Capítulo 26 – A Última Chance

Vitória não podia acreditar no que estava acontecendo. Ela estava sendo pedida em casamento, em uma segunda-feira, na hora do almoço, da maneira mais inesperada, linda e simbólica que poderia esperar.

– Sim! Disse ela se levantando para abraçar Thomas que esperava por uma resposta em grande expectativa. – Sim meu amor.

– Casa comigo Vitória? Disse ele colocando o anel no dedo dela.

– Me caso com você! Claro que me caso com você. Mas o que aconteceu com andar antes de correr? Perguntou ela.

– Acho que caminhamos bem até aqui. Não quero mais me despedir de você no domingo à noite. Não temos porque esperar mais. Tenho certeza de que você é a mulher da minha vida.

– Você demorou mais para me pedir em namoro do que em casamento. Brincou Vitória.

– Você tem razão. Mas não quero mais perder tempo e já não tenho nenhuma dúvida sobre nós.

Na sequencia o garçom trouxe a mesma sobremesa que eles tinham comido da outra vez. E quando ele chegou perguntou:

– Foi surpreendida Dona Vitória?

– Sim! Muito! Mais uma vez fui surpreendida. Respondeu ela com um sorriso nos olhos.

Eles terminaram a sobremesa e voltaram para a normalidade do dia de trabalho. Vitória caminhava em nuvens e não conseguia se concentrar em nada muito bem. No caminho de volta para casa ligou para Tatiana para contar sobre a surpresa e o pedido de casamento.

– Oi Vick. Atendeu Tatiana animada.

– Oi Tati. Tenho uma novidade.

– Me conta! Pediu a amiga em expectativa.

– O Thomas me pediu em casamento hoje na hora do almoço!

– Não acredito. Ele resolveu correr? Brincou Tatiana.

– Eu falei a mesma coisa para ele.

– Me conta! Como foi?

– Ele me chamou para almoçar. E essa foi a primeira vez que almoçamos juntos em um dia de trabalho. Me pegou no escritório e me levou para aquele restaurante que fica no museu. Que ele gosta de ir quando precisa pensar. Ele disse que tinha algo urgente para me falar. Fiquei super preocupada. No final do almoço eu disse para ele me surpreender com a surpresa, brincando, pois fiz isso uma vez lá atrás e ele adorou. O garçom trouxe o anel e um bilhete dizendo: Me dê os filhos e te dou Paris.

– Que fofo! Adorei. Tem tudo a ver com vocês. E vocês já são bem grandinhos, não tinha porque esperar mais. Parabéns para vocês!

– Acho que ele vinha planejando isso, mas não tinha definido o melhor momento. Quando estávamos indo para o casamento da minha mãe, meses atrás, ele deu a entender que em breve faríamos uma viagem de lua de mel. Como ele sempre quis andar antes de correr, eu nunca imaginei que ele me pediria em casamento tão cedo, então deixei essa história para lá.

– Nada disso importa mais. Vocês vão se casar!! Precisamos comemorar.

– E vamos! Acho que vou fazer uma festa (pequena) de noivado.

– Ótima ideia! Eu ajudo a organizar.

– Obrigada Tati. Agora preciso desligar. Estou entrando na garagem. Beijo amiga.

– Beijo e parabéns mais uma vez para vocês.

Vitória chegou em casa eufórica, gritando pela mãe e pela irmã.

– Mãe, Catarina, onde vocês estão? Tenho uma novidade.

– Na cozinha! Gritou a mãe.

– Vocês estão aqui! Vou me casar! O Thomas me pediu em casamento hoje. Disse Vitória sem respirar entre as palavras.

– Parabéns! Gritaram as duas em coro.

– Mas como assim? Te pediu em casamento hoje, em uma segunda-feira? Sendo que vocês dois estavam trabalhando. Perguntou Catarina.

– Ele me fez uma surpresa na hora do almoço.

– Thomas é uma cara sensacional mesmo. Parabéns Vick. Todas casadas e eu aqui esperando pelo meu príncipe. Disse rindo Catarina. – A primeira vez que veio, era só sapo na verdade e o beijo não adiantou de nada. Mas me deu o Viny. Presente melhor eu não poderia querer.

– Seu amor está por aí, a ponto de esbarrar com você a qualquer momento. Disse Vitória conformando a irmã.

– Claro que está. Concordou Helena. – E você andava muito focada em ser uma profissional muito bem sucedida e não tinha muito tempo para o amor. O amor demanda trabalho e tempo meninas.

– Mas isso não importa. Estou muito feliz assim. Não vamos arruinar um momento de amor muito feliz. Parabéns Vick. Disse Catarina, tentando parecer mais feliz.

– Como foi o pedido? Perguntou a mãe.

– Eu já conto! Vou tomar um banho e conto na hora do jantar. Pode ser?

– Claro! Vou até abrir uma garrafa de vinho especial. Porque apesar de ser segunda, o dia é muito especial. Disse Helena carinhosamente. – E hoje, como o Roberto está viajando a trabalho, a noite será só das meninas.

Vitória foi tomar banho e repassava o pedido de casamento em seus pensamentos enquanto a água quente relaxava o seu corpo. Ela amava Thomas, mas por um instante, achou aquilo tudo um pouco precipitado. “Estamos realmente juntos há pouco tempo. Será que isso tudo não é um pouco precipitado?” Pensava ela enquanto terminava o banho. Nesse momento uma onda de medo tomou conta de seus pensamentos e de seu corpo. “Hey! Pare de tentar boicotar sua própria felicidade.” Brigava Vitória consigo mesma em seus pensamentos.

