Capítulo 19 – Recobrando os Sentidos

Malu acordou assustada, quase berrando, com o corpo encharcado de suor. Olhou para o relógio. Eram 4 horas da manhã. Tinha tido um pesadelo. Ela perdia o Pedro. Ele era tirado dela no meio de um beijo. Já acordada ela lembra da última revelação de Pedro. Ele seria pai de um filho de Diana. Ele sempre quis pai, devia estar muito feliz. Não foi só um pesadelo. A realidade batia à sua porta. O Pedro estava mesmo indo embora. Seus pensamentos confirmam a dura realidade: Ele nunca será meu. Logo agora que estávamos tão perto. Pensava Malu. E de repente ela estava mergulhada em lágrimas.

Por mais que tentasse, não conseguia dormir de novo. Viu o dia nascer através de seus olhos encharcados de lágrimas. Assim que escutou barulho pela casa, se levantou e se arrastou até o chuveiro. Ela precisava parecer bem para sua família. Não queria falar sobre o motivo da sua tristeza.

Tomou café da manhã e as panquecas feitas pela sua mãe contribuíram para seu coração dar uma trégua e ela sorriu de verdade porque se sentia feliz ali.

Logo depois do café Malu foi para casa. Estava há tempo demais longe da sua casa e precisava organizar um monte de coisas. No caminho para casa ligou para Betsy, mas ela não atendeu. Com a chegada de novembro os preparativos do casamento tomavam seus finais de semana completamente e por isso há dias Malu não conseguia se encontrar ou conversar com ela. Ligou para Grazy, que não podia falar porque estava fazendo sexo 24 horas por dia com seu italiano que iria embora para a Itália em novembro. Ela se sentia sozinha. Suas melhores amigas super ocupadas vivendo o amor e ela se distanciando cada vez mais dele. Ligou para Vitor, mesmo sabendo que ele estaria ocupado como acontecia em todo final de semana com sua doceria gourmet. Ele atendeu na hora:

– Oi meu amor? Tudo bem? Está de volta? Atende Vitor super animado.

– Oi! Tudo bem e você? Estou de volta. Está ocupado? Pode falar?

– Estou terminando de decorar uns doces maravilhosos com frutas para uma festa de noivado. Naked cake lindo de morrer! Trufas e docinhos com uvas e morangos. Estou tão orgulhoso. Vou fazer umas fotos. Mas estou quase acabando. Posso falar sim.

– Que orgulho de você! Deve estar tudo muito lindo mesmo. Como tudo o que você faz. O que tenho para falar será bem rápido na verdade.

– Você não parece feliz. Não foi bom o seu final de semana?

– Foi maravilhoso e esse é o problema.

– Como assim meu bem?

– Longa história. Podemos nos ver mais tarde e te explico?

– Claro. Venha jantar comigo no restaurante.

– Te encontro mais tarde. Obrigada por estar sempre a postos para me ajudar.

– É um prazer para mim. Afinal você é minha melhor amiga.

– Nos vemos mais tarde. Te amo Vit.

– Também te amo meu bem. Até mais tarde

Malu passa o domingo organizando sua casa. Arruma armários, vai ao supermercado. No final do dia, arruma forças para tomar um banho e se vestir para ir encontrar Vitor no restaurante.

À caminho do restaurante toca o seu celular. É Pedro ligando. O coração de Malu se apertou na hora, mas ela preferiu não atender o telefone. Na sequencia chega uma mensagem dele.

“Sei que você tem motivos para não falar comigo. Mas estou precisando muito de você. Estou perdido. Não sei o que fazer.”

Ela sente o seu coração apertado, mas não responde a mensagem.

Ela chega no restaurante e Vitor a recebe com um copo de suco de maracujá e um prato de bruschetas de tomate. Ela se sente totalmente bem recebida e amada.

– Me diga, meu bem. O que está te angustiando tanto? Pergunta Vitor.

