Capítulo 21 – Um novo dia. Um novo ciclo.

Um novo dia nasceu e com ele chegava o dia de compras das meninas e uma visita na parte mais agitada da cidade. Ana se sentia empolgada ao pensar que conheceria um novo lugar e ainda mais empolgada ao lembrar que faltavam 2 dias para a sua festa de aniversário e que no dia seguinte encontraria sua melhor amiga, de quem ela estava morrendo de saudades. Mark nem tinha aparecido nos seus pensamentos até que ela chegou na mesa para tomar café da manhã e encontrou o casal em silencio.

– Bom dia! Onde estão todos? Ela perguntou.

– Bom dia! Respondeu Mark de maneira doce. E no mesmo instante recebeu um olhar realmente bravo de Sophie. – Elas estão fazendo um passeio. Minha mãe disse que vocês sairão em 1 hora para o dia de compras de vocês. Mark seguiu falando ignorando a reação exagerada de Sophie.

– Quero ir junto às compras. Disse Sophie, surpreendendo ambos.

– Compras sempre são bem-vindas. Respondeu Ana, falando a primeira coisa que veio na sua cabeça.

– Está animada com a chegada do seu aniversário? Minha mãe está preparando algo realmente especial para você. Disse Mark, voltando a atenção para Ana.

– Estou muito animada e bem ansiosa em relação à essa surpresa. Respondeu Ana já conseguindo ignorar a presença de Sophie.

– Dona Elizabeth é conhecida por dar festa memoráveis. Disse Mark.

– Ouvi dizer. Respondeu Ana de maneira doce.

– Acho que poderíamos nos casar aqui. O que acha Mark? Sugeriu Sophie, atravessando a conversa, novamente.

– Acho que pode ser uma opção. Respondeu Mark surpreso. – Mas não sabia que considerava a possibilidade de casar fora da Inglaterra. No campo, menos ainda.

– Nem eu. Disse ela. – Mas talvez sua mãe se sinta feliz em organizar algo aqui, já que ela gosta tanto de organizar festas.

– Certamente ela ficaria feliz.

– Se não nos casarmos aqui, podemos fazer uma festa de noivado. Sugeriu Sophie, roubando a atenção de Mark de volta para ela.

Ana começou a se aborrecer com a conversa e preferiu não participar mais dela. Tomou seu café rapidamente e em silencio. E de repente o silencio tomou da mesa. Até Sophie desistiu daquela batalha tola que ela começou. Em silencio, Ana pensava sobre como a presença de Sophie poderia arruinar seu dia promissor, mas decidiu que não permitiria que isso acontecesse. Decidiu que nada a tiraria da sua bolha de felicidade. Então terminou o seu café e se levantou da mesa.

– Nos vemos mais tarde. Disse Ana enquanto se levantava, quebrando o silencio.

– Até logo mais. Respondeu Sophie.

E Mark falou com os olhos. Tinha algo diferente no olhar dele. Ana não entendia exatamente o que era. Mas a percepção dela era de que era algo bom e isso fez com que ela retribuísse ao olhar dele com um lindo sorriso.

Quando Ana saiu, Sophie voltou a falar:

– Quem é ela exatamente?

– Ana é filha da prima da minha mãe. Elas moram no Brasil, desde que Ilonka deixou a Hungria para fugir do comunismo. É a primeira vez que elas vem para cá. Estão conhecendo a família.

– Então se conheceram há pouco tempo?

– Está perguntando sobre mim e Ana.

– Sim, Mark.

– Sim. Nos conhecemos há pouco tempo. Onde quer chegar com isso?

– Em lugar nenhum. E o que acha de irmos à cidade fazer compras?

– Não estava exatamente nos meus planos. Respondeu Mark.

– Quero ir, mas não me sinto bem em ir, se você não for. Por favor, vamos! Quero muito ir à cidade.

– Está bem! Vamos para a cidade. Preciso apenas dar uma passada na vinícola antes de irmos. Vou agora, para não atrasar a saída para a cidade. Te vejo daqui a pouco. Disse Mark já dando um beijo em Sophie. – Aproveite para dar uma volta. Disse ele enquanto já se afastava.