Vitória jantou com a mãe, a irmã e o sobrinho. Ela contou em detalhes o pedido de casamento. Elas se derreteram e brindaram à felicidade e ao amor. O coração de Catarina se encheu de esperança sobre o amor ser possível para ela e Helena morria de saudades de Roberto que tinha ido viajar a trabalho naquele dia. Na hora de dormir, mais uma vez, Vitória sentiu medo. Por sorte seu cansaço era tanto, que o sono chegou antes da angustia levar seu sossego e ela dormiu.

Os dias seguintes foram cheios de expectativa. Vitória queria começar a planejar o casamento, mas Thomas não parecia muito disposto a gastar tempo com esse assunto. Depois de muita insistência de Vitória, finalmente definiram a data. Iam se casar em julho, o que daria somente 4 meses para planejarem tudo. Decidiram que fariam uma cerimonia tradicional para poucos convidados e que iriam morar no apartamento de Thomas até que comprassem um para eles.

Os dias de Vitória eram tão cheios de coisas que ela mal tinha tempo para comer. O planejamento do casamento em tão pouco tempo e o trabalho tomavam toda a sua energia. Ela acabou desistindo de fazer uma festa de noivado e também mal tinha tempo de ver Thomas.

Entre os preparativos do casamento e o trabalho, Vitória ainda conseguia algum tempo para ajudar Eric com algumas adaptações na exposição para que ela fosse para um outro país. Eles estavam trabalhando juntos em uma nova expressão de beleza trazendo mulheres de religiões diferentes, com valorizações de beleza muito especificas como as indígenas, as mulheres muçulmanas que tem que cobrir o corpo e os cabelos e tudo que acabava sendo diferente do padrão mais ocidental. Era muito desafiador e Vitória acabava arranjando tempo para contribuir, mesmo que de longe, para a construção dessa nova expressão da exposição sobre beleza.

Thomas precisou viajar a trabalho mais uma vez e foi para Paris cuidar de um projeto internacional que estava sendo feito entre a agencia dele e uma agencia local. Os dias em que ele ficou fora foram importantes para algumas decisões do casamento, que acabaram sendo feitas somente por Vitória. Ela foi com a mãe e a melhor amiga definir a decoração, fazer a degustação dos pratos para o jantar, a degustação de bebidas. Ela se divertiu fazendo isso com pessoas tão importantes na vida dela, mas sentia falta do Thomas.

Em uma semana muitas coisas da festa foram decididas e Thomas seguiu à distancia participando virtualmente das decisões.

Depois de uma semana intensa de trabalho e decisões importantes sobre o casamento, Vitória dormia profundamente, quando foi despertada por Tatiana.

– Oi Tati. Hoje é sábado. Preciso dormir, estou exausta. Posso te ligar mais tarde? Disse Vitória sem conseguir abrir os olhos.

– Vick! Temos hora marcada com aquele estilista badalado para ver vestidos de noiva. Você esqueceu?

– Tati! Esqueci. Mas acabei de lembrar. Quer subir? Vou me trocar.

– Não. Vou esperar aqui embaixo. Desce logo Vick.

– Até já. Disse Vitória já começando a escovar os dentes.

Vitória se trocou sem ao menos ver se as peças de roupas combinavam entre si, pegou uma fruta e voou para baixo para encontrar a amiga.

– Me desculpe Tati. Eu estava tão cansada que apaguei isso da minha mente. Acho que eu poderia dormir por dois dias consecutivos. Disse Vitória entrando no carro. – Estou muito cansada.

– Eu posso imaginar. Não tem problema. Não precisa se desculpar.

– Ainda bem que tenho você. Disse Vitória emocionada. – Eu não pude te ajudar assim no seu casamento. E eu não sei o que faria sem você.

– Vick, tive um ano para planejar meu casamento e contratei uma excelente consultora. Você precisa fazer tudo em 4 meses, isso é insano. Por isso está se sentindo assim.

– Tati, quando eu disser para o estilista que o casamento será em menos de 4 meses ele vai morrer né?

– Acho que é pouco tempo, mas é viável. Fique calma. Pediu Tatiana.

– Por falar em pouco… preciso ir na igreja. Será impossível conseguir a minha data. Eles vão rir da minha cara. Disse Vitória rindo de nervoso.

– Calma. Um pouco mais de otimismo vai bem! Se não der, vocês fazem a cerimônia no lugar da festa. E as pessoas que trabalham na igreja não deveriam rir da cara dos outros. Principalmente de uma noiva aflita.

– É verdade.

– Não se preocupe tanto antes de ter de fato o problema. Hoje vamos pensar no seu vestido.

– Certo!

Elas seguiram mais calmas o resto do caminho e com muita expectativa sobre o encontro que teriam em minutos com um grande estilista especializado em modelos para noivas.

Elas chegaram ao atelier e foram recebidas por uma mulher muito simpática.

– Bom dia. Como estão? Perguntou a simpática recepcionista. – Sou Simone.

– Muito bem, obrigada Simone. Temos um horário com o Rui. Estamos 10 minutos atrasadas. Desculpe. Disse Vitória.

– Sem problemas. Você é a noiva?

– Sim.

– Parabéns pelo casamento Vitória. E você? Perguntou para Tatiana.

– Sou a madrinha! Tatiana.

– Muito prazer. Me acompanhem por favor.

Enquanto elas iam caminhando em silencio acompanhado a recepcionista observavam o lugar. Parecia um casarão do século passado, totalmente preservado. O lugar era muito clássico e muito sofisticado. Haviam molduras nas paredes, lustres de cristal por toda parte e todos os estofados eram em veludo. Parecia que aquela casa tinha sido tele transportada de Paris no início do século XX para lá. O lugar era tão imponente que acabava intimidando Tatiana e Vitória. Elas esperavam em silencio, quando Rui chegou.

