Capítulo 7 – Sem Ar

Nina seguia sem ar tomando coragem para olhar para trás, quando ela finalmente se virou.

– Oi! Disse ela acenando.

– Espere aí. Vou descer. Respondeu ele.

“Será que entendi bem? Ele vai descer?” Ela ficou ali parada sem saber onde colocar a mão, sem conseguir se mover na verdade, nem respirar. Ela parecia ainda estar prendendo o ar quando o Roberto chegou.

– Aí está você! Te procurei esses dias no parque e não te encontrei. Disse ele ao chegar, dando um beijo na bochecha dela.

– Eu viajei na sexta. Foram 3 dias sem meus cachorros.

– Para onde foi?

– Para o sítio de uma amiga.

– Adoro sítios. Adoro lugares perto da natureza.

– Eu também. Íamos sempre lá, desde criança. É uma linda propriedade. E como você está? Pareceu bem ocupado essa semana.

– E estava. Na verdade precisei viajar. Sou diretor de cinema e anteciparam umas cenas fora de São Paulo. Precisei ir sem planejar.

– Que legal! Você é diretor de cinema! Disse Nina feliz por descobrir algo sobre ele.

– Eu gosto! Minha vida profissional não é tão divertida como a sua, mas me divirto também.

– Até parece! Minha vida profissional está um caos na verdade…

E nesse momento ele começou a se aproximar dela e ela parou de falar. Ele foi chegando perto dela e ela deixou ele se aproximar, até que estavam a poucos centímetros um do outro. Os olhares totalmente conectados. Ele colocou as mãos dele no rosto dela e parou. Ela podia sentir o ar saindo do nariz dele. Ela percorreu os poucos centímetros que restavam e eles se beijaram.

“Eu não posso acreditar que estou beijando esse homem maravilhoso.” Pensava Nina enquanto eles se beijavam.

– Desculpe por isso. Não resisti. Disse ele.

Nina não sabia o que dizer então beijou ele de novo deixando claro que ele não precisava ter se desculpado.

Eles se beijavam na calçada, como se ninguém estivesse olhando e pela primeira em sua vida, Nina não se importava com o que os outros iam pensar.

Os dois estavam sem folego quando pararam de se beijar. Nina queria convidar ele para subir, mas não quis parecer oferecida demais. Então se despediu.

– Que surpresa boa me despedir do domingo assim. Mas preciso ir. Tenho um trabalho amanhã cedo. Mentiu Nina dando uma desculpa para ir para casa.

– Eu também preciso ir. O que é uma pena. Eu ia adorar ficar com você. Tenho voo amanhã bem cedo.

– Foi um prazer te ver. Bom voo amanhã. Disse ela.

– O prazer foi todo meu. Bom trabalho para você também. Te ligo no final da semana. Volto na quinta. Podemos jantar se você não estiver ocupada. Disse ele mais charmoso do que nunca.

– Nos falamos quando voltar.

Ele puxou ela para perto dele e a beijou novamente.

– Boa semana Nina. Vou deixar você ir agora.

– Boa semana para você também! Disse ela começando a se afastar na direção do portão do prédio dela.

Ele esperou que ela entrasse e voltou para o prédio dele.

Nina se olhava no espelho do elevador e via sua boca vermelha. Ela não podia acreditar que aquele homem perfeito tinha sido só dela por alguns instantes. E ela começou a prometer para si mesma. “Não vou me jogar de cabeça nisso. Vou me preservar e me proteger. Isso Nina! Já estou mergulhada de cabeça nisso. Quem estou tentando enganar? Meu Deus, o que está acontecendo comigo?”

Nina chegou em casa procurando por um copo d’água. Ela bebia a água quando o celular vibrou na bolsa. Ela olhou para a tela e viu uma mensagem de Roberto.

“Uma delícia terminar o final de semana assim. Boa noite Nina. Beijo”

“Surpreendente e delicioso. Boa Noite Roberto. Beijo” Ela respondeu sem pensar muito.

Ela tentava dormir, mas não conseguia. Os acontecimentos de minutos atrás a faziam ficar repassando em seus pensamentos cada uma das cenas. Roberto na varanda e o momento que gritou o nome dela. A chegada dele. O perfume que cheirava a roupa limpa. A voz. A atitude. O toque. O hálito. A respiração. O carinho. O contato. O beijo. A vontade. A despedida. Eram coisas demais que tinham acontecido em um espaço tão pequeno de tempo e de maneira tão surpreendente, que ela mal conseguia processar.

O dia seguinte chegou e o dia de Nina começou cedo. Ela acordou antes do despertador e seu primeiro pensamento foi Roberto.

“Foi mesmo de verdade.” Pensava ela tocando a própria boca enquanto relembrava com detalhes a cena dos beijos da noite anterior ainda na cama.

Ela se apressou em se levantar e espantar os pensamentos que a faziam seguir sonhando, para encarar a realidade. Naquele dia ela seria modelo para uma campanha de esmaltes e as gravações iam acontecer fora de São Paulo, por isso precisava arrumar algumas coisas antes de sair. Nina terminou de se organizar e terminava seu café quando o carro que a levaria chegou.

