Capítulo 5 – Pensando em você

Nina seguia procurando as palavras enquanto sentia sua bochecha ferver. Ela perdia a força e sentia que seus oito cachorros sairiam correndo, a arrastando, tamanha a sua falta de controle.

– Não tem nada demais em mim. Respondeu ela.

– Nina, você desperta muita curiosidade. Uma mulher jovem, encantadora, que parece viver de maneira diferente de todas as mulheres da sua idade.

– Olhando sua perspectiva, parece fazer sentido… Disse ela concordando.

– Mas o que você quer saber?

– Não tenho nada específico na verdade. Estou curioso sobre você. Nina respirou fundo.

– Também estou curiosa sobre você. Confessou ela.

– O que você quer saber? Perguntou ele de maneira charmosa.

– Acho que entendi sua colocação sobre não ter nada específico. Disse ela.

– O que você acha de sairmos para jantar e descobrirmos o que queremos saber um sobre o outro? Propôs ele.

Nina perdeu o ar. “Ele está me chamando para sair!” Pensava ela enquanto pensava sobre o que responder.

– Acho que podia funcionar. Respondeu ela.

– O que você vai fazer hoje? Perguntou ele.

– Hoje tenho uma festa. Quer dizer. Vou trabalhar em uma festa.

– Vai servir em alguma festa como a que nos encontramos essa semana

– Na verdade não. É uma festa infantil… faço performance de bonecas também.

– Não me diga! E o que mais você faz? Disse ele achando graça.

– Sou modelo de mãos e pés.

– Nina, você realmente é demais. A cada conversa sigo mais surpreso.

– Não sou não…

– Que pena que vai trabalhar. Mas não vou desistir.

– Daremos um jeito. Agora preciso ir. Disse ela lamentando ter que encerrar a conversa, mas já atrasada para seu compromisso de trabalho.

– Bom trabalho para você. Disse ele se despedindo e dando um beijo na bochecha dela.

– Obrigada!

– Não vou desistir. Disse ele indo embora, ainda mais charmoso do que nunca.

Nina ficou ali retomando o ritmo do seu coração e de sua respiração. Definitivamente Roberto despertava algo nela que ela não tinha ideia que existia.

Ela voltou para casa, como se estivesse andando em nuvens. Se apressou em se arrumar, se despediu rapidamente dos pais e saiu atrasada de casa. Ela chegou na festa e a coordenadora a esperava brava.

– Nina você está atrasada! Disse ela.

– Eu sei Carla. Me desculpe.

– Vamos. Você tem menos de 5 minutos para colocar a fantasia.

Ela terminava de se arrumar quando recebeu uma mensagem de Roberto no seu celular.

“Oi! Sigo por aqui ainda mais curioso. O que seria uma performance de bonecas?”

Ela tirou uma foto dela com a fantasia completa e enviou para ele.

“Algo mais ou menos assim.”

“Linda!” Respondeu ele.

Antes que ela pudesse responder, Carla a surpreendeu:

– Nina o que está acontecendo com você? Tem uma criança que faz aniversário e está te esperando. Você está muito estranha.

– Ok! Estou pronta.

– Então vamos. E Nina se fechou em sua cabeça gigante que a protegia do mundo e a permitia ficar algum tempo em silencio.

Ela ficou ali interagindo com as pessoas e seguia andando nas nuvens.

A última mensagem que tinha recebido dele não saia de sua cabeça. “Linda!” “Ele me chamou de linda!” Ficava repetindo para si mesma em seus pensamentos.

Aquela noite estava diferente das outras e a performance que costumava ser quase dolorida estava mais leve. A cabeça não pesava tanto como costumava pesar e ela não parecia estar atravessando o deserto de tanto calor. Ela interagiu com as crianças e fez seu pedido quando ajudou a soprar as velinhas do bolo.

E como num piscar de olhos, a noite de trabalho terminava.

Na volta para casa um misto de sensações boas tomavam conta dela. O convite para jantar, ele dizendo que estava curioso sobre ela, a mensagem a chamando de linda. E para melhorar ela chegaria em casa e encontraria seus pais, que tinham acabado de chegar, de quem ela sentia muita saudade. E de repente ela sorriu e já não se sentia tão temporária, tão pouco, tão nada.

Os pais de Nina ainda não tinham voltado quando ela chegou em casa, então ela foi dormir, sentindo o corpo implorando pela sua cama, de tão cansada que estava.

Já deitada, Nina ficou olhando para a última mensagem que tinha recebido de Roberto. Ela pensava sobre o que responder e acabou decidindo não responder nada.

O domingo chegou trazendo um lindo dia de sol.

Nina foi almoçar com os pais e a hora de passear com os cachorros era esperada como nunca antes tinha sido na vida dela.

Mais uma vez ela se arrumou mais do que o normal e passou maquiagem para ir passear com seus oito cachorros.

Já no final do passeio, ela se sentou debaixo da árvore de sempre e ficou treinando as suas falas para o momento em que encontrasse com Roberto. Mas nessa tarde ele não apareceu.

Depois da mensagem do dia anterior, ele não tinha dado mais notícias e isso trazia alguma expectativa para o coração dela, mas por sorte, naquela noite o coração dela estava ocupado demais.

Ela aproveitou a companhia dos pais. Eles beberam vinho e comeram pizza na pizzaria mais gostosa da cidade, que ficava no mesmo quarteirão da casa de Nina. Eles voltaram para casa a pé, curtindo a deliciosa noite quente, uma típica noite de verão, sentido a brisa tocar a pele e balançar seus cabelos.