– Transei com o Pedro. Tivemos vários momentos incríveis na Bahia. Terminei tudo com o Felipe. Não tinha como ter nada com ele, nem com ninguém, depois do que vivi com o Pedro. Nós falamos em resolver nossas situações. O que aconteceu entre a gente foi intenso e incrível. Pelo menos foi para mim e sinto que para ele também. Ela segue contando com riqueza de detalhes tudo o que tinha acontecido.

– Uau. Vocês vão namorar. Isso deveria te fazer feliz. Interrompe Vitor empolgadíssimo.

– Não vamos namorar. A mulher que ele está saindo, com quem supostamente ele ia terminar tudo nesse final de semana, está grávida dele. Esperando um filho, que ele tanto quer.

– Como assim grávida? Quantos anos ela tem? Não sabe evitar uma gravidez? E ele? Como deixou isso acontecer? Meu Deus. Não sei o que te dizer. Vitor diz muito bravo.

– Nada disso importa. Ele sempre achou ela especial. Ele sempre quis ter filhos. E eu estou arrasada. Logo agora… A fala dele era cheia de promessas.

– E o que você vai fazer quanto a isso? O que ele te disse? O que ele vai fazer? Vai casar com ela?

– Eu não sei. Ele me contou que ela está grávida, mas nada mais. Acho que nem ele sabe o que vai fazer.

– Mas você sabe o que você vai fazer? Talvez ele espere algo de você. Não?

– Eu não tenho o que fazer. Vou abrir mão dele e incentivar ele a apoiar a Diana. Acho que eles devem ficar juntos.

– Você não ficaria com ele se ele tivesse filhos?

– Claro que ficaria. Mas ele não tem. A potencial namorada está grávida nesse momento e isso muda tudo. Receberia muito bem os filhos dele. Mas não vou arruinar a chance desse bebê ter uma família.

– Que altruísta. Ele é o seu amor. Você não vai lutar por ele?

– Não tenho força para isso. De verdade. Nunca me senti tão impotente na minha vida. De repente nem sei mais o que é certo. Acho que lutar por ele não seria certo.

– Vocês não se falaram mais?

– Não. Ele me ligou hoje e me enviou um mensagem. Mas não atendi e não respondi. Não tenho ideia do que falar para ele.

– Mas você nem sabe o que ele vai te dizer. Dá uma chance. Se não souber o que responder, peça um tempo e simplesmente, não responda. Mas não abandone ele agora. Pense no seu amigo querido que precisa de você agora.

– Você tem razão. Vou ligar para ele.

Malu liga na hora para Pedro. O telefone toca várias vezes até que ele atende:

– Oi! Diz ele.

– Oi! Como você está?

– Precisando conversar. Mas não posso falar agora.

– Você está com a Diana?

– Sim.

– Falamos amanhã então. Beijos. Diz Malu desligando o telefone.

Malu se despede totalmente arrasada, tanto que Pedro consegue perceber a tristeza dela através do telefone. Ela desaba a chorar.

– O que foi meu bem? Pergunta Vitor.

– Ele estava com ela. Não podia falar. Ele está com ela! Perdi o Pedro no momento que achei de ia tê-lo. O amor não é para mim.

– Não fala bobagem. Vocês vão conversar e vão acertar as coisas. Tenho certeza. Agora vamos jantar?

– Sim. Vamos jantar. Malu responde enxugando as lágrimas.

– E o que você quer comer?

– Nem ideia. Sem fome na verdade. Me surpreenda.

– Gostei! Vou te surpreender. Vitor dá uma risada amarga, morrendo de pena da amiga e vai para a cozinha buscar o jantar deles.

Vitor volta com 2 pratos de ravióli de mussarela com molho de tomate ao sugo acompanhados de 2 taças de vinho. Eles mudam de assunto e falam sobre a passagem da Valentina na vida dele.

– Você esqueceu a Valentina? Passou a vontade de sexo com ela? Acha que acabou para sempre?

– Acabou para sempre. Passou a vontade. Me despedi dessa história assim que entreguei aqueles doces. Me senti tão mal pelo Edu. Nunca mais vou fazer algo parecido com isso. Vou me casar e começar uma família.

