O vizinho misterioso chegou perto delas e a empolgação dele era contagiante.

– Feliz ano novo meninas! Ele disse quando passou perto delas. O olhar dele acabou se perdendo em Helena e ela retribuiu. Por um instante parecia que só existiam os dois ali.

– O que foi isso? Perguntou Raissa percebendo o que tinha acontecido ali.

– Quem será ele? Perguntou Helena ainda um pouco anestesiada.

– Você terá 364 dias para descobrir. Disse Lara de maneira pragmática. – E ele morando no seu prédio faz as probabilidades ficarem ainda maiores.

– Ele mora no meu prédio! Como será quando nos encontrarmos?

– Você só vai saber quando acontecer. Disse Raissa.

– Melhor parar de fantasiar sobre isso. Não é certo com o Gustavo. Ponderou Helena.

– Amiga, você tem razão! Não é certo. Mas por outro lado, você só namorou com ele sua vida toda. E acredito que essa situação de falta de atitude em relação a um compromisso mais maduro está te fazendo repensar tudo. Ponderou Lara.

– Ah Lara, faz todo sentido. Queria ter a clareza que você tem em relação a tudo.

– É muito mais fácil quando é com os outros. Confesso! Disse Lara suavizando o tom de voz.

– Acho que pode ser uma loucura ficar com uma única pessoa a vida toda. Mas eu tenho a possibilidade de ficar com quem eu quiser e tudo que quero é o Vitor só pra mim, mesmo ele sendo o meu primeiro namorado. Não imagino minha vida sem ele. Desabou Raissa. – Não é racional.

– Também tenho uma teoria para isso. Disse Lara. – Por você estar com ele a vida toda, ele virou sua ideia de amor. Como na alegoria da caverna de Platão. Você viu nesse relacionamento uma realidade que te deu conforto e se tornou sua verdade. A partir daí você se nega a acreditar que existem outras realidades além dessa, e por isso, acaba se recusando a vê-las ou aceita-las. Mas acredite, essa realidade existe. Tem um mundo enorme fora dessa caverna te esperando.

– Nossa amiga! Isso foi bem filosófico! Você citou Platão. Disse Helena achando graça.

– Eu amo Platão. Ele racionaliza as coisas de uma maneira interessante. Ele me ensinou a enxergar de fato o que vejo. E isso me protege. Procuro não criar ideais e excluir aquilo que não me serve, ao invés de tentar modificar as coisas para que sirvam para mim.

– Lara você tem toda razão. Precisamos mais de Platão! Um brinde ao Platão. Propôs Raissa enchendo mais uma vez as taças de champanhe.

– Ao Platão! Disse Helena achando graça.

– E ao amor real. Completou Lara.

– Por falar em real, já são quase sete horas da manhã. E ainda estamos tomando champanhe. Disse Helena achando graça.

– Acho que podemos dar um mergulho. Propôs Raissa.

– Acho que vocês estão malucas. Pontuou Lara, porém gostando da ideia.

– Vamos para a água! Disse Helena se levantando.

As meninas correram para o mar e mergulharam de cabeça, sem pensar.

Ainda dentro da água elas conversaram sobre outras expectativas que tinham para aquele ano que estava chegando.

– Além de amor verdadeiro, o que mais esperam desse ano? Perguntou Lara.

– Quero mudar de emprego. Definitivamente minha vida pede mudanças. Quero trocar o mercado de agencias por uma empresa de consumo. Quero trabalhar para uma marca com propósito da qual me orgulho representar. Quero me aprofundar mais em questões estratégicas. Quero ter mais estabilidade e construir uma carreira. Hoje um cliente pede revisão de contrato e fico em pânico achando que vou perder meu emprego. Vivi bem com isso até hoje, mas de um tempo para cá, tenho pensado muito sobre essa mudança. E acho que eu deveria fazer isso acontecer o quanto antes. Acho que esse é o ano. Desabafou Raissa.

