Tem coisas que são de mãe

Hoje me peguei em uma prece silenciosa, que fez encher meus olhos de lágrimas. Estava deitada com um dos meus filhos, ninando seu sono e pedindo com todo meu coração que nosso caminho juntos fosse longo e feliz. Eu acho que eu pude me sentir como toda mãe se sente.
Não importa a diferença entre as mães, o que elas pensam sobre o que é melhor em termos de educação, alimentação, rotina e valores, o que toda mãe quer é ter um caminho longo e feliz ao lado dos seus filhos. Não importam as diferenças, os medos que permeiam o coração de uma mãe são sempre os mesmos.

Quando grávidas, temos medo de que nossos filhos não tenham saúde, morremos e vivemos de novo antes e depois de cada ultrassom, só acreditamos na saúde de nossos bebês quando podemos pega-los no colo pela primeira vez. Com o bebezinho em casa temos os mais diferentes medos. Por isso, acabamos vivendo em função do bem estar dos nossos bebês. Escutamos conselhos, mudamos de ideia, passamos algumas vezes pelo berço antes de dormir e até de madrugada para checar se eles estão respirando, transpirando, se podem estar com frio. Passamos horas implorando para eles dormirem e quando dormem, se demoram a acordar, não aproveitamos para fazer algo para a gente. Acabamos ficando bem perto de onde eles estão dormindo, porque uma voz que vem sei lá de onde, diz que algo pode não estar bem. Afinal porque ele estaria dormindo tanto? E só sossegamos quando eles acordam e nos sorriem, como se quisessem dizer: calma mamãe, está tudo bem. Temos medo que nossos bebês quebrem, que adoeçam, que tenham febre antes de completar 1 mês, que peguem alguma doença antes de terminar o longo e interminável período das vacinas. Temos medo que pessoas peguem nossos bebês no colo e de repente parece que só a gente tem experiência com bebês e que todos são grande desajeitados. Temos medo do mundo lá fora. Nossos ouvidos ficam seletivos e não passamos mais imunes a notícias que envolvam violência, catástrofes, perdas. Sempre pensamos que poderiam ser nossos filhos. Esquecemos de nós mesmas por um tempo e demoramos um bom tempo para sentir falta. Sofremos com dores para amamentar, não penteamos o cabelo, esquecemos de tomar banho e de escovar os dentes, esquecemos de comer. Fazemos muitas coisas ao mesmo tempo, aprendemos as propriedades nutritivas de todos os alimentos, em pouquíssimo tempo nos tornamos especialistas em um monte de coisas. Não conseguimos mais olhar uma janela e não pensar que isso pode representar um risco para a vida de nossos bebês. Vivenciamos várias primeiras vezes em pouco tempo e todas elas enchem nosso coração de alegria e os olhos de lágrimas. Passamos a gostar das pessoas que gostam de nossos filhos, a freqüentar lugares onde os nossos filhos são bem-vindos, onde é fácil estacionar ou transitar com o carrinho. Os passeios viram eventos. Os dias exaustivos. A rotina passa a ser essencial e a gente passa a ter medo de sair dela. Vemos nossos filhos descobrindo o mundo e nos damos conta que estamos também descobrindo um novo mundo com eles. Temos pressa que eles se desenvolvam e temos muito medo que algo de ruim aconteça a eles. Vivemos o inevitável, nossos filhos vão cair, vão se machucar, vão ter febre, vão ficar doentes, vão ficar tristes, vão sentir medo e vão sentir dor. Por mais que lutemos, não conseguiremos impedir que essas coisas aconteçam. E vamos cada vez mais nos fortalecendo e aprendendo a confortar, cuidar e curar nossos bebês. E de repente, sentimos todo amor que damos ser retribuído. Quando um estranho se aproxima, eles nos buscam desesperadamente. Sorriem para a gente o tempo todo e dão gargalhadas respondendo às nossas brincadeiras mais bobas. Chamam por nós quando se machucam, quando se assustam depois de um sonho ruim ou se sentem mal. Retribuem diariamente toda a nossa dedicação com seus sorrisos e seus carinhos. Eles crescem. E o tempo passa muito rápido. E de repente quando aprendemos tudo sobre ser mães de bebês, precisamos aprender a ser mães de crianças, e de repente, num piscar de olhos, mães de adolescentes. E as mães aprendem rápido. E cada mãe, do seu jeito, faz sempre o melhor por seus filhos. Não é exagero dizer que deixam de comer para que seus filhos comam e podem passar anos fazendo o que não amam para garantir segurança, educação e conforto para os seus filhos. Vivemos para nossos filhos e não porque eles nos pediram ou porque alguém disse que tem que ser assim, mas porque queremos.

Enquanto eles crescem, preparamos eles para o mundo, sofremos ao vê-los cada vez mais independentes, vivendo sua própria vida, mas ao mesmo tempo sentimos muito orgulho do filho que estamos dando de presente para o mundo. Morremos de orgulho do seu repertório, do seu conhecimento, da sua vontade de viver, da sua vontade de fazer a diferença, das suas escolhas. E por mais que o tempo passe e por mais independente que eles fiquem, continuamos disponíveis, fortes, de braços abertos e dispostas a mudar toda a nossa vida ao menor sinal que eles dêem de que precisam de nós.

Quando eu tinha 17 anos, Deus falou comigo e me deu a chance de ser mãe do Gabriel. Ao contrário do que eu pensava, ele me ensinou muito mais do que eu a ele. Ele me preparou para vida. Ele me fez entender o real valor das coisas, ele me fez querer viver e me ajudou a superar perdas. Ele me ensinou a ser mãe. Hoje entendo o que Deus me disse há 17 anos atrás e me sinto muito grata. Hoje entendo que ter filhos gêmeos foi mais um presente de Deus na minha e que vou ter a sorte de viver diferentes fases dos meus filhos e estar com eles por muito tempo. Deus atendeu minha prece de ter uma família grande e uma casa cheia vida. E dessa forma meu coração se encheu de amor. E dessa forma Deus se fez muito presente em minha vida. Dessa forma passei a conversar com Deus quase diariamente. A última vez foi quando, no meio de um dia difícil, desses que a gente pensa em jogar tudo para o alto e sair correndo, apareceu um beija-flor, num lugar totalmente inusitado, que roubou toda a minha atenção e me encheu de paz. Às vezes, no meio do trânsito e do caos, em meio a várias árvores, aparece uma árvores totalmente coberta de flores cor de rosa e mais uma vez, me encho de paz. Como aconteceu com o beija-flor e com as árvores floridas, sinto essa paz quase sempre através das descobertas, do sorriso, do abraço e do carinho que ganho dos meus filhos. Me sinto abençoada de uma maneira que não sou capaz de agradecer.

Acho que esse texto poderia ser assinado por todas as mães do mundo. Tenho visto ultimamente, que pessoas completamente diferentes e totalmente desconhecidas acabam se solidarizando com todos os dilemas e dores de outras mães, que elas se entendem, riem de si mesmas, encontram alívio e apoio ao se identificarem tanto com outras mães. Ver uma mãe bem sucedida nos dá a certeza de que seremos também. No quesito amor de mãe, todas nós somos iguais. Capazes de lutar qualquer batalha, de aprender o que for preciso e de construir estradas se preciso, para proteger e mostrar para os nossos filhos por onde ir.

Coração

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