Mark saiu e Sophie ficou sozinha na grande varanda onde quase sempre era servido o café da manhã. Ela não conseguia se mover dali. Ficou enrolando seu último gole de café.

Enquanto do lado de fora Ana ajudava alguns funcionários que cuidavam do jardim. Ela já estava toda suja de terra. Cavava, coloca sementes, regava, usando um enorme regador. Sua dedicação era tanta, que ela não conseguia ver nada em volta. Estava totalmente distraída. Por isso não viu Mark parar por uns segundos para olhar para ela. Os olhos dele estavam felizes com a cena e por isso transbordavam admiração por Ana.

“Ana leva poesia por onde passa.” Pensava ele, no momento em que decidira que era hora seguir para o seu compromisso, achando que perdia tempo demais, além do que deveria ali.

Ana seguiu ali, totalmente encantada com a atividade de cuidar jardim, quando sua mãe e as primas chegaram de volta do passeio que tinham feito e pararam ali para colaborar com Ana. Elas terminaram o grande pedaço de jardim cuidado por Ana e foram se arrumar para o almoço na cidade e a tarde de compras.

Ana tomou um banho rápido, mas relaxante o suficiente para encher a sua cabeça de ideias. Ela decidira começar um blog, revelando a felicidade que ela começara a ver na simplicidade e também serviria para fazer o registro da sua experiência ao conhecer tantos lugares novos. Decidiu que compraria uma maquina fotográfica para fazer lindas fotos e registros de toda a sua trajetória. “Estou vendo beleza demais por aqui. Não é justo guardar isso só para mim. Vou dividir com o mundo.” Pensava empolgada, enquanto deixava a água quente cair relaxando o seu corpo. Ela se sentia ainda mais feliz por aquela angustia, que tinha tomado conta do coração dela no dia anterior, ter finalmente ido embora.

Na hora de se arrumar, pensou em cada pedaço do look, e ela não se sentia tão bonita como naquele momento, desde que tinha chegado ali. Passou somente uma base e usou muita máscara nos cílios, usou um blush que iluminou sua pele e arrematou o look com um batom vermelho, que praticamente dobrou o tamanho dos seus lábios.

Quando ela chegou na sala, todos já esperavam. Mark estava com uma expressão bem contrariada no seu rosto e ao colocar os olhos em Ana, admirou-se e mesmo sem querer acabou sorrindo.

– Desculpem faze-los esperar. Tive uma ideia sobre um novo projeto e perdi alguns minutos para colocá-lo no papel.

– Que tipo de projeto? Perguntou Mark.

– Vou começar a escrever um blog. Respondeu Ana, com os olhos brilhando.

– Que interessante. E sobre o que será? Seguiu Mark realmente interessado. E nesse instante recebeu um olhar bem contrariado de Sophie.

– Vou escrever sobre a felicidade na simplicidade e tentar registrar os lugares novos que estou conhecendo.

– O que te inspirou?

– O tanto que estou me sentindo feliz. Eu nunca imaginei que seria feliz com coisas tão simples. Respondeu ela. E nesse momento pareciam ter somente os dois ali, o que incomodou muito Sophie.

– Muito legal saber que fará um blog, mas podemos ir? Pediu Sophie.

– Vamos! Estou super ansiosa por uma tarde na cidade. Disse Elizabeth, tentando mudar o clima.

Eles caminhavam até o carro que os levaria até a cidade e Ilonka falou em particular com Ana.

– Minha filha, o que foi isso?

– Isso o que mãe?

– O Mark te dando tanta atenção na frente da noiva. A Sophie parece estar muito brava com essa situação.

– Mãe, não fizemos nada demais. Acho que estão todos vendo coisas. Ele me perguntou do meu blog e eu respondi.

– Ah minha filha. Espero que você não se machuque.

– Não vou me machucar! Fique tranquila mãe. E muito obrigada pela preocupação.

– E parabéns pela ideia! Tenho muito orgulho de ter você como filha.

– Você é a melhor mãe do mundo!