– Bom! Eu quero me tornar perfumista. Esse ano vou fazer meu curso em Paris para corrigir meus gaps técnicos. Vou guardar dinheiro! Começando com um compromisso comigo mesma, que será um ano sem comprar roupas. Para me tornar perfumista preciso da parte técnica. Vou aproveitar minhas férias para ir me capacitar. Amo fazer conceitos e briefings para criação de perfumes, mas acho que serei muito feliz criando os perfumes. Disse Helena com brilho nos olhos.

– Uau! Depois dessas metas de vocês, nem sei o que dizer. Mas estou me esforçando para me tornar sócia da consultoria. Porém, estou pronta para abrir mão de oportunidades de trabalho para ter um amor.

– Que orgulho de vocês! Disse Helena abraçando as amigas. – Vocês me emocionam e me inspiram a ser uma pessoa melhor sempre.

– Esse nascer do sol não poderia ter sido mais promissor. Principalmente para a Lelê que viu o moço misterioso novamente. Brincou Lara.

– Helena, você percebeu que ele foi o primeiro desconhecido que você cumprimentou nos primeiros minutos do ano e o primeiro a ver após o nascer do sol? Disse Raissa.

– O que será que isso quer dizer? Perguntou Helena curiosa achando que aquela coincidência tinha mesmo alguma lógica.

– Se fosse o Tinder, acho que daria match! Vocês parecem gostar de coisas em comum. Brincou Lara. – Drinks, balada, praia. E vocês tem muita energia, por isso se encontraram no nascer do sol.

– Ah, Lara! Você é demais. Se fosse o Tinder daria match. Disse Raissa sem conseguir controlar suas gargalhadas.

E nesse momento elas ficaram em silêncio por alguns instantes.

– Esse será um grande ano! Disse Helena sentindo uma tremenda gratidão, enquanto olhava para o horizonte. – Acho que nunca me senti tão inspirada na minha vida.

– Se depender do que estamos sentindo agora, com certeza será. Concordou Lara.

– De repente o Vitor começava a ter menos espaço no meu coração. Disse Lara. – Nunca me amei tanto na minha vida. Quero esse misto de champanhe, mar tranquilo e nascer do sol para sempre.

Elas ficaram ali por mais alguns minutos contemplando aquela paisagem incrível, ainda dentro da água, quando o cansaço tomou conta delas. As crianças já chegavam na praia e o sol estava começando a ficar quente quando elas foram para casa. Quando chegaram, todos ainda dormiam.

Naquele dia as meninas dormiram até mais tarde e se desencontraram dos meninos que foram dormir muito antes delas.

A primeira semana do ano foi divertida e cheia de amor. A amizade das três parecia se fortalecer ainda mais quando elas passavam um tempo juntas. Foram dias de relaxamento, drinks, muito sol e diversão. Todas voltaram para casa bronzeadas e felizes, ansiosas pelo recomeço de suas atividades no trabalho.

A relação de Helena e Gustavo estava mais fria do que nunca e nem os dias juntos na praia era capaz de faze-la acreditar que seu futuro era ao lado dele.

A volta para casa foi muito silenciosa e o silencio que sempre foi muito confortável, parecia um pouco dolorido naquele dia, trazendo um certo aperto no peito e Helena estranhava aquela sensação.

“Deve ser o domingo e o final das férias.” Ela pensava, se negando a acreditar que havia algo errado no relacionamento dela com o Gustavo.

Ele a deixou em casa e a despedida foi fria. Helena estava fria.

– Está tudo bem, Lelê? Ele perguntou.

– Sim! Estou triste com o fim das férias.

– Não fique! Você tem um trabalho que você ama.

– É verdade. E boa sorte na sua reunião amanhã.

– Obrigado Baby! Estou ansioso para essa reunião.

– Nos falamos amanhã.

– Tchau baby. Ele disse, dando um rápido beijo nela e foi embora.

