Lara terminava de se arrumar ansiosa pelo seu primeiro momento sozinha com Rodrigo, desde que Manuela tinha aparecido com seu cabelo impecável, suas roupas maravilhosas e seu bronzeado estonteante.

A conversa com as melhores amigas naquela tarde tinha trazido ainda mais ânimo para ela.

Ela terminava de passar batom, quando Rodrigo bateu na porta do seu quarto.

– Oi! Ela disse abrindo a porta.

– Oi! Como você está linda!

– Obrigada! Onde vamos?

– Finalmente, vou conseguir te levar no restaurante que te prometi.

– Então vamos. Estou ansiosa.

Eles saíram lado a lado, sem jeito. Não parecia que tinha passado somente três dias desde aquele beijo na porta do quarto de Lara.

Eles entraram no elevador ainda mais sem jeito, que já era o estado padrão que ficavam em elevadores. Rodrigo queria beijar Lara ali mesmo e voltar para o momento em que estavam, quando se beijaram dias atrás, mas ponderava se era o melhor momento. Os últimos dias tinham afastado Lara e tudo que ele queria era ela de volta. Ele tomava coragem e começava a se aproximar dela. Ele já podia sentir o perfume do cabelo dela quando o elevador se encheu de gente acabando com os planos dele de beija-la. Ela achou graça e eles trocaram sorrisos cumplices.

Quando chegaram no restaurante, Lara se surpreendeu com o lugar. As paredes eram tomadas por camisas de futebol autografadas por jogadores famosos e tinham placas, bandeiras de time de futebol e troféus espalhados por todo lugar. O clima era familiar e o dono, uma famoso ex jogador de futebol argentino, veio recebe-los na porta e os levou para uma mesa bem reservada com algumas velas acesas.

O garçom chegou para servi-los e Rodrigo pediu o vinho da casa e a famosa peça de carne que, de tão macia, era cortada com colher.

Eles ainda não tinham trocado uma única palavra, desde que tinham sentado ali e as trocas de olhares entre os dois começou a se intensificar fazendo um arrepio percorrer todo o corpo de Lara. “O que esse homem faz comigo, meu Deus?” Lara pensava tentando entender como uma simples troca de olhares podia despertar aquilo nela. E nesse momento começou a tocar a música Wave de Tom Jobim e algo bom se instalou no coração de Lara. Ela queria dançar com Rodrigo ali mesmo.

– Além do vinho da casa e da carne de colher, esse lugar ainda toca MPB? Quer delicia ouvir música brasileira aqui. Lara disse.

– Esse lugar é bem especial mesmo. Espero que você goste do vinho. Ele disse enquanto o garçom servia a taça dela.

E a música seguia falando de amor. “Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho.”

– Uma delícia o vinho! Ela disse.

– Que bom que gostou. Um brinde ao nosso encontro Lara. É muito bom estar com você aqui.

– É bom estar aqui com você também. Um brinde ao nosso encontro. Ela disse levantando a taça.

– E o que está achando do projeto?

Lara pensou: “Que se dane o projeto. Quero beber esse vinho e dançar ao som de Tom Jobim com você, agora mesmo.”

– Estou adorando o projeto. É bastante desafiador e geralmente, quanto mais desafiador, mais me encanta. Ela respondeu, sem pensar muito, mas sem segundas intenções. Ela era realmente apaixonada por projetos complexos.

– Também gosto de projetos desafiadores. Ele disse de maneira charmosa, achando graça da resposta dela.

“O que esse homem está querendo? Me enlouquecer? Só pode! Uma hora me faz uma pergunta profissional e na outra, diz cheio de segundas intenções que também adora desafios.”

– Você gosta de trabalhar em projetos desafiadores? Ela perguntou, tomando um longo gole do seu vinho.

– Eu gosto de projetos desafiadores. Ele respondeu, tirando o trabalho totalmente da pauta daquela conversa, olhando Lara profundamente nos olhos.

“Fato! Ele quer me enlouquecer.”

Nesse instante um menino vendendo flores os abordou.

– Acho que você quer dar flores para essa linda senhorita. Dá pra ver no jeito que olha para ela. Disse o menino para Rodrigo.

– Acho que você está certo! Disse Rodrigo. – Por favor quero uma flor.