– E você, a melhor filha. Animada para o seu aniversário?

– Muito! Acho que será o melhor da minha vida.

– Tomara que sim! Você merece toda a felicidade do mundo minha filha.

O caminho até a cidade foi muito rápido. A paisagem que os acompanhava era, como sempre, linda de tirar o folego. O coração de Ana disparava em expectativa e tudo que ela via fazia o seu coração realmente feliz.

Eles chegaram à cidade e Elizabeth os levou em um shopping que tinham muitas marcas famosas e muito chiques.

– Sugiro almoçarmos primeiro. Aqui tem um restaurante tradicional de comida húngaro que é muito famoso. Há até uma galeria de arte nele. Gostam da ideia?

– Sim! Estou com fome disse Agnes.

– Por mim também podemos almoçar. Disse Ilonka

E assim foram todos almoçar no sofisticado restaurante indicado por Elizabeth.

O almoço foi agradável e os assuntos aleatórios. A expectativa de Ana sobre o que estava por vir crescia a cada minuto e isso a fazia ficar em silencio, com seus próprios pensamentos, a maior parte do tempo.

Finalmente o momento das compras chegou. A cara de Mark ficava cada vez mais emburrada e a de Sophie cada vez mais feliz. Eles foram para uma grande e sofisticada loja de departamentos.

Ana não sabia para onde olhar. Ela nunca tinha visto nada parecido com aquilo na vida. Ela gostava de compras, mas aquele lugar a inspirava como nunca. Ilonka também parecia muito animada e ambas carregavam muitas coisas para os provadores para experimentarem.

As meninas estavam muito animadas. Uma grande liquidação começara naquela semana e todas as peças estavam à venda pela metade do preço. Mark sentou em um sofá de onde conseguia ver as roupas que Sophie experimentava, mas seu celular parecia muito mais atrativo do que qualquer roupa que a noiva vestisse.

Ana experimentou um lindo vestido longo de cetim vermelho com uma saia levemente rodada e uma sandália alta no mesmo tecido e na mesma cor. Quando ela saiu do provador para mostrar para a mãe que trocava o tamanho de uma peça de roupa acabou chamando a atenção de Mark. Ele parecia distraído para tudo até aquele momento. Enquanto Ana caminhava, ele sem ser visto por ela, de longe, acompanhava cada passo dela com os olhos. Tinha um que de encantamento no olhar dele. E ele não conseguiu tirar os olhos de Ana até que sumiu quando entrou de volta no provador.

“O que está acontecendo comigo?” Se perguntava Mark para si mesmo, totalmente distraído, quando Sophie o chamou.

– Hey! Está aqui afinal?

– Estou! O que foi?

– É a segunda vez que te chamo.

– Me desculpe. Me distraí.

– O que você acha desse vestido?

Sophie vestia um vestido longo, preto, todo em paetês, muito sofisticado, de um famoso estilista. O vestido caia muito bem em seu corpo perfeito.

– Acho lindo! Tudo fica lindo em você Sophie.

– Obrigada! Acho que levarei esse.

– Acho que deve levá-lo. Vou dar uma olhada na parte masculina e encontro vocês aqui em 10 minutos. Disse ele se levantando e dando um beijo rápido nela.

Mark foi para o setor masculino e Sophie voltou para dentro do provador sentindo uma certa angustia no peito. Ela sentia Mark distante apesar de todo esforço dele para ficar próximo dela.

A tarde de compras terminou com sorvete, café e muitas sacolas. Ilonka foi quem mais se animou durante as compras. Além do vestido e das sandálias, Ana ganhou sua maquina fotográfica. Sophie carregava muitas sacolas e até Mark tinha comprado algo.

– Agradeço pela deliciosa tarde que tivemos. Disse Elizabeth enquanto terminavam o café. – Há tempos eu não tinha uma tarde tão divertida assim.

– Nós que agradecemos! Respondeu Ilonka.

– Nunca vi minha mãe comprar tantas coisas de uma única vez. Disse Ana.

– E eu nunca te vi tão econômica. Brincou Ilonka.