– Bom dia meninas! Qual das duas é minha noiva?

– Sou eu. Muito Prazer. Disse Vitória estendendo a mão para ele.

– Que linda! Muito prazer Vitória! Respondeu ele apertando a mão dela. – E você?

– Essa é a Tatiana. Minha madrinha. Disse Vitória apresentando a amiga para ele.

– Muito prazer Tatiana. Vamos lá meninas?

– Sim. Respondeu Vitória.

Ele as levou para sua sala, que era ainda mais sofisticada do que todo resto que elas já tinham visto.

– No que está pensando Vitória? Perguntou ele segurando uma folha de papel e um lápis grafite nas mãos.

– Quero algo bem tradicional. Renda, véu, algum brilho. Nada muito rodado. Um tomara que caia. Quero um vestido bem elegante.

– Muito bem. Deixa eu te propor uma coisa. Disse ele começando a desenhar.

Enquanto ele desenhava, Tatiana e Vitória se olhavam, sem entender muito bem o que estava acontecendo. Elas tinham vontade de rir e se concentravam para se manter sérias.

Ele terminou rapidamente o desenho que mais parecia um rabisco e mostrou para elas.

– Pensei em algo assim. O que acham?

Vitória olhava o desenho que mais parecia uma obra de arte surrealista e de fato não conseguia visualizar muito bem seu desejo atendido por aquela proposta.

– Me parece muito bom. Mas tenho dificuldade de entender como é essa renda pelo desenho.

– Ah claro. Me dá um minuto. Disse ele enquanto chamava alguém pelo telefone. – Ana, por favor me traga as amostras de tecido.

Em instantes uma bela mulher toda vestida de preto entrava na sala com uma pasta enorme, que parecia um mostruário de tecidos de lojas de decoração.

– Pensei nessa renda aqui. Disse Rui mostrando a renda diretamente do catálogo.

– Nossa! Essa renda é mesmo muito bonita.

– Então podemos seguir com esse modelo? Perguntou Rui.

– Na verdade eu gostaria de provar alguns modelos antes de decidir. Você tem alguns disponíveis? Nunca me vi em um vestido de noiva antes.

– Meu amor aqui não temos modelos para provar. Os vestidos são feitos com exclusividade. Aqui eu faço exatamente o que você deseja. Isso não está pronto. Precisa ser feito para você.

– Ah entendo. Disse Vitória já sem jeito. – Faz sentido. E como posso saber que o que desejo fica bem no meu corpo? Insistiu Vitória.

– Isso sou que sei. Te garanto que o desenho que fiz já foi pensando no seu corpo. Isso é parte do meu trabalho. Então não se preocupe. Você é linda! Ficará linda nesse vestido. Confie em mim. Respondeu Rui muito confiante.

– Entendi. Confio em você. E quanto custaria esse vestido?

– Preciso fazer um orçamento para você a partir da sua aprovação do desenho. Mas em torno de trinta mil reais.

Vitória quase engasgou e Tatiana não conseguia falar uma única palavra.

– Muito bem. Então espero o seu orçamento e vou aproveitar para ver outros modelos. Tudo bem?

– Claro meu amor! Você é a noiva. Só lembre-se que aqui faço exatamente o que você deseja e o que você deseja, não está pronto ainda. Só existe na sua cabeça. Ah! E queria confirmar a data. O casamento será em 4 meses. É isso mesmo?

– Sim!

– Você precisa aprovar meu orçamento ainda essa semana. Porque do contrario, não teremos tempo.

– Farei isso, se decidir por esse modelo. Muito obrigada até agora.

– De nada meu bem. Espero fazer o seu vestido. Disse Rui muito simpático.

– Nos falamos.

– Foi um prazer meninas.

Elas se despediram e seguiram mudas em direção à saída do atelier. Quando chegaram no carro as duas caíram na gargalhada.

– Gente! O que foi isso? O homem te deu um rabisco, mostrou um pedaço de tecido, disse que garantia fazer o que estava na sua cabeça e que o seu desejo não existia por aí pronto para comprar e disse que custaria em torno de trinta mil. Falava Tatiana perdendo o fôlego de tanto rir.

– E ainda que eu não precisava ver no meu corpo porque ele garantia ter feito um modelo que ia ficar bom em mim. Complementou Vitória rindo alto junto com a amiga.

– Acho que precisamos beber!

– Concordo!

– Depois do almoço vamos na Pronovias e se lá não tiver nada, vamos para Nova Iorque. Propôs Tatiana em tom de brincadeira.

– Com os trinta mil dá para ir para Nova Iorque, comprar o vestido e ainda sobra dinheiro para pagar toda a bebida da festa. Brincou Vitória.

– Precisamos mesmo de um drink!

Elas foram a um restaurante espanhol bem perto do local que iriam a tarde ver mais vestidos de noiva. Pediram uma jarra de sangria e passaram o almoço rindo da sessão que tinham tido com Rui. Tatiana desenhou uma mulher vestida de noiva, que mais parecia o desenho de uma criança de cinco anos, mostrou para a Vitória e disse:

– Está aqui o vestido dos seus sonhos por apenas trinta mil reais.

Elas seguiam morrendo de rir. Comeram. Beberam a jarra toda de sangria e relaxaram completamente. Elas esperavam a conta quando Vitória brincou:

– Estou bêbada demais para provar vestidos de noiva.

– Nada disso. Bêbada é bom! Você precisava relaxar. Tudo vai ficar mais bonito aos seus olhos.

