Helena chegou em casa se sentindo alegre pelos drinks que tinha acabado de tomar com as amigas. Ela não tinha ideia de quem tinha enviado o bilhete com os drinks para ela, mas aquilo tinha enchido seu coração de esperança por tempos melhores. Gustavo começava a povoar menos seus pensamentos e ela se lembrou do seu vizinho. Ela esperava o elevador e uma esperança irracional de que o elevador parasse no primeiro andar, fez seu coração acelerar.

Ela entrou no elevador em expectativa, mas ele passou direto a levando direto para casa.

“Por que ele estaria subindo para algum andar às 2 horas da manhã?” Ela se perguntava em seus pensamentos achando graça de si mesma.

Ela chegou em casa e ainda estava sozinha, pois os pais ainda não tinham voltado da praia. Ela não gostava muito de ficar sozinha, mas naquele dia, ela se sentiu grata por não ter ninguém em casa. Ela foi tomar um copo d’água e andou no escuro pela casa, que estava iluminada pela noite clara de lua cheia.

Ela foi para o seu quarto e foi direto tomar um banho.

Colocou seu pijama, fez sua rotina de cuidado com a pele. Ela costumava começar a relaxar nesse momento, mas seus pensamentos estavam barulhentos e ela não conseguia aproveitar o silêncio confortável ao redor dela.

“Será que meu vizinho está em casa, dormindo logo embaixo, a alguns andares de distância de mim?” Ela pensava enquanto tirava sua maquiagem em frente ao espelho. “Meu rosto já foi mais firme! Preciso de uma boa dermatologista.” Ela seguia pensando, enquanto limpava o rosto para passar seus cremes. Ela terminou seu ritual de cuidado escovando os dentes e foi para cama.

“São quase três horas da manhã! Estarei podre amanhã.” Ela pensava enquanto programava o despertador. “Nenhuma mensagem do Gustavo. Ele sequer veio atrás de mim. Helena, fala sério! Você não respondeu a mensagem dele ontem. Por que espera outra mensagem dele?” Ela brigava consigo mesma em seus pensamentos no momento em que pegou no sono.

O despertador já tocava há alguns minutos, quando o barulho frenético do despertador invadiu seus sonhos a despertando.

Ela desligou o despertador sentindo uma dor física, por ter que acordar naquela hora.

“Juro que não vou mais beber durante a semana, nem ir dormir tão tarde. Que sono!” Ela pensava enquanto se arrastava para o chuveiro.

Na hora de se vestir, seu vizinho apareceu em seus pensamentos e ele a motivou a escolher uma roupa linda, na expectativa de encontra-lo no elevador. Ela colocou um vestido de couro preto na altura dos joelhos, por cima de uma camisa branca com golas lindas cercadas por pequenos babados e um corte impecável. Arrematou o look com um brinco de esmeraldas e uma sandália de tiras verde.

Ela aprovou seu look no espelho, fez uma maquiagem leve, terminando com um batom vermelho e seu perfume preferido, que tinha sido feito especialmente para ela, pelo perfumista francês mais famoso do mundo, que trabalhava na mesma empresa que ela, na unidade de Paris.

Ela saiu de casa se sentindo confiante para enfrentar o dia cheio de compromissos que ela tinha pela frente.

Quando o elevador começou a descer, um frenesi tomou conta dela.

“Pare no primeiro andar! Pare no primeiro andar! Pare no primeiro andar!” Ela torcia enquanto o elevador descia.

Mas mais uma vez, o elevador a levou direto para a garagem.

Enquanto dirigia para o trabalho um misto de sensações tomavam conta dela. Ela tinha esperança, tristeza, alegria, amor, liberdade, tudo junto e misturado.

O dia cheio de compromissos passou rápido e Helena aproveitou a casa vazia para convidar as amigas para jantar e dormir na casa dela. As vidas das melhores amigas estavam cheias de novidades e Helena estava ansiosa para saber como tinham sido os encontros inusitados delas nos seus primeiros dias de trabalho.

Helena passou no supermercado para comprar bebidas e alguma coisa para comer. Quando chegou em casa, se lembrou do vizinho e se animou com a possibilidade do elevador parar no primeiro andar. Mas mais uma vez, o elevador passou direto.