– O que ganhei me fez muito feliz. Não preciso de nada mãe. Obrigada pelos presentes.

– Podemos chamar o carro, ou querem ir em mais algum lugar. Perguntou Elizabeth quando já anoitecia.

– Por mim podemos ir. Respondeu Agnes.

– Por nós também. Complementou Ilonka.

– Se não se importam, eu e o Mark ficaremos por aqui. Disse Sophie.

– Ficaremos? Perguntou Mark surpreso, se sentindo exausto.

– Sim, meu amor. Vamos jantar por aqui. Badalar um pouco.

A última coisa que Mark queria naquele momento era badalação, mas aceitou, mesmo contrariado.

– Está bem. Podemos ficar.

– Muito bem! Vamos as meninas e fica o casal. Combinem um horário para o Nicolai vir buscar vocês. Disse Elizabeth já se levantando. – Vamos meninas? Convidou Elizabeth.

– Se importam de levar nossas compras? Pediu Sophie.

– Claro que não. Levamos sem problemas.

Elas se levantaram e Mark e Sophie ficaram por ali. Ana acabou carregando a maioria das compras de Sophie, pois era a que tinha menos sacolas.

“Carregando as compras da dondoca… Eu deveria ter comprado mais coisas, pensando melhor.” Pensava Ana enquanto seus pés imploravam para chegarem logo no carro.

Já no carro, elas ficaram em silencio por alguns minutos. Ana repassava o seu dia na cabeça e a sua expectativa para o dia seguinte era enorme. Ela sentia os pés latejando e se arrependia por ter escolhido um sapato de salto para aquele dia. Mark e Sophie vieram para os seus pensamentos. “O que será que eles estão fazendo agora? Será que vão voltar para casa” Se perguntava Ana, realmente curiosa sobre o destino deles naquela noite.

Elas finalmente chegaram em casa e já era de jantar. Ana não podia acreditar como o tempo parecia passar mais rápido ali. Mal fazia uma refeição e já era hora de outra.

Depois do jantar, Elizabeth tocou piano. Ela só tocava quando estava feliz e depois que o marido faleceu, era a primeira vez que ela tocava. Logo a sala se encheu de lindas notas o que acabou emocionando a todos ali presentes. Mark ligou dizendo que dormiria com Sophie na cidade e que voltariam para o almoço no dia seguinte.

Ana foi dormir em expectativa. Precisaria acordar cedo para ir para Budapeste encontrar sua melhor amiga que estava chegando para passar uns dias com ela.

“A essa hora Lara já deve estar no avião, vindo para cá.” Pensava Ana, esperando que seu sono viesse. Apesar do cansaço, ela não conseguia dormir. Rolava de um lado para o outro da cama. “Onde será que Mark está agora. Fazendo sexo, com certeza. Apesar de não parecer que eles fazem sexo.” Pensava Ana e acabava rindo de seus pensamentos. “Por que penso tanto em você, Mark? Por que? Mesmo não querendo pensar!” Seguia se perguntando, enquanto seu sono não vinha.

Depois de um longo tempo se fazendo uma lista interminável de perguntas, ela finalmente conseguiu dormir.

O dia amanheceu lindo e Ana podia ouvir o som forte que os pássaros produziam, quando acordou. Ela se levantou animada e foi encontrar a mãe no café da manhã.

– Bom dia! Disse Ana ao chegar na mesa onde Agnes, Elizabeth e Ilonka já tomavam café da manhã.

– Bom dia Ana. Responderam elas.

– Ansiosa pela chegada da sua amiga? Perguntou Elizabeth.

– Sim! Muito.

– Por que não aproveita que estará em Budapeste e não passam o dia por lá. Nicolai pode ficar à disposição de você o dia todo.

– Essa é uma ótima ideia. Vocês poderiam vir comigo.

– Vá curtir sua amiga Ana. Temos um belo passeio programado por aqui. Respondeu Elizabeth.

– Obrigada por tudo! respondeu Ana. – Agora se dão licença, vou sair para encontrar com a Lara. Até mais tarde.

– Juízo minha filha. Não voltem muito tarde.