A angústia seguia aumentando no peito de Helena enquanto ela caminhava na direção do portão, arrastando sua mala de rodinhas.

Quando ela entrou no elevador, se lembrou do vizinho.

“Será que ele já voltou?” Ela pensava, desejando que o elevador parasse no primeiro andar. Mas o elevador passou direto.

Ela chegou em casa e se sentiu mais sozinha do que nunca. Os pais tinham ficado na praia e voltariam somente em uma semana e o irmão ainda não estava em casa.

“O que está acontecendo comigo?” Ela pensava enquanto procurava algo para comer.

Ela abriu uma garrafa de vinho e se jogou no sofá para assistir um filme. O cansaço tomou conta dela e ela acabou pegando no sono.

Os primeiros raios de sol invadiram a sala acordando Helena.

“Meu Deus! Que hora são? Perdi a hora. Devo estar atrasada.” Ela pensava enquanto procurava um relógio.

Ela pegou o celular. Eram 6 horas da manhã.

“Ufa! Daria até para dormir mais um pouco, mas vou aproveitar para chegar mais cedo no escritório.”

Ela foi tomar banho e pensou em Gustavo. Refez em sua memória os dez anos que tinham vivido juntos e sentiu algo bom no seu coração.

“Eu ainda amo esse homem.” Ela concluiu em seus pensamentos desligando chuveiro.

Naquele dia ela se arrumou ainda mais do que o normal. Ela trabalhava em uma famosa casa de fragrâncias e costumava se arrumar muito todos os dias, usando roupas de grife e muito sofisticadas. Mas naquele dia, ela caprichou ainda mais. Tirou a etiqueta de um vestido de seda pink com franjas da Dior, que já estava há mais de um ano esperando uma ocasião especial para usar. Escolheu uma sandália de salto alto, pink e vermelha, fez maquiagem, arrematando o look com batom vermelho e saiu de casa se sentindo uma deusa.

Quando entrou no elevador aprovou seu visual do espelho.

“Hoje seria um bom dia para te encontrar, vizinho.” Ela ria de si mesma em seus pensamentos, enquanto o elevador descia.

Mas nada da porta do elevador abrir no primeiro andar.

Ela seguiu para o trabalho animada com as reuniões que teria naquele dia.

No caminho ligou para Raissa.

– Oi amiga. Tudo bem? Atendeu Raissa.

– Sim! E você?

– Tudo bem também. Já a caminho do trabalho?

– Sim! Acordei mais cedo. E você?

– Eu tenho uma reunião cedo, que foi marcada ontem. Parece ser importante. Então achei melhor chegar mais cedo.

– Vamos colocar a Lara na conversa?

– Ela ainda está de férias. Volta a trabalhar só amanhã. Deve estar dormindo agora.

– Vamos deixar ela dormir, afinal ela nunca dorme. O que será que vai acontecer na sua reunião?

– Não tenho ideia, mas estou bem curiosa.

– Me liga para contar depois. Também fiquei curiosa.

– Pode deixar. Cheguei Helena. Vou entrar na garagem e vai cair a linha. Bom retorno ao trabalho para você.

– Para você também. Beijo

– Beijo.

Helena aumentou o som do carro e seguiu feliz, cantarolando para seu trabalho.

Raissa estacionou o carro e estranhou a quantidade de carros.

“Quantos carros tem aqui a essa hora da manhã. O que será que está acontecendo?” Ela pensava enquanto caminhava na direção do elevador.

Ela esperava o elevador quando um homem deslumbrante e bem vestido chegou.

– Bom dia. Ele disse com sotaque.

“Melhor agora! De onde você saiu meu Deus?” Ela pensou.

– Boa dia. Ela respondeu constrangida por seus pensamentos.

Outras pessoas chegaram e o elevador subiu lotado. O elevador foi esvaziando e o homem seguia no elevador. O escritório em que Raissa trabalhava ocupava os três últimos andares de um prédio de trinta andares.

