Capítulo 20 – Sorte no Jogo. Azar no Amor

Duda chega na mesa da Malu pontualmente às 18h, já carregando sua bolsa, pronta para ir embora.

– Oi Malu, você viu que são 18 h? Vamos?

– Sim, vamos. Me dá 1 minuto porque preciso apenas revisar esse email antes de enviar e também estarei pronta para ir.

– Ok! Diz Duda e segue em pé ao lado da mesa de Malu agora se distraindo no seu celular.

– Pronto! Vamos. Bora beber a nossa sorte no jogo apesar do azar no amor.

– Nossa! Não podia ser mais apropriado. Responde Duda e elas caem na gargalhada.

– Vamos somente passar no banheiro rapidinho para passar um batom?

– Nós vamos no boteco aqui da frente. Implica Duda.

– Não importa Duda. Para mudar a sorte no amor precisamos estar sempre prontas.

– Você tem toda razão.

Elas acabam indo além do batom e saem com maquiagens lindas. Leves e naturais, porém produzidas. Capricham na pele, passam delineador, mascara de cilios e batom. O que era para ser um retoque de batom, vira uma super produção. Enquanto esperam o elevador e conversam distraidamente e não percebem a chegada de Theo que fica parado logo atrás delas.

– Poderíamos estar brindando só nossa sorte no jogo.

– Calma Duda! Nossa sorte no amor vai mudar. Somos mulheres incríveis e merecemos homens incríveis que nos valorizem. Precisamos deixar quem não nos merece para traz.

– Boa noite garotas. Diz Theo anunciando que está ali, antes que elas falem ainda mais coisas que possam causar algum tipo de constrangimento.

– Ah você está aí faz tempo? Pergunta Duda.

– Acho que tempo suficiente. Diz Theo com o olhar triste.

– Estamos indo comemorar a nossa promoção. Diz Malu forçando um sorriso, tentando desviar o assunto.

– Comemorem, meninas! Vocês merecem.

O elevador chega e com a entrada dos 3 ele é preenchido por silêncio e tensão. Duda e Theo se olham nos olhos, até que Duda, não aguenta e desvia o olhar. Olha para Malu e depois para o chão. Ninguém fala uma única palavra.

Já fora do elevador Theo pergunta:

– O Ricardo estará lá?

– Não! É uma comemoração exclusivamente de meninas. Responde Duda constrangida.

– Então não preciso ficar chateado por não ter sido convidado. Aproveitem a comemoração meninas. Até amanhã.

– Até amanhã. Diz Duda, mas ele já se distanciou demais para ter ouvido o cumprimento tímido dela.

– O que foi isso? Diz Malu.

– Não faço a menor ideia.

– Vocês ainda se gostam e ele parece estar bem chateado com a história do Ricardo.

– Então somos dois chateados. A diferença é que não sei o nome da minha chateação, já que ele ficou com uma desconhecida.

– Vocês não falaram mais no assunto? Nada de beijos?

– Nada de nada. Parece que ambos estão digerindo.

As meninas atravessam a pé e correm para se proteger da chuva que começava a cair. Chovia mais que o normal para o mês de outubro. Quando chegam, o bar está lotado, mas o gerente que sempre as recebe bem, corre para improvisar um cantinho para elas perto do bar. No som toca a música Love Someone. Elas pedem uma garrafa de tequila e começam com um shot para comemorar a promoção. Elas estão realmente felizes com seus meritos profissionais. Mas seguem com um segundo shot rindo de sua falta de sorte no amor.

– Que nossa sorte no amor melhore. Diz Malu batendo seu micro copo contra o de Duda.

– Que nossa sorte no amor melhore. Tim tim.

As duas viram seu segundo shot e riem de si mesmas. Pedem algo para comer e seguem conversando sobre sua vida amorosa que acaba virando o assunto da mesa e fazem toda a comemoração pela promoção perder totalmente o espaço na conversa.

– Como está sua relação Theo? Pergunta Malu.