– Nem me fale em família. Brinca Malu.

– Ok! Vou me casar e protagonizar um romance de cinema.

– Melhor assim. Também vou buscar um romance. Desses arrebatadores.

– Isso mesmo.

Já no final do jantar, perto das 22h Pedro liga, mas Malu não atende.

– Por que não atendeu?

– Porque estou muito chateada. Não vou me conformar com os restos. Não vou ser a outra que ele procura quando deixa a namorada em casa.

– Você quem sabe meu bem. Mas acho que você está exagerando um pouco.

– Pode ser. Mas agora é assim que estou me sentindo.

– Isso vai passar.

– Tomara que passe logo… Bom está tarde. Preciso ir dormir.

– Preciso voltar para a cozinha, fiquei tempo demais aqui. Se cuida meu amor. Obrigado pela companhia.

– Obrigada por tudo. Ainda bem que tenho você na minha vida.

Malu dá uma abraço apertado em Vitor e vai embora tão triste quanto tinha chegado. Ele volta para a cozinha morrendo de tristeza pela amiga. E mal ele retoma suas atividades para encerrar o expediente e o gerente diz que tem uma pessoa procurando por ele no salão.

– Como assim? Quem é?

– Não sei. Não perguntei.

– Vou lá ver. Desse jeito só vou embora amanhã. Diz Vitor tirando o avental que tinha acabado de colocar.

Ele vai até o salão e se depara com Pedro esperando por ele.

– Oi Pedro. Tudo bem? Diz Vitor surpreso.

– Desculpa aparecer assim. Mas achei que a Malu pudesse estar aqui. Estou ligando para ela e ela não me atende.

– Na realidade ela estava, mas saiu agora há pouco.

– Como ela está?

– Triste. Muito triste.

– Não sei o que fazer.

– Eu posso imaginar. Não sei o que faria no seu lugar. Dê um tempo para ela.

– Obrigada Vitor. Melhor ir para casa. Boa noite.

– Boa noite Pedro. Boa sorte para vocês.

Pedro faz um aceno de cabeça para Vitor e vai embora tão triste quanto Malu estava quando foi embora alguns minutos atrás

Pedro desvia o caminho e antes de ir para casa, passa na frente do prédio de Malu, mas não liga mais para ela. Vê que as luzes estão apagadas e deseja estar ali dormindo ao lado dela. Ele não suporta a ideia de ir para casa e resolve ir para a casa do seu melhor amigo.

– Oi cara, tudo bem? Diz Fabio abrindo a porta.

– Desculpe o horário e por aparecer assim sem avisar.

– Sem problemas. O que aconteceu?

– Transei com a Malu na Bahia. Estava disposto a começar uma história com ela. Foi demais. Funcionamos bem juntos. Gosto demais dela. Minha vida é melhor com ela. Mas a Diana me contou ontem que está grávida.

– Cara. Não sei nem o que te dizer. Você não precisa ficar com a Diana se não quiser só porque vai ter um filho com ela.

– Cara. Claro que preciso. Preciso ao menos tentar dar uma família para esse bebê que vai nascer. Estou feliz com a ideia de ser pai, mas acho que a hora não poderia ser pior. Está muito difícil abrir mão da Malu e não queria ter me envolvido em uma história tão séria, assim tão cedo. Com uma mulher que acabei de conhecer.

– Pensa Pedro. Não precisa resolver nada agora. Como está a Diana?

– Feliz! Ela queria muito um filho e me disse que não precisa de mim, se eu não estiver preparado para assumir eles. Disse que entende que tudo aconteceu muito rápido e muito cedo. Cara a gente mal se conhece, faz 4 meses que estamos saindo. Ela tem razão. É muito cedo.

– Continuo achando que você pode ser um grande pai, sem necessariamente casar com alguém que você não ame.

– Eu gosto dela.

– Você não ama ela. Gostar às vezes não é suficiente. Sei que é tarde e amanhã trabalhamos cedo, mas acho que precisamos de uma dose de uísque para ajudar a colocar a cabeça no lugar. Você tem deixado até minha vida mais emocionante nos últimos meses. Diz Fabio servindo os copos com doses duplas de uísque puro.

