Capítulo 32 – Amor e Amizade

Nina não se cansava de abraçar e beijar suas amigas.

– Que felicidade ter vocês aqui. Ela disse.

– Assim que trocamos as mensagens com você no final de semana passada combinamos de nos encontrar aqui hoje. Mel disse empolgada.

– Vocês não podem imaginar minha felicidade. Nina respondeu emocionada.

– Que casa linda! Comentou Maju.

– E enorme! Complementou Erica.

– Venham meninas! Vamos entrar.

As meninas entraram e ficaram impressionadas com a beleza e o espaço da casa. Logo na entrada da sala era possível ver a varanda que tinha vista para o mar. Elas deixaram as coisas no quarto de hospedes e foram encontrar Cadu que tinha acabado de terminar um call na varanda.

– Oi Cadu! Quanto tempo! Disse Mel indo abraça-lo. E nesse momento ela sentiu um frio na barriga.

– Mel! Como você está linda. Sempre foi na verdade. Ele respondeu.

Melina teve uma paixonite por Cadu na adolescência e de alguma maneira ve-lo remexia em alguma coisa do passado que a fazia bem lembrar.

– Oi Cadu! Disse Erica amenizando o clima. – Você está muito bem. Que incrível ter ver assim.

– Obrigado Erica. Estou me sentindo muito melhor. E esse barrigão Maju?

– Oi Cadu! Ela segue crescendo. Nessa segunda gravidez a barriga cresceu muito mais e muito mais rápido. Mas por outro lado, me senti muito melhor dessa vez.

– Está linda Maju! Vocês estão lindas. Me lembro de vocês chegando em casa quando ainda eram meninas. Que incrível terem se mantido tão amigas e tão próximas.

“Gente ele está gato demais.” Pensava Mel sem conseguir se concentrar em mais nada. “O que está acontecendo com você? Você vai se casar e é apaixonada pelo seu namorado.” Ela seguia se repreendendo em seus pensamentos.

– Você está realmente muito bem! Disse Erica. – Também de me lembro de você e dos seus amigos que a gente ficava olhando de longe. Que delícia lembrar disso.

– E como está a vida na Espanha? Nina perguntou. – Acabamos nem conseguindo nos falar.

– A vida está incrível. Mas minha relação com o Francisco não vai muito bem. Ele está no Brasil agora. Honestamente, não sei se volta. Ele não segurou a onda de ficar sem fazer nada.

– Sinto muito amiga! Você deve estar chateada. Disse Nina.

– Na verdade estou melhor do que eu esperava. O trabalho é melhor do que nos meus sonhos e estou muito feliz com a vida que estou conseguindo estabelecer. No fim acho que fomos rápido demais.

– Por falar em rápido demais. O que é isso nesse dedo aí Nina? Mel perguntou.

– O Roberto me pediu em casamento.

– Não acredito! Mel deu um grito!

– Isso foi rápido. Mas eu sabia que aconteceria no momento que coloquei o olho em vocês. Disse Erica.

– Estou tão feliz.

– Vamos abrir um champagne para comemorar disse Cadu. Vou buscar.

– Eu vou! Disse Nina. – E vou trazer as meninas para vocês conhecerem.

Nina saiu para buscar a bebida e Cadu ficou com Mel, Erica e Maju conversando na varanda. Em poucos minutos Nina estava de volta com Arminda e com as crianças, trazendo a bebida.

Eles brindaram e as meninas conheceram as sobrinhas de Nina. Naquele dia a alegria tinha tomado conta da casa. No final da tarde, eles seguiam tomando champagne quando Alfredo chegou.

Ele era um homem muito charmoso. Moreno, com olhos cor de mel e quase 1m90 de altura. Com seu jeito quieto, trazia consigo um ar de mistério. Quando ele entrou, atraiu todos os olhares para ele.

Ele se surpreendeu com o movimento da casa e apesar de sua timidez, logo estava à vontade junto com todos ali.

No final da tarde foram andar na praia e ver o pôr do sol bebendo drinks em um bar que tinha uma vista privilegiada, que ficava a beira mar no alto de um aglomerado de pedras.

A noite já chegava quando voltaram para casa. Alfredo e Cadu foram buscar pizza para o jantar enquanto as meninas seguiam bebendo, conversando, rindo e matando as saudades que estava umas das outras.

