Capítulo 22 – Acho que estou sonhando

A noite de Ana finalmente ficava completa e a chegada de Mark a fazia mais feliz do que ela esperava ou queria admitir. Ela soprou as velinhas e recebeu seus 22 anos cheia de boas expectativas em seu coração.

Depois do parabéns a festa ficou ainda mais animada. Ilonka e Tibor estavam mais felizes do que nunca juntos. Sebastian cercava Ana o tempo todo e ela dava um jeito de escapar dele, mas mesmo com as fugas dela, isso acabava afastando Mark. Ana e Lara se divertiam juntas e dançavam muito junto com as irmãs de Mark, Caroline e Lindy. Elas tinham chegado naquele dia, mas todas tinham a sensação de se conhecerem há muito tempo e ficaram amigas à primeira vista. Lindy cercava Sebastian, porque ela tinha uma paixão secreta por ele desde a adolescência, mas ele não parecia ligar muito para ela. Mark seguia na festa, mais como observador do que como participante, observando tudo o que acontecia.

A festa entrava madrugada a dentro e ninguém ia embora. As meninas ficavam cada mais alteradas pelo álcool, Sebastian cada vez mais insistente e Mark cada vez mais calado. Ana queria a companhia dele, mas estava tão feliz naquela noite, que a distancia dele não importava. O fato de Mark estar presente já era o suficiente.

As pessoas começavam a ir embora e Ana sentia uma alegria tão grande que não podia imaginar ir dormir naquela noite. Ela queria que aquele dia durasse para sempre.

A festa tinha acabado e em pouco mais de 1 hora o dia amanheceria. Ana, Lara, Caroline, Lindy, Caterine e Sebastian estavam na varanda planejando o que fariam porque ninguém queria ir dormir, quando Mark chegou.

– A festa acabou. Vocês não vão dormir? Perguntou Mark chegando na varanda.

– Não queremos ir dormir. Estávamos aqui tentando encontrar algo para continuar a noite. Disse Ana empolgada.

– Admiro essa disposição. Disse ele.

– Você devia se divertir mais Mark, parece um velho. Aliás, desde sempre você parece um velho. Disse Caroline, que dos três era a que mais aproveitava a vida.

– E você deveria amadurecer Caroline. Desde sempre leva a vida menos a serio do que deveria.

– Lição de moral a essa hora não Mark.

– Por que não assistimos ao por do sol! O sol nascerá daqui a pouco. Propôs Ana cortando a conversa entre Mark e Caroline.

– Ótima ideia Ana. Vou pegar algumas garrafas de champagne. Disse Sebastian já correndo para pegar as garrafas.

– Vou te ajudar. Disse Lindy indo com ele.

– Vem com a gente Mark? Convidou Ana.

Nesse momento todos ficaram em silencio em expectativa com a resposta dele.

– O convite é tentador. Mas estou exausto. Não consigo entender de onde tiram tanta energia. Respondeu ele.

– Você já fez isso alguma vez na sua vida? Provocou Ana.

– Hum. Acho que não. Sempre acordei cedo, mas nunca fiquei acordado esperando o sol nascer.

– Não sabe o que está perdendo. Disse Ana.

Nesse momento Sebastian e Lindy chegaram com 4 garrafas de champagne, com os rótulos que traziam a safra especial para Ana.

– Vamos? Propôs Sebastian empolgado.

– Vamos. Disseram em coro se levantando.

– Venha Mark. Insistiu Ana. – Venha se divertir um pouco.

Mark respirou fundo.

– Acho que é hora de me divertir um pouco. Concordou Mark aceitando o convite.

Ana não disse nada. Mas nem precisava porque seu rosto se iluminou com um sorriso.

Eles começaram a caminhar pelos jardins repletos de flores em seus vestidos de gala e seus smookings impecáveis, carregando garrafas de champagne caríssimas nas mãos. Os pássaros começavam a cantar e o céu ganhava alguns tons coloridos.

Ana respirava fundo e agradecia silenciosamente a oportunidade de estar vivendo tudo aquilo, enquanto caminhavam.

– Está feliz? Perguntou Mark à Ana enquanto caminhava ao lado dela.

