tempo de sentir saudades.

– Você diz isso porque não tem noção como é conhecer alguém como você.

E nesse momento, Ana que já estava completamente invisível, inclusive para a mãe, saiu devagarinho até já não pertencer mais aquele universo.

Ela pegava uma taça de espumante quando Sebastian chegou perto dela.

– O que você está achando de Mad? E do campo? Perguntou ele, a surpreendendo completamente.

– Estou gostando muito mais do que pensei que gostaria. Respondeu ela. – E você? O que acha do campo?

– Eu cresci aqui. Então é quase tudo que conheço do mundo. Mas me mudar para Londres que fez ver novos mundos e não vou negar que me fez muito mais feliz. Mas gosto de voltar aqui de vez em quando. É como voltar para casa.

– Todo mundo precisa voltar para casa. E também acho que a gente precisa de um pouco de silencio….

E nesse momento, Mark os interrompeu.

– Se gosta de um pouco de silencio, está na companhia da pessoa errada. O Sebastian não conhece essa palavra. Disse Mark para Ana enquanto pegava uma taça de espumante.

– Estou aprendendo a apreciar o silencio, caro amigo. Aliás tem muitas novidades sobre mim que precisa saber.

– Mas ninguém pode dar o que não tem, mesmo que muitas coisas mudem. Disse Mark.

– Me dê um exemplo. Esse papo está ficando um pouco filosófico demais para mim. Disse Sebastian, já se sentindo um pouco acuado.

– Quando foi a última vez que namorou por exemplo?

– Cara sei lá. O que tem isso a ver?

– Você nunca levou um relacionamento a serio. Essa seria a resposta. O que isso tem a ver? Tem tudo a ver meu caro. Você é um cara inquieto. Sempre será, mesmo que mude quase tudo aí dentro.

– Nisso você tem razão Mark. Já você…

– O que que tem para falar de mim? Perguntou Mark com certa curiosidade.

– É inquieto de menos! Namora demais. A hora de curtir é agora. Você tem 26 anos e está noivo. Por que? Nem conheceu todas as possibilidades da vida.

– Talvez você tenha razão. Mas estou bem assim. Concluiu Mark.

– Também vivo bem assim. Estou em busca do amor da minha vida. E certamente não será a primeira que me convenceu ser uma boa moça para namorar. Provocou Sebastian tentando impressionar Ana.

– Sabe o que eu acho? Interrompeu Ana. – Acho que esse espumante está delicioso para não brindarmos a esse momento que estamos vivendo aqui e agora. Todos nós estamos em busca. Uns acham logo, ou pensam que acharam. Enquanto outros demoram uma vida para achar, tendo já encontrado antes, mas não percebido. Aí está a graça das coisas. Nunca saberemos as respostas. Nunca saberemos se encontramos. Mas acho que tem algo que acontece com o nosso coração que nos ajuda a olhar para o essencial que acaba nos dando alguns sinais de que chegamos lá… ou de que estamos chegando.

– Você é realmente muito madura para uma menina de 21 anos. Disse Mark totalmente encantado.

– Faço 22 daqui a 6 dias. Deve ser isso.

– E bem engraçadinha para uma menina de quase 22. Brincou Mark dando um lindo sorriso que desobedecia completamente todos os comandos do seu cerebro.

– Tim tim. Disse Ana. – A esse momento.

– Tim tim. Disseram os dois em coro. E nesse momento foram convidados a irem para a mesa de jantar.

O jantar foi servido em uma grande sala que Ana ainda não tinha conhecido. Se aquele lugar lembrava um castelo por tudo que ela tinha visto, no momento em que entrou na sala formal de jantar teve certeza que era um castelo. “Estou dentro de um castelo.” Falava Ana consigo mesma em seus pensamentos completamente admirada.

A sala era muito grande e tinha um enorme pé direito. O teto era em formato catedral com lindos trabalhos de moldura. As molduras de madeira percorriam todas as extensões das paredes trazendo muita classe ao local. A pintura era cinza quase azulada e deixava o ambiente muito sofisticado. Haviam 6 grandes lustres de cristal que pesavam mais de 20 kg cada espalhados pelo teto iluminando a grande mesa, que era o centro de atenção da decoração e ocupava todo o meio da sala. A mesa era enorme, nela cabiam 40 pessoas confortavelmente sentadas, as cadeiras com acabamento dourado e estofados em veludo em tom cinza claro. Haviam pinturas feitas na mesa, que por fim, parecia mais uma obra de arte do que uma mesa. Esse era mais um cômodo com muitos quadros e muitas obras de arte. Um móvel grande servia como aparador para bandejas de garrafas de bebidas e diferentes tipos de copos e taças.

Aquele lugar era impressionante e aconchegante ao mesmo tempo. Como tudo naquela casa.