“Será que ele vai para o meu escritório? Ele é mesmo incrível. E cheiroso. Acabei de achar uma vantagem em não ter namorado. Posso achar outro homem deslumbrante, sem que isso me traga algum peso na consciência.” Ela pensava achando graça.

Estavam somente os dois no elevador e ela achava tanta graça de seus pensamentos que chegou a rir sozinha. O desconhecido, vendo ela rindo, retribuiu o sorriso e riu também. E assim eles trocaram sorrisos no elevador.

O elevador chegou no 27º andar e os dois desceram.

“Eu sorri para ele! E ele sorriu de volta. Quem será esse homem? Nunca o vi por aqui. Acabei de flertar com ele e ele veio para o meu escritório.” Ela pensava enquanto ia para a mesa dela.

– Bom dia! Ela disse para algumas pessoas que já estavam trabalhando.

– Bom dia! Você está sabendo da reunião extraordinária que marcaram agora de manhã? Você foi convidada? Perguntou Marcela que trabalhava na mesa ao lado

– Sim! Será daqui 10 minutos.

– O que será? Só gerentes e diretores foram chamados.

– É mesmo? Está com cara de comunicado de mudanças.

– Parece mesmo. Vamos tomar um café antes de subir?

– Boa ideia. Disse Raissa.

– Como foram as férias? Marcela perguntou enquanto enchia sua xícara de café.

– Maravilhosas! E as suas?

– Não fiz nada demais. Fui para a casa dos meus pais no interior. Foram tranquilas. Você viajou?

– Fui para a praia, na casa de uma amiga.

– Você está super bronzeada. Está linda Raissa.

– Obrigada! Fui para a praia todos os dias. Os dias tiveram muito sol. Tivemos sorte.

– Hora de ir. Vamos subir?

– Vamos.

Raissa e Marcela foram em expectativa para maior sala de reuniões da agência que ficava no último andar do prédio e tinha uma vista estonteante da cidade.

A sala estava cheia quando Catarina a diretora geral da agência entrou junto com o homem deslumbrante do elevador.

”Aquele homem deslumbrante está aqui! Ele não só veio para o mesmo escritório. Ele veio para a mesma reunião que eu. E eu flertei com ele. Quem será ele?”

– Obrigada por terem atendido essa reunião de última hora. O tema é realmente relevante. Estamos dando início a um programa de job rotation esse ano, e começaremos por mim e Andre Gonzalez. Nós trocaremos de posição por seis meses. Ele ficara como diretor aqui no Brasil, no meu lugar e eu vou para a Argentina, ocupar a posição dele. O RH vai apresentar o programa para vocês e a ideia é fazer trocas de funções entre colaboradores ao redor do mundo ao longo desse ano. Claro que terão regras e as pessoas em destaque na matriz de talentos que serão elegíveis esse ano. Mas vocês vão conhecer todos os detalhes do programa na sequência. Agora deem as boas-vindas para o Andre. Venha falar algumas palavras Andre.

O homem incrível com sotaque, com quem Raissa tinha flertado sem querer, era o Andre e ele era o novo chefe dela, pelo menos pelos próximos seis meses.

– Bom dia a todos. Estou muito animado com esses próximos seis meses e com essa experiência. Quero que contem comigo para tudo que precisarem.

“O homem deslumbrante, cheiroso e educado, será meu novo chefe e quanto mais olho para ele, mais bonito e interessante ele fica!” Pensava Raissa se perdendo em seus pensamentos.

Enquanto falava, Andre olhava para todos até parar os olhos em Raissa e nesse momento ela sorriu para ele novamente e ele retribuiu.

“Meu Deus! É inevitável, sorrir quando olho para ele.” Ela pensava.