Já no carro, Nina tentava se concentrar para o trabalho que começaria em pouco mais de uma hora. Mas naquele dia nada ocuparia seus pensamentos, além de Roberto e tudo que vinha com ele. Ela estava na estrada quando seu telefone tocou e seu coração acelerou em expectativa.

– Alô! Atendeu ela.

– Oi Nina.

– Quem é?

– A Erica!

– Amiga! Que telefone é esse?

– Da minha mãe. O meu caiu e quebrou a tela. Mas não foi para falar do meu telefone que te liguei. Quero saber do moço da varanda.

– Devo dizer que sua estratégia de me expor deu muito certo.

– Não me diga… conte mais. Ele te viu?

-Sim…

– E aí? Quer me matar de curiosidade?

– Acho que quero.

– Nina! Vou me consumir aqui. Conte logo “peloamordeus”.

– Ele me viu ontem. E gritou meu nome.

– E?

– E desceu para me encontrar em frente ao meu prédio.

– E? Vou me acabar de curiosidade! Fala logo Nina.

– Amiga! Estou tentando, mas você não deixa.

– Ok! Não vou mais interromper. Agora conte!

– Ele chegou, mas lindo do que nunca. E eu descobri que ele é diretor de cinema. E que cheira bem. Sabe cheiro de roupa limpa?

– Sei Nina! Respondeu Erica em expectativa.

– E aí a gente se beijou!

– NÃO ACREDITO QUE SE BEIJARAM! MEEEEEUDEUS! Gritava Erica empolgada. – Queria que ele te visse para esquentar essa história, mas nunca imaginei que ia ferver assim.

– Nem eu imaginei. Ele é algo que não se explica.

– Ai amiga está morrendo de amor.

– Estou! Como nunca estive antes na minha vida. Quase me falta o ar. Aliás, corrigindo. Me falta o ar.

– Ah Nina! Você está pegando o Bradley Cooper brasileiro. Até na profissão eles se parecem. Agora me conte dos próximos passos.

– Erica, não tem próximos passos. Nos beijamos. Somos vizinhos. Ele vai viajar a trabalho essa semana.

– O que ele vai fazer?

– Não tenho ideia.

– Não acredito que não perguntou.

– Amiga já descobri a profissão dele, acho que posso esperar para saber da agenda dele.

– Você tem razão. Vocês se beijaram. Que incrível. Foi bom?

Nina respirou fundo.

– Foi mais que bom. Me levou para as nuvens. Nunca senti isso na minha vida. Eu nem sabia que isso existia.

– Você merece! Cada sentimento desse. Agora preciso ir. Estou começando um curso de arte hoje e estou atrasada. Mas valeu a pena me atrasar. Adorei saber as novidades.

– Boa sorte no seu primeiro dia de aula amiga.

– Obrigada! E por favor me mantenha informada. Acho que vou promover um encontro de emergência com as meninas.

– Boa ideia Eris! Mas precisa ser amanhã porque hoje durmo fora. A gravação vai até tarde.

– Nos vemos amanhã então! Bom trabalho. Beijo Nina!

– Até amanhã. Beijo Eris.

Nina desligou o telefone e percebeu que sua felicidade era ainda maior quando compartilhava seus motivos para estar feliz com suas amigas.

Logo eles chegavam no lugar que aconteceria a gravação. Era uma praia pequena e deslumbrante que deixou Nina sem folego.

“Não imaginava que existia um lugar assim. Tão lindo, tão preservado e tão perto da cidade.” Pensava ela, tentando escolher para onde olhar.

Ela foi recepcionada pela produtora.

– Como vai Nina? Meu nome é Veronica e ficarei com você hoje.

– Bem e você? Prazer Verônica.

– Algumas pessoas já chegaram. Você vai fazer mãos, pés, cabelo e maquiagem. Faremos tomadas de você além de mãos e pés. Será uma campanha para o lançamento de uma coleção de maquiagem e esmaltes e você irá interagir com outros atores. Faremos ensaios de 1 hora antes da gravação e só então você vai para a produção. Ok?

– Ok! Respondeu Nina pensando ser tímida demais para isso.

– Em 10 minutos o diretor vai repassar as cenas com vocês e começar os ensaios. ok?

– Ok!

– Tome café, agua, o que quiser e fique por aqui. Te chamaremos em 10 minutos.

– Estarei por aqui. Obrigada! Nina sentiu um frio na barriga causar um pequeno tremor no seu corpo. “Tiro fotos de mão e pé. Não sou atriz. Meu Deus, eles são loucos? Como me chamaram para algo assim sem fazer um teste. Sem me perguntar se sou capaz. Que gente mais doida. Sou tímida. Não tem a menor chance de isso dar certo.” Pensava ela enquanto buscava um café. “O diretor vai falar com vocês. Imagina se o diretor for o Roberto? Ele é diretor de cinema. E disse que ia viajar. Meu Deus! Imagina se for ele. Acho que desmaio.” E nesse momento ela começou a rir de nervoso. “Nina! Qual a chance de ser ele? Seria mais fácil ganhar na loteria do que acontecer uma coincidência dessas.” Seguia ela se enchendo de perguntas e rindo de si mesma, no momento em que a produtora chegou.

