Passamos muito tempo planejando nossas grandes conquistas e as grandes mudanças de nossa vida, pelo menos aquelas que dependem 100% da gente e que não são trazidas ao acaso, não nos dando chance para pensar. Para as mudanças planejadas, o processo de planejamento em si nos coloca uma tremenda expectativa sobre a realização. Essa enorme expectativa nos faz buscar mais planejamento do que a realização em si. Por isso, muitas vezes não saimos do planejamento e adiamos o começo por puro medo. Medo de não dar certo ou medo de não conseguir. E por causa do medo acabamos não começando.

Começar é necessário. Começar, mesmo sem ter tudo que precisamos para realizar nossos planos e sonhos. Porque toda realização só é possível se começamos.

Há 8 meses eu comecei a escrever uma história com o compromisso de postar um novo capítulo toda sexta-feira até o último capítulo. A ideia era criar uma história leve, que divertisse as pessoas e ajudar a comemorar a chegada da sexta-feira. Eu sabia sobre o que eu ia escrever, mas não tinha ideia de como escreveria e muito menos se minha imaginação me permitira escrever um final para a história. O fato é que sem ter certeza de nada, postei o primeiro capítulo, prometendo que em uma semana postaria o capítulo 2. A sensação foi muito boa, afinal eu tinha começado a contar a minha história, mas também me deixou extremamente insegura porque eu tinha um compromisso e não tinha a menor ideia de como iria cumprir, porque afinal eu tinha uma ideia, mas ainda não tinha a história. O fato é que deu certo, mesmo com todo o medo. Eu escrevi o último capítulo da história e algumas pessoas se envolveram com a história durante o processo, e assim foram me inspirando e me ajudando a chegar ao fim. De alguma maneira, meu plano deu certo. Ainda bem que publiquei aquele primeiro capítulo. No momento eu me senti como se eu fosse atravessar o mundo em um barco a remo, como fez Amyr Klink em 100 dias entre o céu e o mar. Depois de muito tempo planejando, de repente o barco estava na água e já não dava mais para voltar. A primeira pergunta é: Será que eu já estou pronta mesmo para isso? Acredito que nunca não vamos nos considerar totalmente prontos. Da mesma forma que ele concluiu sua travessia, mesmo com muitas coisas inesperadas no caminho, eu também conclui a minha história.

A travessia só é possível se jogarmos o barco na água.

Se racionalizarmos demais provavelmente nunca vamos viver as grandes delícias da vida. Não teremos filhos, não casaremos, não tiraremos férias, não vamos comprar uma passagem só de ida para qualquer lugar, não mudaremos de emprego, não começaremos nosso próprio negócio e não contaremos a nossa história. Por que ao racionalizar pensamos nos problemas que podemos ter pelo caminho. Porque a cada escolha, fazemos uma renuncia e o medo de a troca não ser boa pode acabar nos paralisando numa vida que parece perfeita. Mas não é. Se fosse perfeita, não estaríamos cogitando a mudança.

São os problemas inesperados, que certamente farão parte da nossa travessia, que nos paralisam. Mas é preciso passar pelo medo porque depois de concluida a travessia a sensação de realização é uma das mais doces que podemos experimentar.

Além de começar, ainda tem o mais difícil, que é o recomeçar. Depois de uma perda importante, de uma separação ou depois de algo ter dado errado, precisamos começar de novo. Porque sempre temos a opção de começar de novo e planejar uma nova vida. Mas esse planejamento demanda urgência, pois esse recomeço é o que vai nos fazer encontrar de novo com a felicidade. Mesmo no difícil recomeço, começar é preciso.

A felicidade não nos espera para sempre e ela também não aceita desaforos. As grandes oportunidades são únicas e certamente podem nos levar ao lugar dos sonhos.

Tem momentos na vida que mudar é preciso e toda mudança pede um começo, da mesma forma que a realização de um sonho só acontece se começarmos a vive-lo.

Mesmo que tudo dê errado, sempre é possível começar de novo e isso em si, deveria ser o suficiente para nos encher de coragem para viver nossos sonhos e nossas mudanças. Para nos fazer começar.

O medo é bom para nos fazer começar direito e saber o que fazer quando as coisas não acontecerem exatamente como o planejado, mas é preciso vencer o medo para enxergar a beleza do outro lado.

Coração

É Preciso Começar

Sabrina Almeida


Eu sou a Sabrina, mãe do Gabriel de 17 anos e do Guilherme e do Rafael de quase 8 meses, mulher do Alessandro. Para me apresentar, vou descrever as coisas que mais me fazem feliz, porque para mim, essa é a principal maneira de conhecer uma pessoa. E felicidade é o principal assunto desse blog. Ver o sorriso dos meus filhos no final do dia é o que mais me faz feliz. Não importa o quão difícil tenha sido o dia, os sorrisos dos meus filhos me fazem entender o que realmente importa e todas as angústias que ocupavam meu coração, de repente se evaporam e perdem completamente a importância. Olhar meu marido cuidando dos meus filhos e sentir que ele me ama com o melhor e o pior de mim, me faz feliz. Acalma meu coração, que antes era cheio de perguntas sobre ter realmente encontrado o amor e a pessoa certa. Ver meu marido amando os nossos filhos me dá a plena certeza de que tudo vai dar certo. De que nunca estarei sozinha. Que terei alguém ao meu lado para dividir o lado bom e o ruim da vida. Amar o que eu faço me faz muito feliz. Desde muito pequena eu sabia o que queria ser quando crescesse. Eu queria fazer coisas bonitas para as pessoas! Hoje eu trabalho todos os dias para fazer coisas bonitas para as pessoas. Ter minha mãe me apoiando no cuidado com os meus filhos me faz feliz. Ela faz as papinhas com a maior dedicação do mundo, dá dicas e conselhos preciosos, ajuda nas tarefas repetitivas e exaustivas do dia a dia. Ela dedica seu tempo mais precioso para mim e para minha família. Ter fé me faz feliz. Enxergar Deus nas coisas que são vivas, ver poesia no dia a dia, me sentir abençoada e protegida. Ter certeza de que tudo tem um propósito. Ter mais para agradecer do que para pedir. Ter muito o que celebrar. Ter a certeza de que tem algo, com uma força inimaginável, cuidando de mim e da minha família, me faz incrivelmente feliz. Tem muitos pequenos prazeres, pequenos luxos, muitos momentos de rir de perder o fôlego, que ajudam a complementar essa sensação de felicidade. Felicidade, que para mim, está nas coisas simples da vida. Ainda bem que descobri cedo, que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de dedicação. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: "quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?" E a minha resposta é como vou concluir esse post de apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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