Capítulo 29 – Acho que finalmente entendi

Naquela noite dormir parecia impossível. Uma avalanche de pensamentos e sentimentos se misturavam em sua cabeça e apesar do corpo exausto, ela girava na cama, se virando de um lado para o outro, mas não conseguia esvaziar a sua mente e dormir. Ela desistiu de brigar com o sono e foi beber um copo d’água. Já era quase meia noite, a noite estava fresca e silenciosa e Nina decidiu ir para a varanda com seus pensamentos ao invés de voltar para o quarto.

Ela ficou ali sozinha na varanda de braços cruzados a ponto de se abraçar e sentia a brisa quente que começava a chegar com o final da primavera. Ela se sentia melhor, mas a angustia que tinha se instalado em seu peito parecia não querer ir embora.

Ela perdia seu olhar no horizonte que alcançava o mar e se sentia mais sozinha do que nunca. Apesar de seu irmão ter acordado e as chances de sua plena recuperação serem enormes, a falta de perspectiva sobre sua independência criava uma enorme falta de expectativa sobre sua vida com Roberto e sua vida em geral.

“No fim, esse amor não é mesmo tão forte, tão invencível como ele me fez acreditar. Eu deveria ter vindo pra cá sem olhar pra trás, no momento em que parecia ser o melhor. Mas ele me fez acreditar com todo o meu coração que tudo daria certo e que o que tínhamos era forte o suficiente. Mas na primeira crise ele parece ir para longe. Eu vou fazer 29 anos e pareço uma pessoa muito mais velha, sem perspectivas, sem carreira, sem família, sem futuro, talvez sem namorado. Quais as chances que eu tenho de publicar meu livro? Pra que mesmo estou me dedicando a essa história? Agora meu irmão acordou e preciso ter alguma vida de novo. Como recomeçar se não tenho nada? Nada deu certo afinal. Por que a vida é assim? Por que estou tão sozinha?” Nina falava consigo mesma em seus pensamentos, no momento em que as lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto. Ela desabou em lágrimas e isso trazia alguma calma para o seu coração. Ela soluçava e seguia se perguntando mil coisas sobre o seu futuro e temendo a solidão, quando ouviu seu nome.

– Nina, tudo bem?

Ela se virou e viu Alfredo. Ela não conseguiu responder e ele a abraçou forte.

– O que houve? Ele perguntou aflito. – Aconteceu alguma coisa com o Cadu? Com você?

– Não ele está bem. Ela respondeu soluçando. – Eu estou bem.

– Por que está assim? Deveria estar feliz. Seu irmão acordou. Você poderá voltar para a sua vida. Ele dizia sem solta-la.

Nina constatava que era esse o problema. Ela sentia que podia voltar para a sua vida, mas a vida que ela tinha deixado no Brasil parecia não existir mais. Ela temia não estar construindo nada.

E ela seguia sem conseguir falar nada.

– Nina! O que houve? Me corta o coração te ver assim. O que eu posso fazer por você.

– Não sei muito bem. Está tudo bem. Não se preocupe. Por que está aqui a essa hora?

– Estou voltando de um jantar. Enviei uma mensagem para Arminda para saber se você e as meninas estavam bem e ela me respondeu dizendo que você estava parecendo triste. Então vim para ver se precisa de alguma coisa.

– Alfredo você é demais. Mas está tudo bem. Acho que estou desabando depois do turbilhão de emoções que passei.

– Acho que faz sentido.

– Quer beber alguma coisa? Ela perguntou.

– Não, obrigado.

Ela se sentou e ele se sentou ao lado dela.

– Obrigada por estar aqui. Acho que eu precisava desse abraço. Nina disse. – Estou melhor.

– Fico feliz em poder ajudar.

– Vai passar. Ela disse enxugando as lágrimas do rosto.

– Claro que vai. Já se passa da meia noite. Melhor ir descansar.

– Eu não consigo dormir. Melhor você ir dormir ou vai ficar acabado amanhã.

– Será só mais um dia acabado. Não vou negar que passei o dia com ressaca hoje.

– Eu também. Nina riu.

