Raissa seguia em silencio, fazendo uma prece silenciosa, enquanto o músico tocava e Juan seguia olhando para ela de maneira totalmente encantada. A música terminou e Raissa limpou as lágrimas.

– Eu amo essa música! É de um famoso poeta brasileiro. Achei muito especial ter ouvido essa música aqui.

– A música é linda. E você pareceu bastante emocionada.

– Juan, aconteceu tanta coisa comigo. Minha vida virou de cabeça para baixo e de alguma maneira me senti tão abençoada agora. Sinto que Deus falou comigo agorinha mesmo, e a mensagem foi de que tudo dará certo.

– Nossa Raissa, agora entendo sua emoção. Sei exatamente do que você está falando. Sinto isso às vezes.

– Tudo ganha certa poesia né?

– Sim!

– Agora mais do que nunca, tenho certeza que Gaudí deveria ser uma inspiração para nosso projeto.

– Estou muito feliz em ser parte desse projeto Raissa. Agora vamos em frente, porque temos muitas coisas para ver.

Raissa e Juan seguiram caminhando em silencio, passearam pelos corredores de pedras e pelo jardim, até chegarem no lugar mais famoso do parque, que era todo decorado com azulejos feitos de cacos que formavam imagens belíssimas e muitos diferentes umas das outros, mas que apesar de diferentes, combinavam muito bem entre si. Caminharam pelo pátio que tinha uma vista linda do parque e desceram as escadas para conhecer a famosa salamandra feita de pedaços de azulejo. O lugar estava repleto de diferentes flores e a poesia seguia encantando os olhos de Raissa. Pararam para tomar um café e Juan presenteou Raissa com um belo livro que trazia a história de Gaudi e estava repleto de imagens e fotos bem inspiradoras no estilo art decò. Eles terminaram o dia assistindo um lindo pôr do sol no lugar mais alto do parque, de onde era possível enxergar longe, inclusive o mar.

Saíram do parque na hora que fechou e foram direto para um restaurante bastante típico. Era o final da primavera, mas já fazia muito calor e as ruas de Barcelona estavam lotadas de pessoas andando de um lado para outro e ocupando mesas nas calçadas, conversando, rindo e embriagadas de vida. Enquanto caminhavam, Juan ia contando as histórias dos lugares por onde passavam. Já perto do restaurante onde iam jantar, passaram por uma praça com o chão colorido de amarelo, preenchido com as acácias que caiam das árvores. A cena chamou a atenção de Raissa e a história tocou o coração dela. O lugar parecia ser muito antigo e tinha uma fonte, igualmente antiga, no meio. As construções no entorno eram de pedras largas e ainda era possível ver as marcas deixadas pelas balas dos bombardeios que aconteceram ali durante uma guerra civil. O lugar era incrivelmente calmo em meio ao caos da cidade.

– Nossa, essa praça parece pertencer a outro século e a outros tempos. Que lugar tranquilo e preservado. Esse lugar tem muita paz. Não consigo explicar. E esse chão amarelo pelas flores? Isso é lindo! Veja, as pétalas estão caindo agorinha mesmo. Ela comentou, se sentindo atraída pela cena que via.

– Essa praça passa mesmo essa sensação, mas já aconteceram coisas terríveis aqui e tudo que você vê foi reconstruído após um bombardeio que acabou com tudo por aqui. Disse Juan, com a ar de professor, feliz por compartilhar todo conhecimento dele com ela.

– O que houve aqui? Raissa perguntou curiosa.

Ele a levou para o outro lado da praça e começou a mostrar os detalhes.

– Suas construções nos levam ao dia 30 de janeiro de 1938, quando os aviões fascistas, do alto do céu azul, bombardearam Barcelona marcando a cidade para sempre e as casas que estavam neste local foram totalmente destruídas. Desde 1936, a Espanha estava imersa em uma guerra civil que dividia o país em dois bandos que lutavam pelo poder: nacionalistas e republicanos. Os aviões fascistas, que apoiavam os nacionalistas, voavam até a Catalunha a partir de uma base aérea instalada nas Ilhas Baleares. Desde fevereiro de 1937, atacavam sistematicamente as cidades catalãs. Para proteger a população vários abrigos antiaéreos foram construídos em diferentes pontos de Barcelona e da Catalunha. Na falta de abrigos, outros lugares como subsolos de casas e igrejas, eram usados como refúgio. Nessa praça, além da igreja, em 1938, tinha um colégio e casas de moradores. Quando aconteceu o bombardeio os moradores, os alunos e os professores se refugiaram no subsolo da igreja para se protegerem das bombas. Duas bombas caíram na praça matando 42 pessoas, sendo a maioria delas crianças. Os refugiados da igreja morreram pela expansão das bombas que chegou ao subsolo. As marcas desta tragédia estão expostas aqui aos nossos olhos, nas paredes da igreja e do colégio de Sant Felip Neri. Desde a destruição começaram a restauração, o que levou a prefeitura a reconstruir o lugar com novos edifícios, um museu, um hotel e uma escola, mantendo o chafariz do centro da praça, para dar vida e charme ao lugar. Antoni Gaudí regularmente assistia à missas na igreja de Sant Felip Neri. No dia em que foi atropelado por um bonde, acidente que custou sua vida, estava a caminho da missa nessa igreja.

