Capítulo 27 – O Dono da História

Vitória não acreditava no que estava fazendo quando se viu sozinha no banco de trás do carro deixando uma possibilidade vida tão incrível para trás. Ela questionava ainda se aquela era a decisão certa.

De repente ela cruzou com seu próprio rosto refletido no espelho retrovisor do carro e um filme começou a passar na sua cabeça. Todos os desencontros de amor, a traição seguida por rejeição, a paixonite não correspondida, que não durou nada, por seu melhor amigo José, mesmo ele ainda nem sendo famoso, talvez se fosse, a cabeça dela daria um nó. O romance divertido com Eric e o novo mundo que ele apresentou para ela, além de toda a diversão que experimentou ao dele e os tombos que ele a fez levar, que de alguma maneira a fizeram dar valor ao Thomas e a tudo que ele oferecia para ela. Seu reecontro com Thomas, o cara certinho que tinha sido totalmente apaixonado por ela a vida inteira, que reaparecia muito mais bonito, descolado e bem sucedido. As supresas com o Thomas, como o orgasmo em 30 segundos e a descoberta do homem incrível que ele é. A descoberta do seu porto seguro. A perda do emprego, o empurrão na sua carreira, os projetos incríveis com Eric que a fizeram fazer as pazes com a sua auto–estima. A conversa com a astrologa prevendo a bifurcação em seu caminho de busca ao amor. Ela ria ao lembrar de sua sessão astrológica e podia ver claramente Thomas e Eric representando cada uma de suas possibilidades. A astróloga falava de casamento, não no sentido formal, mas de união de almas, sendo possível com alguem do passado ou alguem que concheceria em virtude do trabalho. As duas coisas realmente aconteceram e ela estava ali decidindo por um dos caminhos.

Quando ela imaginou que aquilo realmente estava de alguma maneira traçado em seu destino, sentiu algo mágico, que vinha com uma certeza absoluta de que o que era dela estava esperando por ela. A certeza de que quando as coisas tem que acontecer, elas realmente acontecem, mas somos nós quem escolhemos. A astróloga tinha de fato lido o ano de Vitória e suas bifurcações amorosas, com seus desencontros de amor, no posicionamento dos astros.

Ela não podia acreditar no caminho que tinha percorrido até chegar ali. Perdas e ganhos. Escolhas e renuncias. Lágrimas e gargalhadas. Rejeição e valorização do amor. Sua enorme capacidade de continuar em frente, de não desistir, de levantar depois de um grande tombo. A forma como as coisas aconteceram como tinham que acontecer. A total falta de controle. As reviravoltas no amor. Sua capacidade de ir atrás de seus sonhos e o prazer de conquistá–los. A importancia da celebração. O fato de tudo mudar de repente.  Mas principalmente, a sua capacidade de se reinventar e ir atrás de sua felicidade, por mais distante que ela parecesse.

Ela sentia orgulho de si mesma e aliviada por no final tudo ter dado certo. Ela estava dando mais um passo para chegar ainda mais perto da felicidade, que meses atrás, parecia tão distante.

Enquanto Vitória refletia sobre sua trajetória no táxi…

O Eric andava de um lado para o outro à espera dela no aerorporto. De alguma maneira ele também pensava no caminho que tinham percorrido e orava silenciosamente para que Vitória atendesse ao seu chamado e fosse conquistar o mundo com ele. Ele não conseguia tirar os olhos da porta do embarque. “Será que ela vem? Já deveria ter chegado.” Ele falava consigo mesmo, sentindo uma enorme aflição tomar conta do seu corpo. Ele amava Vitória, como nunca tinha amado ninguem antes e se culpava por ter percebido isso tão tarde, depois de ter permitido que ela fosse embora.

Thomas estava nervoso, muito mais do que esperava estar, estranhava a total ausencia e falta de notícias de Vitória durante todo o dia e ficava cada vez mais aflito por tentar ligar para ela, sem conseguir resposta no celular. Ele não podia acreditar que a garota do poster, por quem ele tinha sido apaixonado a vida inteira, enfim seria oficialmente a mulher dele. Aquilo parecia tão bom, que por um instante ele não acreditava que seria verdade e temia que Vitória não aparecesse. Ele seguia tentando falar com ela, mas só conseguia ouvir a voz dela no recado gravado na caixa de mensagens de seu celular. Quanto mais as horas passavam mais medo ele sentia.