– Não está! Desde que fiquei com o Ricardo esfriou completamente. Não falamos mais no assunto e nos tratamos de maneira muito profissional. Acho que subestimamos o que sentíamos um pelo outro e fomos muito inconsequentes com as provocações.

– Mas você virou a página?

– Claro que não. Penso nele todos os dias. Basicamente ele é o primeiro e o último pensamento que passa pela minha cabeça todos os dias.

– Nossa que coisa mais romântica. Por favor, vamos brindar a isso e vou anotar essa frase. Quero ter essa frase por perto porque isso ainda será parte dos meus votos no meu casamento. Vou me casar com a pessoa que causar isso em mim, porém sem dor envolvida.

– Um brinde! Você é muito engraçada Malu.

– Cheers!

Viram o terceiro shot e nesse momento esquecem toda a tristeza.

– E como está sua relação com o Felipe?

– Não está! Terminei tudo com ele. Se é que posso dizer que terminei algo que nem comecei na verdade.

– Por que?

– Porque não sinto por ele algo que me faça querer seguir em frente.

– E por que você está sofrendo por amor? Não te entendo.

Malu pensa em contar para Duda, mas se mantém firme ao seu compromisso de não compartilhar essa história com ninguém.

– Sofro pela falta do amor, na verdade. Me preocupo por estar com quase 35 anos, sem nenhuma perspectiva. Quero ter filhos, uma família. Quero amar alguém até o coração transbordar.

– Daqui a pouco a pessoa aparece.

Já apareceu, pensava Malu. Mas não podia ser dela. Uma pessoa assim só aparece uma vez na vida. Logo a pessoa não ia mais aparecer para ela.

– É! Daqui a pouco… Concorda Malu.

Elas acabam tomando meia garrafa de tequila e perto das 23h resolvem ir embora.

– Vou pegar um taxi aqui em frente porque não tenho a menor condição de dirigir. Diz Duda, mole sob o efeito de toda a tequila que tomou.

– Também vou pegar um táxi. Não tenho a menor condição de ir dirigindo nesse estado. Mas preciso ir no carro pegar as chaves da minha casa.

– Até amanhã então! Obrigada por tudo minha amida. Diz Duda dando um abraço em Malu.

– Até amanhã Duda! Também te agradeço a deliciosa companhia.

– Nossa vida será melhor! Você vai ver.

– Vai! Agora corre lá. Seu táxi chegou.

Malu entra no prédio trançando as pernas. Enquanto espera o elevador, pensa nas suas possibilidades. Será que teria a sorte de encontrar alguém como Pedro ou que pelo menos causasse o frio na barriga nela que ele causava? Seria difícil falar de amor com ele como amigo.

Chega o elevador acordando ela de seus pensamentos. E quando ela entra, sente seu corpo todo se arrepiar.

– Oi Pedro! O que faz aqui tão tarde? Diz tentando não parecer tão bêbada.

– Estava termindando um trabalho. E você?

– Estava no bar da frente comemorando minha promoção. Diz com a voz completamente tomada pela tequila.

– Sorte no jogo e azar no amor?

– Sim! Exatamente.

– Por isso bebeu tanto?

– Dá para perceber?

– Sim senhora. Você não está pensando em dirigir nesse estado né?

– Claaaaaro que não. Vim só pegar minhas chaves. Vou pegar um taxi.

– Eu te levo em casa.

– De jeito nenhum. Você precisa ir ficar com a sua família. Aliás, agora você precisa começar a rever seus horários. Não pode ir sempre para casa tão tarde.

– Serio que você vai falar disso?

– Sim! Sério! Você não quer que eu siga sendo sua amiga. Estou te aconselhando a ser um bom pai e um bom marido. Malu diz, sentindo o choro chegar na sua garganta.

– Malu, não preciso desse tipo de conselho. Sei me dedicar para uma relação. Mas você sabe muito bem que não quero essa relação. Estou entendendo tudo ainda para saber como agir diante de tudo isso.

– Está bem! Faça como achar melhor. Agora preciso ir. Boa noite Pedro! Malu se vira para caminhar em direção ao seu carro.

