Capítulo 19 – Quando o silêncio fala

Eles chegaram na casa dos pais de Roberto e Nina se impressionou com a vista do mar já acessível da porta de entrada do apartamento.

– Nina! Um prazer conhece-la finalmente. Disse a mãe, de maneira carinhosa e acolhedora, ao abrir a porta para eles.

– O prazer é meu! Ela respondeu.

– Então essa é a moça que tomou conta do coração do meu filho?

– Sim pai! Essa é a Nina.

– Muito prazer Nina. Você já é famosa por aqui.

– Vocês também já são muito famosos. O Roberto fala muito de vocês. Um prazer conhece-lo.

– Pensamos em sair para jantar por aqui. O que acham? Propôs a mãe.

– Não queremos atrapalhar. Faremos o que acharem melhor. Acabamos vindo antes, pois pegamos chuva no mar. Respondeu Roberto.

– Ah meu filho! Ainda me preocupo tanto, toda vez que você se lança em alto mar. Me desespero toda vez que vejo tempestade se formando no mar.

– Não se preocupe mãe! Por favor, não se preocupe. Tenho juízo.

– Eu sei meu filho. Preparei seu quarto para vocês. Querem um tempo para se arrumar e saímos em 1 hora para jantar, pode ser?

– Pode ser. Obrigado mãe.

A mãe fechou a porta e eles ficaram ali sozinhos.

– Era seu quarto quando você era adolescente? Nina perguntou gostando de conhecer o quarto dele.

– Sim! Esse era o meu quarto.

– Imagino o que essas paredes diriam se falassem. Ela brincou.

– Elas não tem muito o que contar. Poucas pessoas vieram na minha casa. Aqui nesse quarto menos ainda.

– Fico feliz com isso. Ela disse.

– Está com ciúmes do meu passado? Ele disse em tom de brincadeira dando um abraço e um beijo nela.

– Não sei se a palavra é ciúmes.

– Ah Nina. Como gosto de você do jeito que você é.

– Bob! Eu também te adoro assim. E preciso dizer, de novo, como tudo tem sido especial ao seu lado.

– Você foi, disparada, a melhor descoberta da minha vida. Ele disse.

– Eu nunca poderia imaginar que chegaríamos até aqui.

– Por que não? Saiba que eu quis isso no dia que te vi pela primeira vez.

– Jura Bob? Por que? Sem qualquer produção, maquiagem e essas coisas que deixam as mulheres mais bonitas.

– Nina, nunca vou conseguir explicar o que vejo em você.

– Eu consigo explicar o que vejo em você.

– Ah é? Por favor me diga então.

– Vejo um homem lindo, que parece ser bom em tudo que faz e que também parece ser generoso e ter um coração gigante. Ah e parece ter pegada.

– Parece que tenho pegada é?

Aham. Parece! Muita pegada.

– E quando me conheceu, a realidade foi condizente com a expectativa?

– Bom… isso não posso dizer. Preciso manter algum mistério. Mas estou aqui agora, quando poderia estar em qualquer lugar. E tenho tirado a roupa, perdendo o controle, em praias, barcos, locais públicos. Nunca imaginei que alguém poderia despertar isso em mim.

– Nina! Que delícia de mulher você é!

– Uma delícia, sem qualquer opção de roupa para sair com os seus pais hoje à noite. Vou jantar de vestido branco. É tudo que eu tenho. Disse Nina caindo na gargalhada. – Eu esperava ter roupas mais apropriadas para conhecer seus pais.

– Você não precisa de mais nada para encantar quem está por perto. Além de você. Ele disse dando um beijo carinhoso nela.

– Você faz tudo parecer mais fácil. Obrigada por isso Bob.

– Eu vou de branco também! Para combinar com você.

– Você é demais Bob. Me fala um pouco sobre os seus pais.

– Minha mãe, a dona Lia, parece brava, mas tem o maior coração que já vi. Ela é pedagoga e passou a vida cuidando da educação de crianças. Meu pai, o Sr Roberto, é arquiteto. Ele já fez obras importantes aqui no Rio de Janeiro e hoje trabalha com projetos de acessibilidade. Ambos na ativa. Sou filho único, que vim por acidente quando eles tinham acabado de se casar. Depois de mim, meus pais tentaram ter outros filhos por anos, mas nunca mais conseguiram. Chegaram a fazer tratamento, mas nunca aconteceu e assim me tornei filho único. Minha mãe chegou a engravidar mas teve alguns abortos. Eu era pequeno mas me lembro dessa fase de nossa família. Meus pais quase se separaram e hoje vivem um para o outro. Nada como o tempo para colocar as coisas no lugar.

