Capítulo 3 – Frustrações no amor

Ana caminhava determinada a beijar Alex naquela noite. A notícia de que ela finalmente faria a viagem com que tanto sonhara a vida toda acabou a inspirando a viver coisas novas e a dar mais chances para o inesperado. Ela seguia determinada a beijar seu amigo quando percebeu uma mulher ao lado dele que não era da turma deles. Eles pareciam muito íntimos e ela sentiu ciúmes. Logo que se aproximou deles Ana e a desconhecida foram apresentadas.

– Oi Ana, essa é a Luciana, minha amiga brasileira que mora na Austrália, mas veio passar uns dias aqui no Brasil para o nascimento da sobrinha. Disse Alex, apresentando a amiga.

– Oi Luciana muito prazer! Disse Ana tentando parecer simpática.

Ana seguiu cumprimentando as pessoas, mas a curiosidade dela não deixava Alex e sua Luciana saírem de sua cabeça. “Quem será essa amiga que eu nunca ouvi falar? Será que eles ficam? Ou já ficaram? E se lembrou de Alex apresentando a amiga: “Essa é a Luciana, ela veio ver o sobrinho nascer.” Bla bla bla bla! Não estou nem um pouco interessada na árvore genealógica da nova amiguinha do Alex. Ou velha amiguinha. Talvez ficante. Ex namorada. Paixão recolhida do Alex. O escambau!” Falava Ana consigo mesma em seus pensamentos realmente incomodada pela presença daquela mulher ali quando foi surpreendida por Lara.

– Hey Ana! Olha que gato o Caíque está hoje! Acho que ele anda malhando. Disse a amiga interrompendo os pensamentos de Ana.

– Nossa é mesmo! Ana respondeu mais distraída do que gostaria de parecer.

– Está tudo bem Cabeça? Está estranha. Aliás você esteve estranha o dia inteiro. Acho bom me contar o que está acontecendo. Reivindicou Lara.

– Está tudo bem Cabeça! Só pensando o que será da vida depois da formatura.

– O que você acha que vai acontecer ou gostaria que acontecesse? Se interessou Lara.

– Ah sei lá. Mas não gostaria de seguir trabalhando na revista. Aquele universo não tem nada a ver comigo. E você?

– Ah eu quero seguir estudando. Quero dar aulas. Quero ser professora mesmo. Meu estágio na universidade me deu mais certeza do que nunca. Respondeu Lara, super empolgada. – Agora vamos beber alguma coisa. Temos muito o que comemorar.

– Vamos! Empolgou-se Ana disposta a esquecer Alex e sua amiga.

E assim que chegaram pediram juntas ao atendente do bar:

– Shot de tequila! Disseram alto e caíram na gargalhada.

Elas tinham acabado de virar seus shots e chupavam um pedaço de limão cada uma, quando foram surpreendidas por Alex.

– Oi meninas! Porque abandonaram a nossa mesa? Hum acho que foi a tequila. Disse ele respondendo à sua própria pergunta. – Aqui parece estar mais animado do que lá.

– Vamos beber mais um shot! Acompanha a gente! Convidou Lara empolgada.

– Volto já. Preciso levar umas bebidas lá mesa. Respondeu ele.

– Veio buscar champagne e 2 taças para beber com a Luciana? Provocou Ana.

– Não tinha pensado nisso. Mas poderia ser uma boa ideia. Disse Alex devolvendo a provocação. – Pera aí. Você está com ciúme de mim Ana?

– Claro que não. Somos amigos. Não tenho direito de achar nada sobre quem você beija ou deixa de beijar.

Alex respirou fundo e pediu licença para Lara já tirando Ana pelo braço daquele lugar e a arrastando para um canto perto do bar.

– Não beijei a Luciana. Ainda. E não vou beijar, caso você me beije agora. Se você me beijar eu desisto de todos os planos que tenho para essa noite. Intimou Alex se aproximando de Ana.

Ana se sentia estranha com a escolha que Alex pedia que ela fizesse.

Eles estavam com as bocas a poucos centímetros um do outro e as respirações aceleradas. Um turbilhão de pensamentos passava pela cabeça de Ana e ela já não tinha tanta certeza se deveria beija-lo depois da forma atrapalhada que ele fez a proposta para ela. Ela seguia muda enquanto ele se aproximava ainda mais dela. Ele colocou a mão atrás da nuca dela e estava encostando a sua boca na dela quando ela recuou.

– Acho que estamos confundindo as coisas. Melhor não fazermos isso. Siga com os seus planos para essa noite. E vamos fingir que isso não aconteceu. Disse Ana retomando sua respiração se sentindo realmente ofendida.

– Que? Como assim? Você faz uma cena, me dá, pela primeira vez, sinais de que quer ficar comigo. E na hora que eu te proponho fazer o que parece que você quer, você recua falando bobagens sobre manter a amizade. Não te entendi.

– Ah Alex! Por favor me desculpe se te confundi. Eu mesma estou confundindo todas as coisas. Acho que seria bizarro te beijar hoje e olhar para a sua cara amanhã como se nada tivesse acontecido.