A aflição de Thomas com a ausencia de notícias sobre Vitória foi tanta que acabou preocupando a mãe e a melhor amiga, que também começaram a ligar insistentemente no celular de Vitória. Mas ninguem conseguia falar com ela. Tatiana teve a ideia de ligar no salão onde ela iria se arrumar. Mas informaram de lá que ela ainda não havia chegado.

O mundo parecia procurar por Vitória e ela estava em um banco de uma praça, sentindo o sol bater na pele e seguindo com suas reflexões, enquanto o táxi a esperava. Toda aquela reflexão a fez querer parar por um minuto, se conectar com a natureza, para ter total clareza sobre suas escolhas e também para agradecer por tudo ter dado certo, mesmo quando ela chegou a questionar sua própria fé.

Ela voltou para o taxi, muito mais calma e mais certa do que nunca de sua decisão sobre a bifurcação que escolheria para ir encontrar o amor.

O voo de Eric já estava sendo chamado e ele seguia estático, olhando para a porta, já não acreditando mais que ela viria. Seu coração ia se despedaçando. Ele se levantou e começou a caminhar derrotado em direção ao seu portão de embarque quando alguem chamou por seu nome:

– Eric?

Era uma voz de mulher, não parecia ser a de Vitória, mas de quem seria? E o coração dele acelerou, levando um sorriso enorme para o seu rosto. Quando se virou, toda a felicidade se foi.

– Sim. Respondeu ele para a mulher desconhecida.

– Desculpe! Só queria um autógrafo seu. Você se importa? Visitei sua exposição de fotos e fiquei ainda mais fã do seu trabalho.

– Claro. Disse ele já começando a rabiscar um pedaço de papel. – Como você se chama?

– Vitória.

– Vitória?

– Sim, Vitória. Por que?

– Foi uma grande coincidencia. Nada de mais. Eu esperava uma Vitória, quando você chegou.

– Nossa! A sua Vitória não veio? Disse a mulher super constrangida.

– Não até agora.

– Que tipo de mulher não viria a um encontro com você? Só se for uma louca.

– Te agradeço a gentileza. Pois bem, Vitoria, está aqui o seu autógrafo. Disse ele totalmente frustrado.

– Obrigada! Disse a mulher encantada. – Desculpe por ser a Vitória errada. Brincou a moça tentando amenizar o clima e faze–lo sorrir.

– Imagina! Ele respondeu dando um beijo na bochecha da mulher e saiu sem olhar para trás.

Já na igreja, Thomas seguia aflito e com receio de que Vitória não aparecesse e seu sonho não se tornasse real. Ele se preparava para se posicionar na entrada da igreja, pois a hora do casamento se aproximava, quando uma mulher pediu para que todos voltassem para a sacristia, pois a noiva ainda não tinha chegado. O coração de Thomas gelou. “Ela não vem mesmo!” Falava ele consigo mesmo.

Alguns minutos se passaram e a mulher voltou.

– Por favor, preciso que voltem lá para fora. A noiva está atrasada, mas precisamos começar. Esse é o primeiro casamento do dia, e se atrasar demais, atrasará todos os outros.

Eles obedeceram e Thomas seguia temendo que Vitória não aparecesse. “Isso é medo ou pressentimento?” Perguntava para si mesmo enquanto caminhava para o lado de fora da igreja.

– Vamos! Formem a fila aqui. Dizia a mulher já sem muita paciência.

Em poucos minutos a fila de padrinhos que era puxada por Thomas, estava formada. A música para entrada de Thomas começava a tocar e ele se surpreendeu porque não tinha ideia que seria aquela música. Essa foi mais uma, das muitas decisões, que Vitória teve que tomar sozinha. Ele adorou a música. Naquele momento ele se deu conta do quanto foi omisso em relação aos temas do casamento deles. Ele se sentia muito arrependido e dava ainda mais valor para Vitória, que em tão pouco tempo tinha feito tudo aquilo acontecer, mesmo sem a ajuda dele.

