Tudo muda o tempo todo. A vida muda. O mundo muda. A gente muda. As pessoas mudam. Na maior parte das vezes as mudanças acontecem porque queremos e em outras de maneira totalmente inesperada. Inevitavelmente as mudanças acontecem e sempre nos adaptamos à elas. Algumas vezes em uma rápida adaptação e em outras nem tanto.

Um dia acordamos e no meio da rotina cronometrada da manhã, nos deparamos com um layout novo da página do jornal. Ele está de fato mais bonito e deve estar mais simples de navegar por ele, ou seja, a mudança deve fazer sentido. Mas o fato é que nenhuma beleza nos convence de que aquela mudança teve algo de positivo. Porque afinal estava tudo fora do lugar. O jornal que tomava pouco menos de 10 minutos do tempo, estava demandando uma eternidade de tempo e se tornou impossível de ser lido até o fim, pelo simples fato de terem mudado toda a forma de demonstração a qual estávamos completamente acostumados. E essa mudança tão radical nos faz xingar o jornal, o dono da ideia, a vida. Nervosos, seguimos parte da manhã nos questionando por que afinal tinham mudado algo que estava tão bom e que funcionava bem e que agora não funcionava mais. Em poucos dias o velho jornal ao qual estávamos habituados vai, como mágica, ficando para trás e finalmente nos acostumamos ao novo layout. O mesmo acontece com o layout das páginas sociais, os sistemas operacionais de computadores, os smartphones ou o menu da televisão. A tecnologia vai demandando mudança e com isso, nos demandando sair da zona de conforto e nos adaptarmos ao novo.

A urgencia é latente no mundo em que vivemos e acaba trazendo tantas mudanças, que mal nos adaptamos à algumas coisas e elas já estão mudando de novo. E assim seguimos a vida, correndo atrás da mudança para não ficarmos obsoletos. De alguma maneira tudo fica obsoleto. A tecnologia, o design, a maneira de se comunicar e se relacionar, a maneira de educar os filhos.

A forma em que fomos criados ficou obsoleta e de repente tudo que funcionou com a gente parece não funcionar mais com nossos filhos. As fórmulas caseiras, as formas de tratar uma gripe, tudo mudou. Fico me perguntando, depois de tanta mudança em relação a como tudo funcionava: Como nós sobrevivemos?

Para sobreviver é preciso se adaptar e algumas vezes provocar as mudanças.  

Muitas vezes a vida pede mudança. Como diz a famosa frase de Fernando Pessoa: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Há um tempo em que é preciso tentar novos caminhos, colocar o barco na água e fazer a travessia, sem olhar para trás. Há tempos de encarar novos caminhos, afinal é impossível chegar a novos lugares fazendo sempre o mesmo caminho.

Não há felicidade eterna e nem tristeza que dure para sempre, porque a vida muda, a gente muda, as coisas que nos cercam mudam. Tudo tem seu ciclo e é preciso aproveitá-los ao máximo. Porque de repente tudo muda. Pessoas queridas desaparecem para outras chegarem, uma nova função no trabalho nos presenteia com novas perspectivas e possibilidades, descobrimos um novo amor ou uma nova forma de amar. Por isso, ainda bem que tudo muda. Nessas novas descobertas e gratas surpresas, está uma das grandes graças da vida, que nos faz sentir vivos, que nos demanda coragem, mas que nos entrega a felicidade durante o caminho.

“Quando os ventos da mudança sopram, algumas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.”* Mude, aceite a mudança, tenha coragem de mudar quando for preciso, de abandonar as roupas usadas que já tem a forma do nosso corpo. A gente sempre sabe a hora de mudar ou aceitar as mudanças. Construa moinhos de vento, porque depois de vencido o medo ou a desconfiança, sempre descobriremos beleza do outro lado.

Coração

*Frase de Erico Verissimo

Ficar obsoleto ou mudar?

Sabrina Almeida


Eu sou a Sabrina, mãe do Gabriel de 17 anos e do Guilherme e do Rafael de quase 8 meses, mulher do Alessandro. Para me apresentar, vou descrever as coisas que mais me fazem feliz, porque para mim, essa é a principal maneira de conhecer uma pessoa. E felicidade é o principal assunto desse blog. Ver o sorriso dos meus filhos no final do dia é o que mais me faz feliz. Não importa o quão difícil tenha sido o dia, os sorrisos dos meus filhos me fazem entender o que realmente importa e todas as angústias que ocupavam meu coração, de repente se evaporam e perdem completamente a importância. Olhar meu marido cuidando dos meus filhos e sentir que ele me ama com o melhor e o pior de mim, me faz feliz. Acalma meu coração, que antes era cheio de perguntas sobre ter realmente encontrado o amor e a pessoa certa. Ver meu marido amando os nossos filhos me dá a plena certeza de que tudo vai dar certo. De que nunca estarei sozinha. Que terei alguém ao meu lado para dividir o lado bom e o ruim da vida. Amar o que eu faço me faz muito feliz. Desde muito pequena eu sabia o que queria ser quando crescesse. Eu queria fazer coisas bonitas para as pessoas! Hoje eu trabalho todos os dias para fazer coisas bonitas para as pessoas. Ter minha mãe me apoiando no cuidado com os meus filhos me faz feliz. Ela faz as papinhas com a maior dedicação do mundo, dá dicas e conselhos preciosos, ajuda nas tarefas repetitivas e exaustivas do dia a dia. Ela dedica seu tempo mais precioso para mim e para minha família. Ter fé me faz feliz. Enxergar Deus nas coisas que são vivas, ver poesia no dia a dia, me sentir abençoada e protegida. Ter certeza de que tudo tem um propósito. Ter mais para agradecer do que para pedir. Ter muito o que celebrar. Ter a certeza de que tem algo, com uma força inimaginável, cuidando de mim e da minha família, me faz incrivelmente feliz. Tem muitos pequenos prazeres, pequenos luxos, muitos momentos de rir de perder o fôlego, que ajudam a complementar essa sensação de felicidade. Felicidade, que para mim, está nas coisas simples da vida. Ainda bem que descobri cedo, que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de dedicação. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: "quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?" E a minha resposta é como vou concluir esse post de apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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