Lara treinava suas falas e tentava controlar seu nervosismo enquanto Rodrigo a olhava encantado, sem tirar os olhos dela.

– Oi! Bom dia! Disse Lara ao chegar, dando um rápido beijo no rosto dele.

– Bom dia! Ele respondeu. – Vamos tomar um café? Temos tempo. E o café daqui é delicioso.

– Vamos!

Eles foram para um café grande e charmoso, que ficava dentro da sala de embarque do aeroporto. Rodrigo foi buscar os cafés e ela ficou sentada em uma mesa cercada por muitas pessoas, pois o lugar estava lotado. Ela observava o intenso vai e vem, enquanto se perdia em seus pensamentos tentando achar a melhor maneira para ser ela mesma e deixar de se preocupar tanto em gerar a melhor impressão possível. “O que esse homem faz comigo? Parece que tenho dificuldade em ser eu mesma. Quero a Lara que beijou ele e o dispensou na noite do ano novo. Aquela é a verdadeira Lara! A mulher com personalidade forte e dona da própria vida. Cadê você Lara? Que insegurança tola. Ele é só um homem lindo, alguns anos mais velho e mais bem sucedido do que você. Por que essa dificuldade em lidar com isso? Gente, não entendo esse homem. E isso me desestabiliza. Em um momento flerta comigo no elevador e no outro me trata de maneira totalmente formal e profissional na sala de reuniões. Fica muito difícil saber me comportar. Ele é tão sério. Tão profissional e ao mesmo tempo tão divertido e tão sedutor. Vou enlouquecer assim. Preciso da verdadeira Lara de volta. Aquele que não se abala e que não precisa de nada, além dela mesma para ser feliz. Aquela que sempre sabe o que dizer e não se importa tanto com o que os outros pensam. Aquela Lara decidida, que sempre vai atrás do que quer com determinação. Aquela que não fica esperando que os outros façam. Aquela que toma iniciativa. Por que fico medindo as palavras para falar com ele? Porque tenho tanto medo de não ser aceita ou admirada por ele? Acho que estou amando esse homem meu Deus. O que será do meu emprego? O que esse homem está fazendo comigo? Ela ria de si mesma e de suas tomadas de decisão mentais quando Rodrigo chegou com uma bandeja, trazendo café expresso acompanhados de pães de queijo, para os dois.

– Esse café é delicioso. É de uma marca colombiana que tem cafés premiados no mundo todo. Ele disse dando um longo gole, sem colocar açúcar.

– Preciso aprender a tomar café sem açúcar. Ela disse sem pensar, abrindo um saquinho de açúcar.

Ele riu.

– Você é divertida Lara.

– O que eu fiz de divertido?

– Sua resolução de não usar açúcar, enquanto abria um saquinho de açúcar. Achei graça.

– Preciso ser mais determinada. Ela disse de maneira totalmente espontânea, dando um gole no seu café.

Ele riu de novo. “Que mulher incrível.” Rodrigo pensou admirando Lara enquanto ela bebia o café.

– Hum! Esse café premiado merece os prêmios. Realmente uma delícia. Acho que esse eu consigo tomar sem açúcar.

– Bom né? Ele disse animado ao vê-la bebendo.

– Uma delícia! Ela respondeu.

– Preciso te levar a um lugar que tem um café incrível lá em Buenos Aires.

– Vamos. Ela respondeu sem jeito. – E vamos ver se o argentino supera esse colombiano.

– E também vou te levar em um restaurante argentino, bem tradicional, para comer um assado típico e tomar um vinho delicioso produzido pelo próprio restaurante.

– Adoro vinho! Queria entender mais sobre vinhos. Ela disse.

– Eu tinha muita curiosidade sobre vinhos. Minha paixão por vinho começou durante uma viagem para Mendonza na Argentina. Voltei de viagem e fiz um curso de somelier. Eu adoro vinho também. Tomei poucos vinhos tão bons como esse produzido pelo restaurante. Será um prazer leva-la lá.

– Você é um somelier? Ela perguntou admirada.