– Você estava tão feliz ontem. Resgate esses sentimentos.

– Estou tentando.

– Deita aqui. Ele a convidou para deitar a cabeça no seu colo.

Ela se deitou.

Eles ficaram em silencio e Alfredo começou a fazer carinho na cabeça dela.

Nina dormiu e Alfredo ficou olhando para ela por alguns instantes. Ela despertava nele um sentimento diferente de tudo que ele já sentido, mas ao mesmo tempo ela parecia a pessoa mais improvável e impossível de todo o planeta.

Alfredo acabou pegando no sono e eles dormiram ali na varanda. Ele sentado com as pernas sobre um pufe confortável e ela deitada com as pernas levemente encolhidas com a cabeça no colo dele.

O sol nasceu e os primeiros raios de sol iam direto para o sofá onde eles estavam.

Alfredo abriu os olhos e se deu conta que tinham passado a noite toda ali. Eram seis horas da manhã e ele se lembrou que tinha uma reunião importante naquela manhã. Ele acordou Nina com carinho e ela não entendia muito bem onde estava e ainda morrendo de sono, se despediu de Alfredo e foi para sua cama.

Ela dormia profundamente quando seu despertador tocou. Aquele som parecia uma tortura. Ela abriu os olhos, desligou o despertador e ficou ali na cama mais uns instantes, tomando coragem para se levantar. Pegou o telefone para ver as horas e viu uma mensagem de Roberto.

“Oi Nina! Acabei me liberando tarde e achei que já estaria dormindo. Desculpe o sumiço, mas o dia foi complicado. Te ligo amanhã de manhã para conversarmos melhor. Estou com saudades. Te amo. Seu Bob.”

Ela sentia um misto de sensações ao ler aquela mensagem. O seu Roberto parecia estar de volta e de repente parecia nunca ter ido. Ela respondeu:

“Oi Bob! Que delícia acordar com a sua mensagem. Espero sua ligação. Beijo”

Ela se levantou e foi se arrastando tomar banho.

“Preciso ir dormir mais cedo. Estou ficando podre todos os dias.” Ela pensava enquanto lavava a cabeça. Seu corpo ia relaxando e de repente Alfredo apareceu em seus pensamentos. “Como o Alfredo foi gentil comigo ontem. Que homem incrível ele é. Sorte da mulher que ficar com ele.”

Nina se trocou e procurou espantar Alfredo dos seus pensamentos. Ela foi para a cozinha encontrou as meninas já tomando café, prontas para ir para escola. Elas terminaram o café e saíram de taxi para a escola. Naquele dia Alfredo não podia leva-las por causa da sua reunião importante e Arminda foi junto para ir visitar Cadu.

Nina chegava no hospital com Arminda quando viu os seus pais chegando e ela parecia ter encontrado água no deserto de tão feliz que ficou.

– Vocês chegaram! Nina disse, indo abraçar o pais.

– Sim! Chegamos. Conseguimos pegar o primeiro voo depois da sua ligação. Não vejo a hora de ver o Cadu. Disse a mãe.

– Ele vai amar ver vocês aqui.

– Vamos subir então. Como você está minha filha? Perguntou o pai. – Você emagreceu! Está comendo?

– Estou bem pai! Está tudo bem. Agora vamos ver o Cadu. Ela disse no momento em que entraram no elevador.

Naquela manhã Cadu teve a companhia da irmã, dos pais e de Arminda. O clima não poderia estar melhor. Ele fez sua primeira sessão de fisioterapia e as perspectivas eram excelentes.

Cadu estava fazendo a sessão de fisioterapia quando Roberto ligou e Nina saiu para atender.

– Oi Bob. Nina disse ao atender o telefone.

– Oi meu amor. Me desculpe por ontem. Tivemos um dia de casting complicado aqui. Passei o dia inacessível. Como foi com a fisioterapeuta? Como está o seu irmão? Como você está?

– Estou bem! Estamos todos bem. A conversa com a fisioterapeuta foi boa. As perspectivas são ótimas. Ele ficará algum tempo em uma cadeira de rodas, mas ele vai voltar a andar. Precisarei ficar mais um tempo aqui com ele, mas acho que nos veremos logo.