– Vou tentar achar a mais linda aqui. Para ser tão linda quanto ela. Disse o menino.

– Você é muito gentil! Sabia? Disse Lara achando graça do menino.

– Eu sei quando duas pessoas se gostam de verdade. Vejo muitos casais todos os dias. Ele disse.

– Ah você sabe é? Disse Rodrigo achando graça.

– Sei sim! Só pelo jeito que se olham. E deu para ver que se gostam muito. Obrigado por comprar a flor. Aproveitem a noite. Disse o menino indo embora.

Eles ficaram sem graça depois da saída do menino.

– Obrigada pela flor! Lara disse, sem jeito.

– Espero que ele tenha mesmo te dado a mais bonita de todas.

– Essa está muito linda.

E para a salvação deles, o garçom chegou trazendo os pratos que tinham pedido. Os pratos foram servidos e o apetite de Lara tinha ido embora. Ela não conseguia se concentrar em mais nada além de Rodrigo e em projetos desafiadores.

– É muito bom estar sozinho com você, depois dessa semana tão intensa. E queria te agradecer por poder ficar até terça. Sei que foi de última hora, mas temos momentos importantes para o projeto.

– Rodrigo, pode contar sempre comigo.

– Preciso te dizer uma coisa. Acredito que seja pelo fato de nos conhecermos antes do projeto, ou quase nos conhecermos, porque você nunca tinha me dito seu nome e se recusou a olhar o meu cartão e ver meu nome, mas me sinto em casa com você. É um prazer estar ao seu lado Lara.

– Também acho Rodrigo! É um prazer para mim também. Adoro estar com você.

– Posso te fazer uma pergunta?

– Claro!

– Aquele beijo, naquela noite que te salvei de um cara inconveniente no seu aniversário, foi carregado do que?

– Você não esqueceu isso? Não acredito! Nem lembro o que ia te falar. Eu estava sem jeito Rodrigo. Eu queria te agradecer. Me senti protegida. Sei lá.

– Um dia você vai completar aquela frase.

– Um dia! Quem sabe. E essa carne é mesmo deliciosa.

– Ah Lara! Ele disse. – Que bom que gostou da carne.

– Onde vamos amanhã? Ela perguntou, mudando de assunto.

– Vamos à uma vinícola. E vamos dormir lá. É um lugar um pouco afastado. Tudo bem para você?

– Claro! Vou adorar conhecer uma vinícola. Nunca fui a uma.

– O lugar é bem especial. Tomara que faça um dia bonito. Ele disse, perdendo seu olhar em Lara.

O coração de Lara se encheu de expectativa e ela mal podia esperar por esses momentos com Rodrigo.

– Vai fazer!

– O que? Ele disse, se distraindo.

– Um dia bonito.

– Ah sim! Você me distrai Lara.

– Não fiz nada!

– Não precisa. Ele respondeu.

Lara chegou a ficar sem ar e sem fala. E ele riu.

– Ainda bem que vou te levar para casa hoje. E ainda bem que você é minja vizinha. Ele disse seguindo com a provocação.

E nesse momento Lara já se imaginava agarrada com ele.

– E no que exatamente você está pensando? Lara perguntou o surpreendendo completamente.

– Que quero ir embora agora mesmo.

– Eu não faço a menor questão da sobremesa e acho que a jarra de vinho acabou.

– Ah Lara! Que delícia de mulher é você. Ele disse, acenando para o garçom. – Espero que você esteja falando sério sobre pular a sobremesa.

– Eu estou! Ela respondeu achando graça.

Rodrigo pagou a conta e eles saíram em expectativa pelo que estava por vir. Dentro do taxi Rodrigo provocava Lara aproximando a mão dele da dela, fazendo carinho nela com as pontas dos seus dedos. Ela sorria, enquanto seguia olhando para frente e ele achava graça. Em poucos minutos, eles estavam ardendo de desejo, um pelo outro.

Caminharam lado a lado pela entrada do hotel e foram andando em silencio até o elevador. Lara carregava a rosa vermelha que tinha ganhado.

Assim que entraram no elevador, antes que a porta se fechasse, Rodrigo já estava a encostando na parede.