– Isso é um perigo! Riu Vitória.

– Vamos levar tudo menos a serio. Convidou Tatiana.

– Muito bem! Você está certa. Vamos provar vestidos de noiva.

Elas foram para a tradicional loja espanhola de vestidos de noivas que ficava nos jardins. Foram muito bem recebidas e naquela altura, grande parte do efeito do álcool que tinham ingerido já tinha passado.

Vitória provou alguns vestidos de noiva e a cada vestido que colocava mais linda ela ficava. Depois de ter provado cinco vestidos, pediu para vestir novamente o primeiro que tinha experimentado.

– Amiga, você está divina nesse vestido. Disse Tatiana com os olhos cheios de lágrimas.

– Esse vestido é incrível mesmo. Me sinto linda nele. Disse Vitória.

– Você está maravilhosa. Nunca te vi tão bonita assim.

– E o Rui disse que exatamente o que eu desejava não estava a venda. Eu nem sabia direito que era esse vestido que eu desejava. Vou comprar esse vestido. O primeiro que provei!

– Apoiadíssima!

– Quanto é esse vestido? Perguntou Vitória, com medo do que ouviria. Ela tinha amado o vestido, mas não estava disposta a gastar nenhuma fortuna nele.

– Esse vestido está com um preço excelente. Dez mil reais.

– Meu Deus! Ele está dentro do meu orçamento. Esse é o meu vestido.

– Vou consultar a disponibilidade dele. Quando será o casamento?

– Em julho!

– Desse ano? Perguntou assustada a vendedora.

– Sim!

– Isso deve complicar um pouco as coisas para esse vestido. Mas me deixe consultar antes de te falar qualquer coisa.

A vendedora olhava atenta o computador e pediu licença para consultar outra pessoa da loja. Em segundos ela voltou já falando.

– Infelizmente não conseguimos esse vestido em tão pouco tempo.

– Existe alguma alternativa? Perguntou Vitória.

– Você pode ir buscar na Espanha. Brincou a vendedora.

– Vick!!!! O Thomas está na França. Ele pode ir buscar o vestido para você.

– Claro! Vou ligar para ele. – Isso funcionaria? Vitória perguntou para a vendedora.

– Sim. Só preciso consultar a partir de que data o vestido estaria disponível para retirada e se a data coincide com a viagem do seu noivo.

– Por favor faça isso, antes de ligarmos para ele.

– Acabei de ver aqui que temos pronta entrega desse vestido na Espanha. Ele pode retirar hoje mesmo.

– Que boa notícia. Vou ligar para ele. Me dá um minuto? Já venho. Disse Vitória saindo feliz para ligar para Thomas.

– Oi amor. Atendeu Thomas.

– Oi amor, tudo bem por aí?

– Sim! Tudo bem.

– Acabei de escolher meu vestido de noiva.

– Jura? Não vejo a hora de te ver nele.

– Mas ele só poderá mesmo ser meu se você me ajudar.

– Não imagino como! Mas posso fazer o que você precisar.

– Esse vestido não chega no Brasil a tempo do casamento. Mas se alguém trouxer da Espanha teremos tempo de fazer os ajustes até a data. Como você está aí do lado, quer dizer mais ou menos aí do lado, pensei que você poderia dar um pulinho na Espanha para pegar meu vestido. Com a condição que você não pode olhar de jeito nenhum.

– Só um pulinho na Espanha meu amor? Brincou Thomas.

– Isso.

– A loja abre amanhã? Só tenho domingo para fazer isso.

– Espera. Vou perguntar. Vitória correu para perguntar e voltou sem ar. – Sim! A loja abre amanhã.

– Me passa o endereço. Vou buscar esse vestido para você.

– Eu te amo. Por favor não olhe o vestido de jeito nenhum. Nem que te obriguem.

– Não vou olhar! Prometo. Nem que me obriguem.

– Obrigada meu amor.

– De nada meu amor.

– Agora preciso ir. Nos falamos amanhã. Me liga assim que pegar o vestido. Promete?

– Prometo.

– Te amo Thomas!

– Te amo Vick!

Vitória voltou dando pulos.

– Ele vai buscar o vestido amanhã. Preciso do endereço para passar para ele. Disse Vitória super empolgada.

– Muito bem. Vou ligar para a loja da Espanha informando tudo. Me deem um minuto. Disse a vendedora já saindo.

– O Thomas é mesmo demais. Disse Tatiana.

– Ele é mesmo.

– Como ele vai até a Espanha?

– Não tenho ideia. Mas ele vai. Ele é mesmo demais.

E nesse momento a vendedora voltou sorridente.

– Tudo certo. Estarão esperando por ele amanhã. Esse é o endereço e a loja fica aberta até as cinco da tarde amanhã. Avise para ele. Disse a vendedora dando um cartão para Vitória.

– Perfeito!

Vitória pagou pelo vestido e combinou as datas que aconteceriam as provas. As duas amigas saíram felizes da loja quando já anoitecia em São Paulo.

– Está feliz? Você acabou de comprar seu vestido de noiva. Disse Tatiana para a amiga.

– Muito! E acabei de perdoar o Thomas por toda a ausência dele em tudo que já precisei decidir sozinha sobre o casamento.

– Isso foi demais mesmo. Concordou Tatiana.

– Mas preciso confessar que toda a ausência dele até agora está me deixando muito chateada. Parece até que é você que vai se casar comigo.

– Não exagera Vick. Pare de arranjar motivos para boicotar sua própria felicidade. E sou sua amiga. Sua madrinha. Essa também é minha função.