– Muito feliz. Acho que dá para ver né?

– Sim! Dá para ver. Sua felicidade é contagiante. Acho que nunca vi alguém que consegue dizer tão bem o que sente, sem dizer nada, como você.

– E isso é bom? Perguntou ela sem saber direito se era uma crítica ou um elogio.

– Isso é ótimo.

– O que houve com Sophie?

– Prefiro não falar nesse assunto, se não se importa.

– Como preferir. Mas está tudo bem com você?

– Sim. Está tudo bem.

“Claro que está tudo bem! Afinal você parece não ter sentimentos. Depois do que aconteceu com você, deveria estar arrasado.” Pensava Ana consigo mesma, sem saber o que responder para ele.

E nesse momento foram separados por Sebastian.

– Não roube a aniversariante só para você Mark. Disse Sebastian ao chegar colocando os braços em torno dos ombros de Ana.

– Não foi minha intenção. Disse Mark contrariado.

– Sebastian, não exagere. Disse Ana tirando os braços dele de cima dela.

E nesse momento chegaram a um lugar lindo, repleto de flores e árvores, muito alto, que tinha uma vista deslumbrante. O lugar tinha muitas espreguiçadeiras de madeira e cada um se sentou em uma.

Eles bebiam champagne, falavam de coisas aleatórias e morriam de rir, quando o sol começou a aparecer. Esse sinal que o dia nasceria fez com que todos ficassem em silêncio.

Eles estavam deitados em suas espreguiçadeiras e completavam a poesia da cena. O sol nascia e sua luz revelava o brilho dos vestidos longos que voavam com a brisa suave que chegava junto com o sol. Eles seguiam bebendo champagne, em silêncio e alma de todos ali sorriam, enquanto o sol nascia.

– Esse champagne é mesmo maravilhoso. Disse Ana quebrando o silencio. – Nem acredito que foi dedicado ao meu aniversário.

– Foi dedicado a você. Disse Caroline. – E olha que esse é o rótulo mais caro de todo o portfolio da marca. Minha mãe gosta mesmo de você!

– É deliciosa. Mas por que é tão cara?

– Ela é produzida na região de Champagne na França. Poucas marcas possuem esse tipo de bebida. Temos uma propriedade lá destinada a produzir essa bebida. Estamos entre as poucas marcas no mundo que produzem o champagne de verdade, nessa região. É o que temos de mais especial. Disse Mark, entrando na conversa, fazendo Ana se sentir a pessoa mais especial do mundo.

– Deve ser lindo lá! Um dia quero conhecer. Disse Ana.

– Lá é realmente muito bonito. É ainda maior do que aqui. Como existe aqui, lá tem um enorme espaço da marca para visitação. Os turistas pagam para fazer passeios pelas caves e degustar champagne. Esse é um passeio bem tradicional por lá. Mas não faltarão oportunidades para você conhecer. Terei que ir a trabalho em breve e pode vir junto se quiser. Respondeu Mark prontamente.

O coração de Ana acelerou em expectativa e nesse momento, Lindy se levantou cheia de coragem e pediu para se deitar ao lado de Sebastian e ele, pela primeira vez, abriu os braços para recebe-la. Ela se deitou ao lado dele, aconchegou-se nos braços dele e falava com os olhos que o desejava mais que qualquer coisa. O sol já tinha nascido e o dia estava claro quando Sebastian e Lindy se beijaram.

Lindy era uma mulher interessante, mas não era muito bonita. Tinha o corpo um pouco desproporcional. Tinha seios grandes e pernas muito finas. Seu nariz era grande demais para o seu rosto e os lábios eram finos. Ela era muito inteligente e decidida. Sempre gostou de Sebastian, que nunca deu a menor chance para que acontecesse algo entre eles. Ele sempre ficou com mulheres belíssimas e nunca se prendeu em nenhum relacionamento sério com ninguém. Isso acabava desafiando Lindy ainda mais. De alguma maneira os amigos e as irmãs deles, sempre torceram para que ficassem juntos, mas Sebastian mostrava a cada dia que isso ficava cada vez mais distante. Até aquele dia, em que finalmente ele sucumbiu à insistência de Lindy.