– Vamos lá?

– Vamos. Nina seguiu andando em expectativa com a pequena chance de encontrar Roberto.

Elas chegaram em um bangalô montado no meio da praia e tinham 5 pessoas lá dentro.

– Pessoal, essa é a Nina. O diretor e o cliente chegam em 1 minuto. Em 1 hora volto para buscar vocês para a produção e a prova de roupas. Até já.

– Bem vinda Nina. Disseram os outros que esperavam.

– Obrigada! Respondeu ela tímida. “Quando essa angustia acaba?” Pensava ela que seguia em expectativa. “Eu tenho que estar muito maluca de estar achando que o Roberto vai entrar por aquela porta.”

E nesse momento o diretor chegou, acabando com a angustia e com a expectativa de Nina. Ele não era o Roberto. Não tinha nada de Roberto nele. Ele era gordinho, baixinho, usava um cavanhaque bem preto e óculos pretos muito estilosos.

– Bom dia! Disse ele entrando no local.

– Bom dia. Responderam em coro.

– Meu nome é Carlos e trabalho com direção de arte na publicidade. Vamos fazer algo diferente hoje. Filmar e fotografar um life style. Não se preocupem. Será bem simples na verdade.

Ele seguiu ali falando enquanto Nina se perdia em seus pensamentos. “Será que o Roberto faz esse tipo de trabalho? Será que está dirigindo algum comercial? Apesar de descoberto alguma coisa sobre ele, ainda não sei nada. Onde será que ele está agora? Melhor prestar atenção aqui nesse diretor de cinema e deixar o meu para depois…”

Nina ria de seus pensamentos.

O ensaio aconteceu rápido e por fim, parecia mais simples do que ela pensava. Ela foi para a produção e se sentia uma estrela. Ela nunca tinha feito cabelo e maquiagem para participar dessas campanhas. Quando terminou, estava linda, com a pele perfeita e parecendo bronzeada. Ela usava uma saída de praia branca, que deixava seu corpo perfeito.

Nina passou o dia filmando e fotografando. Trocou de roupa, maquiagem e cor de esmalte 4 vezes ao longo do dia. Já era noite, quando as filmagens terminaram.

Nina se sentia realizada com o trabalho que tinha feito. De certa forma o dia tinha sido intenso e produtivo e essa atividade toda afastava Roberto de seus pensamentos.

Ela tentava dormir quando sentiu saudades dele. Vontade de falar oi e de perguntar como tinha sido o dele. Pegou o celular para enviar uma mensagem, mas desistiu. Seguiu ali, segurando o telefone, na esperança que ele tocasse ou que chegasse alguma mensagem dele, mas nada aconteceu. Ele não se comunicou com ela.

O dia amanheceu e Nina despertou com o sol em seu rosto. Depois do café da manhã ela voltaria para casa e começaria enfim a escrever sua história com as amigas. Essa lembrança a enchia de boas expectativas.

Ela se preparava para deixar o quarto do hotel quando seu celular tocou. Como acontecia sempre, desde que ela tinha conhecido o Roberto, ela congelou em expectativa. E para sua felicidade, era ele ligando.

– Alô! Atendeu ela.

– Oi Nina! Tudo bem? Muito cedo? Consegue falar agora?

– Oi Roberto. Posso falar sim. Por aqui tudo bem. E com você?

– Tudo bem também. Queria ter te dado um oi ontem. Mas não consegui. Estamos filmando em uma fazenda no Chile e o sinal por aqui é inexistente. Estou aproveitando para te chamar aqui do hotel, antes de sair.

– Você está no Chile? Que legal.

– Aqui é muito bonito. Seria uma delícia se você estivesse aqui.

– Eu queria estar.

– Chego na quinta. Vamos jantar juntos na sexta? Convidou ele.

– Eu adoraria, mas nessa sexta tenho a festa de noivado de uma grande amiga. Você pode vir comigo se quiser.

– Eu adoraria. Vamos nos falando para combinar.

– Não vejo a hora. Respondeu Nina de maneira espontânea.

Ele achou graça.

– Nem eu. Disse ele. – Agora preciso ir. Até sexta.

– Até! Beijo

– Outro beijo para você. Ele respondeu e desligou o telefone.

Nina recuperava o folego quando desligou o telefone. “Eu não acredito que isso está mesmo acontecendo. Esse homem que parece um Deus grego vai comigo na festa da Melina, como meu par. Meu Deus, isso está mesmo acontecendo?” Pensava ela enquanto sentia uma brisa deliciosa tocar a sua pele e via o sol brilhar deixando o mar que ela via pela janela num tom de azul, que ela nunca tinha visto antes. “Acho que isso é felicidade. Não Nina… isso é amor.” Concluía ela sem conseguir se mover dali.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 8 SERÁ PUBLICADO NA PROXIMA SEXTA-FEIRA

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