“Helena, as chances de parar na subida são remotas. Ele não tem motivos para estar subindo. Que esperança é essa?” Ela pensava, tentando se conformar pelo elevador ter passado direto e achava graça de seus pensamentos.

Ela chegou em casa e foi tomar um banho.

Ela terminava de se trocar quando o interfone tocou avisando que suas amigas tinham chegado. Ela autorizou a entrada de Raissa e Lara e foi arrumar uma bandeja com vinho e aperitivos, colocou sua playlist favorita para tocar e nesse momento a campainha tocou.

– Oi meninas! Disse Helena ao abrir a porta.

– Oi Lelê! Que coisa mais linda. Disse Raissa vendo a sala preparada para recebe-las.

– Parece até um encontro! Brincou Lara.

– Estou ansiosa pelas novidades de vocês. Disse Helena. – Por favor, atualizações! Pediu Helena servindo as taças com vinho.

– Minha reunião com o Andre foi bem normal. Mais normal do que eu esperava. Ele foi bem profissional. Me pediu para falar do meu time, dos projetos em andamento, dos desafios da área. Mas nada mais do que isso. Foi bem gentil na verdade. Mas nada além disso. Disse Raissa dando um longo gole em seu vinho.

– Mas o que você esperava? Perguntou Lara.

– Boa pergunta. Ela respondeu caindo na gargalhada.

E todas riram junto.

– Eu nem vi o Rodrigo hoje. Tentei descobrir onde ele estava. Vocês acreditam nisso? Eu fiquei ao longo do dia tentando descobrir com as pessoas com quem tive reunião onde o Rodrigo estava, mas sem parecer que eu estava muito interessada.

– Amiga, o que você perguntava para descobrir se ele estava por lá? Helena perguntou curiosa.

– Na verdade, nada muito direcionado. Perguntei sobre a rotina de reuniões, autonomia para tomada de decisão da equipe. Mas não consegui saber onde ele estava hoje. As pessoas do time disseram que ele viaja bastante, mas nada além disso. Me senti triste sem ver o Rodrigo hoje, desejei ter transado com ele na noite de ano novo. Mas passou logo, quando imaginei o potencial do meu constrangimento naquele nosso encontro.

As meninas caíram na gargalhada.

– E o vizinho? Perguntou Raissa. – Alguma novidade?

– Nada! Ainda nem sei se ele mora aqui. Helena respondeu.

– Vamos descobrir quem ele é. Se mora aqui. E se está por aqui. E vamos descobrir hoje. Chega desse mistério. Disse Lara.

– Muito interessante. Como você pretende descobrir isso tudo? Perguntou Helena.

– Ainda não sei! Mas depois de algumas taças de vinho terei a resposta.

Elas caíram na gargalhada de novo. Helena abriu outra garrafa de vinho.

– A vida é tão melhor com vocês!!! Disse Helena empolgada.

Elas brindaram e de repente Lara disse:

– Já sei como vamos descobrir quem é o vizinho!

– Jura? Todas aquelas informações? Perguntou Helena empolgada.

Nesse momento o telefone de Helena começou a tocar.

– É o Gustavo! Helena disse.

– Não atende! Aconselhou Raissa.

– Não atende! Concordou Lara. – Depois do que ele fez ele não merece. Ele foi um egoísta e insensível e ainda não veio como um louco atrás de você pedindo para que você considerasse pelo menos pensar no assunto.

– Lara, eu nem tinha pensado nisso. Ele sequer veio atrás de mim. Lamentou Helena, que nesse momento teve os olhos cheios de lágrimas.

– Chega de chorar Lelê. Vamos voltar à operação CSI. Propôs Lara querendo distrair a amiga.

– Boa ideia! Como vamos descobrir quem ele é, se mora aqui e se está por aqui? Perguntou Raissa curiosa.

– Ah, meninas, vocês não existem. Disse Helena que voltava a sorrir. – Agora “peloamor”, compartilhe o seu plano CSI.

– Vamos até o andar dele.