– Nossa Juan! Essa cidade é cheia de histórias.

– Reza a lenda, que não consta de fatos históricos, que antes de ser a praça que foi destruída durante a guerra civil, esse era um local de execuções de penas de morte. Por isso muitas pessoas foram executadas aqui. Mas isso é o que contam.

– Quanta energia passou aqui. Quanta vida se perdeu aqui.

– Pois é. E hoje a escola que tem aqui enche o lugar de alegria e as arvores enchem o paisagem de flores, como você pode ver. E a noite, o lugar se enche de gente por causa dos bares e restaurantes incríveis que tem aqui na região. Mas agora é melhor nos apressáramos, ou vamos perder nossa reserva.

– Vamos! Estou morrendo de fome.

Em poucos minutos, eles estavam entrando no restaurante. O lugar era estreito e comprido, com chão de madeira e decoração rustica com candelabros e luzes de velas.

– Aqui tem as melhores tostadas de Barcelona. Ele disse empolgado.

– Você segue me surpreendendo. Esse lugar parece uma taberna medieval.

E nesse momento o celular de Juan começou a tocar.

– Oi meu amor. Ele disse atendendo o telefone. – Estou no restaurante Alcoba Azul. Trouxe a Raissa para comer tostadas.

– Você está demorando. Ela disse.

– Meu amor, eu te disse que íamos jantar.

– Acho que está exagerando Juan.

– Meu amor, não se preocupe.

– Preciso desligar, tenho que acordar cedo e ainda não terminei o trabalho que vou apresentar amanhã.

– Boa noite! Amanhã jantamos juntos.

– Quero só ver. Ela respondeu contrariada.

– Não fica brava. Ele pediu.

– Venha logo pra casa.

– Até mais tarde. Ele disse. – Nos vemos daqui a pouco.

– Se eu aguentar acordada.

– Beijo.

E ela desligou.

Juan desligou o telefone e ficou paralisado por uns instantes. Ele não queria que Raissa tivesse ouvido sua briga com a namorada.

Raissa preferiu não comentar nada, mas se sentia culpada pela briga de Juan com a namorada. Desde que ela tinha chegado ele estava dedicando muito tempo à ela.

– Agora vamos comer tostadas e tomar vinho! Ele propôs, como se nada tivesse acontecido.

– Vamos! Raissa respondeu tentando manter o bom clima, em nome de tudo que ele estava proporcionando para ela.

Eles sentaram e logo estavam bebendo vinho e comendo tostadas, cuidadosamente escolhidas por Juan. Raissa, que sempre esteve com homens que não a tratavam tão bem, se sentia a mulher mais bem tratada do mundo diante de Juan.

– Que delícia! Disse Raissa ao provar.

– Que bom que gostou. Essas tostadas são incríveis. Que tal o vinho?

– Adorei também. Obrigada por tudo que tem feito Juan. Nem sei como te agradecer.

– Fico feliz em ajuda-la. Vamos comemorar o início da restauração da propriedade. Ele propôs, levantando sua taça de vinho.

– Um brinde ao início do projeto. Ela concordou levantando a taça dela.

– Agora você precisará entrar no prédio novamente.

– Sim! Minhas amigas chegam em dois dias e estou pensando em ir com elas para lá quando chegarem.

– Acho uma excelente ideia. Agora me diga uma coisa. Independentemente do que faça com o prédio o que pensa em fazer com a sua vida?

– Como assim?

– Vai voltar para o Brasil ou vai morar aqui?

– Nossa Juan eu ainda não pensei nisso. Em 2 meses e meio termina minha licença do trabalho e preciso voltar.

– Se você ainda quiser esse emprego né?

– Acho que vou querer. Eu adoro o que eu faço.