– Você tem razão! Concordou Vitória para encerrar aquele assunto. Mas o seu coração seguia bem contrariado por Thomas estar tão distante de tudo, mesmo com o gesto lindo dele em relação ao vestido.

Elas seguiram para casa e Tatiana foi encontrar o marido para jantar. Vitória ia dormir feliz por ter conseguido comprar seu vestido, mas algo no seu coração não a deixava ficar totalmente tranquila.

No dia seguinte Vitória foi sozinha até a igreja onde gostaria de se casar, certa de que não conseguiria a data, que já estava tão próxima. Mas para a sua surpresa, um casamento agendado para aquela data tinha sido cancelado e ela poderia se casar no dia desejado. Ela não podia acreditar na sorte dela, apesar de lamentar por alguém ter cancelado o casamento.

Ela terminou seu final de semana sozinha, depois de ter feito tantas coisas por seu casamento que aconteceria em menos de quatro meses. Thomas enviou uma mensagem dizendo que já estava com o vestido e que estava voltando de avião para Paris. Ela respondeu agradecendo e aproveitou para contar que tinha conseguido marcar a data na igreja que eles queriam. Tudo que trocaram naquela noite foram mensagens com emotions de coração e carinhas felizes, mas o coração de Vitória se sentia triste por ela estar tão sozinha fazendo aquilo tudo e se dava conta que o que mais estava fazendo nos últimos dias era enviar fotos e emotions felizes para Thomas, que na verdade, parecia não se importar muito com nada daquilo.

A segunda-feira começou cheia de trabalho e Vitória foi mais uma vez surpreendida por Eric, que trazia uma nova proposta de trabalho para ela.

– Oi Eric. Tudo bem? Atendeu Vitória.

– Oi Vick. Pode falar?

– Posso. Claro.

– Sei que você anda bem ocupada com o trabalho e com o lance do casamento, mas surgiu um trabalho e queria saber se você não quer fazer esse job comigo. Estou indo para o Brasil nessa semana negociar uma campanha de beleza para uma marca importante de moda e eles se inspiraram muito com nossa ideia sobre beleza. Pensei em fechar o formato com você antes de fazer a proposta para o cliente. Se anima? A grana é boa.

– Claro que me animo! Será um prazer. Quando podemos marcar?

– Chego na quarta-feira de manhã e o briefing será a tarde no cliente. Podemos jantar juntos na quarta-feira e te conto a necessidade. Teremos alguns dias para pensar. Mas as fotos devem acontecer no final da semana que vem. Portanto o tempo será curto.

– Combinado! Jantamos juntos na quarta-feira. Estou muito animada. É sempre bom receber notícias suas. Disse Vitória.

– Também acho bom receber notícias. Apesar de não ter amado muito a última. Você vai se casar. Perdi todas as esperanças.

– Agora você tem a Amanda.

– Estou brincando Vick. Fico feliz de te ver feliz. Já superei. Nos vemos na quarta então. Obrigado por ter aceitado.

– Eu que te agradeço o convite! Até quarta.

– Até.

Vitória desligou o telefone se sentindo feliz porque veria Eric. Ele era a pessoa mais alto astral que existia na vida dela e quando estava com ele, de certa maneira, ela esquecia de seus problemas. Eric era a pessoa com quem Vitória conseguia escapar da realidade e isso o colocava em um lugar muito especial na vida dela.

A expectativa pelo encontro com Eric e a possibilidade de trabalhar em mais um projeto desafiador faziam o coração de Vitória se encher de felicidade e esquecer um pouco da ausência de Thomas.

Logo chegou a quarta-feira e Eric já esperava por Vitória no restaurante quando ela chegou. Ele levantou e deu um abraço carinhoso nela.

– Que saudade eu estava de você. Disse ele carinhosamente.

– Eu também estava com saudades. Não nos vemos desde o ano novo.

– Pois é! O tempo passa muito rápido. Agora vamos ao trabalho.

– Sim! Me conta o que eles querem.

– Querem mostrar diversidade de belezas e de gêneros. Eles querem se posicionar como uma marca de roupas para todos. Para todas as belezas, todos os corpos, todos os gêneros e todos os desejos.

– Algo como a beleza de ser quem é ou o que quiser? Perguntou Vitória tentando simplificar.

– Exatamente! É impressionante como você consegue capturar o que digo e transformar em conceito.

– Dessa vez foi bem simples na verdade. Não fiz nada demais. Acho que você poderia propor fotos externas, em contextos verdadeiros. Busque personalidades com boa reputação, formadores de opinião com muitos seguidores na internet e as fotografe em seus locais reais, seja de trabalho, de diversão ou onde elas quiserem. E não deixe de fotografar a beleza mais clássica. Ela ainda representa a maioria, e para falar em igualdade de gêneros e belezas as marcas tendem a esquecer um pouco essa beleza, deixando tudo um pouco estereotipo demais. Não esqueça dela. Ela faz parte e ainda é bastante aspiracional. Penso muito nisso quando visto os personagens das novelas. A beleza mais clássica, com um que contemporâneo, ainda está na moda! Ainda é muito inspiradora.

– Você é incrível. Combina com o novo slogan deles: “Nossa Moda é a Sua.”

– Combina mesmo!

– Acho que pode ser uma excelente ideia. Me ajuda a colocar isso naquela apresentação linda que só você sabe fazer? Consegue me enviar até sexta? Foi o prazo que eles me deram.

– Claro! Faço sim e te envio na sexta de manhã.

– Você é demais. Obrigado! Vou te dar 20% do valor total que eu receber. Pode ser?

– Pode Eric! Isso é o que menos importa.

– Não aprendeu nada sobre valorizar seu trabalho. Né?