Eles estavam em casa quando Cadu, o irmão de Nina, ligou:

– Oi Família! Disse ele pela câmera de vídeo quando Nina atendeu.

– Oi irmão! Tudo bem por aí?

– Por aqui tudo bem. E com você?

– Tudo bem também.

– As meninas querem falar com vocês.

– Oi tia Nina! Saudades. Disseram as duas em coro.

– Saudades também meninas! Como vocês estão?

– Estamos bem. Vem nos visitar tia Nina.

– Eu vou!

– Quando? Você nunca vem. Promete que vem, tia Nina?

– Prometo que vou. E vou logo.

– Te esperamos aqui tia Nina. Você poderia vir para o meu aniversário. Vai ter festa esse ano. Vou fazer seis anos!

– Vou tentar meu amor. Seu aniversário é em junho né? Você está ficando muito crescida.

– Sim! Respondeu ela toda sorridente.

– Agora que prometeu para as meninas, espero que cumpra a sua promessa. Me diga quando e envio a passagem para você. Disse o irmão retomando a conversa.

– Vou me planejar! Agora conte como foi o final de semana romântico em Paris.

– Foi demais. Já estive lá muitas vezes, mas cada vez parece ser mais especial.

– Vocês vivem uma vida de sonho.

– Não vou negar que nossa vida por aqui é uma delícia mesmo. Estamos indo para a Grécia, para o aniversário de um grande amigo no próximo feriado.

– Ah irmão, fico aqui encantada pelo mundo que conheço através dos seus olhos e das suas fotos.

– Você demorou para começar a desbravar o mundo que sempre te despertou tanta curiosidade. Para tirar suas próprias fotos e ver o mundo através dos seus olhos.

– Você tem razão. Disse Nina concordando com o irmão, se sentindo um pouco frustrada por ter demorado tanto para realizar seu grande sonho.

Eles seguiram ali conversando por mais 1 hora. Apesar da distância e do tempo escasso devido a uma vida muito ocupada, eles se falavam com frequência. O que fazia com que se sentissem perto um do outro. Nina sentia falta do irmão e das sobrinhas, mas as idas para Portugal eram sempre adiadas mediante à falta de trabalho formal que daria férias remuneradas para ela.

A noite terminou regada a vinho e a boa conversa com os pais. Eles falaram de lugares do mundo que ainda queriam conhecer e sobre os planos para o futuro. Nina se perdeu pensando no seu futuro e se perguntava se Roberto estaria nele. “Não consigo ver Roberto comigo no meu futuro. Isso realmente é muito improvável. Aquele homem deslumbrante não combina nem com a mobília da minha casa. Não consigo imaginar ele aqui nessa sala. Imagine passeando de mãos dadas comigo na Itália…. Aliás preciso terminar de comprar os móveis dessa casa. Pare de se boicotar Nina.” Falava consigo mesma em seus pensamentos.

Ela foi dormir zonza pelo vinho. Procurou por uma nova mensagem de Roberto em seu celular, mas não havia nenhuma. Ela pensou no irmão e na sua viagem para Grécia. As últimas conversas com o irmão pareciam ter disparado um tic tac dentro dela. Ela tentava pensar em outra coisa, mas Roberto e seu charme voltavam para os pensamentos dela. Até que ela finalmente pegou no sono.

Na segunda, os pais de Nina saíram cedo para seu dia de consultas médicas de rotina que aproveitavam para fazer quando estavam em São Paulo e exceto pelo passeio com os cachorros, Nina não tinha nenhum compromisso de trabalho naquele dia.

Já estava perto da hora de seu compromisso com os cachorros quando Roberto ligou. O coração de Nina acelerou em expectativa.

– Alô! Atendeu ela.

– Oi Nina! Tudo bem?

– Bem! E você.

– Tudo bem. Fiquei preso em uma reunião de trabalho e preciso que você passeie com o Borges hoje. Pode ser?

– Claro! Eu pego ele daqui a pouco.

– Você é demais! Obrigado Nina. Agora preciso ir. Beijo.

– Beijo.

Ela desligou o telefone e começou a fazer sua respiração voltar ao ritmo normal. Mesmo uma ligação simples onde ele pediu algo profissional para ela, a deixou abalada.

Nina fez um passeio mais longo que o normal naquele dia. Aproveitou o pôr do sol que pintou o céu de laranja e voltou para casa já anoitecendo. Deixou o Borges por último, mas mesmo sendo tarde, Roberto ainda não estava em casa. Ela mandou uma mensagem para ele.

“Acabei de deixar o Borges em casa.”

Ela ficou ansiosa esperando pela resposta dele, mas a resposta não chegou. Ela seguiu por trinta minutos olhando o celular à espera de uma resposta, mas o telefone permanecia mudo.

Nina terminava de jantar com seus pais, quando uma mensagem finalmente chegou.

“Obrigado Nina! Ainda estou preso por aqui. Hoje, a noite será longa… e cansativa. Ainda bem que tem você.”

Ela ficou feliz com a mensagem.

“Ainda bem que tem eu! Será que é só por causa do cachorro? Ah Nina, você está perdendo a razão.” Dizia para si mesma achando graça. Ela foi dormir e mais uma vez levou Roberto com ela. “O que esse homem está fazendo comigo?” Pensava ela, sem sono, com expectativa sobre o que estava por vir.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 6 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

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