Capítulo 34 – Ah se eu fosse você

A mulher de beleza única e cabelos grisalhos seguia olhando Nina, lamentando seu estado de tristeza. Ela não entendia muito bem, mas algo nela a fazia querer cuidar de Nina.

O nome dela era Maria Clara. Ela estava indo para Portugal visitar sua família depois de muitos anos sem ve-los.

A mulher ficou alguns minutos observando Nina, esperando que ela bebesse a água e ficasse mais calma. E no momento em que Nina voltou a respirar normalmente ela perguntou:

– Está indo para Portugal?

– Sim. Nina respondeu enxugando as lágrimas.

– O que aconteceu para você ficar assim, tão triste?

– Vi meu namorado beijando outra mulher.

– Isso parece terrível.

– Isso é terrível. Nina concordou.

– E você está indo embora por isso?

– Sim. Acabei de chegar na verdade. Moro em Portugal, temporariamente. E ele mora aqui também temporariamente. Eu vim para fazer uma surpresa e ficar alguns dias com ele. E quando cheguei, o vi beijando outra mulher.

– Vocês estão juntos a quanto tempo?

– Quase um ano.

– E como você descreve essa relação? Maria Clara perguntou.

– A relação é incrível. Ele é o amor da minha vida. A gente se ama muito.

– O que você sente por ele?

– O maior amor do mundo. Algo que eu nem sabia que existia.

– Isso é bom de sentir. Eu senti isso uma única vez na minha vida. E deixei esse sentimento maravilhoso escapar. Nunca me perdoei por isso. Nunca mais encontrei nada parecido.

– E o que houve, que te fez desistir? Nina perguntou curiosa.

– Eu tinha 18 anos e ele foi o primeiro amor da minha vida. Mas éramos crianças ainda. Éramos vizinhos e brincávamos juntos desde criança. Devo confessar que ele sempre foi especial para mim. Muito mais especial que todas as outras pessoas. Quando fiz 18 anos, ele que era um ano mais velho, me pediu em namoro e eu aceitei. Estávamos juntos vivendo algo delicioso quando vim para os Estados Unidos estudar inglês por 3 meses. Aquela foi a separação mais difícil da minha vida. Eu chorei durante toda a viagem de lá para cá. Eu não queria vir, mas meu pai me obrigou. Disse que era importante para o meu futuro. O choro durante toda a viagem de avião não foi nada comparado à dor que eu senti pelos três meses que fiquei longe dele. Nos correspondíamos por carta. Naquela época a comunicação era muito mais desafiadora do que hoje em dia. Quando eu voltei, o avistei de longe ainda dentro do carro. E ele conversava com uma garota. Quando ela me viu, ela o beijou. Ele ficou ali alguns instantes, cedendo ao beijo, até que se afastou. E foi exatamente nesse momento que eu cheguei e ele me viu. Me lembro da cara de desespero dele. Ele implorou que eu o perdoasse. Mas eu não o perdoei porque existia uma dúvida sobre ele querer ou não aquele beijo. Eu não tinha certeza se ele tinha parado o beijo porque eu cheguei, muito menos se tinham acontecido outros beijos enquanto eu estava fora e acho que não me conformava por ele parecer ter sentido menos a minha falta do que eu senti dele. Eu jamais teria beijado outro homem tendo no meu coração os sentimentos que eu tinha. Pedi para o meu pai para voltar para os Estados Unidos e fazer faculdade lá. Eu queria fugir dali. E o mais engraçado era que aquela garota era terrível e parecia querer tudo que era meu. Mas eu ignorei isso na época. E acabei deixando o amor da minha vida em nome de nem sei o que. Vaidade? Orgulho? Medo? Até hoje não sei nomear essa minha atitude.

– Você sentiu falta dele? Nina perguntou.

– Se senti falta dele? Penso nele todos os dias da minha vida.

– E o que houve com ele? Onde ele está?

– Ele se casou com uma moça que conheceu na faculdade. Tiveram filhos e hoje vivem em Portugal.

– E você? Como foi a sua vida?

– Eu me casei com um americano, tive uma filha linda com ele. Nos separamos quando minha filha tinha 5 anos e nunca mais tive nenhum relacionamento sério com ninguém. Hoje me dedico aos meus três netos lindos e à minha filha. Ainda trabalho, sou advogada e consegui me tornar sócia do escritório. Meu ex marido não aceitava muito bem minha dedicação para a minha carreira, isso ajudou a acelerar nossa separação. Eu não podia aceitar isso.

– Como chama o seu o amor de infância?

– Joaquim.

– Você tem ideia de como ele está hoje?