– Enfim sós! Como eu desejei esse momento. Ele disse colando a boca dele na dela e eles se beijaram.

O elevador chegou no andar deles e eles não se desgrudaram. Uma pressa de estarem juntos tinha se instaurado ali.

Entraram no quarto de Lara de maneira atropelada e sem perder um único segundo, já estavam sem as roupas. Em segundos estavam se perdendo um no outro. Eles pareciam ter sido feitos um para o outro e se encaixavam perfeitamente. O desejo ia dando lugar a um sentimento delicioso para os dois, que estavam totalmente cumplices um do outro naquele momento.

Eles retomavam o ar e se olhavam com intensidade trocando olhares.

– Você é demais Lara! Ele disse.

– Você também! Ela respondeu achando graça.

Ele a abraçou e em poucos minutos eles estavam dormindo agarrados um no outro.

O sol chegou anunciando a chegada de um lindo dia.

Eles acordaram juntos, com a intimidade de um casal que já estava junto há muito tempo. Eles arrumaram uma pequena mala, tomaram café da manhã e em poucos minutos estavam na estrada a caminho da cidade vizinha que hospedava uma linda vinícola.

A cumplicidade entre eles, seguia crescendo e naquele instante eles já pareciam namorados, trocando beijos e caricias o tempo todo.

“Acho que estou amando!” Lara pensava enquanto a linda paisagem começava a encantar seus olhos.

Quando chegaram, Lara chegou a ficar se ar de tanta beleza que via e Rodrigo se encantava ao olhar para ela.

– Que lugar lindo! Disse Lara totalmente encantada.

– Aqui é demais. Estou muito feliz por termos conseguido vir. Ele disse.

Eles saíram do carro e um homem os recebeu, pegando as malas deles. Eles entraram em uma casa bastante rustica, com chão de pedras e móveis de madeira. Uma grande lareira, acesa, trazia aconchego para o lugar.

Eles deixaram as malas no quarto e em poucos minutos estavam caminhando pelo imenso jardim da propriedade. Apanharam um carro que servia de locomoção pelo lugar e foram para as caves de vinho. Passaram pelas enorme plantações de uvas e degustaram vinhos maravilhosos, de todos os tipos. Almoçaram ali mesmo. Tudo naquele lugar era rustico, simples, cheirava a madeira e era aconchegante. Essa era a descrição perfeita para aquele lugar que enchia o coração de paz.

Lara e Rodrigo passearam de mãos dadas e trocaram carinhos o dia inteiro. Assistiram a um lindo pôr do sol e votaram para o hotel quando estava anoitecendo.

Tomaram banho e foram jantar no restaurante simples que havia no hotel, que mais parecia a casa de alguém. Junto com eles, tinha apenas um único casal.

Eles jantaram à luz de velas e seguiram bebendo aquele vinho, produzido no local, que parecia ter sido produzido por Deuses.

“Vinhos da casa me deixam com vontade de transar.” Lara pensava, distraída, se sentindo feliz por ter uma noite inteira pela frente com Rodrigo.

– Meu reino por seus pensamentos. Disse Rodrigo percebendo que ela sorria enquanto pensava em algo.

Ela escancarou ainda mais seu sorriso.

– Você nunca vai saber.

Ele riu.

– Adoro seus mistérios Lara.

– Estou adorando tudo aqui! Esse lugar é incrível. Parece ter parado no tempo. O ritmo aqui parece diferente do resto do mundo.

– Eu sinto a mesma coisa! Rodrigo disse, espantado por sentir o mesmo que ela. – É a primeira vez que venho aqui com alguém.

– É mesmo! Me sinto especial.

– E você é!

Nesse o momento o garçom, os interrompeu.

– Sra Alcântara, posso te servir mais uma taça de vinho? O garçom perguntou.

– Sim! Por favor. Ela respondeu achando graça ter sido chamada pelo sobrenome dele. – Como as coisas são rápidas por aqui. Mal nos beijamos e já nos casamos. Estou repensando minha percepção sobre o ritmo lento do lugar.

Ele riu.

– Acho que são um pouco conservadores. Se dormimos juntos, para eles somos casados.

– Era isso que eu estava pensando. Ela disse, sem pensar.

– Em casamento?

– Não! Sobre dormir junto. Estou feliz que temos a noite inteira pela frente.