– Que notícia boa meu amor. Queria estar aí com você. Desculpe ter ficado bravo com você por causa de sua comemoração com o Alfredo. Eu queria muito estar ao seu lado. Fiquei chateado por não estar aí. Fiquei chateado por Alfredo estar aí. Fiquei chateado por ser outra pessoa dividindo esse momento com você e não eu.

– Já passou Bob. Acho que eu ficaria chateada também se fosse ao contrário. Mas não precisa se preocupar. Eu te amo Bob. Sou sua. E queria muito que você estivesse aqui. Adoraria estar compartilhando esse momento com você. Sinto muito você não estar aqui.

– Sou um cara de muita sorte por ter você como namorada. Fiquei pensando em uma forma de nos vermos e tive uma ideia. Em um mês, faremos uma pausa de 1 semana nas gravações, para alguns ajustes de cenário e vou para Portugal ficar com você. O que acha?

– Eu acho incrível meu amor. Ou posso ir ficar com você, dependendo de como as coisas evoluírem aqui. Ela respondeu se sentindo desesperada por ainda ter que esperar um mês para ver o Roberto.

– E seus pais? Já sabem sobre o seu irmão?

– Sim! Acabaram de chegar aqui.

– Que bom que não estará sozinha.

– Estou feliz por eles estarem aqui.

– Pensei que estaria mais feliz Nina. Estou sentindo sua voz triste.

– Estou com saudades de você e da minha vida. Da nossa vida.

– Já já estaremos juntos. O pior já passou. Foco no lado positivo, como você sempre me ensinou.

– Está certo. As coisas estão progredindo e muito melhores do que eu podia esperar.

– Estou contando os dias para estarmos juntos.

– Eu também. Tomara que passe logo. Ela dizia, no momento em que sua mãe saiu do quarto e acenou para que ela fosse para lá. – Preciso ir Bob, meus pais estão me esperando para uma conversa com o médico e minha mãe está me chamando.

– Boa sorte! Estarei torcendo para tudo correr bem aí. Te amo Nina.

– Obrigada! Te amo Bob.

Ela desligou o telefone se sentindo melhor e a sensação de que tudo estava bem com Roberto tirava grande parte da angustia de seu coração, mas ainda assim parte do seu peito seguia angustiado. Ela procurou tirar aquilo de dentro dela e correu para perto dos pais.

– E aí? Como foi a fisioterapia? Ela perguntou ao chegar no quarto.

– Muito bem! O médico respondeu. – Inclusive, a fisioterapeuta disse que o Cadu pode seguir com as sessões em casa. Por isso ele receberá alta. Faremos alguns exames hoje e se tudo estiver bem, ele vai para casa amanhã.

Uma enorme gratidão invadiu o coração de Nina e o fez bater feliz e leve de novo, trazendo uma incrível sensação de felicidade.

Aquela noite foi mais uma vez de celebração, porém dessa vez Nina passou a noite na companhia dos pais.

No dia seguinte a casa foi preparada para receber Cadu e Nina foi com os pais buscar o irmão, que depois de pouco mais de 1 mês, estava finalmente voltando para casa.

A parte da manhã no hospital foi caótica. Depois de tudo organizado e as coisas arrumadas, Alfredo para passou para pegar todos e finalmente Cadu deixou o lugar que parecia ter se tornado sua casa.

No caminho de volta para casa, Cadu pediu para pararem para almoçar na praia. Ele refletia sobre seguir a vida sem Cecília ali naquele lugar que eles tinham escolhido para viver e formar uma família. Ainda mais estranho, era acessar o seu restaurante preferido em uma cadeira de rodas. A vida parecia definitivamente ser vista através de outras perspectivas. Mas algo de sagrado parecia estar acontecendo dentro dele. A segunda de chance de viver deixava tudo mais precioso e mais urgente.

A conversa no almoço foi sobre a vida e o quanto ela é instável e preciosa. Eles conversaram sobre o privilégio de estarem vivos e Nina sentia ainda mais saudades e pressa de ver Roberto de novo.