Cadu e Alfredo voltaram com as pizzas e eles jantaram em companhia de boa música e muitas risadas. Cadu se sentia bem ao lado de todas aquelas pessoas que tinham feito parte da vida dele por anos. De repente a sensação dele era de que tinha voltado no tempo e ele sentia mais jovem, mais saudável e parecia nem estar em uma cadeira de rodas. Alfredo não conseguia evitar se perder em Nina e mesmo com toda a animação em volta, algumas vezes tinha a sensação que só existia ela ali. Mel seguia espantando seus pensamentos em relação à Cadu, mas algo nele a fazia sentir coisas que ela sequer sabia dizer o nome. Nina sentia falta de Roberto e apesar de estar cercada de amor, sentia falta da presença dele ali. Maju, que era a única que não podia beber, se divertia com o estado de euforia de todos com o álcool e sentia feliz. Erica estava feliz como nunca tinha estado na vida dela, apesar de Francisco estar longe e já não parecer fazer parte da vida dela.

A noite terminou em clima de festa. Alfredo não sentia vontade de ir embora e acabou dormindo ali também. A casa nunca tinha recebido tantas pessoas e Cadu, desde o acidente, nunca tinha se sentido tão feliz como naquela noite.

O dia amanheceu e o café da manhã foi tumultuado e feliz. Aquela bagunça e a conversa diversa onde uma pessoa fala em cima da outra deixavam todos eufóricos.

O dia foi de turismo por Lisboa e recheado de comida e conversa boa. Alfredo seguia acompanhando Cadu, Nina e suas melhores amigas. A noite seguiu em casa regada a vinho.

As meninas se divertiam na sala e Cadu e Alfredo foram para a varanda.

– Que legal ver sua casa assim Cadu. Não te via tão bem assim desde…

Ele decidiu parar de falar.

– Desde os nossos encontros aqui quando tínhamos nossas mulheres.

– É!

– Somos dois renegados do amor.

– Mais ou menos isso.

– Mas você não está apaixonado por uma mulher que está noiva e é completamente apaixonada por outro cara. Disse Alfredo. – Sempre pode ser pior.

– Não. Mas estou sentindo dificuldades de olhar para as mulheres de maneira diferente. Me sinto um pouco culpado. Sinto que não tenho direito a isso.

– Cara, não sei se te entendo, mas acho que sim. O que te digo é que você precisa deixar acontecer. Não se culpe. Você não tem culpa de nada.

– Sei lá, acho cedo para me interessar por outra pessoa. Dois meses atrás eu estava casado e vivia uma vida cheia de promessas com a Cecília. E ela morreu. Sinto que devo algo a ela.

– Cara não posso nem imaginar o que está passando com você. Mas ela se foi. Você não teve culpa. E você está aqui agora. Tem 35 anos. Cara você tem uma vida inteira pela frente. E sua irmã tem amigas lindas.

– Para de ser louco. Vi essas meninas crescerem. Não tem a menor chance de acontecer nada. Não vejo essas meninas como mulheres.

– A Melina parece gostar de você.

– Alfredo, ela vai se casar. Não existe nada. Você está vendo coisas meu amigo.

– Cadu, posso estar vendo coisas, mas me parece bem real. E você parece gostar dela também.

– Você está maluco. Ela tem namorado e vai se casar em alguns meses. Mas mudando de assunto… você que podia tentar algo com a Erica. Que tal? Parece que o namorado voltou para o Brasil. E ela é uma gata.

– Ela é mesmo uma gata. Mas… sei lá.

– Mas ela não é a Nina. Cara que coisa é essa com a Nina? Ela gosta muito do Roberto. Desiste dessa história. Você não precisa passar por isso. Não depois do que passou. Disse Cadu preocupado.

– Acho melhor a gente mudar de assunto. Porque sabemos que a gente não manda nessas coisas. Eu gosto da Nina. Ela é a mulher mais incrível que conheci. Quero que ela seja feliz. Não escolhi. Aconteceu.

– Alfredo! Eu ia achar bem legal se você se casasse com a minha irmã. Cadu disse.

– Não vou desistir.

– Cara você é louco!

– Um brinde à nossa loucura então.

– Um brinde à nossa loucura. Aliás, quero propor um brinde à nossa amizade. Não consigo acreditar na sua amizade. Quando penso em tudo que fez por mim. Você é o melhor amigo que eu poderia ter. E acho que não disse isso antes. Tenho muita sorte de ter você.

– Cara! Eu teria feito tudo de novo. Ainda bem que você está aqui. Você é o meu melhor amigo.

– Ainda bem que você esteve aqui o tempo todo.

– Estarei sempre.

Eles seguiram ali conversando enquanto as meninas conversavam na sala.

– Nina, o Alfredo é um gato! E acho que ele gosta de você. Disse Erica.

– Não viaja Erica! Ele é mesmo um gato. Mas não tem nada a ver.

– Preciso confessar uma coisa. Disse Melina, já totalmente alterada pelo álcool.