– Sim! Ele confirmou constrangido. – Está animada com as possibilidades que a viagem vai trazer para o projeto? Ele perguntou mudando de assunto.

– Super animada. Ela respondeu achando graça. “Você nem imagina!” Ela pensava, achando ainda mais graça. – E você?

– Muito animado! Acho que traremos boas coisas da Argentina. Ele disse, ficando sem graça, temendo que ela pensasse que ele falava deles dois. – Para o projeto, quero dizer.

Ela achou graça. Rodrigo falava bem e sempre com muita firmeza. Era a primeira vez que ela o via falando com reticencias e reforçando algum ponto que podia não ter ficado claro.

– Pode contar comigo para encontrar todas essas coisas incríveis.

– Estou contando. Ele respondeu, no momento em que o voo deles foi anunciado. – Precisamos ir! Ele disse animado.

– Vamos! Ela respondeu igualmente animada.

Eles entraram no avião e estavam sentados lado à lado na primeira fileira de poltronas.

Eles se sentaram em suas poltronas e Lara sentiu seu corpo se arrepiar.

“Vou ficar colada nele assim por três horas. Será que teremos assunto para tudo isso? Eu não dormi nada. Não posso dormir. Ele não pode me ver dormindo aqui. Imagina se abro a boca. Eu sempre abro a boca quando durmo no avião.” Ela pensava e ria sozinha de seus pensamentos.

– O que você acha que essa senhora está indo fazer na Argentina? Rodrigo perguntou tirando Lara de seus pensamentos.

Sem pensar ela respondeu:

– Acho que ela está voltando para casa. Veio visitar o neto que nasceu. O filho argentino casou com uma brasileira e veio morar aqui.

– Você é demais Lara! A maioria das pessoas responderia: Sei lá.

– E esse cara sozinho de camisa azul? Ela perguntou, entrando na brincadeira dele.

– Ele está viajando a trabalho. Vai para a reunião de diretores da multinacional que acontece cada mês em um país.

– Me convenceu! Ela respondeu rindo. – Eu sempre fico pensando nisso. Fico imaginando os motivos que fazem as pessoas estarem viajando. Sempre! Achei divertido exercitar isso com você.

– Eu também sempre fico me perguntando o que as pessoas estão indo fazer. É minha distração até que o avião decole.

– Temos algo em comum! Ela disse euforia, sem pensar.

– Acho que temos muito em comum Lara. Ele respondeu de maneira sexy.

– Você acha? O que mais temos em comum?

– Gostamos de vinho e de café. Gostamos de resolver problemas e propor soluções. Gostamos de passar o ano novo na praia.

Ela gelou, se lembrando do início daquela história deles.

– Mas você toma café puro e eu com açúcar. Ela brincou querendo desviar o assunto do beijo.

– Sim! E eu gosto de passear à noite na praia e você aparentemente não.

Ela engoliu em seco.

Ele riu.

– Você é engraçada Lara.

– E você tem uma boa memória.

Ele riu.

– Posso te perguntar uma coisa? Ele perguntou.

– Sim! Claro. Qualquer coisa.

– Naquele dia que nos encontramos no elevador, no dia seguinte da sua festa de aniversário, eu disse que conseguia sentir seu beijo no meu rosto até aquele momento. E você disse que achava que seu sentia porque o beijo tinha sido carregado de alguma coisa que você não especificou. Me lembro de estar ansioso por sua resposta quando e elevador se encheu de gente conhecida. Você não terminou a frase. Do que aquele beijo foi carregado?

Ela respirou fundo. “Meu Deus! Ele se lembrou disso. Ela pensava desesperada, sem ter ideia do que dizer para ele.

– Acho que sentia porque foi carregado de…

E nesse momento uma senhora interrompeu a conversa deles, cutucando Rodrigo.

– Desculpe interromper, mas não consigo colocar minha mala aqui em cima. O senhor poderia me ajudar?

– Claro! Ele respondeu se levantando.

Lara sentiu um tremendo alivio. “Quero dar um abraço nessa senhora.”