A reunião acabou logo e assim que as pessoas voltaram para as suas mesas a informação sobre o novo chefe se espalhou como pólvora e todos logo ficaram sabendo das mudanças. Naquele dia ninguém conseguiu trabalhar, porque só se falava em Andre e no quanto ele era deslumbrante.

No final do dia Raissa ligou para Helena para contar a novidade.

– Oi Raissa. Disse Helena atendendo o telefone.

– Oi Lelê, tudo bem? Estou ligando para falar do meu novo chefe.

– Como assim?

– Começou hoje um programa de job rotation e o diretor da Argentina trocou de lugar com a diretora do Brasil e agora o diretor do Brasil é alguém recém saído do Olimpo. Ele é um Deus grego amiga.

– Que legal esse programa! E ainda mais legal, ter esse novo chefe. Amiga, queria muito saber mais detalhes, mas o Gustavo não para de me ligar. Vou precisar atender. Nos falamos mais tarde. Pode ser?

– Ok! Me liga assim que puder.

– Beijo.

Helena desligou com Raissa e atendeu Gustavo.

– Oi Gustavo!

– Oi Helena. Como está sendo seu dia?

– Até agora tudo bem. Boas reuniões, mas sem grandes novidades. E o seu dia?

– O meu dia teve grandes novidades. Ele respondeu empolgado.

– Uau! Boas novidades?

– Sim! Muito boas.

– Me conta.

– Só pessoalmente.

– Vamos jantar?

– Sim.

– Te pego às oito!

– Combinado.

Eles desligaram o telefone e um frio na barriga tomou conta de Helena.

“Que novidade será essa?” Ela pensava.

As possíveis novidades de Gustavo tomaram conta dos pensamentos de Helena a partir daquele momento.

Ela foi para casa em expectativa com o jantar marcado com Gustavo e o clima entre eles começava a melhorar naquele momento.

Ela se vestiu e mais uma vez caprichou no visual.

Ele chegou pontualmente no horário combinado e estava eufórico.

– Reservei o restaurante que a gente mais gosta. Ele disse empolgado.

– Nossa! Algum anuncio especial?

– Sim!

– Quero saber.

– Só no restaurante.

“Será que ele vai me pedir em casamento?” Ela pensava se animando com a possibilidade. “Mas o que isso teria a ver com o trabalho dele? Melhor não se animar tanto Helena.” Ela seguia falando consigo mesma em seus pensamentos.

Eles chegaram no restaurante e um frenesi tomava conta de Helena.

Gustavo pediu uma garrafa de champanhe.

“Genteeeee, isso está mesmo acontecendo. Ele vai me pedir em casamento.” Ela pensava, se sentindo eufórica.

– Meu amor, vamos comemorar? Ela perguntou.

– Sim!

– E o que vamos comemorar?

Nesse momento o garçom chegou trazendo uma garrafa de champanhe. Estourou a rolha e serviu as duas taças.

– Minha promoção! Fui promovido. Ele disse levantando a taça para um brinde.

Ela se frustrou de todas as maneiras possíveis, mas tentou parecer feliz por ele.

– Parabéns meu amor! Ela disse levantando sua taça e batendo na dele.

– Mas não é só isso.

“Esperança voltando!” Ela pensava.

– O que tem mais? Ela perguntou animada.

– Há três meses eu comecei um processo para uma posição nos Estados Unidos e fui aprovado. Passei na vaga. Vou me mudar para os Estados Unidos.

– Uau! Isso é mesmo uma super novidade. Eu nem sabia que você estava tentando uma vaga fora do Brasil.

– Eu não contei para ninguém. Não queria que ninguém soubesse até dar certo.

Helena se enfureceu.

“Eu não sou ninguém. O que você pensa que somos? Sou sua namorada há 10 anos. Como você pode não me contar?” Ela pensava. “O que eu digo para você?”

– Amor, fale alguma coisa. Não está feliz? Ele disse enquanto ela organizava seus pensamentos.