– Não faço a menor ideia. Tem uns vinte anos que não tenho notícias dele.

– Sinto muito.

– Não sinta. Eu tenho uma boa vida. Mesmo nunca mais tendo amado alguém como amei Joaquim. Agora me conte um pouco da sua história com o seu… Como é mesmo o nome dele?

– Roberto.

– Lindo nome! Me conte sobre a relação de vocês.

– Ele se mudou recentemente para a mesma rua onde moro. Eu passeio com cachorros e ele me contratou para passear com o cachorro dele. Quando eu o vi pela primeira vez fiquei paralisada. Algo aconteceu dentro de mim. Depois desse encontro, eu não conseguia parar de pensar nele. Era só ele e a vontade que eu tinha de encontra-lo. Tinha algo em mim que não acreditava que um homem deslumbrante daquele poderia olhar para mim.

– Desculpe interromper. Por que não acreditava?

– Ele parecia inacessível. Sabe aquele homem tão incrível, que provavelmente namoraria uma modelo ou a mulher mais poderosa do planeta? Eu não sei explicar. Mas eu parecia comum demais para ele. Ele é um homem incrível. Mais velho, lindo de morrer, diretor de cinema. Premiado. Bem sucedido. Enfim… o homem mais incrível do mundo. Mas antes de saber tudo isso eu já era louca por ele.

– Nina você me parece uma mulher muito especial. Como pode uma menina linda como você se sentir assim em relação a alguém?

– Eu estou vivendo um momento sensível. Tenho 28 anos e sinto que não construí nada. Desisti da minha carreira e sou uma pessoa sem profissão, que vive de trabalhos temporários e que não vivia de maneira muito interessante. Um homem bem sucedido e maravilhoso como o Roberto poderia ter qualquer mulher. Por que ele ia querer alguém em construção como eu? Não sei explicar.

– Ah Nina! Que bobagem. Um homem nunca está à procura de nada disso. E penso que ter coragem de deixar uma carreira para ser feliz demanda muita coragem e é muito admirável. Acho que isso te qualifica. Você me parece corajosa. Me fale sobre a história de vocês. Me conte como tudo começou.

Nina suspirou.

– Ele me chamou para sair um dia que nos encontramos no parque enquanto eu passeava com meus cachorros, mas acabamos não saindo. Eu não entendia as aparições e os sumiços dele. Mas sentia que ele queria chegar perto de mim. Fomos nos conhecendo nesses pequenos encontros e a cada trabalho temporário que eu contava para ele, mais ele parecia surpreso e interessado. Me lembro de um encontro quando servi em uma festa de premiação e Roberto estava lá, lindo, vestindo um smoking, e ele me tratou como uma princesa. Ele parecia preferir a minha companhia a qualquer outra daquele lugar que estava repleto de mulheres belíssimas e eu queria a companhia dele. A cada encontro mais vontade parecíamos sentir um do outro. Eu já não conseguia parar de pensar nele. Até que um domingo, eu estava voltando de um final de semana muito inspirador com minhas amigas e acabamos nos encontrando. Ele estava na varanda da casa dele, lindo demais. E minha amiga buzinou chamando a atenção dele. Eu nunca imaginei que ele me veria, mas ele me viu e logo que desci do carro ele gritou meu nome. Eu me virei e ele pediu para eu espera-lo. Ele desceu e de repente estávamos nos beijando na frente do meu prédio. Meus pés deixaram de tocar o chão naquele momento. Eu tinha certeza que tinha encontrado o meu amor durante aquele beijo. Depois desse encontro, nunca mais nos separamos. Claro que tiveram alguns momentos mais tensos. Tinha uma menina deslumbrante do escritório dele que tirava meu sono até que a ex namorada voltou para o Brasil para trabalhar em um projeto com ele e desde esse momento perdi a minha paz. Ela sempre deu um jeito de tentar pega-lo de volta.

– Me deixe adivinhar… foi essa mulher que você viu beijando seu namorado. Disse Maria Clara interrompendo Nina.

– Foi exatamente essa mulher.

– Eu sabia! Mas não queremos falar dela. Me fale mais sobre sua relação com Roberto. Me parece que apesar das ameaças ele sempre escolheu você.