– Nem me fala em emoção. Sinto minha vida muito emocionante também. Mais do que eu gostaria.

– Você está namorando oficialmente a Diana?

– Sim.

– A Malu já sabe?

– Ainda não. Imagina que sim, eu acho. Ela me aconselhou a me dedicar para essa história.

– Ela deve estar bem triste.

– Não me deixe pior do que já estou Fabio.

– Ok! Vamos brindar a sua paternidade então! Parabéns Cara. Meio fora de hora, mas um filho é sempre motivo para comemorar.

-Valeu Cara.

Pedro tentava ver o copo meio cheio. Diana era uma mulher legal e ele gostava dela. Mas seu coração não conseguia responder aos estímulos racionais. O coração dele se enchia de felicidade quando estava com Malu. E de repente, por culpa dele, a Malu estava indo embora e ele não podia fazer nada quanto a isso.

Perto da meia noite, depois de algumas doses de uísque, Pedro se despede do amigo com um abraço forte e agradece a parceria de sempre. Na volta para casa, passa de novo na frente da casa de Malu. Dessa vez, encontra a luz do quarto dela acesa. Ele para na porta e pega o celular para ligar para ela.

O celular mostra que já é meia noite e ele pondera. Poderia deixar para amanhã. Não era sensato ligar para ela naquele horário. Mas a racionalidade simplesmente desaparece e alguns minutos depois de ficar parado ali, resolve ligar e tentar dizer para ela tudo o que está sentindo.

Malu está lendo, porque não consegue dormir com tudo que se acumulou na sua cabeça. Os livros sempre ajudam a esvaziar sua mente e a partir daí colocar tudo no lugar. Ela precisa desesperadamente se apaixonar por uma história. Escolhe Orgulho e Preconceito da Jane Austen. Pensa que uma história improvável e quase impossível com final feliz, pode trazer alguma esperança de felicidade em sua vida. Está dando certo. O livro a envolve. Ela está entregue à sua nova obsessão. Não consegue parar de ler. Quando é interrompida pelo seu celular.

Ela pega o celular e vê a chamada de Pedro. Ele estava insistindo e para ligar a essa hora, deveria estar muito aflito. Ela pensa em não atender, mas se compadece e pensa no amigo e não no amor impossível que partiu seu coração. Quando parece que ela não vai mesmo atender, finalmente atende, para o alívio de Pedro.

– Oi!

– Oi! Tudo bem?

– Tudo bem Pedro e você?

– Tudo mais ou menos. Pedro responde e fica em silêncio.

– Você não me ligou para saber se está tudo bem comigo. Diga Pedro. O que você quer falar?

– Estou confuso.

– Imagino.

– Posso subir?

– Você está aqui?

– Sim! Na porta do seu prédio há alguns minutos.

– Claro! Suba. Moramos em São Paulo. Nunca te disseram que é perigoso ficar na rua a essa hora?

Malu se despede de seus personagens agradecendo a eles terem trazido calma para o seu coração. Fecha seu livro e vai abrir a porta para o Pedro.

– Ainda bem que você atendeu. Eu não ia conseguir dormir sem ver você. Ele diz assim que ela abre a porta e se joga nos braços dela. Era a primeira vez que o Pedro precisava ser abraçado. Até hoje foi o abraço dele quem confortou Malu.

Malu recebe o Pedro com todo o seu amor e fica abraçada a ele durante todo o tempo que ele deseja. Ainda preso no abraço dela, ele diz:

– Ah esse cheiro. É meu cheiro preferido no mundo.

– O seu cheiro também é um dos meus preferidos no mundo. Vem aqui, vou fazer um chá para você e a gente conversa sobre tudo o que você quiser.

Eles se sentam na cozinha e enquanto Malu prepara o chá Pedro a observa. Seus pensamentos percorrem o passado e as imagens de todos os momentos incríveis que teve com ela invadem sua mente. Essas lembranças fazem bem para ele.