– Malu, pare de se comportar como uma criança. Diz Pedro indo atrás dela.

– Para de falar sobre como devo me comportar. Diz Malu andando ainda mais rápido.

– Malu, também posso correr. E não vou deixar você sozinha nesse estado.

Já na frente da porta do carro dela, ela fica em silencio uns segundos apenas olhando nos olhos dele.

– Eu preciso ficar sozinha. Preciso tirar você do meu coração. Você me confunde. Por favor Pedro, me deixe sozinha. Tudo o que eu mais queria era ir para casa e transar com você a noite inteira. Mas simplesmente não podemos mais. Me deixa sozinha por favor. Preciso de espaço para esquecer você.

– Eu não consigo me afastar de você. Não quero que você me esqueça.

– Ah Pedro. Diz Malu desabando em lágrimas. – Por que tudo tem que ser tão difícil?

– Vem aqui. Ele diz puxando ela para os seus braços.

Depois de alguns segundos abraçados Malu afasta Pedro, enxuga as lágrimas e diz: – Não podemos ficar assim aqui na garagem do escritório.

– Você tem razão. Pegue as suas chaves. Vou te levar para casa. Você querendo ou não!

– Ok! Pedro, obrigada.

Eles seguem em silêncio por vários minutos dentro do carro. No rádio toca She Will Be Loved. Um turbilhão de coisas passa pela cabeça de Malu e toda a tequila que ela bebeu não permite que um único pensamento faça sentido, então permanece muda apesar do bloco de carnaval que parece estar desfilando na sua cabeça e a vontade de falar mil coisas para ele. Porém é Pedro quem acaba quebrando o silêncio.

– Feliz com a promoção?

Malu tem vontade de gritar: Sério que você vai falar disso? Claro que estou feliz. Quem não estaria? Mas responde simplemente:

– Sim!

– Monossilabica?

– Não.

– Malu, quando você acha que conseguiremos seguir em frente?

– Pedro, já estamos seguindo em frente. Só não tenho nenhuma condição de conversar depois de toda a tequila que tomei e não quero falar coisas que eu vá me arrepender depois.

– O que você poderia falar de que você se arrependeria?

– Se eu te respondesse, estaria falando e não tomei tanta tequila assim para cair na sua armadilha. Seu engraçadinho.

– Achei que a tequila seria o suficiente para te fazer falar.

– Pedro, de verdade. Eu poderia falar qualquer coisa. Que diferença faria?

– Nenhuma. Você tem toda razão, mesmo quando bebeu toda tequila do planeta.

– Chegamos! Estou exausta. Obrigada pela carona.

– De nada! Parabéns de novo.

– Obrigada! Responde Malu já descendo do carro e mandando beijos no ar para ele.

Ele espera ela entrar e ainda fica parado alguns minutos na porta do prédio. Começa a tocar XO no rádio e embalado pela música ele conclui, que nunca nenhuma mulher será como Malu para ele. Segue para casa triste por arruinar suas possibilidades com ela depois de terem se entendido tão bem na Bahia, mas feliz por estarem encontrando uma forma de fazer a relação deles dar certo.

A noite passa num piscar de olhos e a sensação de Malu ao acordar é que toda a tequila que bebeu continua correndo em seu sangue. Ela não tem a menor capacidade de ir trabalhar. Liga para Caíque:

– Oi! Bom dia Malu.

– Tudo bem Caique?

– Sim. tudo bem. E você?

– Estou me sentindo muito mal, vou trabalhar de casa hoje. Temos uma reunião de briefing com a criação agora de manhã. E mais nenhum compromisso a tarde. Você pode me representar por favor? Estou realmente sem condições.

– Claro Malu. Se cuida e descansa.

– Estou online para o que precisar. Obrigada Caique. Você avisa o Pedro e Rebeca, se precisar.

– Claro! Pode deixar. Beijo

– Beijo.