– Fique tranquila, mãe. Respondeu Ana já se levantando para ir embora ao encontro de sua melhor amiga.

A viagem até Budapeste foi rápida. Não fazia muito tempo que Ana havia percorrido aquele mesmo caminho para chegar a Mad. Apesar do pouco tempo, ela já sentia intima daquele lugar. Já parecia conhecer tudo melhor e se sentia em casa. Parecia que já estava naquele lugar há anos e de alguma maneira que não podia explicar, parecia pertencer àquele lugar.

Ela pensava sobre parecer estar ali há muito mais tempo do que realmente estava, quando viu Lara caminhando em sua direção.

– Lara! Gritou Ana correndo para encontrar a amiga.

– Ana! Gritou Lara já esticando os braços para abraçar a melhor amiga!

– Que saudades cabeça!

– Nem me fale. E aí? O que faremos. Já perguntou ansiosa.

– Vamos passar o dia aqui em Budapeste e iremos para Mad no final do dia. Pode ser?

– Claro que pode! A partir de agora meu destino está em suas mãos! Brincou Lara.

Elas entraram no carro e Ana pediu para Nicolai percorrer o caminho que ela mesma tinha feito dias atrás para explorar a cidade, passando pelos principais pontos turísticos da cidade.

No final da tarde as melhores amigas se sentaram às margens do rio Danúbio com seus sorvetes e suas histórias.

– Estou tão feliz por você estar aqui. Disse Ana.

– E eu de estar aqui!

– O Caíque chega quando?

– Daqui 1 semana!

– Ainda está super apaixonada?

– Ana, eu sempre terei dúvida sobre ser a pessoa certa. Sei lá… tem tanta gente no mundo. E toda aquela novidade se foi.

– Mas você parecia tão apaixonada.

– E eu estava. Estou. Eu gosto dele. Mas foi a primeira vez que vivi esse tipo de relação e não sabia muito o que esperar. Mas estou bem. Estamos bem. Está tudo bem. E você? Me fala do Mark. Estou super curiosa para conhece-lo. Já conseguiu decifra-lo?

– Lara eu nem sei por onde começar.

– Tente pelo começo. Mas não vai escapar de me contar essa história.

– Ele é muito enigmático. É impossível saber o que ele está pensando. Ele tem 26 anos, mas parece muito mais velho. Ele usa palavras difíceis. Parece um dicionário. Ele usa roupas sociais para percorrer jardins em pleno feriado. Trajes realmente sociais. Ele sabe tudo de vinhos. E aparentemente tudo de tudo. Ele odeia a vida no campo, mas está vivendo essa vida por um tempo para ajudar a dar um rumo para os negócios da família. Ah e ele tem descendência da monarquia. Poderia ser rei algum dia, caso uma catástrofe acontecesse na Inglaterra. Ele tem título, duque, conde, algo assim. Ele é diferente de tudo que eu já vi na minha vida. Ele é arrogante e chato. Mas tem momentos quase doces.

– Isso me parece bem instigante.

– Ah e ele tem uma noiva. Deslumbrante. Também tem título. Condessa eu acho. Mas a postura dela a faz parecer mais a rainha da Inglaterra. Mais arrogante do que ele. Quando ela está presente só ela fala. E ela parece ter um estilista, um cabeleireiro, um dermatologista e um dentista particulares. Ela está sempre impecável e usando as roupas mais incríveis do mundo.

– Acho que estou conseguindo imaginar.

– Consegue imaginar o casal?

– Acho que sim.

– Você vai conhece-los hoje. Daqui a pouco. Não se espante se ela te olhar de cima. Esse parece ser o único angulo que ela conhece.

– Credo. Que ser humano horrível.

– Só por dentro amiga. Por fora é um ser humano muito bonito.

E elas caíram na gargalhada.

– Acho que você é areia demais para ele.

– Ai Lara! Você é mesmo maravilhosa.

– Você que é, minha melhor amiga. Disse Lara abraçando Ana.

– O que será que a vida nos reserva? Perguntou Ana.

– Para hoje? Muitos drinks. Vamos ficar bêbadas.

– Para sempre!