Malu serve uma xícara de chá para ele, uma para ela e se senta na mesa em frente a ele.

– Diga Pedro. Fale tudo que precisa falar. Você vai se sentir melhor.

– Não quero perder você.

– Você não vai me perder.

– Vou sim. Tenho certeza que você não vai querer ficar comigo com essas complicações todas.

– Pedro. Eu estou aqui com você de madrugada na minha cozinha. Não duvide do amor enorme que sinto por você. Mas realmente, não vou fazer com a Diana o que seria cruel fazer com qualquer pessoa. Sua namorada está grávida e você deveria de verdade tentar dar uma família para esse bebê que vai nascer.

– Concordo. Mas você acha que eu deveria sacrificar minha felicidade? Não amo ela.

– Você fez um filho com ela. Alguma coisa boa você sente por ela.

– Gosto dela. Ela é uma mulher incrível. Mas não é a mulher da minha vida. Não quero me casar com ela. Conheço ela há 4 meses.

– Pedro. Não sei o que te dizer. Mas não tem a menor chance continuar a nossa história como amantes.

– Começamos a namorar ontem. Eu sabia que era a coisa certa a fazer. Mas não estou feliz com nada disso. Foi muito repentino. Quero filhos, mulher e família, mas não assim. Não com ela.

– Como você deixou isso acontecer?

– Também não sei. Um tremendo vacilo. Uma única vez. Ela me disse que estava começando uma noiva pílula. Arrisquei.

– Pedro não sendo racional. Essa é novidade para mim. Fala sério Pedro. Você arriscou demais.

– Eu sei. Vacilei. O que você acha que devo fazer?

– O que eu acho?! Sei lá o que achar disso tudo. Se eu fosse ela ia querer casar com você e começar a minha família. Se você fez um filho, precisa assumi-lo e ser o melhor pai que puder. Isso inclui ser presente e acho que dar uma família para ele.

– E quanto a nós dois?

– Nós dois vamos encontrar uma maneira de seguir um na vida do outro depois de tudo o que aconteceu. Mas agora você é um homem comprometido e isso muda tudo.

– Não sei se vou conseguir não beijar você.

– Você tem uma namorada. Não existe a menor chance de eu ser a outra. E por favor. Você precisa ao menos tentar se dedicar à sua relação com a Diana.

– Você não está brava?

– Estou possessa.

– Desculpe.

– Você não precisa me pedir desculpa. Afinal você não me enganou. Vamos seguir em frente?

– Sim. Vamos seguir em frente. Amigos?

– Sim! Grandes amigos. Como sempre.

– Você é a mulher mais incrível que eu conheço.

Malu dá um sorriso triste para ele. Por dentro sua vontade era de gritar. Que merda você fez com todas as nossas possibilidades. De repente um silêncio triste se instala na cozinha enquanto os 2 se olham e Malu interrompe o silêncio:

– Pedro, está muito tarde. Acho que deveríamos ir dormir.

– Você está me convidando para dormir aqui?

– Não! Estou dizendo que você deveria ir para a sua casa. Engraçadinho.

– Estou te testando. Quero ver se você é consistente.

– Vamos! Amanhã continuamos.

Pedro se levanta e sua vontade é agarrar Malu, beijar o corpo todo dela e levá-la para a cama. Mas se mantém firme em seu compromisso de ser novamente um grande amigo dela. Ela caminha em silêncio ao lado dele. Seu corpo inteiro deseja ele e briga com seu lado racional que estabeleceu esse tipo de relação entre eles.

Ele dá um beijo em sua bochecha e diz boa noite. Caminha para o elevador sem olhar para trás. Na hora que ele está entrando no elevador, finalmente quebra novamente o silêncio:

– Obrigado por ter me recebido. Eu precisava muito saber que estava tudo bem com você em relação a tudo o que aconteceu.

– Eu também precisava dessa conversa. Vamos ficar bem. Você vai ver.

– Vamos! Diz Pedro já sumindo no elevador.