– Sua mãe é linda e super jovem ainda. E ainda bem que você nasceu, mesmo com toda a dificuldade deles.

– Ela foi miss do Rio de Janeiro. Ela sempre foi muito bonita. Ela era muito jovem quando eu nasci. E acho que era para eu vir mesmo para esse mundo.

– Você se parece com ela. Ela disse.

– Todo mundo diz isso. Mas espera… Você está dizendo que sou bonito?

– Você é lindo Bob! E ainda mais aí dentro.

– Você que é linda!

– Bob nós dois de branco será inusitado. Disse ela mudando de assunto.

– Acho que será bem divertido.

– Talvez nos deem feliz ano novo. Ela brincou.

E nesse momento a mãe de Roberto começou a bater na porta.

– Estamos prontos Beto. Vocês demoram?

– Não mãe! Estamos saindo em 1 minuto. Ele disse no momento em que puxou Nina para perto dele. – Mais um beijo, antes de dividir você com todo mundo.

– Você não existe Bob. Disse Nina derretida pelo beijo.

Eles saíram do quarto e encontraram os pais de Roberto na sala.

– Vamos na pizzaria preferida do Roberto! Disse Lia. – Você tem alguma restrição alimentar Nina?

– Não! E adoro pizza.

– Então vamos!

Os quatro saíram juntos e Nina tinha a estranha sensação que conhecia aquelas pessoas há muito tempo. De alguma maneira se sentia em casa ali.

Foram caminhando pela calçada da praia até a pizzaria que ficava a poucos metros do apartamento. Nina, de mãos dadas com Roberto, sentia o vento batendo em sua pele e se sentiu grata. Ela fez uma prece silenciosa expressando toda gratidão que ela sentia naquele momento.

– Por fim, ainda bem que choveu e acabei ganhando a companhia de vocês por mais um dia. Disse Lia, quebrando o silencio, verbalizando o que a fazia sentir gratidão naquela caminhada.

– Eu estou muito feliz de estar aqui mãe. Vou me programar para vir mais vezes.

– Promete? Pediu à mãe.

– Prometo.

– Nina, venham sempre. Traga meu filho mais vezes para casa, por favor.

– Se depender de mim, viremos sempre. Acabo de chegar e me sinto em casa.

– Você já é de casa. Disse Lia de maneira carinhosa.

Eles logo chegaram na pizzaria e sentaram em uma mesa com vista para o mar. A conversa foi farta e variada. Nina seguia se sentindo cada vez mais em casa. Falaram sobre família, e sobre a vontade que Lia e Roberto sentiam de serem avós. Nina se assustava com a possibilidade de ter filhos, mas de uma maneira estranha ela começava a olhar essa possibilidade de uma outra maneira e isso a fazia perder o olhar em Roberto e o amar ainda mais. Ela via o futuro com ele. E ele olhava para ela da mesma forma.

Depois de muita conversa e vinho acompanhados por boa música, produzida por um casal que cantava MPB ao vivo no local, já tarde da noite, eles voltaram para casa.

A noite estava agradável e eles resolveram esticar a caminhada de volta para casa para aproveitar a noite.

Nina, escapou um pouco da conversa e se perdeu em seus pensamentos:

“De repente ter filhos parece ser parte dos meus planos. Meu Deus! Não acredito que estou pensando nisso. Que revolução esse homem está fazendo na minha vida, no meu coração, nos meus pensamentos, nos meus planos, nas minhas certezas absolutas. Eu realmente me vejo para sempre ao lado dele. Vejo ou desejo? Como desejo! Como ele é lindo!” Nina pensava, enquanto seus olhos paravam para admirar Roberto por alguns instantes.

Ela voltou seu olhar para o horizonte antes que ele percebesse os olhares dela. Ele parecia feliz e distraído pela conversa e caminhada na presença dos pais.

Nina seguia ali se conectando com seus sentimentos mais profundos, quando ele interrompeu os pensamentos dela.