Caterine e Caroline ficaram felizes. Elas sabiam o quanto Lindy tinha desejado aquilo sua vida toda. Mark se preocupava pela irmã, afinal achava Sebastian um pouco cafajeste com as mulheres, mas ao mesmo tempo sentia um certo alívio, por não ter ele em cima de Ana o tempo todo.

Lara sentia saudades de Caíque e desejava ele e mais ninguém ali. Ana desejava que Mark estivesse ali com ela e começava a admitir para si mesma seus sentimentos diferentes por ele.

Estavam todos cansados e começavam a se entregar ao sono, quando decidiram voltar para casa.

No caminho Lara e Ana vieram conversando.

– Ana, ainda estou C-H-O-C-A-D-A com essa festa. Aliás, com tudo aqui. Amiga!!! Champagne, “the real o one”, porque todo o resto é espumante, produzida na região de Champagne com rótulo customizado para você. Sério! O que foi isso? E a forma como Mark falou com você. Sério!!! Derreti.

– Nem sabia que essas coisas existiam. Nunca sequer tinha saído do Brasil. Estou maravilhada com tudo. Meu coração está borbulhando igual a champagne.

– Você merece! E esse romance todo, essa magia toda, me fez pensar no Caíque. Estou morrendo de saudades dele! Acho que gosto dele de um jeito muito especial. Preciso admitir. Disse Lara.

– E eu preciso admitir que acho que gosto do Mark de uma maneira especial. Não sei dar exatamente o nome para esse sentimento, a única coisa que sei é que isso me dá muito medo!

– Eu sabia! E sei o nome! Isso é amor! Por que te dá medo? Ele parece gostar de você.

– Acho que nunca vi nada que parecesse tão impossível quanto isso.

– No amor não existe nada impossível, cabeça!

– E Romeu e Julieta?

– Isso é Shakespeare! Isso foi um romance e não vida real.

– Ok! Tem razão. Estou romantizando tudo. Logo eu, que nunca fui fã dos romances.

– Mas não pense nisso. Você pensa demais. Racionaliza demais. Se preocupa demais. Apenas viva Ana! Romantizar é bom!

– Eu sei Lara. Admito! Sou assim mesmo. Mas essa sou eu. Eu não consigo evitar. E se sinto ou me comporto de maneira diferente, fico em pânico.

– Então tente. Não boicote sua felicidade. Viva o momento. Se não der certo, você encontrará outro amor. Lembra do Michel? Você estava comendo grama por causa dele. E onde ele está agora?

– Ficou lá atrás. Você tem razão.

– Pare de pensar racionalmente o amor. Talvez ainda conheça muitos Marks e Michels pela vida até encontrar a pessoa certa.

– Minha melhor amiga está sabendo tudo de amor afinal. Parece uma especialista falando.

– Deve ser a experiência! Brincou Lara.

E as duas caíram na gargalhada.

Mark andava sozinho e em silencio bem atrás delas. Ele observava Ana e admirava tudo que vinha dela. A espontaneidade, a alegria, a leveza e a graça. Ela era diferente de todas as mulheres que ele tinha conhecido na vida dele e o oposto de Sophie, com quem casaria em algum tempo, a mulher que ele já não sabia se tinha escolhido ou se tinham escolhido para ele. Mas ele não conseguia imaginar a vida dele sem Sophie. E também não conseguia imaginar uma vida diferente da que tinha planejado. E muito menos qualquer coisa entre ele e Ana. Ele sequer conseguia entender tudo que ele estava sentindo.

Eles finalmente chegaram em casa e o cansaço tomava conta de todos.

Lindy e Sebastian foram dormir juntos e os demais, foram cada um para o seu quarto.

Ana tentava repassar todo o seu dia, que tinha sido incrível e tinha sido o melhor aniversário da vida dela, mas o cansaço era tanto que ela acabou dormindo.

Todos acordaram depois do almoço, e a casa tão cheia de gente durante o final de semana, começava a esvaziar a medida que o domingo ia chegando ao fim.

