Capítulo 24 – Perseguindo a felicidade de perto

Ana acordou da sua soneca e se sentia muito amimada, enquanto Mark seguia meio paralisado depois da longa soneca que Ana tinha tirado sobre o seu ombro.

– Acabei pegando do sono. Dormi super bem. Você conseguiu dormir um pouco?

– Não dormi. Dificilmente durmo em viagens diurnas. Respondeu Mark.

– Vou pedir um café e dar uma olhada no meu blog. Estou ansiosa! Quer um café?

– Vou te acompanhar. Respondeu ele.

Eles foram servidos de café e alguns docinhos e ambos abriram seus computadores. Mark foi avaliar alguns pedidos e Ana a performance do seu blog.

– Meu Deus! Disse ela animada.

– O que houve? Perguntou ele realmente curioso.

– Já tenho cinco 5 comentários no meu post! E muitos compartilhamentos. Disse Ana quase histérica de tanta felicidade.

– Um bom resultado para quem acabou de começar. Disse ele. – Você ainda vai ficar famosa.

– Acho que não é para tanto. Intimidou-se.

– E por que não ficaria? Você escreve muito bem. Está tendo acesso a muito conteúdo para te inspirar a escrever. É inteligente e divertida. Você tem muito talento. Se lembra da sua capa de revista sobre a felicidade? Você já conquistou coisas extraordinárias. Como pode ver tem tudo para dar certo.

“Sou talentosa, inteligente, divertida? Mark, você me acha tudo isso?” Ana se perdia em seus pensamentos ficando um pouco confusa para responder. Então ela respirou.

– Você se lembrou da minha capa.

– Isso é algo inesquecível Ana.

– Você é inesquecível. Disse ela dando voz aos seus pensamentos, mas se arrependendo completamente.

– O que disse? Perguntou Mark constrangido.

– Que realmente é inesquecível! A capa! A capa é inesquecível. Respondeu ela um tanto atrapalhada.

– Você precisa ter mais segurança sobre seus pontos forte Ana. Não duvide que ainda pode ter um blog de muito sucesso.

– De sucesso você entende. É dono de uma marca das marcas de bebidas mais famosas e desejadas do mundo.

– A marca não é exatamente mérito meu. Meus pais fizeram isso. Eu nunca fui parte de nada disso. O mérito é totalmente deles.

– Como pode alguém não querer trabalhar em algo tão encantador quanto isso? Perguntou ela.

– Quando existem coisas ainda mais encantadoras que isso. Respondeu ele. – Tudo é uma questão de perspectiva, Ana. Eu quero ser juiz. Nunca quis nada mais do que isso na minha vida.

– Mais uma vez certo! Você é um homem que sabe das coisas.

Mark riu.

– Você é divertida demais Ana!

Ana corou. E isso vinha acontecendo com frequência na presença de Mark.

E nesse momento foram interrompidos por uma homem, deslumbrante que já os observava há bastante tempo, que veio falar com Mark. Enquanto falavam, Ana ficou paralisada olhando para ele.

– Perdoem minha intromissão. Sou jornalista. Responsável pelo Serbos, o maior jornal da Hungria, e estou trabalhando em uma matéria com os principais empresários do país. Poderíamos trocar algumas palavras?

Mark não gostou muito daquela intromissão.

– Vou te dar um cartão e conversamos em um momento mais oportuno. Disse Mark dando um cartão ao jornalista.

– Sinto muito o ocorrido com o seu pai. Você é dono da maior marca Húngara da atualidade. Sua marca é a de maior expressão internacional. Você estando a frente da marca, faz de você o maior empresário do país. Por isso poderíamos fazer uma matéria de capa com você.

Mark, não achava que merecia esse mérito e não gostava nenhum um pouco daquela conversa na frente de todo mundo.

– Agradeço o seu interesse e te peço para entrar em contato em um outro momento.

– Claro Sr Mark. Certamente entrarei. Por último, poderia me dizer quem é a moça com quem está viajando? Perguntou o jornalista, que tinha visto Ana dormir por bastante tempo no ombro de Mark.

Mark se enfureceu com a pergunta. Não tolerava esse tipo de exposição. Mas não deixou que percebessem sua irritação.

– Uma pessoa da família.

– Da família? Interessante. Ela também é descendente da família real? Ela é húngara? Inglesa? De onde ela veio?

– Por favor, eu insisto que me ligue em um momento mais oportuno, não entendo o que a Ana teria a ver com a matéria sobre grandes empresários.

– Entendo. Sim! Entrarei em contato. Sobre a moça, a Ana, ela poderia ser a futura esposa de um grande empresário. Mas desculpe o incomodo. Até breve. Disse o jornalista meio desnorteado.

– Até breve. Respondeu Mark secamente.

Ana não entendeu muito a conversa, mas estranhou o jornalista ter saído desnorteado e a chateação aparente no rosto de Mark.

– O que houve? Perguntou ela. – Não entendi muito do que disseram.

– Ele quer fazer uma matéria sobre a nossa marca.

– Isso é legal! Por que ficou chateado?