A música preenchia todo o ambiente e começava a criar um clima bem emocionante. Ele caminhava até o altar, cercado por flores brancas e muita folhagen verde e seguia andando em passos lentos tentando esconder todo o seu nervosismo. Seu caminho até o altar parecia interminável e ele aproveitava para fazer uma prece silenciosa para que Vitória viesse se casar com ele naquela tarde.

Todos já tinham entrado e estavam posicionados no altar quando um silencio tomou conta de tudo. A espera da noiva parecia estar mais demorada do que o normal.

Alguns convidados já começavam a olhar impacientes para a porta e Thomas seguia temendo ser abandonado no altar.

Lá no aeroporto Eric já estava sentado dentro do avião ao lado de uma assento vazio que estava destinado à Vitória. Ele olhava para a foto que tinha tirado dela em um momento divertido em que eles falavam das ideias para a exposição sobre beleza e refletindo sobre tudo que passou e sobre as chances que desperdiçou para ter Vitória em sua vida. “Acordei para essa realidade muito tarde.” Falava com ele mesmo se lamentando, quando um anuncio no avião encheu seu coração de esperança.

– Senhores passageiros, desculpem esse pequeno atraso. Temos um passageiro atrasado a caminho do embarque.

“Só pode ser a Vitória! Ela veio! Ela veio! Pensava Eric euforico.

Os poucos minutos que esperaram o passageito atrasado parecia uma eternidade. A expectativa tomava conta do corpo e da mente de Eric e ele já não conseguia mais esperar, de tanta ansiedade, quando finalmente o passageiro atrasado chegou.

Não era Vitória, mas uma mulher que parecia uma alta executiva, que se sentou na primeira poltrona da classe executiva.

Assim que a mulher se sentou. A comissária voltou a falar no microfone.

– Senhores passageiros, já podemos sair. Mais uma vez nos desculpem o atraso. Tripulação, portas em automático.

Naquele momento as portas se fecharam e todas as esperanças que haviam no coração de Eric se evaporavam. Vitória não estava lá, porque estava se casando com outro homem. Com as portas se fechando, ele se dava conta que perdia o amor da sua vida.

Na igreja, o silencio começava a dar espaço para um ruído produzido pelas pessoas cochichando e Thomas, chamava por Vitória, quando a marcha nupcial finalmente começou a tocar.

O coração de Thomas disparou de tanta felicidade e quando as portas se abriram e ele viu Vitória, deslumbrante em seu vestido de noiva, entrando sozinha na igreja, corajosa e confiante. Ele se emocionou e agradeceu silenciosamente pela mulher maravilhosa que o destino tinha reservado para ele. Ele já não estava conseguindo resistir a tanta emoção e não conseguiu impedir que algumas lágrimas rolassem pelo seu rosto.

Vitória seguiu caminhando confiante e linda. Seus olhos procuraram os de Thomas e quando os olhares deles se encontraram, não se desgrudaram mais. Ela finalmente estava ancorando em seu porto seguro.

Ela chegou perto dele e ele agarrou sua mão com força, como se não fosse soltar nunca mais. Ela achou graça na atitude dele e retribuiu o aperto na mão dele. E assim, com as mãos totalmente entrelaçadas, eles ficaram por toda a cerimônia.

Enquanto o Padre falava lindas palavras, Vitória olhava para Thomas e depois olhava em volta, onde podia ver seus melhores amigos e sua família. Tatiana com o marido Tato, que tinha se tornado um grande amigo e juntos eram um exemplo de casal feliz e bem sucedido, sua irmã Catarina com o sobrinho e o exemplo de mulher corajosa e vencedora que ela representava, sua mãe com Roberto e a coragem deles de viver um grande amor depois de terem vivido outras histórias, José, que tinha se tornado um músico famoso, com sua Isabela, que agora era parte da turma e totalmente amada por todos, porque fazia o José muito feliz. As maiores riquezas de Vitória estavam ali e ela se sentia abençoada por ter tanto amor na sua vida e por todo aquele amor estar a cercando naquele momento. “Essa é a minha vida! Esse é o meu pedaço de mundo. Aqui é o meu lugar. Aqui é onde está a minha felicidade.” Falava com ela mesma, com os olhos cheios de lágrimas. E isso tudo a fazia ainda mais confiante e certa da escolha de seu caminho.