– Você segue me surpreendendo Lara.

– Vamos?

– Pular a sobremesa de novo?

Ela só balançou a cabeça enquanto bebia seu vinho.

Eles foram para o quarto carregando a garrafa com o resto do vinho.

O quarto cheirava a madeira e estava aquecido pela lareira que ficava em frente a duas poltronas.

– Eles acenderam a lareira! Ela disse.

– Sim! Faz frio aqui nessa época do ano e o aquecimento aqui é natural assim. Ele disse chegando perto dela.

Ao contrário da noite anterior, em que estavam com pressa, tirando as roupas um do outro, naquela noite eles faziam tudo mais devagar e com mais calma.

Rodrigo tirou a roupa dela e beijou seu corpo todo, antes de se perderam um no outro sem pressa e com total entrega.

O dia amanheceu ensolarado, enchendo o quarto de luz com os raios de sol que entravam pela janela. A lareira ainda tinha algumas poucas brasas e o cheiro de lenha queimada tomava conta do lugar.

A cumplicidade entre eles seguia crescendo e naquele final de semana eram apenas Rodrigo e Lara, e por um instante, se esqueceram totalmente da realidade e da ligação de trabalho que tinham e de tudo que estava por vir no dia seguinte. O dia foi repleto de beijos, carinhos e passeios de mãos dadas, preenchido com conversas boas e regados a vinho e boa comida.

O sol já se punha quando entraram no carro para voltar para Buenos Aires e um céu pintado de cor de rosa os acompanhava pela viagem pintando a estrada e todos caminho.

Eles estavam relaxados e felizes, combinando o jantar quando chegaram no hotel e foram surpreendidos por Manuela, que esperava na recepção do hotel.

– Ah Rodrigo! Ainda bem que chegou. Estou precisando muito conversar. Será que podemos jantar ou tomar um drink.

– Oi Manuela! Boa noite. O que houve?

– Podemos falar a sós? Ela pediu.

– Eu combinei de jantar com a Lara.

– Um drink então. Prometo não demorar.

Ele não sabia o que fazer.

– Rodrigo eu estou muito cansada. Podemos jantar amanhã.

– Mesmo? Ele respondeu.

“Claro que não!” Ela queria gritar. Mas percebeu um certo desespero em Manuela e aquela situação parecia embaraçosa demais. Ela só queria sunor dali.

– Mesmo!

– Nos vemos mais tarde.

– Até amanhã Rodrigo.

– Até mais tarde. Ele respondeu tentando mostrar para ela que queria estar com ela.

Lara seguiu caminhando sozinha e deixou Rodrigo ali com Manuela.

Ela entrou no seu quarto e viu a rosa vermelha, que Rodrigo tinha dado, já secando em cima do móvel. Ela foi até o banheiro, encheu um copo com água e colocou a rosa dentro.

“Você não tem nada com isso, florzinha.” Ela pensava, se sentindo chateada por Rodrigo ter aceitado tão rápido deixa-la ali sozinha, depois daquele final de semana de sonhos.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 22 SERÁ PUBLICADO NA SEXTA-FEIRA

Capítulo 21 – Rosa Vermelha

Sabrina Almeida


Sou mãe, filha, esposa, mulher, amiga, confidente, conselheira. Sonhadora, determinada e realizadora. Organizada, mas com um que de caótica. Apaixonada pela vida e pelas pessoas. Intensa! Publicitaria, trabalho desenvolvendo produtos e marcas para deixar as pessoas mais bonitas e felizes. Escrevo porque amo escrever. Minha cabeça está sempre repleta de sonhos e devaneios. Sigo sempre meu coração. Hoje penso mais antes de tomar uma decisão. Encontrei a FELICIDADE, assim todinha maiuscula, nas coisas simples da vida. E escrever é uma delas. Enquanto as pessoas vão para a academia, fazem trilhas, tocam instrumentos musicais, cozinham… Eu escrevo! Esse é o meu hobbie… Escrevo para traduzir o que está no meu coração, sem regras, métodos ou filtros. Escrevo porque me inspira e me faz feliz. Acredito que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de sonhos e devaneios. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: “quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?” E a minha resposta é como vou concluir minha apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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