– Por que conheço esse tipo de jornalista. Ele quer mesmo é vender jornal. E nem mereço título de grande empresário pelo trabalho feito pelo meus pais. Esse mérito não é meu.

– Mas você está dirigindo isso tudo agora.

– Nisso você tem razão. Mas ainda assim, a reportagem não faz sentido se o foco for o empresário e não o negócio.

– Acho que começo a te entender. Disse Ana.

– E ele perguntou de você.

– O que quis saber?

– Quem era você. Imaginou que eu estivesse traindo minha noiva com uma pessoa desconhecida ainda. Creio eu.

– Mas nunca fizemos nada que pudesse gerar esse tipo de desconfiança.

Mark lembrou de Ana dormindo em seu ombro, cena que ela mesma não tinha ideia que tinha acontecido, e respondeu:

– Eles não precisam de dados muito concretos nesse quesito Ana. Jornalistas querem produzir matérias que vendem jornal.

– Nisso você também tem razão. Já imagino a chamada: “Grande herdeiro de um negocio milionário, descendente da família real britânica, é visto com uma desconhecida qualquer em trem para a Hungria.” Talvez eu me interessasse por essa matéria. Riu Ana.

– Você não é uma qualquer Ana. Não deveria se referir dessa maneira a você. Respondeu Mark secamente.

– Nossa… eu não tinha a intenção… de falar assim de mim. Foi modo de falar… Ela respondia confusa, sem saber como concluir o pensamento, mas dando total razão a Mark.

– Vamos parar de falar nisso. Nosso café esfriou. Vou buscar outro. Disse ele.

– Mas eles trazem aqui. Disse ela.

– Preciso dar um volta. Respondeu ele.

Mark pensava sobre tudo que tinha acabado de acontecer.

“Um jornalista me procurou me vendo em uma vida que não me pertence. Esse negocio não me pertence. A Hungria não é meu lugar. Não sou um grande empresário. A Ana não é minha namorada, é uma pessoa da minha família, apenas. Voltando à minha vida. Vou me casar com Sophie. Vou voltar para a Inglaterra. Vou voltar para o direito. Vou ou preciso? O que está acontecendo aqui, meu Deus?” Pensava Mark, tentando organizar seus pensamentos quando foi interrompido para moça que servia o café.

– Senhor… Senhor, posso ajudar.

– Ah sim! Um café por favor. Respondeu ele ainda distraído.

– Está tudo bem? Perguntou ela.

– Sim! Obrigado.

A moça serviu o café e ele foi para um canto mais reservado, onde tinha uma grande janela de vidro. Ficou ali olhando a paisagem, mas sem enxergar de fato o que passava pelos seus olhos. Ele pegou o telefone para ligar para Sophie, achando que se sentiria mais perto de casa, mas estranhamente, sua vontade não foi o suficiente para apertar o botão “ligar”. Ele terminou o café, respirou fundo e voltou para o seu lugar.

Quando chegou, encontrou Ana no notebook.

– Conseguindo produzir algum conteúdo? Perguntou ele, como se nada tivesse acontecido.

– Hum… acho que sim. Estou escrevendo sobre Paris à noite. Respondeu ela.

– Interessante.

– Você está melhor?

– Estou bem Ana, obrigado.

– Fico feliz. Disse ela, voltando para o seu texto.

Ana seguiu ali concentrada tentando passar toda a sua empolgação para o texto. Tudo que ela tinha visto era bonito e empolgante demais e ela temia não conseguir passar isso tudo para o texto. Ela ainda ficou um bom tempo procurando fotos. “Talvez as fotos falem mais do que o texto.” Pensava ela totalmente concentrada.

– Ana, o que vai fazer quando voltar para o Brasil? Perguntou Mark a tirando do seu momento de concentração.

– Não faço a menor ideia. Respondeu ela, depois de respirar fundo. – Sinto que muitas coisas estão mudando em relação a tudo que sempre achei ser o meu caminho.

– Isso não te angustia?

– Isso me liberta. Respondeu ela.

– Interessante perspectiva.

– Por que acha que é um problema mudar o caminho? Perguntou ela, já totalmente dedicada à conversa com Mark.

– Porque acho perda de tempo. Passar um tempo planejando um caminho e muda-lo, sem fazer um novo planejamento. Estou certo que estou fazendo o melhor. Estou certo que escolhi estar onde estou.

– Isso que importa! O importante é estarmos certos que estamos fazendo o melhor. Respondeu Ana. – Precisamos estar felizes, com qualquer que seja a decisão. Acho que somos jovens e estamos vivendo a maior oportunidade de tentativa e erro da nossa vida. Se der errado, dá tempo de começar de novo. Se existe um momento para arriscar mais é agora. Imagino.

– Nisso tenho que concordar com você. Mas ainda assim pode ser perda de tempo. Mesmo que cedo, precisamos ter pressa em acertar. Não concorda?

– Na verdade não. Eu tinha muita pressa em acertar. Sempre tive. Isso me gerava uma enorme angustia. No final era pior do que melhor para mim. E acabei me dando conta que a direção é mais importante que a velocidade.

– Você fala frases bonitas!