– Hey! Está tudo bem? Ficou tão quieta de repente.

– Está tudo mais que bem. Estou pensando no quanto minha vida mudou desde que você chegou.

– Para melhor?

– Para muito melhor.

– A minha vida também mudou muito desde que você chegou. Você me trouxe novas perspectivas. Agora penso o futuro de uma maneira muito diferente. Quero coisas muito diferentes do que eu achava que queria para ser feliz.

– Então estamos muito alinhados. Ela brincou, ainda pensando nos filhos.

– Ainda bem. Ele disse a puxando para um beijo rápido. – Meus pais adoraram você. Ele complementou.

– E eu adorei seus pais.

– Ah Nina! Que super parceira é você. Eu estava pensando no que passamos. Chuva, tempestade em alto mar, mudança de planos, viagem sem mala e roupas limpas, visitar meus pais sem planejamento, mudança de rota. E nada disso te abalou. Você é corajosa, sem frescuras. Fico imaginando minha ex-namorada, desesperada com a tempestade, brigando comigo como se eu fosse dono das chuvas, reclamando de não ter a roupa apropriada para conhecer os meus pais. Você veio com o seu melhor sorriso, encarou a tempestade comigo e toda mudança de planos com bom humor. Você tem me ensinado tanto Nina.

– Nossa Bob! Te ouvindo, pensei em quanto eu poderia estar arruinando esse encontro.

Ele riu e ela voltou a falar.

– As mudanças fazem parte. Não somos donos do tempo, das chuvas ou do que está por vir. Coisas planejadas podem mudar o tempo todo, os problemas podem aparecer, não controlamos nada disso. O que controlamos é nossa reação sobre isso, como sentimos e reagimos. Nesse caso especificamente, tivemos uma noite deliciosa, você me surpreendeu completamente, eu não tinha porque arruinar tudo isso por acontecimentos inesperados que não planejamos. Por fim, do seu lado, não importa a roupa. E vim para me apresentar para os seus pais, e não as minha roupas. Sei lá como explicar. Mas para mim é tudo tão simples.

– Você é maravilhosa Nina. Uma mulher e tanto! Tem uma maturidade impressionante e uma visão leve da vida, mas profunda. Você é demais. Ainda bem que é minha namorada. E…

Ele parou de falar.

– E o que? Ela perguntou curiosa.

– E nada. Muito cedo para te falar isso.

– Fala Bob. Quero saber.

– Um dia Nina.

– Um dia quero saber o que vem depois do “e três pontinhos”.

– Ah você quer saber o que vem depois do “e três pontinhos”?

– Sim senhor.

– Te falarei com prazer.

– Vou esperar ansiosamente.

Eles terminaram a deliciosa caminhada e finalmente estavam em casa, totalmente exaustos, depois de um dia cheio de aventuras, que tinha começado muito cedo.

Na hora de dormir Roberto subiu encima de Nina e começou a beija-la e tirar sua roupa.

– Bob, você não está pensando em transar no quarto ao lado do quarto dos seus pais?

– Me lembro de ter feito a mesma pergunta na casa dos seus pais. E também me lembro bem da sua resposta.

Ela riu e começou a tirar a roupa dele também.

Eles se perderam um no outro e um pouco antes de dormir Roberto disse:

– Eu amo você Nina!

– Eu também Bob. Ela respondeu amando ouvir aquela frase novamente em um contexto onde ele não estava se desculpando. Naquele momento ela realmente acreditou que ele a amava, mesmo em tão pouco tempo.

Roberto dormiu e Nina seguiu ali esperando o sono chegar, repassando os últimos acontecimentos em sua cabeça. As surpresas, o barco, as ilhas, o jantar, a música, o sexo, ele cozinhando para ela, os pais a tratando como se fosse da família e o “e três pontinhos” que não saíam da sua cabeça.

“Será que ele pensou em me pedir em casamento? Que loucura! Isso seria assustador ou romântico? E a conversa sobre netos e filhos? E o fato de eu querer filhos depois que o Roberto chegou. Ah como tudo tem mudado desde que ele chegou. Como pode alguém virar a vida de outro alguém do avesso dessa maneira? Sinto que preciso dele para respirar. Não imagino mais minha vida sem ele. Que sentimento é esse meu Deus? Eu nunca senti isso antes! Eu nem sabia que esse tipo de sentimento existia na verdade.” Ela pensava quase em voz alta, quando pegou no sono.