Já perto do encerramento da cerimonia o padre convidou os noivos a trocarem seus votos e Thomas começou falando:

– Eu quero te dizer hoje que fico feliz por você ter nos dado uma segunda chance. Para todos aqui não é segredo que gosto de você desde que eramos crianças. O tempo passou e nunca esqueci você. Eu entendo o porque não deu certo antes. Eu era o nerd gordinho, melhor amigo, da menina mais popular da escola. Que chance eu teria? O tempo passou e de repente ganhei um encontro com você de presente do acaso. Eu precisava fazer algo, para não deixar você ir embora e por isso te beijei, tão sem jeito, do jeito que deu, a caminho do ponto de taxi. Confesso que não era assim que eu imaginava nosso primeiro beijo. Eu vibrei com a aquele beijo. Mas você foi embora mais uma vez, no meio de um grande turbilhão que minha vida se transformava. Mas o tempo não tirou você do meu coração. Fico feliz por você ter aceitado meu convite para ser parte do meu mundo, que demorei tanto para ter coragem de te mostrar. Você com seu jeito confiante, alegre e relaxado me encantou e segue me encantando. Hoje estou aqui me casando com a garota do poster. E por isso, eu não poderia estar mais feliz.

– Obrigada Thomas! Eu te amo! Eu tinha escrito lindas palavras para te dizer aqui hoje, mas resolvi falar direto do meu coração. Repensei meus votos hoje no caminho para igreja. Disse Vitória enquanto dobrava seu papel. – Que longo caminho percorremos para chegar até aqui. Quantas bifurcações no percurso poderiam ter separado nossos caminhos. Quantos desencontros aconteceram que poderiam ter nos levado para longe um do outro. Logo com a gente, que se conhece desde criança. O tempo passou, eu vivi muitas histórias, mudei minha percepção de felicidade. Muita coisa aconteceu para que eu pudesse entender o que de fato era amor. E foi você que me mostrou. Eu relamente não sabia muito o que esperar ou desejar do amor. Tinha dúvidas sobre ter uma vida comum demais. Queria aventuras. Queria poder ir para Paris a qualquer hora, se me desse vontade. Não queria compromisso ou algo que me impedisse de ir para onde for num momento qualquer. Eu era até convicta. Devo admitir que demorei para considerar outra forma de felicidade. Enquanto eu me encontrava com esses novos formatos, tive medo de que você não esperasse por mim. Aliás, você não esperou por mim. E no momento que entendi o amor, que desejei de fato paz e amor, aquilo que você sempre me ofereceu, você já não estava mais lá. Você sumiu, me deixando cheia de expectativas, que eu já não sabia mais se conseguiria realizar. No dia que você reapareceu, me convidando para conhecer o seu mundo e ser parte dele, foi como se a felicidade se materializasse na minha frente dizendo: Hey Vitória, essa é a sua última chance. E eu posso me cansar de esperar. E foi você que me deu essa oportunidade Thomas. A oportunidade de agarrar nas mãos da felicidade e não soltar mais. E eu agarrei meu amor. Deixei Paris para depois, ou quando der. Quero os filhos e as visitas às lojas de decoração nos estressando durante a reforma da casa. Quero bagunça. Quero brinquedos pela casa. Quero poder deitar no seu peito no final de um dia difícil e sair renovada de certeza de que tudo dará certo. Quero isso tudo que mora em uma felicidade simples, que eu não sabia que existia, até você me mostrar. Por isso, em meio a tantas possibilidades, eu escolhi você! E escolheria um milhão de vezes. Por isso, estou aqui hoje, quando eu poderia estar em qualquer outro lugar, te fazendo promessas, te oferecendo uma parceira para a vida toda e te entregando meu coração, que é muito mais doce e feliz, desde que você chegou.

– Uau! Eu estou me sentindo mal de não ter jogado meu papel fora . Brincou Thomas. Obrigado Vick! Que sorte a minha ter você minha vida. Ele terminou de falar muito emocionado.

– Que sorte a minha também. Que sorte a nossa, meu amor. Completou ela com os olhos sorrindo e um grande sorriso que ia de orelha a orelha.

 

FIM

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