– Você é meu amigo e é um prazer trabalhar nesse tipo de projeto.

– Estou contratando você. Lembra?

– Ok! Você tem razão. Vou querer 25%.

– Fechado! Disse ele.

– Você não existe.

– Agora me conte como andam as coisas. Perguntou ele de maneira realmente interessada.

– Uma correria. O casamento será em menos de 4 meses e parece insano fazer tudo que é preciso em tempo. O trabalho está cada dia mais legal e tem me tomado muito tempo, mas me deixado muito feliz também. Estou animada com o que o está por vir. E com você? Como andam as coisas?

– Muito bem. Já melhor adaptado a Nova Iorque e o final do inverno me ajudou muito a acreditar que tomei a melhor decisão. É uma delícia viver naquela cidade. Tudo funciona bem lá. Me sinto enriquecendo como ser humano todos os dias. A exposição está sendo um sucesso e o nova expressão de beleza em que trabalhamos juntos já está integrada à exposição original e está lindíssima! Fazendo muito sucesso. Sua ajuda nessa concepção foi fundamental. Não sei se te agradeci o suficiente. Então… Muito obrigado por tudo!

– Me agradeceu! Fico feliz que esteja fazendo sucesso. E a Amanda? Como anda o relacionamento de vocês.

– Ela me traz tranquilidade e ao mesmo tempo embarca comigo nas minhas aventuras. A gente parece querer a mesma coisa. Ela está disposta a ir comigo para onde for e eu valorizo essa parceria nela. De alguma maneira ela me lembra um pouco você. Ela é divertida, leve. Enfim, acho que esta tudo bem.

– Então um brinde ao amor! Propôs Vitória.

– Um brinde ao amor. Respondeu Eric olhando profundamente nos olhos de Vitória, que precisou desviar o olhar num determinado momento para amenizar o clima entre eles.

– Eu vou precisar ir Eric. Tenho uma reunião importante amanhã. Disse Vitória achando prudente encerrar a noite por ali.

– Que pena! Saudades das nossas noites no terraço, sem hora para acabar! Ah e  sem roupas.

– Nossa! É verdade. Era uma vida sem compromissos. Foi bem bom enquanto durou. Disse Vitória.

– Não posso nem descrever o quanto foi bom. Foi uma experiência transformadora. Me modificou para sempre. Disse Eric.

– Para mim também. Concordou Vitória.

– Mas a vida real chama. Vou pedir a conta e saímos para nossas vidas compromissadas. Ok? Brincou Eric.

– Ok! Respondeu Vitoria um pouco encantada com Eric. – Parece que o tempo não passa para você.

– Vou considerar isso um elogio e ganhar minha noite.

– Seu bobo! Mas sim, pode considerar um elogio.

Eles foram embora desejando continuar na companhia um do outro. Eric representava um mundo de fantasia onde nada de ruim poderia acontecer. E para Eric, Vitória era o novo, a descoberta do amor e sua fonte de inspiração. Ela era a única mulher que ele amava por inteiro, sem separar defeito de qualidade. Mas mesmo desejando estar um com o outro, eles seguiram para suas vidas sozinhos.

Os dias seguintes foram corridos, o que parecia acelerar a passagem do tempo. A reunião de Eric com o cliente de moda foi um sucesso e a proposta que ele fez em parceria com Vitória foi aprovada sem alterações. Ele ligou para Vitória compartilhando as boas novas e ela mais uma vez se sentiu vitoriosa e feliz, sentimento comum que os trabalhos com Eric despertavam nela.

Thomas finalmente voltou de viagem no final da semana e foi direto para a casa de Vitória.

– Oi meu amor! Que surpresa! Disse Vitória abrindo a porta.

– Estou morrendo de saudades. Precisa te ver. E além do mais, tenho uma entrega especial para você. Disse ele lhe entregando o vestido de noiva em uma capa toda preta com a marca da loja.

– Ele veio! Obrigada por trazê-lo. Gritava Vitória empolgada. – Você não olhou né? Nenhuma espiadinha?

– Claro que não! Não posso correr o risco de não ter sorte com você. Garantiu Thomas.

– Muito bem! Vou guardar esse vestido. Olhar rapidamente, para ver se está tudo bem, e já volto. Sente aqui. Escolha uma música e um vinho. Disse Vitória já correndo para dentro da casa com seu enorme pacote.

Em poucos minutos Vitória já estava de volta, feliz da vida por seu vestido estar impecável e ser exatamente do jeito que ela comprou. Thomas já tinha colocado a playlist preferida dela para tocar e já a esperava com duas taças de vinho.

– Meu futuro marido é demais! Disse ela se derretendo.

– Minha futura esposa merece! Brincou ele.

Vitória estava em expectativa esperando que ele perguntasse sobre as decisões que ela havia tomado sobre o casamento, mas ele não perguntou. Então ela resolveu falar.

– Quer ver as fotos da decoração que contratei para a festa e para a igreja? Acabei precisando decidir sem você, pois não havia mais tempo até nossa festa.

– Claro. Disse Thomas tentando parecer convincente, mas falhando completamente.

– Você não parece muito interessado. Reclamou Vitória.

– Vick, estou muito cansado. Tive dias muito exaustivos e um voo longo. Estou morrendo de saudades de você. Desculpe se não pareço interessado. Mas eu queria tomar um banho e ir para cama com você agora.

– Entendo. Então vamos deixar as coisas do casamento para amanhã e vamos para sua casa?

– Acho essa uma ótima ideia. Concordou Thomas mais animado.

– Vou arrumar minha coisas então. Disse Vitória já correndo para o seu quarto.