– Ai meu Deus! Falou Nina. – O que?

– Senti algo pelo Cadu.

– Chocada! Respondeu Nina. Como assim?

– Eu também estou chocada! Disse Maju.

– Como assim amiga? Perguntou Erica.

– Não sei explicar. Senti algo bom quando encontrei ele. Foi imediato. Me lembrei que eu era bem apaixonada por ele quando eu tinha 18 anos. Ele sempre foi o meu padrão de homem ideal.

– Que loucura! Você nunca disse isso para a gente. Falou Nina.

– Nunca achei muito importante. E passou. Mas ontem quando encontrei com ele, depois de tanto tempo, algo aconteceu. E não consigo parar de pensar nele.

– Mel, você vai se casar. O Arthur é um cara incrível. Ele te ama. O que está acontecendo? Perguntou Maju.

– Sei lá. Não consigo evitar. Não consigo parar de pensar no Cadu. Eu realmente fui muito apaixonada por ele e de repente tudo voltou. Gente! Melina disse se abanando, dando um longo gole no seu vinho.

– Que loucura! Disse Nina, caindo na gargalhada.

E nesse momento Cadu e Alfredo entraram na sala.

– Meninas, vou dormir. Disse Cadu. – Vocês são muito mais animadas e é impossível acompanhar. Boa noite para vocês.

– E eu vou embora. Vim me despedir de vocês. Falou Alfredo.

Nina se sentiu estranha. Depois de dois inteiros com ele, ela não queria que ele fosse embora. E sem pensar muito ela falou:

– Não vai não! Ainda é cedo.

Ele se surpreendeu e falou:

– Nina, são quase quatro horas da manhã.

– Já? Na verdade não é tão cedo assim. Ela respondeu, totalmente zonza pelo vinho.

– Vamos dormir! Temos um dia cheio de passeios amanhã. Propôs Erica.

– Vamos! Estou exausta. Disse Maju já temendo pelo dia animado que teriam.

Alfredo beijou cada uma das meninas, se despedindo e foi embora. Assim que ele saiu Erica falou:

– Como você resistiu a esse homem nesses últimos meses? Esse homem vale ouro. De onde ele saiu Meu Deus? Que gato.

– Acho que o vinho alterou os hormônios de todos aqui. Disse Maju.

– Concordo plenamente. Respondeu Nina ainda sem entender seu súbito interesse por Alfredo. – Vamos dormir?

– Sim! Respondeu Melina, também sem entender seu interesse por Cadu.

– Vamos todas para o meu quarto! Dormiremos lá essa noite. Empolgou-se Nina.

Nina arrumou alguns colchões no chão do seu quarto. Maju com seu barrigão ficou na cama com Nina.

As luzes estavam apagadas e Nina começou a falar:

– Estou me sentindo estranha em relação ao Alfredo.

– Demorou amiga! Ele é um cara muito incrível e claramente apaixonado por você. Falou Erica.

– Não sei de onde tira isso. Falou Nina.

– E eu? Gente, não consigo tirar o Cadu dos meus pensamentos. O que está acontecendo comigo? Confessou Melina. – Eu vou me casar em 5 meses.

– Acho que vocês precisam dormir. O vinho está virando o coração de vocês do avesso. Falou Maju que era a única pessoa com sanidade na noite.

Elas, enfim, ficaram em silencio e os primeiros raios de sol já apareciam quando elas dormiram.

Nina acordou com seu celular tocando.

– Alô! Ela atendeu, sem nem lembrar seu nome ou onde estava.

– Oi meu amor! Tudo bem?

– Oi Bob. Tudo bem e você?

– Tudo bem também. Estou com saudades.

– Eu também. As meninas estão aqui. Chegaram no sábado. Fomos dormir quase de manhã.

– Que legal que elas estão aí. Vou deixar você voltar a dormir então. Estamos indo filmar no deserto e não sei se terei sinal de celular lá. Liguei para te avisar e te dar um beijo. Volto no final de semana.

– Tomara que tenha sinal! Estou com saudades.

– Beijo meu amor.

– Beijo Bob.

Nina sem entender muito bem, voltou a dormir e um sorriso tomava conta dela quando ela pegou no sono.

O sol esquentava o quarto quando elas acordaram. Eram pouco mais de meio dia e elas estavam eufóricas e descansadas.

– Vamos começar nossa programação. Drinks na praia e museu à tarde. Disse Erica empolgada.

– Vamos! Elas responderam em coro.

Elas saíram para passear e pela primeira vez desde que as meninas tinham chegado e aquela era a primeira vez em que as quatro ficavam sozinhas.