Ela se sente aliviada por não precisar se mexer dali. Fica parada deitada na cama olhando para o teto, até que depois de 1 hora, pega no sono de novo. Dorme até às 10h30 e conforme combinou, liga seu computador e fica online durante a reunião para tudo que o Caíque precisar. Ele não chama ela e por isso ela fica grata e aliviada. Segue fazendo algumas propostas que estavam atrasadas quando toca o interfone.

– Flores para a senhora, Dona Malu.

– Hum. Estou descendo.

Ela pega as flores e vai ansiosa para o elevador, já abrindo o cartão.

“O Caíque me disse que você não está bem. Espero que não seja nada grave, que seja culpa apenas de toda a tequila que você tomou e que você melhore logo. Estou animado com a possibilidade de começar um novo tipo de relação com você. Te adoro. Pedro”

Ela termina de ler o cartão e confere sua imagem no espelho. Uma mulher acabada, abatida, cansada e com cara de quem vive chorando ultimamente. Se encara no espelho pensando sobre o que iria responder para ele. Resolve por uma abordagem leve e divertida apesar da tristeza enorme que chega a esmagar o seu coração.

Assim que entra em casa pega seu celular para enviar uma mensagem para ele.

“As flores são lindas. Obrigada. De que nova relação extamente você está falando? Sigo afirmando que não serei a outra J”

Logo chega uma resposta.

“Não estou falando desse tipo de relação e você jamais seria a outra.”

“Eu estou brincando Pedro. Tenho certeza que encontraremos uma forma de seguir um na vida do outro.”

“J Espero que você melhore logo.”

“Eu também.”

O dia termina logo e ela não fez nada de produtivo. Passou o dia dialogando com as lindas flores que dividem espaço com sua luminária na sua mesa preferida. E assim hiptonitazada e improdutiva ela seguiu até anoitecer.

Malu segue vivendo os dias, sentindo sua rotina monótona, cada dia mais monótoma. Vendo a noite chegar logo e sendo avisada pelo tempo, através do sol nascendo todos os dias, que a vida está passando muito rápido.

Num piscar de olhos a semana passou e já é sexta-feira, enquanto Malu toma café e navega pelos sites de notícias preferidos recebe um aviso de evento:

“Aniversário do Pedro”

Ela se surpreende e fala sozinha: – Nossa eu tinha esquecido completamente, preciso comprar um presente para ele. O que dar para um homem que tem tudo e que teoricamente é meu grande amigo? Vou almoçar no shopping e comprar algo.

Quando ela chega para trabalhar, procura por Pedro para dar um abraço nele, mas ele ainda não chegou. A manhã passa voando e depois de horas de integração com Duda, ela sai para almoçar se sentindo exausta. Prefere ir sozinha ao shopping, porque quer se concentrar para achar o presente.

Após andar por 40 minutos, sem ter a menor ideia do que comprar, tem uma inspiração. Vai a uma loja de decoração e compra coisas para dar personalidade à casa dele. Capas de almofadas coloridas, muito sofisticadas, que ficarão lindas no fundo cinza dos estofados, um conjunto com 12 taças de vinho e um saca rolhas de última geração. Dessa maneira consegueria dar algo conceitual e grande, para ele se sentir como criança no Natal abrindo um presente gigante.

Escreve um cartão:

“Muito difícil comprar algo para um homem tão especial que já tem tudo. Pensei em livros sobre paternidade como “O que esperar enquanto ela está esperando”, mas achei que você não precisa de livros. Tenho certeza que saberá o que fazer e será um ótimo pai. Depois pensei em caixas de band aid, mas acho que você não parece mais tão machucado (ainda bem) e as caixas de band aid estarão a postos sempre que precisar, mesmo não sendo seu aniversário (e tomara que você nunca precise). Pensei em um livro decorativo que tenha a ver com você, mas acho que você mesmo tem que buscar seus livros preferidos para decorar a sua casa. Então resolvi te presentear nesse aniversário com um pouco de cor e coisas para ajudar a acabar com suas safras especiais de vinho. Porque espero que não faltem motivos para comemorar na sua vida.