– Tivemos momentos mais do que incríveis. Ele construiu cenários de filme para me surpreender, me fez surpresas deliciosas, me ofereceu músicas que eram declarações de amor, me levou para andar de barco, me apresentou os pais dele antes de completarmos um mês de namoro e foi comigo passar um final de semana com meus pais. Ele me pediu em namoro no segundo encontro. Vimos o pôr do sol várias vezes, de lugares privilegiados. Ele me disse muitas vezes o quanto eu sou especial e única pra ele e na vida dele. Ele disse muitas vezes que eu era o novo e que trazia comigo aquilo que ele sempre tinha procurado durante a vida dele. Ele me provava o amor dele todos os dias. Sempre me senti nas nuvens perto dele. Nossa vida estava deliciosa e tínhamos planos de vir juntos para Los Angeles para um projeto dele aqui. Eu nunca tinha saído do Brasil e sonhava em conhecer o mundo. Eu estava eufórica. Até que a minha vida virou de cabeça pra baixo. Meu irmão sofreu um acidente e recebi uma carta dele quando ele estava em coma. Foi o momento mais triste da minha vida. Ele me pedia para ir para Portugal cuidar das minhas sobrinhas. Minha cunhada morreu no acidente. Precisei me mudar para Portugal do dia para a noite e deixar minha vida, que começava a fazer sentido como nunca tinha feito antes, para tras. Meu apartamento está fechado há 3 meses e não sei o que será da minha vida. Tentei me separar do Roberto para que ele não desistisse de nada por minha causa, mas ele não deixou. Ele me convenceu de que daríamos um jeito de passarmos por tudo aquilo, mesmo tudo parecendo tão difícil e seguimos juntos, mesmo separados fisicamente por tempo indeterminado.

Maria Clara suspirou e Nina tinha começado a sorrir de novo ao relembrar a história. Maria Clara achou graça da leveza que se instalava em seu rosto e incentivou Nina a continuar falando.

– Estou encantada até aqui Nina. Continue por favor. Como o amor de vocês sobreviveu a isso? E o seu irmão?

– Bom, fui para Portugal e acho que nunca chorei tanto na minha vida. Era um misto de coisas. Saudades de Roberto e medo de perder meu irmão, que eu não via pessoalmente há muito tempo. Cheguei em Portugal e me dediquei totalmente para o meu irmão. Mas Roberto, mesmo longe estava ali. Era como se estivesse ao meu lado. Ele apareceu lá de surpresa enquanto meu irmão ainda estava em coma, me fez companhia e viveu comigo a vida que eu estava vivendo todos os dias, sem qualquer glamour ou felicidade. Ele me acompanhou na minha rotina dura, que era composta por dias inteiros silenciosos no hospital e noites animadas e bem ocupadas com as meninas. A partida dele deixou um buraco no meu coração. A cada despedida parecia que ficava mais longe dele. Até que meu irmão acordou e a vida ganhou cor. Para minha surpresa, Roberto apareceu novamente para fazer uma surpresa. Só que dessa vez me levou para a França e me pediu em casamento, da maneira mais romântica que eu poderia imaginar. Ele me levou para os pés da Torre Eiffel e se ajoelhou no momento que eu a vi piscar pela primeira vez. Meus olhos tinham lágrimas de emoção quando o vi ajoelhado me estendendo um anel. Esse anel. Nina disse mostrando o anel em seu dedo anelar da mão direita.

– É um belo anel e esse foi realmente um lindo pedido de casamento. Continue Nina. Estou adorando essa história.

– Depois do pedido de casamento fizemos uma viagem inesquecível e maravilhosa pela França. Fomos a lugares incríveis e cheios de história, que sonhava conhecer. O Roberto é um homem culto que sabe tudo de tudo. Aprendo muito com ele todos os dias. Ele me deu muitos momentos inesquecíveis. Me deu muitos momentos de perder o fôlego. Me fez sentir arrepios. Até que as mini férias acabaram e ele voltou para cá. Passei dias morrendo de saudades dele. Muito carente. Cheguei até a olhar de maneira diferente para outro homem, mas é pelo Roberto que bate meu coração. Conversando com meu irmão, que melhora a cada dia, acabei me animando para vir fazer uma surpresa para ele. Depois de tantas vezes que ele me surpreendeu, senti vontade de retribuir e fazer uma surpresa para ele. Até que cheguei no estúdio e me deparei com a cena que trincou meu coração.