– Certamente coisas boas. Mas por favor, vamos ficar bêbadas.

– Naquela casa será fácil ficarmos bêbadas. E gordas!

– Jura? Comida e bebida incríveis?

– Incríveis é pouco!

– Ai Ana! Então aqui é o paraíso. Não vejo a hora.

– Ah! E tem vista deslumbrante.

– E tem Mark! Né Ana? Brincou Lara.

– Ele não faz a menor diferença nesse contexto. Mentiu Ana. E nesse momento Ana se deu conta do quanto gostava do Mark. Aquilo tudo era incrível, mas ela tinha dúvida se seria se ele não estivesse inserido nesse contexto.

– Estou brincando com você. Mas não posso negar que estou muito curiosa para conhece-lo.

– Então vamos para casa. É hora conhecer todo mundo. Convidou Ana empolgada!

– Chego a sentir um frio na barriga.

– E a vida fica bem melhor assim, né? Evitei esses sentimentos a vida toda e nos últimos meses comecei a precisar disso para viver. Estou adorando a vida com frio na barriga. Empolgou-se Ana.

– Nossa cabeça! Lembro de você falando do amor de maneira racional. Como você mudou amiga!

– Ainda bem que mudei. Eu ia me arrepender se descobrisse como a vida pode ser divertido só com 30 anos. Descobri cedo!

– Isso que importa.

Elas viram o sol se por do ângulo mais bonito da cidade e quando começava a anoitecer elas iam para casa, sentindo um misto de gratidão e frio na barriga, que enchiam o coração de felicidade.

Elas chegaram no portão da casa e Lara se arrumou no banco. Enquanto o carro percorria o caminho de entrada já se podia ter uma linda vista da propriedade, que também ficava linda à noite, toda iluminada.

– Q-U-E L-U-G-AR É E-S-S-E? Indagou Lara enquanto se aproximavam da entrada.

– Você precisa ver durante o dia. Brincou Ana.

Quando chegaram em casa, Mark estava sozinho na varanda.

– É ele! E está sozinho. Disse Ana empolgada.

– Ele é lindo! Mas parece mesmo bem mais velho. Respondeu Lara.

E assim foram caminhando em direção a ele em silencio. Ana sentia que todos podiam ouvir seu coração bater.

– Oi Mark! Cumprimentou Ana. – Essa é minha melhor amiga Lara.

– Prazer em conhece-la, Lara. Disse ele rapidamente nem olhando direito para ela e já se dirigiu à Ana. – Vocês demoraram. Está tudo bem?

Lara tentou responder mas nem conseguiu, tamanha a velocidade que ele se dirigiu à Ana.

– Está tudo bem! Todos sabiam que passaríamos um tempo lá. Respondeu Ana.

– Mas não que chegariam à noite. Estamos todos preocupados.

– Ontem você não parecia tão preocupado comigo quando decidiu ficar na cidade e passar a noite por lá.

– Nem sei o que te responder.

– Nem sei porque estamos aqui parados discutindo. Está tudo bem. Obrigada pela preocupação. E esqueça o que eu falei sobre ontem. Disse Ana arrependida por todas as suas últimas palavras dela. – Vem Lara. Vamos conhecer o resto das pessoas e ver onde você vai dormir. Disse Ana já arrastando a amiga e deixando Mark sozinho na varanda.

– O Q-U-E F-O-I I-S-S-O? Disse Lara enquanto era arrastada para dentro da casa.

– O que?

– Ele todo preocupado. Ele gosta de você, cabeça. Tenho certeza.

– Você viu como ele é ríspido comigo. Alguém que gosta de alguém deveria ser mais amoroso.

– Ai Ana… você está encrencada.

– Não viaja! Vamos. Está muito lerda.

– Que casa é essa? Que homem é aquele? Que cena foi aquela? Mal chegamos e parece que estou em um romance, em um filme, ou algo assim. Disse Lara totalmente encantada.

Ana apresentou a amiga para todos, inclusive para Sophie que apareceu somente na hora do jantar. Depois do jantar ficaram todos na grande varanda conversando e aproveitando uma deliciosa safra de vinho de sobremesa.