– Escapou mais uma vez. Mas não vou desistir de saber. Ele disse voltando ao seu lugar, falando de maneira muito charmosa.

– O que você acha que essa senhora está indo fazer na Argentina? Lara perguntou mudando de assunto.

– Você é demais Lara. Acho que ela está indo visitar o filho. Ele se casou com outro homem. O pai não aceita que o filho seja gay, mas a mãe segue amando e apoiando o filho e vai visita-lo sempre.

– Gente! Essa foi a melhor resposta. Amei brincar disso com você. Ela disse, se derretendo.

O avião decolou e uma eletricidade se instalou entre Lara e Rodrigo. Eles passaram a viagem inteira conversando sobre os mais variados assuntos. Lara sentia uma enorme alegria ao pensar que teria cinco dias com ele e que seriam somente eles dois. Ela ficava feliz de pensar que teria Rodrigo só para ela e que ela não precisaria se encher de café para ter pretextos para se encontrar com ele ao acaso pelos corredores da empresa.

O voo foi tranquilo e mal conseguiram perceber que o avião tocou o solo. Rodrigo ajudou a senhora que tinha ajudado antes a descer sua mala do bagageiro e Lara se encantava cada vez mais com o jeito de Rodrigo. Ele se mostrava cada vez mais interessante. Ele era gentil, divertido, inteligente e cheio de simplicidade, sem formalidades, deixando todos à vontade perto dele e arrancando sorrisos por onde passava. Além de ser muito bonito.

Na sala de desembarque tinha um motorista carregando uma placa com o nome de Rodrigo.

– Ali! Temos carona. Vamos passar no hotel, deixar as malas e seguimos para nossa primeira reunião na hora do almoço. Ele disse animado.

– Vamos!

Eles entraram no carro e Lara se sentia empolgada. Era a primeira vez que ela visitava a Argentina e sempre que conhecia um país novo ela ficava muito empolgada.

Ela olhava pela janela encantada e seus pensamentos estavam longe quando Rodrigo a tirou de seus pensamentos.

– Está tudo bem? Ficou distante.

– Estou muito bem. É a primeira vez que venho para cá. Estou contemplando a paisagem.

– É sua primeira vez aqui?

– Sim! Nunca tinha vindo para cá.

– Então vou me esforçar para fazer dessa viagem algo incrível para você.

– Já está sendo. Ela respondeu.

Eles chegaram no hotel e foram para os quartos deixar as malas. Os quartos eram um do lado do outro. Lara tremeu com a possibilidade de dormir tendo apenas uma parede entre eles. Ela estava terminando de retocar a maquiagem quando Rodrigo bateu na porta.

Ela abriu.

– Vamos? Ele disse.

– Sim! Estou pronta.

Eles entraram no elevador e novamente uma eletricidade tomou conta deles.

Lara respirou fundo.

– O que será que os elevadores tem? Rodrigo perguntou achando graça da situação.

– Não faço a menor ideia. Mas que eles tem alguma coisa tem. Ela respondeu.

– Ah Lara. Ele disse se aproximando dela.

Ele chegava perto dela quando o elevador parou para alguns hospedes entrarem.

Lara voltou a respirar.

“Meu Deus! O que está acontecendo comigo?” Ela se perguntava enquanto seu coração batia acelerado.

O elevador abriu e Lara tinha a sensação que podia voltar a respirar.

Eles entraram no taxi e foram para suas reuniões de trabalho. Passaram o dia super concentrados nas pesquisas que tinham ido fazer. Conversaram com várias pessoas e visitaram uma fábrica gigantesca que produzia vários tipos de produtos de beleza.

Lara já se arrastava, quando o sol se pôs e chegou a noite. Ela se lembrou da noite mal dormida, tamanha era a sua ansiedade para a viagem, e depois daquele dia intenso, ela tinha a sensação que tinham se passado três dias.

Eles terminaram a última reunião e caminharam em direção ao taxi em silêncio.

– Muito cansada? Ele perguntou.

– Um pouco! Mas valeu a pena! Que dia produtivo.

– Foi mesmo! Você é muito competente Lara.

– Obrigada Rodrigo! Amo muito que eu faço.

– Dá para perceber. Quero muito te levar para jantar. Você topa ou prefere ir dormir?

– Quero muito ir jantar com você. Ela disse lutando com a sua sensatez.

– Eba! Vou te levar no meu restaurante preferido.

– Estou com altas expectativas.

Eles chegaram no restaurante e Lara ficou encantada. Ela se sentia na Argentina, pela primeira naquele dia. Lara foi ao banheiro retocar a maquiagem e se assustou quando se olhou no espelho. O batom estava só em parte da boca, estava com olheiras e o cabelo já não parecia tão limpo. Ela lavou o rosto e prendeu o cabelo em um coque. Passou um hidratante do rosto, retocou o batom e a máscara de cílios e passou perfume.

Ela voltou para a mesa e encontrou Rodrigo mais charmoso do que nunca. Ele tinha dobrado as mangas da camisa e aberto dois botões de sua camisa. O ar descontraído de Rodrigo levou os pensamentos de Lara direto para a noite de ano novo na praia, em que eles se beijaram. E nesse momento seu corpo voltou a se arrepiar.

Eles jantaram, beberam muito vinho e se divertiram. Conversaram como se se conhecem há muitos anos.

Eles voltaram para o hotel e Lara seguia grata por ter todo tempo do mundo com ele.

Chegaram no hotel cansados, mas com vontade de seguir um em companhia do outro.

Eles entraram no elevador e começaram a rir.

– O que os elevadores tem? Rodrigo perguntou.

– Não sei. Mas tem alguma coisa.

Ele começou a se aproximar dela, mas parou. Parecendo ponderar sobre o certo e o errado.

E Lara entrou em pânico. “Não posso beijar ele. Ele é meu cliente. Estamos bêbados. O que vou fazer amanhã se beijar ele hoje?” Ela pensava enquanto ele seguia se aproximando lentamente. “Mas eu quero tanto beija-lo.”

E no meio do impasse de Lara e Rodrigo o elevador chegou no andar deles.

Eles saíram do elevador e diminuíram o ritmo da caminhada até o quarto. Eles não queriam se despedir um do outro.

“Eu não quero que esse dia acabe.” Lara pensava enquanto caminhavam.

Quando chegaram na porta do quarto de Lara, ele se aproximou dela.

– Boa noite Lara! Obrigado pelo dia. Ele disse se aproximando dela.

“Não vou resistir a esse homem.” Ela pensava.

Ele chegou perto da bochecha dela e encostou ela na porta do quarto dela. Totalmente entregue, ela deixou que ele chegasse. Ele beijou o rosto dela e sem se distanciar, encostou a boca dele na boca dela. E eles finalmente se beijaram de novo.

CONTINUA…

O CAPÍTULO 17 SERÁ PUBLICADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

Capítulo 16 – Não quero que esse dia acabe

Sabrina Almeida


Sou mãe, filha, esposa, mulher, amiga, confidente, conselheira. Sonhadora, determinada e realizadora. Organizada, mas com um que de caótica. Apaixonada pela vida e pelas pessoas. Intensa! Publicitaria, trabalho desenvolvendo produtos e marcas para deixar as pessoas mais bonitas e felizes. Escrevo porque amo escrever. Minha cabeça está sempre repleta de sonhos e devaneios. Sigo sempre meu coração. Hoje penso mais antes de tomar uma decisão. Encontrei a FELICIDADE, assim todinha maiuscula, nas coisas simples da vida. E escrever é uma delas. Enquanto as pessoas vão para a academia, fazem trilhas, tocam instrumentos musicais, cozinham… Eu escrevo! Esse é o meu hobbie… Escrevo para traduzir o que está no meu coração, sem regras, métodos ou filtros. Escrevo porque me inspira e me faz feliz. Acredito que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de sonhos e devaneios. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: “quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?” E a minha resposta é como vou concluir minha apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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