Qual é o preço da sua vida?

Se te perguntassem hoje: Quero comprar a sua vida, quanto custa? Você saberia a resposta?

Quanto custa poder tomar uma caipirinha em um quiosque na praia com o filho, em uma cidade em que ele está indo pela primeira vez? Quanto custa olhar para trás enquanto dirige e ver seus bebes gêmeos de mãos dadas. Quanto custa ver o por do sol, inteirinho, sem pressa? Ou ficar na cama com o seu amor não importando se é dia ou noite? Satisfazer uma vontade? Um beijo muito esperado? Poder assistir uma série de TV com mais de 20 temporadas com sua mãe e fazer disso um dos seus programas preferidos? Ter 6 afilhados? Poder segurar as mãos dos seus filhos? Realizar um sonho? Carimbar todo o passaporte? Mergulhar em um mar azul turquesa? Um oasis no meio do deserto? Definitivamente algumas coisas valem muito mais do que custam.

Vivemos em um mundo cheio de desigualdades e inversão de valores. Onde o ter passou a ser mais importante do que o ser. Onde passamos 5 dias trabalhando e somente 2 descansando (na normalidade do padrão do dia a dia) e mais horas no escritório do que realmente aproveitando a vida. Tem um trecho de uma musica que diz: “desejo que você tenha dinheiro, mas que nunca deixe de saber quem é o dono de quem.” Parece que o dinheiro é quem manda em nós. Tudo custa! Comer, ter eletricidade, água. E ganhar dinheiro para pagar por tudo isso custa ainda mais. As contas referentes à infra-estrutura da nossa vida são mensuráveis. Renunciar estar com nossos filhos e vê-los crescer, renunciar os sonhos, a liberdade, el dolce far niente, o tempo somente com nós mesmos, os pequenos prazeres diários e a indulgência dos grandes prazeres, em nome do financiamento da infra-estrutura básica da vida, pode trazer enormes prejuizos, porque aquilo que estamos renunciando não tem preço! E fica difícil fazer a conta quando é impossivel saber o tamanho do debito.

Sou abençoada porque aprendi a fazer a conta. Aprendi a não demorar onde eu não posso amar. Aprendi a fazer a conta, mesmo quando elas não são exatas ou precisas.

Tenho tentado fazer essa conta diariamente. E ela tem me mostrado que é preciso fazer escolhas, eleger prioridades. Afinal nosso tempo é limitado aqui na Terra e ainda mais limitado é o nosso tempo diário. Por isso, eu escolhi ser feliz. Me permitir pequenos prazeres e indulgencias. Tirar fotos somente se tenho vontade. Me esforçar para registrar na memoria e no coração os meus momentos inesquecíveis. Buscar a felicidade na simplicidade da vida, como assistir um por do sol inteiro sem pressa, conversar sobre a vida com o meu filho ou ficar observando meus bebes enquanto dormem. Preciso aproveitar meus filhos agora, porque eles vão crescer. Claro que nem sempre consigo ver o lado brilhante da vida. Nem sempre tenho paciencia para os filhos ou para esperar pelo o que for melhor acontecer. Nem sempre consigo aquietar a mente e ainda me dedico muito ao meu trabalho. Ainda tenho um longo caminho para percorrer na minha busca pela felicidade, mas já comecei! E o importante é começar.

Esse caminho começou por buscar as maiores gratidões ou presentes da minha vida, porque isso me fez entender o que era de fato importante.

O dia em que meu coração começou a acelerar sem motivo me despertou para uma necessidade de paz e silencio que nunca tinha tido qualquer prioridade na minha vida. Era inimaginável para uma pessoa eletrica como eu sentir falta de sossego. Tive síndrome do panico, que para mim teria uma descrição melhor se fosse síndrome do desespero. O coração disparava sem motivo e eu não tinha o menor controle sobre isso. Não controlava o inicio e ainda menos o fim. As mãos suavam. A vontade era de correr. Me curar dessa síndrome, me mostrou o beneficio da tranquilidade. Foi um grande presente aprender a aquietar a mente e parar de correr. Viver sem pressa. Estar tranquila, podendo não fazer absolutamente nada. Ganhei a tranquilidade e a famosa paz de espirito, que até então, eu não fazia ideia que existia.

Esse presente me deu outro presente. Aproveitar el dolce far niente. Felicidade instantânea conseguida através da equação de sentir prazer sem culpa. E a partir daí os pequenos prazeres diários preencheram minha vida de significado e meu coração de certezas de que eu tinha feito as escolhas certas.

Tive outros presentes muito importantes vindos dos meus pais. Meu pai me ensinou a ser correta e independente e ainda, que o benefício disso seria poder deitar todos os dias a minha cabeça no travesseiro e dormir sem culpa. Ele nem sabe disso, mas aprendi que uma cabeça deitada em um travesseiro sem culpa, tem muito mais tempo e espaço para sonhar. Minha mãe me ensinou a ter fé. Me ensinou que bastava acreditar. Não era preciso ver ou tocar. Somente acreditar. A minha fé, certamente me fez entender um monte de coisas e me ajuda muito a tomar minhas decisões. Existe uma certeza enorme dentro de mim de que tudo vai dar certo, mesmo quando parece estar propenso à desabar. Junto com a minha fé ela me deu a oportunidade de acreditar em milagres. Meu filho ficou vivo, sem qualquer comprometimento depois de um acidente de carro gravíssimo, quando ele tinha apenas 2 anos. No dia da alta dele, os médicos disseram que a medicina não era capaz de explicar aquela recuperação. Os médicos não sabiam explicar, mas apesar dos meus imaturos 20 anos, eu sabia. Minha mãe não me ensinou uma religião, esse seria um caminho muito mais fácil. Ela aceitou ter o trabalho de me ensinar a ter fé.

Meus filhos me presentearam com o maior amor do mundo. Aquele amor que faz todo o resto perder sentido e faz nossa vida valer a pena.

Tenho aprendido diariamente o valor do prazer sem culpa nenhuma e tenho consciencia de que preciso sempre fazer minha parte para ter sucesso na relação de prazer sem culpa.

Quando penso no meu futuro, me sinto feliz com as minhas possibilidades, mas sempre caminho com a certeza de que mais importante do que o que estamos buscando é nunca esquecermos de onde viemos. O lugar de onde viemos é o que nos trouxe até aqui, com a dor e a delícia de sermos o que somos.

Olha os meus pais aí de novo! Sou grata a eles por me ensinarem a não esquecer de onde eu vim. E espero poder ensinar isso também para os meus filhos.

No momento em que faço essa reflexão agradeço imensamente pela vida de todas as pessoas que eu amo e compreendo que por mais que o meu pai tenha ido embora dessa vida, ele sempre esteve aqui.

Se hoje eu tivesse que responder qual é o preço da minha vida, eu diria que não tenho a menor ideia, mas que estou trabalhando para valorizar ainda mais os momentos que são impossíveis de mensurar. E termiraria concluindo que não se trata de preço, mas sim de valor.

Coração

2 thoughts on “Qual é o preço da sua vida?

  1. Excelente… estou precisando botar “valor” na minha vida. De agitação, de cuidar dos outros, esquecendo de mim, estou dando um basta!

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