Viver ou saber que está vivendo?

O que importa afinal, viver ou saber que está vivendo? Temos nos preocupado demais em viver simplesmente e acabamos nos esquecendo de perceber a vida. A vida que está na felicidade que sentimos ao escutar nossa música preferida ou comer algo que nos presenteia os sentidos. A que sentimos quando somos surpreendidos ao ganhar um beijo do nosso filho sem pedir, por pura demonstração de afeto e amor.

Saber que estamos vivendo é nos darmos conta da nossa felicidade diária. É desistir de ficar onde não podemos amar e procurar o amor, custe o que custar.

É se perceber e sentir de verdade. É prestar atenção ao que sente e obedecer a cada um desses sentimentos.

É ter a capacidade de sonhar acordado e a coragem de realizar sonhos. É ser capaz, mesmo que por raros instantes, de voar mesmo sem ter asas e sentir os pés deixarem de tocar o chão por puro estado de realização e felicidade.

Sentir a vida é se perguntar frenquetemente sobre prazer ou sensatez e muito consciente, em algumas vezes, escolher pelo prazer. É se permitir imaginar. Se tornar o observador das histórias dos outros e se permitir inspirar-se com elas.

É imortalizar na memoria e no coração nossas experiências inesquecíveis. Se entregar de verdade para as nossas relações e estar presente nelas. Porque a mão do seu bebezinho vai crescer, seu bebê não vai falar para sempre de maneira fofa como um bebê. Aproveitar a companhia dos seus filhos enquanto eles são apenas seus filhos. Se deixar contagiar pelas gargalhadas dos seus bebês e gargalhar com eles. Bagunçar junto. Ter várias primeiras vezes. Ir pela primeira vez a muitos lugares. Se doar para os nossos melhores amigos e cultivar
nossas amizades. Estar consciente que é preciso aproveitar, porque ciclos bons vão se encerrar, seus filhos vão crescer, pessoas queridas vão partir, ou simplesmente vão se perder pelo caminho.

É aproveitar o por do sol até ele sumir inteirinho no horizonte, tomar seu drink preferido até a última gota, repetir o drink até parar de sentir o chão ou perder a capacidade de controlar suas gargalhadas, mergulhar em um balde de pipoca para assistir seu filme preferido pela centesima vez, mesmo que você já tenha jantado, chupar os dedos depois de comer o último pedaço de chocolate ou fazer milhares de vezes as mesmas coisas, voltar para os mesmos lugares, se isso te fizer feliz.

Colecionar memórias e se orgulhar das suas cicatrizes.

Permitir que as lágrimas caiam quando os olhos pedem e que o coração dispare quando ele transborda de felicidade ou se enche de expectativas.

Fechar os olhos e ter a capacidade de não estar mais presente.

É desejar o proibido e praticá-lo porém ter consciência de que para fazer do proibido algo realmente excitante é preciso fazê-lo com muito juízo.

É não ter medo de tentar, de persistir e de se arriscar. Porque a felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre.

É se entregar de corpo e alma, se deixar arreabatar pelo amor, se apaixonar, pagar para ver, realizar seus desejos, dos mais inocentes aos mais indecentes.

Se arriscar.

Dizer por pura alegria de viver: A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale à pena!

Coração

Esse texto se inspirou em algumas citações de Clarice Lispector (elas estão marcadas em itálico), uma mulher que me parece ter vivido intensamente a vida e se preocupado em inspirar a todos a fazer o mesmo.

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