A noite pareceu passar em um piscar de olhos e Nina acordou com carinhos de Roberto.

– Bom dia! Meus pais querem ir dar um passeio na praia. Quer sair ou prefere dormir mais um pouco?

– Vamos sair! Que horas são?

– 10h.

– Eu acabei dormindo bastante. Por que não me acordou?

– Por que você precisa descansar e aproveitei para aprovar um roteiro que estava pendente desde ontem.

– Vou me apressar.

– Não precisa. Meu pai está terminando algo de trabalho e minha mãe pintando. Ninguém está com pressa. Fiz panquecas para você.

– Que delícia. Ela disse realmente se animando para sair da cama. – Cozinhando assim para mim, vou terminar os próximos meses rolando.

Ela chegou na copa onde o café da manhã estava servido. O lugar tinha uma vista de cair o queixo e o mar parecia infinito dali. O dia estava ensolarado e a água cristalina estava muito azul.

Ela se sentou e ele a serviu.

Ela comeu em expectativa.

– Que delícia! Nunca ninguém me alimentou tão bem Bob! Nem minha mãe. E essa vista? O mar está quase azul turquesa.

– Que bom que gostou. Sempre que venho, faço panquecas para os meus pais. E sobre a vista, tive sorte de ter um belo cenário de fundo hoje.

– Você é muito bom na cozinha. Para todas as refeições. Já fez, jantar, almoço e café da manhã para mim.

– Só cozinho para pessoas especiais.

– Que privilégio, o meu. Obrigada por todas essas refeições Bob.

– Eu que agradeço pela inspiração.

E nesse momento o telefone de Roberto começou a tocar. Ele olhou o visor e ignorou a ligação.

– Você não vai atender?

– Não! É do trabalho.

E o telefone tocou novamente.

– Parece urgente. Nina disse comendo a terceira panqueca.

– E isso está parecendo gostoso. Ele disse achando graça da vontade com que ela comia a panqueca.

O telefone começou a tocar novamente.

– Acho melhor atender. Ele disse. – Alô.

– Oi Beto, tudo bem? Disse a mulher do outro lado da linha.

– Tudo Clarissa! E você?

– Me desculpa te ligar no sábado, mas preciso da sua aprovação no roteiro para eu enviar para a agência.

– Acabei de enviar minhas observações por email. Você não recebeu?

– Recebi sim! Mas queria falar pessoalmente. Você se importa de encontrarmos a tarde para falar dos ajustes? Podemos ir em um café.

– Estou no Rio. Não consigo resolver nada pessoalmente. Veja meu email e qualquer problema me liga. Pode ser?

– Pode. Uma pena. É sempre rico quando temos oportunidade de falar sobre os roteiros pessoalmente.

– Falamos na segunda. Estou disponível no telefone, para o que não puder esperar. Ok?

– Ok! Desculpe incomodar.

– Sem problemas.

– Beijo Beto!

– Outro para você. Até segunda. Ele disse e desligou o telefone.

Nina olhava para ele sem falar nada.

– O que foi? Tudo bem? Ele perguntou com receio de que ela estivesse brava por ser Clarissa no telefone.

– Tudo bem! Estou pensando se como a quarta panqueca.

– Você não existe Nina. Coma quantas panquecas quiser. Aproveite. Ele disse, se sentindo aliviado por ela não ter se importado com a ligação de Clarissa.

– Bom dia Nina! Disse Lia entrando na copa. – Dormiu bem?

– Bom dia Lia, muito bem. Sua casa é uma delícia.

– Saímos para um passeio em 30 minutos. Pode ser? Quero leva-los para almoçar em um dos meus lugares preferidos aqui.

– Me deixa tentar adivinhar…. o restaurante Mirante da Beca? Disse Roberto em tom de brincadeira.

– Acertou! E saiba que eles reformaram o deque e colocaram vidros grossos no lugar dos ferros que usavam de guarda-corpo. Seu pai aprovou a mudança. Ficou muito moderno e bonito.

– Saudades de lá! Opção para almoço totalmente aprovada. Roberto disse de maneira carinhosa abraçando a mãe.

– Nina, acho que você vai gostar de lá. Vamos caminhando pela praia e voltamos de barco. Seguiu falando Lia.