Elas aproveitaram o dia curtindo a companhia umas das outras. A programação de Erica foi seguida a risca e elas voltaram para casa no final do dia animadas com o dia incrível que tinham passado juntas.

Cadu já tinha jantado e estava no escritório quando elas chegaram e naquele dia Alfredo não tinham aparecido. Melina sentia falta da presença de Cadu e Nina sentia falta de Alfredo.

Na hora de dormir os pensamentos de Nina foram para Alfredo.

“Por que estou sentindo falta dele? Porque ele sempre está aqui e hoje não está. Por isso está sentindo falta dele. Por que ele não está? O que está acontecendo comigo, meu Deus? Ele não vem todos os dias. Nunca veio. O que mudou afinal?” Nina seguia se desesperando em seus pensamentos até que finalmente acalmou sua mente e pegou no sono.

Um novo dia chegou e elas seguiram com uma intensa programação para conhecer Lisboa. O dia foi divertido e mais uma noite se passou sem a presença de Cadu e de Alfredo.

No final da semana Alfredo convidou as meninas para passar dois dias viajando por vinícolas de vinhos. Cadu deixou as crianças na casa da avó com Arminda e se arriscou a ir com eles, mesmo ainda na cadeira de rodas.

Eles viajaram até o Alentejo, uma das regiões produtoras de vinho mais famosas de Portugal. Eles passearam por vinícolas, tomaram vinho de excelente qualidade e apreciaram lindas paisagens.

Roberto seguia sem dar notícias, filmando no deserto, totalmente isolado do mundo e Alfredo seguia tratando Nina como se ela fosse a mulher mais especial do universo.

Eles voltaram para a casa de Cadu no sábado e aquela era a última noite das amigas de Nina em Portugal.

A casa de Cadu estava em festa e um misto de sentimentos tomava conta do coração de todos. Apesar de ser uma noite muito alegre, aquela era a última que estariam todos juntos até o dia em que conseguissem se encontrar novamente, que naquela atual situação era algo totalmente imprevisível e isso trazia certa ansiedade para o coração de Nina.

Alfredo estava cozinhando para todos naquela noite e Nina e Erica ajudavam. Maju brincava com as sobrinhas de Nina e Mel e Cadu estavam conversando, já alterados pelo vinho, na varanda.

A noite estava fresca e a brisa cheirosa. Cadu pediu ajuda para se levantar. Naquela noite Cadu teve ainda mais facilidade para caminhar e Melina o ajudou a caminhar até o guarda corpo feito todo de vidro da varanda. Eles pararam ali e ele fechou os olhos para sentir aquele vento que batia em sua pele. Ele se sentia grato por estar em pé e sentir tudo o que estava sentindo. Melina se perdeu nele e o coração dela acelerou. Num ímpeto ela chegou perto para beijar a boca dele. Ele abriu os olhos enquanto ela chegava perto. Ela parou. Ele olhava dentro dos olhos dela.

– O que você está fazendo Mel? Ele perguntou.

– Não faço a menor ideia. Ela respondeu. E a partir dali percorreu o resto do caminho até a boca dele.

As bocas deles estavam quase se encontrando quando Nina chegou correndo para avisar que o jantar estava pronto.

– Mel, Cadu o jantar está pronto. Ela chegou falando, sem perceber o que atrapalhava.

As bocas deles mal tinha encostado uma na outra, eles se assustaram com a chegada de Nina e se separaram rapidamente.

– Então vamos jantar! Respondeu Cadu sem tirar os olhos de Melina.

– Cadu você está em pé! Admirou-se Nina, sem entender a cena muito bem.

– Sim! Estou em pé. A Mel estava me ajudando. Ele respondeu.

– Vamos jantar? Convidou Nina.

– Vamos! Melina respondeu sem graça.

Eles foram para a sala de jantar onde todos já esperavam.

Melina e Cadu passaram a noite sentindo que tinham trabalhos não terminados e com vontade um do outro, mas nada mais aconteceu.

A noite terminou e todos foram dormir.

Melina se sentia aliviada por não ter ido adiante, apesar da vontade que sentia de estar com Cadu.

“Que loucura.” Ela pensava.

As outras meninas mal conseguiram pensar sobre o dia e dormiram.

No sábado foram visitar alguns lugares de Lisboa, almoçaram juntos e o clima entre Melina e Cadu era amistoso, mas algo parecia ter se instalado nos corações deles.

No final do dia, Nina se despediu das amigas, que voltaram para casa. 

Mais uma vez Nina se despedia de quem amava para voltar para a casa de Cadu, que nos últimos meses tinha se tornado a casa dela.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 33 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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