– Essa frase não é minha. Riu Ana. – É de uma escritora brasileira que adoro.

– Você… Mark perdeu sua linha de pensamento e se perdeu na sua fala… – Você tem excelente gosto para leitura. Concluiu.

Ana riu.

– E você? O que vai fazer quando voltar para Inglaterra? Perguntou ela.

– Eu vou voltar para o trabalho, para os estudos, me tornar juiz e me casar. Respondeu ele.

– Parece um bom plano. Disse ela.

– É parece um bom plano. Repetiu ele, mas sem sentir muito convencido.

A tarde passou rápido. Ana publicou seu post sobre Paris à noite, orgulhosa do resultado. Mark seguiu inquieto com os seus pensamentos. Ele seguia tentando se convencer que estava no caminho certo, mas uma certa angustia insistia em morar no seu coração.

A viagem finalmente terminou e já era muito tarde quando chegaram em Budapeste.

Ana e Mark pegavam suas coisas quando uma cigana que viajava no trem bem perto deles falou com ele:

– As respostas estão perto de você, meu jovem. Vocês formam um lindo casal.

– Ah não somos namorados. Respondeu Ana.

– Eu não disse que são. Respondeu a mulher com um leve sorriso no rosto. – Boa noite e boa sorte!

– Boa noite! Respondeu Mark secamente.

A mulher se foi e Mark pensou alto:

– Que mulher mais intrometida.

– Achei que ela queria o seu bem. Disse Ana. – Mas é certo que ela não sabe nada sobre casais. Imagine! Pensar que a gente forma um casal. Não vejo nada mais improvável do que isso.

– Não acha que sou um bom partido?

– Não! Quer dizer. Sim! Você é um excelente partido, mas não temos nada a ver um com o outro. Foi só isso que eu quis dizer.

– Entendi. Agora vamos. O carro deve estar aí nos esperando.

Ana respirou fundo.

– Vamos. Concordou ela.

Eles saíram da estação e o carro já os esperava com Ilonka dentro.

– Mãe! Você já está aqui.

– Sim! Cheguei há pouco. Como foi sua primeira vez na França minha filha?

– Acho que se eu começar a contar eu vou chorar. Foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

– Ah minha filha! Que felicidade te ver assim. Obrigada por proporcionar isso para ela. Disse Ilonka se dirigindo a Mark.

– Foi um imenso prazer. E devo confessar, que apesar de ter ido para lá muitas vezes, dessa vez, vi uma França que eu não conhecia.

– E gostou dela? Perguntou Ana.

– Adorei Ana. Disse ele disse olhando nos olhos dela.

A mãe se sentiu sobrando na cena e não sabia muito bem o que dizer.

– E a sua estadia aqui mãe? Como foram as coisas com Tibor?

– Minha filha! Ele me pediu em casamento. Então você pode imaginar como foi bom.

– Ele o que????? Perguntou Ana levantando o tom da voz e arregalando os olhos.

Ilonka riu da reação de Ana. E Mark também.

– Ele me pediu em casamento. Repetiu a mãe.

– E você respondeu o que?

– Que sim!

– Meu Deus!!!! Minha mãe vai se casar! Gritou Ana indo abraçar a mãe, no momento em que começou a chorar.

A emoção tomou conta de tudo. Inclusive de Mark que teve os olhos marejados pela cena.

– Isso quer dizer que você vai morar aqui para sempre? Se preocupou Ana.

– Não tenho a menor ideia. Primeiro o pedido e depois pensamos.

– Que corajosa mãe.

– Não se pode perder tempo, se o assunto é felicidade. Acredito mais em casamentos que acontecem rápido do que aqueles onde as pessoas se comprometem por anos, mas não dão esse passo.

Mark se identificou. Ele era noivo há mais de 4 anos e não tinha ideia de quando se casaria. Ele pensou em Sophie, se esforçou para sentir falta dela, mas nada acontecia no coração dele.

– Mãe! Você é maravilhosa. Meu exemplo. Vou perseguir de perto a felicidade, assim como você.

– Parabéns Ilonka! Disse Mark. E para você também Ana.

– Para mim? Por que?

– Pela sua decisão de perseguir de perto a felicidade. Disse ele.

– Ai meu Deus! É exatamente assim que estou me sentindo. E recomendo a vocês, que ainda tem muito mais vida pela frente, que façam o mesmo! Persigam de perto a felicidade. Disse Ilonka.

– Esse é um excelente plano. Perseguir de perto a felicidade e se em algum momento ficarmos mais distantes dela, pelo ritmo da vida, ou qualquer coisa assim, precisamos garantir que não vamos perde-la de vista. Empolgou-se Ana.

“Ana querendo perseguir a felicidade e garantir que não vai perde-la de vista e eu aqui querendo querer a minha antiga vida de volta.” Se perdeu Mark em seus pensamentos.

– Tudo bem Mark? Ficou distante. Comentou Ana o tirando de seus pensamentos.

– Tudo bem Ana. Tudo bem…

Ana não se convenceu e a partir daquele momento o silencio tomou conta de tudo e os olhos de todos ali se perderam na escuridão da paisagem do lado de fora.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 25 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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