– Que legal! Me parece um excelente passeio. Ela disse, realmente animada,

– E é! Felicidade garantida. Paisagem linda, boa carta de vinhos e comida boa. Lia empolgou-se.

– A Dona Lia sabe apreciar as coisas boas da vida. Disse Roberto.

– A vida é uma só, meu filho.

– Está certa mãe!

– Vou me trocar. Disse Nina.

– Boa ideia. Vamos nos arrumar para sair em 30 minutos. Pode ser? Propôs Lia.

– Pode! Disse Nina correndo se arrumar.

Nina foi para o quarto e seguia se sentindo cada vez mais em casa.

“Parece que estou em casa!” Ela pensava enquanto colocava o biquíni. Acho que pertenci a esse lugar em outras vidas.” Ela ria de si mesma, no momento em que terminou de passar seu batom vermelho na frente do espelho. “Acho que conheço o Bob de outras vidas. Como eu gosto desse homem. Como me sinto em casa quando estou com ele.”

– Mais uma rodada de panqueca pelos seus pensamentos. Disse Roberto a surpreendendo.

– Não conto nem pelas panquecas. Ela brincou.

– Fazendo suspense sobre os seus pensamentos?

– Melhor assim, ou você vai acabar ficando convencido.

– Então estava pensando em mim!

– Não conto!

– Pronta?

– Sim! Pronta.

– Então vamos! Ele disse estendendo a mão para ela.

Nina saiu de casa com o mesmo biquíni e saída de praia que tinha usado no dia anterior. Ela estava a dois dias alternando um biquíni, uma saída de praia, um vestido branco e a roupa que tinha usado depois do banho na sexta. Ela achava graça de estar tendo que usar as mesmas roupas consequentemente e sentia um certo alívio de isso não ser um problema para ela.

Eles caminhavam pela praia quando o celular de Nina tocou anunciando a ligação do irmão.

– Oi Cadu.

– Oi Nina! Tudo bem? Pode falar?

– Tudo bem! Estou caminhando na praia com o Roberto e os pais dele. Está tudo bem por aí?

– Tudo bem por aqui! Te ligo amanhã então. Não vou atrapalhar a sua caminhada. As meninas querem falar com a tia Nina. Querem saber se comprou a passagem para vir para cá.

– Ainda não Cadu, mas estou monitorando os preços e pedi para receber uma mensagem quando os preços melhorarem. Eu vou em julho! Prometo. O Roberto me convidou para passar um tempo com ele nos Estados Unidos. Ele vai filmar por alguns meses lá. Talvez eu vá direto de lá.

– Nina que legal! Sua vida está mudando minha irmã. Você está feliz?

– Andando em nuvens.

– Você merece.

– E por aí? Como estão todos? Ela perguntou.

– Tudo bem! Ficamos em casa esse final de semana, depois de passar os últimos 6 finais de semana fora. Conseguimos descansar.

– Vocês viajam demais.

– A vida é uma só irmã. Você precisa começar a desbravar o mundo que você tanto sonha conhecer.

– Eu sei! Vou começar esse ano! E preciso te dizer que até o final do ano, compro meu apartamento. Consegui juntar uma boa grana.

– Fico feliz e orgulhoso. Agora vá aproveitar seu passeio. Te ligo amanhã junto com as meninas.

– Combinado!

– Te amo Nina.

– Te amo Cadu.

Nina sentiu uma felicidade enorme de falar com o irmão. A felicidade era ainda mais feliz quando ela compartilhava com ele.

– Era o Cadu! Nina disse para Roberto com um enorme sorriso no rosto.

– Você sempre fica radiante quando fala dele.

– Nossa relação é realmente muito especial. As meninas queriam falar comigo. Combinei de falarmos melhor amanhã à noite.

– Por falar no seu irmão. Comprou sua passagem?

– Ainda não.

– Precisa comprar. Os preços tendem a aumentar com o tempo.

– Eu sei.

– E nossa viagem para os Estados Unidos é em 1 mês. O que você está achando disso?

– Sinto frio na barriga.

– Por que?

– Por tudo. A mudança de vida, não ter meus trabalhos, que mesmo que temporários, são frequentes, viver sem planejamento. Isso tudo. Considerando que depois vou para Portugal, vou ficar quase 3 meses fora de casa. Mas e quanto a você? Como está com a ideia de ir gravar em Hollywood?