– Raissa, se permita novas possibilidades. Acredito que você vai descobrir lindas novas possibilidades quando entrar novamente naquele prédio.

– Além de sair do roteiro, está sendo otimista e intuitivo? Raissa disse brincando com Juan. – Você está muito mudado.

– Pois é. Ele respondeu, sem graça.

A noite seguiu animada e nenhum dos dois tinha pressa de ir embora. Raissa seguia linda com seu batom vermelho e os cabelos bagunçados presos em um coque desconstruído, enquanto Juan já estava sem a gravata, com os dois botões perto do colarinho abertos, mangas dobradas na altura dos cotovelos e os cabelos despenteados, livres do gel que os deixavam impecavelmente penteados para trás. Ele parecia uma nova pessoa naquele momento e por um momento Raissa o achou muito interessante. Ele estava divertido, colocando humor nas suas falas. Ela nunca o tinha visto descontraído como ele estava naquele momento.

Quando eles saíram do restaurante, nenhum dos dois queria que a noite terminasse, mas como Juan tinha que acordar cedo no dia seguinte, para um dia de trabalho atarefado, mesmo sob efeito de muito vinho, ele racionalizou e  ambos foram para casa.

Raissa pegou um taxi para a casa dela e Juan um outro taxi para a casa dele.

No dia seguinte, Raissa sentia sua cabeça doer pelo excesso de vinho da noite anterior e não se animou muito para fazer nada, além de ler o livro que Juan tinha dado a ela.

Um pouco depois do almoço Juan ligou.

– Oi Juan. Ela disse ao atender o telefone, se sentindo mais feliz com a ligação dele do que esperava.

– Olá Raissa, tudo bem? Como acordou hoje? Exageramos no vinho ontem.

– Estou bem. Com um pouco de dor de cabeça. Mas muito feliz. Me diverti muito. E você? Como acordou?

– Com um pouco de dor de cabeça também. Mas estou bem. Queria te pedir mil desculpas, mas não vou conseguir manter nossos planos de seguir conhecendo Gaudi hoje. Surgiu um tema urgente e precisei viajar. Volto no sábado. Me desculpe por isso?

– Fique tranquilo. Estou bem cansada. E estou aqui devorando meu livro novo. Aliás, estou amando. Muito obrigada! Estou decidida que farei a decoração estilo art deco, seja lá do que for!

– Podemos almoçar na segunda, se puder.

– Nos falamos quando você voltar. Sábado minhas amigas estarão aqui e vou leva-las no prédio.

– Combinado! Fico feliz que esteja animada para ir ao prédio. Aproveite com suas amigas. Bom final de semana Raissa. Um beijo.

– Obrigada! Boa viagem! Beijo.

Raissa desligou o telefone e sentiu uma saudade estranha de Juan. Achou ainda mais estranho ficar tantos dias sem ve-lo. Ela estava grudada nele, desde que tinha chegado em Barcelona e aquele era o primeiro dia em que eles não se encontrariam. E pensar que só o veria em alguns dias aumentou essa sensação estranha de vazio que ela sentia. Ela evitou ficar pensando nisso e tentou voltar a se concentrar na leitura do seu livro, mas não conseguiu terminar uma única página e Juan seguia invadindo seus pensamentos.

“Hey, o que está acontecendo Raissa? Isso é carência. O Juan não tem nada que te atrairia. Ele não é seu tipo. Nem de longe. E vai se casar. Peloamor. Melhor pensar em outra coisa. Tudo que você não precisa agora é de um envolvimento amoroso em Barcelona. Ainda mais com o advogado responsável pela sua herança, que está noivo de outra mulher. Para já com isso Raissa.” Ela pensava desistindo do livro e indo procurar uma outra coisa para fazer.

Ela andou pela casa e foi até o jardim. Fez uma caminhada rápida. O calor estava intenso e ela não se animou a ficar sob o sol. Quando entrou em casa, encontrou a governanta que tinha acabado de voltar do supermercado.

– Oi Dona Rosa, deixa eu te ajudar com essas sacolas. Ela disse.

– Não precisa Raissa. Você em casa a essa hora. Está tudo bem?

– Sim! E vou te ajudar de qualquer jeito. Raissa respondeu pegando as sacolas da mão dela.

– O que houve? O Dr Juan não veio hoje? Ela perguntou enquanto caminhavam para a cozinha. – Ele tem vindo todos os dias. Já me acostumei com a presença dele.

“Eu também!” Raissa pensava, achando graça, antes de responder para Dona Rosa.

– Não. Ele precisou viajar a trabalho.

– E o que você vai fazer hoje?