Malu fecha a porta e caminha para o quarto. Sua vontade é de chorar. Mas se mantém firme. Seus pensamentos gritam com ela no seu quarto escuro, mas antes que possa entender o que quer dizer cada pensamento, acaba caindo no sono.

O dia invade o quarto e Malu acorda exausta com a sensação de que um caminhão tinha atropelado ela. Se arrastou para fora da cama. Fez o que sempre faz em suas manhãs de trabalho, voltando a sentir pena dela mesma. Resolveu colocar música, para ver se animava a sua manhã. No ipod tocava Nada pra Mim e enquanto ela se olhava no espelho pensando em que cor de batom passaria, acabou encarando sua realidade e recobrando os sentidos. E ela resolveu parar de sentir pena de si mesma e resgatar a mulher forte e radiante que ela sempre foi. Ela disse para o seu reflexo no espelho: – Vamos para frente para Malu. Ele é seu chefe. Nunca daria certo mesmo. Você precisa arrumar uma nova maneira de ser feliz. E isso começa com a escolha do batom. Você precisa de uma cor alegre e sexy. Hoje você vai trabalhar de batom vermelho!

Aquela resolução na frente do espelho mudou seu dia. Ela chegou mais bonita do que nunca no escritório. Assim que deixou suas coisas na mesa subiu para pegar um café. Era a sua maneira de começar o seu dia. Como tinha muita coisa para fazer, foi tomar o café em sua mesa. Está distraída lendo seus emails quando chega uma mensagem de Pedro no messenger interno.

– Oi! Bom dia.

– Bom dia.

– Você poderia vir até a minha sala por favor?

– Pedro estou um pouco ocupada agora e acho que já dissemos tudo um para o outro essa madrugada. Malu responde deixando claro que queria manter uma relação profissional com ele.

– A Rebeca está aqui e precisamos conversar com você.

– Ah Ok! Desculpe. Estou indo. Malu se levanta morrendo de vergonha.

Ai que vergonha. A conversa era de trabalho. Onde está meu juízo meu Deus? Pensava Malu, envergonhada, enquanto caminhava para a sala dele.

Assim que ela entrou na sala foi recebida com cordiais cumprimentos de Pedro e Rebeca.

Rebeca começa falando:

– Te chamamos aqui, porque queremos te fazer um convite.

– Nossa! Estou curiosa.

– Venha sente-se aqui ao meu lado. Convida Rebeca.

Pedro está quieto e mais lindo do que nunca. Ele é um homem imune aos abalos que as crises tem sobre a própria aparência. Ele parece sempre fresco, de banho tomado, roupa impecável. As crises não abalam a aparência dele.

Malu se senta, trocando olhares curiosos com Pedro e Rebeca.

Pedro começa falando:

– Malu estamos muito felizes com o seu trabalho. Você chegou há 6 meses e fez grandes coisas para a agência. Seu jeito empreendedor nos inspirou uma nova forma de trabalhar e essa área de inovação que acabamos de desenhar, só existe graças ao trabalho inspirador que você vem realizando.

Rebeca assume a conversa:

– Por isso, depois de pensarmos muito em quem deveria liderar essa área e conversar com alguns candidatos, acabamos decidindo por alguém que já trabalha conosco e que tem o modo de trabalho naturalmente voltado para inovação. Decidimos que você é a melhor pessoa. E queremos convidá-la para assumir a posição de diretora de inovação. Você aceita?

– Meu Deus! Estou surpresa e feliz. Claro que aceito. Fico muito feliz. Sei que é uma grande responsabilidade, mas vou trabalhar duro para fazer dessa área um grande sucesso. Muito obrigada pela confiança e pela oportunidade. Responde Malu cordialmente, mas querendo gritar de felicidade. Aquela era a posição mais legal do mundo.

– Você merece Malu. Seu trabalho realmente inspirou a todos. Mudamos nossa forma de trabalhar desde que você chegou. Parabéns e conte com a gente. Complementa Pedro, soando muito profissional, mas carinhoso.

– Agora, a parte que interessa. O que você ganha com isso. Diz Rebeca entregando a proposta com o novo salário e os novos benefícios.