Feliz Aniversário! Desejo que sua vida seja repleta de felicidade e que você tenha muitos motivos para abrir muitas garrafas de safras especiais de vinho.

Adoro você

Sua melhor amiga

Malu

PS Se é para ser amiga, quero ser a melhor.”

Antes de ir para o escritório, ela deixa o presente na portaria do predio dele. Logo que ela chega de volta no escrtitório, recebe uma mensagem de Pedro.

“Acabei de abrir meu presente de aniversário. Muito especial. Gostei muito. E você conseguiu. Me senti como uma criança abrindo uma bicicleta no Natal. Você é muito especial. Você faz tudo ficar mais especial. Adoro você.”

Ela responde na mesma hora.

“Que bom que você gostou. Você não vem para cá? Queria te dar um abraço de aniversário.”

“Hoje não. Mas receberei uns amigos aqui em casa hoje à noite e queria muito que você viesse tomar algo comigo. A partir da 20h. Mas você pode chegar a hora que quiser. Até agora, se quiser.”

“Vou dar uma olhada na minha agenda… hum, eu posso, mas não agora. Te vejo mais tarde. Aproveite seu dia.”

Malu chega mais tarde na casa de Pedro, está ansiosa, pois está chegando sozinha e vai ver Pedro junto com Diana pela primeira vez depois de tudo o que aconteceu. Pedro atende a porta:

– Estou feliz por você estar aqui! Obrigado por te vindo. Diz Pedro enquanto abre a porta.

– Claro que eu viria ao seu aniversário.

Logo que entra já avista Rebeca com o Theo e se junta a eles. Os sofás já estão decorados com as novas almofadas que Malu deu de presente de aniversário para ele. A intenção dela tinha dado certo. Tinha muito mais vida naquela sala agora com cor.

– Oi Malu! Que bom que você veio. Cumprimenta Rebeca.

– Ah! Precisava pelo menos passar para dar um abraço nele. Que bom ter alguem conhecido por aqui. Cade seu marido?

– Viajando a trabalho. Estou sozinha até quarta-feira que vem.

– Ele sempre viaja muito né?

– Me apaixonei por ele nessas condições. Não posso reclamar. Diz Rebeca rindo.

– Faz sentido.

– Oi Theo! Tudo bem você? Veio sozinho?

– Oi! Tudo e com você? Porque eu estaria acompanhado? Sim, vim sozinho.

Nesse momento Malu vê Diana fazendo carinho em Pedro, olhando para ele com cara de apaixonada. Ele não corresponde. Claramente não tem os mesmos sentimentos por ela. Enquanto Diana faz carinho em Pedro, ele procura por Malu. Até que seus olhares se encontram e uma enorme melancolia toma conta de tudo. Malu se sente muito mal em relação à essa situação, então resolve desviar o olhar e se levanta para pegar uma bebida como se aquilo não a abalasse. Agarra uma taça de vinho e foge para a varanda.

Assim que chega sente uma deliciosa brisa que a cura do enorme calor que ela estava sentindo. Apoiada na varanda olhando o mundo lá embaixo, Malu tem seus pensamentos em Pedro, no amor que ela sente por ele, no fato dele ter uma namorada e um filho a caminho, na relação extra todo esse amor que eles tem, na infelicidade que sua vida amorosa tinha se tornado. Ver Pedro tentando construir algo com alguem era dolorido demais para ela. Lágrimas começam escorrer de seus olhos já encharcados.

Lá dentro, Pedro tenta ir atrás de Malu, percebendo que ela tinha ficado triste e claramente tinha fugido daquela cena, mas Diana não deixa ele sair. Puxa ele para junto de si e faz cara de brava. Deixando claro que não estava gostando da situação. Pedro não gosta da reação dela e está desesperado para ver Malu, porém não tem forças para encarar as consequências e acaba cedendo ficando ali parado como Diana tinha praticamente exigido. Ela se sente vitoriosa apesar de triste por perceber que não tinha amor nenhum na relação de Pedro com ela.

– Pedro, você não parece feliz. Provoca Diana.