Quando todos se sentaram, Elizabeth disse algumas palavras:

– Não sei dizer a quanto tempo não usamos essa sala formal de jantar. Deve ter uns 5 anos. Ou mais até. É impressionante como a rotina nos afasta das coisas boas da vida. Esse lugar foi pensado para receber as pessoas queridas, reunir família e amigos. Mas com o tempo ficou grande demais para uma vida de pessoas ocupadas demais, que não tinham mais tempo para utiliza-lo. Precisei ter uma grande perda para olhar de novo para a vida. É uma benção te-los em minha vida. Queria ter estado muito mais vezes com vocês aqui. Obrigada pela presença. E espero reuni-los aqui em breve novamente. A vida precisa ser celebrada todos os dias. Devemos usar os locais reservados para ocasiões especiais com mais frequencia. A vida passa meus caros. Precisamos vive-la. Mais uma vez obrigada a todos. É um presente para o meu coração ver essa mesa cheia. Um brinde aos encontros. Concluiu Elizabeth levantando a sua taça.

Em segundos estavam todos de pé brindando. O brinde inspirador de Elizabeth deixou todos um pouco reflexivos e emocionados. A sala ganhou um silencio confortável. As pessoas estavam assimilando aquilo e trazendo para suas próprias vidas o exemplo.

– “É preciso celebrar a vida sempre.” Acabou dizendo Ana mais alto do que gostaria, revelando seus pensamentos. E foi complementada por Mark.

– E não esperar apenas pelas grandes conquistas.

Ana olhou para Mark com interesse. Aquela frase era dela. Ela queria continuar a conversa, mas ele já estava de volta interagindo com as demais pessoas da mesa.

O jantar seguiu animado com muitas conversas paralelas na mesa. O clima da noite era feliz e a conversa fluía e seguia cada vez mais animada quanto mais vinho era servido.

Depois de uma sobremesa maravilhosa, muitas taças de vinho e uma noite cheia de indulgencias, as pessoas começavam a se despedir. Tibor levou Ilonka para dar uma volta do lado de fora de propriedade. Mark, Ana, Sebastian e Caterine foram para a varanda.

A noite estava quente, mas tinha uma brisa cheirosa, que trazia cheiro de jasmim. Eles seguiam bebendo e começavam a rir alto quando Mark se queixou de cansaço e pediu licença para ir dormir. Caterine foi embora na sequencia. A noite costumava perder a graça para ela quando o Mark não estava. Seguiram na varanda Ana e Sebastian. Já era tarde e todos já tinham ido dormir quando Sebastian tomou coragem e se aproximou de Ana na intenção de beijá-la.

– Ah Ana. Desde que te conheci quero esse momento.

– Que momento? Perguntou ela sem entender.

– Sozinho com você.

– Por…

E nesse momento ele se aproximou para beijá-la interrompendo a fala dela. Ana tentava entender a situação e empurrava ele delicadamente quando Mark chegou na varanda.

– Desculpe! Não queria interromper nada. Estava sem sono e acabei voltando. Mas não deveria ter voltado. Me desculpem mais uma vez. Disse Mark de maneira desajeitada e voltou para dentro da casa sem que ninguém conseguisse dizer nada.

Ana ficou chateada com a situação e resolveu acabar com a noite.

– Acho que estamos confundindo tudo aqui. Melhor irmos dormir. Disse Ana.

– Tem certeza? Talvez não tenhamos mais um momento como esse para estarmos juntos. Vou embora amanhã. Disse Sebastian.

– Mas acho que não deveríamos ficar juntos. Disse ela.

– Não se faça de difícil. Insistiu Sebastian.

– Você não entendeu nada Sebastian. Vamos dormir. Disse ela se afastando dele.

– Vai se arrepender. Disse ele enquanto ela já se afastava.

Quando deitou na cama, Ana lamentou pelo que tinha acabado de acontecer. Ficou chateada com o que o Mark poderia estar pensando. Mas mesmo com o coração cheio de angustia, o cansaço venceu e ela acabou dormindo.

O dia seguinte amanheceu trazendo um gosto amargo para Ana. O excesso de vinho da noite anterior trazia uma conta alta para pagar.

Enquanto Ana tentava conseguir animo para sair da cama, Sebastian e Mark conversavam na mesa do café da manhã.

– Desculpe ter atrapalhado a noite com a Ana. Disse Mark, querendo saber se tinham ficado juntos.

– Não atrapalhou nada. Acabamos ficando juntos mesmo depois da sua interrupção. Ela é um espetáculo. Mentiu Sebastian.

– Então ficaram juntos? Perguntou Mark mais contrariado do que gostaria de parecer.

E nesse momento Ana chegou na varanda onde tomavam café da manhã. Mark deu um bom dia muito seco e se levantou da mesa.

– O que houve com ele? Perguntou Ana.

– Não faço a menor ideia. Respondeu Sebastian. Assim que respondeu ele saiu dando uma mordida em uma maçã sem falar mais nenhuma palavra.

E assim, Ana ficou na varanda sozinha, sem fome, cheia de angustia no coração e com um monte de pontos de interrogação em seus pensamentos.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 20 SERÁ POSTADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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