Ela falou sobre o namorado e Cadu incentivou a irmã a ir ve-lo. A mãe também incentivou Nina a ir ver Roberto. O incentivo foi tanto que ela começava a se animar com a ideia de ir ve-lo e de fazer uma surpresa para ele.

O dia terminou com a chegada das meninas e uma nova rotina chegava na casa, agora, com Cadu de volta.

Apesar da cadeira de rodas e da perda de Cecília, Cadu sentia uma tremenda felicidade e um enorme alívio por estar vivo, perto de suas filhas e da sua família.

Naquela noite, mais uma vez, teve comemoração. Todos tinham ido dormir, mas Nina e Cadu seguiam conversando, bebendo e relembrando as coisas boas da vida e da infância deles.

Nina contou novamente, todas as histórias que já tinha contado para ele enquanto ele estava em coma, mas dessa vez ele ouvia. Ela falou sobre Roberto e o enorme amor que sentia por ele, sobre a história que estava escrevendo, que a fazia sentir que tinha encontrado felicidade na sua profissão e que ela se dedicaria a se tornar uma escritora. Ela também falou sobre o medo que sentia sobre o que estava por vir.

Cadu sentiu orgulho da irmã e da mulher que ela tinha se tornado.

Eles terminavam uma garrafa de vinho quando Alfredo chegou.

A noite seguiu animada com a presença dele. Alfredo e Cadu eram melhores amigos e aquela comemoração parecia fazer ainda mais sentido com ele ali.

Naquela noite falaram das coisas boas da vida e a esperança de coisas boas para os novos caminhos e o que estava por vir. Cadu desabafou sobre a dor de não ter mais Cecília e Alfredo lamentou a perda de sua noiva e de um grande amigo no mesmo momento. O amor parecia algo muito distante para eles. Quase impossível de acontecer de novo, mas aquilo não parecia perturba-los de maneira alguma.

“Felizes são os homens.” Pensava Nina enquanto acompanhava a conversa entre os dois e comparava com a maneira dramática em que as mulheres falam sobre suas perdas e o futuro no amor.

A noite foi até tarde. Era sexta-feira e pela primeira vez em meses, Nina não tinha hora para acordar no dia seguinte e isso trazia uma sensação ainda maior de relaxamento e felicidade para ela.

Foram algumas garrafas de vinho, muitas risadas, muitas histórias e algumas preces silenciosas de todos ali.

Alfredo foi embora e Nina e Cadu seguiram na sala por mais um tempo.

– Ele gosta de você! Disse Cadu assim que Nina voltou para a sala, depois de levar Alfredo até a porta.

– Como você sabe? Ela perguntou.

– Conheço o Alfredo. Ele gosta de você. Te confesso que eu tinha uma esperança de que ficassem juntos se um dia algo acontecesse de fato comigo e você viesse para cá. Ele é o cara mais legal e correto que eu conheço.

– Ah Cadu! Não sei de onde você tirou isso. Ele é realmente muito atencioso e muito legal. Mas nunca deu nenhum sinal que sentia algo parecido com o que você está vendo. Você está viajando.

– Não estou não. E estou preocupado por isso.

– Por que?

– Porque ele já sofreu demais e desde a separação, ele nunca mais se interessou por mulher nenhuma. E quando se interessou por alguém, foi logo pela minha irmã, que está completamente apaixonada por outro cara. Eu não o culpo! Você é maravilhosa demais Nina.

– Cadu! Você viaja. Queria que o mundo que visse através dos seus olhos.

– Nina, quando você acreditar na mulher maravilhosa que você é?

– Cadu você é meu irmão! Não conta.

– Te conheço melhor que qualquer outra pessoa. Acredite em mim. Você é incrível Nina. O Roberto é um cara de sorte. Coitado do Alfredo.

– Acho que devemos mudar de assunto. Aliás, acho que devemos ir dormir.

Cadu respirou fundo.

– Será a primeira vez aqui, sem a Cecília. Ele disse, no momento em que lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto.

– Deve ser muito difícil para você né? Não posso nem imaginar. O que posso fazer por você?