– Mas não precisaríamos agir como se nada tivesse acontecido. Respondeu ele.

– Melhor mudar o rumo desse papo. Pediu Ana.

– Melhor mesmo. Concordou ele.

– Vou ao banheiro. Disse Ana querendo fugir dali.

– E eu vou voltar para o bar e pegar as bebidas que eu ia pegar quando você veio com o papinho do champagne.

E assim eles acabaram com aquele papo estranho e cada um foi para um lado.

O Alex chegou no bar e Lara ainda estava lá, no mesmo lugar.

– O que deu em vocês perguntou Lara?

– Melhor você conversar com a Ana. Disse ele e se dirigiu ao atendente do bar. – Oi cara, me dá 3 cervejas, por favor. E assim que as cervejas chegaram ele sumiu dali sem dizer mais nada.

Lara seguia ali sozinha no bar quando Ana voltou.

– Ana, o que houve? O Alex chegou aqui com cara de poucos amigos e quando eu perguntei o que tinha acontecido, ele me falou para perguntar para você.

– Não aconteceu nada. Ele achou que eu estava afim dele porque achou que eu estava com ciúme depois do comentário do champagne para dois.

– Eu também achei que você ficou com ciúmes. Disse Lara.

– E eu estava mesmo. Mas quando ele me chamou no canto vi que não tinha nada a ver.

– Cabeça, ele tentou te beijar? Perguntou Lara curiosa.

– Mais ou menos. Confessou Ana.

– Não acredito. Você deu um fora no Alex! Tadinho.

– Fica tranquila Lara, porque ele tem planos para se divertir muito hoje à noite.

– Vocês parecem dois malucos. Melhor a gente beber e cair na pista. Vamos encerrar esse papo estranho. Propôs Lara.

– Essa foi a primeira coisa sensata que ouvi essa noite. Disse Ana tentando soar descontraída.

– Mais 2 shots de tequila por favor. Gritou Lara.

As duas viraram mais um shot de tequila cada uma e foram para a pista de dança.

Assim que chegaram na pista de dança, encontraram Caíque e um amigo que não conheciam. Lara mais interessada nele do que nunca foi cumprimentá-los.

– Oi Caíque, tudo bem?

– Oi Lara! Que legal que você veio. Esse é meu amigo Miguel.

– Oi Miguel! Prazer te conhecer. Disse Lara rapidamente e se voltou para Caíque. Novamente.

Ana cumprimentou os dois e já sabia que ficaria servindo de vela o resto da noite, porque quando a Lara decidia ficar com alguém era certo que conseguiria.

Caíque e Lara começavam a conversar e Miguel chegou perto de Ana. Eles começaram a conversar. Em poucos minutos a música mais badalada do momento começou a tocar e a pista, já bastante cheia, ficou lotada. Os quatro correram eufóricos para a pista. E na batida gostosa da música e no ritmo frenético das luzes que piscavam Caíque e Lara se beijaram.

Ana ficou constrangida de ficar ali com aquele homem que tinha acabado de conhecer, por isso acabou desistindo da pista e saiu à procura de ar.

Quando Ana voltou para a mesa para encontrar seus amigos, não encontrou ninguém. Resolveu ir para o bar e tomar mais uma dose de tequila. Assim que virou seu shot, não muito longe dali, ela viu Alex beijando Luciana. “Promessa cumprida.” Pensava ela não gostando muito do que via, mas totalmente ciente que tinha causado aquilo. Nesse instante um homem que mais parecia ter caído do Olimpo, de tão bonito que era, interrompeu os pensamentos dela.

– O que faz uma menina linda como você sozinha aqui?

“Gentil, mas um pouco ultrapassado.” Pensava ela achando graça da cantada. “Esse cara deve ter 100 anos”.

– Estou tomando um ar…. e uma tequila.

– Posso te pagar um drink? Perguntou ele.

“Gente é fato! Ele tem 100 anos. Quem diz isso hoje em dia?”

– Pode aceitou ela.

Ele pediu 2 shots de tequila e os dois viraram de uma só vez. Eles mal trocaram algumas palavras e nem sabiam os nomes um do outro e ele tentou beijá-la. Ela nunca tinha beijado um estrando dessa maneira, mas na hora, achou que estava na hora de fazer isso pela primeira vez. E assim retribuiu ao beijo dele. Eles se beijaram mais algumas vezes e seguiram sem saber o nome um do outro. De repente ele disse que ia ao banheiro e sumiu.

Ana cansou de esperar por seu amante, deus grego, à moda antiga e resolveu procurar por Lara na pista. Ela não precisou dar mais do que alguns passos para ver seu Dom Juan misterioso aos beijos com outra garota.

“Imbecil!” Pensou ela enquanto caminhava determinada a encontrar sua amiga. “Sua sorte é que você beija bem.” Seguia pensando, mas já começando a achar graça de si mesma. Em poucos minutos, apesar da super lotação, Ana conseguiu encontrar Lara, que continuava aos beijos com Caíque.