– Nem ideia. Posso fazer um bolo de chocolate? Raissa propôs.

– Claro. Mas podemos fazer para você.

– Dona Rosa, a senhora precisa experimentar meu bolo de chocolate. E eu adoro cozinhar e adoro chocolate.

– Eu posso te ajudar.

– Será muito bom ter sua ajuda.

– E também adoro chocolate. Tudo combina com chocolate. Desde comida aos sentimentos. Está feliz? Come chocolate. Está triste? Come ainda mais chocolate. Quer se presentear? Chocolate. Bolo? Chocolate. Leite? Chocolate. Sobremesa? Chocolate. Disse Dona Rosa empolgada parecendo uma poetisa.

– Dona Rosa! A senhora é das minhas. Tudo termina e começa bem com chocolate. Tudo combina com chocolate. Eu estou precisando de chocolate. Raissa disse empolgada.

“Talvez o chocolate preencha esse vazio que estou sentindo no meu peito. Gente que sensação mais estranha. Parece que estou em um carro, sozinha, na estrada, voltando da praia depois de dias de férias ao lado de um amor inesquecível de verão.” Raissa pensava se distraindo completamente, quando foi assustada por Dona Rosa.

– Hey Raissa, estou aqui falando e você não me ouviu.

– Desculpe Dona Rosa fiquei meio aérea mesmo. O que foi que disse?

– Me diga quais são os ingredientes. Preciso ver se temos tudo aqui.

– Claro. Aqui está. Raissa disse, dando seu celular para ela com a lista de ingredientes para o bolo.

Dona Rosa saiu da cozinha e foi até a despensa buscar os ingredientes e Raissa seguiu ali sozinha tentando entender os sentimentos dela.

“Acho que estou sentindo o vazio deixado pela presença de Juan. Será possível? Ou será saudade? Gente, será que estou com saudade?” Ela pensava, quando foi interrompida por Dona Rosa, que voltava da despensa trazendo todos os ingredientes.

– Temos tudo. Ela disse animada.

– Excelente. Dona Rosa, onde estão todos? A casa está tão vazia.

– Seus tios viajaram. Foram para Inglaterra. Seu primo vai se casar lá no final de semana. Avisou hoje de manhã. Ele é muito aventureiro. Ah esse menino. Sempre foi assim.

– Uau! É mesmo. E corajoso.

– Ele deixa seus tios malucos. Sua tia estava toda atrapalhada hoje de manhã. Ela te deixou um beijo e disse que você estava convidada para ir, mas se lembrava que suas amigas chegavam nesse sábado. Então pense e ligue para ela, se decidir ir.

– Tudo que mais quero é ficar em Barcelona com as minhas amigas. Temos muito o que fazer. Espero que entendam.

– Será algo bem simples. Somente no cartório. Sem festa. Agora vamos começar esse bolo? Estou curiosa e doida para experimentar Raissa. Sua propaganda foi muito boa. Animou-se Dona Rosa.

– Vamos. Mas não se anime tanto Dona Rosa.

– Agora já me animei.

Raissa riu.

No momento em que Raissa começou a manusear os ingredientes, toda a angustia se foi, levando embora aquele sentimento estranho que ela estava sentindo e aquela receita preenchia todo vazio que tinha se instaurado ali naquela tarde. A cozinha sempre foi uma excelente terapia para ela.

Um pouco mais de uma hora e meia depois, o bolo estava pronto e impecavelmente decorado. Raissa partiu a massa ao meio e recheou com morangos frescos, geleia de framboesa, que ela mesma fez, e creme de avelãs. Decorou com chantilly de chocolate, improvisando um bico de confeiteiro e salpicou algumas frutas vermelhas, trazendo contraste e cor.

– Raissa, você é uma artista. Disse Dona Rosa encantada com a habilidade dela.

– Dona Rosa, esse bolo é bastante simples. Só me animei para decorar porque fiquei feliz demais cozinhando hoje.

– Quero provar.

– Vamos comer!

– Vou fazer um café. Dona Rosa disse animada.

– Excelente ideia Dona Rosa. Enquanto faz o café, vou montar uma mesa linda na varanda. Onde acho a louça?

– A senhora está me surpreendendo. Aqui Dona Raissa. Diase Dona Rosa abrindo o enorme armário de louças para ela.

– Eu adoro montar uma bela mesa. Acredito que a felicidade mora nesses pequenos detalhes. Raissa respondeu enquanto escolhia a louça. – Essas porcelanas parecem Limoges.

– E são Dona Raissa. A senhora conhece?