– Você está louca? O que pretende? Bater na porta e pedir açúcar? Perguntou Helena.

– Claro que não. Mas não seria uma má ideia se fossem vizinhos de porta. Lara respondeu.

– E por falar em vizinho de porta. Mesmo que a gente aceite esse disparate de ir até o andar dele. Como vamos saber qual é a porta dele, se tem dois apartamentos no andar? Perguntou Raissa.

– Essa eu ajudo. Ele é do 11, porque no 12 mora uma amiga da minha mãe. Disse Helena empolgada dando um gole enorme em seu vinho.

– Então resolvido. Ele mora no 11. Agora vamos descobrir quem ele é e se está aqui.

– Bom, não quero jogar água fria, mas ele pode ser um convidado de um dos apartamentos. Não dá para garantir que ele mora aqui. Provocou Raissa.

– Vocês são boas hein! Parece que temos muitas questões em aberto. Disse Lara.

– Esperem! Ele estava arrastando uma mala e estava sozinho. Isso faz parecer que ele realmente mora aqui. Disse Helena empolgada.

– Gente! Estou amando isso. Agora bebam esse vinho. Esvaziem suas taças porque a missão vai começar. Disse Lara, super empolgada, bebendo todo conteúdo da sua taça.

– Vamos! E se ele aparecer a gente toca no apartamento da amiga da sua mãe e pede algo emprestado. Propôs Raissa empolgada.

– Vamos! Mas vou passar um batom! Vai que encontro ele. Disse Helena que correu passar o batom.

As meninas seguiram para o elevador para colocar o plano em ação. Quando entraram no elevador, apertaram o botão do 1º andar e deram gritinhos empolgadas.

O elevador parou no primeiro andar e elas se entreolharam. Lara abriu a porta e foi seguida por Helena e Raissa.

– Bingo! Disse Lara empolgada. – Tem correspondência na porta.

– Vamos ler o nome dele! Disse Raissa.

– Miguel Martins Moraes! Esse é o nome dele. Disse Lara empolgada, devolvendo o envelope para o chão.

E nesse momento o elevador parou no primeiro andar e elas estremeceram.

– AI MEU DEUS! O QUE A GENTE FAZ? Perguntou Helena e voz baixa.

– Meninas, fui eu quem chamou o elevador. Disse Raissa. – Achei mais seguro segurar o elevador aqui.

– Boa Raissa! Agora vamos embora daqui! Já temos o que viemos buscar. Disse Lara eufórica.

Elas entraram no elevador e caíram na gargalhada.

Elas estavam de volta em casa e Helena voltou a encher as taças de vinho.

– Isso foi demais. Disse Helena. – Então ele se chama Miguel. Só falta descobrir se ele está aqui no prédio ou se ainda está viajando.

– Elementar minha cara Helena. Brincou Lara. – Ele ainda está viajando.

Elas caíram na gargalhada.

– Como você sabe? Raissa perguntou curiosa.

– Estava cheio de correspondência na porta, logo faz tempo que ele não entra e sai de casa, a não ser que ele seja do SAC de alguma empresa e receba aquela quantidade de correspondência em um único dia. Lara concluiu orgulhosa.

– Faz todo sentido! Agora vamos descobrir quem ele é! Propôs Raissa.

– Como? Perguntou Helena.

– Vamos perguntar para o Google. Disse Raissa empolgada, já começando a digitar o nome dele na busca.

– Meninas, vocês são maravilhosas demais para ser verdade. Disse Helena se sentindo feliz.

– Qual deles é ele? Perguntou Raissa mostrando algumas fotos que apareceram no resultado de busca.

Helena olhou para a tela e logo na primeira viu seu vizinho misterioso.

– É ele! Helena gritou empolgada

– Vamos ver quem é esse Miguel, além de ser muito gato. Disse Raissa. – Ele é arquiteto e já ganhou prêmios! Ele tem projetos em Miami. E parece ter o próprio escritório.

– Como você já sabe isso tudo?

– Porque estou acessando o site da empresa dele.

– Faz sentido. Então minha paixão platônica é um arquiteto. Acho que gosto ainda mais dele.