– Devo confessar que isso é uma grande realização. Estou muito ansioso.

– Está sentindo frio na barriga?

Ele riu.

– Acho que posso chamar de frio na barriga.

– Será demais Bob. E estive pensando. Posso ter trabalhos temporários lá e ganhar em dólar.

– Nina, você não existe. Pode mesmo. Ele respondeu, achando graça.

– Já fiz uma lista de coisas que posso fazer para ganhar dinheiro lá. Passear com cachorros, atender em cafés, cuidar de crianças. Enfim, tenho uma lista.

– Você colocou na sua lista coisas como: namorar, conhecer novos lugares, caminhar na praia?

– Isso não coloquei na lista. Estou esperando que me surpreenda Bob!

– Pode deixar comigo. Ele disse a puxando para perto dele e dando um beijo nela.

Eles seguiram por mais uns metros em silencio e se aproximaram dos pais de Roberto que andavam de mãos dadas um pouco mais à frente.

– Mãe, essa caminhada é ainda mais gostosa do que eu lembrava.

– Acho que a companhia ajuda meu filho. Ela respondeu olhando carinhosamente para Nina.

– Nisso você tem razão mãe.

– Fico tão feliz em ter ver feliz meu filho.

– Estou mesmo, muito feliz.

– Eu estava falando aqui com o seu pai e vamos tirar férias, para passar alguns dias com você nos Estados Unidos. Queremos fazer uma viagem de carro pela rota dos vinhos e vamos passar uns dias com você. Estamos tão orgulhosos de você.

– Mãe, você faz tudo parecer ainda mais especial.

– As mães tem esse dom. Disse Nina.

– Acho que será uma ótima mãe Nina. Lia disse. – Você quer ter filhos?

– Não é uma coisa que eu pense muito. Mas estou aberta a essa possibilidade.

Roberto se surpreendeu.

– Ah está é? Ele perguntou.

– Vamos dizer que estou deixando algumas certezas absolutas para lá. Ela disse.

– Amo você Nina! Ele disse, se declarando na frente dos pais.

Ela corou.

– Eu também Bob.

– A mamãe disse que o Sr Roberto aprovou a renovação do restaurante do Mirante. Roberto disse mudando de assunto.

– Meu filho, eles fizeram um bom trabalho lá. Valorizaram o lugar através da arquitetura. Disse o pai, concordando.

– Estou ansioso para ver.

– Mudou muito meu filho. Mas a comida e o vinho seguem os mesmos.

– Só mudanças boas?

– Só mudanças boas.

Depois de pouco mais de 1 hora de caminhada eles chegaram ao restaurante que era acessível através de um elevador panorâmico.

– Uau! Disse Nina enquanto o elevador subia, deixando escapar o que estava nos seus pensamentos.

– Aqui é lindo demais, né Nina? Disse Lia.

– Lindo demais Lia! Ela respondeu cada vez mais encantada.

Quando chegaram ao lugar, a vista impressionante deixou Nina sem fala.

– Que lugar lindo meu Deus. Ela disse.

– Eu amo esse lugar. Os meninos brincam comigo porque sempre quero vir aqui. Mas me diga se não é um espetáculo?

– Já virou meu lugar preferido também. Nina brincou.

– Espere até provar a comida! Lia disse feliz por Nina estar gostando até ali.

Eles sentaram na melhor mesa do lugar. A vista era estonteante, a conversa seguia farta e variada. A comida de fato surpreendeu o paladar de Nina e naquela tarde ela estava experimentando todos os seus sentidos.

Eles ouviam a música, enquanto aguardavam a sobremesa e Roberto interrompeu os pensamentos de Nina que foram para longe enquanto ela aproveitava aquele monte de sensações boas.

– Está tudo bem? Ele perguntou.

– Estou muito bem. Pensando sobre como a vida pode ser boa.

– Que bom que está feliz, meu amor.

– Estou mais do que feliz.

– Mais do que feliz? Ele disse surpreso, com um grande sorriso no rosto.

– Estou me sentindo em casa. Parece que encontrei o meu lugar no mundo, Bob.

Ele a abraçou e deu um beijo nela. No silencio dele era possível ouvir e sentir a sua felicidade com o que tinha acabado de ouvir.

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