– Minha mãe adora. E eu também! Devo ter herdado dela. Ela respondeu animada escolhendo um lindo conjunto com flores coloridas e acabamentos dourados.

Raissa foi com a louça para a varanda e gastou uns bons minutos arrumando tudo de maneira impecável.

Dona Rosa trouxe o café e se encantou com a beleza da mesa, do bolo e com a forma como tudo combinava.

– Dona Raissa, a senhora tem muito talento. Estou encantada.

– Viu! Você sentiu algo bom. É esse o efeito que esses detalhes trazem para nossa vida. Agora vamos comer. Sente-se aqui.

– Não posso me sentar com a senhora.

– Claro que pode. Não só pode, como vai. É minha convidada para esse café com bolo de chocolate.

Dona Rosa se sentou e quando comeu a primeira garfada seus olhos se encheram de lagrimas.

– O que foi Dona Rosa?

– Isso está tão gostoso que até me emocionou Raissa. Você tem um dom menina.

– Fico feliz que tenha gostado. Ficou bom mesmo! Raissa concordou depois de provar.

– Esse bolo e essa mesa podiam estar em uma pâtisserie chique na cidade ou de Paris.

– Não exagere Dona Rosa. É só um bolo de chocolate e uma mesa linda.

– Isso está incrível Dona Raissa.

– Obrigada Dona Rosa.

Elas terminaram de comer e o sol começava a dar uma trégua. A temperatura estava mais amena e Raissa se animou para caminhar.

Seu coração estava alegre e muito mais calmo.

“Era chocolate que eu precisava.” Ela pensava enquanto caminhava. O sol se pôs e ela voltou para casa, depois de uma longa caminhada. Foi tomar banho, jantou e terminou a leitura do livro sobre Gaudi, acompanhada de uma taça de vinho. Foi dormir tarde, se sentindo feliz e animada com suas possibilidades.

O dia seguinte amanheceu chuvoso e cinza. Raissa seguiu animada e ficou eufórica, depois de falar com as amigas, que estavam no aeroporto esperando o voo para embarcar para Barcelona. Juan aparecia de vez em quando em seus pensamentos ao longo do dia, mas toda a angustia do dia anterior parecia ter ido embora.

Na hora de dormir Raissa riu de seus pensamentos, quando cogitou estar com saudades de Juan.

“Que alivio aquela sensação de vazio ter ido embora. Estou sentindo falta da companhia e da parceria de Juan, mas isso nada tem a ver com atração ou vontade. Estou sentindo apenas falta dele e de tudo que ele me ensinou e me mostrou nesses últimos dias. Estou com saudades de nossas andanças, das nossas conversas e das histórias que ele conta. Estou com saudade de um grande amigo. Porque é isso que ele está se tornando. Quando temos amigos, sentimos saudades deles. Estou morrendo de saudades das minhas amigas e dos meus pais. É isso! Estou com saudades. E não é só do Juan. Estou com saudades de tudo.” Raissa pensava, no momento em que pegou no sono.

O dia seguinte chegou com raios de sol iluminando o quarto de Raissa. Ela se espreguiçava na cama ansiosa pela chegada das amigas, quando Lara e Helena invadiram seu quarto.

– Não acredito que estão aqui! Finalmente vocês chegaram. Vocês não imaginam a saudade que eu estava de vocês.  Raissa disse enquanto corria abraçar as amigas.

A saudade definitivamente tinha tomado o coração de Raissa.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 27 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

Capítulo 26 – Saudade

Sabrina Almeida


Sou mãe, filha, esposa, mulher, amiga, confidente, conselheira. Sonhadora, determinada e realizadora. Organizada, mas com um que de caótica. Apaixonada pela vida e pelas pessoas. Intensa! Publicitaria, trabalho desenvolvendo produtos e marcas para deixar as pessoas mais bonitas e felizes. Escrevo porque amo escrever. Minha cabeça está sempre repleta de sonhos e devaneios. Sigo sempre meu coração. Hoje penso mais antes de tomar uma decisão. Encontrei a FELICIDADE, assim todinha maiuscula, nas coisas simples da vida. E escrever é uma delas. Enquanto as pessoas vão para a academia, fazem trilhas, tocam instrumentos musicais, cozinham… Eu escrevo! Esse é o meu hobbie… Escrevo para traduzir o que está no meu coração, sem regras, métodos ou filtros. Escrevo porque me inspira e me faz feliz. Acredito que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de sonhos e devaneios. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: “quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?” E a minha resposta é como vou concluir minha apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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