– Estou feliz! Você merece. Só estou surpresa. Eu esperava saber antes. Sei lá. E a gente? Como ficamos com essa mudança?

– Eu sei que é muita coisa. Você pode tentar uma transferência e ir morar comigo.

– Como assim? Não é simples assim conseguir uma transferência para os Estados Unidos.

– Helena, saberemos o que fazer. Você pode passar suas férias lá. Eu virei bastante para cá a trabalho. Nos veremos bastante. E se tudo der certo por lá, você se muda para lá no ano que vem.

– No ano que vem? Gustavo essa relação que você está descrevendo não me parece ter nenhuma chance de sucesso. Você está desistindo de nós. E eu nem sabia que você tinha esses planos.

– Helena, essa é a oportunidade da minha vida. Vou ser expatriado. Se tudo der certo você se muda para lá.

– Você já pensou que talvez eu não queira me mudar para os Estados Unidos? Eu amo o meu trabalho. Também tenho planos e sonhos. E você conhece todos eles. Porque ao contrário de você eu sempre compartilhei meus sonhos e planos com você. Aliás, meus planos para o futuro sempre incluíram você. E sabe o que eu vejo nos seus planos? Você! Eu só vejo você.

– Helena como você não ia querer se mudar para os Estados Unidos?

– Ah Gustavo. Acho que você não me conhece. Onde você estava nesses últimos dez anos?

– Essa é a oportunidade da nossa vida. Não entendo porque está tão brava.

– Não estou brava. Estou triste e decepcionada.

– Então você não vem comigo?

– Agora você está me convidando? Porque até agora, no seu discurso, o convite era para eu ir daqui um ano e antes passar férias com você. Cansei de tudo isso. Cansei de viver a sua vida. Na esperança de viver a nossa vida, não enxerguei que você não estava nem aí para a gente. Precisei te ouvir falando sobre sua nova oportunidade para entender.

– O que você está dizendo Helena?

– Que acabou tudo entre nós Gustavo.

– Você não me ama mais?

– Amo! Amo muito. Mas me amo mais. E acho que na sua nova vida, não tem espaço para mim. Acho que não tem espaço para nós.

– Helena. Eu amo você.

– Não está parecendo. Boa sorte nos Estados Unidos e na sua nova fase. Ela disse se levantando da mesa.

– Onde você está indo?

– Não sou quem está indo. Você está. Eu vou ficar aqui. Você está indo para os Estados Unidos.

Ela pegou a bolsa e foi embora, deixando ele para trás, sentado sozinho na mesa.

“Não chore ainda Helena.” Ela dizia para si mesma enquanto caminhava para sair do restaurante.

Ela saiu do restaurante e desabou a chorar. Ela conseguiu um taxi e Gustavo foi atrás dela, mas já não a encontrou mais.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 4 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

Capítulo 3 – Mudanças

Sabrina Almeida


Sou mãe, filha, esposa, mulher, amiga, confidente, conselheira. Sonhadora, determinada e realizadora. Organizada, mas com um que de caótica. Apaixonada pela vida e pelas pessoas. Intensa! Publicitaria, trabalho desenvolvendo produtos e marcas para deixar as pessoas mais bonitas e felizes. Escrevo porque amo escrever. Minha cabeça está sempre repleta de sonhos e devaneios. Sigo sempre meu coração. Hoje penso mais antes de tomar uma decisão. Encontrei a FELICIDADE, assim todinha maiuscula, nas coisas simples da vida. E escrever é uma delas. Enquanto as pessoas vão para a academia, fazem trilhas, tocam instrumentos musicais, cozinham… Eu escrevo! Esse é o meu hobbie… Escrevo para traduzir o que está no meu coração, sem regras, métodos ou filtros. Escrevo porque me inspira e me faz feliz. Acredito que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de sonhos e devaneios. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: “quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?” E a minha resposta é como vou concluir minha apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


Post navigation


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *