Capítulo Bônus – Quando tudo vira poesia

Os primeiros raios de sol invadiram o quarto e despertaram Ana.

“Eu não posso acreditar que isso está mesmo acontecendo. Isso tudo tem sido muito melhor do que eu poderia imaginar.” Pensava Ana consigo mesma enquanto olhava para Mark dormindo.

Tinha chegado o dia da viagem para Londres. Ana já tinha repassado mil vezes esse dia na sua cabeça e de repente a enorme ansiedade que tinha tomado conta de tudo nos últimos dias, dava espaço para a tranquilidade e a felicidade que vinham do amor que ela sentia naquele momento ao olhar para Mark. Aquele homem definitivamente era o amor da sua vida e tudo, absolutamente tudo, era melhor com ele.

Já tinha se passado pouco mais de um mês desde a festa da Vindima onde tudo tinha de fato começado entre Ana e Mark, e apesar de ser pouco tempo, parecia uma eternidade. Uma avalanche de coisas tinha acontecido naquele período. Mark rompeu com Sophie e causou um alvoroço na imprensa por quase duas semanas, a vinícola não foi vendida, porque Mark decidiu assumir os negócios, deixando Elizabeth feliz como nunca havia estado desde a morte do marido. Ilonka enlouquecia com os preparativos para o casamento que aconteceria em um mês e preparava a chegada dos seus amigos que vinham do Brasil para a festa. Mark tinha passado alguns dias em Londres e renunciado definitivamente à vida que ele tinha lá. A única coisa que não acontecia era o pedido oficial de namoro. Ana ainda se sentia dentro de uma relação proibida, mesmo depois do rompimento dele com Sophie. Ela sentia que Mark parecia esconde-la de todos e isso causava uma certa distância entre os dois. Ana pensava que ele tinha se arrependido de tudo em relação à ela e se angustiava com a impossibilidade de viverem um romance real e possível, enquanto Mark apenas ganhava tempo e planejava a melhor forma e o melhor momento de oficializar sua relação com Ana, permitindo que seus sentimentos por Ana se intensificassem dentro de seu coração.

Ana seguia perdida em seus pensamentos sobre os últimos acontecimentos enquanto se perdia olhando para Mark quando ele acordou.

– Bom dia! Disse ela.

– Bom dia! Teve algum pesadelo? Perguntou ele.

– Pelo contrário. Dormi muito bem.

– E o que te fez acordar? Nunca acorda antes de mim.

– A claridade me acordou. Mentiu Ana tentando esconder sua ansiedade.

– Que sortudo que sou! Tenho você mais cedo comigo então! Disse Mark puxando Ana para si e a beijando. – Animada com a nossa viagem? Perguntou ele.

– Não sei dizer o que estou sentindo exatamente.

– Procure não pensar tanto Ana. Vai dar tudo certo.

– Eu sei! Com você sempre dá tudo certo!

– Isso! Melhor assim. Agora que tal tomarmos café? Estou faminto.

– Acho uma excelente ideia! Respondeu Ana que na verdade não sentia fome nenhuma, tamanha era a sua ansiedade.

– Vou primeiro e você vem depois. Pode ser? Não quero constranger nossa família. Me sinto mal de dormir com você sem…

– Sem o que Mark? Insistiu Ana.

– Sem termos um compromisso.

– Mas temos um compromisso. Está certo que nunca me pediu em namoro.  Mas me sinto sua namorada.

– Mas não somos casados. Isso é estranho.

– Isso não é estranho. Estamos no século 21, Mark!

– É estranho para mim. E não importa o século.

– Não vou insistir para te trazer para esse século. Só uma máquina do tempo resolveria e infelizmente, não tenho uma.

Mark ficou em silêncio olhando para Ana.

– O que foi? Perguntou ela.

– Eu amo tanto você! Disse ele depois de respirar fundo.

– Eu também amo você! Disse Ana se derretendo e se jogando nos braços dele.

– Tudo parece mais simples quando estou com você.

– E tudo mais colorido quando estou com você. Disse ela.

– Isso aqui está realmente uma delícia, mas temos que ir. Temos que estar em Londres às 17h. Terá um chá para nos recepcionar lá.

Um frio que começou na barriga, percorreu o corpo de Ana e ela respirou fundo.

– Não se preocupe tanto. Pediu Mark quebrando o silêncio deixado por Ana.

– Está bem! Agora vai. Vou tomar um banho e já encontro você.

– Combinado! Não demore ou morro de saudades.

– Você está especial hoje. Disse ela.

– E você está especial sempre! Respondeu ele.

“Acordou romântico hoje!” Pensou Ana.

Ele deu um beijo carinhoso nela e saiu do quarto.

Ana ficou ali sozinha olhando para o teto. Ela estava vivendo dentro de um conto de fadas. Ela sentia uma felicidade tão grande, que pensava que iria transbordar a qualquer momento.

“Nem nos meus mais ousados sonhos eu pensava que isso poderia existir. E você teto? Foram tantas conversas, entre nós… e quantas vezes me viu chorando? Quantas vezes me ouviu perguntando: O que será de mim agora? Obrigada por ter sido um bom ouvinte.” Pensava Ana enquanto morria de rir de si mesma, até que resolveu se levantar e ir tomar banho.

Ela tomou um banho rápido e se apressou em se juntar a todos para o café da manhã.

Quando ela chegou, viu Mark na ponta da mesa, iluminado pela claridade que vinha de fora.

“Esse homem incrível é todinho meu. Alguém me belisca.” Pensava Ana enquanto seu olhar se perdia em Mark.

– Bom dia Ana! Disse a mãe a arrancando de seus devaneios.

– Bom dia! Respondeu ela com alegria na fala. – Bom dia Elizabeth.

– Bom dia querida! Parece que todos estão muito bem humorados por aqui hoje. Brincou ela, olhando para Mark.

Mark corou.

– Tudo certo para a viagem para Londres? Perguntou Elizabeth voltando para a realidade.

– Sim! Eles nos esperam por lá. Respondeu Mark. – Sairemos em 1 hora.

– Que bom Mark. E os franceses? Como foi a reunião para a conclusão do destrato da venda.

– Foi difícil! Mas deu tudo certo. Seguimos donos da nossa marca e eles serão sócios minoritários. Vão injetar um bom dinheiro para levarmos a marca para a América Latina.

– Fico feliz e aliviada que tudo esteja dando certo.

– Acho que precisaremos passar mais tempo na França. Mas isso é uma conversa para depois.

– Seria maravilhoso passarmos um tempo lá. Quero ficar perto das suas irmãs. Em breve serei avó. Enfim, Paris estava nos meus planos.

– Então pode se animar com a ideia Dona Elizabeth. Mas, sobre em breve ser avó, você tem algo para contar? Alguém de nossa família está grávida? Perguntou Mark preocupado.

– Não Mark! Elas são muito novas. Mas logo serão mães. E quero estar por perto quando isso acontecer. Respondeu Elizabeth. – E quanto a você Ana, gosta de ideia de passar um tempo em Paris?

– Eu mais que gosto da ideia. A França mora no meu coração. Respondeu Ana com um sorriso que veio dos olhos.

– Isso é realmente maravilhoso! E você Ilonka? Como vê sua vida nos próximos meses?

– Eu vou viver em Tokaji com meu Tibor e as visitarei com muita felicidade. Tanto eu, como Tibor, temos planos de começar a explorar o mundo. Conhecemos poucos lugares. A França será colocada em nossos destinos de viagem com o maior prazer.

– Esse me parece um bom plano para essa família. Disse Elizabeth com um sorriso nos olhos.

– Esse definitivamente parece um bom plano. Concordou Mark olhando apaixonadamente para Ana.

Ana retribuiu o olhar dele e seguia sorrindo com os olhos também.

– Adoro quando os seus olhos sorriem. Mark disse baixinho para Ana, completamente apaixonado.

– Você que faz isso com eles. Respondeu ela.

Ele ficou em silencio. Retribuiu apenas com os olhos. Essa era uma linguagem que havia acabado de aprender e Ana foi a responsável por ensinar isso para ele.

Eles terminaram o café da manhã em calma. Uma paz deliciosa pairava sobre o ar e acabava repousando no coração de todos eles.

Pouco depois Mark e Ana estavam prontos para seguir viagem para Londres.

– Vai com Deus minha filha! Disse Ilonka abraçando a filha. “Você não tem ideia do que pode encontrar lá.” Pensou Ilonka, tentando passar confiança para filha, mas sentindo as pernas bambas pelo que estava por vir.

– Fique com ele também, mãe! Vai dar tudo certo. E agora, já tenho o Mark, que é o que importa de verdade.

– Isso mesmo! Bem pensado! Respondeu Ilonka que começava a acreditar que seria mais simples do que ela pensava.

– Em alguns dias estaremos de volta. Agora precisamos ir. Disse Mark quando o motorista sinalizou que as malas já estavam no carro.

Eles trocaram beijos e abraços e em instantes Mark e Ana estavam dentro do carro, rumo à Londres.

– O que foi? Está tão quieta. Perguntou ele.

– Estou pensando que finalmente vou conhecer Londres. A Inglaterra era top 3 da lista de países para conhecer e acabou ficando para depois.

– Acho que imagino o porquê.

– Era difícil para mim. Eu já era muito apaixonada por você. E você ia se casar. E tudo em Londres, por motivos óbvios, me lembravam você e nosso romance impossível.

– Como você pôde ver, o romance não era tão impossível assim.

– E agora o romance e Londres são possíveis! Eu sou mesmo uma garota de sorte.

– Você é maravilhosa Ana. Disse Mark indo beijá-la. – É impossível resistir a você.

Ana corou. Se sentia envergonhada com demonstração de carinho na frente de pessoas estranhas.

Logo eles chegaram no aeroporto e a expectativa de ambos crescia à medida que se aproximavam de Londres.

O voo foi tranquilo e na hora marcada estava pousando.

– Nervoso? Ana perguntou para Mark quando o avião tocou o solo.

Ele respirou fundo.

– Não sei se nervoso é a palavra.

– Acho que estamos iguais então. Ela disse.

– Mas você nem sabe o que estou sentindo exatamente. Eu disse que nervoso não é a palavra.

– Mas eu não preciso saber. Porque realmente sinto a mesma coisa. Nervosa não é palavra e não consigo encontrar melhor palavra para descrever o que sinto.

Mark riu.

– Você é incrível Ana. Todos vão amar você!

Ana respirou fundo.

– Espero que sim!

Eles saíram do avião e assim que pisaram na área de desembarque do aeroporto já viram o motorista que os aguardava.

Ana podia sentir os olhares seguindo eles.

– Está todo mundo olhando para você Mark! Ana disse surpresa.

– Não é para mim Ana. Eles estão olhando para você.

O estômago de Ana revirou. “Será que posso lidar com isso? Ah sim Ana! Você pode!” Falava Ana consigo mesma em seus pensamentos.

Eles entraram no carro e seguiram rumo ao palácio de Buckingham.

Quando eles chegaram haviam muitas pessoas nos portões do palácio tirando fotos.

– Não acredito que posso entrar aqui. Disse Ana dando voz ao seu pensamento, sem querer.

– Você pode tudo Ana. Mark respondeu.

O portão se fechou atrás deles, deixando a multidão de curiosos para trás.

Quando eles entraram no palácio o queixo de Ana caiu. “Isso é muito mais grandioso pessoalmente do que a imagem que eu tinha na minha cabeça. O que eu estou fazendo aqui, meu Deus?”

– Tudo bem Ana?

– Ahã. Ela respondeu, sem jeito.

– Eu vou falar com a minha avó. Enquanto isso o Robert, assessor dela vai conversar com você.

– O que ele vai falar comigo? Perguntou Ana preocupada.

– Nada demais. Ele vai te passar alguns protocolos a seguir na presença da rainha.

“Acho que vou vomitar.” Pensou Ana.

– Ok! Disse ela engolindo em seco. Só não demore por favor.

– Não vou. Até já. Boa sorte com o Robert. Disse ele já se afastando.

– Olá! Você deve ser a Ana. Disse um homem com voz doce.

– Olá! Sim! Sou a Ana.

– Muito prazer senhorita Ana. Eu sou o Robert, assessor da Rainha. Podemos conversar um pouco? Aceita algo para beber?

– Não obrigada! Estou bem.

– Então, por favor, me acompanhe.

Eles seguiram andando até chegarem a um enorme salão repleto de obras de arte nas paredes, contendo retratos de muitas pessoas. A mobília parecia do século XVII. Apesar de tudo parecer muito antigo, estava muito preservado. O cheiro era de madeira e Ana se lembrou de sua infância ao sentir aquele cheiro. O silencio entre eles era constrangedor e foi finalmente quebrado quando chegaram à uma sala.

– Na verdade teremos uma rápida conversa. O Senhor Mark deve ter comentado sobre o conteúdo de nossa conversa.

– Ele comentou.

– Em alguns minutos você conhecerá a avó dele. A rainha da Inglaterra e gostaria de explicar algumas coisas para te orientar sobre como agir no presença dela. Fique tranquila porque é bastante simples.

“Nada pode ser simples nessa situação.” Pensava Ana que já sentia vontade de rir de tanto nervoso.

Enquanto Robert passava as orientações para Ana sobre o protocolo a seguir, Mark conversava com a avó.

– Você deve gostar muito dessa garota, para estar fazendo tudo isso. Disse a avó.

– Eu gosto vó! Muito. Nunca senti nada parecido por alguém.

– Você acha que ela é a mulher da sua vida? Que vai se casar com ela?

– Eu gostaria de pedi-la em casamento hoje.

– Não apresse as coisas Mark.

– Não farei. Mas você vai apoiar nosso relacionamento?

– Com todo o meu coração, meu neto querido.

– Você me faz tão feliz! Eu precisava do seu apoio. Tive receio de não tê-lo por Ana não vir de uma família nobre.

– Mark são outros os tempos. Já tivermos casamentos entre divorciados em nossa família. Ana me parece a mulher certa para você. Nunca te vi tão feliz. E o que é mesmo a nobreza, se comparada ao amor?

– Obrigado! Disse Mark indo abraçar a avó. – Desculpe pelo que causei nos últimos meses. Com a imprensa e meu anuncio de casamento, seguido de separação.

– Fico feliz em te apoiar. Os jornais de ontem já forram peixes nos mercados. Não se preocupe, porque tudo está controlado. Agora vamos lá conhecer a sua garota. Disse ela, que parecia mais humana do que nunca. Surpreendendo Mark completamente.

– Vamos! Vou indo encontrar com ela e daqui a pouco estaremos juntos. Disse Mark que sentia vontade de gritar de tão feliz que ele estava.

Quando Mark chegou na sala, Robert havia acabado a conversa sobre protocolo e os deixou sozinhos na sala.

– E aí, como você está? Perguntou Mark. – O Robert foi gentil com você?

– Muito na verdade! Estou melhor que eu esperava. Me parece simples seguir o protocolo. E você? Como foi com a sua avó?

– Muito bem também. Melhor do que eu pensava também.

E nesse momento foram interrompidos por Robert.

– Com licença. Sua majestade a Rainha, vai recebe-los agora. Vamos?

– Vamos! Disse Mark.

Eles se levantaram e Ana já sabia que não podia tocar mais nele e nem ele nela.

Eles caminharam por alguns metros de um grande corredor até que chegaram na sala onde a Rainha estava.

Eles estavam entrando na sala quando Ana pensou alto.

– Acho que todos vão conseguir ouvir o meu coração.

Somente Mark ouviu e respondeu com um sorriso.

Ana reverenciou a rainha como havia acabado de aprender e eles sentaram à mesa onde o chá estava servido.

Alguns segundos de silêncio e a Rainha falou:

– Agora entendo porque o Mark está tão encantado com você.

Ana corou, mas não disse nada, apena sorriu.

– Me conte o que faz Ana. Pediu ela.

– Sou formada em história. Trabalhei 2 anos como estagiária na revista National Geographic. Fiz essa viagem com a minha mãe, para conhecer nossa família e comecei um blog sobre viagens. Agora já estou conseguindo ter alguma renda com ele.

– Impressionante. Os jovens de hoje dia são pessoas muito impressionantes. A sua família é muito especial Ana e você é bem-vinda à nossa família e à nossa casa.

Eles conversaram por mais alguns minutos e antes de se retirar a rainha disse:

– Vocês tem a minha bênção.

Mark e Ana a reverenciaram e ela saiu da sala os deixando sozinhos.

Ana tinha a sensação que conseguia voltar a respirar após a saída da rainha.

– Você foi muito bem Ana! Disse Mark orgulhoso. – Como sempre.

– Obrigada! Na verdade foi mais fácil do que eu esperava. Mentiu ela que começava a se sentir mais calma. – Ela nos deu a bênção dela!

– Ela aprovou o nosso namoro! Ela aprovou você Ana! E devo te dizer que a assessoria de imprensa do palácio vai anunciar nosso namoro amanhã.

– Como assim?

– Quando um membro da família real começa um relacionamento, o protocolo pede que a imprensa seja comunicada formalmente.

– Sério?

– Sério! Agora estamos livres para explorar Londres. Vamos?

– Não vejo a hora.

Eles se levantaram e ainda não podiam se tocar, o que acendia o desejo que um sentia pelo outro naquele momento.

Já estava anoitecendo quando eles saíram do palácio e Mark levou Ana à beira do rio Tamisa, para ver o parlamento e o big ben. Já era noite quando ele a levou andar na roda gigante, a famosa big eye, que trazia uma linda vista de Londres à noite.

Assim que a roda gigante alcançou seu lugar mais alto, os olhos de Ana sorriram e Mark não resistiu. A beijou apaixonadamente e sem controlar seus instintos disse:

– Ana, quer se casar comigo?

Ela paralisou olhando para ele.

– Mas já? Perguntou ela.

– Não era essa a resposta que eu esperava.

– Sim!! Claro que quero me casar com você. Só não esperava que seria assim, tão rápido.

– Não precisamos nos casar agora, nem amanhã. Mas quero saber o dia que vou me casar com você.

– Claro que eu quero me casar com você Mark! Isso me faria a mulher mais feliz do mundo.

– Amanhã vou te comprar um anel. Não tenho um para te dar agora. Não planejei nada disso.

– Não preciso de uma anel, quando tenho você. Não se preocupe.

– Você é maravilhosa. Que sortudo eu sou.

– Vamos comemorar!

– Vamos! O que vai querer fazer?

– Quero tomar champagne!

– Então tomaremos champagne. Concordou ele que tinha os olhos em chamas de tanto que brilhavam. – Você me mostrou coisas que eu nem sabia que existiam Ana.

– Você também Mark! Acho que por isso combinamos tanto.

– Deve ser! Minha noiva.

– Mark, você disse que amanhã a impressa será comunicada sobre o nosso namoro. E mal anunciamos o namoro e já estamos noivos. Como funciona isso?

– Vou pedir para anunciarem que estamos noivos.

– Não acha melhor mantermos em segredo o noivado? Propôs ela. – Pelo menos por um tempo. Acabamos de combinar o namoro com a sua família.

– Acho que tem razão.

– Uma coisa de cada vez. O que importa é o que nós sabemos!

– Certa! Como sempre. Agora vamos comemorar! Eu te amo Ana. Disse ele a levando pela mão na saída da roda gigante.

– Preciso contar para a minha mãe que tudo deu certo e que estamos oficialmente juntos.

– Não fale do casamento. Quero pedir sua mão para ela.

– Mark, você não precisa!

– Faço questão.

– Ok! Vou falar apenas que tudo deu certo. E vou contar para a Lara também. Ela é minha melhor amiga e precisa saber por mim.

Eles seguiam andando pela rua e atraindo olhares de todos por onde passavam.

Naquele noite Mark estava mais relaxado do que nunca e Ana mais encantadora do que nunca.

A noite entre eles foi especial, eles mataram a vontade que sentiram um do outro o dia todo. Um pouco antes de dormir Ana disse:

– Ficar o dia todo sem tocar você me deixou com vontade de você.

– Ah Ana! Você não imagina a vontade que EU fiquei de você. Acho que tem razão. O fato de não podermos nos tocar em público, faz a vontade de ficar junto maior, quando podemos.

– Hoje foi um dia incrível!

– Foi realmente muito especial.

– O pedido de casamento está mesmo valendo?

– Claro que está! Vamos nos casar assim que for oportuno.

– Oportuno?

– Não podemos parecer precipitados.

– Entendo.

– Não se chateie por favor! Não vamos estragar as vibrações desse dia incrível. Não vamos caçar problemas.

– Você tem toda razão! O meu príncipe encantado me pediu em casamento. E eu não podia estar mais feliz.

– E a minha avó adorou você! Que por sinal foi muito bem com os protocolos. Você aprende rápido. É uma garota muito esperta.

– A rainha! Conheci a rainha hoje! Quando penso, me dá até dor de barriga.

– Ela é uma pessoa como outra qualquer.

– Ah Mark! Isso ela não é mesmo!

– Tem razão. Agora deite aqui. Disse Mark puxando Ana para perto dele.

Nesse momento o silencio tomou conta de tudo. Ana até tentava reproduzir aquele dia mágico nos seus pensamentos, mas o cansaço venceu e ela dormiu ali nos braços do homem que ela amava.

Ana ainda dormia quando seu celular tocou a despertando.

– Oi mãe! Tudo bem?

– Te acordei filha? Desculpe, mas eu precisava muito conversar com você.

– Claro mãe! O que houve?

– Estou em uma situação em que não sei muito bem como agir.

– Mãe, está me deixando preocupada.

– O Tibor tem um filho! Uma criança de 5 anos. O nome dele é Estevan.

– Como assim? Ele nunca tinha te contado uma coisa importante dessas?

– Ele não sabia. Foi uma ex-namorada que rompeu com ele já grávida. Parecia que queria ter o filho de maneira independente e usou ele. É uma moça linda, 13 anos mais jovem que ele. O garoto é uma graça.

– Então tudo bem! Se ele não mentiu para você…

– O problema é que a moça vai viajar e deixou o filho com ele por tempo indeterminado.

– Que?

– Isso mesmo minha filha.

– A mulher apareceu depois de 5 anos dizendo que o Tibor tem um filho e que vai larga-lo com ele para ir viajar por tempo indeterminado? Perguntou Ana chocada.

– Sim! E o menino está tão traumatizado com a situação, que desde que chegou não fala uma única palavra.

– Quando ele chegou?

– Ontem de manhã.

– Mãe, nem sei o que te dizer. Como o Tibor está com tudo isso?

– Paralisado. Ele não queria ter filhos e tínhamos muito planos de viajar pelo mundo. Agora já não sabemos mais.

– Mãe, tudo dará certo. De tempo ao tempo. Vocês poderão viajar. Tudo dará certo. E a mãe deve voltar. Não deixe que isso abale a felicidade de vocês. O casamento é no próximo final de semana.

– Você tem razão minha filha.

– Em dois dias estarei de volta.

– Como foi com a avó de Mark minha filha?

– Foi muito bom! Deu tudo certo. Hoje estará na mídia que estamos juntos. E tem uma outra coisa….

– Não Ana! Não conte! Quero pedir sua mão para ela! Lembra? Aliás tive uma ideia. Me dê o telefone. Pediu Mark.

– O Mark vai falar mãe.

– Olá Ilonka. Como vai?

– Muito bem Mark! E você?

– Muito bem também. Eu gostaria de esperar chegar aí para ter essa conversa, mas prefiro fazer isso agora.

– O que houve Mark?

– Quero casar com a sua filha. Você permite que eu me case com ela? Me concede a mão da sua filha em casamento?

Ilonka ficou sem ar.

– Claro que permito! Você é o genro dos meus sonhos. Esse pedido me deixou muito feliz.

– Obrigado Ilonka. Prometo que farei tudo pela felicidade da sua filha.

– Estou certa disso.

– Agora fale com ela. Bom dia.

– Obrigada Mark! Bom dia para você também? Se despediu Ilonka que tinha mil coisas para falar, mas a surpresa a deixou totalmente sem fala.

– Oi mãe. Disse Ana de volta ao telefone.

– Minha filha!!!!!!! Que novidade foi essa?

– Mãe, ele me surpreendeu completamente. Ele me pediu em casamento no alto de uma roda gigante.

– Que romântico!

– Foi mesmo.

– Quando será?

– O que?

– O casamento!

– Não sabemos ainda. Nem anunciaremos ainda. Vamos conversar sobre isso.

– Acho prudente. Façam as coisas com calma. Não precisam ter pressa.

– Estou transbordando de felicidade.

– E eu também minha filha.

– Agora vá curtir seu noivo e seu dia. Nos vemos em dois dias.

– Paciência aí mãe. Tudo dará certo. O que você tem com o Tibor é muito forte e inabalável.

– Você tem razão. Disse Ilonka respirando fundo. – Até já minha filha.

– Até mãe! Beijo

– Beijo

Ana desligou o telefone e contou para Mark a história do filho do Tibor. Ele se preocupou, mas não falou muito sobre assunto, nem expressou qualquer tipo de opinião.

O silencio tomou conta de tudo. Os pensamentos de Ana estavam com a mãe e no que estava acontecendo com eles, poucos dias antes do casamento.

– Você quer ter filhos? Perguntou Mark quebrando o silencio.

Ana achou graça da pergunta.

– Quero! Nós nunca tínhamos conversado sobre isso. Quero ter uns quatro filhos.

– Quatro? Ele perguntou surpreso.

– Sim! Sou filha única e um irmão sempre me fez muita falta. Quero uma família enorme. Quero uma casa cheia de crianças crescendo juntas.

– Faz sentido. Se quer quatro filhos, precisamos começar logo.

Ana riu.

– Você concorda com 4 filhos? Perguntou Ana achando graça.

– Te darei o mundo Ana! Te darei tudo o que quiser. Tenho certeza que será uma mãe maravilhosa. Eu sempre quis ter muitos filhos também. Minha conta eram 3, mas posso acolher mais um para ver a minha mulher feliz.

– Nossos filhos serão bisnetos da Rainha e filhos de um príncipe. Disse Ana engolindo em seco.

– De repente isso pareceu um problema. Isso seria uma problema?

– De maneira nenhuma. Respondeu ela, mas sem estar muito certa disso.

– Ana quando nos casarmos ganharemos um título de nobreza. Vamos trocar de nomes e tudo mais. Algumas coisas vão mudar na nossa vida. Por mais que eu não esteja nem perto de assumir o trono como rei, sou parte disso e você se casando comigo será também. Está pronta para isso?

Ana respirou fundo. Ela não se sentia nenhum pouco pronta para isso. Ela queria ser livre. Queria apenas viver uma história de amor ao lado dele. Mas Mark era definitivamente alguém que valia muito à pena.

– Estou pronta para tudo ao seu lado Mark. Mas devo confessar que me assusta um pouco. Nunca pensei sobre isso. Nunca desejei nada parecido com isso em minha vida.

– Não vamos pensar muito nisso. Pediu Mark se preocupando com a expressão de preocupação no rosto dela.

– Você tem razão. Vou tomar um banho para podermos passear. Disse Ana se levantando da cama.

Ela deu beijo rápido nele e foi tomar banho.

“Meu Deus, serei duquesa ou condessa e meus filhos terão títulos e responsabilidades. Será que estou pronta para isso? Tenho 22 anos meu Deus. Minha vida está apenas começando. Será que estou vivendo o sonho de outra pessoa?” Pensava Ana consigo mesma enquanto sentia a água quente cair em seu corpo. E os pensamentos sobre o assunto insistiam em tomar conta de seus pensamentos: “Com ou sem título, será ao lado de Mark essa vida! Nada poderia me fazer mais feliz. Nenhum homem poderia me fazer mais feliz. Portanto é melhor eu parar de pensar essas bobagens e parar de vez de sabotar a minha felicidade. Hey Ana! Veja o copo meio cheio. Você vai se casar com o amor da sua vida! Você vai se casar com um príncipe, que acabou de dizer que te dar o mundo. Felicidade, seja bem-vinda à minha vida!” Concluía Ana enquanto o banho seguia a relaxando.

Logo Ana estava pronta para o passeio surpresa que Mark a havia prometido. E naquele dia tinha uma luz diferente que emanava dela.

– Uau! Essa mulher maravilhosa é minha! Sempre foi linda, mas hoje tem algo especial em você. Disse Mark ao ver Ana pronta.

– Sim! Sou toda sua. E esse algo especial deve ter vindo com o seu pedido de casamento. Você é o amor da minha vida Mark!

– E você o amor da minha! Disse ele a pegando no colo e a girando no ar.

– O que faremos? Perguntou ela retomando o ar e desamassando as roupas com as mãos.

– Vamos conhecer um pouco da história da minha família.

– Isso é demais! Você e história juntos. Meu coração vai explodir de felicidade.

Eles saíram de mãos dadas e um motorista os esperava na porta.

Mark levou Ana para conhecer a casa onde nasceu e viveu por quase 10 anos até ir viver na Hungria. O lugar pertencia à família real e estava sendo preparado para virar um museu que traria a história da linhagem real, desde o início da monarquia. Depois eles foram ver os castelos e as casas onde outros membros da família real viviam. Terminaram o dia visitando o principal museu de Londres.

Eles estavam jantando e foram abordados por algumas pessoas desejando felicidade para eles.

Durante o jantar Ana pensou em Sophie.

– Com o anúncio do nosso namoro, Sophie, que acabou de romper o noivado há pouco tempo, deve estar arrasada. Você tem notícias dela? Perguntou Ana surpreendendo Mark completamente.

– Você tem razão. Ela deve estar chateada. Mas Sophie nunca me amou. Ela estava em uma sociedade e não em um relacionamento. Pelo que eu soube, ela já está namorando um nobre inglês de uma família muito rica. E está passando um tempo na Austrália cuidando de um caso do escritório.

– Ela se recuperou rápido então.

– Ainda bem que sim! Quando ela vir o anúncio de nosso namoro certamente vai pensar algo como: “Eu sabia que tinha algo aí.” Ela desconfiava de você, muito antes de eu sentir qualquer coisa diferente por você

– Com certeza. Mulheres pressentem essas coisas. Disse Ana.

– Mesmo quando não existem?

– Pressentimento é sentir alguma coisa sobre algo que não existe ou ainda não aconteceu.

– Ah! Agora entendo! Disse ele sorrindo, achando graça de Ana. – Onde vamos nos casar? Onde quer realizar o nosso casamento? Perguntou Mark mudando de assunto completamente.

– Mark! Não tenho ideia. Não pensei nisso ainda. Não sei nem onde vamos morar. Você sabe? Riu Ana.

– Vamos precisar morar em Paris no ano que vem por causa do negócio que fechamos com os franceses. Pelo menos na primeira metade do ano. Aliás, precisamos começar a procurar uma casa por lá. Vou programar uma viagem e pedir a um corretor para separar alguns imóveis, depois do casamento da sua mãe.

– Isso parece muito legal! Vou adorar morar em Paris. E sobre o casamento, o que acha de nos casarmos na propriedade de Mad? Foi lá que tudo começou. Se você concordar, quero um casamento íntimo, para poucas pessoas.

– Acho que gosto muito da ideia. Você é demais Ana. Poderia escolher se casar em um castelo, mas escolhe o mais simples.

– Já tenho o príncipe, não preciso de castelo.

– Um conto de fadas moderno?

– Sim! E nossa lua de mel? Que tal finalmente irmos para a Capadócia?

– Podemos pensar sobre a Capadócia, mas eu tinha outros planos para a nossa lua de mel.

– Você já pensou até nisso?

– Sim senhora.

– E é claro que você não vai me contar. Está com aquela cara de “estou preparando uma surpresa.”

– Certa mais uma vez. Acho que já me conhece bem. Sei que não podemos parecer apressados, mas quero me casar logo Ana. Não temos porque esperar.

– Podemos tratar de apressar as coisas. Só não podemos seguir comendo desse jeito. Vou acabar engordando.

– E ainda assim, será linda.

Ela respondeu apenas com os olhos.

– Um brinde ao nosso futuro. Propôs Mark.

– Com todo amor que enxergo nele. Complementou Ana.

– Pelos meus planos em um futuro muito próximo.

– Cheguei a ficar arrepiada Mark. Estou começando a ficar mal acostumada com as suas surpresas.

– Já te adianto uma coisa. Também posso ver o futuro.

– Não me diga! E o que vê? Perguntou Ana, achando graça, mas realmente curiosa.

– No primeiro dia do ano, vejo um homem ajoelhado te dando um anel de noivado.

Ana ficou sem ar. Uma onda de amor e felicidade invadiu o corpo dela.

– E eu posso ver essa mulher tão feliz que vai ser capaz de flutuar como se tivesse criado asas, a ponto de os pés dela não tocarem o chão.

– Ah Ana! Aí está a poesia que me conquistou de todas as maneiras. Inclusive das maneiras que nunca imaginei que seria conquistado. A poesia que vem com você.

Ana ficou sem fala. Mark parecia se revelar para ela de uma maneira que ela nunca imaginou que seria possível.

– Mark, as pessoas passam a vida procurando a felicidade e acho que você acabou de definir bem o encontro.

– Qual seria? Perguntou curioso.

– No momento em que somos capazes de ver poesia nas coisas.

E assim, eles terminaram aquele jantar.

Na hora de dormir, Ana olhava para o teto, enquanto Mark dormia. A insônia já não a amedrontava mais. Ela queria ficar acordada para viver aquele sentimento incrível que tomava conta dela. Ela se sentia segura ali. Mark era tudo que ela precisava para poder seguir em frente e desbravar a vida que ela sempre quis. Ela se sentia mais pronta do nunca para a felicidade. E a poesia que tinha capacidade de enxergar ao redor com frequência em sua vida, de repente estava em outro lugar e Ana sentia que começava a viver dentro dela.

“Minha vida virou poesia!” Pensava ela. E um grande sorriso tomou conta do rosto dela, de maneira involuntária, obedecendo ao comando do seu coração, que naquele momento tinha certeza absoluta que tinha encontrado o seu lugar.

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