Conheço muitas histórias que tinham tudo para serem tristes, mas tiveram finais felizes. O que mostra que grande parte do encontro da felicidade está na nossa capacidade de começar de novo. E também como as pessoas que superam seus dramas pessoais se tornam pessoas inspiradoras.

Ela tem 61 anos e passou a vida se dedicando à sua família. Abdicou de todos os seus sonhos pessoais para viver o seu grande sonho de ser mãe. Renunciou à sua carreira, a alguns amigos e também à algumas convenções sociais. Se viu sozinha, completamente sozinha, depois que o marido morreu muito jovem. No momento em que as 2 filhas, para quem ela se dedicou tanto, estavam indo viver suas vidas e voar seus vôos solos. Parecia que a vida tinha acabado e ela só tinha 44 anos. Mas ela entendeu que só precisava recomeçar. Juntar os cacos, colar e esperar a cola secar. E aos poucos, ela foi se acostumando com a nova rotina e marcando encontros com ela mesma. Reencontros, melhor dizendo. Com o passar do tempo as filhas se casaram e tiveram seus filhos. E então, ela vivia sozinha, mas cercada de muito amor. A cada fase ela ia aprendendo como viver da maneira mais feliz que ela poderia. E de repente, depois de tanto buscar seu caminho e seu espaço, ela encontrou na nova vida sua melhor versão. Está bonita, feliz e sua saúde é de uma menina. Ela viajou para lugares próximos, conheceu muitos lugares e percebeu que tinha fome de mundo. Fez o passaporte com 60 anos para que sua busca por conhecimento e diversão não tenha qualquer limite demografico. Renovou a carteira de habilitação e voltou a fazer aulas de direção depois de 30 anos sendo levada pelos outros aos lugares onde queria ir. Ela decidiu, que quer ir onde quiser, sem depender de ninguém.

Assim como ela, todos nós vivemos aprendendo a recomeçar.

Há quem fique muito perdido depois de uma grande perda, acreditando que a vida acabou, mas cedo ou tarde descobre que só existe um caminho a seguir. Independente de qualquer coisa, vamos seguir em frente, porque esse é o único caminho possível. E quando caminhamos, a vida vai voltando aos eixos e a saudade se transformando, de dor em lembranças que fazem a vida valer a pena. E o que parecia impossível começa a acontecer. As cores voltam para a vida e nos abrimos para novas experiências e nesse momento, experimentamos a felicidade de novo. O doce gosto da felicidade.

Os filhos crescem e vamos aprendendo diarimente a ser pais. A cada fase, pais novos, com preocupações novas e um amor ainda maior. De repente, como num piscar de olhos, os filhos cresceram e a bagunça deu lugar à ordem, o barulho ao silêncio e vamos adaptando os espaços que eles vão deixando de ocupar para guardar outras coisas. Esses são os sinais, de que logo, eles vão se mudar para seu novo lugar e deixar para trás um vazio no nosso coração que talvez nunca mais tenhamos capacidade de ocupar. Porque ocupar o quarto e o guarda-roupas é fácil. Difícil é preencher o vazio que deixam em nossos corações. Mas ainda assim, seguimos em frente. Nos adaptamos ao novo espaço e a vida vai ganhando cor de novo à medida que eles estão felizes com sua independencia. Conseguimos até sentir um certo alívio que vem com a sensação de trabalho bem feito e dever cumprido.

Nossa carreira se torna uma grande responsabilidade à medida que as contas ficam maiores e muitas pessoas dependem de nós, à medida que o tempo passa e vamos abrindo mão dos nossos sonhos em nome do salário no final do mês. É comum termos medo de perder nossos empregos em tempos de crise ou seguirmos infelizes em nome da estabilidade financeira.

O tempo não pára. Não importa qual o tamanho da perda, da saudade ou do quanto estamos perdidos, o relógio segue andando, a terra segue girando e as noites seguem ficando claras ao raiar do dia. Por isso é preciso coragem para juntar os cacos, colar e começar de novo. Não importa o que aconteça, a vida vai seguir em frente e a forma como seguiremos só depende de nós mesmos. O que não podemos aceitar é o medo que nos paralisa e não nos deixa sair do lugar. O medo que nos faz acreditar que somos menos capazes do que realmente somos e nos faz perder tempo onde não somos felizes. Não importa a idade, somos sempre capazes de nos reinventar e de começar de novo. Mesmo que sejam por novos caminhos. Mesmo que sejam por caminhos completamente desconhecidos.

Não importa o tempo ou a idade, nunca é tarde para começar de novo em busca da nossa felicidade. Porque ser feliz compensa qualquer busca. É sempre tempo de viver e ser feliz. É sempre tempo de começar de novo.

Coragem!

Coração

Nunca é tarde…

Sabrina Almeida


Eu sou a Sabrina, mãe do Gabriel de 17 anos e do Guilherme e do Rafael de quase 8 meses, mulher do Alessandro. Para me apresentar, vou descrever as coisas que mais me fazem feliz, porque para mim, essa é a principal maneira de conhecer uma pessoa. E felicidade é o principal assunto desse blog. Ver o sorriso dos meus filhos no final do dia é o que mais me faz feliz. Não importa o quão difícil tenha sido o dia, os sorrisos dos meus filhos me fazem entender o que realmente importa e todas as angústias que ocupavam meu coração, de repente se evaporam e perdem completamente a importância. Olhar meu marido cuidando dos meus filhos e sentir que ele me ama com o melhor e o pior de mim, me faz feliz. Acalma meu coração, que antes era cheio de perguntas sobre ter realmente encontrado o amor e a pessoa certa. Ver meu marido amando os nossos filhos me dá a plena certeza de que tudo vai dar certo. De que nunca estarei sozinha. Que terei alguém ao meu lado para dividir o lado bom e o ruim da vida. Amar o que eu faço me faz muito feliz. Desde muito pequena eu sabia o que queria ser quando crescesse. Eu queria fazer coisas bonitas para as pessoas! Hoje eu trabalho todos os dias para fazer coisas bonitas para as pessoas. Ter minha mãe me apoiando no cuidado com os meus filhos me faz feliz. Ela faz as papinhas com a maior dedicação do mundo, dá dicas e conselhos preciosos, ajuda nas tarefas repetitivas e exaustivas do dia a dia. Ela dedica seu tempo mais precioso para mim e para minha família. Ter fé me faz feliz. Enxergar Deus nas coisas que são vivas, ver poesia no dia a dia, me sentir abençoada e protegida. Ter certeza de que tudo tem um propósito. Ter mais para agradecer do que para pedir. Ter muito o que celebrar. Ter a certeza de que tem algo, com uma força inimaginável, cuidando de mim e da minha família, me faz incrivelmente feliz. Tem muitos pequenos prazeres, pequenos luxos, muitos momentos de rir de perder o fôlego, que ajudam a complementar essa sensação de felicidade. Felicidade, que para mim, está nas coisas simples da vida. Ainda bem que descobri cedo, que é simples ser feliz e que para isso é preciso uma boa dose de coragem, de sorte e de dedicação. Quando eu decidi escrever, uma pessoa me perguntou: "quem te garante que as pessoas vão se interessar pelo que você escreve?" E a minha resposta é como vou concluir esse post de apresentação. Vou escrever para tentar ajudar as pessoas a ver diferentes perspectivas, rir no meio de um dia difícil ou enxergar poesia no dia a dia. E se eu conseguir tocar o coração de pelo menos uma única pessoa, já terá valido à pena.


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