– Nada minha irmã. Preciso ir para cama. Não posso mudar o que aconteceu e muito menos evitar essa cama para sempre.

– Você é meu exemplo. Nina disse orgulhosa.

– Vamos? Você me ajuda?

– Claro. Ela respondeu.

Nina conduziu a cadeira de rodas até o quarto do irmão. Ela podia sentir a angustia dele.

Eles entraram no quarto e Cadu conseguiu ficar em pé para se trocar e além disso, ele conseguiu dar alguns passos até o banheiro.

– Vai ser um longo caminho. Ele disse no momento em que sentou na cama.

– Mas vai ser um caminho feliz. Nina respondeu.

– Será? Ele questionou.

– Não tenho a menor dúvida.

– Ah irmã! Você me faz acreditar.

– Acredite Cadu! Será feliz.

– Acredito! Agora vá descansar porque amanhã vou te levar para conhecer Portugal.

– Vou! Estou ansiosa. Obrigada Cadu! Boa noite.

– Boa noite.

Nina fechou a porta e deixou Cadu ali, orando para que ele passasse bem aquela primeira noite sozinho no quarto que dividia com Cecília.

Já deitada, Nina se lembrou de Roberto e das saudades que estava dele e decidiu enviar uma mensagem de amor para ele.

“O dia está terminando bem por aqui. Espero que tudo esteja muito bem por aí também. O amor e a esperança estão plantando flores pelo caminho longo que enxergo por aqui. Sinto mais saudades de você do que jamais senti. Aliás, sinto mais saudades de você do que eu imaginaria que podia sentir. Aliás acho que finalmente entendi o que é saudade. Sinto que tenho que estar aqui, mas meu coração clama por você e pela sua presença. Seu cheiro, seu carinho, sua voz no meu ouvido, você encima de mim, você dentro de mim. Sinto falta de nós. E das nossas conversas para decidir o que vamos jantar, pra onde vamos no final de semana e sobre o futuro. Sinto falta das nossas conversas ponto. Inclusive daquelas conversas que não chegavam a lugar nenhum e nos faziam rir juntos. Como adoro rir com você. Acho que nunca te disse isso, mas você me faz rir de perder o folego e isso te faz ainda mais especial. Você tem a principal qualidade que sempre procurei no amor da minha vida. Você me faz rir, entre as muitas outras coisas especiais que você me faz sentir. Me peguei recordando nossos melhores momentos. Eles foram tantos que mal couberam nos meus pensamentos. Me lembrei de todas as vezes que você cozinhou para mim, do frio na barriga que eu sentia só de pensar em você, só de pensar na possibilidade de te encontrar ou de falar com você, antes mesmo de saber que ficaríamos juntos. Me lembrei do filme no terraço no cenário de filme que você criou para mim. Me lembrei dos passeios de barco, da ilha deserta, dos muitos drinks, do pôr do sol, das músicas (principalmente da que ofereceu para mim), do barco a remo no meio do oceano à luz da lua. Ah Bob você sempre me fez sentir um tipo de felicidade que não se explica. Você sempre fez com que eu me sentisse a pessoa mais especial do universo. Me lembrei da surpresa que me fez quando fui buscar uma encomenda e encontrei você atrás da porta, aqui em Portugal. Você é a minha melhor visão Bob. Desde que você foi embora, sigo com esperança de ser você atrás da porta toda vez que a campainha toca. Sinto esperança de te ver no dia seguinte, todas as noites antes de dormir. Sei que é mais desejo do que esperança, mas eu desejo tanto que acaba virando esperança. Eu gosto de você Bob. Do avesso, de ponta cabeça, de longe, de perto, dentro. Você é, sem dúvidas, a pessoa mais linda que conheci e a que mais penetrou em meu coração. Você foi tão profundo, que agora é o meu coração. Estou contando os dias para estar com você. Você é o meu amor.”

Ela releu a mensagem depois de enviar e se emocionou. Não importava mais o que aconteceria a partir dali, ela se sentia a pessoa mais privilegiada do planeta por ter a sorte de estar vivendo aquilo.