– Diana, quero só ficar quieto. Pode ser? Não se preocupe. Está tudo bem.

– Quer ir atrás dela?

– Jura que vamos discutir por causa da Malu? Não! Não vou atrás dela. O que deu em você? Vou me juntar às pessoas que estão aqui por minha causa.

– Tudo bem! Já que você vai dormir comigo mesmo. Diz Diana dando um selinho nele.

Pedro se junta a Rebeca e Theo, as únicas pessoas da agência que tinham sido convidadas além de Malu.

La na varanda, enquanto as lágrimas seguem escorrendo, Malu está dando o último gole na sua taça de vinho quando tem seus pensamentos interrompidos por uma voz que ela não conhecia.

– Oi! Estou aqui me perguntando o que poderia ter acontecido para uma mulher como você estar sozinha, ao que parece chorando, aqui na varanda, enquanto rola uma festa com bebidas muito boas lá dentro. Muito prazer, sou o Cadu, amigo do aniversariante.

– Oi Cadu. Sou a Malu, amiga e funcionária do aniversariante. Trabalho com Pedro.

– Luto boxe com o Pedro, mas já trabalhamos juntos. Na verdade ainda trabalhamos de alguma maneira. Sou diretor de criação em uma agência do grupo.

– Espera aí. Eu te conheço. Você é diretor de criação de uma conta grande de cervejas e já recebeu muitos prêmios. Certo? Você é famoso.

– Parte disso que você falou está certo. Mas não sou famoso.

– É sim! Carlos Eduardo. Grisalho desde os 30 anos e super premiado desde então. Já li muito sobre você! Prazer te conhecer.

– Famoso ou não, você parou de chorar e parece mais feliz agora. Fico feliz se ajudei nesse novo estado de espirito.

– Você ajudou, no momento em que me arrancou dos meus pensamentos.

– Você não parecia bem.

– Não estava na verdade. Não estou bem. Mas vou ficar.

– Me espera aqui. Vou encher nossas taças de vinho e já volto.

Malu fica feliz ao conhecer Cadu ele era realmente famoso no mundo publicitário e muito mais charmoso pessoalmente. Tinha 40 anos e desde os 30 já era muito premiado. Era conhecido por seus prêmios e por seus cabelos grisalhos mesmo tão novo. Ele era um charme e ainda tinha um humor inteligente. O estado de espírito preferido de Malu. De repente toda a tristeza tinha ido embora e ela resolveu aproveitar a enorme quantidade de vida que tinha dentro dela.

Cadu volta com as bebidas.

– Está bem mais agradável aqui fora do que lá dentro…

Malu olha para ele, mas não diz nada.

– Lá está muito quente. Completa Cadu sentindo que estava indo depressa demais e oferece a taça para ela. – Tim tim. Diz ele.

– Tim tim. Responde Malu olhando nos olhos dele.

– Uau! Você leva essa história de brinde a serio.

– Quando brindamos com alguém devemos olhar nos olhos da pessoa enquanto bebemos. De brindes eu entendo.

– Conheço a regra. Você parece mesmo muito boa nisso.

– Não estou flertando com você.

– Estou certo disso. Infelizmente.

Esse homem é um perigo. Pensava Malu.

Eles seguem conversando na varanda, de diferentes assuntos. Ficam algum tempo falando sobre Cannes, o que projeta Malu para Pedro, mesmo sem ela querer. E nesse momento são interrompidos por Pedro.

– Desculpe atrapalhar vocês, mas o jantar está servido e eu ficaria feliz em ter vocês dois comemorando meu aniversário comigo.

– Claro meu amigo! Fazia tempo que você não tinha uma amiga tão interessante.

Malu fica roxa e não consegue dizer nada.

– A Malu é mesmo muito interessante… Diz Pedro fuzilando ela com o olhar.