Sebastian e Caterine foram os primeiros a irem embora para casa. Logo depois, foram Lindy e Caroline. Agnes que estava com eles, desde o primeiro dia também voltou para casa. Tibor foi o último a ir embora e deixou Ilonka triste por causa de sua ausência por todo o resto da noite. Por fim, ficaram na casa Ilonka e Elizabeth e os jovens Mark, Ana e Lara. E com a ida de tanta gente, a casa enorme ganhou um silencio um pouco dolorido.

O silencio tomou conta da noite. Mark pouco falou e Ana se sentia a pessoa mais sortuda do mundo por ter a sua melhor amiga com ela. Elas foram assistir filme e deixaram todo aquele silencio, quase angustiante, para tras. Mark acabou se fechando por horas no escritório. Elizabeth e Ilonka ficaram tomando chá e falando sobre amor. Ilonka se sentia flutuando e experimentava esse tipo de sentimento pela primeira vez na vida, porque nem pelo ex-marido tinha suspirado daquela maneira.

Ana e Lara foram dormir tarde depois de emendarem um filme no outro e logo o dia seguinte já chegava.

A segunda-feira começou com céu azul, sem nenhuma nuvem e um sol tão poderoso, que trazia o dia mais quente do ano.

Quando Ana e Lara chegaram para tomar café, encontraram um clima tenso na varanda onde já estavam Ilonka, Mark e Elizabeth.

– Bom dia! Disseram elas.

– Tudo bem por aqui? Perguntou Ana servindo sua xícara de café.

– Mais ou menos. Respondeu Mark prontamente. – Hoje receberemos alguns empresários importantes de diferentes países da América Latina e nosso tradutor teve um problema no voo e não conseguiu chegar. Para piorar a situação, nossa recepcionista, que ia ajudar com a visita, também teve um problema e não conseguiu vir.

– Nossa, que azar tudo acontecer assim. Se precisam de ajuda, posso ajudar. Tanto recepcionando as pessoas, como tentando fazer tradução. De que países as pessoas são?

– Argentina e Chile. Respondeu ele, surpreso com a oferta de ajuda.

– Meu espanhol é médio. Mas a Lara fala espanhol super bem. Eu posso ser a recepcionista e a Lara a interprete. Né, Lara?

– Claro! Respondeu Lara totalmente em dúvida sobre a capacidade de alcance do seu espanhol.

– Meninas, agradeço a ajuda, mas precisariam ter treinamento para ajudar com essa visita. Respondeu Mark.

– Que tipo de trabalho teremos que fazer? Perguntou Ana.

– Precisam ajudar com as taças para as degustações, conhecer termos técnicos para a tradução e algumas outras coisas.

– Que horas será a visita? Podemos estudar. Respondeu Ana.

– Será às 14 horas.

– Então temos, hum… Ana olhou para o relógio. – 6 horas para aprender. Pode contar com a gente. Disse Ana empolgada.

– Sendo assim, aceito a ajuda de vocês! Vocês precisam vestir os uniformes. Se puderem, vamos agora mesmo para a principal cave para que possam providenciar os uniformes adequados para vocês, as identificações e o treinamento supersônico.

– Só precisamos escovar os dentes e saímos. Voltamos em 5 minutos.

– Espero aqui. Obrigado meninas. Vocês podem salvar esse dia.

Ana saiu com Lara e Mark ficou à espera delas totalmente encantado com a bondade e a coragem que moravam em Ana.

Ele mal tinha dado conta que elas tinham saído e logo elas estavam de volta.

Enquanto caminhavam para o carro que os levariam, Lara brincou com Ana.

– Cabeça! Só porque é para você! Meu espanhol não me faria sobreviver na Espanha. Só queria deixar isso bem claro. Quando você disse que tínhamos 6 horas para aprender, pensei não ser tempo suficiente para aprender um novo idioma.

Ana deu uma gargalhada e logo falou:

– Não seja modesta Lara! Seu espanhol é perfeito.

– Tomara que esteja certa. E quanto à senhorita, acho que não sabe diferenciar um vinho seco, de um doce, que dirá as taças com que se bebe cada um. As pessoas que entendem disso estudam anos. Você tem estudado, ou algo assim?

– Aprendemos rápido cabeça!