Ela levou pouco minutos para se arrumar e logo estava chamando Thomas.

– Estou pronta! Vamos?

– Vamos!

Eles saíram na direção da casa de Thomas e ele parecia realmente muito cansado. Vitória dirigia em silêncio e por alguns instantes ela pensava que ele tivesse dormido.

Quando chegaram, Thomas foi tomar banho e por alguns minutos o clima era estranho entre eles. Vitória não tocou mais no assunto casamento porque sentia que aborrecia ele. E ele parecia estar aborrecido com ela, mas o casamento não parecia o ser o motivo.

– Hey o que está acontecendo? Perguntou Vitória.

– Vick, eu não ia te falar nada. Mas esse negócio está me consumindo.

– O que foi?

– Enquanto você guardava o vestido, eu procurava a sua playlist preferida no seu celular e chegou uma mensagem do Eric. Não curto essa relação de vocês e me chateio muito com o tema. Mas me parecia saudável, até eu ler, sem querer, a mensagem que ele te enviou. “Nunca vou te esquecer. Sinto muito a sua falta.” Que porra é essa Vick?

– Por favor Thomas não fale assim comigo! Eu posso te explicar se você melhorar o seu tom.

– Me desculpe! E por favor me explique.

– Ele está no Brasil para um trabalho e me contratou para um briefing. Estivemos juntos e definimos juntos o formato da campanha. Vou ganhar uma bela grana por ter feito uma única reunião. E hoje o cliente aprovou a campanha e estávamos conversando por mensagem por isso. Ele me contou que a campanha tinha sido aprovada e eu fiquei feliz. Ele elogiou o meu trabalho e acabou concluindo a história assim. Sei lá porque. Mas não se preocupe. Não quero o Eric. Quero você. Não importa o que ele diga.

– Será Vick?

– Será o que Thomas?

– Que você não quer mesmo?

– Está brincando Thomas? Você ainda tem dúvidas?

– Vamos deixar isso para lá. Estou morrendo de saudades e não quero mais perder o nosso tempo falando disso.

– Acho realmente uma boa ideia.

A noite de Vitória e Thomas foi quase mágica. Eles conversaram, mataram as saudades que sentiam um do outro, riram, falaram de coisas divertidas e sobre o futuro. Não falaram do Eric e também não falaram dos preparativos do casamento.

O final de semana chegou ao fim e Thomas seguia não dando muita importância para os preparativos do casamento. Quando se despediram, Vitória cobrou Thomas.

– Ficamos juntos o final de semana inteiro e você não quis saber nada sobre a nossa festa. Fiz tudo sozinha, não te cobrei nada. Só tinha a expectativa de dividir tudo com você.

– Vick, não quis falar no assunto, porque de alguma forma viriam cobranças sobre a minha participação e acabaríamos brigando. Estou muito ocupado no trabalho. Honestamente não tenho tempo para esse tipo de coisa.

– Não acredito que você está dizendo isso! Também estou ocupada no trabalho! E muito! Mesmo assim, tenho me dedicado demais para termos um lindo casamento. Foi você quem me pediu em casamento! Foi você que sugeriu uma data próxima, pois não queria mais se despedir no domingo a noite. Foi você! Eu estava caminhando antes de correr! E agora vem me dizer essas coisas? Como se eu estivesse forçando você a fazer coisas que não quer! Não estou te entendendo.

– Vick, por mim você viria morar comigo e pronto. Podíamos fazer isso agora mesmo. Mas você quis a festa, o vestido, a igreja e tudo mais. De maneira surpreendente devo confessar. Pensei que você não curtia nada disso. Quero você Vick. Não preciso da festa.

– Mas você queria a festa.

– Eu quero a festa. Só acho que não estamos tendo tempo de qualidade para fazer isso juntos e você está se dedicando demais porque honestamente não tenho tempo para isso agora.

– Eu acho que devemos repensar a festa então. Não vou ficar correndo igual a uma maluca, cada dia mais estressada, se isso só é importante para mim.

– Não foi isso que eu disse. Vamos combinar uma coisa? Mantemos a festa e amanhã saímos para jantar e você me conta tudo. Prometo que vou tentar participar mais.

– Combinado! Não quero brigar por isso. Isso tem que ser motivo de união entre a gente.

– Concordo! E obrigado por todo esforço que você vem fazendo.

– De nada! Agora preciso ir. Tenho que dirigir e estou sem óculos. A noite não enxergo nada.

– Quer que eu te leve? Posso voltar de taxi.

– Claro que não! Vai descansar. Disse Vitória dando um beijo em Thomas e já pegando suas coisas para ir embora.

– Me ligue quando chegar em casa. Ok? Disse Thomas acompanhando Vitória até a porta.

Vitória sentia uma enorme tristeza em seu peito depois daquela conversa. Thomas parecia mais distante desde o pedido de casamento e a reação dele sobre o casamento deles era uma grande decepção para ela. “Preciso parar de ver as coisas de forma tão pessimista. Nossos momentos são muito mais mágicos e felizes do que ruins. Estou invertendo as coisas. Estou confusa. Estou cansada. Estou exagerando tudo.” Falava Vitória consigo mesma enquanto se olhava no espelho do elevador que levava ela para a garagem.

Os dias seguintes foram melhores e Thomas começou a se mostrar mais interessado em relação aos temas do casamento, mas mesmo assim Vitória não sentia uma total entrega dele. Ela tentou se alegrar com a boa vontade dele, mas seu coração seguia angustiado, o que a fazia temer ter apressado demais as coisas. Ela pensava que talvez fosse melhor ir morar com ele e se casar depois. E por isso a ideia de cancelar o casamento passava frequentemente em sua cabeça.