Na mesa de jantar todos comem animadamente e falam um por cima do outro. A seleção de músicas que acompanha o jantar é calma e entre uma música e outra, começa a tocar Somewhere Only We Know e mais uma vez o coração de Malu leva seus pensamentos para Cannes. Só que dessa vez, os pensamentos de Pedro vão com ela. No mesmo momento, os olhares dos 2 se encontram, mas Pedro é arrancado do momento quando Diana, puxa seu rosto na direção dela e dá uma beijo quase roubado na boca dele. Malu toma um susto e volta rapidamente para o convívio das demais pessoas na mesa. O jantar termina com um bolo de aniversário acompanhado de velas de anunciavam os 41 anos de Pedro.

Malu conversa com Rebeca e Theo, depois de ter passado a noite inteira com Cadu e Pedro se junta a eles.

– O Cadu parece ter gostado de você Malu. Diz Pedro claramente com ciúme.

– Você achou? Também gostei dele. Responde Malu desafiadora.

– Obrigada por terem vindo. É especial ter vocês aqui comigo hoje. Diz Pedro mudando de assunto.

– Amamos você. É um prazer estar aqui. Diz Rebeca.

Começa a tocar a música XO e instantaneamente os olhares de Pedro e Malu se buscam novamente e são tomados de brilho, vontade e tristeza. Todo tipo de sentimento convivendo junto nos olhares dos dois.

Antes que Pedro fale qualquer coisa é arrancado da conversa por Diana, que chega agarrando ele e dando um beijo na boca dele.

– Ei você precisa dar atenção para TODOS os seus amigos. Está há muito tempo aqui. Diz Diana, totalmente afetada.

Malu precisa berrar com ela mesma pedindo paciência e fé para ela não desabar ali mesmo, na frente de tod0 mundo. Sua tristeza e vontade de correr dali são amparadas pela chegada de Cadu, com 2 taças de vinho, sendo uma delas para Malu.

– Fui buscar mais vinho e você sumiu. Diz Cadu para Malu.

– Eu sempre estive bem aqui. Obrigada pelo vinho! Tim tim. Diz Malu propondo um brinde.

O olhar de Pedro fica ainda mais triste ao ver essa cena.

A noite se arrasta madrugada a dentro. Rebeca sai a francesa sem se despedir de ninguém. Theo tenta de todas as maneiras saber da vida de Duda através de Malu, que não entrega uma única informação. Cadu e Malu vão ficando alegres por causa de todo o vinho que beberam e conversam e riem como se fossem amigos de infância. Diana sufoca Pedro, não permitindo que ele dê atenção a alguém por mais de 5 minutos.

Malu resolve ir embora apesar das inúmeras tentativas de Cadu tentando convencê-la a ficar mais ou sair para dançar com ele. Quando vai se despedir de Pedro encontra ele sozinho porque Diana conversa intensamente com Stella, como alguém que conta com riqueza de detalhes uma longa história.

– Parabéns! Espero que você tenha um ano incrível pela frente.

– Obrigado! Você me deu o cartão de aniversário mais divertido e carinhoso que recebi. E os presentes também. Obrigado! Você reparou que tudo já está em uso?

– Sim! Fiquei feliz em ver tudo em uso. As almofadas ficaram lindas. Obrigada a você pela noite deliciosa. Cuidado para a Diana não te devorar. Ela está bem determinada em te ter sob controle.

– Vou me cuidar. Parece que o Cadu gostou muito de você.

– Gostei dele também.

– Por que não ficou ele?

– Você gostaria que eu ficasse com ele?

– Na verdade odiaria, apesar de estar me esforçando para querer você feliz, depois da cagada que eu fiz. Mas me responde. Se gostou dele também porque não ficou com ele hoje.

– Porque ele não é você! Diz Malu com brilho nos olhos.

Pedro fica estático e é incapaz de falar uma única palavra.

– Bom! Até segunda. Feliz Aniversário. Malu diz abrindo a porta, porque Pedro parece incapaz de se mover.

– Até segunda. Diz ele.

Mas ela já não fala mais nada e entra no elevador sem olhar para trás.

Love Someone 🔊🎶🎶🎶

CONTINUA…

O CAPITULO 21 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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