– Nina, sua história de amor é a mais linda que já ouvi. E acho incrível te ver aqui na mesma situação que eu estava 40 anos atrás. Sinto como se eu tivesse voltado no tempo e pudesse fazer as coisas diferentes através de você. Eu me arrependo tanto de não ter ouvido o Joaquim na época. Eu era parecida com você. Impulsiva, com senso de justiça aguçado, intensa, apaixonada. Isso me deu coisas boas, mas por isso também perdi coisas importantes. Sabe Nina, algumas vezes precisamos olhar pela segunda vez para as mesmas coisas e evitar e impulsividade. Existem algumas histórias pelas quais devemos lutar. O segredo ou o desafio está em saber quais são elas. Porque lutar sem necessidade é muito exaustivo e sem recompensas, porém quando conquistamos aquilo que vale a luta a recompensa é a melhor do mundo. É como achar água no deserto depois de horas caminhando sob o calor escaldante. Você veio até aqui seguindo seu coração. Esse homem parece te amar profundamente e acabou insistindo na relação de vocês mesmo sendo o mais difícil a fazer. Pelo que você contou, esse homem parece ser totalmente apaixonado por você e te provou isso muitas vezes. O que a faz pensar que ele quer estar com essa moça? Você está certa que seu coração está te mandando de volta para Portugal? Você conversou com ele depois de tudo? Uma atitude madura seria ouvi-lo antes de tomar qualquer decisão sobre ficar ou ir embora e se mesmo assim quisesse ir, certamente seria a melhor decisão. Certamente estaria tomando uma decisão mais sensata. De uma chance para ele te explicar Nina. Vivi algo parecido muitos anos atrás. E depois de muitos anos descobri que era uma ilusão.

– Como assim? Nina se interessou.

– Éramos muito jovens e o vi com uma menina de quem eu tinha muito ciúmes. A gente ia se casar. E ele jurou que tinha sido um mal entendido. Ele implorou para que eu o perdoasse. Ele disse que eu era o amor da vida dele e que estava vulnerável ali. Eu não ouvi uma única palavra do que ele disse. Eu estava com raiva e esse sentimento me consumia. Sendo muito sincera, nem sei se eles se beijavam de fato. E te digo que estou sozinha hoje e que nos últimos quarenta anos nunca mais senti nada parecido com o que ele me fez sentir. Quanto você gosta desse homem?

– Gosto muito! Gosto de um jeito que eu nem imaginava que era possível gostar de alguém.

– E você acredita que o que ele fez foi tão horrível a ponto de você de desistir disso? O que vai responder daqui trinta anos quando te perguntarem sobre essa história?

– Honestamente, essa é uma perspectiva nova para mim. Eu sequer dei uma chance para ele dizer qualquer coisa.

– Você está entregando o homem da sua vida de bandeja para uma qualquer, que estava tentando rouba-lo de você. Você pode até acreditar que não quer mais o Roberto. Que não quer viver vulnerável com esse tipo de sentimento, mas se eu puder te dar um conselho, não volte correndo para Portugal. Pense melhor antes de sair correndo. Você está decidindo de maneira impulsiva, como serão os próximos anos da sua vida e da vida dele. Um amor desses que vocês tem é algo para se guardar em um cofre e cuidar. Não desperdice esse amor assim.

– Você tem razão. Nina respondeu sentindo que podia estar tomando a decisão mais equivocada de sua vida.

– Ele parece te amar muito. Ele parece ter te dado muitas provas do amor dele. Talvez você precise ser um pouco mais madura e mais sensata agora. Se eu fosse você, eu não entraria nesse avião. Não hoje.

Nina respirou fundo. E seguiu em silêncio. Maria Clara continuou falando:

– Na sua idade eu era assim. Me vejo em você 40 anos atrás. Minha vida teria sido tão diferente e seu tivesse a experiência que tenho hoje. Você pode entrar naquele avião e deixar o amor da sua vida para sempre. Por que você faria isso hoje? Se amanhã seguir achando que será mais feliz sem o Roberto, volte amanhã. Mas não embarque nesse avião hoje.

– Maria Clara, foi um anjo que colocou você aqui do meu lado. Você tem toda razão. Minha impulsividade me tirou coisas muito importantes durante toda a minha vida.

– Pelo menos você parou de chorar. Não quero interferir na sua vida, de maneira alguma. Mas me vi em você Nina. Era como seu eu tivesse tendo uma segunda chance e se eu tivesse essa chance, acho que não teria desistido dele.

– Por que você não procura por ele? Perguntou Nina.

– Talvez eu faça isso em Portugal. Você me trouxe novas perspectivas Nina.

– Quero que me conte se deu certo.

E nesse momento o voo delas para Portugal foi chamado.

– Chegou a hora. Decidiu o que vai fazer? Perguntou Maria Clara.

– Na verdade não. Honestamente não sei se serei feliz com Roberto. Talvez ele sempre me deixe insegura e não quero viver assim.