E as duas caíram na gargalhada.

– Eu te amo cabeça! Disse Ana totalmente grata à amiga.

– Tudo por você cabeça! Te amo até a lua e a volta. Respondeu Lara.

Já no carro, Mark agradeceu novamente a ajuda:

– Vocês estão salvando o nosso dia! E um negócio importante pode se concretizar para a nossa marca hoje. Muito obrigado, mais um vez pelo apoio.

– Faremos o melhor que pudermos. Respondeu Ana.

– O primeiro dia de passeio de vocês, sem compromissos com horário, e terão trabalho. Sinto muito por isso. Disse Mark.

– Não é o primeiro dia! Já fizemos coisas muito legais desde que a Lara chegou. E estamos animadas com esse dia na cave. Já íamos lá na verdade. Respondeu Ana.

– De qualquer maneira, fico devendo algo especial para vocês.

– Não se preocupe Mark! Disse Ana.

Eles seguiram em silencio e Lara ia se encantando cada vez mais com o caminho. Ana, apesar de já conhecer a paisagem que levava às caves, seguia se encantando com o que via pelo caminho.

Quando chegaram, já tinham 2 funcionários esperando por eles, que tinham sido previamente avisados por Mark. Uma funcionária as acompanhou para um vestiário e em minutos elas voltaram usando uniformes muito sofisticados em tons de cinza escuro e dourado, com logos da marca e placas de identificação com seus nomes e país de origem. Ambas estavam belíssimas e pareciam mais velhas do que eram e muito profissionais. Elas estavam maquiadas e tinham os cabelos presos por tranças e coques.

– Aí estão vocês. Os uniformes ficaram ótimos. Prontas para o treinamento? Disse Mark.

– Prontas. Respondeu Ana, mais charmosa do que nunca.

Em poucos minutos estavam em uma sala com vários profissionais que trajavam o mesmo tipo de uniforme que o delas. Entre eles, estava Sacha, a melhor somelier da Hungria, que parecia dar o que fosse preciso para fisgar Mark, o solteiro mais cobiçado da região, o grande herdeiro de todo aquele império, com educação impecável e muito charme que além da aparência era trazido pelo seu jeito misterioso e desafiador.

Elas ficaram a manhã inteira recebendo vários tipos de informação e perto da hora do almoço já se sentiam famintas e exaustas. Tinham tido um treinamento intenso, que tinha durado algumas horas, mas Ana e Lara sentiam que estavam concluindo uma universidade que tinha durado 4 anos ininterruptos.

– Acho que merecem um almoço especial. Convidou Mark vindo recebe-las no final do treinamento.

– A somelier, também merece um almoço especial? Perguntou Sacha, se insinuando.

– Claro! Todos merecem. Todos se esforçaram muito. O almoço de vocês está servido em nossa área especial, reservada para receber os mais importantes eventos.

Ana se encheu de expectativa.

Eles caminharam por vários corredores e passaram por portas somente abertas por crachás autorizados, até chegarem em um grande salão. O salão, era na verdade uma grande adega, totalmente climatizada, com pé direito muito alto e paredes forradas com as mais diversas garrafas de vinho. Era de cair o queixo. Era grandioso e exclusivo. Parecia uma sala para receber o rei da Inglaterra, o James Bond ou a Madona. Era um lugar singular e único. No meio do salão, entre as paredes forradas de garrafas de vinho, tinha uma mesa muito comprida, que parecia ter vindo de um palácio, com três lustres imensos de cristal que pediam do teto altíssimo. A mesa estava impecavelmente posta. Ana e Lara se sentiam da realeza e tinham dúvidas se conseguiriam usar todos os talheres e taças dispostos na mesa. Todos se sentaram e Mark começou a falar.

– Esse almoço é para agradecer o apoio e esforço de todos vocês. Quero pedir a Ana que vá buscar o vinho que acompanhará nossa refeição. Aqui temos o que há de melhor e mais especial, já produzido pela nossa marca. E você pode escolher o que quiser Ana.

Ana não tinha ideia do que fazer. Mas se levantou e foi em direção à uma das paredes.

– São muitos! Não sei nem por onde começar….