Malu quase desmaiou quando viu seu novo salário, sua participação em bônus e que ainda teria um carro novo pela empresa. Era muito dinheiro. Ela estava em êxtase. Já estava feliz com o desafio profissional e ainda ia ganhar todo aquele dinheiro para fazer algo que amava.

– Você tem alguma pergunta? Diz Rebeca.

– Muitas na verdade. Como será a estrutura? Quantas pessoas no time? O Pedro segue sendo o nosso VP? Já sabem quem irá me substituir? E a data esperada para a mudança? Tem muita coisa acontecendo com os meus clientes. Enfim, tenho muitas dúvidas.

– Temos respostas para todas. Responde rindo Rebeca. – Duda deve assumir a sua posição. Mas ainda não fizemos o convite a ela. Ela é a pessoa mais sênior do time e graças ao seu trabalho precisamos de alguém muito sênior para liderar esses clientes. Caíque será convidado para assumir a minha posição, como diretor de atendimento e eu serei sua chefe como a nova VP de Novos Negócios. Seguimos juntas Malu e precisarei de você mais do que nunca.

– Nossa! Que notícia boa. Vão acontecer coisas boas para várias pessoas. Estou feliz de seguirmos juntas Rebeca. Você é muito inspiradora. Pode contar comigo.

– Ah sobre o prazo da transição. Será lenta, a ideia é começarmos a transição agora, mas você entrega os trabalhos em andamento e participa como apoio para a Duda nos novos trabalhos. O mesmo acontecerá entre mim e Caíque. Estamos no final de setembro e nossa expectativa é que estejam todos definitivamente em suas novas posições a partir de janeiro. E quando você estiver totalmente na função, irá contratar a equipe: um gerente de marketing, um consumer insight e um analista. Será um time pequeno no início, porém com muitas possibilidades de crescer. A criação toda está a serviço dessa nova área. O criativo será o mais indicado para especialidade de que se trata a inovação.

– Perfeito! Isso me deixa mais tranquila. Porque temos muitas coisas mesmo para entregar agora.

– Nesse período, nós 3 desenharemos o escopo e faremos o plano de negócios para mapear oportunidades na nova área. Mas tudo muito organizado. Sem pressa e com foco nas entregas prioritárias. Diz Pedro.

– Feliz? Pergunta Rebeca.

– Muito! Podem contar comigo.

– Obrigada por tudo Malu e boa sorte nos novos desafios. Hoje anunciaremos as mudanças em nossa reunião de atendimento. Diz Pedro.

– Caíque e Duda já sabem?

– Não. Chamaremos eles agora. Começamos por você.

– Muito bem. Ficarei quietinha então. Obrigada por tudo. Diz Malu se levantando.

– Boa sorte Malu. Vou aproveitar para buscar um café. Você quer Pedro? Você chama o Caíque enquanto isso? Diz Rebeca.

– Sim! Quero um café, por favor. Vou chamar o Caíque.

Rebeca sai da sala e Pedro chama Malu de volta.

– Malu, pode ficar mais um minuto?

– Sim. O que você precisa?

– Parabéns! Você merece todo esse mérito. Está feliz?

– Sim! Muito feliz. E muito surpresa. Obrigada pela confiança. Você já sabia disso há bastante tempo?

– Sim, eu sabia.

– Que profissional.

– Sim! Sou muito profissional. Pode confiar em mim quando digo que sei separar as coisas.

– Eu sempre confiei.

– Vai comemorar com os seus amigos?

– Sim! Como sempre.

– Como será o brinde? Pergunta realmente curioso.

– Hum. Sorte no jogo, azar no amor! Diz Malu em tom de brincadeira, mas deixando parte de sua tristeza tomar conta de sua expressão. E acreditando de verdade naquilo que tinha acabado de falar.

Nesse momento Caíque entra na sala e ela sai deixando um Pedro confuso e triste para traz na sala, assim que fecha a porta.

Nada Pra Mim 🔊🎶🎶🎶

CONTINUA…

O CAPITULO 20 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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