No meio de tudo isso, a amizade com Eric se fortalecia a medida que os projetos de trabalho deles rendiam bons resultados. Eric foi morar com Amanda e o coração de Vitória ia se conformando em perder Eric para sempre.

Vitória pensava em desistir do casamento, mas acabava sendo convencida a manter os planos originais por Tatiana e sua mãe. Ela entendia que estava muito estressada com tudo que estava acontecendo e acabava se convencendo que era uma fase estressante que ia passar. Ela esperava que uma linda festa de casamento compensasse todo aquele esforço.

De maneira meio atropelada, o tempo ia passando e finalmente o final de semana que aconteceria o casamento chegou.

Na sexta-feira, véspera do casamento, Vitória fazia um chá para tentar acalmar sua tremenda ansiedade, quando o interfone da sua casa tocou a surpreendendo completamente.

– Oi Eric! O que faz aqui? Você me disse que não viria para o casamento. Disse Vitória abrindo a porta para ele e o levando para a cozinha onde terminaria de fazer seu chá.

– E eu não vim para o casamento.

– Então o que veio fazer aqui?

– Vim roubar a noiva.

– Está doido? Do que está falando? Você está morando com a Amanda. Eu vou me casar amanhã. Não vou a lugar nenhum. Não entendo o que fiz, que te deu a entender que valia a pena vir até aqui para tentar fazer algo tão insano.

– Você não fez nada. Não deu certo com a Amanda. Eu continuei procurando você nela. Vim aqui tentar, pela última vez, te convencer a vir viver comigo. Não quero que você se case! Quero você para mim. Você é minha última chance para o amor. E essa noite é minha última chance para tentar te convencer a não se casar com ele e ficar comigo. Eu te amo Vitória. Meus sentimentos não mudaram. Você é o amor da minha vida. Não posso deixar você casar com mais ninguém.

– Você é muito maluco! Isso sim! Não sei o que te dizer Eric!

– Não diga nada. Pense. Mas pense com todo o seu coração. Quero ter uma vida linda ao seu lado. Podemos ter filhos se você quiser. Quero muito ter filhos, mas abriria mão para ter você. Acabei de negociar a ida da exposição para Paris. Queria que você soubesse. Podemos morar lá. Mas podemos também morar em Nova Iorque. Podemos morar onde você quiser. Eu quero te dar o mundo Vick. Um mundo que pode ter sabor de chocolate e cheiro de terra molhada.

– Não quero uma vida de aventuras. Isso tudo parece incrível, mas não é isso que me motiva. Entende? Já quis muito isso. Mas não quero mais.

– Não estou te propondo aventuras. Eu não quero mais aventuras também. Você me mostrou que a felicidade não está aí. Estou propondo ter a vida que você quiser. Você escolhe. Podemos morar aqui, se assim fizer mais sentido para você. Quero você Vitória. Não me importa onde.

– Eric isso tudo é muito tentador…

– Não diga nada ainda. Pense nas suas possibilidades. Aqui está sua passagem para Nova Iorque no primeiro voo de amanhã. Estarei lá no aeroporto esperando por você. Torcendo para que você venha. Venha Vitória e vamos seguir aprendendo, vivendo e amando juntos. Pense bem! Pense em nós! Estarei te esperando.

– Você é um maluco! Não sei o que fazer com você.

– Então pense! Vou embora agora, para que você possa pensar bem em tudo. Essa é nossa última chance. Pense bem. Até amanhã. Disse Eric dando um beijo na bochecha de Vitória e se dirigindo para a porta.

E assim ele foi embora, sem olhar para trás, sem esperar que ela o acompanhasse ou abrisse a porta para ele, deixando Vitória totalmente confusa, ainda sem saber o que pensar de tudo aquilo.

Ela andava de um lado para o outro e não conseguia tirar as palavras de Eric de sua cabeça. Nem o chá ela conseguiu tomar. Aquela seria de fato a última chance que eles teriam para ficarem juntos. E pela primeira vez, desde que tinham se separado as palavras de Eric tocaram o seu coração e ela realmente pensava sobre a possibilidade de jogar tudo para o alto e ir viver um grande amor com ele.

“Gente! Isso daria uma novela. Ou melhor… Isso só acontece em novela.” Ela falava com ela mesma, enquanto caminhava de um lado para o outro com o coração acelerado, que bem podia ser ouvido por quem estava a alguns centímetros de distância.

Ela foi dormir totalmente indecisa sobre o que fazer e sua angustia levou seu sono embora.

Vitória mal tinha conseguido dormir e já era acordada por seu despertador. Ela abriu os olhos e ainda não sabia o que fazer. Era o dia do seu casamento e as palavras de Eric continuavam fazendo o seu coração bater mais rápido. Ela foi tomar um banho, deixando a água relaxar seu corpo e acalmar sua mente.

Saiu do banho com o seu coração totalmente decidido.

Foi fazer a mala.

Escreveu um bilhete longo para a sua mãe a agradecendo por tudo e dizendo que sentiria muitas saudades da vida que viviam juntas. Se desculpou por ter demorado tanto para deixar a casa dela e por ser tão atrapalhada às vezes.

Chamou um táxi.

Já dentro do taxi ela estava perdida em seus pensamentos e falava consigo mesma: “Meu Deus o que estou fazendo? Minha vida vai mudar para sempre. E ele nunca vai me perdoar. Mas preciso fazer o que meu coração diz, mesmo que eu perca ele para sempre. Mesmo que eu machuque o coração de alguém que amo tanto.”

CONTINUA…

O ÚLTIMO CAPÍTULO SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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