Naquela noite todos foram dormir cedo, em expectativa ao dia seguinte onde aconteceria a grande festa de aniversário da Ana.

Ana não conseguia dormir. Rolava de um lado para outro. Pensava no que estava por vir. Pensou em Mark, e nesse momento relaxou e finalmente conseguiu dormir.

O dia amanheceu lindo. Céu azul, sol e nenhuma nuvem no céu.

Já no café da manhã Ana recebeu muitos abraços e muitos desejos de felicidades. Só faltou o abraço de Mark que estava trabalhando desder cedo. Logo depois do café Ana e Lara foram fazer um passeio pela vinícola, lugar em que aconteceu um delicioso almoço de aniversário para Ana. As duas amigas andaram a cavalo e tomavam champagne dentro de uma piscina natural de água quente que ficava dentro da propriedade, quando Mark chegou.

– Desculpe a demora em te cumprimentar. Feliz aniversário. Perguntei por você e me disseram que estava aqui. Disse ele de maneira formal, usando um traje absolutamente formal.

Ana se sentia constrangida de falar com ele de dentro da piscina, mas ainda mais constrangida de sair de biquíni toda molhada para abraça-lo. Então preferiu ficar onde estava.

– Obrigada pela atenção. Fiquei feliz com a sua presença.

– Aproveite o resto do seu dia. Nos vemos em algumas horas na sua festa.

– Vou aproveitar.

– Com licença. Pediu ele e saiu.

Enquanto ele caminhava, Sophie apareceu na paisagem vindo na direção dele.

– Onde você estava? Não precisava trabalhar? Me deixou o dia todo sozinha e te encontro aqui com a Ana! Esse lugar está te deixando mole.

– Não fale assim comigo. Trabalhei o dia todo e estou indo para casa. Passei apenas para cumprimentar Ana pelo aniversário dela.

– Não precisava. Agora podemos ir para casa?

– Claro que podemos.

Mark tentou abraçar Sophie, mas ela não deixou.

Ana e Lara observavam a cena. Percebiam que brigavam, mas não conseguiam ouvir o que diziam.

– Ana, esse homem gosta de você! E até a noiva dele já percebeu.

– Lara, não sei de onde você tira isso. Ele veio aqui parecendo um robô, falou de maneira desajeitada, ainda parecendo um robô e foi embora parecendo um robô. E um robô com pouco repertório.

– Ana, acho que está ficando cega ou tonta.

E as duas caíram na gargalhada.

Já anoitecia quando elas finalmente foram embora para casa. Tinham que se arrumar para a grande a festança que aconteceria em 1 hora.

Quando elas chegaram em casa, foram, cada uma para o seu quarto, para tomar banho. Ana chegava no seu quarto quando começou a ouvir gritos vindo do quarto de Mark. Sabia que era errado, mas ficou ali, para ouvir o que estava acontecendo.

– Eu vou embora! Esse lugar é rústico demais. Já te transformou num fraco. Eu odeio o campo! Odeio a vida fora da cidade. Odeio esse lugar! E acho que odeio você, se você não vier comigo! Gritava Sophie totalmente fora de controle.

– Por favor, Sophie se acalme. Uma festa acontecerá aqui daqui a pouco.

– Pouco me importa! Não entendo porque se importam tanto com uma qualquer, que nem conheciam há poucos dias.

– Sophie, não fale dessa maneira das pessoas da minha família.

– Essa nem é sua família Mark. Em que mundo está vivendo? Sua família se foi.

– Já chega Sophie! Mesmo que não queira ficar, não acho seguro que vá embora agora.

– Eu vou embora agora. E espero que venha comigo.

– Não posso fazer isso e você sabe porquê.

– Então irei sozinha. Não fico nesse lugar nem mais um minuto.

– Sophie, por favor não seja inconsequente. Por que age dessa maneira? O que está acontecendo com você?

– Nunca estive tão lúcida! Isso tudo aqui não tem anda a ver com a gente. E é bom que saiba que talvez minha vida não tenha mais espaço para você quando acordar desse seu novo sonho daqui a três meses.