“Acho que essa é minha deixa para ir embora para casa.” Pensava Ana um pouco frustrada com a noite em que ela tinha expectativas de que fosse maravilhosa. Toda tequila que ela tinha tomado começava a fazer efeito e isso a fazia ter ainda mais certeza que era hora de ir.

Ela ia embora sem se despedir de ninguém e enquanto caminhava em direção à saída sentiu uma mão tocar seu ombro.

– Hey onde está indo? Perguntou o cara sem nome que tinha a deixado para beijar outras mulheres.

– Vou embora!

– Mas tão cedo?

– Tenho aula amanhã. “Seu imbecil! Você acha que eu não vi você beijando geral? Você acha mesmo que vou ficar aqui de papinho com você?” Pensava Ana com vontade de falar um monte de desaforos para ele. Mas preferiu parar por ali.

– Que pena disse o desconhecido.

– Pois é. Tchau. Disse ela.

– Nem um beijo de despedida.

– Estou cansada de beijos por hoje.

– A gente se vê. Vou torcer para te encontrar de novo. Disse o desconhecido sem se chocar muito com o que ela tinha acabo de dizer.

– Ah sim! A gente se vê. “Esse babaca acha mesmo que eu acredito nesse papinho?” O que aconteceu com os homens do mundo? Foram todos trocados por babacas.” Pensava ela.

Ela virou as costas para ele e continuou com o seu caminho em direção à saída. Já do lado de fora ela esperava pelo uber quando viu um homem muito bêbado vomitando na calçada. Ela morreu de nojo e se virou. Em alguns instantes o bêbado falava perto do ouvido dela.

– Não acredito que a mulher mais linda da festa está indo embora.

Ela não podia acreditar que aquele bêbado, que tinha acabado de vomitar, estava falando com ela a uma distancia tão pequena. E ela não tinha ideia do que dizer para espantar ele dali. Pensou em violência, como um empurrão, mas ponderou.

– Você está muito enganado ou muito bêbado ou cego. Tem um monte de mulheres lá dentro muito mais bonitas do que eu. E graças a Deus o meu uber acabou de chegar! Boa sorte. Porque você vai precisar. Disse ela já caminhando em direção ao carro.

– Boa noite. Disse entrando no carro.

– Ana? Perguntou ele.

– Sim.

– Boa noite.

Ela sentiu um certo alívio por ouvir alguém falando o nome dela naquela noite e respondeu já muito mais calma.

– Boa noite.

– A música está boa? O ar condicionado está bom? Perguntou o motorista nitidamente querendo que a viagem dela fosse agradável.

– Tudo ótimo.

Eles ficaram em silêncio por alguns minutos até que o motorista puxou assunto.

– Essa festa que você estava parecia estar boa. Muita gente feliz lá na porta.

– Estava ótima. Disse Ana não mostrando abertura para seguir com a conversa. O que acabou fazendo o motorista se calar.

“Eu devo ser muito estranha mesmo, ou muito feia, ou pouco interessante, ou beijar mal, ou tenho o maior azar do mundo nas coisas do coração. Nunca consegui ter um namorado. Só atraí trastes a vida inteira e ainda sou virgem com 21 anos. Será que nesse mundo existe alguém para mim?” Pensava ela quando seus olhos se encheram de lágrimas. Toda a tequila que tinha tomado fazia sua cabeça girar e ela só conseguia ver o copo meio vazio.

O motorista viu Ana chorando pelo retrovisor e se preocupou.

– Está tudo bem com você?

– Sim! Disse ela enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto.

– Você não parece bem? Foi algo que eu disse?

– Não! Você foi muito gentil. Não se culpe. Sei lá de quem é culpa. Mas você tem razão. Acho que não estou nada bem.

– Você pode não estar agora mais vai ficar. Uma mulher linda como você não pode chorar. Tenho certeza que foi só uma noite ruim.

– Obrigada! E você tem razão. Agora não estou bem, mas vou ficar! Disse ela enxugando as lágrimas. E sim, a noite foi muito ruim.

Ela se despediu do motorista e entrou no prédio. Ela olhava seu reflexo no espelho do elevador que a levava para o 20º andar onde morava. Ela estava descabelada e com o rosto borrado de preto por causa das lágrimas de instantes atrás.

Ana é uma mulher muito bonita e dona de uma beleza incomum. Ela tem charme, graça e atitude. Sua beleza vem da sua graça. Ela sempre foi muito confiante, mas naquela noite aquela graça toda parecia estar escondida em algum lugar que talvez tenha sido impossível alcançar. Pelo menos naquela noite.

Ela se lembrou da viagem que faria em 3 meses e algo bom tocou seu coração. Ela enxugou as lágrimas e começou a limpar seu rosto, já mais animada, quando seus pensamentos quase puderam ser ouvidos. “Talvez eu pertença a outro lugar. Talvez meu coração esteja em outro lugar. Talvez minha felicidade esteja só me esperando chegar. Sábio esse motorista! Essa foi só uma noite ruim.”

CONTINUA…

O CAPÍTULO 04 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

 

 

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