“Não importa onde esse caminho vai dar. Tive muita sorte por ter percorrido essa linda estrada até aqui.” Ela pensava, no momento em que pegou no sono.

Naquela noite Nina dormiu profundamente. Seus sonhos foram invadidos por Roberto e as saudades que ela sentia dele invadiam todos os seus momentos.

Nina acordou tarde, depois de dormir mais de doze horas. Ela se levantou se sentindo bem. Pegou o telefone e tinha uma mensagem de Roberto. Ela se lembrou da declaração de amor que tinha enviado para ele e começou a ler em expectativa.

“Nina, suas palavras tocaram direto meu coração. Revivi cada momento especial que tivemos juntos ao ler sua mensagem. Pelas suas palavras, eles se tornaram ainda mais especiais. O que posso te dizer é que as saudades que eu sinto de você são ainda maiores. Preciso imaginar você do meu lado para dormir todos os dias. Você é o primeiro e último pensamento dos meus dias. Estou planejando novos momentos especiais e tenho certeza que poderemos vive-los em breve. Vou me esforçar para tornar essas suas visões realidade e quando você menos esperar serei eu atrás da porta quando tocar a campainha. Ah como quero estar atrás dessa porta. Nina você me faz querer fazer loucuras. Eu queria pegar um avião agora e estar a pouco mais de dez horas de você. Se você descobriu o que é saudade comigo, saiba que você me ensinou o que é o amor. Eu não tinha a menor ideia do que era o amor até encontrar você e tudo de lindo que vem com você. Você é forte, verdadeira, autentica, ousada, divertida. Você é a mulher mais incrível do planeta e eu tenho muita sorte por você ser minha namorada. Você é a minha melhor descoberta. Estou escrevendo um roteiro inspirado em você. Você é a mulher que vai inspirar meu próximo filme. E isso está me fazendo sentir que você está aqui comigo. Esse foi o jeito que encontrei de ter você perto de mim. Não vejo a hora de estarmos juntos. Te prometo, que quando estivermos juntos de novo, não vamos nos separar nunca mais. Quero passar a vida inteira ao seu lado. Quero construir todo o meu futuro com você. Te amo Nina! Obrigado por sua mensagem. Não tinha nada que eu precisava mais do que isso agora. Sempre vou me esforçar para transformar todos os seus desejos realidade. Te amo.”

Nina lia e relia a mensagem. Ela sequer sabia o que responder. Ela teve vontade gritar e de pegar um avião naquela hora para ir encontrar com Roberto. Ela respondeu com um coração e foi tomar café da manhã com a sua família.

Quando ela chegou na sala todos a esperavam. Ela tomou um café preto e foi se arrumar.

Eles passaram o dia passeando por lugares turísticos em Portugal e Nina se sentia desbravando o mundo pela primeira vez em sua vida. Uma enorme sensação de felicidade tomava conta de seu coração.

À noite Nina se dedicou ao seu livro, tomando algumas taças de vinho. A troca de mensagens com Roberto tinha a inspirado a escrever e ela produziu o melhor conteúdo desde que tinha começado a escrever. Ela ficou tão animada com o que tinha feito naquela noite que resolveu enviar tudo que tinha para o editor que Roberto tinha apresentado a ela e que estava acompanhado o início da história. Ela sentia que, pela primeira vez, retomava a sua história, e que de alguma maneira, estava de volta para a sua vida.

Ela enviou o email e se deu conta que era madrugada. Uma excitação tomava conta do seu corpo e ela não conseguia dormir. Depois de rolar algumas vezes de um lado para o outro ela dormiu.

O domingo amanheceu chuvoso, sem muitas perspectivas.

A família conversava na sala tentando fazer algum plano para aquele dia que prometia ser encharcado pela chuva, quando a campainha da casa tocou.

Nina, como sempre, mesmo que parecesse totalmente impossível, tinha esperança que fosse Roberto na porta e foi correndo atender.

Ela não podia acreditar no que estava vendo ali e uma festa começou em seu coração.

 

CONTINUA…

O CAPÍTULO 30 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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