– O Juan, responsável por esse espaço, te ajudará.

– Hum pensando bem, acho que sei. Qual será cardápio? Perguntou ela para Juan

– Aqui está Ana. Disse ele dando a ela um pedaço de papel com a relação de tudo que seria servido.

– Obrigada Juan. Respondeu Ana pegando o papel.

Ana olhava atentamente para a relação de pratos e pensava em tudo que tinha acabo de aprender. Em segundos seus olhos já corriam as prateleiras em busca das garrafas.

– Acho que esses aqui parecem ser os ideais. Disse Ana apontando para 3 tipos de vinho.

– Excelente escolha a da senhorita. Disse Juan aprovando as escolhas dela.

– Obrigada Juan. Respondeu Ana se sentindo mais aliviada depois da descarga de adrenalina que tinha jorrado em seu corpo.

Quando Ana se sentou, recebeu um aceno de cabeça com a aprovação de Mark. E nesse momento as cortinas das 4 paredes se abriram revelando vidros imensos e uma paisagem estonteante com arvores, flores, jardins e um enorme chafariz.

– Uau! Ana deixou escapar ao se maravilhar com a paisagem.

Mark apenas riu.

Eles terminaram o almoço, que foi impecável e cheio de indulgencias do início ao fim. Eles tomavam café quando o celular de Mark apitou anunciando as chegada dos potenciais clientes.

Logo Mark, Ana e Lara estavam chegando na principal cave onde receberiam os importantes empresários da América Latina.

O espanhol de Lara estava melhor do que ela própria esperava e Ana parecia ter feito anos de curso. Tudo corria muito bem e Ana e Lara eram muito eficientes. Mark se encantava com a Ana, com a sua coragem, versatilidade e seu jeito encantador.

A tarde passou voando e no final do dia Mark conseguiu fechar negócios importantes com os empresários latinos.

Na volta para casa Mark elogiou e agradeceu as meninas já dentro do carro que os levava.

– Esse dia foi muito acima de todas as minhas expectativas. Quando vocês se ofereceram para ajudar, não imaginei que eram tão boas nisso ou que conseguiriam aprender tão rápido. Fiquei muito impressionado com o que fizeram. E ainda preciso dizer que vocês foram fundamentais para conseguirmos fechar esse grande negócio.

Ana ouvia atentamente o que Mark dizia e pensava consigo mesma.

“Gente, não fizemos nada demais. O que o impressionou tanto? Bom, mas não posso dizer isso para ele.”

– Obrigada pelo reconhecimento, mas não foi nada demais. Respondeu Ana.

– E eu só falei espanhol. Emendou Lara.

– Acho que vocês realmente não tem noção do que fizeram hoje. Mas de qualquer maneira fica meu agradecimento. O que posso fazer para compensa-las pelo trabalho? Ofereceu ele.

– Já fez. Hoje tive o almoço mais especial da minha vida. Respondeu Ana.

– Quero fazer mais.

– Mark, não precisa….

– Já sei o que farei. Disse ele interrompendo Ana.

– O que? Ana perguntou curiosa.

– Amanhã estou indo para a França, na nossa propriedade na região de Champagne. Ficarei lá 2 dias. E acho que poderia ser um lindo passeio para vocês, já que ainda não conhecem. Então são minhas convidadas. Podemos passear em Paris em antes.

“Chocada!” Pensou Ana que nem sabia como responder.

– Estão mudas. O que houve? Não gostaram do convite?

– Amamos na verdade. Desde nossa conversa sobre a região estou louca para conhecer esse lugar. Disse Ana.

– Então vamos! Saímos amanhã cedo. Primeiro Paris e depois região de Champagne.

– E vamos como?

– De trem!

– Combinado! Vamos com você para a região de Champagne. Respondeu Lara, tentando ajudar Ana que parecia chocada demais para responder qualquer coisa.

– Muito bem! Vamos para a França. Disse Mark com um raro sorriso, olhando para Ana.

“Isso só pode ser um sonho. Do qual eu não quero acordar.” Pensava Ana, enquanto um frio na barriga acompanhado de uma tremenda felicidade tomavam conta de todo o seu corpo.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 23 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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