– Espero que seja paciente e compreenda o momento que estamos passando, como tem feito até agora.

– Estou tão cansada de tudo, Mark.

– Eu sei. Te entendo. Disse ele tentando abraça-la.

– Realmente preciso ir. Preciso trabalhar. Me desculpe. Disse ela. – Não queria ter me excedido tanto. Mas estou muito nervosa com essa situação.

– Te entendo. Fique! Por favor.

– Não vou ficar. Consegui um voo por um milagre e não vou perde-lo. Respondeu ela já em seu tom de voz normal.

– Vou leva-la ao aeroporto.

– Então não vem mesmo comigo?

– Não vamos mais falar nisso. Disse ele concluindo o assunto.

Sophie terminou de arrumar as suas coisas e os dois saíram sem se despedir de ninguém a caminho do aeroporto. E para sorte de Ana, sem vê-la, pois ela tinha conseguido entrar em tempo em seu quarto.

Ana se sentia triste com tudo que tinha ouvido sobre ela e ainda mais triste porque não teria a presença de Mark em sua festa de aniversário. De alguma maneira estranha ela tinha pensado em todo look para impressioná-lo naquela noite.

Mas a empolgação daquela noite era enorme e ela resolveu não se deixar abalar por aquilo. Ela sentia a ausência de Mark, mas também sentia um alívio enorme em saber que a Sophie estava indo embora e assim, ela poderia relaxar novamente. O que parecia impossível desde que ela tinha chegado. O banho relaxou Ana e ela finalmente só conseguia enxergar o copo meio cheio.

Assim que Ana saiu do banho, Lara chegou no quarto dela para terminaram de se arrumar juntas e em poucos minutos, estavam lindíssimas a caminho do grande salão onde a festa aconteceria.

O lugar estava lindo. Estava todo decorado com flores em tons de rosa pink e amarelo. Nos rótulos dos espumantes que circulavam nas bandejas dos garçons Ana encontrou uma linda mensagem: “Safra especial para Ana.” E ela não podia acreditar no que estava lendo. “Uma das marcas mais especiais e valiosas do mundo tem uma safra especial, dedicada a mim.” Pensava ela sem conseguir acreditar em tudo que os seus olhos viam. Uma mesa enorme e luxuosa de doces, velas e flores arrematavam o cenário que ainda estava repleto de balões metalizados que flutuavam pelo ambiente levando as letras do nome dela. Ela nunca tinha se sentindo tão homenageada como naquele momento. E nunca tinha visto nada mais bonito que aquilo. Ela seguia não conseguindo acreditar que aquilo tudo era para ela.

– Feliz aniversário, minha filha! Disse a mãe abraçando a filha.

– Obrigada mãe! Respondeu Ana emocionada.

E na sequencia Elizabeth e Ilonka vieram cumprimenta-la.

As pessoas começavam a chegar e rapidamente o salão estava cheio de gente. Algumas já conhecidas e outras totalmente desconhecidas para Ana. A presença de Lara tornava tudo mais familiar e alegre. Sebastian e Caterine voltaram para a festa e as filhas de Elizabeth também vieram de Paris para a comemoração que ia além do aniversário de Ana. Parecia um florescer daquela família, depois do último encontro tão triste que tinham tido para se despedir de alguém tão especial. Apesar de o lugar estar cheio, Ana sentia o vazio deixado pela ausência de Mark.

A festa ia passando e as pessoas ficavam cada vez mais felizes por causa do champagne e o clima de felicidade tomava conta da noite, que seguia embalada pelas músicas preferidas de Ana produzidas por um DJ famoso na Hungria.

Ana estava na frente do seu bolo aniversário e tinham acabado de acender as velas que revelavam os seus 22 anos, quando uma sombra na porta chamou sua atenção. Tinha uma pessoa chegando.

Era Mark, que chegava usando um smoking que lhe vestia perfeitamente e o deixava mais lindo do que nunca. O rosto de Ana se iluminou. E não era por causa do fogo que emanava das velas que tinham acabado de acender na frente dela.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 22 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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