– Minha querida, esse problema está muito mais na sua cabeça do que na forma que ele te trata. Pela história que me contou, esse homem dá a vida por você. Tire essa insegurança do seu coração. Você é uma mulher incrível. Tente se enxergar pelos olhos de Roberto. As questões estão mais na sua cabeça. Pense sobre isso. Preciso ir. Tenho uma bagagem de mão grande. Espero de verdade não vê-la naquele avião.

– Vou pensar.

Nesse momento o microfone do aeroporto anunciou:

– Passageira Nina Bernardes, se apresente no portão de embarque.

– Eu! O que será?

– Melhor ir ver o que é. Foi um prazer conhece-la. Tome o meu cartão. Maria Clara disse dando um cartão com seus dados de contato para ela.

– Vou ver! O prazer foi todo meu. Obrigada de coração pela conversa que tivemos, por seus conselhos e as novas perspectivas que me trouxe.

– Foi um prazer. Vá lá ver o que querem com você. Estou torcendo para ser o seu Roberto.

– Ele nem tem ideia que estou aqui.

– Esse moço é tão surpreendente que não duvido ser ele. Até breve. Seguirei na torcida por vocês.

– Até! Também seguirei na torcida por você. Nina disse se despedindo com um abraço em Maria Clara.

Maria Clara se foi e Nina foi até o portão de embarque. Enquanto caminhava, um arrepio tomava conta do seu corpo ao pensar que poderia Roberto procurando por ela.

– Boa noite! Eu sou a Nina. Vocês me pediram para vir.

– Boa noite Nina. Há uma pessoa procurando pela senhora. Disse ser um caso de urgência que a impediria de voar hoje. Por favor fale com ele e nos avise se seguirá nesse voo.

– Como faço isso?

– Um minuto. O atendente pediu enquanto começava uma chamada no telefone.

Em segundos o homem estava dando o telefone para ela.

– Não demore. Os últimos passageiros já estão embarcando. O homem avisou e saiu.

Nina colocou o telefone na orelha:

– Alô. Ela disse.

– Graças a Deus! Disse Cadu do outro lado da linha.

– Oi Cadu! Como me achou? Ela respondeu decepcionada.

– O Roberto ligou para mim, para os nossos pais e estamos todos atrás de você. O que houve?

– Peguei Roberto beijando outra mulher quando cheguei.

– Como assim? Ele me disse. Mas ele falou que foi um mal-entendido. Nina ouça ele antes de voltar.

– Cadu, não sei se daria certo. Talvez sejam sinais para eu desistir disso tudo antes de sofrer com essa história.

– Não fala bobagem Nina. Vocês se amam. Não jogue sua felicidade fora assim. Ele está no aeroporto inconsolável e desesperado atrás de você. Acabei descobrindo que você tinha emitido a passagem e falei para ele. No mesmos instante ele chegou aí. Ligue seu celular e fale com ele. Depois me avise se entrou ou não no avião. Estamos preocupados Nina.

– Ok! Vou ligar o telefone. Ela disse ligando o telefone.

– Faz bem Nina! Ouça o Roberto. Ele está desesperado.

E nesse momento o celular dela começou a tocar.

– Vou atende-lo. Até mais Cadu.

– Não faça bobagem! Até mais Nina. Ele disse desligando o telefone.

Nina respirou fundo e atendeu o telefone.

– Alô. Ela disse.

– Nina graças a Deus. Não vá embora. Por favor me dê uma chance de te explicar. Fique comigo. Estou aqui do lado de fora te esperando.

Ela ficou em silencio.

– Nina! Fale alguma coisa.

– Acho que não há o que explicar. Eu sei o que vi.

– Há sim! Por favor Nina fique!

E nesse momento um atendente da companhia interrompeu:

– Desculpe interromper, mas precisamos que a senhora embarque. Só falta a senhora.

– Preciso de um minuto. Ela pediu.

– Desculpe senhora, mas realmente precisamos que a senhora embarque agora.

– Ok! Só vou desligar a ligação.

– Por favor senhora, não demore.

– Ok! Ela disse.

O homem se afastou.

– Roberto, estão me chamando aqui.

– Não embarque Nina. Estou te esperando aqui fora. Por favor. Me de uma chance.

– Não sei Bob. Preciso pensar.

– Estou te esperando aqui.

– Não sei o que fazer.

– Fica!

– Preciso desligar. Ela disse, com o coração acelerado.

O homem chegou novamente:                                               

– Desculpe mais uma vez, mas a senhora vai embarcar ou não?

Ela ficou em silencio olhando o atendente da companhia área.

E ele seguia em expectativa olhando para ela.

Roberto seguia do outro lado da linha esperando que ela não embarcasse.

Ela respirou fundo e de repente sabia exatamente o que fazer.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 35 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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