– E ele parece gostar de vinhos. Tem um monte de fotos dele em vinícolas.

– Isso parece ainda mais interessante. Um arquiteto que gosta de vinhos. Disse Helena empolgada.

E nesse momento um barulho de chaves chamou a atenção das meninas. Elas olharam para a porta em expectativa.

Era Vitor chegando. E logo que ele entrou uma mulher apareceu logo atrás dele.

– Oi Helena! Oi meninas! Ele disse constrangido. – Essa é a Raquel, uma amiga. Raquel, essa é Helena e as amigas dela.

Raissa estava explodindo de raiva e naquela hora ela entendia perfeitamente porque ele não queria mais namorar com ela e o novo chefe apareceu na hora nos seus pensamentos.

“Ah André, ainda bem que tem você.”

– Oi Vitor! O que veio fazer aqui?

– Vim pegar meu capacete extra que esqueci aqui, mas já estou saindo. Nossos pais ainda não voltaram? Ele perguntou.

– Voltam só na segunda. Helena respondeu.

– Quer apresentar a Raquel para os seus pais? Perguntou Raissa, com lágrimas nos olhos.

Ele não respondeu e ficou sentido com o que causava em Raissa.

Vitor pegou o capacete e logo foram embora.

– Desculpe amiga por isso! Não tinha ideia que ele passaria aqui hoje. Já tem um tempão que não vem aqui. Disse Helena super constrangida.

– Você não tem culpa. Mas isso só me mostrou que preciso parar de enterrar minha vida nele. Já chega de Vitor e das metades que ele me dá.

E o interfone começou a tocar. Helena correu atender.

– Alô.

– Oi Lelê.

– Oi Vitor.

– Como a Raissa ficou?

– Como você acha?

– Que merda. Nem sei o que dizer.

– Eu não saberia no seu lugar. Cadê a Raquel?

– Esperando no carro. Fiquei mal de ter visto a Raissa e de ter feito ela passar por isso. O que eu faço?

– Agora nada. Ligue para ela amanhã.

– Me avisa quando ela for embora?

– Pra que? Ela não vai embora. Ela vai dormir aqui.

– Ok! Amanhã ligo para ela.

– Boa sorte.

Helena desligou o interfone.

– Raissa, era o Vitor e ele queria saber como você estava. Ele ficou mal com a situação. Não entendo o meu irmão. Ele parece ser louco por você.

– Também estou ficando louca por mim. Não quero nem saber dele.

– E agora tem o Andre. Disse Helena.

– Esse me cheira encrenca. Vou viver um dia de cada vez, mas hoje, o Vitor perdeu o pouco espaço que ele tinha.

– Um brinde à liberdade! Propôs Lara já alta pelo vinho.

– À liberdade. Elas disseram juntas.

As palavras pareciam sair facilmente da boca de Raissa e ela chegava a quase acreditar que estava livre de Vitor e do enorme amor que sentia por ele, mas um nó tinha se instaurado em seu coração, mostrando que o Vitor ainda era dono do coração dela.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 6 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA 6a FEIRA

Capítulo 5 – Quem será ele?

Sabrina Almeida


Sou mãe, filha, esposa, mulher, amiga, confidente, conselheira. Sonhadora, determinada e realizadora. Organizada, mas com um que de caótica. Apaixonada pela vida e pelas pessoas. Intensa! Publicitaria, trabalho desenvolvendo produtos e marcas para deixar as pessoas mais bonitas e felizes. Escrevo porque amo escrever. Minha cabeça está sempre repleta de sonhos e devaneios. Sigo sempre meu coração. Hoje penso mais antes de tomar uma decisão. Encontrei a FELICIDADE, assim todinha maiuscula, nas coisas simples da vida. E escrever é uma delas. Enquanto as pessoas vão para a academia, fazem trilhas, tocam instrumentos musicais, cozinham… Eu escrevo! Esse é o meu hobbie… Escrevo para traduzir o que está no meu coração, sem regras, métodos ou filtros. Escrevo porque me inspira e me faz feliz. Acredito que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de sonhos e devaneios. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: “quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?” E a minha resposta é como vou concluir minha apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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